Todo mundo se diz a favor da liberdade de expressão. Mas qual seria o verdadeiro teste para saber quão
comprometida uma pessoa realmente é com a ideia de liberdade de expressão?
Contrariamente à crença amplamente difundida nos meios universitários, no
meio artístico, na grande mídia e até no judiciário, o verdadeiro compromisso com a liberdade de expressão
não está em permitir que as pessoas sejam livres para expressar apenas aquelas idéias
com as quais concordamos.
Nosso desafio sempre foi tolerar aquelas idéias ou expressões alheias que nos ofendem, e não aquelas que nos agradam e entusiasmam. Somos tolerantes quando respeitamos o dissenso, e não quando recriamos o consenso.
Infelizmente, o que temos hoje é apenas uma defesa simétrica da liberdade de expressão: só é lícito aquilo que me agrada. Aquilo que me ofende deve ser proibido.
Só que defender a liberdade de expressão de minhas idéias não é mérito nenhum. Tampouco representa qualquer utilidade social.
O verdadeiro teste para se saber o comprometimento de
uma pessoa para com a liberdade de expressão é ver se ela permite que outras
pessoas digam coisas que ela considera profundamente ofensivas, seja sobre raça, gênero ou religião.
Em suma, ou a liberdade de expressão é absoluta, ou ela não existe.
Já é possível visualizar um pseudo-intelectual universitário, principalmente oriundo de
alguma escola de direito, ávido para adentrar a cena e dizer que a liberdade de
expressão não pode ser absoluta, pois ninguém tem o direito de gritar “fogo!”
em um cinema lotado.
Correto, só que gritar “fogo!” em um cinema lotado não é uma questão de
liberdade de expressão. Uma pessoa que
grita “fogo!” em um cinema lotado está violando um contrato implícito: as
pessoas que estão no cinema pagaram para ver o filme sem serem
perturbadas. Ademais, a propriedade
do cinema não é dele; ele tem o direito de falar o que quiser apenas em sua própria propriedade (ou na propriedade de alguém que concordou em dar espaço a ele). Logo, não sendo sua propriedade privada, sua “liberdade de expressão” dentro daquele estabelecimento não é
absoluta.
Obviamente, se todos os espectadores fossem informados, ao comprarem os
ingressos, de que alguém iria falsamente gritar “fogo!” durante a exibição, aí não
haveria problemas.
Mas essa questão é a menor de todas.
Um
problema muito maior envolvendo a liberdade de expressão está na questão da difamação,
a qual é definida como o ato de fazer uma falsa afirmação (oral ou escrita) sobre
a reputação de uma pessoa. A difamação é criminalizada. Mas deveria ser?
Essa questão pode ser respondida de maneira mais direta fazendo-se outra
pergunta: a sua reputação pertence a você? Em outras palavras, as idéias e os pensamentos que outras pessoas têm a
seu respeito são sua propriedade? Teria você
o direito de obrigar terceiros a pensar a seu respeito apenas aquilo que você quer?
O verdadeiro mérito está em defender a liberdade de expressão daqueles que nos ofendem profundamente, e então vencê-los no debate por meio da razão. A censura prévia é simplesmente o método a que recorrem os intelectualmente incapazes.
Falar é mais fácil que aceitar
Os princípios que devem ser verificados a respeito do compromisso
de um indivíduo para com a liberdade de expressão também devem ser verificados
a respeito do seu compromisso para com a liberdade de associação.
O verdadeiro teste para determinar se um
indivíduo é sinceramente comprometido com a defesa da liberdade de associação não está em ele permitir que as pessoas
se associem de uma maneira que ele aprova. O verdadeiro teste ocorre
quando ele permite às pessoas serem livres para se associar voluntariamente de
maneiras que ele considera desprezíveis.
Um estabelecimento que proíbe a entrada de negros é tão válido quanto um que
proíbe a entrada de brancos. Um estabelecimento que proíbe a entrada de
homossexuais é tão válido quanto um que proíbe a entrada de heterossexuais. Um
estabelecimento que proíbe a entrada de judeus é tão válido quanto um que
proíbe a entrada de neonazistas.
Associação forçada não é liberdade de associação.
