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No socialismo venezuelano, agora há o risco de acabar a comida e os remédios

O
que é mais impressionante quando se considera todo o surrealismo da atual
situação da Venezuela é que tudo já está virando rotina.  As pessoas parecem não mais ter a capacidade
de se indignar.

A
furiosa hiperinflação que assola o país desde 2013,
combinada com uma política de racionamento e de controle de preços implantada
pelo governo, esvaziou as prateleiras dos supermercados do país.  Itens básicos e rotineiros como xampu,
farinha, açúcar, detergente, óleo de cozinhar e o já famoso papel higiênico se
tornaram tão escassos no país, que os venezuelanos hoje têm de pedir permissão
para faltar ao trabalho e assim poder ficar o dia inteiro em
longas filas
nas portas dos poucos supermercados que ainda têm tais
produtos à venda. 

Além
daqueles que se ausentam do trabalho, também há aqueles que acordam de
madrugada para ir para as filas.  E há
aqueles que vão para as filas no horário do almoço.  Os venezuelanos estão o tempo todo enviando
mensagens de texto no celular para dar informações sobre filas.  Eles se transformaram em especialistas em filas.

Com
uma moeda inconversível e que ninguém quer portar, com uma inflação de
preços estimada
em 327% ao ano
, e com rígidos controles de preços, toda a distribuição
de alimentos na Venezuela foi colocada sob
supervisão militar
desde o início de fevereiro.

Segundo
essa matéria
de capa do Times
, enquanto os venezuelanos se aglomeram em filas que
normalmente acumulam mais de mil pessoas apenas para conseguir comprar comida,
“soldados armados pedem as carteiras de identidade para se certificarem de
que ninguém está comprando itens básicos mais de uma vez na mesma
semana”. 

E
prossegue:

Todas as compras feitas pelos venezuelanos
são computadas em um sistema de dados para garantir que cada consumidor não
tente comprar os mesmos produtos racionados em um período menor do que sete
dias.

Soldados patrulham as filas fora dos
supermercados, policiais da guarda bolivariana ficam dentro dos supermercados,
e funcionários públicos conferem as carteiras de identidade à procura de
falsificações que poderiam ser utilizadas para driblar o sistema de
racionamento.  Procuram também por imigrantes com visto expirado.  Um
funcionário público da imigração grita alertando que transgressores serão
presos. 

[…]

O governo enviou tropas para patrulhar as
enormes filas que se estendem por várias quadras.  Alguns estados
proibiram as pessoas de esperaram fora dos supermercados ao longo das
madrugadas, e funcionários do governo estão de prontidão perto das portas de
entrada e saída, prontos para prender qualquer um que tenta driblar o sistema
de racionamento.

O
curioso, no entanto, é que, bem ao estilo da tradição socialista, tudo isso é
visto como um exemplo de “boa organização”. 
Além dessa exigência de pedir documentos para evitar que as pessoas
comprem mais de uma vez por semana, as autoridades estão ordenando os
supermercados a permitirem que os clientes formem filas nos estacionamentos
subterrâneos, pois assim eles não correriam o risco de sofrer queimaduras de
sol. 

Segundo
reportagem da BBC:

Jornalistas são proibidos de filmar ou tirar
fotos das prateleiras vazias.  Já os
consumidores também estão sob instruções rígidas.  Você só pode comprar bens escassos em dias
específicos da semana, dependendo do número final na sua carteira de
identidade.  Sendo assim, se, por
exemplo, a sua carteira de identidade termina em zero ou em um, você só pode
ficar em uma fila às segundas-feiras.  E,
ainda assim, isso não significa que o sabonete e o leite que você quer comprar
estarão necessariamente disponíveis naquele dia.

[…]

É comum ver pessoas entrando em filas sem
nem sequer saber o que está à venda. 
Elas simplesmente veem a fila, entram nela e então perguntam a quem está
imediatamente à frente para o que é aquela fila.  E é extremamente provável que essa pessoa à
frente também tenha feito exatamente o mesmo com a pessoa que está à frente
dela.

