Quanto maior e mais poderoso um governo, quanto mais
leis e regulamentações ele cria, mais os empresários poderosos e com boas conexões
políticas irão se aglomerar em torno dele para obter privilégios.
Quanto maior e mais poderoso um governo, quanto mais
leis e regulamentações ele cria, mais brechas ele abre para que empresários
poderosos se beneficiem à custa dos concorrentes e da população como um todo.
Tais empresários irão, por meio de favores pessoais ou
de propinas, burlar estas leis e regulamentações (com o aval de políticos) ao
mesmo tempo em que defenderão a imposição destas leis e regulamentações sobre
seus concorrentes.
Isso, obviamente, não é capitalismo genuíno, mas sim
uma variação do mercantilismo. Trata-se de um capitalismo mercantilista, um
capitalismo de compadrio, um capitalismo regulado em prol dos regulados e dos
reguladores, e contra os consumidores.
Neste sistema econômico, o mercado é artificialmente
moldado por uma relação de conluio entre o governo, as grandes empresas e os
grandes sindicatos. Políticos concedem a seus empresários favoritos uma
ampla variedade de privilégios que seriam simplesmente inalcançáveis em um
genuíno livre mercado.
Há a criação de privilégios legais, que vão desde
restrições de importação, subsídios diretos, tarifas protecionistas, empréstimos
subsidiados feitos por bancos estatais, e agências reguladoras
criadas com o intuito de cartelizar o mercado e impedir a entrada de
concorrentes estrangeiros, até coisas mais paroquiais como a
obrigatoriedade do uso de extintores e do kit de primeiros socorros nos automóveis
e a obrigatoriedade do uso de canudinhos plastificados (devidamente fornecidos pela empresa lobbista) em bares e restaurantes.
E há a criação de privilégios ilegais, que vão desde
fraudes em licitações e superfaturamento em prol de empreiteiras (cujas obras são pagas
com dinheiro público) a coisas mais paroquiais como
a concessão de bandeiras de postos de combustíveis para empresários que
pagam propina a determinados políticos (bandeiras essas negadas para empresários
honestos e menos poderosos).
Em troca, os empresários beneficiados lotam os
cofres de políticos e reguladores com amplas doações de campanha e propinas. A criação
destes privilégios pode ocorrer ou abertamente, por meio de lobbies e da atuação
grupos de interesse, ou na surdina, por meio do suborno direto.
Em ambos os casos, empresários poderosos e grupos de
interesse conseguem obter privilégios mediante o uso da coerção estatal. E isso só é possível porque há um estado
grande que a tudo controla e tudo regula.
Um estado grande sempre acaba convertendo-se em um
instrumento de redistribuição de riqueza: a riqueza é confiscada dos grupos
sociais desorganizados (os pagadores de impostos) e direcionada para os grupos
sociais organizados (lobbies, grupos de interesse e grandes empresários com conexões
políticas.
A crescente concentração de poder nas mãos do estado
faz com que este se converta em um instrumento muito apetitoso para todos aqueles
que saibam como manuseá-lo para seu benefício privado.
Os libertários, obviamente, se opõem radicalmente a ambos
esses arranjos, tanto o legal quanto o ilegal.
E a receita que propõem é bem simples: se os
lobbies, os grupos de interesse e as propinas surgem porque o estado detém um
grande poder regulatório e decisório, então nada mais lógico do que reduzir o
estado a uma mínima expressão.
O problema é que esta receita rapidamente gera algumas
dúvidas e suspeitas legítimas entre aqueles que estão dispostos a fazer um
debate racional (e não um emocional e ideologizado): se por acaso o estado
fosse reduzido a uma expressão mínima, os lobbies e grupos de interesse não acabariam
tendo muito mais poder do que têm hoje?
Será que não necessitamos de um estado forte justamente para que ele
mantenha os grupos de interesse dominados (muito embora a empiria confirme que
os lobbies e os grupos de interesse prosperam justamente com estados fortes)? A
diminuição do estado não levaria à criação de uma oligarquia capaz de nos impor
unilateralmente suas vontades?
A resposta a todas essas perguntas sensatas é um
sonoro ‘não’, e o motivo está vinculado ao conceito de autoridade política.
A
autoridade política
Por que a maioria das pessoas aceita e legitima que
o estado faça coisas que, caso fossem feitas por agentes privados, seriam
vistas com horror?
