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Como o governo da Itália gerou a máfia

Além
de seus ótimos vinhos, de suas praias agradáveis e de suas deliciosas mulheres,
a Itália é também muito conhecida por algo menos edificante — a máfia.

Ainda
mais interessante do que entender como essa tão poderosa “máquina” conseguiu
entrar e se incrustar na sociedade italiana de maneira tão forte e
significativa, é compreender o papel da máfia perante o governo central da
Itália.

De um lado, é fácil dizer que a máfia e o sistema econômico corrupto
dentro do qual ela funciona são moralmente errados e contraproducentes para o
país.  De outro, sua
presença pode ser de alguma valia para a economia de um país em determinadas situações, algo que é ainda
mais verdade no caso da Itália.

Para
entender como a corrupção se infiltrou nos altos escalões da sociedade
italiana, é essencial entender o progresso da Itália ao longo do século XX,
tanto política quanto economicamente.

A
força de organizações criminosas como a “máfia siciliana“, a “Camorra” (da região de
Nápoles), e a ‘Ndrangheta
(da região da Calábria) sempre esteve relacionada às suas ligações com o setor
da construção civil (por meio do controle
dos sindicatos
), tipicamente por meio de um canal direto com o governo
italiano.  Só que essas “associações”
cresceram exponencialmente ao longo dos últimos 50 anos, criando impérios que já
são claramente visíveis em todos os grandes setores da economia.

O estado italiano: um parceiro confiável da
máfia

O
crescimento da máfia foi aditivado pelo modelo político e econômico vigente na
Itália durante a segunda metade do século XX após a Segunda Guerra Mundial. 

Por
quase quarenta anos, a Itália foi governada por um único partido político, o Democrazia
Cristiana
(que foi abolido em 1994 em decorrência da Operação Mãos
Limpas).  O motivo dessa supremacia
partidária na política foi a oposição da população à crescente força do Partido
Comunista Italiano (o maior da Europa Ocidental durante as décadas de 1970 e
80), o qual era visto como uma crescente, perigosa e cada vez mais concreta
ameaça.  A maioria das pessoas temia que tal
partido tomasse o poder e implantasse um governo central de estilo
soviético.  Esse sentimento foi
especialmente endêmico durante o ápice da Guerra Fria.  Consequentemente, o partido Democracia Cristã
vencia seguidamente as eleições.

Durante
esse período em que a política italiana foi dominada por um único partido
político, as ligações entre políticos e empresários se tornaram arraigadas, e
isso estimulou o crescimento do crime organizado.

Em
troca de propinas, os políticos asseguraram aos membros do crime organizado que
as autoridades supostamente responsáveis por combatê-los, e que também recebiam
subornos para fazer vista grossa, seriam as mesmas por um longo período de
tempo.  Isso tornou toda a operação bem
menos custosa e muito mais previsível. 

Quando
despida de toda a propaganda em contrário, a máfia nada mais é — quando age
dentro de certos códigos de conduta — do que um grupo de empreendedores cuja
atividade é fornecer a determinados consumidores bens e serviços cujo acesso no
mercado legal foi ou proibido ou dificultado pelo governo.  No caso italiano, a máfia ofertava bens que
ou estavam racionados após o término da guerra ou que eram pesadamente
tributados (como cigarros).  Operando em
um ambiente de instituições fracas, a máfia foi uma consequência natural dos
desejos dos consumidores.

E
a corrupção daí resultante reestruturou a economia da Itália quase que
completamente.

Ainda
no século XIX, essas associações corruptas ocorriam apenas nas regiões sul da
Itália.  Dado que o sul da Itália sempre
foi uma das sociedades menos produtivas de toda a Europa Ocidental, muito por
causa da falta de confiança que impera na região, arranjos como a máfia conseguiram
facilmente ganhar muita influência por lá, pois a máfia provê um mínimo de
ordem social para seus membros, e a população em geral não oferece muita
resistência à sua existência.

No
entanto, com o fortalecimento do canal direto com o governo central, a máfia
cresceu de maneira acelerada e, consequentemente, foi se expandindo para o
norte do país, nas regiões mais industrializadas e muito mais desenvolvidas.  O que antes era um fenômeno local e restrito
tornou-se nacional.  A máfia adentrou
todos os grandes setores industriais do país, se entranhou nas instituições e criou uma intrincada rede de
corrupção entre políticos, sindicatos, empresários e empreendimentos.