Testemunhamos uma fila que só se movia
quando algumas pessoas que já estavam lá na frente desistiam de esperar e iam
tentar a sorte em outro lugar.  Isso
significa que as pessoas que estavam lá no fim da fila, dobrando a esquina, não
viam isso, e acreditavam enganosamente que estava havendo algum progresso e que
a fila de fato estava se movendo.  E isso
as estimulava a permanecer na fila por mais tempo. 

Só que, para tragédia geral, essa fila não
era para absolutamente nada. 
Simplesmente ouviu-se um rumor de que o supermercado em questão havia
recebido uma remessa de algo — ninguém sabia o quê –, e isso bastou para que
se formasse uma fila.  No final,
não havia nada.  Apenas mais um dia
perdido.

Nessa
interessante reportagem, um jornalista da BBC mostra quanto tempo é necessário
para comprar apenas 8 itens básicos na Venezuela: 

(SPOILER
ALERT: ele só consegue comprar 3, tendo de recorrer ao mercado negro para
conseguir o resto; e só no dia seguinte).

Sem comida e sem remédios


outro fantasma ameaçando levar ainda mais terror para os venezuelanos: a
escassez de dólares no país. 

A
queda no preço do petróleo, o principal item exportador da Venezuela, reduziu
brutalmente a entrada de dólares no país. 
E dado que a moeda venezuelana, o bolívar, é inconversível — nenhum
estrangeiro está disposto a trocar sua moeda pelo bolívar, pois não há
investimentos atrativos na Venezuela –, nenhum empreendedor na Venezuela está
tendo acesso a dólares. 

A
única entidade na Venezuela que ainda tem dólares é o governo, e é ele quem
decide qual empresa pode receber dólares para importar bens.  No momento, por causa de sua escassez, a
ração de dólares está suspensa.

Consequentemente,
a importação de itens básicos está suspensa.

“Há
uma forte tempestade se formando devido à falta de dólares.  A situação é desesperadora e pode piorar
ainda mais”, diz
Russ Dallen
, chefe do Caracas Capital Markets, um banco de investimento
local.  Russ está há vários anos
acompanhando de perto a situação da Venezuela. 
“Nos próximos dois ou três meses, haverá um grande desabastecimento,
muito pior do que estes que estamos vivenciando — não apenas porque os
estoques já estão muito baixos, mas também porque a importação de produtos que
só serão demandados daqui a 8-12 semanas não está entrando no país.”

Segundo
reportagem
do Latin America Herald Tribune:

“Os estoques, inclusive os das indústrias
farmacêutica e alimentícia, estão chegando a níveis críticos”, disse Eduardo
Garmendia, presidente da Confederação Venezuelana das Indústrias
(Conindustria).  “Todo o sistema já está
sendo afetado pela dificuldade de se conseguiu matérias-primas, mas tudo é
ainda pior no quesito bens essenciais, pois estes estão sofrendo um impacto
direto; estamos falando de remédios e comida”.

No caso dos alimentos, os estoques das
principais indústrias do país irão durar menos de um mês, de acordo com dados
publicados pela Câmara Venezuelana da Indústria de Alimentos (Cavidea).

“Há empresas de alimentos que, até hoje,
neste ano, ainda não conseguiram um único dólar”, disse Pablo Baraybar,
presidente da Cavídea.  “Em algumas
linhas de produção, temos estoques para apenas mais 10 ou 20 dias”.

Isso certamente tornará as coisas
exponencialmente mais difíceis para aqueles venezuelanos que sofrem diariamente
para colocar comida em suas mesas.

O que pode ocorrer daqui a apenas algumas
semanas é a total paralisação do país após o esgotamento de todos os estoques,
pois as empresas não estão recebendo do governo os dólares necessários para
pagar pelas importações.

