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Explicando o básico sobre as taxas de juros negativas vigentes na Europa

Um
recente
artigo
publicado no jornal britânico The
Telegraph
, pelo colunista financeiro Jeremy Warner, vem recebendo
considerável atenção. 

O
artigo aborda a questão das atuais taxas de juros negativas dos títulos dos
governos europeus.  O autor corretamente
identifica esse fenômeno como sendo historicamente singular.

Eis
um trecho do artigo:

Aqui vai uma estatística estupefaciente:
mais de 30% de todos os títulos da dívida pública na zona do euro —
aproximadamente € 2 trilhões em títulos emitidos pelos governos — estão sendo
transacionados a taxas
de juros negativas
.

Com o advento do programa de afrouxamento
quantitativo (quantitative easing) implementado pelo Banco Central Europeu,
aquilo que havia começado quatro meses atrás, quando os títulos de 10 anos do
governo suíço entraram em terreno negativo pela primeira vez na história,
transformou-se em uma bola de neve e em seguida em uma avalanche de taxas de
juros negativas, as quais estão hoje em todos os principais mercados de
títulos da dívida dos governos europeus
.

Em sua busca por “ativos seguros”, os
investidores abandonaram toda a cautela e coletivamente se tornaram determinados
a pagar aos governos pelo privilégio de emprestar a eles.

Pois
bem.


quem diga que o fato de haver taxas de juros negativas é um fenômeno
“espantoso” e que refuta todas as teorias econômicas que afirmam que os juros
denotam uma preferência
temporal
.  Afinal, quem em sã
consciência irá voluntariamente emprestar dinheiro ao governo hoje e receber um
valor menor amanhã?  Quem irá emprestar $
100 e receber apenas $ 95 daqui a 5-10 anos? 
Muito melhor seria simplesmente deixar o dinheiro guardado embaixo do colchão.

O
problema dessa afirmação é que ela ignora o que realmente está
acontecendo.  Se tudo se resumisse a
apenas “poder deixar o dinheiro guardado embaixo do colchão em vez de emprestá-lo”, aí sim teríamos
um problema com a teoria.  Só que a
realidade é outra.  E um pouco mais
pavorosa.

Para
começar, não há nada de espantoso em relação a taxas de juros negativas.  Em um sistema bancário que não operasse com
reservas fracionárias, qualquer banco que recebesse um depósito de um correntista
e que não aplicasse a esse depósito uma taxa de juros negativa seria
considerado fraudulento.  Nesse mundo,
nada é de graça: se levarmos dinheiro — seja na forma de ouro, prata ou meros
dígitos eletrônicos — a um banco e pedirmos para o banco custodiar esse nosso
dinheiro, teremos de pagar por esse serviço. 

Pessoas
que utilizam os cofres particulares dos bancos para guardar seus bens valiosos
pagam por esse serviço.  Isso é uma taxa
de juros negativa.  Se não houvesse a
prática das reservas fracionárias, isso seria o normal.  A invenção das reservas fracionárias criou
juros positivos sobre os depósitos bancários; em troca, gerou também a contínua
inflação de preços e os ciclos econômicos.

Portanto,
taxas de juros negativas, por si sós, não são nada de excepcional.  O que é realmente excepcional, e que nunca
havia acontecido antes na história do mundo é isso: os governos estão pagando taxas
de juros negativas.

O
jornalista do artigo acima está correto em sua explicação dos motivos que
levaram a isso: os investidores “coletivamente se tornaram determinados a pagar
aos governos pelo privilégio de emprestar a eles”.  O que está incorreto, no entanto, é sua afirmação
imediatamente anterior: “Em sua busca por “ativos seguros”, os investidores abandonaram
toda a cautela. . . .”  Ora, por que isso
seria abandonar toda a cautela?  Ao menos
no que tange a títulos governamentais de curto prazo, essa é uma resposta
racional às atuais condições econômicas europeias.

