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O que houve com a economia brasileira?

O artigo a seguir é uma adaptação da
apresentação feita pelo autor na ocasião da Conferência de Escola Austríaca,
ocorrida nos dias 6 e 7 de setembro, em São Paulo. Daí
seu tom mais coloquial.

 

O
que aconteceu?  Por que a coisa
desandou?  Por que aquela economia que
parecia tão pujante em 2010, cujo PIB havia crescido 7,5%, entrou em recessão?  Qual foi a lambança?

Mais
ainda: quem é realmente o responsável por tudo?

Panorama

Como
o IBGE divulgou no final de agosto, a economia brasileira está
oficialmente em recessão
.  Já são
dois trimestres seguidos de encolhimento da economia, e é isso o que configura
aquilo que os tecnocratas chamam eufemisticamente de “recessão técnica”.


que a real situação é ainda pior do que esses números sugerem. 

Comparando
o segundo trimestre de 2014 com o segundo trimestre de 2013 — ou seja, comparando
dois períodos iguais de anos consecutivos –, o encolhimento da economia foi de
quase
1%

Para
uma economia do tamanho da brasileira, um encolhimento de 1% não é pouca coisa;
são quase R$50 bilhões a menos sendo
produzidos em termos de bens e serviços.


que, ao se esmiuçar as variáveis contidas no PIB, as coisas pioram.  

Analisando
o que houve com os investimentos em máquinas, equipamentos, instalações e
infraestrutura — e os investimentos são a variável mais importante do PIB
porque são eles que indicam a saúde da economia e são eles que permitem que a
situação futura seja melhor –, o quadro é desolador.

Comparando
o segundo trimestre de 2014 com o segundo trimestre de 2013, os investimentos encolheram
incríveis 11,2%

Vale
enfatizar: onze por cento!

Isso
não é um fenômeno corriqueiro; isso não é um mero soluço.

Mas
tudo ainda piora. 

Em
termos trimestrais — ou seja, comparando um trimestre com o trimestre
imediatamente anterior –, os investimentos vêm caindo por quatro trimestres seguidos

Veja
o
gráfico
e observe como a queda está se intensificando.  No terceiro trimestre de 2013, os
investimentos caíram 1,7%.  No quarto
trimestre de 2013, caíram 1,9%.  No
primeiro trimestre de 2014, caíram 2,8%. 
E no segundo trimestre de 2014, caíram 5,3%. 

300x245_demandapib-segundo-trimestre.jpg

Ou
seja, os investimentos embicaram para baixo e estão caindo de forma acelerada.

De
novo, isso não é uma coisa passageira; isso não é algo circunstancial.  Investimentos se contraírem, e de forma cada
vez mais acentuada, significa que — parodiando o Marcellus de Hamlet — há
algo de podre nos fundamentos da economia.

E
esse algo de podre pode ser confirmado pelo ambiente geral do empreendedorismo:
o
número de empresas sendo abertas está diminuindo drasticamente

A
abertura de novas empresas no Brasil fechou o primeiro semestre de 2014 com
queda de 13,1% no confronto com o mesmo período do ano anterior. 

Foi
a terceira queda consecutiva nesse tipo de comparação: segundo dados
do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, no ano de 2012, a queda na
abertura de empresas foi de 9,3% em relação a 2011; e em 2013, a queda foi de 7,9%
em relação a 2012. 


a queda de 13,1% observada no primeiro semestre de 2014 foi o pior resultado da
série.  Mais ainda: a geração de novos
negócios do primeiro semestre de 2014 foi 24,15% inferior ao registrado no
mesmo período de 2010. 

E
a indústria?

Não
obstante todo o protecionismo do governo, e todos os pacotes de estímulo, a
indústria encolheu
3,4% no segundo trimestre de 2014 em relação ao segundo trimestre de 2013

Pior:
comparando a evolução anual, ou seja, mês de 2014 em relação ao mesmo mês de
2013, essa é a evolução da produção industrial. 

bip.pngVale
lembrar que o governo Dilma, justamente com a justificativa de estar “estimulando”
a indústria, foi o governo que praticamente fechou os portos e aumentou
as alíquotas de importação de praticamente todos os produtos estrangeiros
:
automóveis, pneus, produtos têxteis, calçados, brinquedos, lâmpadas, sapatos
chineses, tijolos, vidros, vários tipos de máquinas e até mesmo de produtos
lácteos
.

Além
disso, este foi o governo que obrigou as grandes empresas do país a produzir
utilizando uma determinada
porcentagem de insumos fabricados no Brasil
.

Mesmo
assim, a indústria vem encolhendo há quatro trimestres consecutivos, e de forma
acelerada.

300x245_setores-pib-2tri.jpg

(Incidentalmente,
vale notar que até mesmo o setor de serviços, que é o que vinha absorvendo a
esmagadora maioria da mão-de-obra, estagnou e conseguiu encolher 0,5% no
segundo trimestre em relação ao 1º trimestre.)

Resultado
dessa contração da indústria: o emprego industrial cai
há 6 trimestres seguidos

empregoindustria.png

Aqui
uma pequena coletânea de notícias que dão um panorama geral da situação.

Pedidos de falência cresceram
28,8% em julho

Inadimplência
das empresas tem maior alta para julho desde 2000

Bate
recorde o número de empresas inadimplentes, diz Serasa

Número
de inadimplentes chega a 57 milhões e bate recorde, diz Serasa

Produção
e vendas de veículos no Brasil têm o pior julho desde 2006, diz Anfavea

Retração
no varejo e na indústria faz com que a receita do setor de serviços tenha o
menor crescimento da história

Produção
de embalagens cai 0,73% no 1º semestre e mostra piora dos indicadores
antecedentes

Persiste
o desaquecimento do setor de construções

Futebol brasileiro entra em recessão, segundo estudo de
consultoria

Baixo desemprego

No
entanto, a taxa oficial de desemprego segue baixa, em 5%.  E essa baixa taxa de desemprego é o último
bastião de resistência do governo.  É ao
baixo desemprego que o governo recorre sempre que quer se defender e mostrar o
lado positivo de suas políticas.

Qual
é a explicação para um baixo desemprego em uma economia que apresenta tantos
indicadores ruins?

Antes
de tudo, vale lembrar que o desemprego sempre
será baixo em uma economia fechada e protegida
.  Se a concorrência externa é pequena ou nula,
e se não se pode importar quase nada, a produção passa a ser toda feita
nacionalmente.  Passa-se a viver em uma
situação de autarquia.  E isso gera
vários postos de trabalho artificiais.

Obviamente,
os empregos não serão produtivos, não se produzirá nada que preste, e a
qualidade de vida será lastimável.  Mas o
desemprego será baixo. 

Reza
a lenda que a URSS tinha pleno emprego. 
Não duvido.  Dizem o mesmo de Cuba
e da Coréia do Norte.  Também não duvido.  Mas de que adianta pleno
emprego se não se produz nada de qualidade e, consequentemente, não se tem
qualidade de vida?  De que adianta pleno
emprego se você não pode consumir nada de bom com o seu salário?  

A
extremamente
fechada economia brasileira
ajudou a manter alguns postos de trabalho.  Só que até mesmo o emprego começou a sofrer.

As
últimas notícias são bem ruins:

Emprego tem o pior abril em 15
anos, mostra Caged

Brasil tem
menor abertura de vagas formais para julho em 15 anos, mostra Caged

Criação
de vagas até agosto é a pior da série histórica

Criação
de empregos formais tem pior mês de setembro em 13 anos

No
entanto, ainda assim a taxa de desemprego no Brasil continua em seus menores
níveis históricos.

Por
quê?

Porque
o Brasil está hoje vivenciando um fenômeno lamentável: a geração nem-nem.

Segundo
o IBGE, um
quinto dos jovens no Brasil é “nem-nem”, aquele que não estuda nem
trabalha

Ou
seja, nada menos que 20% da população em idade de trabalho não estuda, não
trabalha e nem procura emprego. 

Veja
o gráfico:

1-ibge-atividade.jpg

Observe
a coluna em azul claro, especialmente os dois últimos gráficos da direita.  Entre a população que tem de 18 a 24 anos,
23% não quer saber nem de estudar nem de trabalhar. 

E
entre a população que tem de 25 a 29 anos, 21% não quer saber nem de estudar e
nem de trabalhar.

Ou
seja, essa turma toda não está procurando emprego.  E ao não estarem procurando emprego, eles
não pressionam as estatísticas de desemprego
.

Como
o próprio IBGE explicou,
ainda em novembro do ano passado (negrito meu):

A redução na taxa de desemprego foi causada
pela migração de indivíduos para a inatividade, e não pela geração de postos de
trabalho
, apontou a Pesquisa
Mensal de Emprego do IBGE.

O que a gente vê aqui é a redução
da desocupação em função do aumento da inatividade. Então não houve aumento do
número de postos de trabalho. O que houve foi aumento das pessoas que passaram
para a inatividade
“, ressaltou o gerente da Coordenação de Trabalho e
Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Em novembro, houve aumento
significativo na população não economicamente ativa
. Na comparação com
outubro, o aumento foi de 0,8%, o equivalente a 148 mil indivíduos. Em
relação a novembro de 2012, a alta foi de 4,5%
, mais 801 mil pessoas na
inatividade.

O
aumento da população inativa tem contribuído para manter a taxa de desemprego
em mínimas históricas

E
o que leva as pessoas a deixarem de ser economicamente ativas?  Há várias hipóteses.  Há aquelas que estão no Bolsa-Famíla, há
aquelas que desistiram da vida porque não sabem fazer nada, há aquelas que
aprenderam a dar golpe no seguro-desemprego (notícias
como essa comprovam isso
), e há aquelas que simplesmente são indolentes e
arrumaram alguém que lhes sustente (alguns jovens de classe média alta,
inclusive).

O
fato é que o governo segue surfando na mentira do pleno emprego.

Isso
é um fenômeno lastimável porque o baixo crescimento da mão-de-obra só pode ser
compensado se houver um aumento na produtividade.  Se houver um grande aumento na produtividade,
então esse fenômeno não é necessariamente ruim.

O
problema é que o Brasil é conhecido justamente por ter uma mão-de-obra
pouco produtiva
.  Para produzir o
mesmo que um trabalhador americano produz em uma hora, são necessários 5
trabalhadores brasileiros.

Sendo
assim, esse baixo crescimento da mão-de-obra que nós estamos vivenciando tende
a reduzir o aumento da oferta de bens e serviços. 

E,
consequentemente, o crescimento da economia e o enriquecimento da população.

No
final, esse lamentável fenômeno serve apenas para gerar uma redução artificial
na taxa de desemprego, algo que o atual governo está usando a seu favor como
ilustração do “sucesso” de suas políticas.

(Para
ler mais detalhes sobre esse assunto, veja este artigo)

Dois
fenômenos

Economia
em recessão, investimentos em queda, indústria em queda, falências em alta,
inadimplência em alta, serviços estagnados, produtividade em baixa, criação de empregos estagnada.

O
que é que está acontecendo com a economia brasileira?

Tudo
indica que estamos claramente completando um ciclo econômico que começou lá em
2003.

Pra
entender os ciclos de uma economia, é necessário levar em consideração dois
fenômenos.

Confiança

O
primeiro fenômeno a ser considerado ao analisar o ciclo de uma economia é o
nível de confiança dos empreendedores e dos consumidores, ou seja, o nível de
confiança de empreendedores e de consumidores no presente e no futuro da economia

Se
o governo sinaliza claramente qual é e qual será a política econômica adotada, se
o governo é previsível, se o governo adota regras claras, se o governo mantém a
inflação de preços sob controle e no centro da meta, e se o governo é
comprometido com um orçamento equilibrado, então ele consegue gerar o mínimo de
confiança necessário para manter a economia nos trilhos.

Por
exemplo, o governo Obama não teve essa clareza e essa previsibilidade.  Ninguém sabia ao certo o que ele iria fazer: se
ele iria aumentar impostos, se ele iria saber controlar os gastos, se ele iria
saber reduzir o déficit, se ele iria subsidiar indústrias mais “verdes”, se ele
iria aprovar a reforma do sistema de saúde (o que representaria um
enorme fardo para a folha de pagamento das empresas
) etc. 