Como
consequência dessa total infiltração, ainda em voga, o crime organizado se
espalhou pela Itália como uma forma de câncer que se tornou intratável e que já
progrediu até um estágio em que, se ele for removido, a economia italiana — já
combalida — certamente irá se desintegrar. 

Ou
seja, mesmo que a cirurgia seja um sucesso total, o paciente irá morrer.

O
fato de que a corrupção sempre esteve profundamente enraizada nas estruturas
políticas, sociais e econômicas da Itália faz com que seja ainda mais difícil
para o país cumprir com suas obrigações perante a União Europeia.  Será um grande desafio para a Itália sair de
sua atual recessão tendo um sistema tão corrupto e insalubre.  A dívida pública do país está acima de
130% do PIB
.  Uma das obrigações para
um país permanecer membro da zona do euro é manter seu endividamento público
abaixo de 60% do PIB, e o déficit orçamentário anual abaixo de 3% do PIB.  Embora a meta para o déficit esteja quase cumprida,
o país não está nem perto de cumprir o primeiro critério (muito embora, para
sermos justos, poucos países da zona do euro estão).

Um
dos motivos do desarranjo das contas públicas, que levaram a dívida pública
para os atuais 130% do PIB, é justamente a já enraizada ordem
político-econômica.  Há muitos interesses
poderosos que seriam afetados caso uma genuína austeridade fosse adotada, o que
torna qualquer medida desse tipo virtualmente impossível.

Para
piorar, os partidos políticos relevantes estão todos dentro do próprio
governo.  Ao passo que nos outros países
ocidentais as finanças estão uma bagunça porque os próprios eleitores não
aceitam abrir mão de benesses, na Itália, os políticos que votam o orçamento
são os mesmos que irão diretamente utilizar esse dinheiro para beneficiar a si
próprios e aqueles que estão politicamente ligados a eles.

A
instabilidade econômica da Itália não apenas está destruindo sua economia desde
dentro, mas também por fora. 
Investidores externos (outros europeus, americanos, árabes, chineses
etc.) não querem ter de lidar com um esquema tão corrupto.  Isso cria uma instabilidade totalmente
perceptível: não há qualquer possibilidade real de crescimento econômico, tanto
por causa desse descontrole governamental quanto por causa de escassez de
investimento estrangeiro.  

No
ano passado, a Itália conseguiu atrair apenas 1,4% do seu PIB em investimento
estrangeiro direto, bem abaixo da média europeia, de 3,3%.

O que pode ser feito?

O
partido Liga Norte (Lega
Nord) recentemente propôs que as regiões do norte do país, mais produtivas e
mais prósperas, se separassem
das regiões do sul, mais pobres e mais estagnadas.  As regiões sul são onde as máfias estão mais
fortemente concentradas.  Não obstante, a
corrupção é endêmica e está por todo o país.

O
fato é que a Itália precisa da ajuda da Europa. 
O que impede que a corrupção se espalhe ainda mais pelo país é o fato de
que o sistema italiano é de alguma forma restringido por um sistema ainda
maior: a União Europeia.  O Pacto
de Estabilidade e Crescimento
, que determina que os governos mantenham suas
finanças em ordem, cria alguma pressão que obriga o governo italiano a pelo
menos manter seus déficits sob controle.  Ao longo das décadas de 1970 e 80, esse
insalubre sistema político-empresarial conseguiu transformar a Itália no país
mais fortemente endividado da Europa. 
Pressões externas da UE obrigaram o governo italiano a colocar suas
finanças em uma trajetória um pouco mais sustentável. 

Entre
o surgimento do euro e crise financeira de 2008, a dívida do governo italiano
em relação ao PIB caiu
20%
, e a inflação de preços anual, que apresentou uma média superior a 10%
durante as décadas de 1970 e 80, caiu
para menos de 3%
na década de 2000. 
Ajudou nesse processo a criação da moeda única em 2002.  Incapaz de imprimir dinheiro para financiar
diretamente seus gastos, o governo italiano (assim como outros países
inflacionistas do sul da Europa) foi forçado a ser mais responsável com o
dinheiro dos pagadores de impostos do país. 