[…]

É por isso que o governo venezuelano vem
fazendo uma intensa propaganda sobre a possibilidade de que a China esteja
disposta a fornecer um empréstimo de US$ 10 bilhões para projetos de
infraestrutura na Venezuela.

“O governo está a todo o momento dizendo ‘os
chineses estão vindo, os chineses estão vindo; os chineses são os únicos que
podem nos salvar desse martírio”, disse Russ Dalen.

Só que, quando o dinheiro chinês chegar —
caso isso realmente ocorra –, ele só poderá ser utilizado para importar
produtos da China ou ser investido em projetos específicos previamente
aprovados pelos governos venezuelano e chinês, o que não necessariamente irá
trazer alívio para os milhões de venezuelanos, que, dentro de poucos meses, não
mais conseguirão obter leite e farinha nas prateleiras dos supermercados após
passarem o dia inteiro na fila.

Segundo
o The
New York Times
, o suprimento de remédios está acabando.  Salas de
cirurgia estão fechadas há meses, não obstante centenas de pacientes estejam na
fila de espera para cirurgias.  Em uma clínica privada, um cirurgião
conseguiu manter a sala de cirurgias funcionando porque conseguiu contrabandear
dos EUA, sem que o governo venezuelano soubesse, remédios essenciais.

Paralelos com a Romênia

Romeniaxvenezuela.jpg
Acima, uma fila na Romênia em 1986; abaixo, uma fila na Venezuela em 2015

É
interessante constatar que, ao redor de todo o globo, os fracassos do
socialismo não apenas se originam das mesmas causas, como também tendem a se
manifestar de maneiras incrivelmente similares.

Aproximadamente
30 anos atrás, do outro lado do Oceano Atlântico, os romenos também tinham o
hábito de passar várias horas parados em filas que se formavam perante
prateleiras vazias.  A diferença é que,
para os romenos, tal situação rotineira já havia deixado de ser uma mera “crise
temporária”, que é como a atual situação da Venezuela ainda é descrita pelo
governo.  Tudo já era tristemente rotineiro.

E,
assim como o governo da Venezuela se gaba de sua “boa organização” para controlar
as filas dos supermercados e impedir que as pessoas comprem duas vezes na mesma
semana, o regime comunista da Romênia, que já estava no poder havia mais de
duas décadas, dizia que o racionamento de alimentos era uma medida voltada para
promover a saúde e melhorar a qualidade de vida! 

Por
exemplo, o ditador Nicolau Ceausescu instituiu,
em 1982, um “programa de alimentação científico/racional” para o país, no qual
quantidades de leite, ovos, carne, peixe etc. eram listadas, ao mesmo tempo,
como recomendações de dieta e quotas permitidas para a compra.  À medida que o tempo foi passando, essas
rações se tornaram cada vez mais escassas.

A
gasolina também foi racionada em apenas 25 litros por mês, e a fila para
conseguir o combustível frequentemente envolvia um esforço conjunto, no qual
dois amigos se revezavam na fila em turnos diários, dentro do mesmo carro,
esperando seu momento para abastecer. 
Enquanto um ficava na fila, o outro ia trabalhar. 

E
para garantir que os romenos não iriam consumir muita gasolina, o governo
adotou um rodízio, segundo o qual os carros não poderiam circular nos fins de
semana dependendo do número final de suas respectivas placas. 

Por
fim, dado que os meses de inverno na Romênia são muito piores do que os da
Venezuela, aquecimento e água quente só estavam disponíveis durante algumas
horas do dia.  Assim como televisão e
eletricidade.

À
época, as autoridades comunistas gostavam de se gabar dizendo que os cidadãos
romenos usufruíam todos os benefícios da vida moderna, mas nenhuma de suas
injustiças.  O regime de Nicolás Maduro
também emite opiniões similares sobre o Ocidente — que represente seu suposto
inimigo, a epítome do capitalismo cruel, e o único culpado pelas tribulações do
país.

