A intervenção
do governo brasileiro nos mais distintos aspectos da vida cotidiana está em
níveis tão acentuados, que
até atividades triviais do cidadão comum são afetadas. O simples ato
de ir ao cinema é uma delas. Em
especial, ir ao cinema para assistir aos filmes que justamente têm grande
apelo de público: os tais megalançamentos do cinema de Hollywood.
Se você gosta de assistir a filmes como Guerra nas Estrelas, Parque dos Dinossauros, Vingadores, Homem-Aranha, Batman, Senhor
dos Anéis, entre outros, é
bom que saiba que a intervenção do governo
brasileiro está afetando, e afetará mais ainda, a sua vida até
nesse particular e quase supérfluo hábito.
A cota de tela
O governo brasileiro recentemente publicou o Decreto
nº 8.386, de 30 de dezembro de 2014,
que basicamente regula duas intervenções no mercado de distribuição e
divulgação de filmes no Brasil, em especial nos cinemas.
A primeira delas é a cota de tela. Essa
cota determina a quantidade de filmes brasileiros que deve ser exposta nos complexos de cinema de
todo o país. Essa
medida não é nova e será motivo de uma análise mais detalhada ao longo do
presente artigo.
A segunda medida é bem atual. Trata-se
da imposição de um limite máximo de
salas em que o mesmo filme (um título) poderá ser exibido. O
limite máximo de título por sala varia em cada caso, mas, a rigor, complexos com seis ou
mais salas de cinema poderão colocar no máximo algo em torno de 30% a 35% de
suas salas com o mesmo filme.
Como colocado anteriormente, a criação
de uma cota para filmes brasileiros exibidos no cinema não é algo propriamente
novo. E,
para ser justo, nem algo exclusivo do Brasil. México, Argentina, Coreia do Sul,
Colômbia, Espanha, União Europeia —
todos eles a utilizam. Com o objetivo oficial de incentivar e proteger a cultura nacional, a cota de tela no
Brasil estipula um número mínimo de dias,
de quantidade e de títulos nacionais que
devem ser exibidos nos complexos cinematográficos.
A
intervenção governamental no mercado — no caso, o mercado de produção audiovisual — com
o intuito de instituir uma cota para privilegiados é das mais antigas e mais historicamente
desastradas medidas estatais, vide a Lei da Informática da década de 1980 .
Nesse sentido, para analisar os
efeitos dessa interferência, vamos
à abordagem de Mises, que resume a
problemática da intervenção governamental da forma bastante clara:
“Em contraposição a todo esse formalismo e dogmatismo
legal, é necessário enfatizar novamente que…
[e]stamos diante de uma questão exclusivamente praxeológica e econômica. Nem
a filosofia do direito, nem a ciência política têm qualquer contribuição a dar
para esclarecê-la.O
problema que temos de examinar ao analisar o intervencionismo não consiste em
procurar definir quais seriam as tarefas ‘naturais’,
‘justas’
e ‘adequadas’
do governo. A questão a examinar é a seguinte: como funciona um sistema
intervencionista? Poderá esse sistema
alcançar aqueles objetivos que o governo, ao adotá-lo, pretende atingir?”
Mises, Ação Humana, págs. 821 e 822.
Resta-nos então a tarefa de analisar
economicamente se esse mecanismo de intervenção é uma forma de incentivar a
cultura nacional ou, mais
especificamente, o cinema nacional.
E,
nesse caso, iniciamos por constatar o elemento mais básico e óbvio: o fato de
que é um equívoco pensar em termos de
“cinema nacional”. Um filme, tal como uma obra artística,
é uma manifestação da ação de um conjunto de indivíduos — que podem ter inúmeras nacionalidades,
por sinal. No caso do cinema, deve-se ressaltar
em especial a participação do(s) produtor(es) do filme, do(s) diretor(es),
atores e atrizes. Logo, não há por que
classificar um filme apenas de acordo com sua “nacionalidade”.
Mas a questão é que a medida trata os filmes produzidos por empresas brasileiras
de forma distinta dos filmes produzidos por
empresas estrangeiras; e,
por isso, tem-se que estudar a medida a partir deste fato.
Assim, seguindo a análise, o efeito
concreto da medida é privilegiar empresas de produção que são
brasileiras em detrimento de empresas de
produção que não são brasileiras. Ao
fazer isso, a medida diminui o acesso dos produtores, diretores e atores não-nacionais ao público do Brasil. E o
sentido contrário também é verdadeiro: o
acesso do público brasileiro a artistas estrangeiros é reduzido.
O efeito prático é a restrição a
vários filmes estrangeiros que poderiam ser mais bem difundidos caso não
existisse a cota nacional, já que se
trata de uma restrição baseada apenas no critério da nacionalidade da produção
das obras — logo, sem
qualquer justificativa artística.
Se a medida tem o intuito de privilegiar a cultura nacional, a
consequência indesejada — porém
efetiva — é a discriminação
da manifestação artística de estrangeiros. A medida é preconceituosa em relação à cultura
não-nacional, por assim dizer. Em
um mundo que busca integração, globalização e comércio entre os povos, uma ação
que não apenas hostiliza uma
cultura estrangeira, mas que tem o intuito supremo de isolar a população
nacional pode ser considerada um crime. Certamente é xenofobia. E um atraso.
Seria
difícil dizer quais filmes poderiam ser mais difundidos no Brasil caso a cota
de tela não existisse. O público brasileiro teria acesso a
mais filmes oriundos do estrangeiro, mas como saber quais filmes “importados”
são bons e quais são ruins? É
nesse ponto que entra o segundo efeito maléfico da cota de tela.
Se há algo que sabemos em Economia, é
que valor é algo subjetivo. Valorar uma obra de arte é algo completamente abstrato. Algumas
pessoas assistem a um filme e o consideram
bom, bonito, genial,
engraçado etc. Já outros o consideram feio, chato, de mau gosto, ruim, não
artístico, medíocre etc. Ao instituir a cota de tela, o
regulador passa a decidir pelo público qual filme é bom, bonito, artístico,
genial etc.
Como diria Mises, a soberania do
público foi seriamente prejudicada. E
quer os membros da indústria cinematográfica (produtores, cineastas, atores,
críticos de cinema) queiram ou não, o real valor artístico de um filme está nos olhos de quem o vê.
Esse fato é plenamente compreendido
pelos donos dos cinemas, ao ponto de o Sindicato das Empresas Exibidoras
Cinematográficas do Estado do Rio Grande do Sul entrar com uma ação no STF contra essas cotas. Um
dos proprietários de cinemas resume a questão da seguinte maneira: “É
importante entender que não somos contra a exibição de filmes nacionais. Mas
somos contra as cotas. Quando a safra brasileira não é boa,
os exibidores são penalizados porque os filmes não vão atrair público”.
O dono do cinema acerta com precisão. Com
a exibição garantida, os cineastas ficam protegidos das consequências negativas de
apresentarem uma obra de baixo valor artístico aos olhos do público. Esse
ônus recai para os donos das redes de cinemas
e para público em si.