A
Itália realmente está em uma situação difícil. 
A corrupção controlada pela máfia e que perpassa todo o país — do
governo aos empresários — está tão profundamente arraigada, que tornou
praticamente impossível qualquer reforma econômica.  A única maneira de fazer uma reforma na
Itália seria eliminando o governo central. 
O sistema que hoje existe é resultado de um poder político que cresceu
de maneira irrestrita ao longo de quarenta anos, e que hoje se tornou
onipresente. (Ironicamente, tal resultado foi em resposta ao temor de um poder
político irrestrito ainda maior, na forma do comunismo).  Se esse sistema indesejável não puder ser
modificado, os italianos terão de mudar a única coisa que ainda podem mudar —
o lugar em que vivem.

Os
italianos mais jovens, especialmente os mais ambiciosos e capacitados, estão
maciçamente deixando o país, uma tendência que foi intensificada desde o início
da recessão de 2009.  Deixar sua pátria
pode acabar sendo um pequeno preço a se pagar caso o resultado seja a abolição
do falido sistema vigente.  Apenas isso pode
fazer com que uma Itália melhor surja das cinzas.

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47 comentários em “Como o governo da Itália gerou a máfia”

  1. Muito poucas diferenças,entre o maravilhoso estado e a terrível e abominável máfia.Sinceramente prefiro a máfia,é uma instituiçao tão abjecta qunto o estado,mas ao menos prima pela sinceridade e verdade,ela naõ rouba a propriedade das pessoas pessoas alegando estar a proteger essa mesma propriedade,ela naõ mata alegando estar protegendo alguém de uma amaça externa ou ainda pior,algando proteger essa pessoa de si mesmo o que é especialmente repugnante.

  2. O curioso é que, se você observar bem, a maneira como a máfia surgiu e cresceu — dominando sindicatos, fazendo conluio com empresários, se entranhando em instituições e comprando políticos — é exatamente idêntica à maneira como o PT se apossou do estado brasileiro.

    Como diz o artigo, “A máfia adentrou todos os grandes setores industriais do país, se entranhou nas instituições e criou uma intrincada rede de corrupção entre políticos, sindicatos, empresários e empreendimentos”.

    É o PT em estado puro.

  3. “Uma das obrigações para um país permanecer membro da zona do euro é manter seu endividamento público abaixo de 60% do PIB, e o déficit orçamentário anual abaixo de 3% do PIB. Embora a meta para o déficit esteja quase cumprida, o país não está nem perto de cumprir o primeiro critério (muito embora, para sermos justos, nenhum país da zona do euro está).”

    Tenho que discordar deste parágrafo, pois até o momento, os Países Bálticos que participam da UE, ainda estão cumprindo o primeiro item.

    http://www.tradingeconomics.com/estonia/government-debt-to-gdp

    http://www.tradingeconomics.com/latvia/government-debt-to-gdp

    http://www.tradingeconomics.com/lithuania/government-debt-to-gdp

  4. De fato a Itália é um país que falhou como unidade, só resta a população a secessão regional e de cidades para que a máfia seja extinta da maior parte daquele território.

  5. Squadra d’elite 2

    Leandro, qual seria o impacto da máfia e da corrupção caso a Itália caísse fora da UE e adotasse um Currency Board?

  6. Naõ me parerce que a secessaõ seja possível,tanto na Itália,como em qualquer parte da europa,basto observar oque está acontecendo na Ucrânia,há um desejo genuíno de secessão,mas políticos sempre obstarão a isso,visto que a secessaõ na prática implica descentralização,partilha de poder ou seja totalmente contra o paradigma atual,mais centralização,mais planejamento,menos liberdade.O triste disso é que todo esse panorama catastrófico podia ser alterado respeitando a autoderminação e desejo das pessoas.

  7. Leandro,tenho dúvidas se a recente desvalorização cambial do euro naõ vai impactar no desejo de os investidores portarem euros,no outro dia li que o goldman sachs coloca o euro em 0.80 em um ano,ooque certamnet irá pressionar os preços.

    Isso sem esquecer o plano político,ou seja os alemães dificilmente aceitarão continuar numa união montária com uma moeda se esfacelando todo o dia.

    Já no brasil,a coisa deringolou de vez,parece que o real vai mesmo para o vinagre,com o dolar valendo 3.26 o limite é o céu.

    Leandro,qual a possibilidade de um currency board no brasil,tem chance,oque você acha.