No
entanto, em ambos os casos, é o socialismo que está fadado a terminar em
colapso e na total destruição da atividade econômica, bem como na desintegração
de todo o tecido social.  Se a atual situação
da Venezuela ainda impressiona alguém, é porque falta conhecimento econômico e histórico.
 Se o exemplo venezuelano das consequências
inevitáveis do socialismo ainda surpreende, isso só mostra como as lições econômicas
e históricas são rapidamente esquecidas.

Fora
essas lições, resta-nos apenas a esperança de que os venezuelanos, no futuro, irão
se lembrar com algum humor dos bizarros momentos deste período.  Nos 50 anos em que viveram sob o comunismo, os
romenos criaram um vasto folclore de piadas jocosas, muito provavelmente como uma
válvula de escape para lidar com a situação tenebrosa em que viviam.  Eis uma delas:

O
filho de um medalhão do Partido Comunista da Romênia foi estudar nos Estados
Unidos.  Tão logo chegou aos EUA, ele enviou
um curto telegrama ao pai: “Vida longa ao Partido Comunista, já que eu nunca
irei retornar.”

________________________________________

Autores:

Carmen Dorobat é
pós-doutoranda em economia na Universidade de Angers e professora na Bucharest
Academy of Economic Studies.

Leandro
Roque
 é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises
Brasil.

________________________________________

Leia
também:

A etapa final do
socialismo: a desintegração da Venezuela

A queda no preço do
petróleo coloca a Venezuela no limiar do colapso

Venezuela, Rússia e os
efeitos da queda do preço do petróleo

Vencendo a opressão – a vida na Polônia da década de 1980

Um tributo ao povo polonês

A importância de zombar do
regime

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80 comentários em “No socialismo venezuelano, agora há o risco de acabar a comida e os remédios”

  1. Eis o futuro do Brasil!

    (E não, isso não tem só a ver com o PT, o PSDB faria igual, toda a esquerda faria igual. A Direita faliria o país de outras formas. Não há solução a não ser a mudança e diminuição do estado)

  2. Em primeiro lugar, quero parabenizar pelo excelente e esclarecedor artigo, principalmente para quem, como eu, está começando estes estudos.

    Porém, gostaria que me respondessem quais seriam as atitudes e decisões políticas para mudar esse cenário?!

    Agradeço a todos.

  3. Renato S. Borges

    o Instytut Pamieci Narodowej (IPN – tradução livre: Instituto de Memória Nacional da Polônia) criou um jogo de tabuleiro chamado Kolejka (fila em polonês).

    o jogo se passa na polônia da década de 1980. o governo inflacionou a moeda e congelou os preços, como resultado: escassez de produtos e as enormes filas que afligem a vida dos venezuelanos hoje.

    o objetivo do jogo é completar uma lista de compras, tarefa que deveria ser corriqueira, mas se mostra extremamente difícil.

    o INP criou o jogo para alertar as futuras gerações como as ações mais básicas eram complexas sob o regime comunista. pena que o jogo não foi vendido na venezuela, poderiam ter se preparado.

    link do jogo no site do IPN: pamiec.pl/pa/edukacja/materialy-edukacyjne-i/gry/kolejka/9610,Gra-Kolejka.html

  4. Cuba é o futuro da Venezuela.
    A Venezuela é o futuro da Argentina.
    E a Argentina é o futuro do Brasil.
    Dilma é Lula. E Lula é Sarney.
    Dei-me um país que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre. O petróleo é dos árabes. E a Petrobrás é dos políticos e de seus funcionários.

  5. É o círculo vicioso do socialismo causando desgraças cada vez maiores.
    Logo logo vão cercar o país para impedir os escravos de fugirem.

  6. “As pessoas parecem não mais ter a capacidade de se indignar.”

    Capacidade elas têm, o que acontece é que os soldados fortemente armados do governo estão ali para “corrigir” os descontentes, então o medo fala mais alto.