Consequência:
a incerteza gerada por essa falta de previsibilidade contribuiu para que a
estagnação na economia americana se arrastasse por vários anos. 

Vários
governos europeus também não forneceram uma indicação clara do que fariam,
inclusive o governo da Grã-Bretanha. 


o governo alemão soube fornecer uma indicação clara de quais seriam suas
medidas.  O governo da Suíça sempre foi claro
e previsível.  O governo do Canadá também.  O mesmo pode ser dito dos governos da
Austrália, da Nova Zelândia, de Hong Kong e de Cingapura. 

Todos
estes governos, em suma, conseguiram fornecer previsibilidade para empreendedores e consumidores.  E esses países são justamente os que têm as
economias mais robustas hoje no mundo.

Essa
questão das expectativas, da confiança, da previsibilidade é tão essencial, que
os economistas seguidores da Escola Austríaca cunharam o termo “Incerteza
Gerada pelo Regime” para explicar como o governo pode atrapalhar ao
simplesmente não ser claro quanto às suas políticas.

Esse
é o primeiro fenômeno a ser considerado ao estudar um ciclo econômico. 

Expansão do crédito

O
outro fenômeno é a expansão do crédito.

Expansão
do crédito, como o próprio nome diz, são os empréstimos concedidos pelos
bancos.  No nosso atual sistema monetário
e bancário, quando uma pessoa ou uma empresa vai a um banco e consegue um
empréstimo, o banco cria dinheiro do nada.

Na
verdade, o banco simplesmente cria dígitos eletrônicos no computador, e
acrescenta esses dígitos na conta do tomador do empréstimo.  Ou seja, o banco empresta esse dinheiro —
dígitos eletrônicos que ele criou do nada –, e cobra juros sobre ele.

Explicar
o funcionamento do sistema bancário está fora do escopo desse artigo (você pode
entender todos os detalhes do sistema bancário neste artigo).  Aqui será suficiente dizer que os bancos,
quando emprestam dinheiro, criam dígitos
eletrônicos do nada
, e esses dígitos eletrônicos representam dinheiro. 

São
esses dígitos que estão nas nossas contas bancárias, seja na conta-corrente,
seja na conta-poupança, seja nos depósitos a prazo ou nos fundos de investimento.

Todo
o processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.

E
é esse processo de aumento da quantidade de dinheiro na economia o que de fato
governa os principais números da economia, como PIB, emprego, renda e inflação
de preços. 

Dado
que o dinheiro é a variável que está presente em todas as transações econômicas
em uma economia de mercado, qualquer alteração nessa variável irá afetar toda a
economia.

Um
aumento da quantidade de dinheiro na economia, gerado pela criação de crédito
bancário, faz com que, no primeiro momento, haja uma grande sensação de
prosperidade.  Aumenta o consumo, aumenta
a demanda por mão-de-obra em todos os setores da economia, aumenta o emprego
(na indústria, na construção civil, nos setores de serviço, varejista e
comércio em geral), aumentam os salários, aumenta a renda nominal, aumentam os
investimentos.

No
primeiro momento, há uma grande sensação de prosperidade.  A renda nominal
aumenta, os investimentos aumentam, o consumo aumenta e o desemprego cai.

E
isso, de início, estimula os números do PIB, do emprego e da
renda. 

A
sensação vivenciada pelas pessoas durante essa fase de prosperidade artificial
é maravilhosa: a renda nominal cresce anualmente (eis
uma notícia de 2010
, exatamente no auge do boom da economia brasileira), investidores
se animam ao ver que o valor de suas ações cresce diariamente (outra
notícia de 2010
, sendo que o recorde anterior da Bovespa havia sido
alcançado em 2008); carros zero são vendidos em quantidades crescentes (notícia
do início de 2011
); apartamentos são vendidos ainda
na planta
; os estoques das empresas são prontamente vendidos; novos
empreendimentos são iniciados diariamente; novos restaurantes e novas lojas são
inaugurados diariamente; trabalhadores encontram empregos a salários nominais
cada vez maiores; restaurantes estão sempre cheios e com longas listas de
espera; trabalhadores e sindicatos ficam mais exigentes porque, com o desemprego
em queda, eles veem que os empresários estão dispostos a pagar caro por seus
serviços; políticos se beneficiam dos números dessa economia que parece estar
vivendo um grande momento, e começam a fazer proselitismo ideológico (e aí
começam a propagar esquisitices como
essa notícia de 2010
, auge do boom); burocratas responsáveis pelo orçamento
do governo ficam impressionados ao descobrir que, a cada ano, a receita aumenta
em cifras de dois dígitos.

Enfim,
a expansão do crédito gera distorções, mas gera uma prosperidade artificial que
faz a alegria de muitos. 

Isso
aconteceu de 2004 a 2010 no Brasil, como veremos mais adiante.


que, mais tarde, as duas principais consequências de toda essa expansão do
crédito serão o endividamento e a inflação de preços. 

E
é aí que a coisa vai começar a degringolar.

A teoria aplicada ao Brasil

129_1950-alt-lula e serra 2002.jpgFinalmente,
vamos à prática.

Para
entender o que houve com o Brasil, é necessário fazer um pequeno apanhado
histórico.  Vamos começar em 2002.

Naquele
ano, todas as pesquisas apontavam que o vencedor das eleições seria Lula.  O problema era o histórico dele e de seu
partido.  Até aquele ano, a principal
bandeira do PT sempre havia sido a do rompimento de “tudo que aí está”. 

O
histórico do PT era o de defender abertamente a adoção de uma economia
socialista, o rompimento de contratos, a estatização dos meios de produção, a reforma
agrária na marra, o calote das dívidas interna e externa, o poder ilimitado dos
sindicatos, as greves etc.

Ou
seja, perante aquele cenário de vitória eleitoral de Lula, começou a surgir uma
desconfiança muito grande e um enorme sentimento de inquietação nos
empreendedores, nos consumidores e principalmente nos investidores estrangeiros
e no mercado financeiro.

Para
piorar, houve um fenômeno inusitado: o candidato do PSDB era o Serra, e ele
também era oposição ao governo Fernando Henrique. 

Serra
era abertamente contra a política econômica adotada, era contra qualquer tipo
de ajuste fiscal, e era o maior opositor às políticas da dupla Pedro Malan e
Armínio Fraga.

Ou
seja, a situação era delicada.  De um
lado, o PT e o Lula, que sempre defenderam plataformas de extrema-esquerda; de
outro, o Serra, que era do partido do governo, mas que também era contra o
modelo atual.

Consequentemente,
gerou-se aquele clima de total incerteza e o resultado não poderia deixar de
ser outro: a economia vivenciou uma crise gravíssima no final de 2002. 

Houve
fuga de capitais, o câmbio disparou e o dólar foi pra R$4:

cambio.png

O
IPCA, por causa da disparada do câmbio, fechou o ano em 12,5%:

ipca.png

Ninguém
tinha confiança em nada, porque o futuro governo não apenas era uma incógnita,
como também iria assumir em meio a uma situação econômica muito delicada.

Pois
bem.

Lula
assumiu em janeiro de 2003 e surpreendeu a maior parte do mercado nomeando uma
equipe econômica tida como ortodoxa e conservadora. 

Na
presidência do Banco Central ele colocou um banqueiro de carreira internacional
consagrada, que era o Henrique Meirelles. 
Para a Fazenda ele nomeou Antonio Palocci, que era visto como um
entusiasta da ortodoxia econômica. 

O
próprio Palocci nomeou uma equipe econômica formada exclusivamente por
tecnocratas, sem nenhum quadro do PT ocupando os grandes cargos. Nomes renomados
como Joaquim Levy, Marcos Lisboa e Murilo Portugal foram pra Fazenda.

bevilaqua.jpg
Murilo Portugal, Afonso Beviláqua e Antônio Palocci

No
Banco Central, além do Meirelles, havia também nomes como Alexandre Schwartsman,
Ilan Goldfajn, e, o mais durão deles, um cidadão chamado Afonso Beviláqua (que
era o terror dos heterodoxos, pois queria um IPCA próximo de 3%.)

A
simples nomeação dessa equipe econômica gerou uma surpresa positiva.

E
quando essa equipe econômica sinalizou claramente qual seria a política
econômica adotada — cumprimento de contratos, liberdade de preços, política
fiscal austera, elevação do superávit primário para 4,25% do PIB (hoje é
necessária muita maquiagem contábil pra se chegar a 1,5%), e uma política
monetária dura e restritiva, que seria garantida por um Banco Central que teria
total autonomia operacional –, a confiança começou a voltar ao mercado. 

Mas
o processo não foi indolor.

Em
2003, essa equipe econômica fez um ajuste brutal.  Para conter a disparada do IPCA, a taxa SELIC
foi pra 26,50%:

selic.png

O
superávit primário foi de 4,3%
do PIB
(acima da meta já alta de 4,25%). 

Nos
primeiros 6 meses de 2003, que foi o período em que a SELIC ficou em seu valor
mais alto, o consumo doméstico chegou a cair 11% . 

brazil-retail-sales-annual.png

O
desemprego foi pra 13%. 

 

brazil-unemployment-rate.png

Isso
foi austeridade pra espanhol, grego, português, irlandês nenhum botar defeito.

Essa
austeridade grega só foi possível — e isso é uma especulação — porque o
presidente era Lula: ele havia acabado de ser eleito, estava em início de
mandato, e nenhum sindicato iria querer fazer greve contra o maior líder
sindical da história do Brasil e que havia acabado de virar presidente.

Mas
esse ajuste foi tão forte e tão surpreendente — ninguém esperava isso de um
governo de esquerda –, que o mercado reagiu muito positivamente, inclusive os
investidores e especuladores estrangeiros. 

O
Bill Gross, presidente da
PIMCO, que é a maior
compradora mundial de títulos de governos, fez a sua fama comprando títulos do
governo brasileiro.  Todo o mercado
começou a apostar no Brasil, e com uma rapidez enorme.

E
não só o mercado financeiro.  Os
empresários e os consumidores também.  De
modo que, em julho de 2003, o Brasil começou a crescer. 

E,
nesse ponto, é necessário fazer uma justiça: muitas pessoas dizem hoje que o
Brasil “surfou na onda de um mundo favorável, o que lhe permitiu praticar políticas
de incentivo ao consumo”.  Isso é verdade
só a partir de 2009.  Em 2003, o cenário
era outro. 

As
políticas de austeridade adotadas fizeram com que o país voltasse a crescer liderado
não pelo consumismo, mas sim por exportações.

brazil-exports.png

E
isso é fácil de ser entendido.  

O
ajuste havia sido baseado na contração do consumo.  E essa contração do consumo foi tão forte,
que gerou um excedente de mercadorias que pôde então ser exportado.  Como o consumo interno estava muito baixo,
havia excedente para ser exportado.

Ou
seja, primeira lição: a recuperação da economia em 2003 não se baseou em nenhum
modelo de estímulo ao consumo.  Muito
pelo contrário: o modelo foi de restrição e desestímulo ao consumo, o que gerou
um excedente a ser exportado. 

Se
o governo da época houvesse adotado um modelo de estímulo ao consumo, a
inflação de preços teria disparado e toda a economia teria se esfacelado.

Portanto,
todo o modelo foi baseado em ajuste, austeridade monetária e fiscal, contração
do consumo e, portanto, geração de excedente exportável. 

A
partir do momento em que houve um ajuste tão forte, e esse ajuste começou a dar
resultado, algumas coisas começaram a acontecer. 

Primeiro,
o crédito começou a crescer.  Por
quê?  Porque o nível de confiança
aumentou. 

Consumidores
começaram a consumir e empresários voltaram a investir.

Eis
o gráfico da expansão do crédito, que começa em 1994, logo na criação do real,
e vai até o final de 2008. 

cewolf1.png

Observe
que é justamente em 2004 que a expansão adquire um crescimento exponencial

Relembrando:
esse gráfico mostra a quantidade de dinheiro que os bancos (privados e
públicos) estão jogando na economia.