Por exemplo, a maioria das pessoas vê com
naturalidade que o estado cobre impostos dos trabalhadores e distribua esse
dinheiro para ONGs, artistas e movimentos sociais, mas consideraria uma aberração
caso uma turba invadisse uma casa, tomasse a carteira do morador e desse esse
mesmo dinheiro para ONGs, artistas e movimentos sociais. Igualmente, a maioria das pessoas vê com
naturalidade que o estado restrinja — por meio da burocracia, da alta carga
tributária e das licenças
ocupacionais — a liberdade de empreendimento das pessoas, mas consideraria
uma aberração caso um grupo qualquer, de maneira idêntica, também coibisse
outras pessoas de empreender.
Por fim, a maioria das pessoas vê com naturalidade
que o estado conceda monopólios e reservas de mercado (via agências
reguladoras) para grandes empresas, mas consideraria uma aberração caso empresários
se auto-arrogassem esses privilégios.
Por que então toleramos que o estado incorra em
atividades que condenaríamos de imediato caso fossem executadas por indivíduos?
Porque, como bem explicou o filósofo Michael Huemer
no livro The
Problem of Political Authority, o estado usufrui autoridade política. Autoridade política seria a legitimidade política
socialmente reconhecida ao estado para impor leis e usar a coerção sobre a
sociedade (sociedade esta que, por sua vez, tem a obrigação política de obedecê-lo). Segundo Huemer, embora a autoridade política seja
limitada territorialmente (um estado possui autoridade política somente dentro
de seu território), ela é total dentro deste território (todos, ou quase todos,
os cidadãos são obrigados a obedecer ao estado). Adicionalmente, o estado teria a legitimidade
para legislar sobre diversas questões e o conteúdo dessas legislações seria
quase ilimitado. Por fim, trata-se de
uma exercício de supremacia, pois, dentro deste território, não há nada que
esteja hierarquicamente acima do estado.
Neste sentido, podemos definir o estado como aquele
ente ao qual a imensa maioria dos cidadãos concede e reconhece autoridade política. O estado, portanto, pode fazer o que faz
porque o conjunto da sociedade aceita lhe conceder um vasto poder
discricionário — poder este que a sociedade concede somente ao estado.
Os
políticos “patrimonializam” autoridade política
Ao menos no Ocidente, os lobbies, os grupos de interesse
e os empresários carecem de autoridade política. Se a possuíssem, poderiam atuar à margem do
estado, e consequentemente não teriam de exercer essa onerosa intermediação sobre
o estado. Se a possuíssem, poderiam por
conta própria fechar mercados, criar monopólios, impor tarifas de importação, estipular
licenças ocupacionais, e auferir subsídios para si próprios.
Obviamente, portanto, os lobbies, os grupos de interesse
e os empresários carecem de autoridade política para exercerem, sozinhos, todos
estes despautérios. A sociedade não aceitaria
que nenhuma empresa ou associação de pessoas se arrogassem tais poderes. E, justamente por carecerem de autoridade política
própria, os lobbies, os grupos de interesse e os empresários encontram apenas uma
única via para exercê-la em proveito próprio: valendo-se da autoridade política
que possui o estado.
E é exatamente a isso que se dedicam: a exercer pressão
sobre os mandatários, a quem os cidadãos reconhecem autoridade políticas. Em outras palavras, os políticos terceirizam os
direitos de uso de sua autoridade política no mercado negro dos lobbies e das
propinas: aquele grupo de interesse ou aquele empresário mais pujante receberá
o favor do político correspondente.
A estratégia dos políticos, portanto, consiste em “patrimonializar”
a autoridade política que a população lhe concedeu. O político capitaliza essa sua autoridade e a arrenda
a quem oferecer mais.
A solução libertária? Limitar enormemente (ou até mesmo eliminar) a
autoridade política que socialmente concedemos e reconhecemos ao estado.
E
se o estado não possuísse (tanta) autoridade política?
Se o estado deixa de dar subvenções aos lobbies, aos
grupos de interesse e aos empresários bem conectados, estes não irão adquirir
autoridade política para cobrar privilégios da sociedade. A sociedade é perfeitamente capaz de se
auto-coordenar perfeitamente neste quesito.
Não é necessário haver uma “autoridade política que determine a transferência
de renda de grupos menos organizados para grupos mais organizados”.