Por outro lado, práticas discriminatórias em estabelecimentos públicos —
como bibliotecas, parques e praias — não devem ser permitidas, pois tais
localidades são financiadas com o dinheiro de impostos pagos por todos. Porém, negar a liberdade de associação em
clubes privados, em empresas privadas e em escolas privadas viola o direito que
um indivíduo tem de se associar apenas a quem ele quer.
Nos EUA, por exemplo, empreendedores cristãos têm sido perseguidos por se
recusarem a fornecer
serviços de bufê para casamentos de pessoas do mesmo sexo. As pessoas que apóiam esse tipo de coerção deveriam
se perguntar se elas também defenderiam ataques ao judeu proprietário de uma loja
de iguarias que se recusasse a fornecer serviços para o casamento de
simpatizantes neonazistas.
O negro dono de um bufê ou mesmo o negro que é garçom deste bufê deveriam
ser forçados a prestar serviços para supremacistas brancos? ONGs que defendem políticas de ação afirmativa
em prol dos negros deveriam ser obrigadas a aceitar em seus quadros skinheads
racistas? O chef homossexual de um
restaurante deve ser obrigado a cozinhar e servir um cliente avesso a gays? A cozinheira feminista deve ser obrigada a
atender um cliente machista?
Vale enfatizar que há uma diferença entre o que as pessoas são livres para
fazer e o que elas considerarão do seu interesse fazer. Por exemplo, o presidente de um time de
basquete deve ser livre para se recusar a contratar jogadores negros. Mas seria do interesse dele fazer isso?
Consequências não-premeditadas
Quando um grupo politicamente influente consegue instituir a censura sobre aquelas idéias alheias que consideram ofensivas, essa ação bem-sucedida começa a atrair imitadores: a tendência natural é que outros indivíduos que também se sentem ofendidos por outras idéias passem a exigir a censura dessas idéias. Como consequência, o debate, as trocas de ideias e a liberdade de pensamento vão se tornando cada vez mais manietados.
Pior: quando um grupo vê suas idéias sendo censuradas, a tendência é que ele redobre a aposta em suas idéias, tornando-as ainda mais agressivas, podendo se degenerar em violência física.
Assim, qualquer sociedade que opte pela censura, ainda que branda, está continuamente colocando em xeque a resistência de seus pactos implícitos em torno da liberdade de expressão.
E aí está aberta a Caixa de Pandora.
A liberdade requer, acima de tudo, coragem
Não é difícil comprovar que as pessoas, em geral, estão cada vez mais hostis
aos princípios da liberdade. Elas estão cada
vez mais facilmente ofendidas, e, com isso, querem cercear a liberdade alheia. Eles querem liberdade apenas para elas próprias. Já eu quero bem mais do que isso. Quero liberdade para mim e para meus
semelhantes.
A liberdade requer coragem. Ser um genuíno defensor da liberdade de expressão implica aceitar que algumas pessoas irão dizer e publicar coisas que consideramos profundamente ofensivas. Igualmente, ser um genuíno defensor da liberdade de associação implica aceitar que algumas pessoas irão se associar de maneiras que consideramos profundamente ofensivas, tais como se associar — ou se recusar a se associar — utilizando como critérios raça, sexo ou religião.
Você tem todo o direito de ter ficado ofendido com este artigo, mas não tem
o direito de me proibir de falar o que penso em minha propriedade.
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Leia também:
Para que serve a liberdade de expressão — e quais os seus limites
Na censura às supostas “fake news”, a maior vítima é a responsabilidade individual
Ótimo artigo.
Gostaria de pontuar uma ressalva que tenho em relação à reputação. Em algumas profissões, a reputação é uma parte importante do trabalho. Um vendedor com fama de cumprir tudo o que promete terá maior potencial de vendas do que um vendedor conhecido por ser picareta. Em mercados financeiros, escritórios de advogados, contadores, babás, cuidadores de idosos, etc, reputação é importante. Quem você contrataria como babá, uma estranha completa ou uma babá com boa reputação? Quem conseguiria cobrar mais pelos serviços? A babá desconhecida ou a renomada? Partindo disso, eu infiro que reputação é parte do meio de produção daqueles que fornecem serviços.