A
partir de 2004, com a confiança recuperada e com boas expectativas para o
futuro da economia, os bancos abriram as torneiras do crédito. 

A
SELIC começou a ser diminuída gradualmente, de maneira muito previsível (caiu
de 26,50% em junho de 2003 para 11,25% em meados de 2007) e sem nenhuma
surpresa.  A expansão do crédito foi se acelerando,
e consequentemente os números do PIB, do emprego e da renda começaram a subir.

E
aí começou o período de ouro da economia brasileira. 

Se
alguém quiser entender a popularidade de Lula, basta olhar para a linha
vermelha do gráfico acima.

Agora,
e isso é importante, o governo daquela época usufruía duas vantagens, que o
próximo governo não usufruirá.

Primeira vantagem: o desemprego era
alto.  Em 2003 e início de 2004, ele foi
de 13%.  Isso era bom.  Por quê? 

Porque
com a economia crescendo, um desemprego alto fornecia muita mão-de-obra
disponível.  Mão-de-obra barata e de
qualidade.  Havia muita gente qualificada
desempregada.  Os salários eram baixos.

Salários
baixos e desemprego ainda alto permitiram um robusto crescimento sem grandes
pressões inflacionárias, como mostra a evolução do IPCA abaixo:

ipca2.png

Em
2006, por exemplo, o IPCA foi de saudosos 3%.  Mesmo em 2007, com todo aquele galope do
crédito (vide o gráfico do crédito acima), o IPCA ficou em 4,50%, exatamente o
centro da meta.

Foi
só em 2008 que a coisa começou a ficar fora de controle.  O IPCA fechou o ano em 5,9%, chegando a ficar
acima de 6,5% no meio do ano.

Mas
o fato é que os números do PIB de 2004 a 2008 foram impressionantes.

Uma
observação importante, e que irá desagradar aos desenvolvimentistas e
intervencionistas: as exportações cresceram ao mesmo tempo em que o real se valorizava em relação ao dólar.  Veja os gráficos.

brazil-currency.png

exports.png

O
dólar caiu de R$3,50 no início de 2003 pra R$1,54 em meados de 2008.  Nesse mesmo período, as exportações subiram
de US$5 bilhões ao mês para US$20 bilhões ao mês. 

Isso
mostra quão insensatas são as atuais lamúrias dos intervencionistas que dizem
que o problema atual da economia é que o real não está desvalorizado o
bastante.

Portanto,
a primeira vantagem para o governo da época foi o alto desemprego.

Segunda vantagem: o endividamento geral
das pessoas e das empresas era baixo. 

Endividamento
ainda baixo significa que havia muito espaço para a expansão do crédito
turbinar os números do PIB, do emprego e da renda.

Impulsionada
pelo crédito, a economia foi crescendo, o mercado de consumo foi aumentando, o
desemprego foi caindo, a renda foi subindo.

Os
resultados foram esses:

Classe
C cresce e já engloba maioria dos brasileiros, indica estudo

IBGE:
renda média do trabalhador cresce 20% em 5 anos e reduz desigualdade

Aprovação
do governo Lula bate recorde

Esse
cenário bom persistiu até 2008, quando, em setembro daquele ano, houve a
eclosão da crise financeira mundial.

E
é aí que entramos no cenário atual.

A Nova Matriz Econômica

Com
a eclosão da crise financeira, que começou com a quebra do Lehman Brothers,
houve um congelamento no mercado de crédito global.

Os
bancos privados brasileiros, por causa desse cenário de grande incerteza, se
tornaram mais cautelosos. 

Vale
lembrar que o cenário mundial era de quebradeira geral de bancos.  A Inglaterra tinha acabado de vivenciar uma
corrida bancária a um grande banco, o Northern Rock, algo que não ocorria desde
a década de 1930.  A França estava com o
BNP Paribas em
frangalhos.  Nos Estados
Unidos, vários bancos de médio porte quebraram, como o Washington Mutual, e outros
grandes bancos foram socorridos pelo governo.

Enfim,
o cenário era de grande incerteza, e os bancos privados brasileiros
compreensivelmente se tornaram mais comedidos.

Por
outro lado, os bancos públicos assumiram uma postura acentuadamente contracíclica.  O Banco do Brasil, a Caixa e o BNDES abriram
as torneiras e mantiveram o crédito. 

Resultado:
o crédito no Brasil passou a ser concedido majoritariamente via bancos
estatais, e quase sempre a juros abaixo da própria taxa SELIC.

Esse
gráfico mostra a expansão do crédito ocorrida no Brasil desde a criação do
real. A linha azul mostra o total de crédito concedido pelos bancos privados
(Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, Citibank e outros pequenos).  A linha
vermelha mostra o total de crédito concedido pelos bancos estatais (Banco do
Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste e outros bancos públicos estaduais, como
Banrisul, BRB, Banco da Amazônia, Banestes).

cewolf.png

Observe
que, de 2004 até meados de 2008, justamente por causa da melhora da confiança e
da melhora das expectativas, o crédito privado, linha azul, decola.  Ele passa a crescer aceleradamente.  Já ao final de 2008, há uma engasgada e ele
chega a ficar totalmente estagnado nos primeiros meses de 2009, o suficiente para
causar uma recessão naquele período.


os bancos estatais, linha vermelha, que vinham crescendo de maneira constante
até 2007, assumem um crescimento exponencial a partir de 2008.  Essa política de usar os bancos públicos como
instrumento de política contracíclica representou a guinada desenvolvimentista
do governo. 

O
uso dos bancos públicos como indutores do crescimento é o principal pilar da “Nova
Matriz Econômica”.

Essa
guinada desenvolvimentista trouxe consigo um detalhe maléfico: os bancos
estatais trabalham majoritariamente com uma modalidade de crédito chamada
“crédito direcionado”.  Isso significa
que os bancos estatais são obrigados, pelo governo, a fornecer empréstimos
subsidiados — a juros bem abaixo da SELIC — para alguns setores escolhidos
pelo governo, sendo os principais o setor imobiliário (para aquisição de
imóveis), o setor rural, o setor exportador e os barões do setor industrial.

Ou seja, aquela linha vermelha representa um crédito que é
alocado de acordo com critérios políticos (Minha Casa Minha Vida, Crédito Rural
Empresarial, Pronaf, PRONAMP, FINAME PSI, FIES etc.), ao passo que a linha azul
representa um crédito que é alocado mais de acordo com as reais condições de
mercado.

É
exatamente por isso que é a linha azul quem governa o crescimento real da
economia.  É o crédito fornecido pelos
bancos privados o melhor indicador dos fundamentos da economia brasileira.

Pode
observar: quando a linha azul cresce forte, como ocorreu de 2004 até meados de
2008, e depois em 2010 e 2011, o PIB vai junto. 
Quando ela enfraquece, como em 2009, 2012, 2013 e agora em 2014, o PIB
pára.

Em
2010 e em 2011, os bancos privados — linha azul — ensaiaram uma reação, e
isso estimulou o PIB.  O PIB de 7,5% de
2010 foi por causa dessa combinação do crédito dos bancos privados e dos bancos
estatais.

Mas
a partir de 2012, o crédito dos bancos privados começa a perder o fôlego. 


os bancos estatais, linha vermelha, mantêm um ritmo forte o tempo todo desde
2008. 

Essa
atuação dos bancos estatais, por um lado, ajudou o país a passar relativamente
incólume pela crise financeira.  A
retração do crédito pelos bancos privados foi mais do que compensada pela
expansão do crédito praticada pelos bancos estatais.  Essa postura dos bancos estatais ajudou a
aditivar os números do emprego, da renda, do PIB e garantiu que Lula fizesse
seu sucessor (ou sua sucessora) e ainda saísse com altos índices de
aprovação. 

Aquele
crescimento exponencial da linha vermelha garantiu bons números macroeconômicos
em 2009 e 2010, e levou o Brasil pra capa da The
Economist
.

Agora,
como a teoria austríaca dos ciclos econômicos explica, esse tipo de incentivo
via expansão artificial do crédito gera efeitos aparentemente benéficos no curto prazo, mas cobra seu preço no
longo prazo. 

Os efeitos nefastos começam a se manifestar só depois, com
aumento dos preços, aumento do endividamento, e acúmulo de investimentos insensatos,
com setores se expandindo sem que haja uma verdadeira demanda de mercado.  A indústria é um exemplo clássico.  Ela utilizou esse crédito estatal subsidiado para
se expandir, calculou errado, e agora está em contração e com muita capacidade
ociosa
.

A
partir de 2012, os bancos privados, linha azul, jogaram a toalha, pois viram
que a situação estava ficando perigosa: inadimplência em alta, pessoas
extremamente endividadas, e pessoas com histórico de crédito ruim.

Resultado:
passaram a ser mais
seletivos na concessão do crédito
.  

E
isso gerou uma forte redução no ritmo da expansão do crédito privado.

Observe
novamente a linha azul: em 2014, praticamente não há nenhum avanço nos
empréstimos feitos pelos bancos privados. 
O crédito privado está praticamente estagnado.

cewolf.png

O
setor automotivo, por exemplo, foi
um dos mais atingidos
.

E
essa estagnação do crédito privado derrubou a economia e levou o Brasil
novamente para a capa da The
Economist
.

Ao
mesmo tempo, os bancos estatais mantiveram sua política temerária, sem nenhuma
preocupação com calotes, sem nenhuma preocupação com a qualidade do empréstimo
ou com o histórico de crédito dos tomadores de empréstimo.

No
que mais, esse gráfico por si só já nos permite algumas constatações:

1ª)
O crédito no Brasil já se encontra efetivamente estatizado. O volume de crédito
dos bancos estatais ultrapassou o volume de crédito dos bancos privados.

2ª)
O crédito dos bancos estatais é totalmente indiferente a alterações na
SELIC.  Isso porque o crédito fornecido
pelos bancos estatais é majoritariamente do tipo ‘crédito direcionado’.  Tanto faz se a SELIC é de 7,25% ou de
11%.  Isso praticamente não altera o
comportamento dos bancos estatais.  A SELIC
altera apenas o comportamento dos bancos privados.

3ª)
Os bancos estatais estão completamente fora de controle, criando dinheiro e
jogando esse dinheiro na economia de forma exponencial. De 2008 até hoje, eles
jogaram mais de R$1 trilhão na economia brasileira.  Estão claramente seguindo ordens políticas.

4ª)
São os bancos estatais os principais
causadores da carestia que estamos vivenciando no Brasil.
  Quanto mais dinheiro eles jogam na economia,
maior é a pressão sobre os preços. 

5ª)
O efeito do crédito dos bancos estatais sobre a expansão da economia está sendo
nulo. Como explica a teoria austríaca dos ciclos econômicos, essa expansão
artificial do crédito só gera efeitos no curto prazo.  E o curto prazo durou de 2009 a 2011.

Quem
quiser resolver o problema da carestia no Brasil vai ter de atacar os bancos
estatais. Não há outra alternativa.

Fechando o ciclo

Por
último, a pergunta que importa: por que os bancos privados adotaram um ritmo
mais brando na concessão de crédito, e com isso afetaram a economia?

Os
motivos são vários, mas há dois principais.

O
primeiro motivo, como já dito, é o alto endividamento da população e a alta
inadimplência
, o que reduz a demanda por crédito e piora o histórico de crédito
dos tomadores. 

Eis
o gráfico do endividamento das pessoas.

cewolf2.png

No
início de 2007, as pessoas físicas tinham uma dívida de R$350 bilhões junto ao
sistema bancário.  Apenas sete anos
depois, essa dívida aumentou nada menos que R$1 trilhão e já está em quase um
R$1,350 trilhão.

Quanto
mais endividadas as pessoas, menor a demanda por novos empréstimos e maior a
cautela dos bancos em conceder empréstimos. 

Não
é possível saber se já chegamos a um nível insustentável de dívida, mas claramente
o aumento do endividamento das pessoas foi muito intenso e muito rápido.  Enquanto esse endividamento das pessoas não
for equacionado, a economia não se levanta.


o segundo motivo da parcimônia dos bancos privados é porque tanto eles, os bancos,
quanto os empreendedores, que em condições normais estariam tomando
empréstimos, estão inseguros por causa justamente da deterioração da confiança
e das expectativas quanto ao futuro da economia.

