Artigo atualizado em 06/04/2015
As
notícias estão por todos os lados e já são conhecidas por todos: a atividade industrial
está em queda há nada menos que quatro
trimestres consecutivos. São quatro
trimestres consecutivos de retração na atividade industrial.
Apenas
em fevereiro de 2015, houve um tombo na produção de quase 9% em relação a fevereiro de 2014.
Para
se ter uma ideia, em 12 meses, a quantidade de bens duráveis — mobiliário,
aparelhos eletroeletrônicos, jóias e bijuterias, automóveis novos e usados,
motocicleta e outros — produzidos pela indústria caiu
13,4%. Isso significa que há hoje
3,7% menos bens duráveis produzidos em território nacional e à disposição no
mercado do que havia há 12 meses.
Uma
das consequências desse mergulho da produção industrial é que o pessoal ocupado
na indústria em fevereiro de 2015 recuou
3,4% em relação a fevereiro de 2014..
A narrativa de sempre
Até
o momento, a explicação dada pela imprensa para essa queda da atividade industrial
é bastante convencional.
Segundo
os relatos, a inflação de preços em disparada estaria afetando o poder de
compra das famílias, e esse efeito da carestia estaria sendo intensificado pelo
elevado nível de endividamento das pessoas, que passaram a pagar mais caro pelo
crédito em decorrência do aumento dos juros. Com o consumo mais fraco, os estoques do
comércio aumentaram. Diante disso, os lojistas reduziram as encomendas à
indústria, que então cortou a produção.
Simultaneamente,
a indústria vem sofrendo com a política de aumento salarial do governo, com a
falta de mão-de-obra qualificada, com o excesso de burocracia, com uma
infraestrutura deficiente e com o excesso de impostos, o que faz com que as
empresas já não mais consigam competir com os produtos importados.
Para
piorar, a indústria também não estaria conseguindo competir no exterior porque
o governo não faz acordos comerciais e transformou o Mercosul em um clube
bolivariano.
Como
cereja do bolo, em vez de conquistar a confiança do empresariado, incentivando
os investimentos produtivos com regras consistentes, o governo preferiu intervir
em contratos no setor elétrico, tirando qualquer previsibilidade sobre quanto
custará a energia, item vital na planilha de custos da indústria.
Muito
bem.
À
exceção da parte que diz que a culpa é das importações — o Brasil é hoje a
economia mais fechada do G-20, e também a mais fechada do mundo em
termos de importação de bens e serviços como porcentagem do PIB –, o
diagnóstico até está correto, mas ainda está incompleto.
Culpar o câmbio não cola
Em
primeiro lugar, culpar o câmbio supostamente valorizado pelos problemas atuais
da indústria é algo que não tem o menor sentido econômico. Veja o gráfico da cotação do
câmbio. O câmbio está hoje quase 50% mais
desvalorizado do que estava em meados de 2010, ano da indústria pujante.
Vale
notar que o período do declínio industrial — a partir de meados de 2013 —
coincide totalmente com o período da desvalorização cambial mais intensa (veja mais detalhes aqui). Ou seja, foi justamente no período em que o
câmbio se comportou de maneira mais favorável às exportações — ao menos, segundo os economistas desenvolvimentistas –, que houve a queda
na produção industrial.
Logo,
culpar o câmbio não cola.
A real causa da desindustrialização
Descartado
o câmbio, resta aos economistas entender que a derrocada da indústria
brasileira possui outras raízes, as quais não poderão ser solucionadas com
políticas paliativas e pacotes do governo.
Pode
observar: em toda a sua história, a indústria nacional só não esteve ameaçada
naqueles momentos em que o governo praticamente proibiu as importações e impôs
uma reserva de mercado.
Portanto,
fica a pergunta: quais os principais fatores que afetam o desempenho
industrial?
São
dois: a inflação monetária e os impostos sobre a renda da pessoa jurídica.
Antes
de ir às explicações, duas outras perguntas complementares à resposta acima:
por que é difícil encontrar países com histórico de inflação alta que possuam
uma indústria robusta e eficiente? Da
mesma maneira, por que são exatamente aqueles países com histórico de moeda
sólida e baixa inflação que possuem indústrias eficientes e robustas?
E
então, como a inflação e o imposto sobre a renda da pessoa jurídica atuam para
prejudicar a indústria?
A
inflação monetária — gerada
pela expansão do crédito — aumenta a quantidade de dinheiro na
economia. Esse aumento da quantidade de
dinheiro na economia aumenta o volume de gastos das pessoas, aumenta o consumo
e, consequentemente, aumenta os lucros nominais
das empresas. Esse aumento dos lucros
nominais faz, de um lado, com que as empresas vivenciem uma situação econômica
que aparenta ser melhor do que na realidade é; de outro, faz com que o volume
de impostos sobre a renda que elas têm de pagar aumente na mesma proporção.