Se um concorrente da babá bem conceituada espalhar um falso boato de que a babá agride as crianças, e se este boato se espalhar, isso pode impactar na demanda pelos serviços desta babá. Não é a mesma coisa que sabotar uma máquina industrial pois não há materialidade (no sentido físico) para a reputação. Mas ainda assim não poderia ser visto como uma agressão ao “meio de produção” da babá?
Vejo muitos hipócritas, tanto direita/esquerda, defender liberdade de expressão, mas sempre que se ofendem com algo que foi publicado em local privado seguido de regras privadas (facebook, youtube) eles recorrem ao estado, denunciam, ou mesmo o governo ao se ofender também por forma coercitiva derruba essas opiniões (vejam 2 videos recentes do Daniel Fraga que foram retirados do YT). E depois disso tudo isso vejo politicos e intelectuais dizerem que democracia é o mesmo que liberdade.
Uma pessoa que grita “fogo!” em um cinema lotado está violando um contrato implícito: as pessoas que estão no cinema pagaram para ver o filme sem serem perturbadas.
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Este mesmo contrato implícito vale para a democracia.
Uma pessoa não pode gritar “Sonegue imposto”, em uma nação lotada de pessoas, pois está violando o contrato implícito: As pessoas que pagaram por segurança,educação,saúde esperando que seja de graça em contra ponto, através dos impostos, esperam receber por esses serviços sem serem perturbadas, por sonegadores e badernistas.
Mas você pode utilizar o argumento, que é uma associação forçada, portanto, neste caso é legitimo sonegar, só que novamente, se fazermos um referendo perguntando se querem democracia ou anarcocapistalismo, é muito provável que a democracia vença, portanto a mesma maioria do cinema prevalece sobre o individuo gritando fogo.
Consultar em conjunto com o presente artigo:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=619
Para ler em conjunto com o presente artigo:
https://www.lewrockwell.com/2013/07/walter-e-block/there-is-no-right-to-privacy/
Os “pseudo defensores da causa” não querem liberdade de expressão. Querem poder desconstruir e impor novos conceitos, sem que ninguém os atrapalhe.
Ou seja, liberdade para fazer o que bem quer, ainda que isso sobreponha a vontade dos demais.
No entanto, defendem que quem não comunga do “consenso”, não pode ter liberdade para discordar.
Ótimo artigo!
Acompanho o site a alguns meses e minha visão das coisas sempre são refutadas com a leitura assídua aqui no site.
Um dos pensamentos que mais me incomodava era realmente da discriminação, e quando isso veio em uma discussão sadia com um amigo meu, ele me falou as mesmas coisas que estão nesse artigo. No começo eu confesso, fiquei incomodada de como isso funcionaria.
Mas lenda A Revolta de Atlas, isso se tornou claro, através de pensamentos, da razão, das ideias, e jamais da força.
Apesar de ser uma novata no assunto, me sinto diferente por enxergar coisas que antes passavam desapercebidas por mim. Obrigada por sempre compartilhar de ótimas ideias com todos!
Outro ensaio para ler em conjunto com o presente artigo:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=914
O que dizer de uma livre associação de relação conjugal entre um adulto e uma criança (não entrou ainda na puberdade)?
Digamos que, ao ser questionada, a criança diga que se associou por vontade própria e deseja permanecer nesta associação.
Digamos que os pais da criança confirmam isso e a apoiam.
O que os anarcocapitalistas pensam sobre isso?
É um problema? Caso afirmativo, qual seria a solução num mundo ancap?
“Um estabelecimento que proíbe a entrada de negros é tão válido quanto um que proíbe a entrada de brancos. Um estabelecimento que proíbe a entrada de homossexuais é tão válido quanto um que proíbe a entrada de heterossexuais. Um estabelecimento que proíbe a entrada de judeus é tão válido quanto um que proíbe a entrada de neonazistas.
Associação forçada não é liberdade de associação.“
Como é que é?! Estabelecimento comerciais como um mercado estão inclusos nesse exemplo? O autor acha legítimo, e porque requer coragem defender a livre associação, que um mercado qualquer só aceite clientes brancos nas suas lojas, por exemplo? É sério isso?!