Como
resultado da “Nova Matriz Econômica”, temos hoje um governo totalmente
imprevisível, que não passa nenhuma segurança institucional.

Temos
um governo que tem uma política fiscal totalmente frouxa e nada transparente.

Um
governo que gasta mais do que arrecada, e que tenta maquiar seus déficits por
meio de truques contábeis.

Um
governo explicitamente leniente com a inflação, um governo que acredita que um
pouquinho de inflação ajuda a estimular a economia

Um
governo cujo Banco Central é totalmente submisso à presidente da república e ao
Ministério da Fazenda.

Um
governo que intervém em contratos no setor de energia, que altera o marco do
setor petrolífero, que segura os preços dos combustíveis e gera incertezas (quando
é que os preços vão voltar a subir? Como investir e expandir sem ter essa
previsibilidade?)

Um
governo que aparelhou as estatais e loteou cargos para seus apaniguados; um
governo que conseguiu destruir uma estatal que detém o monopólio das principais
jazidas de petróleo do país.

Um
governo que adota políticas de impostos e de tarifas de importação com o
intuito de incentivar alguns setores escolhidos segundo critérios políticos e
eleitoreiros.

Um
governo que deixa claro que questões básicas como inflação e responsabilidade
fiscal não são importantes.

dilma118.jpgUm
governo que faz microgerenciamentos e que decide as taxas de retorno dos
investimentos em infraestrutura.

Em
suma, um governo que destruiu os fundamentos mais básicos da economia ao criar
insegurança, e que se transformou no maior inibidor de investimentos.

Em
um cenário assim, empreendedores não investem e nem tomam crédito para
investir.  E os bancos prudentes também
não emprestam.

Aquela
linha azul fica parada.

Foi
o próprio governo que gerou essa onda de pessimismo e desconfiança que estagnou
a economia.  Os culpados estão em Brasília.  Resta agora ver se iremos
tirá-los de lá.

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284 comentários em “O que houve com a economia brasileira?”

  1. Felicitações pela matéria discorrida sem rodeios, em cada tópico e sub-tópico o que se diz está embasado em dados oficiais e quem vive o mercado, ao ler com detida atenção, consegue entender com clareza o que está intrínseco nos desdobramentos da economia nacional. Com efeito, muita coisa segue mascarada, porém caindo pelas tabelas e descambará logo após as eleições.

  2. Leandro,

    Inicialmente, parabéns pelo brilhante artigo.

    Pelo que entendi, indiretamente ele deixa transparecer que inicialmente a expansão de crédito em um determinado ciclo econômico é benéfica. A partir de um determinado momento deixa de ser benéfica a causa distorções.

    Se o meu entendimento estiver correto gostaria que você me explicasse, se possível, como saber quando ela trará benefícios e quando poderá gerar distorções?

    Obrigado.

    Barroso

  3. Absolutamente impecável o texto, sem desperdício… parabéns ao Leandro Roque!

    Se me permitem, apenas acrescentaria que os fatores externos de 2002 a 2008, me parecem mais as causas do período de bonança da economia brasileira, do que o ajuste fiscal descrito neste texto.

    De 2002 a 2008 o mundo inteiro surfou na exuberância irracional, sendo que o mundo inteiro cresceu, a maioria dos países mais do que o Brasil. Não rejeito que o PT no início deu continuidade ao modelo FHC. Rejeito a premissa de que essa continuidade causou o período de bonança no Brasil.

    Por exemplo, o aumento de exportações e superavit fiscal no Brasil se deu simplesmente porque o mundo todo bombava no consumo de commodities, e os preços subiam +50%. Isso trouxe uma enxurrada de dólares ao país, que derrubou cotação, aumentou superavits, aumentou crédito etc.

    Assim que o boom lá fora caiu em 2009, aos poucos a verdade aqui no Brasil voltou. É claro que a continuidade do modelo FHC ajudou, e é claro que a descontinuidade do modelo hoje agravou. Porém, minha discordância com o texto é que o fato real, a causa das oscilações foi mesmo o boom externo, seu auge e caída.

    Por exemplo, se a China tivesse hoje um crescimento de 11%, mantendo o preço das commodities em alta, Brasil ainda com macacos pilotando o avião, gozaria de uma relativa bonança. É minha opinião.

    Se eu estiver certo, Brasil não tem motor próprio, não adianta a política econômica, seja de direita ou de esquerda, Brasil é um mero produtor de bananas, portanto sempre será escravo e refém do preço das commodities externo.

    O quê poderia mudar essa realidade? Uma política econômica olhando de 20 a 40 anos na frente (e não apenas 4 anos até a reeleição, como acontece hoje). Hoje temos um governo cuja política econômica visa a continuidade no poder, independente do futuro do Brasil. E isso condena o Brasil a ser um refém do preço das commodities lá fora.

    Se houvesse uma política econômica olhando de 20 a 40 anos na frente, haveria hoje foco em:
    1) Investimento
    2) Educação (quantidade, mas com QUALIDADE)

    Esses não são os únicos, mas são os 2 principais fatores no mundo inteiro que garantem produtividade. E é o aumento de produtividade que dá início a um ciclo de bonança sem tanta dependência de fatores externos.

    É claro que a verdadeira tarefa de casa no Brasil deveria incluir uma centena de outras medidas, mas ao não haver política econômica olhando de 20 a 40 anos, e ao não haver foco no investimento e educação (quantidade com qualidade)… a partir daí tudo o resto sempre será mais complicado.

    Abraços

  4. Não é que não goste de artigos de cunho filosófico/teórico do IMB, mas sinto muito falta destes artigos analíticos (principalmente os voltados à realidade brasileira) e logo que os vejo paro o que estou fazendo para lê-los. Parabéns Leandro, organizar esta enormidade de links, gráficos e informações não deve ser fácil.

    Pontos chave foram abordados: Estatização do crédito; não acurácia de dados macroeconômicos; incerteza gerada pelo regime; inflação; comprometimento (endividamento) da renda da população; submissão do banco central aos interesses de pessoas atrás de voto e por aí vai.

    Certamente os ajustes serão necessários e dolorosos nos próximos períodos. Possivelmente serão feitos sob a égide de um novo partido/equipe econômica (e torço para que de fato sejam, não há mais espaço para outros 4 anos desse tipo de gestão). E assim como o Lula gozou de grande aprovação pelos motivos citados acima, me preocupa o fato de que estes próximos que virão tenham que carregar o pesado fardo do ajustamento, fazendo com aqueles leigos do ponto vista econômico (grande parte da população brasileira) tenham saudades do tempo em que “as coisas iam bem”.

  5. Excelente artigo Leandro. Mais claro e esclarecedor impossível. Pelo que se denota é que seja qual for o eleito, as coisas não serão nada fáceis e teremos que passar por um choque duro, que no fim cairá nas costas da população. É inevitável, ou o caminho para o retorno do desastre hiper inflacionário e o caos econômico estará aberto.

  6. Apertem os cintos, muito provavelmente teremos uma séria crise econômica em 2015, pois ao que parece a “presidenta” levará a vitória nessas eleições e continuará com as práticas econômicas heterodoxas. O jeito é se preparar para o pior.

  7. Os culpados estão em Brasília. Resta agora ver se iremos tirá-los de lá.

    Desde que não se coloque ninguém no lugar deles eu apoio. Senão é trocar 6 por meia dúzia.

  8. Leandro,

    Pode-se dizer que bolhas na economia são causadas por expansão artificial do crédito?

    E que o Brasil cresceu nos ultimos anos basicamente por essa expansão artificial?

  9. Excelente artigo!
    A melhor análise sobre a atual situação econômica da economia brasileira que já li.
    Me chamou muita atenção a parte sobre o “baixo desemprego” em nosso país. O governo usa esses dados como grande trunfo eleitoral… mas na realidade esconde a falta de produtividade, qualidade dos empregos e consequente baixos nível salarial.

  10. Fantástico artigo e um verdadeiro panorama da economia brasileira, tocando em virtualmente todas as suas feridas. É um tanto complexo dizer isto, mas creio que você finalmente logrou superar seus próprios trabalhos anteriores, Leandro.

  11. Leandro,

    Obrigado pela resposta supra.

    Se for possível você poderia me responder às perguntas abaixo enumeradas.

    1- O que deveria ser feito para que a discrepância acima citada por você não gerasse boa parte de nossas desigualdades de renda?

    2- Em uma expansão do crédito, quem são os primeiros a receber o dinheiro recém-criado e quem são aqueles que recebem este dinheiro por último?

    3- Na economia austríaca, a expansão via crédito ocorre de que maneira?

    Obrigado.

    Barroso

  12. Leandro,

    2 Dúvidas:

    Com que dinheiro os bancos públicos expandem o crédito?

    como o governo expande a base monetária e como essa expansão vai para o crédito?

  13. Leandro,

    Vocês poderiam ter artigos mais sobre a historica econômica brasileira.

    Na literatura atual só encontro pessoas que defendem o período de grandes estadistas como Vargas e JK, afirmando que eles industrializaram e modernizaram o país.

  14. Ótimo e lúcido apanhado da nossa economia!

    Não duvido que em muito breve, com a farra do crescimento artificial se esgotando, sigamos o caminho parecido com o seguido pelas vizinhas Argentina e Venezuela. Inflação disparando, controles de preços, escassez de produtos, racionamentos, proibição de transferência de nossas propriedades para o exterior, confiscos, e o que mais for.

  15. “A história mostra, enfim, que o comunismo é imbatível quando se trata de gerar escassez, miséria e aviltamento da dignidade humana. Nossa Ibero-América, onde as prescrições políticas e econômicas do Foro de São Paulo ditam regras para muitos países, parece nada aprender das constatações acima. Consequentemente, as coisas andam mal e é preciso botar a culpa em qualquer um que não nos vendedores de ilusões, nas utopias que se requebram como odaliscas, nos delírios do neocomunismo, nos corruptos e nos corruptores. Decreta-se, então, para todos os males, a responsabilidade da economia de empresa, do capitalismo e, sim, claro, dos Estados Unidos.” > http://www.puggina.org/artigo/puggina/o-comunismo-esse-insepulto/1779

  16. Parabéns pelo ótimo trabalho Leandro e todos os que o ajudaram direta ou indiretamente.

    Essas análises da realidade são excelentes, principalmente as focadas no Brasil.

  17. Caro Leandro, to aqui lendo esse artigo. Vendo os dados dos investimentos. Matutando sobre a TACE, reservas fracionarias, criação de dinheiro “out of (f)thin air”(como diz Hoppe), distribuição desse dinheiro aos amigos mais chegados….

    Aiiiii, vejo que dos 10 times de futebol de maior torcida no Brasil, 7 tem bancos como o patrocinador “master”. 3 da Caixa (Fla, Corint. e Vasco), 2 BMG (Cruzeiro e AtleticoMG) e 2 do Banrisul ( Internacional e Grêmio). Dos 3 restantes, Sao Paulo,Santos e Palmeiras os dois primeiros já foram patrocinados pelo BMG.

    É isso mesmo? O futebol estatizado?

  18. Parece que vem uma tempestade por aí, 2015 não será para amadores no Brasil. Dilma destruiu a economia brazuca, que já era meio frágil. Estamos fritos!

  19. Não vejo nenhuma novidade dessa mudança brusca dos rumos da economia brasileira, afinal o Presidencialismo provoca isso mesmo. Esse sistema de governo não tem compromisso com o projeto de um país, mas sim com os interesses de grupos políticos. Deviamos ter votado no Parlamentarismo Presidencialista lá em 1993, era nossa chance de mudarmos o rumo do Brasil, mas o povão foi enganado a deixar as coisas como estavam e aqui estamos nós sempre rodando sem nunca acharmos a saída. Nunca iremos a lugar nenhum enquanto não mudarmos esse sistema de governo! Pelo que sei, não existe nenhum país do 1º mundo com um sistema de governo como o nosso.

  20. Excelente artigo-palestra. Excelente mesmo!

    Só fiquei com uma dúvida. Não houve menção à influência da expansão monetária do Fed depois do estouro da bolha pontocom.