O mesmo é válido para todas as hiper-regulamentações
estatais que atualmente beneficiam grandes empresas e grupos de interesse.
Em definitivo, minimizar o tamanho do estado —
deixar de lhe reconhecer autoridade política sobre várias atividades que hoje
ele exerce — não implica maximizar o poder dos lobbies, dos grupos de
interesse e dos grandes empresários, mas sim minimizá-lo por igual: tais grupos
carecem de autoridade política para exercer coerção sobre a sociedade e, por
isso, têm de instrumentalizar o estado (que no momento usufrui essa autoridade)
a seu favor.
Diminuir drasticamente o estado não é sinônimo de
repartir o poder político, mas sim de diminuí-lo. A sociedade livre pode se autocoordenar internamente
por meio da propriedade privada individual, das co-propriedades coletivas e dos
contratos voluntários. Se muito, pode-se
ter uma autoridade política ultralimitada que se encarregue exclusivamente de
velar pelo respeito aos contratos, mas nada mais.
Esse é, portanto, o caminho para se lutar contra a corrupção,
contra os grupos de interesse e contra os lobbies empresariais: reduzir ao máximo
o tamanho do estado para que se permita a pacífica, cooperativa e espontânea coordenação
interna de uma sociedade.
Com estado grande, intervencionista e ultra-regulador,
lobbies, grupos de interesse e subornos empresariais sempre serão a regra.
______________________________________
Juan
Ramón Rallo, diretor do Instituto Juan de Mariana e
professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em
Madri. É o autor do livro Los Errores de la Vieja
Economía.
Leandro
Roque é o editor e tradutor do site do Instituto
Ludwig von Mises Brasil.
Interessante, gostei do artigo.
Esta questão da autoridade política elucida várias coisas, ótima ideia em trazê-la ao texto. E isso responde muitas perguntas de muitos estatistas que têm medo do “grande capital” (seja lá que diabos isso signifique).
Na minha humilde opinião, a liberdade só poderá florescer em pequenas jurisdições políticas. Quanto menores forem, mais liberdade haverá. Isso só é possível através da secessão de unidades políticas menores, mas a verdadeira secessão ocorre a nível individual, pois o ser humano nasce para ser livre.
Não vejo André Esteves como empresário, nem tampouco o BTG Pactual como empresa. Até ontem via, depois de ontem passei a ver o empresário como o principal operador financeiro do PT e o BTG Pactual como a fachada privada para lavar o dinheiro do partido. Na verdade o banco é o caixa 2 do PT e o André Esteves seu contador e financista de luxo que já estava em vias de comprar seu próprio banco na Suíça depois de espalhar o dinheiro da corrupção em vários países do mundo e multiplicá-lo várias vezes no mercado financeiro. Na prática ele era um membro de quadrilha. Só opinião.
Excesso de regulamentação, excesso de intervencionismo governamental, excesso de taxação e impostos, etc… onde tem burocratas governamentais envolvidos, a corrupção é inevitável…
Para acabar com o capitalismo de Estado no Brasil, só mudando a Constituição Federal… tem um capítulo inteiro dando praticamente plenos poderes para o Estado intervir no domínio econômico, inclusive afirmando que as jazidas do país são bens públicos, ou seja, se vc furar um poço no quintal e descobrir que tem petróleo, o produto não é seu! é do Estado!
Daí o governo fica tirando vantagem da economia manipulando os agentes através de concessões…
As autarquias do governos só prestam para proteger o cartel. O consumidor que se dane e pague a conta.
O conceito do artigo é excelente. Como implementar tal diminuição do Estado, aqui no Brasil, é algo que não consegui imaginar de modo completo, devido à imensidão de agentes e maneiras que tais agentes utilizam para ‘operar’.
Tenho algumas idéias, mas não consigo imaginar todas as variáveis necessárias para tal diminuição.
Parabéns à dupla Rallo/Roque.
“a estratégia dos políticos, portanto, consiste em ‘patrimonializar’ a autoridade política que a população lhe concedeu. O político capitaliza essa sua autoridade e a arrenda a quem oferecer mais”:
aqui vale lembrar o argumento do Hoppe: a social-democracia (dentre outras coisas) serve a essa concessão de “autoridade política” ao estado (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=398 e http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1495); no caso brasileiro em especial, basta recordar como a “necessidade” de uma “autoridade política que determine a transferência de renda de grupos menos organizados para grupos mais organizados” é sempre “justificada” com invocação da “democracia” (e temos visto, justamente, os esquerdopatas fazendo isso de forma recorrente).