Com os cineastas nacionais protegidos dos
efeitos do sistema de lucros e prejuízos, e usufruindo
o privilégio de ter a exibição garantida e parcialmente
protegida da concorrência de filmes estrangeiros, o terceiro e final efeito da
imposição da cota de tela não pode ser outro se não o efeito decorrente de toda
instituição de reserva de mercado: a apresentação de
produtos e serviços que satisfazem menos os consumidores. No
caso em questão, filmes que divertem menos o público; filmes com menor valor artístico aos olhos
justamente daqueles que são as pessoas que deveriam valorar tais títulos.
Não à toa,
Paulo de Almeida, do portal Filme B, afirma: “Hoje, a cota de tela não é
responsável por levar um único espectador para o filme brasileiro; serve mais
como um instrumento simbólico. E às vezes acaba ajudando mais o filme ruim do
que o filme bom”. E prossegue:
“É
humilhante para o diretor brasileiro ter o filme exibido apenas por causa da
cota de tela”.
Assim, analisando sob o aspecto
praxeológico, constata-se que a cota gera efeitos contrários aos quais ela se
pretende. Em vez de
incentivar a cultura, deprecia-a, incentivando filmes de menor valor para o
público.
O limite de quantidade máxima de salas por título
Ao passo que a
cota de tela tem um mecanismo discriminatório embutido — porém não totalmente explícito
— contra os filmes
norte-americanos, o limite de salas por títulos é abertamente
contra os filmes de Hollywood, em especial contra os filmes estilo blockbuster. É
justamente por essa razão que, como
mencionado no início, o hábito de assistir a
uma superprodução de Hollywood será
afetado.
O filme blockbuster, normalmente, é aquela produção extremamente cara — e, por essa razão, é a típica produção
que gasta enorme quantidade de recursos com distribuição e divulgação. Normalmente
é uma superprodução, com sofisticados efeitos especiais, inovações
tecnológicas, grandes astros, belas atrizes etc. É
muito comum referenciar o primeiro filme blockbuster como sendo Tubarão, do aclamado diretor Steven
Spielberg, lançado em 1975. Provavelmente o segundo filme nesse mercado foi o Episódio IV de Guerra nas Estrelas, lançado em
1977.
Depois destes filmes, os produtores de
Hollywood descobriram o que Mises disse sobre o capitalismo moderno, que “consiste essencialmente
na produção em massa para atender às necessidades das massas“.
Justamente por gastar enorme quantidade
de recursos em distribuição e divulgação, os lançamentos destes filmes costumam
ocupar uma grande quantidade de salas de cinema no Brasil e no mundo. Contudo,
aparentemente esse fato incomoda as autoridades brasileiras e, obviamente,
outros concorrentes nesse setor. Para
o presidente da Ancine, Manoel Rangel, o “alerta” foi dado no lançamento do
filme “Jogos Vorazes: A Esperança”.
Segundo ele, como o título esteve em
mais da metade das salas do país, tratou-se de uma ocupação “predatória”. Ainda de acordo com Rangel, o objetivo (da
intervenção regulatória) seria “garantir uma pluralidade de filmes”.
Ocorre que o efeito dessa medida é
muito semelhante ao da criação a cota de tela. Nesse
caso, a quantidade de telas que excederiam o limite estipulado pela Ancine não
poderia expor os filmes tipo blockbuster, sendo forçadas a exibir algum título
diferenciado, não importando qual a origem. Porém,
o problema de exibir filmes de menor valor artístico ou de entretenimento para o público
continua a ocorrer.
Esse efeito é maléfico para o público
e, de certa forma, ruim também para toda a cadeia produtiva setor. Com
filmes de menor valor de entretenimento sendo veiculados, a atratividade dos
cinemas diminui de forma geral. Consequentemente, há uma queda na demanda. Com a redução da demanda, a lucratividade e a
rentabilidade caem.
Decorrente disso, investir em salas de
cinema torna-se menos atrativo, e
manter as salas atuais torna-se mais custoso. A
tendência é a redução de número de salas e, consequentemente, a redução do
número de filmes divulgados como um todo. Com
menos filmes em cartaz, há menos variedade, e o efeito de buscar pluralidade
transforma-se no exato oposto.
Ao punir os títulos “carro-chefe” de
vendas nas salas de cinema, o regulador acaba penalizando todos os outros
filmes como consequência.
Outra justificativa a favor da medida
decorre do seguinte argumento: “filmes blockbuster são medíocres; e o medíocre não ofende, não desafia. E
vende melhor por isso. Nem toda superprodução seria medíocre, mas, por
natureza, a superprodução tende muito mais à pasteurização do que projetos
menores e mais arriscados”.
Obviamente, o erro deste argumento
está em ignorar o valor subjetivo da obra artística, valor que, no fim das
contas, deve ser julgado aos olhos do público. Mais ainda, se projetos
artísticos devem ter como proposta “arriscar”,
“desafiar” e “ofender” o público, então nada mais justo do que o risco caia
sobre o artista, não sobre o público. Se
um artista pretende “ousar” em sua obra, então ele deve arriscar-se
financeiramente também com isso. Não
é ousadia fazer uma obra cuja exposição está previamente garantida, bem como o
financiamento.
Além da justificativa anterior, outro
argumento pró-intervenção seria o de que a
média de público por sala aumentaria. Esse
seria um efeito colateral do excesso de espectadores: ser empurrado para outras
salas e outros filmes. O
problema é que esse argumento ignora também o fato
da valoração subjetiva. Ignora também o fato de que muitos espectadores, ao
irem ao cinema e se depararem com as salas do blockbuster lotadas, não desejam ver um filme substituto,
justamente pelo fato de que foram ao cinema para assistir especificamente ao blockbuster.
Em muitos casos, exatamente por se
tratar de obras de arte, o efeito bem substituto de um filme por outro é muito pequeno. Pode
até ser que alguns espectadores irão a filmes substitutos; porém, é mais
provável que a maioria não proceda assim. A média de público por salas poderia
até ficar mais bem distribuída, mas a média geral tenderá a cair.
Enfim, a medida tem potencial de
causar muito mais danos do que benefícios. Sob
o ponto de vista estritamente praxeológico, ela deveria ser rejeitada.
Cabe ainda acrescentar alguns
comentários suplementares sobre essas duas medidas regulatórias. O
primeiro, acerca do limite máximo do número de tela. Aparentemente,
a medida foi tomada seguindo curiosos
“critérios técnicos”. Segundo Manoel Rengel: “a Ancine entende que os grandes
lançamentos são bem-vindos, assim como a câmara técnica. O que não é bem-vindo
é o megalançamento, aquele que não otimiza o setor.”
Aparentemente então, segundo esse
regulador, ele “conhece” o tamanho ótimo dos lançamentos para “otimizar” o
setor. A
Ancine passa a arrogar para si própria qual é o ponto de equilíbrio entre
oferta e demanda no setor cinematográfico brasileiro.
Por último, a decisão da intervenção foi tomada a
partir de discussões realizadas em uma “câmara técnica” criada pela Ancine com
profissionais da indústria cinematográfica. E,
ao que se sabe, um termo de compromisso já foi assinado por 23 empresas
exibidoras e seis distribuidoras brasileiras.
Mas observe o quadro geral: o órgão
regulador estabelece uma nova política de conduta comercial e estabelece um
acordo para “equilibrar” esse mercado. Quando
concorrentes em um determinado mercado aceitam participar de um acordo que
equaliza suas respectivas condutas comerciais em termos de quantidade ou de
preço, tal ação beira a caracterização da formação de um cartel. E,
nesse caso, sendo difundido e estabilizado pelo órgão regulador.