  8. Como marxismo destrói o mundo até hoje

    “O movimento operário feminino propõe-se como tarefa principal a luta por conquistar para a mulher a igualdade econômica e social e não apenas igualdade formal. Fazer a mulher participar do trabalho social produtivo, arrancá-la da «escravidão doméstica», libertá-la do jugo degradante e humilhante, eterno e exclusivo do ambiente da cozinha e do quarto dos filhos: eis a principal tarefa. Será uma luta prolongada porque exige a transformação radical da técnica social e dos costumes. Mas terminará com a vitória completa do comunismo.” Vladmir Lênin – 7 de Março de 1920

  9. É uma análise incompleta. A máfia surge com a unificação principalmente. E especialmente no sul por que o sul, mais pobre, é o que mais sofre com as imposições centrais, sendo jogado na informalidade.
    Pessoas que não conseguem cumprir as exigências da lei não ficam paradas, agem e buscam seu sustento à margem da lei.
    Com a unificação, se jogou parte na informalidade e parte em navios para a América.

  10. Rapaz… no Japão a Máfia Yakuza também veio para combater o comunismo e pôr “ordem na casa” é bem provável que Itália seria soviética caso os mafiosos não tomassem atitudes.

  11. O fato geográfico de um país fazer divisa com países ricos, ou muito próximo de seu território, ajuda o mesmo no fortalecimento da economia? No caso do Brasil e demais sulamericanos, estamos numa região de países sub desenvolvidos e pobres, isso é seria um obstáculo a mais para o crescimento econômico? Hipoteticamente se a Itália fosse na América do Sul, a situação poderia ser muito pior?

  12. Marcelo Simoes Nunes

    No clima em que estamos, não sei se o assunto Itália é dos mais pertinentes. Acho também que a análise, sem discordar do que é dito, esquece fatores relevantes. Existe, por exemplo, a questão da cultura latina italiana, uma milenar cultura da cidade estado. A máfia é muito anterior ao Estado Italiano e vinculada a um poder local e agrário. De certa forma, como alguém disse acima, ela é melhor que o Estado. Pelo menos é mais fácil se livrar dela do que do Estado. E certamente não seria a secessão que a faria desaparecer. No mais ela já migrou para os EUA, onde muitos dos estudantes de suas melhores universidades são legítimos representantes da organização criminosa.

  13. Se trocasse a palavra “Italia” por “Brasil” no texto, não perceberia quase nenhuma diferença.
    Corrupção entranhada no sistema politico por burocratas do governo, grupos de interesses, empresario “amigos do rei” e sindicatos, isso está descrevendo a nossa querida republica.

  14. Pessoal, preciso de ajuda para debater um tema.

    Sempre que proponho a idéia do livre mercado e da livre concorrência, não tarda para algum estadista chegar com o argumento que “o que impediria essas empresas de formarem um cartel e tomarem conta da situação?”

    eu confesso que não tenho conseguido rebater este argumento.
    gostaria de entender como funcionaria, como isto é impedido de acontecer.

    Agradeço desde já.

  15. Interessante como o colunista se refere a mulheres italianas como sendo “deliciosas”. Acho que ele quis se referir às deliciosas pizzas e as maravilhosas mulheres italianas.

  16. O presente artigo não dá muita condição para o leitor.

    De fato, é lamentável e economicamente terrível que a máfia tenha se alastrado de forma tão irrestrita por toda a Itália. E é pior ainda que esse fenômeno tenha sido propiciado e esteja intrinsecamente ligado à corrupção.

    Por outro lado, como repudiá-la totalmente se – em essência – ela surgiu a partir de comerciantes que, inclusive obedecendo a certos códigos de conduta, simplesmente resolveram atender à demanda de mercados ou que são mais dificultados pelo governo, ou que são considerados ilegais. Pensando em termos de livre mercado, é difícil não se simpatizar, ainda que de leve, principalmente com as origens da máfia.

    Mas justamente essa sutil ambiguidade da máfia que foi destacada no artigo sem dúvida faz dele – em minha opinião – um dos mais interessantes artigos da semana. Muito bom.

    Abraços!