A
zona do euro pode começar a se desfazer nos próximos quatro meses.  De um jeito ou de outro, a Grécia vai
descarrilar o arranjo.  Se o país
permanecer na zona do euro, ele só ficará por causa de um perdão de sua dívida,
a qual será ocultada por algum esquema de rolagem.  Se a Grécia receber um empréstimo sob as
atuais condições, de modo que ela não mais terá de quitar sua dívida com os
bancos alemães, então os governos de Portugal, Espanha e Itália também quererão
o mesmo tratamento.  E aí o que irá
acontecer com a estrutura bancária da Europa Ocidental?

Nesse
cenário, os investidores estão fazendo exatamente o que fazem em épocas de
grande incerteza.  Eles tentam manter seu
principal.  Eles querem receber de volta
o máximo possível do valor total de que eles inicialmente abriram mão em troca
de custódia.

E por que então eles simplesmente não
deixam o dinheiro embaixo do colchão em vez de aplicá-lo a juros negativos?

Essa
pergunta é típica de quem não conhece o atual sistema bancário.  A esmagadora maioria do dinheiro (mais de
85%) está na forma de dígitos eletrônico; apenas uma quantia mínima (não mais
do que 10%) está na forma de cédulas e moedas metálicas. 

Sendo
assim, simplesmente não há como investidores que gerenciam bilhões de euros —
ou até mesmo aqueles que gerenciam “apenas” milhões de euros — irem até o
banco da esquina e sacaram tudo em espécie.  Os
bancos não restituem em espécie esses valores. 
Eles são legalmente isentos, pelo governo, de fazerem isso.  O dinheiro eletrônico está “preso” nos bancos
e não há como esses dígitos serem convertidos integralmente em cédulas e moedas
metálicas.  Tudo o que os investidores
podem fazer é transferir dígitos eletrônicos de uma conta bancária para outra
conta bancária.  E só.

O
Banco Central da Suíça, por exemplo, já anunciou que os bancos não mais têm de
fornecer cédulas para nenhum fundo de investimento que queira sacar dinheiro
.  Uma empresa de seguros tentou fazer isso, mas
o banco se recusou.  O Banco Central da
Suíça, portanto, fez uma declaração ao mundo: ele deixou claro que não há como
fugir do dinheiro eletrônico digital.

E,
mesmo que fosse perfeitamente possível esses grandes investidores irem aos seus
bancos e sacar integralmente todos esses bilhões de euros e francos suíços em
espécie, eles ainda assim teriam de guardar todo esse montante em algum
cofre.  Ou seja, eles pagariam por
isso.  E essa não seria uma atitude muito
sensata ou segura.  E se você fosse
assaltado quando estivesse levando os bilhões para um cofre?

Portanto,
dado que não há como fugir desse arranjo monetário e bancário, a única maneira
de grandes investidores preservarem seu principal é aplicando-o justamente
naquilo que é considerado essencialmente um ativo livre de riscos. 

E
só há um ativo que seja oficialmente considerado livre de risco: títulos da
dívida de um governo considerado financeiramente sólido (alemães e suíços são
os que mais se destacam nesse quesito, mais ainda que os americanos).  Quanto mais curto for o prazo do título da
dívida de um governo, mais livre de riscos ele se torna. 

Adicionalmente,
como explicado em detalhes neste artigo, em uma
situação em que as taxas de juros estão em queda, é possível obter elevados
ganhos de capital ao se comprar títulos de longo prazo: à medida que os juros
vão caindo, os preços de mercado desses títulos vão subindo.  Ou seja, se você comprar um título por $ 100,
e os juros caírem, você pode revender esse mesmo título por, digamos, $
102.  Isso é uma taxa de retorno muito
positiva, e nada negativa.

As
pessoas acreditam quando os políticos e burocratas do governo afirmam que o
governo não irá jamais dar um calote em sua dívida.  Praticamente todo mundo acredita nisso
atualmente.  Toda a estrutura do mercado
mundial se baseia nessa premissa.  Por
exemplo, mercado futuro de commodities utiliza como colateral (garantia) títulos
de 90 dias do governo americano (os chamados Treasury Bills ou T-Bills). 