O mercado cinematográfico brasileiro
Em 2013, de acordo com a Ancine, foram
lançados no Brasil um total de 397 produções.
Desse total, 145 filmes (36,5%) são
norte-americanos, 129 (32,5%) são brasileiros e 49 produções (12,3%) são
francesas. Somados,
esses filmes perfazem cerca de 81% do total e lançamentos do circuito.
Os números de 2012 não divergem muito
do ano posterior. Foram lançados 323 filmes — 83 brasileiros (25%), 133
norte-americanos (40%) e 39 franceses (12%).
No somatório, o total fica em
aproximadamente 78,5% para esses três países.
Cabe mencionar que houve um sensível
crescimento no número de filmes brasileiros lançados nos últimos anos. Isso
pode ser mais bem ilustrado pelo gráfico abaixo:
A quantidade de
filmes lançados saiu de 14, em 1995, para 129, em 2013, merecendo
destaque a quantidade de filmes do gênero
“documentário”. De não mais do que cinco documentários
por ano lançados até 2003, nos anos de 2009 a 2013 foram lançados um total de
196 — uma média de 39 por ano, sendo
que, no mesmo período de 2009 a 2013, a média do total de filmes lançados ficou
em 94 filmes por ano.
De 2009 a 2013,
nada menos do que quatro em cada dez filmes brasileiros são do gênero
documentário. O
restante se enquadra como “ficção” ou “animação”, podendo ser drama, comédia,
suspense, romance ou outros. Como
comparação, observe que, segundo o site Movie Insider,
do total e 1.094 filmes lançados no mercado norte-americanos no ano de 2013,
apenas 105 eram documentários (9,6%).
Seguindo a
abordagem, vemos que, dos 145 filmes norte-americanos lançados no Brasil em
2013, apenas dois são documentários. Em
2012, apenas quatro foram desse gênero. Essas
informações estão no quadro abaixo, que nos permite a construção de outros insights.
A média de público
dos 145 filmes norte-americanos foi de 785.282 ingressos por filme. Já a média
brasileira foi de 183.137 ingressos por filme. Ou seja, um filme brasileiro
leva, em média, apenas 23,3% do público de um filme norte-americano.
Observando
ainda mais, a média de público por sala (total
de público do filme dividido pelo número máximo de salas em que o filme foi
exibido) para filme brasileiro é menor (989)
do que a dos filmes norte-americano (2.004).
Apenas essa
constatação ilustra o ônus imposto ao
setor quando se impõe a
cota de tela para filme nacional. Se
aumentarmos ainda mais a quantidade de salas para filmes brasileiros, a
tendência de queda na média de público por sala irá se acentuar.
Mas esses
números agregados ainda dizem pouco.
Ao desagregar os filmes pelos gêneros observam-se alguns efeitos bem
interessantes. A média de público dos 134 filmes de
ficção americanos é de 690 mil ingressos por filme. É
uma média até menor do que
a média geral (785 mil). O
curioso é que aí entra a categoria blockbuster. Isso
se deu pelo destaque aos
filmes de animação, com a enorme média de 2,36 milhões de bilhetes por filme e
com uma média de público por sala de 3.198.
Já os 77 filmes
brasileiros de ficção têm uma média de 302 mil bilhetes por filme. Agora,
vemos que o filme brasileiro do gênero de ficção leva ao cinema cerca de 44% do
total de pessoas que leva um
filme americano do mesmo gênero. Assim,
vê-se que o filme brasileiro de ficção é popular, porém, menos popular do que o
americano. Isso é corroborado ao se comparar os valores do indicador de público
por sala.
Mas o efeito
mais perverso das intervenções no mercado se exemplifica por meio da análise dos filmes do gênero
“documentário”. Em 2013, foram produzidos no Brasil 50
documentários, lembrando que a média entre 2009 a 2013 foi de 39 por ano.
Documentários americanos divulgados no Brasil nesse ano foram apenas dois, como
já mencionado.
Esses 50
documentários brasileiros levaram 203 mil pessoas ao cinema, enquanto os dois
filmes americanos levaram 139 mil. Foram exibidos 25 vezes mais documentários
brasileiros do que norte-americanos para um público apenas 46% maior. A média
de público foi de apenas 4.077 bilhetes por filme e a média de público por sala
foi de míseras 408 pessoas.
Em
comparação aos próprios filmes brasileiros, vemos que o gênero “documentário”
não perece ter realmente nenhum apelo junto ao público de forma geral. Como já
dito, praticamente 40% dos filmes lançados foram documentários; e apenas 0,9%
do público que assistiu a algum
filme nacional foi atraído por
esse gênero. Os gráficos abaixo ilustram melhor.
Fica evidente
que a decisão de produção e divulgação de filmes orientada a atender à necessidade de entretenimento
do público é mais bem feita no caso dos filmes norte-americanos.
Vemos que
apenas 3% dos filmes americanos lançados no Brasil em 2012 foram do gênero
documentário (gênero claramente com menor apelo de entretenimento); em 2013,
esse número foi de 1,3%. De
modo geral, esse gênero de filmes lançados no próprio mercado norte-americano
não passa de 10%. Já no caso dos filmes brasileiros, esses números são muito
maiores: em torno de 40%.
Em proporção,
podemos dizer que o Brasil produz quatro vezes mais documentário do que os
americanos, e ainda assim os brasileiros assistem bem menos a esses tipos de
filmes.
O financiamento do setor
cinematográfico
Entretanto,
abordar apenas a intervenção via instituição da cota de tela não completa a
explicação das distorções desse mercado. Não poderia deixar de abordar o tema
do cinema brasileiro sem mencionar, ainda que brevemente, algumas fontes de
financiamento destes filmes. Isso colabora para explicar por que dezenas de
filmes brasileiros que são produzidos têm pouco ou quase nenhum apelo.
Um dos
mecanismos mais utilizados para financiar filmes no Brasil é a chamada Lei do Audiovisual.
Ela
concede incentivos fiscais às pessoas físicas e jurídicas que adquirem os
chamados Certificados de Investimento Audiovisual, ou seja, títulos
representativos de cotas de participação em obras cinematográficas.
A lei permite
que o investimento seja até 100% dedutível do Imposto de
Renda (com um
limite para pessoas jurídicas) e o desembolso pode ser deduzido como despesa
operacional.[1]
Sendo assim, ainda que essa lei forneça uma opção
para o pagador de impostos
brasileiro — se ele gostaria
de fornecer seu dinheiro para alguma obra de cinema ou para o Tesouro Nacional –, o fato é que boa parte do
financiamento do cinema brasileiro é feito com dinheiro estatal. E
isso agrava o problema da distorção de se produzir filmes de menor valor
artístico ou de entretenimento, visto que ônus de arcar com um fracasso de
bilheteria desses filmes já está mitigado.
Contudo, a Lei
do Audiovisual ainda não é tudo em termos de financiamento. A
Medida Provisória nº 2288-1, de 2001, estabeleceu um tributo popularmente
conhecido como CONDECINE, ou Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria
Cinematográfica Nacional.
E a Lei nº
12.485, de 12 de setembro de 2011, estabeleceu que
essa tributação deve ser paga a cada ano pelas empresas que exploram serviços
de telecomunicações. As empresas pagam esse valor por
meio de uma taxa que é cobrada em cada
aparelho de celular em operação no Brasil, chamada Taxa de
Fiscalização de Funcionamento —
TFF.