  17. Além de as leis serem mudadas no Brasil como se muda de roupa, temos um judiciário, cuja maioria dos membros, é completamente desinformada sobre economia. Vejam, por exemplo, os planos de saúde. Uma pessoa faz um plano mais barato, sabendo que o preço menor se deve ao fato de o plano não cobrir certos procedimentos médicos (alguns exames sofisticados, alguns tipos de cirurgia etc..). Pois bem, quando o beneficiário do plano tem sua pretensão negada em relação a procedimentos não cobertos, vai a juízo e consegue uma liminar obrigando o plano a pagar a realização do procedimento. Aos poucos foram desaparecendo os planos mais baratos e, hoje, praticamente inexiste plano pessoal. Moral da história: milhões que poderiam ter planos, hoje só contam com o SUS, tão bom que o “companheiro Lula” iria aconselhar o “companheiro Obama” a implementá-lo nos USA. A insegurança jurídica é um dos fatores de aumento do “custo Brasil” e o deixa fora das chamadas “sociedades de confiança”, tão profundamente analisada na obra de Pierre Lafity.

  18. Observação a Quaseanarca: A secessão na Ucrânia não tem nada com a secessão de regiões que querem ter soberania e decidir seus próprios destinos. Na Ucrânia, há regiões que querem se separar para ir para baixo da bota Russa, por uma razão histórica terrível. Durante o comunismo, principalmente sob Stálin, grandes populações russas foram compulsoriamente deslocadas para regiões ocupadas pelo Império Vermelho. Assim sucedeu na Ucrãnia, nos países bálticos e outros (Chechênia, por exemplo. À proporção que russos eram deslocadas para tais regiões, os nativos eram deslocados, em grandes proporções para regiões territórios verdadeiramente russos, onde viviam oprimidas. Era uma política criminosa para tornar irrevogável as anexações. A língua russa era imposta aos nativos de tais áreas. Hoje, tanto na região do Báltico quanto na Ucrânia, essas populações deslocadas tendem a se movimentar para promover anexações territoriais à Rússia. Na China ocorre o mesmo fenômeno. Cerca de 60% do território chinês pertence a nacionalidades não chinesas. O totalitarismo é uma coisa terrível.

  19. O texto é muito bom e me faz pensar um coisa a partir desta afirmação:
    “Quando despida de toda a propaganda em contrário, a máfia nada mais é — quando age dentro de certos códigos de conduta — do que um grupo de empreendedores cuja atividade é fornecer a determinados consumidores bens e serviços cujo acesso no mercado legal foi ou proibido ou dificultado pelo governo. No caso italiano, a máfia ofertava bens que ou estavam racionados após o término da guerra ou que eram pesadamente tributados (como cigarros). Operando em um ambiente de instituições fracas, a máfia foi uma consequência natural dos desejos dos consumidores.”

    Assim como a máfia na Itália o Al Capone e outros figurões do mesmo tipo nos EUA entre diversos grupos mafiosos que também surgiram dentro de uma proibição (na época o álcool) mesmo após uma liberação de comércio com taxação destes mesmos gerando um controle estatal tanto do comércio quanto dos lucros obtidos, tipos e propagandas o país não sucumbiu sem a presença destas máfias.

    Isso pode ter acontecido pelo fato de um plano relativamente eficaz ter sido executado em um momento anterior ao “tarde de mais” como aconteceu na Itália?
    A mesma ideia foi implantada em Estados americanos que atualmente liberaram o consumo e comércio de substâncias como a maconha.

    Aí eu pergunto de novo: Já que a máfia brasileira atual (PCC, CV e etc) tem como principal ativo o comércio ilegal de drogas (movimenta quantias na casa dos bilhões atualmente) e cada membro individualmente adquiri riqueza o suficiente tanto para colecionar carros importados e mansões de abundante valor comercial quanto mais financiar e apoiar diversas campanhas políticas (isso é fato em Estados e cidades grandes) não seria mais interessante e racional entender essa lógica com base na própria história com os eventos do passado americano e italiano e do presente brasileiro seria mais racional liberar o comércio de substâncias que estes mesmos comercializam levando em conta não apenas o consumo dos produtos mas também a taxação e divisão destes impostos de forma eficaz?