Será que esse demente não entende que o reconhecimento do núcleo essencial da dignidade humana vem ANTES de qualquer outra coisa? e que você recusar atendimento a uma pessoa simplesmente por ela ter a pele negra significa negar o estatuto ontológico primeiro e radical de ser humano no outro? e que isso é algo com o qual a civilização ocidental vem se debatendo há séculos, evoluindo a duríssimas penas (sendo o cristianismo um marco inaugural neste sentido)?
Um guia simples para os asnos é pensar em Propriedade Privada. Claro que é difícil para pequenos ditadores totalitários que amam o seu estado, mas ainda há cura. Já vimos vários convertidos que tiveram um estalo e colocaram a cabeça para funcionar. Outra opção é manter-se nessa canalhice do politicamente correto até que a sua própria opinião seja malvista e criminalizada.
Now this cannot be ignored when it comes to freedom of courage. By the way, it is a good article and I noted down some good points in it too. Williams, thanks for writing the post and sharing your valuable insights.
Olhem essa reportagem pessoal:
Indústria de salmão no Chile defende intervenção
http://www.valor.com.br/agro/4328568/industria-de-salmao-no-chile-defende-intervencao
uma dúvida em off do tópico:
o correto é misiano, ou misesiano?
Alguém tem o link do artigo original?
Texto brilhante, mais um que precisa ser lido com óculos escuros!
O Típico Filósofo bem que poderia voltar, suas participações eram muito interessantes!
* * *
Prova de como é possível enriquecer pelo “mérito”:
g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/11/banqueiro-andre-esteves-e-preso-pela-policia-federal.html
Abraços
Estou concluindo a leitura de mais um fantástico livro de Friedrich A. Hayek, Os Fundamentos da Liberdade, em que esta questão é tratada com grande abrangência e profundidade. O Instituto Mises deveria tornar este livro disponível no site. Consegui baixar uma cópia (que foi escaneada do original impresso) no seguinte endereço:
http://www.libertarianismo.org/livros/fahofdl.pdf
É uma leitura agradável, acessível aos nãos especialistas em filosofia ou ciências humanas. Leitura obrigatória para quem quer avançar na luta pela liberdade.
Antes de mais nada: Walter Williams é um dos meus gurus. Ainda vou tentar pegar uma dedicatória num livro de autoria dele! Tendo dito isso, lá vou eu tretar com uma item específico do texto, reproduzido abaixo:
“””Mas essa questão é a menor de todas. Um problema muito maior envolvendo a liberdade de expressão está na questão da difamação, a qual é definida como o ato de fazer uma falsa afirmação (oral ou escrita) sobre a reputação de uma pessoa. A difamação é criminalizada. Mas deveria ser?
Essa questão pode ser respondida de maneira mais direta fazendo-se outra pergunta: a sua reputação pertence a você? Em outras palavras, as idéias e os pensamentos que outras pessoas têm a seu respeito são sua propriedade? Teria você o direito de obrigar terceiros a pensar a seu respeito apenas aquilo que você quer?”””
Reputação tem a ver com o verbo “reputar”. Obviamente, quem reputa, reputa alguém, portanto ela pertence ao agente da ação. Daí pra sair espalhando essa reputação pelos quatro cantos, seja ela boa ou ruim, já sai da alçada exclusiva da pessoa, e normalmente entra na propriedade dela. Quando uma reputação específica começa a prejudicar a propriedade privada de outro indivíduo, ou grupo, é preciso que ela seja fundamentada. Não por acaso, quando alguém reputa, o ônus da prova fica com ela, caso a reputação seja questionada. Caso seja mentira, além do agente ser reputado como mentiroso, e cair na desgraça, ele deverá pagar pelos eventuais danos ao patrimônio alheio.
Que fique claro: não sou contra cada um ter seu próprio julgamento sobre outras pessoas. Mas se for para tornar público, que seja bem fundamentado, caso contrário poderá causar danos infundados à propriedade alheia, crime este que atenta contra um dos pilares do liberalismo.
Há muitas especulações sobre o salário do salário mínimo de 2016 , mas muito poucos sabem o site oficial para verificá-lo. Mas hoje eu estou indo diretamente para revelar o valor do salário mínimo em vez de dar -lhe a fonte oficial. Assim, o salário do salário mínimo para 2016 vai ser R$867 única
Que artigo cheio de politicamente correto! Usando termos de esquerda? Não podemos nos corromper!