Dos mais de 280
milhões de aparelhos em funcionamento no Brasil, para cada um deles, e anualmente, as operadoras pagam uma
TFF no valor de R$ 13,42. Desse valor, 66% ficam para o Fundo de
Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), 10% para a Contribuição para o
Fomento da Radiodifusão Pública (CRPF) e 24% para o CONDECINE. Além
disso, toda estação retransmissora de sinal de celular também paga a TFF.
Façamos as contas. Utilizemos
como base os 280 milhões de celulares existentes no Brasil. Multiplicando esse número por (R$ 13,42 x 0,24),
isso dá algo próximo a R$ 900 milhões
de reais.
Não é à toa que
a arrecadação do CONDECINE em 2012, primeiro ano dessa nova tributação, foi de
R$ 725 milhões de reais; em
2013, chegou à casa dos R$ 806 milhões de reais. Para
termos uma noção da quantidade de dinheiro arrecadado, muitas das produções
mais caras da história do cinema giram na casa de
US$ 210 a US$ 270 milhões.
E esse enorme
volume de recursos entrando no setor só pode causar ainda mais distorção no
sistema de lucros e prejuízos (ou sistema de
perdas versus recompensas). O
risco de produzir uma obra ruim aos olhos dos espectadores fica diluído; os
artistas acabam por ficar desconectados de seu público. Nada
mais dramático do que isto.
Conclusão
O cinema brasileiro é formado
por uma combinação de cotas de reserva de mercado, restrição de
mercado a grandes lançamentos e financiamento governamental. O
governo intervém na oferta (via financiamento estatal) e na demanda (via cotas
e restrições de numero de sala). Isso
tudo combina para a construção de obras que não são orientadas pelo mecanismo
de ganhos versus perdas, ou de reconhecimento versus críticas. Consequentemente, o
público não é provido de obras cinematográficas às quais ele naturalmente daria mais valor. A
indústria cinematográfica perde um importante mecanismo de averiguação da
qualidade de suas próprias obras.
Com efeito, a análise factual mostra que a intervenção no setor vem
causando a fabricação de dezenas de filmes que tem baixa média de público, em
especial filmes de do gênero “documentário”. Esses
são típicos filmes que poderiam ser mais bem distribuídos em outras
plataformas, como Netflix, Now, Globosat Play, YouTube,
PSN, Xbox Live, Popcorn Time etc. Sem
contar o lançamento direto em DVD/Blu-Ray ou na TV por assinatura.
Para terminar,
duas últimas informações também lamentáveis. Primeiro, a cota de tela existe no
Brasil desde 1932. E, até hoje, a indústria cinematográfica
brasileira não produz filmes tão populares em comparação à indústria
norte-americana; filmes que poderiam geram mais viabilidade econômica para a
indústria como um todo — incluindo
os filmes de menor apelo comercial. Em
verdade, a intervenção vem fazendo com que
algumas produções recebam o estigma
de “só entrar em cartaz por causa das cotas”.
Segundo, não
contente em impor conteúdo nos cinemas e nos canais de TVs por assinatura, a
sanha regulatória da Ancine ainda não terminou. Aparentemente,
o órgão regulador deseja impor cotas
de conteúdo no serviço de
TV via web do Netflix.
Essa medida
regulatória de impor conteúdo na era da Internet
regulada encaixa muito
bem no roteiro desses tempos. É a
história de um drama em que nossa liberdade faz o papel de donzela em perigo. Porém,
ainda sem nenhum herói para salvá-la no final.
[1] Em princípio, devemos nos dizer que contrários a essa
lei. O ímpeto liberal evoca a redução drástica do IRPF e IRPJ; mas, por outro
lado, entendemos que, já que o mundo real existe, essa lei é uma opção
pragmática de pagar menos dinheiro para o Tesouro Nacional. Ao menos o pagador
de impostos escolhe se deseja financiar um filme ou até um projeto esportivo
(ver Lei de Incentivo ao Esporte).



Outra coisa absurda é a tal da meia entrada. Metade do dobro. Aí a pessoa que gostaria de pegar o preço justo acaba falsificando carteirinha de estudante ou baixando cópia pirata. A pessoa honesta tem duas opções: pagar o dobro ou não ir ao cinema.
É uma arrogância e um autoritarismo sem precedentes desses órgãos reguladores. Gosto de cinema e nos últimos anos tenho percebido esse intervencionismo. O que senti só foi prejuízo para mim, só vejo filmes nacionais impostos em inúmeras salas de cinema, e claro, não vejo filas enormes para vê-los.
Ta ficando insuportável. Ficam com um discursinho bobo anti-americano, forçam filmes nacionais – que pelo artigo deixa bem claro que já pagamos por eles e querem que peguemos novamente no cinema – selecionam conteúdo estrangeiro convenientemente francês, o qual já está entupido de cultura marxista e já dominada as faculdades. Querem impor no mundo no cinema.
O fato da cultura ser “protegida” é a maior loucura que se pode usar como argumento, RIDÍCULO!! Cultura é algo que está em constante mudança e miscigenação. Mas para os esquerdistas a cultura é o que eles definem, “sabem o caminho como seres místicos”.
O artigo está muito bom. Só lamento, mais uma vez, ver a cultura brasileira mais totalitária, mais taxativa, mais fechada, mais xenófoba, mais tudo de ruim que possamos imaginar de uma sociedade intolerante.
PS: as pessoas favoráveis a essas cotas audiovisuais simplesmente “CAGAM” para o dono do cinema,o qual vai perder dinheiro e não pode administrar sua empresa, sendo que ela lhe pertence. Ou seja, é fascismo/comunismo mesmo. Foda.
Bom, o artigo simplesmente ignora a necessidade de recuperar a nossa identidade nacional, que foi pedida após décadas de invasão da cultura americana (Que não passa de um lixo cultural).
Graças ao governo (Cá entre nós, dos últimos 12 anos), a produção cinematográfica brasileira cresceu estrondosamente. Quem se lembra de vê algum filme brasileiro nos anos 90? Certamente era raridade, tínhamos que nos contentar com os filmes da Xuxa e do Didi, e raramente tínhamos algum filme nacional decente passando em algum cinema. Dessa forma éramos obrigados a vê aqueles lixos americano. E tudo isso (para aqueles que não enxergam) estava destruindo a nossa identidade, ou posso dizer, nossa autonomia cultural.
A política em pró da cultura, que se baseia no tripé: financiamento público, incentivos fiscais e as cotas nacionais, têm levado a uma mudança da elite dos meios cinematográficos (ainda que lenta) do capital internacional (Hollywood) para o capital nacional (Globo filmes). E ainda que eu reconheça que nossa cultura esteja nas mãos de um monopólio como a Globo, devo reconhecer que metade da lição tem sido feito, restando apenas uma maior democratização dos meios cinematográficos, que só será possível com a lei da mídia democrática.
Vejamos agora em números, segundo a ANCINE, apenas no primeiro semestre de 2014, o cinema nacional teve 7 milhões de bilhetes vendidos e três filmes entre os dez mais vistos. Algo impensável em 2002. Hoje temos grandes produções como "Tropa de Elite 2" e "Se eu fosse você 2". Temos também excelentes comédias românticas, que de certo bate de frente com as baboseiras do Ashton Kutcher. Produzimos também excelentes documentários como o "Amazônia eterna" e os "Santos, 100 anos de futebol arte", e até o primeiro filme brasileiro em 3D: "Brasil animado".