    É o socialismo mais uma vez provando que só pode existir de forma coerciva, não existe socialismo e liberdade como certo partido auxiliar diz por aí, socialismo só pode existir em um governo autoritário que se utiliza de homens armados para impor suas idéias destrutivas.

  7. “As pessoas parecem não mais ter a capacidade de se indignar.”

    Sim, parece. Mas a explicação é outra:

    “…toda a distribuição de alimentos na Venezuela foi colocada sob supervisão militar desde o início de fevereiro.”

    —–

    “O curioso, no entanto, é que, bem ao estilo da tradição socialista, tudo isso é visto como um exemplo de “boa organização”.”

    E avanço tecnológico. Eles utilizam leitores eletrônicos de digitais para controlar as filas.

    ——

    “É comum ver pessoas entrando em filas sem nem sequer saber o que está à venda. Elas simplesmente veem a fila, entram nela e então perguntam a quem está imediatamente à frente para o que é aquela fila.”

    Isso lembra as piadas sobre pobres do Caco Antibes, no programa Sai de Baixo.

    —–

    Mas eles ainda têm celulares e trocam mensagens de texto. Tem margem para piorar mais ainda.

    * * *

  8. Diferentemente de uma democracia, a miséria fortalece o governo ditatorial. Então eu não vejo um futuro muito bom para o povo venezuelano.

  9. O velho senso comum, apenas repetindo as ladainhas da mídia.

    Vocês só enxergam a realidade que lhe foram ensinada, como já dizia um grande filósofo "A realidade é apenas um ponto de vista".

    Recuso-me a discuti com aqueles que não citam os grandes avanços sociais conquistados pelo governo venezuelano. Aqueles que esquecem de que Chávez e Maduro foram eleitos do povo e não foram a toa. Se fixam a uma mera crise econômica que vive o país, e assim que for superada um novo país irá emergir, mais forte e justo como nunca se viu.

  10. “A realidade é apenas um ponto de vista”

    Se eu estiver segurando alguma coisa mais pesada que o ar e largar, ela vai cair no chão. Isso é só um ponto de vista? Se eu achar que ela vai levitar, ela levita?

  11. Amarílio Adolfo da Silva de Souza

    Bem feito para a venezuela! Não elegeram governos “populares” e esquerdistas com o objetivo de “acabar com o Capitalismo”, “promover justiça social” e outros devaneios? Agora, que paguem caro por toda a irresponsabilidade estatal, que ajudaram a promover. A única solução é abandonar as políticas do “estado” e instituirem um Livre Mercado Desregulado. Mas, os sul-americanos sofrem de um mal pior que a ignorância: a falta de humildade de admitir que erraram feio. A propósito, a Petrobrás está FALIDA.

  12. É preciso “criminalizar” o socialismo! Eu já não tenho paciência nem com meus parentes quando me falam de “igualdade”, trato-os com sarcasmo e realidade na cara, sendo a Venezuela meu exemplo preferido de como o “projeto de mundo melhor para todos” é uma beleza…

  13. É uma excelente matéria, principalmente para os mais jovens que já tem contato com estudos de economia, como também para os demais jovens e não jovens, e tem contato com muitas críticas sobre as políticas de estado e suas medidas de controles de preços, controle de margens de lucro, as mais diversas regulações das atividades econômicas, etc. A Venezuela é um retrato vivo do que é o socialismo real. É como diz um velho ditado, muitos males vem para o bem, eu digo que pode vir se bem aproveitado, do contrário pode ser pior.
    Podem notar que a esquerda brasileira evita se associar a Venezuela a luz do dia atualmente, fazem isso mas de forma discreta o que é bem diferente de alguns anos atrás em que o Lula elogiava de peito aberto o Hugo Chaves, até fez campanha para o Maduro. Agora com essa queda do preço do petróleo e da total dependência da Venezuela dos petrodólares é que a coisa está sendo revelada o significado do socialismo venezuelano totalmente inepto, pois o capitalismo não funciona nesse regime, nunca vai funcionar. Os que ainda acreditam que o socialismo é o sistema do futuro olhem para a Venezuela e verão o resultado do dirigismo do processo econômico pelo estado (organização política). Essa tem que ser jogada na cara da esquerda brasileira.

