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A crítica moral ao socialismo feita por São João Crisóstomo

Imagine um Pai da Igreja do século IV viajando no tempo até um comício moderno em prol do “socialismo cristão”. São João Crisóstomo — o arcebispo de Constantinopla conhecido como o “boca de ouro” — provavelmente chocaria bastante a plateia. Sim, esse pregador apaixonado denunciou os ricos insensíveis em termos que fariam qualquer admirador de Mamdani aplaudir. Certa vez, ele comparou os ricos acumuladores a “ladrões que ficam à espreita nas estradas, roubando os transeuntes”.

Mas, antes que os socialistas democráticos presentes se animem, Crisóstomo se apressaria em acrescentar que tomar à força o ouro do homem rico não é o caminho para a justiça. De fato, o raciocínio moral de Crisóstomo vai diretamente contra o método central do socialismo — a saber, a redistribuição imposta pelo Estado — ao defender, a partir de uma ética da virtude, a caridade voluntária em vez da igualdade coercitiva. Seus sermões, com séculos de idade, carregam uma mensagem contundente para os dias de hoje: a “igualdade” imposta não é apenas ineficaz; ela inflige danos morais à sociedade.

Crisóstomo tratou da lacuna perene entre ricos e pobres com compaixão ardente. Ninguém poderia acusá-lo de indiferença diante da pobreza. Ainda assim, ele traçou uma linha moral clara quando se tratava da ideia de redistribuição forçada. Em um sermão fundamental, preservado no livro On Living Simply, ele pergunta retoricamente se deveríamos convocar reis e príncipes para corrigir a desigualdade. Deveriam os governantes confiscar o ouro do rico e distribuí-lo entre seus vizinhos indigentes? Deveria o imperador impor impostos tão severos que os ricos fossem reduzidos ao nível dos pobres, apenas para então redistribuir o produto a todos? A resposta de Crisóstomo é inequívoca. “A igualdade imposta pela força”, insiste ele, “não alcançaria coisa alguma e causaria muitos males”.

Longe de elevar a sociedade, a transferência coercitiva de riqueza deixaria os ricos ressentidos e os pobres ingratos, ao mesmo tempo em que corroeria o tecido moral de ambos. Quando a riqueza é extraída à ponta da espada por soldados, ninguém aprende caridade ou gratidão. Como coloca Crisóstomo, “nenhuma generosidade teria motivado a doação”. Tais transferências não cultivam a virtude. Elas substituem o amor pela coerção. Em vez de unir a sociedade na compaixão, a redistribuição forçada “na verdade causa dano moral”, gerando amargura e corroendo a boa vontade que somente a doação voluntária é capaz de criar.

“A justiça material não pode ser alcançada por meio da coerção”, argumenta Crisóstomo, porque nenhuma mudança moral duradoura “se seguirá” de um mero rearranjo externo. A justiça, em sua visão, é uma questão de corações devidamente ordenados. “A única maneira de alcançar a verdadeira justiça é mudar primeiro o coração das pessoas, e então elas compartilharão alegremente a sua riqueza”, aconselha. Em outras palavras, uma sociedade justa flui de indivíduos virtuosos agindo por amor, e não de esquemas tecnocráticos que impõem uma igualdade artificial. Trata-se de uma crítica profundamente enraizada na ética das virtudes ao socialismo, antes do termo ser usado. Não se pode espancar as pessoas para que se tornem boas. Caridade por coerção não é caridade alguma. É uma injustiça tanto para quem dá quanto para quem recebe.

À primeira vista, pode parecer forçado vincular um Pai da Igreja à Escola Austríaca de economia. Ainda assim, quando se trata de coerção versus liberdade, Crisóstomo e os austríacos estão notavelmente alinhados. A crítica de Crisóstomo à igualdade imposta ecoa aquilo que Ludwig von Mises defenderia quinze séculos depois. A cooperação social e a responsabilidade moral florescem sob a liberdade e murcham sob o estatismo. Mises sustentou de forma célebre que a sociedade enfrenta uma escolha clara: ou a cooperação voluntária do mercado, ou a desintegração produzida pela coerção socialista. “Uma sociedade que escolhe entre capitalismo e socialismo não escolhe entre dois sistemas econômicos”, escreveu Mises, “Ela escolhe entre a cooperação social e a desintegração da sociedade”.

Mises também expôs uma falha fatal na lógica moral do estatismo. Se os seres humanos são moralmente fracos demais para serem dignos de confiança com a liberdade econômica, como poderiam ser confiáveis com o poder político concentrado? Como ele observou com ironia: “Se alguém rejeita o laissez-faire por causa da falibilidade e da fraqueza moral do homem, deve, pela mesma razão, também rejeitar todo e qualquer tipo de ação governamental”. Crisóstomo — com sua compreensão cristã da pecaminosidade universal — concordaria prontamente. Entregar mais poder a seres humanos falhos — sejam imperadores ou planejadores socialistas — não é receita para a virtude. O crescimento moral exige liberdade, inclusive a liberdade de falhar. Aqui, o estado não pode desempenhar o papel de salvador.

Pensadores econômicos contemporâneos têm revisitado cada vez mais o papel da virtude em sociedades livres, reforçando a intuição de Crisóstomo de que a moralidade é a força vital de uma economia saudável. Os economistas Virgil Storr e Ginny Choi, por exemplo, desafiam a afirmação de que os mercados corrompem o caráter moral. Eles mostram, ao contrário, que os mercados frequentemente recompensam a cooperação, a confiabilidade e a reciprocidade. As sociedades de mercado, argumentam, tendem a ser mais saudáveis, mais felizes e mais socialmente conectadas, resultados que são moralmente significativos em si mesmos. Os mercados são um “espaço moral”, que ao mesmo tempo depende do comportamento virtuoso e o reforça. Sem honestidade, cumprimento de promessas e respeito à propriedade, os mercados entram em colapso. Essa dependência significa que os mercados cultivam silenciosamente exatamente as virtudes que seus críticos afirmam que eles corroem.

A historiadora econômica Deirdre McCloskey apresentou um argumento complementar. O capitalismo burguês, sustenta ela, não floresceu apesar de virtudes como prudência, justiça, temperança, coragem, fé, esperança e caridade. Ele floresceu por causa delas. Essas virtudes clássicas são “cruciais para a economia capitalista”, ao mesmo tempo em que a sustentam e são, em retorno, fortalecidas por ela.

Crisóstomo não teria conhecido termos como “ordem de mercado” ou “mão invisível”, mas compreendia uma verdade mais profunda. A bondade não pode ser fabricada por decreto. Ele depositava sua confiança no trabalho lento e paciente da formação moral. O que os defensores do livre mercado defendem hoje não é a indiferença moral, mas o realismo moral. A ordem emerge da ação humana livre, não da ameaça da força. Crisóstomo via isso com clareza. As tentativas de gerar virtude por meio da coerção não produzem justiça. Produzem ressentimento, dependência e decadência moral.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.  

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1 comentário em “A crítica moral ao socialismo feita por São João Crisóstomo”

  1. Politicos tem falha moral grave. Nao tem sentido dar mais poderes de controle social nas maos deles.
    No entanto, nesse pais temos os defensores de politicos. E o povo trouxa compra essa briga. Seu candidato ganha, eu me ferro por 4 anos. O meu ganha , vc se ferra por 4 anos, ao inves de irmos por um sistema que ninguem se ferra por oito anos.

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