Por fim, devemos reconhecer que todo financiamento ao cinema é ínfimo comparado a nossa grandeza, teríamos capacidade de financiar muito mais. E de qualquer maneira, com o pouco que é destinado ao cinema nacional, ainda fizemos um bom trabalho. Agora eu pergunto, será realmente que não tem valido apena destinar um pouco do dinheiro do povo para salvar nossa maior riqueza, a cultura brasileira? .
Excelente artigo. Nada contra os artigos teóricos demais, já que aprende-se muitíssimo com eles. No entanto, é muito prazeroso ler um artigo com um tema do dia a dia. O estado se intromete nos mais simples assuntos do povo. Até no cinema, querem nos atrapalhar de ver o que desejamos. Alguns filmes brasileiros são bons, mas a maioria não me agrada.
Não entendo a tara que algumas pessoas com ideologias coletivistas têm em rotular tudo, incluindo o que é tido como cultura, e daí tentar moldar quais rótulos devem se sobrepor aos outros, tudo sob o álibi de algum termo pomposo como ‘valorização da cultura nacional’. Ora, se eu gosto de um certo filme pouco importa a origem.
O pior de tudo é que certamente há um filtro ideológico nessa Ancine, de modo que tais ações acabam servindo apenas como mais um instrumento de doutrinação.
É incrível como lembra “A Revolta de Atlas”.
A própria existência de uma “Agência do cinema” já é um absurdo completo.
eu “admiro” a capacidade que o governo tem de tomar tantas atitudes estupidas.
Não vejo nada de errado no estado brasileiro querer ter uma pujante indústria cinematográfica, muito pelo contrário. Qual país do mundo não queria ter um parque cinematográfico que rivalizasse com Hollywood? Qual país do mundo não gostaria de ter a sua cultura disseminada pelo mundo afora graças à mágica da Sétima Arte? Por isso sou totalmente favorável ao incentivo governamental ao cinema nacional. Podem me chamar de alienado, podem até me xingar, não me importo. Essa é minha opinião e não abro mão dela.
Eu bateria palmas de pé efusivamente se o estado agisse com vigor no sentido de alcançar esse propósito tão nobre. Ficaria muito satisfeito se o estado decidisse não cobrar tributos sobre os equipamentos necessários às filmagens, quais sejam, câmeras de filmagem, ilhas de edição, equipamentos de iluminação e captação de áudio etc. Ficaria exultante se o estado deixasse de cobrar tributos sobre os terrenos em que se localizam os estúdios, bem como isentasse de tributos a água e a energia elétrica que fossem eventualmente consumidos em suas dependências. Daria uma cambalhota de alegria se o estado não aplicasse quaisquer leis trabalhistas e previdenciárias a todo e qualquer pessoal envolvido na produção cinematográfica (ainda que indiretamente), seja diretores, atores, roteiristas, pessoal dos efeitos especiais, maquiadores, seguranças dos estúdios, porteiros, faxineiros etc. Daria um soco no ar, tal qual Pelé ao fazer seus históricos gols, se o estado não cobrasse imposto sobre a renda do pessoal citado e nem cobrasse imposto sobre o lucro dos estúdios e das empresas ligadas (ainda que indiretamente) à produção cinematográfica. E sapatearia como Fred Astaire se o estado estendesse todos esses benefícios citados acima aos setores de distribuição e exibição.
Sou não só favorável ao incentivo governamental sobre o nosso o cinema, como também sou ferrenho defensor do estímulo estatal a todos os setores da economia brasileira, sem exceção. Chamem-me de socialista, comunista, puxa-saco de Fidel ou até de petista. Não me importo.
Nosso país sofre até hoje os efeitos da reserva de mercado da informática dos anos 80, perdemos o boom da informática e quem tem mais de 30 anos, se lembra que tinha de se contentar com clones caríssimos do ATARI que só vieram aparecer aqui depois que a mesma tinha falido em 1983 (Crack da Indústria de Games). Já em relação a filmes (e também séries, basta ver nas TV’s a cabo) a imposição de conteúdo tende a empobrecer as produções nacionais, vista que as produtoras e distribuidores terão de “criar novos produtos” para se encaixarem nos 30%.
Eu acredito que o cinema brasileiro deva ser um pouco mais valorizado. Mas o problema é totalmente a falta de insentivo. Novos alunos são formados, mas como que vão colocar em prática o que aprendem se não tem insentivo.
O artigo é até regular, mas um artigo melhor e mais curto sobre este assunto, pode ser achado no site veja.abril.com.br/080605/mainardi.html que exceto por escrever entre 1992 e 1994 ao invés de 1990 e 1992, mostrou-se melhor e muito mais curto que o artigo acima. No artigo do site veja.abril.com.br/080605/mainardi.html tem escrito: “Se o governo jogasse fora dois quintos da verba da merenda escolar, alguém já estaria preso. Como joga fora dois quintos da verba de filmes, ninguém reclama. O cinema nacional só existe porque é tutelado pela política. Produtores e diretores sabem disso.”
Olá, discutindo sobre essa lei da quantidade máxima de salas por filme há algumas semanas, o argumento mais usado pelos favoráveis a essa lei era de que ‘não era o dono do cinema que definia a quantidade de salas, mas sim a produtora que exigia no contrato que ele colocasse o filme em uma grande porcentagem de salas, o que acaba gerando várias salas vazias, mesmo que o público desses filmes seja maior, e isso prejudica o público, que ficaria com uma oferta menor de filmes, prejudica o dono do cinema que poderia estar lucrando mais passando filmes blockbusters menores (não necessariamente filmes brasileiros ou independentes)’ dizem que a lei não prejudicaria o público, ‘pois a única coisa que mudaria é que quem ia num horário vazio iria num lotado, e ele ainda poderia ir nas outras salas’, beneficiaria o dono do cinema (e ao que parece 90% dos donos de cinema apoiam essa lei, segundo o presidente da Ancine – link abaixo), e que os únicos prejudicados seriam as produtoras, que ‘perderiam 1% de lucro’. Enfim, não tenho muito conhecimento pra rebater esses argumentos, e estranhei eles não terem sido refutados no artigo, e gostaria que fossem refutados aqui nos comentários.
http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-110703/
OFF TOPIC
Galera, hoje eu declarei minha rendição e derrota à burrocracia estatal. Tenho a infelicidade de trabalhar como advogado cível e, portanto estar diariamente sujeito aos desmandos dos suseranos nomeados pelo Estado. Não sei se alguém aí já fez um artigo sobre cartórios, sua função feudal e sua proteção incólume como máfia (cartel) em pleno século XXI. Se não houver qualquer artigo, estou à disposição (Leandro/Chioccas, não sei quem cuida desta parte no site agora) para redigir um artigo denunciando esta praga que inferniza a vida de todos. A cada vez que discuto com um tabelião ou um servidor de tribunal pelas exigências tirânicas e sem nexo desses inúteis, perco a cabeça porque sei que jamais me tratariam assim se houvesse concorrência a seus serviços e eu pudesse escolher um cartório ou tribunal à minha escolha.