  14. Fernando Fujiwara

    Comunismo gerou cerca de 100 milhões de vítimas fatais, apontam pesquisas

    Recentemente, os governos do Canadá e Ucrânia deram um passo à frente para retificar os danos causados às vítimas dos regimes comunistas ao longo da história.

    O governo canadense confirmou a construção de um monumento para as vítimas do comunismo próximo da Suprema Corte do Canadá, na capital Ottawa. Já o governo ucraniano aprovou lei que condena o comunismo e o nazismo e proíbe propaganda e símbolos de ambas as ideologias no país.

    Na internet, surge o Museu Vítimas dos Comunistas. O site tem a proposta de manter viva na memória a história das tragédias causadas pelos regimes vermelhos. "O Museu Vítimas dos Comunistas tem caráter cultural e é mantido por um grupo de brasileiros fiéis à democracia, à liberdade, à família e à Pátria", informa o site.

    A publicação do Manifesto Comunista, em 21 de fevereiro de 1848, pelo alemão Karl Heinrich Marx (Karl Marx) marca o estabelecimento da ideologia comunistas na sociedade. O resultado disso foram cerca de 100 milhões de mortes em um período de pouco mais de 150 anos.

    Se computados todos os danos físicos e psicológicos causados à população mundial por meio da característica ideológica comunista, conhecida como os 'nove traços' sendo: a maldade, a hipocrisia, o incitamento, deixar livre a escória da sociedade, a espionagem, o roubo, a luta, a eliminação e o controle, facilmente esse número passa mais de um bilhão de vítimas ao longo desses mais de 150 anos.

    Somando-se todas as mortes causadas por terremotos, furacões, epidemias e guerras dos últimos quatro séculos, não se produziu resultados tão devastadores, aponta o 'O Livro Negro do Comunismo'. A publicação fornece números estimados de vítimas fatais:

    • China: 65 milhões de mortos
    • URSS: 20 milhões de mortos
    • Coreia do Norte: 2 milhões de mortos
    • Camboja: 2 milhões de mortos
    • África: 1,7 milhão de mortos
    • Afeganistão: 1,5 milhão de mortos
    • Vietnã: 1 milhão de mortos
    • Leste Europeu: 1 milhão de mortos
    • América Latina: 150 mil mortos

    Documentos e relatos de sobreviventes expõem as atrocidades cometidas pelos regimes comunistas contra a humanidade.
    A 'Grande Fome' na China e Ucrânia

    Poucos ocidentais estão informados sobre a sanguinolenta realidade que predominou na China entre os anos de 1949 e 1976, durante o período de Mao Tsé-tung (ou Mao Zedong) como líder do Partido Comunista Chinês (PCC).

    Segundo a publicação 'Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês' o maior número de mortes da história chinesa foi registrado durante a 'Grande Fome' no período do 'Salto para Frente' (1958-1960). O artigo 'Grande Fome' no livro 'Registros históricos da República Popular da China' relata que "o número de mortes não naturais e a redução de nascimentos de 1959 a 1961 é estimado em cerca de 40 milhões de vítimas."

    A Ucrânia também passou por semelhante processo de dizimação da população através da fome. O ápice foi em 1933, quando Josef Stalin estipulou novas metas de produção e coleta de alimentos ao povo ucraniano, que já estava à beira da mortandade em massa por causa das políticas de confisco de alimentos iniciadas anos antes.

    De acordo com Robert Conquest, autor do livro "A colheita do sofrimento" (The Harvest of Sorrow) nesse período "os cadáveres estavam por todos os lados, e o forte odor da morte pairava pesadamente no ar. Casos de insanidade, e até mesmo de canibalismo, estão bem documentados. As diferentes famílias camponesas reagiam de maneiras distintas à medida que lentamente iam morrendo de fome".