E qdo o caluniador mente, e são robôs virtuais, que não sabemos quem é. Caluniar, falando a verdade ou mentindo, mostrando quem é, demanda algum nível de coragem, sendo verdade pq se expõe a uma resposta emocional do caluniado e sendo mentira pq se expõe a um processo por mentir. Mas é quando onsutor da calúnia é o Indiana Jones? O He Man? Qual a opinião dos senhores sobre esse contexto?
A liberdade requer armas de fogo e treinamento militar. Ou o STF te prende por “fake news”.
www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=141944&voto=contra
Pessoal, votem “não”. Se essa aberração for aprovada, estaremos em uma ditadura oficial.
Nos EUA, por exemplo, empreendedores cristãos têm sido perseguidos por se recusarem a fornecer serviços de bufê para casamentos de pessoas do mesmo sexo. As pessoas que apóiam esse tipo de coerção deveriam se perguntar se elas também defenderiam ataques ao judeu proprietário de uma loja de iguarias que se recusasse a fornecer serviços para o casamento de simpatizantes neonazistas.
Eu sou simpatizante das ideias libertárias, mas confesso que ainda preciso estudar mais.
Mas eu não entendo certos radicalismos deste site, que por sinal, em geral, gosto muito.
Mas a comparação feita no parágrafo que quotei é completamente despropositada. Comparar a repulsa por negros ou homossexuais com repulsa por nazistas é completamente exagerada.
Vocês não acham?
Mas no nosso contrato implícito (Código Penal) não esta escrito que não podemos caluniar,difamar ou injuriar pessoas?
No exemplo do cinema então a pessoa deveria poder gritar “FOGO”?
Outra questão, entendi que quis entrar na área da moral, mas um gay não pode negar atendimento a um cliente avesso a gays, isso é vedado pelo CDC.
Gostaria de iniciar o debate pra entender o ponto, pois para mim parece contradição isso.
abraços.
Falando desse tema e do racismo em si, lembrei de um fenômeno que também difere o Brasil dos EUA: o racismo e a miscigenação. Distúrbios como os de agora ocorreram muitas vezes no país. Lembram-se do de 1992, em Los Angeles? Os sul-coreanos, coitados, viviam na comunidade ali (uma das maiores de coreanos fora da Coreia), não tinham nada a ver com isso e tiveram suas lojas atacadas e saqueadas. Felizmente por lá eles então conseguiram se armar e acabar com a malandragem.
Estou quase na metade daquele livro do Jorge Caldeira, o “A história da riqueza do Brasil”. Livro bem legal, apesar de eu achar equivocado em algumas partes.
É claro que com os jesuítas e com a Igreja Católica, houve também abusos e os índios também não deveriam ser coagidos a seguir uma certa religião. Mas desde a chegada no litoral, os colonizadores tiveram de se unir com os nativos. As armas de fogo com certeza são destrutivas, mas naquele tempo elas eram lentas e complicadas de usar, além de que o Brasil era algo que nenhum europeu nunca viu antes, um desconhecido. Nunca houve um extermínio indígena como o governo americano passou a fazer no século XIX. Não pelo que eu saiba.
Mas vejam a diferença: no Brasil a integração foi muito mais forte. Os negros libertos tinham os mesmos direitos que outras etnias, aqui eles se elegeram até antes do que por lá. Nos EUA, mesmo após a abolição da escravatura, o racismo continuou sendo imposto pelo estado e isso foi acabar só na década de 60, após severas pressões de movimentos pelos direitos civis!!! Aquelas tais daquelas leis nojentas do Jim Crow. Aqui os problemas que os negros libertos sofreram foram por culpa do Dom Pedro II, que criou aquela porcaria de Lei de Terras, e os republicanos safados que não deixaram com que os libertos recebessem seu pedaço de terra, o que a Isabel recomendou após a Lei Áurea. Coisa mais essencial que existe é ter uma propriedade privada onde você pode trabalhar a sua terra, isso é conceito que foi abordado pelo Hernando de Soto. O intervencionismo e o atraso existiram no Brasil Império, com mais centralismo. Ou seja, problemas principalmente econômicos. Claro, racismo existe aqui também, mas lá até hoje existe segregação, com bairros de negros e bairros de brancos, algo extremamente asqueroso. Como um país que nasceu com princípios de liberalismo se deixou contaminar por isso? Protestantismo? E se fossem formados por católicos, mudaria algo?