    Qual a importância dela no processo de recuperação econômica do Lula I ?

  21. Acredito que são nos bancos estatais que se encontram o subprime brasileiro. Caixa econômica alavancada em 28 x em relação ao seu patrimônio líquido, e mesmo assim, não aparenta frear o “crédito direcionado”. Eu quero só ver quem vai cobrir o rombo quando a inadimplência neste banco aumentar e o castelo de cartas desmoronar. Imagino que nos outros bancos estatais não seja diferente.
    O medo em relação ao futuro me assola.

  22. Muito interessante o artigo.

    Porém aparentemente um dos fatores que foram colocados como responsáveis pelo crescimento não sugere dependência de capital externo?

    E o que apesar de ter sido feito da forma errada, não foi o consumo de salvou o Brasil da crise de 2009 ?

    O texto parte de um principio que eu não gosto (desculpe mas não sou especialista), que é o crescimento via arrocho e não por desoneração , produtividade e concorrência.

    Não vejo nenhum país rico que tenha desprivilegiado o consumo, desde que tenha o feito sem uso abusivo de crédito.

    A crescimento por arrocho mostra por si só no texto a sua fragilidade que extrema dependência de exportação e mercado externo.

    E no primeiro espirro pegamos um enorme resfriado.

  23. Leandro, estou no youtube tentando ver a sua palestra na conferência da escola austríaca, mas o vídeo que o Mises Brasil postou está com um áudio terrivelmente ruim, não tá dando pra acompanhar os seus raciocínios. Não existe nenhuma outra filmagem melhor ?

  24. Uma dúvida:

    Os bancos de fatos criam dinheiro do nada?
    em outras palavras para iniciar o processo de crédito o Banco não precisar ter algum depósito em suas contas?
    Logo emprestando sem ter o dinheiro fisíco não pode acarretar problemas, caso o tomador saque esse dinheiro?

  25. Leandro,

    Na pergunta de número 1 acima não apareceu o link relacionado à resposta, você poderia repeti-lo, por gentileza.

    Na pergunta de número 3 acima eu gostaria de saber como deveria se dar a expansão do crédito, tendo em vista a escola de economia baseada no pensamento Austríaco, de forma a evitar a ocorrência dos desequilíbrios por você citados?

    Salvo engano, desde 2008 assistimos a uma compra maciça pelos EUA de títulos em poder do mercado. Isso, salvo melhor juízo, significa aumento da quantidade de dinheiro na economia.

    No entanto, a inflação deles continua baixa.

    Como isso pode ser explicado tendo em vista o pensamento econômico da escola Austríaca?

    Obrigado.

    Barroso

  26. Leandro,

    Primeiramente foi bom ter conhecido vc lá na conferencia.
    Sobre a inflação de preços ela existe sim nos USA, basta ver os preços dos ativos e da bolsa. Já que boa parte do dinheiro criado pelo FED fluiu para esses mercados financeiros, lembrando que o FED paga 0,25% para os bancos de todo o dinheiro que caiu nas reservas e 0,25% de alguns trilhões não é pouca coisa. Mas mesmo assim na economia real tb tem bastante inflação de preços, basta ver o shadow stats com a metodologia de 1980 que hj ficaria em torno de 8%aa, ou ver os videos do Peter Schiff. Acreditar no bureau of labor stats é quase a mesma coisa que acreditar no IBGE. hehe

  27. Leandro, seus textos são muito bons, de verdade. Você tem boa oratória, poder de síntese impecável e uma objetividade salutar.

    Acho que você deveria escrever mais. Não sei se você quer esse tipo de exposição, mas às vezes seria interessante a criação de um blog pessoal onde você pudesse expor mais pontos de vista, com mais posts analíticos como esse (pois imagino que no site do Mises você não teria essa liberdade).

    Se já tiver um… faz um jabá aí pra gente nos comentários! 🙂

  28. Dinei A. Rockenbach

    Leandro,

    Meus parabéns. Não conhecia o site nem você, e cheguei aqui direto neste artigo.

    Simplesmente sensacional, precisamos de mais pessoas como você, que ao invés de ficarem gritando opiniões prontas absorvidas dos pseudo-intelectuais, busquem dados e pautem suas afirmações em informações concretas, como é o caso deste artigo.

    Já salvei o site e pretendo lê-lo novamente com mais calma uma outra hora. Continue gerando conteúdo interessante e baseado em dados, é disso que precisamos.

    No mais, eu estou achando que a Luciana Genro é a nossa melhor opção mesmo, mas para ela ter qualquer chance real de eleição teríamos que abolir esta manipulação desgraçada gerada pelas pesquisas eleitorais.

  29. Qual é a solução do governo para estimular a economia?

    Fecha o cerco nos aeroporto contra as pessoas que cometem a atrocidade de comprar produtos mais baratos e de melhor qualidade no exterior: www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/09/1521922-receita-vai-apertar-o-cerco-nos-aeroportos-a-partir-de-2015.shtml

    O país está se desintegrando, a violência é crescente e a degradação moral é visível. Mas o governo está preocupado com quem trabalha e usa o próprio dinheiro para comprar no exterior.

    Leandro, faltou no artigo tocar no assunto da bolha imobiliária.

    E caso os juros subam no EUA ano que vem, quais seriam as consequências para o Brasil.

    Um das coisas que me intriga é o governo ignorar o que está ocorrendo nos EUA com o petróleo extraído do xisto. Isso pode comprometer a viabilidade do pré-sal. Mas o governo ignora isso e já faz contas com o dinheiro do pré-sal. http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140403_energia_eua_rb.shtml

  30. Se os bancos estatais fossem bancos privados e continuassem concedendo crédito como estão, os efeitos negativos dessa recessão -que ainda está longe de seu esplendor- poderiam ser maiores? Outra coisa que eu queria saber é se há algum fator específico que permitiu que ali em meados de 2006 o real se valorizasse em relação ao dólar?

    Não menos importante que isso, agradeço ao Leandro por proporcionar esse sobrevoo sobre esse passado recente da economia brasileira e seu ciclo econômico. Um trabalho excelente.

  31. Escelente, Leandro! Sempre te considerei meu professor aqui no Mises. Já devo ter lido todos teus artigos e geralmente busco por eles por conta da tua objetividade e didática. Ótimo artigo para compartilhar nesse momento de eleições.

  32. O primeiro fenômeno a ser considerado ao analisar o ciclo de uma economia é o nível de confiança dos empreendedores e dos consumidores

    Essa questão das expectativas, da confiança, da previsibilidade é tão essencial…

    O Leandro tem uma certa simpatia pelos neo-keynesianos.. tô errado?? rsrsrs

    Muito bom texto!

  33. Urlan Salgado de Barros

    Artigo excelente, realmente, linguagem bastante compreensível. Eu, que estava estudando Macroeconomia há 1 ano para o concurso de agente da Polícia Federal, consegui entender perfeitamente.

    Inclusive, citando concurso público, lembrei-me de uma coisa: o número de concursos realizados em 2013 e 2014 não afeta diretamente na taxa de desemprego e no tal pleno emprego mencionado pelo governo nos quatro cantos do Brasil? Não seria interessante um gráfico diferenciando os empregos criados pelo governo – em decorrência dos concursos – e os empregos que de fato foram criados pelo setor privado?

    Muito obrigado e parabéns pelo artigo.

  34. Prezados, venho humildemente agradecer a todos pelos generosos elogios. Se eu fosse responder um por um, esta seção de comentários ficaria desnecessariamente longa. Sendo assim, mando aqui meu muito obrigado geral para todos. Muito agradecido pelo reconhecimento. E um grande abraço!

  35. Textos de minha autoria sobre o capitalismo verdadeiro!

    salmaochan.org/pol/res/554. salmaochan.org/pol/res/546.html

    pastebin.com/BVe26Wvr pastebin.com/JRTVicUd

  36. Para quem quer saber mais sobre o tem, segue um excelente artigo do Gustavo Franco n’O Globo de ontem:

    A economia de Dilma, sem rodeios
    oglobo.globo.com/economia/a-economia-de-dilma-sem-rodeios-14070574

    O governo petista, iniciado em 2003, contou com quatro maravilhosas turbinas, todas alheias à sua vontade.

    A primeira teve a ver com bancos. Com o sistema (privado e público) totalmente saneado, depois de um conserto caro e trabalhoso, o crédito mais que dobrou, de 2003 até nossos dias, ultrapassando 55% do PIB, sem deterioração da qualidade dos ativos (mercê de boa regulação). A expansão foi principalmente no crédito pessoal, e graças ao consignado, o endividamento familiar dobrou, como proporção da renda, sem aumentos substanciais no comprometimento dos salários.

    A segunda foi fiscal. Com as contas em ordem, ficou mais fácil reduzir a taxa de juros, independentemente das oscilações próprias do ciclo econômico, até 7,25% anuais para a Selic. Nesse caminho, o efeito sobre o valor dos ativos, ao menos até 2008, foi espetacular: o conjunto das empresas que compõem o Ibovespa valia R$ 2 trilhões às vésperas da crise, partindo de R$ 294 bilhões em dezembro de 2002.

    A terceira foi externa, e na verdade foi a combinação de dois ventos, um que vinha da China e outro dos bancos centrais dos países desenvolvidos. Não houve crise bancária na periferia, exceto de forma efêmera, por maior "aversão a risco", no começo de 2009, nada mais. Não foi uma "marolinha", deu trabalho ao BC, mas durou menos que um ano e depois disso choveu capital para dentro do Brics, cujas reservas aumentaram para US$ 5,2 trilhões em 2014 contra US$ 1,7 trilhão em 2006.

    O fato novo, tratando de assuntos cambiais, é que o nível de reservas do país é tão gigantesco que um déficit em conta corrente elevado, como o de agora, parece perder importância. O poderio do BC em sua intervenção na taxa de câmbio resulta em que esta parece ter se tornado, finalmente, conforme o desejo de muitos, um preço público fixado conforme a folga que a inflação oferece, que, infelizmente, não é muita.

    A quarta e mais importante de todas as turbinas é a da demografia, com amplos efeitos na desigualdade e no mercado de trabalho. A maior criação do bônus demográfico é a "nova classe média", em torno da qual se criou certa mitologia. O enredo é simples: nos anos 1960, o país era uma pirâmide e apenas 15% da população total trabalhava, uma época em que o grosso da população estava abaixo dos 14 anos. Verificou-se, desde então, uma enorme redução na taxa de fertilidade e assim, para resumir, a passagem do tempo foi fazendo a "base da pirâmide" se tornar a "copa da árvore".

    Os efeitos sobre a desigualdade podem ser vistos da seguinte forma: nos anos 1990, um domicílio com um casal, cada qual ganhando dois salários mínimos, e cinco filhos em idade escolar pertencia à classe D ou pior. Na segunda metade dos anos 2000 essa mesma família tinha sete pessoas trabalhando, e uma renda combinada que a colocava firmemente na classe C. Bastou as crianças crescerem. Se o avô viesse morar com a família, traria sua renda de aposentado e a opção de fazer um crédito consignado, elevando as possibilidades de consumo da família para níveis impensáveis dez anos antes. Eis a mágica da classe média: demografia e crédito, com alguma ajuda do salário mínimo. Nada disso tem a ver com o Bolsa Família, que tem sua utilidade para o que se passa dois extratos mais para baixo, na região da pobreza.

    Diante dessas poderosas turbinas, a pergunta que não quer calar é como foi que a administração Dilma Rousseff conseguiu desarrumar a economia. Certamente, não foi um único erro, os desastres aéreos sempre compreendem diversos desacertos combinados com infelicidades e surpresas. No caso em tela, só é possível inocentar as surpresas.

    O maior dos equívocos é o de sempre, a desordem nas contas públicas. Diretamente, descontada a maquiagem, ou via bancos públicos ou obrigações não reconhecidas, a situação fiscal se tornou crítica, por simples opção ideológica.

    Se alguma surpresa houve foi descobrir petróleo, o sonho extrativista de todos os caudilhos, que, todavia, se mal administrado, pode se tornar uma maldição. Na verdade, a opção por um modelo fortemente nacionalista, impondo grandes obrigações de investimento à Petrobras, combinado ao represamento de preços, enfraqueceu brutalmente a empresa.