O livro do Michael Huemer, citado no artigo, aborda isso: no capítulo 4 ele fala sobre “authority of democracy”, e o capítulo 13 intitula-se “from democracy to anarchy”.
Aliás, esse livro do Huemer, embora recente (2013), já é considerado uma obra obrigatória de filosofia política (spot.colorado.edu/~huemer/book3.htm): trata-se de um volume de 350 páginas que aborda, p.ex, o “social contract theory” e a “psychology of authority”, além do tema da “individual security in a stateless society”, “criminal justice and dispute resolution”, e “war and societal defense”, temas libertários que são bem recorrentes aqui no site.
[Uma carência do livro do Huemer é a ausência de referência aos autores austro-libertários: há menção ao “New Liberty” do Rothbard (todavia, não ao “Ethics of Liberty”), mas, p.ex., não há Hoppe na bibliografia].
Para ler em conjunto com o artigo,
vale conferir três do Hans Sennholz:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1876
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1822
e esse:
“A conclusão é que os socialistas se reinventaram, trocaram seu rótulo para social-democratas, deixaram de lado sua ânsia de estatizar diretamente os meios de produção e optaram por um mais suave modelo fascista, no qual estado e grandes empresas atuam em conluio para se beneficiar mutuamente e prejudicar o cidadão, que tem de aceitar serviços ruins e caros, pois não há mais livre mercado. Exatamente o intuito original dos socialistas“: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1647
Bom artigo, outro ponto que a tal autoridade política faz de muito contraditório é a Mega Sena, o governo fazer jogo de azar tudo bem, mas se alguma empresa que não esteja em conluio com o estado fizer é prisão.
Abraços
São bois de piranha.
“Delcídio Amaral: o mais tucano dos petistas.”
Como que numa jogada de mestre, já estão associando o Delcídio ao PSDB, bem como citando sua atuação junto à PTroubarás no governo anterior. Olha a inversão!
Numa análise “profunda”, baseada nos meios de comunicação existentes, o homem médio irá pensar: “Ah, sabia que tinha o PSDB no meio. São todos iguais. Então, deixa como está, não tem jeito, é tudo igual.”
Agora, fica a dúvida: não dá para saber se essa associação/difamação está sendo feita agora, depois do escândalo….. ou se trata-se de uma carta na manga, se fora algo planejado anteriormente, justamente para servir de munição em futura defesa.
tem algum artigo que fala sobre como se daria a privatização de um pais/estado?
porque atualmente, quando se privatiza uma empresa estatal, isso injeta recursos no governo.
como privatizar sem financiar o estado?
Alguém aqui sabe mais sobre que o Bil Gates deu uma entrevista onde ele fala que: ‘Só o socialismo pode salvar o clima, o setor privado é incapaz’.
na minha página no Face, um amigo compartilhou este artigo:
Leia mais: http://www.thebruzundangastimes.com/products/bill-gates-so-o-socialismo-pode-salvar-o-clima-o-setor-privado-e-incapaz1/ usuncut.com/climate/bill-gates-only-socialism-can-save-us-from-climate-change/
Melhor artigo sobre capitalismo que li até o momento.
O prof. Luiz Flavio Gomes fala que essas empresas que fazem essa troca de favores com o governo são os verdadeiros donos do poder no Brasil.
Bom artigo, mas no final peca por não mostrar um caminho alternativo. Não acredito que um estado muito menor, no sentido de excessiva desregulamentação seja positivo. Daria no mesmo, empresários sem controle algum iriam fraudar produtos, enganar consumidores, explorar trabalhadores. Tem que ter um meio termo.
Não existe crime sem apoio bancário. O HSBC que o diga…
Texto despropositado. Até o ultra liberal capitalista Bill Gates reconhece que só o socialismo salva o mundo.
Exatamente..o estado só impõe suas vontades porque as pessoas o concedem tal “liberdade”…e o primeiro passo para mudar esse cenário é fazer com que as pessoas reconheçam o que é o estado (uma instituição coercitiva e imoral)
Um passo para a diminuição do Estado seria o governo federal deixar a maior parte dos impostos para os Estados, e este deixar a maior parte para os Municípios. Seria um tímido começo. Só que é, digamos, meio impossível de acontecer no Brasil de hoje, e de amanhã também.