Se a escravidão dos africanos (e de outros povos, também) é eticamente e economicamente irracionais, por que durou tanto tempo no Brasil e em outros países? Corporativismo?
Presidente bebendo leite
Manifestantes de máscaras e tochas
Ódio ao povos indígenas
Isso tudo apenas nos últimos dias.
Mas sim, apenas coincidência
Infelizmente os comentários deste artigo mostram que muitos brasileiros ainda acham que a moral é propriedade dos políticos, e que são as leis e decretos feitos por eles que determinam o que é certo e o que é errado.
Tenho algumas ressalvas a este tema:
Discursos que contenham ameças físicas para outros indivíduos devem ser permitidos? Eu acho que ninguém deve ter o direito de ser ameaçado fisicamente.
Em relação a questão da calúnia e difamação, acredito que deve haver punição sim. Pois muito dessas discursos podem gerar consequências gravíssimas para as vítimas. Um exemplo que ocorreu em 2014: Uma mulher foi espancada por populares e acabou falecendo, pois se espalhou boatos na internet de que ela sequestrava crianças e fazia magia negra. Ficou comprovado que isso tudo era falso. (O fato de “sequestrar as crianças” se enquadraria como uma calúnia, e “fazer magia negra” como difamação).
Relações do brasil se degradando. Todo mundo querendo bocada.
Qual a melhor opção segura de investimento, uma que o futuro governo intervencionista nao possa confiscar ?
Todos são livres para dizerem o que quiserem nos seus espaços privados. Igualmente, todos são responsáveis pelo que dizem.
Se fulano espalha boatos que prejudicam sicrano, sicrano pode processá-lo no valor do prejuízo.
Cabe a sicrano provar o que disse, e cabe a fulano provar o tamanho do prejuízo.
Além disso, assusta-me que as pessoas possam livremente promover o ódio. Nazistas poderiam promover livremente assassinato contra judeus, por exemplo. Punir assassinos depois que mataram os judeus, pode ser um pouco tardio…
Dá vontade de propor: “você pode falar o que quiser, menos propor qualquer coisa que viole injustificadamente os direitos naturais: vida (ou corpo), liberdade e propriedade”.
Como conseqüência, nazismo seria proibido, pois nada mais é do que assassinato, roubo e escravidão.
Todas as ideias socialistas também, pelos mesmos motivos.
A democracia absolutista idem. Pode não conter assassinato diretamente, mas como inclui roubo e escravidão, redunda em miséria e pessoas acabam morrendo.
Só sobraria a democracia limitadíssima pelos direitos naturais. O estado mínimo seria a primeira consequência desta abordagem.
O que acham?
[]s
Liberdade de expressão não é garantia para mentir.
Alguém que grita “fogo” dentro de um cinema e esta ciente que não há fogo algum, NÃO ESTA SE EXPRESSANDO em termos de idéias ou julgamentos sobre questões. Está, sim, deliberadamente mentindo para causar danos aos demais. ISSO É MUITO DIFERENTE DE LIVRE EXPRESSÃO.
Por exemplo o direito de propriedade não significa que todos possam se apropriar de qq bem, mesmo que alheio.
CALUNIAR não é direito de livre expressão, pois implica em punição.
Por que punir a calúnia? Porque se trata de atacar outros indivíduos atribuindo-lhes comportamente objetivo que les não exercitaram.
Assim, da mesma forma que caluniar não é livre expressão, mentir gritando “fogo” também não o é.
Ser Livre não permite atacar os outros, pois estes outros tem direito absoluto sobre si mesmos. Logo, se não atacam ninguém, ninguém tem direito de atacar em nome da liberdade. Liberdade proibe ação, não é autorização de agir como desejar.
A livre expressão é direito de EMITIR OPINIÕES e não o “DIREITO de MENTIR”. Opiniões ppodem estar certas ou erradas. A mentira não comporta dúvida, é errada.
Não vai ter nenhum comentário aqui sobre a frase fascistas que o bolsonaro retuitou no dia 01-jun-20?