    De forma análoga, a mesma filosofia de favorecer o Estado e apertar o setor privado prevaleceu nas áreas de energia e infraestrutura, com resultados igualmente ruins. O governo se empenhou em indispor-se com o capital. Como querer que haja investimento?

    As perdas de valor nas empresas públicas listadas são impressionantes, e apenas se cogita sobre as perdas ocultas que são as que ocorrem em empresas públicas não listadas, ou decorrentes de obrigações pelo Tesouro assumidas e não ainda reconhecidas.

    Adicione-se à mistura um retorno aos anos 1960 em matéria de protecionismo e exigências de conteúdo nacional, e lá se vai, para baixo, a produtividade. O valor adicionado gerado em média pelo trabalhador brasileiro era 19% do que produzia um americano em 2000. Caiu para 18% em 2012. A China passou de 6% a 17% no mesmo período.

    A inflação acordou, a política monetária teve de ser revertida, e se instaurou um clima de forte desconfiança, sobre a qual tudo o que se pode dizer é que há merecimento. Parecendo confirmar o diagnóstico, mas apenas depois de se sentir ameaçada na eleição, a presidente demitiu o Ministro da Fazenda, mas ainda não disse coisa alguma sobre o que fará para reverter esse quadro.

    É difícil de explicar, exceto pela demografia, como o desemprego se mantém baixo e os salários continuam a crescer com recessão e estagnação da produtividade. A oferta de trabalho tem crescido menos que a demanda, coisa inédita entre nós: entra menos gente no mercado de trabalho a cada dia, e sai mais gente do que no passado. Há certa perplexidade sobre isso, mas as empresas registram continuadas dificuldades de contratar, daí o medo em demitir, mesmo com a economia fraca, e assim vão se apertando.

    A ideia de que há uma crise externa culpada de tudo é uma fraude grosseira. O Brasil não carrega as feridas de 2008 que o mundo desenvolvido ainda está curando, e estamos nos beneficiando da política monetária deles. O investimento direto estrangeiro está acima de US$ 60 bilhões anuais desde 2009, por que será? Será este o impacto da crise sobre o país?

    Diante das turbinas acima descritas, e dos erros cometidos, deve ser claro que o governo Dilma Rousseff meteu os pés pelas mãos na economia de forma inteiramente soberana e voluntária.

  37. Um comentário, não totalmente relacionado ao artigo.

    De onde vem esses gráficos:
    mises.org.br/images/articles/2014/setembro/Brasil/cambio.png

    []s

    — Pedro

  38. Uma questão sem muita importância…

    O que impediria o novo presidente de fazer algo como “Em 2003, essa equipe econômica fez um ajuste brutal. Para conter a disparada do IPCA, a taxa SELIC foi pra 26,50%”, o que, logicamente, traria uma brutal recessão ao Brasil por uns dois anos e depois o mesmo presidente abrisse a burra do crédito fácil novamente e um novo ciclo começasse? Será que algum dos candidatos atuais tem alguma ideia de que isso é possível?

    abraços

  39. É pessoal nós estamos ferrados. Quem tem acompanhado essa última semana está vendo que para a presidente Dilma toda essa dinherama jorrada pelos bancos públicos é que encabeça o desenvolvimento do Brasil.

    Ou seja, quando a crise economia piorar ela vai cada vez mais usar esses bancos para tentar fomentar a economia. O pior é que ela diz isso exatamente nesses termos e não tem a minima vergonha, e a população também acha isso completamente normal.

    Enfim, estamos ferrados….

  40. Leandro, você esta de parabéns pela explicação. Muito obrigado pela aula.
    Duas dúvida: Quando mencionou as marcas do governo Lula, você acredita que com a volta dele a economia brasileira melhoraria? E todo aquele ambiente que lhe foi favorável dificilmente se repetiria?

    Um abraço, e mais uma vez; nossos parabéns.

  41. Você disse ” Antes de tudo, vale lembrar que o desemprego sempre será baixo em uma economia fechada e protegida. Se a concorrência externa é pequena ou nula, e se não se pode importar quase nada, a produção passa a ser toda feita nacionalmente. Passa-se a viver em uma situação de autarquia. E isso gera vários postos de trabalho artificiais.

    A declaração ” … o desemprego sempre será baixo em uma economia fechada e protegida” é uma alegação muito forte e restritiva. O que você considera por “baixo”? O que existe na teoria austríaca que proíbe o desemprego ser “alto” em uma economia fechada e protegida? Você poderia elaborar?

  42. Leandro,
    Parabéns como sempre.
    O Brasil é o único lugar com bancos públicos atuando desse jeito?
    Sei que nossa inflação é elevada, mas porque nossos juros reais são tão elevados num contexto de liquidez enorme no mercado, em que o BC basicamente não tem precisado emprestar, apenas enxugar liquidez diariamente?
    Os bancos aceitariam deixar o dinheiro no BC por bem menos. Isso não seria bom para nosso resultado nominal (ainda mais importante do que o primário)?
    A inflação dispararia ainda mais por causa dos bancos públicos? Mas eles já estão emprestando com força e os privados desistiram.
    E retorno pra minha primeira pergunta: nenhum outro país tem usados suas CEFs e BNDESs e mesmo assim conseguiram manter juros reais baixinhos?
    Grande abraço.

  43. Caro Leandro,

    Excelente análise! Pra matar a pau, tem que fazer a conexão disso tudo com o impacto que haverá nos benefícios sociais que o governo proporciona e hoje usa de muleta para dizer como o Brasil está lindo e maravilhoso.

    Abraços

  44. Parabéns pelo artigo.
    Texto claro e simples.

    Uma pena que textos assim nos deixam mais angustiados, ao ver que não é só a economia que está inerte, mas como na vontade de mudar.

    Devolve-se 65 milhões desviados de estatais e ainda ficam em casa.

    Critérios esdrúxulos como o de quem recebe bolsa família não entra na conta dos desempregados.

    Onde vamos parar!!!

    em tempo:
    Notícia de hoje 02.10.2014
    Gasolina vai subir ainda neste ano, diz ministro da Fazenda

  45. Eu tenho minhas dúvidas apenas com relação ao motivo do aumento das exportações…os dados apresentados não estão em quantidade, estão em valor, sabemos que houve um boom de commodities nesse período quando elas alcançaram valores históricos, acho que isso explica muito mais o crescimento baseado na exportação do que uma diminuição no consumo que levou a uma sobra de bens aqui dentro que acabaram sendo exportados…

  46. Olá Leandro, antes de tudo, parabéns pelo artigo. Gostaria de fazer também uma sugestão e um pedido, se possível: um artigo fazendo um paralelo entre as políticas econômicas do Brasil, Venezuela e Argentina. Vendo o quão próxima são as políticas econômicas destes três e vendo a situação atual dos dois hermanos, fica mais evidente a fria para qual estamos caminhando. Abraços.

  47. “Enquanto esse endividamento das pessoas não for equacionado, a economia não se levanta.” o que exatamente vc quiz dizer com isso? como se “equaciona” o endividamento?
    Muito Bacana o artigo!
    abs

  48. Leandro, oq vc espera do proximo governo? Armínio Fraga é chicaguista ou keynesiano? No caso da dilma se reeleger, vc acredita que a politica do credito subsidiado seria revista? E no psdb?
    Obrigado e parabens pelo excelente artigo. Espero ansioso pelo teu livro sobre historia economica brasileira, abraço!

  49. É a primeira vez que comento aqui,apesar de ler os artigos a mais de um ano,e nesse não pude m passar por omisso,sensacional,melhor artigo que já li no site,detalhado,muito bem especificado,com fontes,com números reais fornecidos por fontes estatais inclusive,sem maquiagem,perfeito,parabéns!

  50. Caro Leandro, parabéns, o melhor resumo sobre nossa história econômica recente disponível! Você tem uma versão em inglês desse artigo? Abraços

  51. Excelente análise. Com relação ao desemprego em economias fechadas, por acaso, estava olhando números sobre quantidade de médicos por habitante em vários países para entender como Cuba podia dispor de quase 12.000 médicos para o programa mais médicos. Cuba, acho, tinha a maior proporção: entre 5 e 6 médicos para mil habitantes. Países desenvolvidos e em desenvolvimento entre 1 e 3 na maioria. Os dados de Cuba eram de 2007, talvez tenha aumentado esta proporção. Em princípio parece ser um número bom mas se você considerar que o médico trabalhe 8 horas dia, 22 dias mês com 0,5 hora de consulta para cada paciente, tudo na média e se você tiver 5 médicos para cada mil habitantes você terá mais de 20 mil consultas por ano ou seja cada indivíduo terá disponível mais de 20 consultas por ano, quase duas por mês. Ou a população está muito doente para precisar de tanto cuidado ou está sobrando médico. Acho que a segunda alternativa é a mais provável. Foi criada uma situação desnecessária e inviável para se “ocupar” a população. No caso de Cuba formar médicos, bem qualificados ou não, é uma tarefa viável, depois se tenta ocupar este contingente.

  52. Armínio Fraga desaponta os que guardavam expectativas por ele.

    exame.abril.com.br/economia/noticias/arminio-fraga-acredita-em-meta-de-inflacao-cambio-flutuante

    Respostas vagas com a política de gastos, câmbio flutuante mantido junto à metas de inflação; podemos ao menos esperar que apareça um superávit primário para reequilibrar o tripé depois da manobra contábil do governo federal. Mas em si, nada de novo; a estrutura simplesmente não pode aceitar algo como câmbio fixo enquanto o governo federal seguir com sua época de engorda.

  53. Leandro, felicitações pela precisão cirúrgica no assunto tratado. Gostaria entretanto, de interpelá-lo sobre o significado de “Quem quiser resolver o problema da carestia no Brasil vai ter de atacar os bancos estatais. Não há outra alternativa.” Como seria esse ataque? Sob quais premissas e objetivos?

  54. Caro Leandro, você não teria dados mais detalhados sobre a movimentações na composição do PIB em um período de mais austeridade como em 2003 (ou mesmo 2004) e em outro mais frouxo como 2009? É que seria interessante ver mais de perto (na perspectiva de como se estrutura o capital), e de um exemplo real, uma comparação de como consumidores e investidores reagiram a diferentes taxas da Selic – e principalmente se é possível perceber se de alguma forma ela os orienta para o presente ou o futuro.

    Grande abraço

  55. Maurício Redaelli

    Leandro, eu peço desculpas por não fazer a minha pergunta no local adequado, mas este e outros dos seus fantásticos artigos me ensinaram um pouquinho sobre economia e agora eu tenho dúvidas.
    1. O plano de governo do Aécio sugere uma autonomia do Banco Central. Qual é o impacto dessa mudança?
    2. Ele promete suavizar as flutuações da economia e reduzir taxas de juros, mas um BC autônomo precisa respeitar essas diretrizes?
    3. Ele quer fortalecer as agências reguladoras, mas eu não sei quais são e não entendo como isso pode ser um benefício.
    4. Ele busca uma apreciação do câmbio e promete manter a inflação na meta. Isso não confronta a redução na taxa de juros?
    5. Por fim, ele promete aumentar a taxa de investimento da economia, de 18% atuais para 24% no final do mandato. Que taxa é essa? O que esse aumento representa?

    De antemão eu agradeço. O meu interesse por economia é crescente e as tuas matérias foram um incentivo inestimável. Já estou procurando um curso noturno ou à distância, como segunda faculdade ou apenas por hobby.

    Abraços

  56. Prezado Leandro, parabéns pelo excelente artigo!
    Vivo discutindo essas questões com colegas de várias vertentes, inclusive keynesianas.
    Nas discussões, surgem sempre as seguintes perguntas:
    1) Por que os bancos lucram tanto no Brasil? Isso parece refletir algum problema grave da economia brasileira. É uma questão de estrutura de mercado (mercado oligopolizado e proteção do governo)? Tributação excessiva?
    2) Por que o governo brasileiro não financia sua dívida no mercado internacional? Não poderia “driblar” os bancos brasileiros e pagar taxas de juros menores do que a atual SELIC? (pois sabemos que 11% ou 12% de juros sobre o estoque da dívida resulta em uma despesa financeira gigante, o principal nunca será pago mesmo com os superávits…) O mercado internacional não aceitaria pagar uma taxa mais baixa, já que o risco-Brasil está apenas 2% acima do retorno do T-BOND de 10 anos? E os bancos brasileiros não seriam assim “forçados” a emprestar mais para o setor privado em vez de ficar financiando o setor público?