    Pensem nisso de forma racional e sem o uso cego da pregação de conceitos de direita, esquerda ou estagnativos mentais. Simplesmente sejam racionais ao pensar no assunto…

    Observação: Eu não sou de esquerda, não uso e nunca usei drogas (odeio profundamente o cigarro e café me dá problemas de hiperatividade ao ponto de perder o sono(alérgico a cafeína)), entendo sobre causa e efeito tanto de forma física/matemática quanto biológica e sociológica num ponto de vista baseado não apenas em leitura imparcial de dados e pesquisas relacionadas mas também como na prática: o meu filho de 14 anos que não usa e nem pretende usar drogas (espero que isso não mude) tem contato até na própria escola com alunos de até 17 que usam maconha livremente e por diversas vezes por desinteresse dos pais; eu por diversas vezes em eventos públicos diversos me deparo com diversas pessoas consumindo isso e sem tanta repressão policial como em um simples jogo de futebol ou até um show qualquer (repetindo: eu não uso drogas); até membros de igreja já utilizaram maconha e outros ainda utilizam mesmo que às escondidas, em fim, será essa uma lógica mais do que plausível que estas substâncias estão aí ha muito tempo e o governo não tem competência alguma de administrar como um “problema” ou não e que esse mecanismo de proibição ja está GRITANTEMENTE FALHO que qualquer um pode observar em qualquer lugar e até mesmo seu filho na melhor ou pior escola do mundo também já pode ver (Se ele não se sente a vontade pra te relatar algo como isso então tenha mais medo ainda, mas não se engane de que isso é um assunto que já está sim sob experiência de contato dele(eu não falei uso)). Não seria bem mais “inteligente” entender que toda essa proibição em meio a todo esse comércio multi bilionário não taxado diante dos olhos dos governantes e até do cidadão comuns já ultrapassou o limite do absurdo em diversos aspectos e que já está mais do que na hora de soltar os manuais da direita e esquerda e seguir a única verdade nisso tudo antes de ser engolido por isso como já aconteceu na Itália e vem acontecendo aqui no Brasil?

    Repito novamente: pense com a cabeça e lógica, não com o coração leviano ou com um livro de comportamento em grupo segundo a mentalidade de um outro ser humano hora interessante e outra não (eu não me referi a Jesus ou religião, mas de pensadores destacados da direita, esquerda, democrata, republicanao, comunista, capitalista e etc… eu me referi apenas ao pensamento de outros seres humanos tão falhos quanto qualquer outro).

  20. Caríssimo Augusto,

    Onde a repressão é forte (pena de morte para traficantes)e cadeia para usuário, a droga não é um problema de grandes dimensões (países eslâmicos, por exemplo). Quando, no Brasil, o usuário era preso, a droga não era um grande problema. O problema foi crescendo à medida que os meios coercitivos foram afrouxndo. Essa é a realidade. Quanto ao fato de o comércio, se legalizado, poder render bilhões em impostos, o argumento prova demais. Assim, legalizemos o latrocínio, o roubo etc., e, em vez de pena, cobremos impostos. Nos USA uma pessoa mata e é condenada à morte. Já o traficante não está sujeita e essa penalidade. Agora, quem mata uma pessoa, o crime aí se esgota. Já o traficantetraficante que, esplhando o vício, provoca os assaltos, os latrocínios, a destruíção do viciado e da família recebe uma pena branda, comparada à pena de morte. A repressão funciona sim, e muito.

  21. Amarilio Adolfo d Silva de Souza

    Os governos, com suas enormes e inúteis leis, são o parceiro ideal de bandidos, ávidos por desobedecê-las e lucrar. Isso, se os bandidos não estiveram criando as tais leis. Se houvesse menos “estado” e mais Liberdade, não haveriam tantos crimes, pois o pior criminoso já teria morrido.

  22. O incrível é que lá a inflação está menor do que em muitos países (saíram os dados de outubro): 2,9 % anuais, menor que em países como Estados Unidos (6,2 %), Países Baixos (3,4 %), Noruega (3,5 %), Áustria (3,6 %) e Alemanha (4,5 %).

  23. “Ainda no século XIX, essas associações corruptas ocorriam apenas nas regiões sul da Itália. Dado que o sul da Itália sempre foi uma das sociedades menos produtivas de toda a Europa Ocidental, muito por causa da falta de confiança que impera na região, arranjos como a máfia conseguiram facilmente ganhar muita influência por lá, pois a máfia provê um mínimo de ordem social para seus membros, e a população em geral não oferece muita resistência à sua existência.”

    Por que existe essa falta de confiança na região?

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