    A retificação em Yan'an: um "laboratório humano" para opressão

    O PCC atraiu incontáveis jovens patriotas para Yan'an em nome da luta contra os japoneses (1937-1945), mas perseguiu dezenas de milhares deles durante o movimento de retificação em Yan'an. Desde que conseguiu o controle da China, o PCC descreveu Yan'an como a "terra santa" revolucionária, mas não fez nenhuma menção aos crimes que cometeu durante a retificação, de acordo com a publicação 'Nove Comentários'.

    O livro ascrecenta que o movimento de retificação em Yan'an foi o maior, o mais sombrio e o mais feroz jogo de poder já conduzido no mundo humano. Sob o argumento de estar limpando pequenas toxinas burguesas, o Partido criou um 'laboratório humano' visando acabar com a moralidade, a independência de pensamento, a liberdade de ação, a tolerância e a dignidade do homem.

    Extração forçada de órgãos

    A extração forçada de órgãos é outro grave e sinistro crime contra a humanidade. Para financiar sua estrutura política, o Partido Comunista Chinês desde a década de 1980, vem extraindo órgão de prisioneiros políticos ainda vivos. Esse procedimento se acentuou a partir de 2000, após o início da perseguição ao Falun Gong, uma milenar disciplina de cultivo da mente e do corpo, que tem sido perseguida desde 1999 pelo PCC.

    Os pesquisadores canadenses David Matas e David Kilgour, respectivamente um respeitado advogado de direitos humanos e um ex-membro do parlamento canadense, estimam que apenas entre 2000 e 2008, mais de 60 mil praticantes de Falun Gong provavelmente foram mortos por meio de captação de órgãos.

    Novas investigações feitas pelo jornalista, Ethan Gutman, também trazem evidências que presos políticos e outros prisioneiros de consciência também estão sendo utilizados, para a colheita de órgãos como: cristãos, tibetanos, uigures e ativistas de direitos humanos.

    Conclusão

    Marx afirmava que o Socialismo não é uma forma de governo, mas é um Estado, um Estado policiado e projetado em que uma nação assume enquanto em "transição" de um modelo capitalista para uma sociedade comunista, enquanto a "utopia comunista" é o resultado final desejado da plena transição: um mundo sem polícia, sem propriedade, sem religião, sem classes sociais, até mesmo sem a necessidade de governo… uma terra imaginária de eterna harmonia.

    Entretanto, na prática o que o Partido Comunista tem feito prova ser ele mesmo um culto do mal. As doutrinas do Partido Comunista são baseadas na luta de classes, nas revoluções violentas e ditadura do proletariado, o que resultou na chamada "revolução comunista" cheia de sangue e violência. O terror vermelho sob o comunismo vem trazendo desastres a dezenas de países no mundo ao custo milhões de vidas.

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  15. Dezio Ricardo Legno

    O mesmo sucede no Brasil atual.
    Os valore bilionários movimentados pelo roubo PTista dos últimos anos não impedem a continuidade do mesmo partido no governo. E a população, a maioria absoluta, somente murmura contra, mas mesmo assim ainda vota nessa quadrilha.
    E isso está a ocorrer em toda a A.Latina.

  16. Dada a natureza do socialismo, poderíamos dizer que a Venezuela é um case de sucesso?

    “Até você aceitar que o objetivo do socialismo é machucar, e não ajudar, nenhuma das ações deste fará sentido à você. Socialismo, esquerdismo, progressismo são todas palavras para designar a política do ódio. E esta política odeia o mundo à sua volta, pois é uma linha de pensamento composta por pessoas que perderam a conexão com o passado e, consequentemente, perderam a conexão com o próprio mundo atual. E com motivações como estas por trás de seus atos, os princípios básicos de uma sociedade passam por eles como um peido que se dissipa à brisa”

    Sim, a Venezuela é um case de sucesso.