    Ouço muito falarem que o que quebra as empresas brasileiras é mais a elevada despesa financeira (decorrente de empréstimos de giro com juros astronômicos, que “matam” todo o resultado operacional das empresas), do que os tributos. Vejo gente preocupada principalmente com os juros elevados como se estes fossem os causadores da inflação, com empresas quebrando e reduzindo a oferta de produtos.

    Essas perguntas parecem meio “bobas”, mas realmente gostaria de achar uma explicação para a situação atual… Juros bancários elevados e bancos altamente lucrativos são mais o resultado de uma espécie de “conluio” com o governo (que nenhum político se atreve a quebrar) ou existe uma explicação “de mercado” para isso?

  57. Apesar de eu ser libertário, estou fortemente tendendo a votar no Aécio nesse domingo. Eu nem iria votar, prefiro ficar em casa. Mas acredito que tirar o PT é fundamental, caso contrário a economia vai afundar rápido. Não que Aécio seja algo bom, mas é menos pior que a Dilma. Com o PT, talvez cheguemos menos livres na próxima década.

  58. Sensacional este artigo!
    Não podemos continuar nessa situação. O Brasil está se encaminhando pra uma séria recessão. Eu tenho sabido de muita gente sendo demitida, empresários que não pegam serviço há mais de um mês, gente qualificada e desempregada. Este artigo clareou demais para mim a situação que estamos vivendo no Brasil, acerca da economia.
    Parabéns.
    João Pedro

  59. Leandro, uma pergunta pessoal: qual foi o seu sentimento ao ser confirmado que Wilma Rocefe foi reeleita para comandar nossas vidas por mais 4 anos? Eu, particularmente, estava voltando de carro para casa, num inicio de noite chuvoso e melancólico, ouvindo pelo rádio do carro que a confirmação da vitória de dilma era inevitável, só sentia um profundo sentimento de decepção, de que tudo que poderia existir de melhor que não mais existirá, no nosso padrão de vida que continuará a ser medíocre, etc. Foi realmente horrível..

  60. Ola amigos,

    Sou brasileiro e moro na australia ha alguns anos.

    Criamos aqui uma moeda digital chamada ozziecoin, baseada no codigo do bitcoin.

    A diferenca e que estamos tentando fazer com que haja uma distribuicao justa sem a necessidade das pessoas terem que minar a moeda. Somente os australianos tem o direito de receber a moeda sem precisar minar. A ideia e fazer com que o Ozziecoin seja uma moeda forte na Australia. Acreditamos q no futuro cada pais tera uma ou mais moedas digitais e o bitcoin sera usado como uma moeda internacional substituindo o papel do dolar.

    Tenho pensado muito sobre a situacao economica e politica do Brasil. E acho que a introducao de uma moeda digital poderia
    retirar um pouco do poder do governo e dos bancos.

    Gostaria de saber a opniao de voces e saber se alguem topa em participar do projeto e ajudar.

    Abcs,

    Ozziecoin

  61. Caro Leandro
    Brilhante o seu artigo. Consegui entender as razões fundamentadas de muitas das minhas impressões sobre a economia brasileira, inclusive as razões pelas quais o Lulismo não parecia tão ruim para o país como o antes suposto. Neste quadro o Fernando Henrrique fez o papel do avô que preparou para enriquecer o Brasil. A tal herança maldita do Lula foi na verdade a vida do filho rico esbanjador e a Dilma é o neto pobre e arrogante que está nos conduzindo a miséria. A reação da Dilma aos protestos mostrou que a fala confusa, desarticulada, muitas vezes sem nexo, também norteia a direção aleatória que ela imprime à economia. O pior de tudo é que quem vai pagar no futuro o maior preço para tanta incompetência é essa imensa população pobre e pouco informada que hoje ingenuamente alimenta o monstro.

  62. Leandro,

    Agora que se concretizou a vitória da Dilma, o que esperar da economia nacional ? Iremos quebrar ?

    Devemos ter esperança ?

    Meros mortais como nós, o que devemos fazer para proteger nosso mísero capital ?

    O investimento na bolsa de valores, mesmo que pensando a longo prazo, ainda é válido ?

  63. Essa teoria austríaca dos ciclos econômicos não faz sentido nenhum. Se fosse verdadeira, o Hawaii e a Grécia não entrariam em recessões nunca. Como estão desligados do continente, o dinheiro só chega lá por navio ou avião, então nesses lugares o dinheiro é injetado diretamente na economia. Não existe uma rede bancária interligada com o continente nesses lugares pois não existe teletransporte de dinheiro para dentro das reservas bancárias (dãaa, preciso falar o óbvio??? como o dinheiro sairia do continente e iria parar no cofre desses bancos milagrosamente???). Nem existe banco central nessas ilhas, logo os bancos do Hawaii e Grécia trabalham com reservas próprias que são o papel moeda que os turistas e importadores levam de navio ou avião. Recessões são um problema de demanda agregada e não problema de jurisdição como vocês afirmam. Recessões são causadas pela queda da demanda agregada.

  64. Meus 2 cents. O parasita que suga em demasia o hospedeiro, o mata. Acredito em maior solidez economica no segundo mandato, temos q lembrar q o pt vinha ganhando c boas margens ha um bom tempo e agora quase perdeu. Imagino q havera uma guinada rumo ao minimo de racionalidade economica. Desde a queda do muro de berlim, os bolcheviques aprenderam q da mt mais dinheiro tributar, regular e controlar do que planificar e empreeender, como detentores do estado. Me preocupa a postura de muitos ditos que resumem a analise de um governo a economia, defendendo o FHC ou Lula. Nao podemos perder nossos principios a respeito da etica e da vida em sociedade. Nanny state e incapaz de produzir uma sociedade forte, responsavel e aristocratica.

  65. Mauricio Redaelli

    Foi uma boa atualização do panorama, mas eu gostaria de ter visto também alguns aspectos mais marginais, como um comparativo de investimento e de endividamento de empresas em todas as escalas, de micro a grande. Outro ponto marginal é o bolsa-família e seu suposto incremento no PIB. Dizem por aí que para cada real gasto com o programa, retornam imediatamente R$1,78 para e economia. Tem cara de mito ou de crescimento artificial, mas até certo ponto é interessante que a expansão da moeda ao menos seja compensada. Caso contrário, seria apenas caridade, coisa que deve ser feita pelo cidadão, por ONGs e por fundações, mas só em último caso pelo Estado. Existe uma diferença de fase entre a expansão monetária, o consumo feito pelo cidadão assistido pelo programa e a inflação dos preços, certo? É essa diferença fase que faz o rico ficar mais rico e o pobre ficar mais pobre, mas ela também consegue aquecer a economia porque se torna necessário gerar e entregar mais produtos e serviços. Será que o impacto desses projetos sociais na economia não merece um pouco de atenção, é um ponto marginal demais?

  66. Muito bom o artigo e melhor ainda o http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1769

    Leandro, gostaria que você me responde-se o seguinte
    A copa do mundo era para trazer beneficios para o país, so que aumentou o numero de desempregos e o país nao cresceu, poderia se dizer que todo o dinheiro publico gasto para fazer a copa mais cara da histotio e 4 vezes mais que a da Africa, não trouxe nenhum beneficio para o povo brasileiro?

  67. Olá, Leandro.
    Sou um visitante recente do site, e seus artigos me chamaram muito a atenção. Você tem muita eloquência, consegue sanar as dúvidas dos leitores… E eu fico numa dúvida cruel. O que é melhor? O artigo em si, ou suas respostas sensacionais nos comentários? Você presta um grande serviço ao intelecto alheio! Um abraço e continue espalhando conhecimento.

  68. Leandro, li algumas reportagens que diziam que as reformas de Peña Nieto no México não provocaram bons resultados no país. Está sabendo de algo, já que as reformas deles foram bem liberais?

    Valeu!

  69. Leandro,

    A inflação interessa para alguém do setor privado? Ex.: grandes empresas que pegam empréstimo no BNDES com juros nominais de 4/5% ao ano?

    Abraço!

  70. Seria engano meu ou a Dilma tentara novamente enganar o mercado com declarações vagas (olhar gastos com lupa, por exemplo; referente ao déficit fiscal constante detido pelo governo federal) e à moda Shinzo Abe, o feitiço escapou e a a apunhalou por trás em outra alta do dólar?

    Consequência:
    http://www.dinheironaconta.com/2014/11/07/dolar-em-alta-com-a-indefinicao-da-nova-politica-economica/

    Causas:
    br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN0IQ2DJ20141106
    noticias.r7.com/brasil/para-acalmar-mercado-dilma-promete-fazer-dever-no-combate-a-inflacao-07112014

    O que acha, Leandro? A insegurança gerada pelo regime amadureceu ao ponto de incrível ceticismo sobre quaisquer ciganas palavras da presidenta e de sua equipe econômica? Acredita que bastando alterar a equipe do fidalgo ministro da fazenda atual, seria possível colocar uma perspectiva diferenciada do dólar (ao invés de seguir subindo, descer?).

  71. Boa tarde Leandro
    Abaixo uma pergunta e resposta no UOL:
    Para que é usado o IPCA?
    É utilizado pelo Banco Central como medidor oficial da inflação do país. O governo usa o IPCA como referência para verificar se a meta estabelecida para a inflação está sendo cumprida.
    O IPCA nao tem o mesmo valor da inflcao monetaria do BC, eh isto ou nao.
    Pode haver entao uma alta da inflacao monetaria sem afetar a inflacao de precos ou nao

  72. Boa Tarde,
    estou a fazer um trabalho de pesquisa, para uma cadeira de Economia numa faculdade em Portugal,sobre o Crescimento Económico do Brasil de 1999 a 2013 que se vai dividir em três grandes temas (Recessão, crescimento e Estagnação).

    Tenho aprendido imenso com os seus artigos, e queria questionar se se tem alguns tópicos de literatura Obrigatória, para não falhar nada.

    Obrigada Pela ajuda

  73. Alexandre Herrmann

    Tenho lido que a dívida pública bruta tem crescido muito por conta dos enormes gastos do governo federal.

    Porém os jornais noticiam que a dívida mobiliária federal continua constante ou aumenta muito pouco.

    g1.globo.com/economia/noticia/2014/09/divida-publica-recua-pelo-segundo-mes-seguido-em-agosto.html

    Como é possível que a dívida mobiliária permaneça a mesma se a dívida bruta do governo aumenta?????

    Att, Alexandre

  74. 1) Faltou mensurar a queda dos preços das commodities e seus efeitos na queda do PIB;
    2) As influências da redução do crescimento Chinês nas nossas exportações;
    3) A moratória Argentina e suas influências também;
    4) A redução brusca da taxa de juros em 2011 e seus efeitos;
    5) A seca 2014.

  75. Prezados, não seria interessante uma análise dos textos produzidos pelo nosso ministro da fazenda antes e durante a criação do plano real?: www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/7/12/dinheiro/5.html www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/16/dinheiro/3.html www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/12/05/painel/2.html http://www.teoriaedebate.org.br/materias/economia/plano-verao-e-neoliberalismo?page=full www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/3/26/dinheiro/3.html . Muitos das críticas ao plano real e “soluções” para o problema do Brasil abordadas nesses artigos foram colocadas em práticas nos últimos 8 anos (como o subsídio à setores específicos como montadoras que ele defende que combate a inflação) e todos vimos as nefastas consequências. Uma compilação histórica do que Guido Mantega e compania defendiam comparando com o que o artigo do Leando mostraria que “a nova matriz econômica” de nova não tem nada.