Como não vou conseguir enfiar na cabeça desses senhores que não sou um escravo deles e que eles é que estão la para me servir (afinal pagamos as contas deles através de impostos e emolumentos), assino aqui a minha rendição como advogado (um profissional que vive a desvendar e desbravar as legislações insanas impostas por burocratas inúteis) e já estou a procura de um ramo para empreender sem que tenha que lidar (tanto) com o estúpido, arrogante e burro Estado tupiniquim. Sem brincadeira, fico doente quando ouço algum imbecil falando que temos que estatizar os serviços cada vez mais.
Para esse comentário não se restringir somente a acusações gerais, transcrevo abaixo algumas exigências que os “dotôs” tabeliões já me obrigaram (ou tentaram obrigar), em nome da …”segurança jurídica” (leia-se: ganho fácil para eles a troco de infernizar a vida do cidadão):
1 – Querer cobrar mais de R$ 24K para registrar UM contrato de empréstimo Os emolumentos máximos são de R$ 12K, mas o “dotô” falou que o anexo tinha muitas páginas e que dá muito trabalho carimbar e tirar cópia de tudo (sim, ele disse isso mesmo), e que por isso iria roubar mais R$ 12K. O tabelião tinha um mapa-mundi enorme na sala cheio de alfinetes, e me explicou, paternalmente, que cada alfinete era um lugar para o qual tinha viajado. Por isso, imaginei que deve dar muito trabalho e gasto para viajar tanto, e por isso, eu deveria contribuir com a comissão do pobre tabelião SQN. Fui em outro cartório (7º cartório da capital- SP), adepto de um mínimo de decência e livre concorrência, e registrei por 12 pau mesmo. Alguns meses depois, os tabeliães entraram com uma ação contra este último cartório proibindo-o de atuar fora do cartel e atender bem os seus clientes.
2- Exigir o preenchimento de um formulário e uma carta por título a ser protestado para fins falimentares. Os dois possuem AS MESMAS informações. Liguei nos cartórios da capital-SP e nenhum inútil ao telefone soube responder qual a previsão legal para preencher dois documentos com as mesmas informações. Tudo o que souberam responder foi “ordes são ordes” e “o dotô mandô”, além de um imbecil que me repreendeu por ligar às 10 da manhã para falar com o tabelião, porque É ÓBVIO que o “dotô” só chega depois (isso quando chega). O problema é que já eram 11:30 e quando apontei este fato para o jumento, ele se resumiu a pedir desculpas e prometer retorno, o que obviamente jamais ocorreu.
3 – Ficar mais de duas semanas ligando e mandando emails de cobrança a um cartório em Sergipe, perguntando qual seria o procedimento para protestar um título para fins falimentares. Algumas das respostas dos equinos de plantão: “Num sei, só o tabelião sabe e ele tá em Aracaju (a semana era antes do Carnaval, então obviamente o tabelião já devia estar na praia”, “liga mais tarde que eu te respondo (óbvio que não adiantou), “o responsável já foi embora, e o outro que ajuda ele ta de férias, então só amanhã às 10h (isso eram umas 15:30 da tarde)” e a magistral burrada de uma mula que num momento de fraqueza confessou que “o sinhô ta ligando e num tá conseguindo fala com o cartório, isso são ordes do dotô, porque quando tem muito trabaio ele manda num atendê para num sobrecarregar”. Imaginem voces uma empresa privada que não quer atender clientes….
Tenho outras experiências, mas acho que estas bastam para voces entenderem o drama.
Detalhes que o autor comodamente se esquiva no tortuoso caminho de escrever sobre um assunto sobre o qual não tem domínio.
1) Porquê o cálculo de números de sala por filme vs. público não está presente? Porque aí você veria que a grande maioria desses documentários teve lançamentos mínimos, vários com 1 cópia, a maioria com 4 ou 5 cópias e umas poucas excessões com mais de 10 cópias.
2) A cota de tela existe desde 1932 mas ela não é cumprida desde então, como a lei do curta não é cumprida, como a limitação de concessões públicas de rádio e tv não é cumprida, etc, etc, etc. Mas aí não tem problema né?
3) Sobre os incentivos fiscais ao cinema. Sabe onde também tem incentivo fiscal à indústria cinematográfica? Nos EUA! Oh – Meu – Mises! Que horror! Só em um dos programas na Califórnia são mais de U$330.000.000 em incentivos fiscais diretos. Uma meia dúzia de estados também oferece descontos, pagamentos, abonos, deduções e isenções.
Moral da estória: Nem sempre o canastrão está na tela; às vezes, está na Ancine, com nome e cpf.
Quero ver esses vagabundos regularem o que eu posso assistir no Popcorn Time.
Pedro, uma dúvida mais ou menos relacionada com o tópico:
Um dono de cinema pode oferecer meia entrada para todo mundo, certo?
Digamos que eu abra um cinema com ingressos a R$40. E coloque um aviso dizendo que todos os estudantes, idosos, crianças, adultos, políticos, malucos, vagabundos e pessoas com idade entre 0 e 140 anos podem solicitar a sua meia entrada no caixa. Na prática, o ingresso seria R$20 para todo mundo, a não ser que a pessoa realmente queira pagar a “inteira” de R$40.
Eu seria um gênio ou seria preso?
Abraço
Mas se há incentivo à produção de documentários brasileiros…então vamos usar a criatividade para produzir alguns documentários sobre temas que são lugares-comuns para a Escola Austríaca que conhecemos tão bem por aqui.
Poderiam ser, por exemplo, o sistema bancário de reservas fracionárias…imaginem que obra cinematográfica…a abertura do documentário com o brasão do Banco do Brasil no canto da tela! E detalhe imprescindível…exibição garantida sob pena de infração às leis de incentivo.
Em muito me lembra o plano cruzado. Quando os preços foram congelados a escassez de produtos levou ao ágio.
Não me surpreenderia se com a lei o nível de pirataria aumentasse simplesmente porque agora as pessoas não conseguem mais um ingresso para assistir 50 tons de cinza pleno sábado a noite, por exemplo.
Com todos esses incentivos e restrições aos concorrentes, é de se espantar que a indústria nacional não somente não tenha dominado o mercado como continue comendo poeira. Provavelmente esse deve ser o ramo mais incompetente do empresariado brasileiro.
Também vejo um outro aspecto envolvido nisso. A indústria cultural brasileira é notoriamente esquerdista. Manter esse aparato em funcionamento também é um ótimo instrumento gramsciano de manutenção da hegemonia. Basta ver os estereótipos que são perpetuados pelos filmes brasileiros. Tudo bem que eles mal atingem a população, mas mesmo assim é uma frente relevante para a guerra cultural, pois os artistas são uma voz influente.
Apoio o diálogo sobre o tema mas acredito que este texto deva ser refeito. Há falhas graves na análise que ocultam todo um outro lado do mercado nacional de cinema.