Tenho uma dúvida Leandro. Temos diversas falhas no sistema estatal, mas e em uma nação anarcocapitalista, quais falhas (se possuir) e quais dilemas este tipo de sociedade enfrentaria? Refletindo um pouco só consigo imaginar os problemas que ocorrem naturalmente entre humanos por causa de suas diferenças e crenças/opiniões.
Me ajude a pensar um pouco nos problemas que uma suposta sociedade anarcocapitalista enfrentaria. Abraços!
Me perdoem pela ignorância, na verdade não sei bem onde perguntar isso, mas não consigo entender como ter um “Balanço de Pagamentos” negativo pode prejudicar a economia de um país. Acredito que a taxa de câmbio sempre se ajusta de acordo com a oferta/demanda e que isso resolve qualquer desequilíbrio que possa vir a ocorrer, realmente não entendo o motivo de existirem demasiadas políticas para se ter um “Balanço de Pagamentos” positivo.
Brasil, pra sempre um país corrupto.
Aqui, o povo ainda está convencido que o problema é a corrupção e que basta tirar alguns elementos podres que tudo se resolverá. Além de serem pró-estado em quase tudo.
Sem chances!
Colegas, sou leitor assíduo deste sítio desde que o encontrei a um ano atrás. Desnecessário dizer que concordo com o Estado mais Mínimo possível, Desestatizações, Desregulamentações etc… Enfim, o estado não atrapalhar o setor privado infinitamente mais eficiente e produtivo.
Por viver em um país onde o estado é paquidérmico, as vezes me questiono sobre como viver sem ele, alguns pontos:
1) Nos primórdios da revolução industrial americana, por volta de 1800, quando surgiram grandes impérios industriais como a Standard Oil de Rockefeller, que dominou completamente o setor de petróleo através de práticas monopolistas ilegais; quem se não o estado poderia ter quebrado este monopólio ? – The Sherman Antitrust Act –
2) Quem se não o estado para regulamentar/unificar práticas ambientais, tipo EPA ? Se deixarmos somente para o setor privado não seria todos fazendo como a VW no Dieselgate ?
3) Segurança veicular – exigência de ABS/AirBags ? Crash-test ?
etc…
Olá! Não tenho o hábito de comentar, pois creio que a conversa fatalmente cai em acusações descabidas e falta de educação. Isso, independente do moderador e, por vezes, até daquele que comenta.
Contudo, irei discordar em parte do artigo, pois acredito que, apesar de tocar em um ponto importante, revela outro, tão importante quanto, que passa desapercebido pelos liberais.
Antes de iniciar meu aparte, direi quem sou, pois isso evitará, espero, acusações levianas.
Sou mestre e pesquisador do pensamento de Karl Popper, especificamente a respeito de sua epistemologia, tendo ênfase em suas posições a respeito da mecânica quântica. Portanto, profissionalmente, sou popperiano.
O artigo toca no ponto central de vários problemas da organização social, as diversas ligações perniciosas entre Estado e Mercado. As acusações, coerentes, explicam os meios e os motivos de questões como o crime ambiental e contra a vida ocorrido em Mariana recentemente.
O Estado, grosso modo, é a organização política que gere as relações interpessoais consideradas como de interesse público em um território unificado monetariamente. O Capitalismo, grosso modo, é o modo de produção, distribuição e organização geral dos valores e de seus agentes organizado entorno da valorização do valor. Capitalismo de Estado, pelo viés proposto pelo artigo, é o envolvimento do Estado na produção, distribuição e organização dos valores e dos agentes envolvidos. Certamente, pela própria definição que demos de Estado, por considerar parcelas do mercado como de interesse público.