  76. Sergio Mondragón Reyes

    Prezado Dr. Leandro Roque, seu artigo e muito bom e muito explicativo sobre a actual situacao economica do Brasil, eu só profesor de uma universidade na cidade do México que imparte a formatura em Negocios Internacionais, e gustaria obter sua permisao para poder usar seu artigo como lectura de analisis dentro de minha aula (Inteligencia Comercial con Sudamerica),
    Uma vez mas, minhas felicitacoes por o artigo e e fico grato por sua atencao ao a esta solicitacao.

    Atenciosamente
    Sergio Mondragón Reyes

  77. Leandro, possivelmente veremos uma nova crise. Como empreender neste ambiente que tudo é falso? Fundo e poupança falsos. Como um jovem empreendedor deve agir? ele fica refém do governo, dos bancos?
    abs

  78. Viram essa palhaçada:

    IBGE muda cálculo do PIB e números devem subir

    A mudança no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB, soma total da renda gerada num país em determinado período) brasileiro pode aumentar os resultados registrados pela economia brasileira nos últimos anos. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), conta dos investimentos no PIB, deve sofrer expansão com a soma dos aportes em pesquisa e desenvolvimento, exploração e avaliação de recursos minerais e softwares, explicou nesta segunda-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    "Isso aumenta o PIB", definiu o diretor de Pesquisas do IBGE, Roberto Olinto.

    A LCA Consultores estima que, após as revisões, o crescimento econômico médio do período de 2011 a 2014 passará dos atuais 1,6% ao ano (considerando os dados até o terceiro trimestre do ano passado) para em torno de 2,5% ao ano. Nas projeções da consultoria, o PIB de 2014 deveria ficar estagnado. Com as revisões, pode subir um pouco, mas nada além de 0,5%.

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,ibge-muda-calculo-do-pib-e-numeros-devem-subir,1647578

    Ou seja, bastou o povo bater panela, que o IBGE já vem pra ajudar o governo. Aliás, ele fez isso em 2007. Os números do período Lula de 2003 a 2006 estavam muito aquém do desejado, e iguais aos do primeiro mandato de FHC (em que houve a crise asiática em 1997 e a crise russa em 1998).

    Aí o IBGE veio e, da noite pro dia, puff!, praticamente duplicou os valores. Esse país não é sério. A Argentina é aqui.

  79. ola leandro!
    Na sua opinião, conforme dados de 2014 por que o Brasil é a 7º economia do mundo em termo de PIB, Mas apenas a 79º no ranking mundial em relação ao IDH

  80. Leandro, algum artigo sobre a economia de Israel aqui no Mises? Me chamou atenção o fato de ter deflação em 2014. O BC faz um bom trabalho lá? Abraços

  81. Parece que os inativos e demais "nem-nem" resolveram dar um jeito na vida e começaram a procurar emprego (não havia alternativa, dado que a renda da população está em queda).

    E o resultado é que, agora com essas pessoas sendo contabilizadas nas estatísticas, o desemprego subiu:

    "Há mais gente procurando trabalho e houve corte de vagas, admite IBGE"

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,ha-mais-gente-procurando-trabalho-e-houve-corte-de-vagas-admite-ibge,1677372

    O aumento da procura por trabalho e a ausência de geração de vagas determinaram a elevação da taxa de desemprego para 6,2% […] Parte dessa população que agora engrossa as filas por um emprego estava antes entre os inativos, enquanto o contingente de ocupados teve, em março ante fevereiro, a quarta queda consecutiva.

    De acordo com o IBGE, o mês de março também foi marcado pela migração de pessoas antes inativas para o contingente de desocupados. “Pode ter havido uma migração de pessoas que antes não buscavam trabalho e agora estão procurando uma vaga. Não temos como afirmar exatamente que população é essa. Pode ser retorno (ao mercado de trabalho) ou nova inserção”, explicou Maria Lucia.

  82. Bom dia Leandro tudo bem?

    Leandro ontem eu vi uma entrevista do Joaquim Levy,falando sobre a inflação esta tão alta,palavras:”Se alguns preços administrados incorporarem de uma maneira muito intensa a variação do câmbio, dificulta porque ele repete ou realimenta a inflação”,não sei se você chegou a ver mas,
    o seu resumo de como a situação estava em 2003 se compara com essa em que estamos vivendo,para mim o cenário é o mesmo,como bem descrito por você no artigo.
    Vendo a globo news uma jornalista disse”não sei o porque a inflação esta tão alta ainda pois, o desemprego subiu,o povo não esta comprando,a economia esta em recessão”.

    É isso mesmo,tem alguma relação da inflação esta tão alta por causa do câmbio?

    Pela lógica que fiz aqui foi: “se eu estou comprando um produto fora do Brasil e com alta do PIS,Confins e do dólar,o meu preço tende sair um pouco mais caro,logo haverá aumento no preço.

    Se eu sou exportador e vendo minhas bugigangas para fora,logo tenho dinheiro porém,os meus produtos estão saindo então,no mercado interno haverá uma escassez e assim aumentando o meu preço.

    O raciocínio é esse?

    Estou enviando essa pergunta porque,como eu leio os seus artigos,achei que o cenário atual é o mesmo que você descreveu de 12 anos atrás.

    Abraços e felicidades.

  83. Leandro, pelo que pude entender, o aumento de crédito em meados do segundo mandato do governo Lula foi reflexo da confiança dos credores diante de uma economia estável. No governo atual, acredito que o consumismo propiciado pela expansão do crédito é um dos principais fatores da crise em que estamos.
    Minha pergunta é: o aumento do crédito continuaria sendo benéfico se a economia continuasse sendo bem conduzida ou ele por si só já é um problema?

  84. Em Novembro de 2015, mais de um ano depois da publicação deste que é uma das melhores e mais completas análises econômicas do Brasil, fica absolutamente clara a verdade contida no texto.

    A economia foi devastada pelos efeitos adversos já previstos pela Teoria dos Ciclos Econômicos da Escola Austríaca. O Dólar disparou para 4 reais, dizimando o pouco que restava da nossa combalida e frágil indústria. Inflação na casa dos 10%, desemprego em alta meteórica, menor índice de confiança da série histórica…

    Se isso não for suficiente para convecer os Keynesianos, não sei o que mais será.

  85. Boa Tarde Leandro,

    Sou estudante de Administração e estou fazendo um trabalho sobre o PIB do Brasil.

    Gostaria que me tirasse uma duvida, por que motivo apenas o credito concedido por bancos privados interferem no crescimento do PIB?

    Abraços

  86. Meu xarà Maurìcio Macri varrerà o bolivarianismo empobrecedor da Argentina se Deus quiser,oh maravilha! Admiro os hermanos nesta eleicao è isso ai xô bolivarianismo empobrecedor ridìculo…

  87. Caro Leandro

    Posso fazer o seguinte raciocínio?
    A expansão de crédito direcionado ao setor imobiliário parece ter um efeito colateral adicional bastante nocivo, além do aumento da quantidade de dinheiro na economia. Além de elevar preços dos imóveis novos, ele eleva o valor de todo o estoque imobiliário existente, fazendo subir o preço de locação e portanto de boa parte dos custos da economia. Isso parece elevar os preços finais ao consumidor.
    E naturalmente faz concentrar a renda, ao distanciar os menores assalariados da aquisição de propriedades e suas possibilidades de poupar.
    Faz sentido?
    Grato.

  88. Fábio Alcântara

    Obviamente que toda nossa economia foi afetada com a entrada no PT no poder, não ha como negar que nosso país afundou à partir do momento em que o excelentíssimo Lula entrou na república, tanto que, na época, o Dólar teve uma alta absurda.

    Leandro, parabéns pelo artigo, muito bom.

  89. Parabéns e obrigado pelo honroso trabalho de registrar minuciosamente os erros crassos e todos esses verdadeiros crimes cometidos de forma tão sistemática pela orcrim no poder !

  90. Olá Leandro,

    primeiramente parabéns pelo artigo, é realmente muito claro e a análise é impecável. Ao longo da leitura, fiquei pensando nos gráficos que apresentou, e então me corrija se eu estiver errado. De 2008 a 2010, em meio a todo o cenário de incerteza criada em âmbito mundial, seria o momento certo para frear a economia brasileira e cortar gastos, a fim de protege-la a longo prazo?

  91. Leandro, alguma chance de obter traducoes de seus textos para o ingles? Caso ninguem esteja trabalhando nisso ainda, posso me voluntariar, posteriormente enviando para sua revisao e aprovacao.

  92. Lendo os artigos do IMB ainda não consegui ligar os pontos quando comparo a crise brasileira com as crises mundo afora. Por exemplo, quais são os fatores que permitem que não tenha acontecido estagflação na Europa e EUA?

    Sim, o FED deu um jeito de “represar” a saída de dinheiro nos bancos, e o dólar é uma moeda com grande demanda e etc.

    Mas e a Europa? As moedas de lá não tem a mesma demanda mundial que o dólar, e até onde eu sei o BCE não se utilizou dos mecanismos de juros sobre reservas que o FED adotou. Mesmo assim houve deflação e retração no crédito por lá.

    Já no Brasil houve arrefecimento econômico e inflação crescente juntos. Isso se deve apenas ao fato de a economia brasileira ser fechada e sua moeda ser fraca? A diminuição da atividade econômica por si só não deveria ser suficiente para diminuir a quantidade circulante de dinheiro, ajudando a combater a carestia?

    Isso me parece que deixa espaço pra concluir algo como: é só abrir a economia e fortalecer a moeda que da pra zoar na expansão de crédito mais tranquilamente. Isso faz algum sentido, ou não? Pois é o que parece acontecer em economias mais livres…

    É capaz de que caso o governo brasileiro descubra que isso possa funcionar assim, irá começar a abrir o Brasil pro mercado mundial, apenas para poder zoar mais ainda com o sistema bancário. Fica parecendo uma espécie de estratégia “anti-estagflação”.

  93. “Simplesmente porque não houve expansão do crédito. Porque as pessoas e empresas estão endividadas em níveis recordes. Porque a confiança está muito baixa ao ponto de não estimular novos investimentos e novos endividamentos.”

    Tem certeza que essa expansão de crédito nos EUA pode ser considerada baixa? Pelo gráfico parece que aumentou algo em torno de uns 40-50% desde 2010…

    E no caso do Brasil, continuou ocorrendo expansão de crédito mesmo depois de oficialmente ter sido decretada a recessão? Caso contrário deveria ter ocorrido aqui um efeito similar ao que ocorreu lá fora.

  94. O efeito que eu quis dizer ali seria a deflação. Caso o gráfico 1 desse artigo que você linkou mostrasse uma tendência de forte queda ou de estagnação desde 2014, por exemplo, era de se esperar algo como uma leve deflação no Brasil, aos moldes do que ocorreu lá fora?

    O arrefecimento nos índices de inflação de hoje se deve justamente a essa diminuição no crescimento de crédito que começou a se confirmar no início desse ano?

  95. Bom dia Leandro. Realmente é o que acontece com a moeda ?? virtual. Ela se cria, mas tem que ter uma origem, ela não aparece do nada, e tem em efeito grande na economia. Se o governo quer. expansão libera, se quer retração cria menos. A dosagem para essa. criação está no depósito compulsório.
    Com o aumento da inadimplência os bancos reduzem as taxas de juros de cdb, lca, lci, poupança não tem como reduzir mais, pois são através destes ativos que o Banco cria a moeda virtual.
    Tesouro direto e fundos o banco não pode criar, dai o governo autoriza o banco a fazer o repasse que no final o recurso volta na forma de depósito a vista, cdb, lca, lci e começa tudo de novo.
    Só que a criação não é ilimitada, o governo limita na exigibilidade do depósito compulsório (já que essa parte é estéril).

  96. Pessoal, alguém tem um link ou artigo ou fonte que mostra o quanto que o BC imprimiu de reais?

    Lembro e ter visto uma de 2005 a de 2015, mas não acho mais.

  97. Pessoal, alguém sabe me explicar a diferença entre as séries temporais do BACEN: Saldos das operações de crédito das instituições financeiras sobre controle público X Saldo da carteira de crédito com recursos direcionados —- Saldos das operações de crédito das instituições financeiras sobre controle privado X Saldo da carteira de crédito com recursos livres?

    Obrigado!

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