Por exemplo, onde está descrito que a intervenção estatal é consequência (e não causa) da própria falha de financiamento de filmes? É preciso por em mente que um filme é uma obra muito cara e vender um investimento assim para empresas não é fácil. Obter lucro em um filme (mesmo no formato padrão de longa metragem, dublado, ficção, com atores famosos e de gênero pouco agressivos como comédia) é uma tarefa quase impossível nacionalmente. Ora, se o lucro é difícil, como financiar a ideia de produção? Vale lembrar que os mencionados filmes dos anos 90 arrecadaram dinheiro sim com a Lei Rouanet e do Audiovisual, ambas datadas da primeira metade da década. Após as cagadas que o Collor fez no setor da Cultura nacional, se não houvesse intervenção do estado, as obras cinematográficas de lá pra cá não estariam nem sendo produzidas. E como o próprio texto diz, estão em crescimento desde então.
Onde estão os dados de arrecadação de bilheteria? Informação das mais importantes para a análise de dados de como o mercado lucra e não há uma explicação para ela. E confesso que é um assunto tão complexo que mereceria um texto somente para isso.
Outro problema grave são as distribuições. O texto não trata de como é uma preocupação intrínseca ao cinema e como é, digamos, mafioso. Os grandes hits só são vendidos em lotes com diversos outros filmes de qualidade duvidosa, prática que os grandes centros de distribuição fazem desde sempre e que se parassem de fazer, certamente teríamos mais espaço ainda para os próprios filmes nacionais e blockbusters, o enlatado americano poderia ser reduzido e o mercado lucrar com isso. Não estou falando dos Star Wars e Hunger Games, que pertencem ao blockbusters, mas sim dos filmes de comédia romântica genérica e comédia que já sabemos o final do filme antes de pagar o bilhete. Vale lembrar que o público destes filmes também não “escolheram” eles como melhores, subjetivamente. São, em geral, filmes com baixos índices de pagantes. Deveríamos dar tanto espaço no cinema para eles?
Agora um problema que é pró ao texto e que não foi discutido de maneira mais ampla é: O Brasileiro quer se ver na tela? Onde está o questionamento desde a identidade nacional até a representação cênica do eu na telona? Não, os filmes além de terem um marketing reduzido e menos eficaz, eles tem um apelo popular muito menor por tratarem de problemas mais próximos e de alguma forma a cultura cinematográfica brasileira é administrada para que olhemos o outro, para que busquemos alguma fuga, apenas uma diversão e a pipoca. Comparemos um filme como o “Tropa de Elite 2” e “Guardiões da Galáxia”. Ambos são longas de ação mas com profundidades completamente diferentes. Enquanto um diverte de maneira garantidíssima a ponto de você sair dali e querer se aprofundar no mundo diegético da história (com as HQs), o outro te puxa para questionamento que te fazem além de se divertir questionar o que está acontecendo no mundo que eu vivo.
A pergunta aqui é: Os filmes brasileiros não são vistos porque o público escolheu que não quer ver por qualidade, por implicância e preconceito ou porque apenas quer fugir da realidade?
Caso haja comentários, por favor, prezo pela educação.
Marcelo, agradeço a leitura e prestigio do tema.
Algumas considerações sobre suas colocações. Vou dividir em parágrafos e comentar por partes.
"Por exemplo, onde está descrito que a intervenção estatal é consequência (e não causa) da própria falha de financiamento de filmes? É preciso por em mente que um filme é uma obra muito cara e vender um investimento assim para empresas não é fácil. Obter lucro em um filme (mesmo no formato padrão de longa metragem, dublado, ficção, com atores famosos e de gênero pouco agressivos como comédia) é uma tarefa quase impossível nacionalmente. Ora, se o lucro é difícil, como financiar a ideia de produção? Vale lembrar que os mencionados filmes dos anos 90 arrecadaram dinheiro sim com a Lei Rouanet e do Audiovisual, ambas datadas da primeira metade da década. Após as cagadas que o Collor fez no setor da Cultura nacional, se não houvesse intervenção do estado, as obras cinematográficas de lá pra cá não estariam nem sendo produzidas. E como o próprio texto diz, estão em crescimento desde então".
De fato, construir um filme não é brincadeira. Fazer um bom filme é pior ainda. E fazer um filme rentável é digno de aplausos. Como você falo, lucrar nesse ramo não é para todos. Assim, muito mais importante é então deixar que o sistema de lucros e prejuízos funcione a pleno vapor, isso permite que o lucro exerça sua função primordial de sinalizar. E as intervenções do governo poluem o sistema de lucros e prejuízos.
Recomendo a seguinte leitura: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1780
Ao que parece, o principal problema para filmes brazucas hoje esta nos canais de distribuição (como você mesmo admite). Porém, para esse problema o governo insiste com cota e fechamento de mercado. Cabe lembrar que hoje, com a internet, inúmeros são sites e veículos que podem divulgar um filme. Com a internet ate novas formas de financiamento de filmes estão sendo possibilitadas. Por exemplo, crowdfounding. Além disso, é evidente que inovações tecnológicas no setor trazem os custos de produção para baixo.
“Onde estão os dados de arrecadação de bilheteria? Informação das mais importantes para a análise de dados de como o mercado lucra e não há uma explicação para ela. E confesso que é um assunto tão complexo que mereceria um texto somente para isso”.
Sobre bilheteria, posso lhe dizer que trabalhei apenas com dados da Ancine. E nesse quesito ela deixou a desejar. Verifiquei apenas que há dados agregados de bilheteria pois é o que a Ancine tinha. Mas olhe apenas alguns números disso. De 2002 pra cá, os filmes brasileiros são cerca de 22% do total de lançamentos do mercado e tiverem uma participação média de 13,6% da arrecadação as bilheterias. Nos últimos cinco anos, com o aumento do nº de lançamentos isso se agravou; 27,7% do total de lançamentos (sendo 32% em 2013) com apenas 15% do total de bilheteria. Fica evidentemente claro que filmes brasileiros tem muito menos bilheteria do que estrangeiros.
“Outro problema grave são as distribuições. O texto não trata de como é uma preocupação intrínseca ao cinema e como é, digamos, mafioso. Os grandes hits só são vendidos em lotes com diversos outros filmes de qualidade duvidosa, prática que os grandes centros de distribuição fazem desde sempre e que se parassem de fazer, certamente teríamos mais espaço ainda para os próprios filmes nacionais e blockbusters, o enlatado americano poderia ser reduzido e o mercado lucrar com isso. Não estou falando dos Star Wars e Hunger Games, que pertencem ao blockbusters, mas sim dos filmes de comédia romântica genérica e comédia que já sabemos o final do filme antes de pagar o bilhete. Vale lembrar que o público destes filmes também não “escolheram” eles como melhores, subjetivamente. São, em geral, filmes com baixos índices de pagantes. Deveríamos dar tanto espaço no cinema para eles?”
Marcelo, de fato. Conheço tal prática das grandes distribuidores embutem filmes digamos "de menor apelo" como um combo dos mega-lançamentos. Mas esse é uma conta que tanto os distribuidores quanto os donos de cinema fazem, e eles chegam a um acordo comercial. O distribuir quer vender seus produtos e o dono do cinema ter algum retorno. É evidente que o distribuidor não pode forçar a barra e impor muitos outros filmes de menor apelo. Mas veja, essa ação vem de uma dinâmica natural de mercado e não uma imposição tipo top down. É evidente que tanto donos de cinema e distribuidores tem que ficar minimamente antenados ao gosto do publico. Caso contrario, vão eles juntos para a falência.
Além disso, mesmo sendo um contrato nesses termos, ainda assim os filmes americanos se mantem com melhores médias do que os filmes brazucas.