Sendo
assim, não faz sentido o jornalista dizer que “os investidores abandonaram toda
a cautela”.  Muito pelo contrário: eles estão abraçando totalmente a cautela, e
com os braços bem apertados
.  Eles
estão colocando seu dinheiro na única forma de investimento que hoje aparenta
gerar uma taxa de retorno positiva no futuro: títulos da dívida governamental
de longo prazo.  Isso sim é ter cautela.  Isso sim é ser sensato.  Infelizmente, é assim que se ganha dinheiro
nas atuais economias do Ocidente quando há uma fuga de capital do setor privado
(totalmente deprimido na Europa) para o setor público.

Enquanto
isso, o Banco Central Europeu segue seu programa de comprar,
mensalmente, 60 bilhões de euro em títulos públicos e privados em posse do
sistema bancário.  E, à medida que ele
compra títulos da dívida dos governos da zona do euro, os preços desses títulos
sobem.  Isso significa que os juros
desses títulos caem.  Trata-se de uma lei
econômica: aumento da demanda em face de uma oferta relativamente estável. 

E
isso é especialmente válido para os títulos da dívida do governo alemão.  O governo alemão está tendo um superávit
em seu orçamento
, o que significa que oferta de títulos do governo alemão
não está aumentando. 

Sendo
assim, se você quiser comprar o título mais seguro de todos, você terá de pagar
um prêmio por isso.  E, dado que um
número cada vez maior de pessoas quer comprar
títulos do governo alemão em vez de vendê-los aos preços vigentes hoje, a
conseqüência é que o preço dos títulos alemães continua subindo.  Ou, colocando de outra forma, a taxa de juros
dos títulos alemães continua caindo, e hoje está negativa.

Isso
é perfeitamente racional. 

Quando
se considera essa louca corrida por ativos seguros, combinada à atual política
do Banco Central Europeu de irrigar o mercado de títulos com liquidez, e tudo
isso em conjunto com o fato de que é impossível os investidores converterem
seus dígitos eletrônicos em cédulas de dinheiro, a taxa de juros dos ativos
mais desejáveis e de risco praticamente zero tem de se tornar negativa.

______________________________________

Para
ver as prováveis consequências desse arranjo, recomenda-se os seguintes
artigos:

A abolição da usura pelos
bancos centrais
 

A tempestade perfeita
criada pelo Banco Central Europeu
 

O que é e quais efeitos tem
um programa de “afrouxamento quantitativo”
 

______________________________________

Autores:

Gary
North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros
sobre economia, ética e história. 

Carmen Dorobat,
pós-doutoranda em economia na Universidade de Angers e professora na Bucharest
Academy of Economic Studies.

Leandro
Roque
, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

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71 comentários em “Explicando o básico sobre as taxas de juros negativas vigentes na Europa”

  1. E quando o Banco central parar de comprar esses títulos, se os juros subirem e o governo alemão não conseguir pagar a dívida? BC fodendo tudo como sempre.

  2. Aos poucos vai ficando evidente para todos que o sistema de reservas fracionárias é potencialmente explosivo. O mesmo tenderá a ocorrer com a percepção da dívida pública de diversos países, especialmente quando cresce muito mais rápido do que o PIB e a tendencia da população economicamente ativa é decrescente … As finanças públicas e privadas terão de mudar mais cedo do que se imagina …

  3. Tem um argumento aí que o dinheiro em espécie também não é livre de risco: incêndios, roubos, desastres naturais no cofre…..

  4. “Enquanto isso, o Banco Central Europeu segue seu programa de comprar, mensalmente, 60 bilhões de euro em títulos públicos e privados em posse do sistema bancário. E, à medida que ele compra títulos da dívida dos governos da zona do euro, os preços desses títulos sobem.”.

    Ou seja, o BCE é que está gerando essa situação “estranha”.

  5. Bruno Celestino

    Qual é a diferença em porcentagem entre pessoas empregadas em setor público e em setor privado no Brasil ?

    O que aconteceria se a maioria das pessoas fossem funcionárias públicas ?O setor privado conseguiria sustenta-las ?

    Por que comprar Ps4 No Brasil é mais caro do que compra-lo no E.U.A e voltar ?