  17. Pessoal alguém aqui me indicaria algum pais para imigrar? Estive lendo algumas postagens e a Suíça é uma boa pedida. Mas parece que eles não são muito receptivos com brasileiros. Então pensei em algum pais do leste europeu ( Estonia, Letônia) ou mesmo EUA. O que acham?

  18. E a entrevista de Bresser Pereira ao jornal Zero Hora de 26/4/15 – ou por que o socialismo prospera – é pra cortar os pulsos com um serrote: AQUI

  19. Há um livro do Theodore Dalrymple intitulado “The Wilder shores of Marx”, onde o autor conta sua experiência em países comunistas como a Albânia, a Romênia, a Coréia do Norte, Vietnam e Cuba. O que mais me espantou no livro (muito bem escrito), foram algumas conclusões do autor, como:

    1. A propaganda mentirosa do governo socialista não é feita para enganar. Suas mentiras servem sim para humilhar. Aqueles que são obrigados não somente a fingir que acreditam, mas a repetir o que o governo diz, tornam-se impotentes psicologicamente;

    2. A escassez proveniente do planejamento central socialista não é ruim para o governo. Por um lado ela reduz o dia a dia das pessoas ao ato de procurar bens como comida ou sabonete, não deixando muito tempo para discussões políticas. Por outro lado ela torna todos os cidadãos em semi-cúmplices do sistema, pois as pessoas acabam trocando pequenos favores por informações a funcionários do governo, onde todos viram informantes e todos possuem algum tipo de atividade ilegal.

    3. Ao mostrar a literatura oficial da Coréia do Norte, com poemas intragáveis feitos por poetas oficiais do governo (os únicos permitidos), Dalrymple conclui que o Marxismo-Leninismo é a vingança dos intelectuais frustrados contra o Mundo, pois somente em uma sociedade onde o mérito não é o responsável pelo sucesso, e sim alianças com pessoas do partido, pessoas como estas poderiam viver como poetas.

    As semelhanças com o que acontece na Venezuela e com o que o PT quer implantar no Brasil são assustadoras. Para aqueles que pregam que o comunismo acabou, sugiro que leiam o novo caderno de teses do PT (facilmente encontrado no google).

  20. Mas porque a Venezuela optou por Chavez, as coisas não tem começo nem fim é um processo.
    O que levou ao publico optar pelo chavismo.
    A Venezuela estava uma maravilha e sadicamente o povo vai e vota no Chavez.
    Não estou defendendo o bolivarianismo, mas ele é antes de tudo uma consequência não uma causa.
    Da mesma forma o petismo não é causa é consequência.
    O populismo é a causa inicial de todo o subdesenvolvimento da América Latina.
    A luta é entre republica vs populismo.

  21. Hoje lendo esse artigo vi como a Venezuela decaiu rapidamente:

    geracaodevalor.com/blog/afinal-privatizar-e-bom-ou-ruim/

    Lá era possível ter telefone e celular já na década de 90, o Hugo Chaves estava preso.
    Em cerca de 20 anos conseguiram ferrar tudo por lá.

    Mas felizmente acho que não seria possível ferrarem tudo por aqui de forma tão rápida pois
    como o país é maior em população e em extensão a inércia é maior.

    Mas caso comecem tal coisa estarei atento para acelerar minha fuga, pois conheço a Escola Austríaca. 🙂

  22. “Pensemos em duas classes de bens e serviços, uma dos que são fornecidos pelo Estado ou por suas concessionárias, com monopólio, e outro grupo de bens e serviços que são livremente fornecidos no mercado. Não precisa muito esforço pra perceber que os pobres têm mais e melhor acesso aos produtos do segundo grupo do que do primeiro.”
    oburricodebalaao.blogspot.com.br/2015/05/mercado-para-os-pobres.html

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