“Agora um problema que é pró ao texto e que não foi discutido de maneira mais ampla é: O Brasileiro quer se ver na tela? Onde está o questionamento desde a identidade nacional até a representação cênica do eu na telona? Não, os filmes além de terem um marketing reduzido e menos eficaz, eles tem um apelo popular muito menor por tratarem de problemas mais próximos e de alguma forma a cultura cinematográfica brasileira é administrada para que olhemos o outro, para que busquemos alguma fuga, apenas uma diversão e a pipoca. Comparemos um filme como o “Tropa de Elite 2” e “Guardiões da Galáxia”. Ambos são longas de ação mas com profundidades completamente diferentes. Enquanto um diverte de maneira garantidíssima a ponto de você sair dali e querer se aprofundar no mundo diegético da história (com as HQs), o outro te puxa para questionamento que te fazem além de se divertir questionar o que está acontecendo no mundo que eu vivo.
A pergunta aqui é: Os filmes brasileiros não são vistos porque o público escolheu que não quer ver por qualidade, por implicância e preconceito ou porque apenas quer fugir da realidade?”
Marcelo, aqui você entrou numa seara um tanto, digamos, complexa! Do ponto de vista praxeologico tudo que posso dizer é que um espectador vai ao cinema por que decidiu agir. O julgamento de valor do porque ele decidiu ir ao cinema, qual filme decidiu escolher e o que achou do filme deixo para o próprio individuo. Mas posso dizer por mim: diversas vezes eu vou ao cinema para "fugir da realidade". E tenho um certo preconceito de filmes e diretores que se acham pensadores demais. Que se querem filósofos demais. E, de fato, tem um bocado deles.
Vou tentar dar a visão do consumidor aqui…
Acompanho muito cinema, isso quer dizer que assisto filmes quase todos os dias. Não me considero um especialista no assunto, portanto perdoem minhas opiniões.
Acho que o único ponto fora curva do nosso cinema nacional foram os filmes Tropa de Elite e Cidade de Deus. Independente de gostos pessoais ou opiniões expressadas nos filmes (que aliás são sobre o mesmo tema e poderiam ter sido rodados juntos pra economizar cenário hehe), são filmes que consegui assistir como um outro qualquer, americano, europeu ou asiático. Central do Brasil não deu pra ver, juro que tentei.
Os outros, todos que já tentei ver, é como se tivéssemos ligado a TV em algum programa da Globo. Por que eu iria no cinema ver Globo? (coisa que eu não faço há muito tempo em casa).
Ou então alguma coisa parecida com as produções 1960 e 1970 financiadas pelo governo militar. Rodados em um fim de semana em um sítio, com 3 ou 4 atores. Muito texto, um pouco de gente pelada, etc. Filmes intelectuais, enfim.
Sobre documentários, nem entro no assunto…
E não estou aqui dizendo que só aprecio blockbusters. Ao contrário, entre meus filmes favoritos estão produções independentes como Reservoir Dogs e Blair Witch Project.
Agora imagine chegar em dezembro desse ano no cinema para ver o novo Star Wars e as únicas duas salas disponíveis estiverem lotadas. Na sala ao lado teremos um documentário sobre o goleiro do Botafogo em 1948. Na outra um filme de “terror” sobre um casal que se muda para uma casa assombrada. O que acham que vou fazer? “Equilibrar a demanda”? Ver um pouco sobre a “cultura brasileira”?
Já vi que aqui tem várias pessoas que entendem bastante sobre financiamento e distribuição de filmes, admito que entendo muito pouco sobre o tema.
Fica então uma pergunta: por que no cinema brasileiro nunca tivemos nada como os independentes que citei acima? Que qualquer universitário conseguiria fazer com o dinheiro da mesada e uma empresa do ramo reconheceria a qualidade e o levaria ao público?
Será que no país de origem desses filmes não existem dezenas (ou centenas) de pessoas fazendo o mesmo para que surja um diamante em meio deles? É a explicação que eu consigo chegar.
Obrigado pela paciência 🙂
Olá! Venho acompanhando nesses últimos tempos os artigos do instituto mises, mas esse em especial foi muito importante para mim.
Entrei recentemente em um curso de Cinema, e eu, que imaginava que a doença estatista não estaria tão fortemente presente no decorrer de um curso de cunho artístico, estive equivocada. Isso se provou em minha disciplina de Introdução ao Roteiro. Comecei a ler a bibliografia recomendada e me deparei com clichês furados e discursos intelectualóides sobre como as leis de incentivo e cotas são essenciais para garantir a produção cinematográfica.
” A comercialização dos produtos culturais, sejam nacionais ou estrangeiros, não pode estar atrelada exclusivamente aos aspectos econômicos, às leis do mercado, mas sim e fundamentalmente ao respeito à liberdade de circulação da cultura. Este caráter de exceção das indústrias culturais é sustentado pela necessidade estratégica, em um mundo globalizado, de mantermos a identidade cultural brasileira, de mantermos a nossa personalidade de nós mesmos e diante do mundo. ”
” Atualmente, em meados do primeiro ano do segundo governo Lula, […] se luta pela consolidação de um sistema e um modelo de intervenção do Estado na atividade cinematográfica e audiovisual […] que compreenda a produção audiovisual não apenas como fruto do mercado, mas também como exercício da razão e cultivo do espírito […]. Não é apenas um tipo de conhecimento, mas também uma forma de bem estar estruturante, individual e coletivamente. “ < o que tem de individual nisso tudo é que eu gostaria de saber... Ambos os trechos foram tirados do livro “Por uma política cinematográfica brasileira para o século XXI” por Jom Tob Azulay, página 69. O livro inteiro é infestado de armadilhas, criando uma imagem própria de lobo em pele de cordeiro.
Por fim, gostaria de agradecer ao autor desse ótimo texto. Foi um grande estímulo para mim saber que, realmente, esse discurso furado de “boas intenções” é uma farsa e cria uma continuidade de altos e baixos, e apenas garante que os grandes permaneçam no poder e impossibilita cineastas no início de carreira ascender economicamente. Lamentável, porém tudo o que eu tenho a fazer é me informar ao máximo para não me tornar somente mais uma engrenagem dessa massa estatal.
E sigamos na luta! xD
“O cinema brasileiro é formado por uma combinação de cotas de reserva de mercado, restrição de mercado a grandes lançamentos e financiamento governamental.”
Outra consequência é o efeito reverso: reforçar a aversão dos brasileiros por filmes nacionais.
* * *
Vamos falar a verdade: os filmes brasileiros são muito ruins! Só com cota mesmo para alguém normal querer assistir.
Regra geral: o poder de estado, e poder ñ é governo, esta a reboque de interesses privados sejam aqueles que trabalham no estado, sejam aqueles que usufruem do estado com financiamentos ou aqueles q usam poder do estado de impor suas vontades a maioria. algo carissimo que empobrece a população e fica a reboque e favores estatais. O conjunto e perverso em varios sentidos contra a retorica de levar o bem ao povo. Intervenção estatal e cara e sempre causa distorçoes a pior a da regulamentação da saude.
O cinema brasileiro tem três casos de sucesso: Atlântida, Trapalhões e Mazaropi. Nenhum deles precisou de cotas ou de dinheiro estatal.
Todo o resto é gente que se acha a nata de humanidade e quer determinar do que os outros devem gostar ou não.