    Se a expansão da oferta monetária é ruim para a população,poque o governo continua a imprimir dinheiro ?

    Qual a sério o preço de uma ferrari se não existissem impostos?

  6. Espero que o Reino Unido caia fora da União Europeia e imploda aquilo.
    A Europa tem inúmeras diversidades econômicas, culturais e políticas pra reunir países completamente distintos numa mesma moeda e num único bloco.
    Praticamente é a Alemanha que sustenta aquilo ali e acaba pagando caro, vai ser a mais prejudicada agora no calote da Grécia. A mesma coisa vale pra falidos que adoram flertar com o socialismo como é o caso de Portugal, Espanha, França(berço da esquerda caviar), Itália…
    Adoraria ver o fracasso da Escócia caso se separem do Reino Unido com aqueles socialistas do SNP.

  7. Esse artigo foi escrito pra mim. rsrsrs

    Eu já falei, repeti e vou repetir novamente.

    A explicação de que juros é preferência temporal está derrubada.

    Sim, é até compreensível que, diante do cenário, a taxa de juros esteja no terreno negativo devido a especulação somente. Se for esse o caso, talvez, talvez, talvez, a teoria de preferência temporal ainda respire por aparelhos mas continue viva.

    Mas o que parece é que estão protegendo o principal, como diz o texto. E isso derruba de vez a teoria.

    Segundo a teoria, todo mundo quer consumir hoje. Logo, quem empresta pra outro abre mão desse luxo atual por um ganho maior no futuro. Essa é a teoria e ela está furada.

    Foi criada para dar uma justificativa moral aceitável para os juros. “Juros é quando um coitado abre mão de um benefício presente para um ganho maior no futuro”..balela! Hoje o caboco tem tanto, mas tanto dinheiro, que ele não abre mão de p. nenhuma na atualidade, ele só vive de juros, ou seja, sugando o produto do trabalho dos outros enquanto ele não produz nada. É como um político.

    Juros como preferência temporal é justo. Mas quando a diferença de renda muda para patamares não-humanos, como é o caso, o juros vira simples dominação.

    Aceitem a realidade que é melhor. Estão todos convidados a serem monetaristas como eu. 😀

  8. Andre Cavalcante

    “O dinheiro eletrônico está “preso” nos bancos e não há como esses dígitos serem convertidos integralmente em cédulas e moedas metálicas. Tudo o que os investidores podem fazer é transferir dígitos eletrônicos de uma conta bancária para outra conta bancária. E só.”

    Quando li isso, me veio a mente quase imediatamente que há um “dinheiro eletrônico” que está “fora” desse rolo todo: o bitcoin (ou qualquer outra cryptocurrency). Eles podem simplesmente transferir o dinheiro para a conta de uma exchange e comprar o ativo. O problema (e sempre há um problema): as cripto-moedas ainda não tem aceitação universal e com essa apertada dos reguladores do governo a coisa ficou um pouco pior… mas, em teoria, seria possível movimentar o dinheiro para um ativo eletrônico.

  9. Leandro,

    Não seria possivel deixar o dinheiro “parado” na conta corrente ??? Pois assim não pagariam para emprestar e nem pagariam pela custodia.

    Outra forma não poderia ser os investidores comprarem titulos de paises q possuem taxas de juros positivas como a do Brasil ? Mesmo que seja em tese menos seguras.

  10. Mais uma,Tem um economista Brasileiro que propõe um projeto na ONU;A ideia é taxar as grandes transações financeiras no mundo,para que possam distribui-las entre os pobres e o governo assim diminuindo a desigualdade e a pobreza.
    http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/05/11/interna_vidaurbana,575836/claudio-guedes-fernandes-por-um-mundo-menos-desigual.shtml

    Qual seria o impacto na economia se as coisas feitas do modo que esse cara propõe ?

  11. Analista de Bage

    Uma pergunta: porque o preço do ouro não está aumentando (mais) no mercado internacional? Nesse contexto de grande expansão monetária eu estaria (estou) me expondo ao ouro (que consiste, na minha opinião, no lastro mais confiável para uma aplicação financeira, muito mais do que qualquer título público desses governinhos democráticos vagabundos). Mesmo pagando uma custódia de 1% ao ano, mais vale ter ouro na mão do que títulos públicos.