Deve ter sido mal entendido de novo!
Foi só um mero acaso
Nossa Bernardo: Achei que você ia perceber facilmente os erros crassos do seu comentário. Parece-me agora que não foi o caso. Não tem problema. Vou tentar explicar de forma mais clara:
Se uma pessoa diz que vai matar outra, ela não deve ser necessariamente ignorada (espantalho criado por você). A decisão do que fazer é de quem foi ameaçado. A vítima da ameaça pode até deixar para lá, se ela quiser. Mas ela pode se queixar à polícia, ou à justiça diretamente.
O ameaçador pode ser então investigado, processado, pode ser multado, e, se se mostrar que a coisa não ficou só na ameaça,e se tornou um plano, ele pode até ser preso.
Agora, propor que, caso fulano diga que vai matar sicrano, sicrano tenha o direito alienável a matá-lo, é um absurdo tanto moral quanto prático.
Moralmente, as punições têm que ser proporcionais à violação. Aqui a desproporcionalidade é patente.
E do ponto de vista prático, já imaginou se, em todos os casos em que alguém ameaça outro de morte, a retaliação seja assassinato? A pandemia Covid-19 seria fichinha em termos de mortalidade. Os seres humanos às vezes perdem a cabeça, e dizem o que não deveriam. É muitíssimo raro uma ameaça de morte ser cumprida. Os ameaçadores serem investigados, e punidos com advertência e multa parece ser mais do que suficiente e proporcional.
Sem dizer que, se a realidade fosse do jeito que você propõe, e um sujeito perdesse a cabeça e ameaçasse alguém de morte, ele rapidamente perceberia que agora o ameaçado teria o direito de matá-lo, sem sofrer nenhuma punição por isso. A única coisa lógica a fazer, seria executar a ameaça o quanto antes. Assim, se um sujeito qualquer perder a cabeça, e te ameaçar de morte, ele será automaticamente obrigado a cumprir sua ameaça, e te matar…
Sua vida fica num risco infinitamente maior com a sua proposta. Sua família, e todas as demais pessoas da sociedade ficam o tempo todo à beira de serem assassinados ouse tornarem assassinos somente porque alguém perdeu a cabeça e acabou dizendo o que não devia…
E não para por aqui: em seguida, viriam os entes queridos de um e outro lado se vingando, numa escalada de violência de proporções épicas.
Ou seja: a sua proposta obviamente gera uma violência generalizada. Seria impossível viver em sociedade com esses conceitos.
Sua proposta é um absurdo completo, e totalmente oposta aos princípios do libertarianismo, de viver em paz e respeitar os seus semelhantes.
Notei ainda, que no final do comentário, você tergiversa, tentando mudar o assunto de ameaças de morte por palavras, para ameaças de morte por meios físicos, com uso de armas. Não sei se você fez isso sem perceber, ou se foi uma tentativa de mudar o seu argumento, tentando fazer parecer que você estava respondendo a ameaças sérias,com armas na mão, etc. Note que isso com certeza não cola. O artigo é sobre liberdade de expressão, e está claro que a nossa cadeia de comentários se refere a ameaças com palavras. É evidente a todos, inclusive a nós dois, que armas estão totalmente fora de escopo nos nossos comentários.
Quanto a lacrar, essa giriazinha vulgar que exprime a modinha absurda e violenta de querer ofender e ridicularizar alguém em público, pode ter certeza que não é essa a intenção, apesar de até ter direito a fazer isso. Afinal, você iniciou violência contra mim, ao me classificar de “completamente desqualificado” e de “ignorante”. Lacrar, neste caso excepcional, seria uma reação de defesa justificada e proporcional.
Por fim, espero que tenha a capacidade de aprender a lição, e passe a se comportar como um libertário, respeitando os demais indivíduos, e se abstendo de iniciar violência contra terceiros, mesmo que verbal.
[]s
.
Galera, fiz um site para promover a liberdade de expressão, se puderem ajudar a compartilhar eu agradeço.
post-speech.herokuapp.com/posts/post?id=0
.
No caso de meras ofensas verbais (xingamentos), do tipo “Seu fdp, imbecil, etc…”, proferidas em um ambiente público, estariam abarcadas na liberdade de expressão?