O interessante é perceber que foi a união monetária, permitida pelo Estado, que possibilitou o capitalismo e, de outro lado, que foi o desenvolvimento mercantil que possibilitou a criação do Estado moderno, primeiramente em Portugal e posteriormente nos demais reinos e regiões européias. O que quero levantar é que, mesmo concordando com as críticas as relações entre Estado e Mercado, Estado e Mercado são duas instituições simbióticas e que não há um único contra exemplo dessa relação de cumplicidade e serventia na história. O capitalismo é, e sempre foi, essa relação entre Mercado e Estado. A disputa entre os empresários é alcançar as instâncias reguladoras da organização civil e, assim, garantir a valorização do valor. O próprio Estados Unidos se confunde com as gigantes corporações americanas, não somente culturalmente, mas também politicamente. A proteção de interesses desses grandes empresários, inclusive com o uso das forças militares, não é caso isolado na política norte-americana. A Venezuela de Chavez também é um exemplo da disposição do Estado em proteger os interesses dos campeões da indústria nacional. O Brasil da Odebrecht, a Inglaterra da British Oil, as três irmãs do setor de energia americano, etc. etc, etc.
O mercado, até agora, foi impensável sem as muletas do Estado, bem como o próprio Estado não se sustenta sem os recursos do capitalismo. O livre-mercado, imaginado pelos liberais, não passa de uma utopia, um não lugar histórico. Não há um exemplo de mercado livre no mundo, por conta da própria impossibilidade desse fenômeno.
Não sou contra utopias, credito a elas um papel muito interessante no desenvolvimento intelectual humano. Mas, utopias devem ser pensadas como tais e seu vislumbre não pode anuviar, como creio que ocorreu no artigo, a realidade. Estado e Mercado são inseparáveis, exatamente no sentido que o artigo chamou de Capitalismo de Estado.
Simplificação tributária no brasil já: imposto zero.
Como reduzir o Estado se a população quer saúde, educação, assistência social e tudo mais estatal? Qual o sonho atual do jovem brasileiro? É ser funcionário público. Além do mais o brasileiro odeia concorrência e quer estabilidade permanente. Eu estava vendo o pessoal do transporte público pirata disputando ponto um com o outro. É igual briga de cachorro, o que chega primeiro acha que é dono do ponto e até mesmo chega a agredir quem entrar no local e ameaçar o monopólio dele. Ou seja, odeia concorrência e quer o bolo só para ele. Os empresários cartelistas e taxistas agem da mesma forma. Esse é o comportamento do brasileiro. Se não mudar isso, não adianta fazer mais nada. É o mesmo que você querem que um santo frequente um prostíbulo sem perder sua castidade.
Boa tarde leandro,
Estava lendo sobre o caso de um refrigerante, que foi comprado por uma outra empresa maior, para evitar que esse crescimento atrapalha-se suas vendas.
o refrigerante no caso foi o guarana Jesus, la do nordeste se nao me engano, foi comprado pela COca-Cola, que realizou a compra para restringir as vendas do guarana Jesus, afim de preservar seu mercado. Nesse caso se for isso mesmo que se consolidar, e a Coca-cola resolver acabar com a marca Guarana Jesus, os consumidores desse produro seriam “prejudicados“, existe alguma maneira na qual o livre mercado pudesse solucionar esse tipo de problema? digo problema pois a populacao que consumia esse produto nao mais o fará, sendo asim “prejudicada“.
Obrigado
O governo toma 40% de nossa renda e determina como devemos usar os outros 60%.
E muitos ainda acusam o capitalismo pelos problemas causados.
* * *
Esse foi o capitalismo praticado por Mussolini na Itália fascista. Ele era um pouco mais inteligente que os comunistas e sabia que não conseguiria obter crescimento econômico com a indústria controlada pelo estado.
Então o que ele fez: delegou a administração para uns poucos empresários que eram seus amigos e passou a protegê-los com regulamentações e barreiras protecionistas, troca de favores, propinas e negociatas.
Curiosamente, é o mesmo modelo praticado no Brasil pelos governos atuais. Resumindo: o PT e o PSDB tem uma política econômica fascista.
Apenas uma coisa não ficou clara: o que impede as empresas de formarem monopólios por meio de acordos entre elas mesmas?
OBS: não sou estatista, tampouco simpatizo com o intervencionismo.
A maioria dos artigos deste sitio, quando procura falar em liberdades individuais, cita o exemplo da Liberdade de Empreender. Parece que tudo se resume no empreendedorismo. Se você não é um empreendedor, não possui um capital inicial, e é desprovido de recursos para empreender, ou ocupa posição social diferente, visto que não existe uma sociedade com 100% de empreendedores, você é apenas um sujeito descartável e não abrangido pelas garantias de liberdades que guiarão o hipotético estado liberal.