  12. Leandro,

    As bolsas podem estar artificialmente infladas ??? Ja q nao ha ganho nos titulos publicos os investidores podem estar estar alocando boa parte de seus recursos nas bolsas, fazendo com q elas se inflem artificialmente ??? Mesmo q seja um investimento mais arriscado.

  13. “Quem irá emprestar $100 e receber apenas $95 daqui a 5-10 anos?”

    Depende: se 100 dólares hoje valem 200 reais e daqui a 5-10 anos 95 dólares valerem 3000 reais, pode valer a pena aceitar esses juros negativos em vez de pagar o preço da inflação e/ou instabilidade política e social.

    * * *

  14. Alguém ouviu a coluna da Monica de Bolle na CBN Brasil de hoje? Ela comentou (tentou) sobre o fenômeno de juros negativos no Japão.

    cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/economia-de-quarta/2016/02/10/UM-NOVO-CHOQUE-CHINES-E-RECESSAO-NOS-EUA-SAO-OS-DOIS-MEDOS-DO-MERCADO.htm

    Basicamente a colunista disse que os bancos comerciais que deixam depósitos nos Bancos Centrais, além do compulsório, estão “pagando” por isso, e esta seria a definição do juro negativo. O objetivo dessa política, segundo ela (e o Sardenberg) é estimular o mercado com mais crédito etc. Além disso, ela diz que isso é um sinal que a economia japonesa está “cambaleando”. Uma pena eles não informarem ao público que essas medidas de estimulo estatais são tiros no pé, que alimentarão um crash maior ainda no futuro próximo.

  15. Leandro, empaquei num ponto.

    Os governos Europeus estão endividados devido à suas políticas monetárias, assistencialistas e etc. Ou seja, a dívida pública está alta. Creio que para financiar essa dívida eles vendam títulos. Teoricamente isso não deveria fazer pressão nos juros para eles subirem??

    No caso do governo brasileiro não seria isso que acontece?? Dívida alta, financiada por títulos públicos, estes que ficam com juros mais altos para atrair interesse dos compradores.

    Por que na Europa é o contrário?

  16. O que eu não consigo entender é:

    Beleza, comprei um titulo com taxa negativa por R$100 e em 5 anos terei R$90.

    Mas agora, o que acontece no caso contrário?

    ex: quero pegar um empréstimo de R$100. Terei que devolver só R$90?

    Juros negativos é para estimular o consumo?

  17. A hipótese principal do texto é na Europa estava em momento de “tensão e incerteza”. Portanto, o melhor investimento, já que não é possível guardar o dinheiro “debaixo do colchão”, seria investir no título do governo, porque eles ainda são confiáveis.

    Mas isso tudo não fecha muito bem pra mim. Primeiramente, com o QE americano, japonês e europeu, muito dinheiro foi adicionado no mercado, isso já deveria ter pressionado a inflação, mesmo que não seja uma hiperinflação (sei que boa parte da grana tá nos cofres dos bancos e as bolsas deram uma subida boa, mas mesmo assim, me é muito estranho). A própria subida das ações já contradiz um pouco essa hipótese de que o fluxo para ativos mais “seguros”.

    Além disso, a tensão da zona do euro já deu uma boa esfriada. Algum “bounce back” dessas taxas deveria ter sido refletida.

    Enfim, não consigo enxergar muita racionalidade nesse comportamento (tá, bancos centrais afetam a dinâmica, mas mesmo assim não há muito sentido…)

  18. Continua atual…

    Ok, eu pago pela custódia de eu deixar o dinheiro no banco (apesar que hoje essas taxas nem sei se existem mais com a chegada das fintechs), mas os juros positivos não são para recompensar aquele investidor que aplicou dinheiro e espera um retorno dele depois de um certo tempo? Se eu quero emprestar dinheiro para alguém, como um empreendedor, o qual pode me dar calote, qual o sentido então de existir juros negativos para isso, já que os juros indicam (também) o risco de calote?

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