Simultaneamente,
a inflação monetária também encarece os preços dos bens de capital (máquinas),
os preços das peças de reposição do maquinário, os preços da mão-de-obra e
todos os demais custos operacionais (contas de luz, água, telefone, aluguel
etc).
Ao
final, as empresas, enganadas pelos falsos lucros gerados pela inflação, terão
feito investimentos errôneos e, ao mesmo tempo, terão menos recursos (os quais
foram confiscados pelos impostos) e terão de arcar com custos operacionais maiores,
o que significa que houve uma redução na sua capacidade de investimento.
A
inflação, portanto, gera um consumo de capital das empresas e afeta sua
capacidade de investir e de aumentar sua produtividade.
Para
entender como ocorre esse processo, são necessárias apenas algumas noções
básicas de contabilidade.
Em
primeiro lugar, para entender como a inflação cria uma aparência de lucros
maiores, é necessário saber que, por uma questão de regra contábil, os custos
que são computados nos balancetes das empresas são necessariamente
“históricos”, representam gastos feito no passado. Ou seja, as despesas são computadas antes de as
receitas serem auferidas. E é assim
simplesmente porque a produção é um processo que ocorre ao longo de um período
de tempo.
Mão-de-obra
e bens de capital têm de ser comprados meses — ou até mesmo anos — antes de
os produtos criados serem finalmente vendidos no mercado. Uma grande indústria, ao investir em máquinas
novas e ao contratar mão-de-obra para produzir novos produtos, só irá auferir
as receitas trazidas pela venda destes produtos muito tempo após este investimento. É comum o maquinário e as instalações serem
adquiridos vários anos antes de sua contribuição para o processo de produção
finalmente ocorrer.
Assim,
os custos em que as empresas incorrem para produzir seus bens, e que são
computados em seus balancetes, representam gastos monetários feitos com vários
meses, ou anos, de antecedência. E não são corrigidos ao longo desse
período — tanto porque não há como isso ocorrer quanto pelo fato de que
maiores lucros valorizam ações e satisfazem acionistas.
Se
a Volkswagen adquire hoje maquinários para produzir um novo modelo de carro que
só chegará às ruas daqui a dois anos, os custos deste maquinário serão
computados em seus balancetes hoje (entrarão como ativos, pois representam um
investimento). Já as receitas com as
vendas destes carros só serão auferidas daqui a dois anos.
Sendo
assim, quanto maior for a inflação monetária entre o período em que foram
feitos os investimentos e o período em que ocorrerá as vendas, maior será o lucro nominal desta operação.
Os
investimentos foram feitos em uma época em que a quantidade de dinheiro na
economia era menor, o que significa que os gastos com esses investimentos foram
menores do que seriam caso fossem feitos hoje.
Da mesma maneira, a receita com a venda dos produtos fabricados por
estes investimentos estão ocorrendo em uma época em que a quantidade de dinheiro
na economia é maior. As receitas são
maiores do que seriam caso as vendas ocorressem no passado.
Ou
seja, a inflação monetária ocorrida entre o momento dos investimentos e o
momento da venda dos produtos faz com que o lucro nominal da indústria aumente:
dado que os custos computados nos balancetes refletem despesas feitas lá no
passado, esse aumento nas receitas gerado pela inflação monetária irá
necessariamente aumentar os lucros da
indústria.
Quais
as consequências?
Imagine
uma economia em que a inflação de preços seja zero e a alíquota do IRPJ seja de
35%.
Suponha
que uma indústria tenha feito um investimento em mão-de-obra e maquinário de
R$850 milhões. E suponha que sua receita
bruta, ao final do ano, tenha sido de R$ 1 bilhão. Nesse caso, seu lucro nominal foi de R$ 150
milhões.
Com
uma alíquota de 35%, os impostos que ela pagará serão de R$ 52,5 milhões, o que
lhe deixará com R$ 97,50 milhões extras em caixa ao final do ano.
Como
a inflação de preços é zero, tanto os
custos operacionais quanto os preços dos materiais de reposição que ela terá de
adquirir no ano seguinte não se alteram. Logo, nenhum centavo deste lucro terá de ser
utilizado para arcar com eventuais custos adicionais para o ano seguinte, de
modo que a empresa começará o ano com R$ 97,50 milhões extras e disponíveis
para novos investimentos.
Agora,
suponha que uma expansão do crédito ao longo do ano eleve as receitas desta indústria
em 30% (embora pareça exagerado, o valor é equivalente ao IPCA acumulado ao longo dos últimos 4 anos).
Nesse
caso, a indústria terá agora uma receita bruta anual de R$1,3 bilhão, mas seus
custos operacionais computados continuarão
sendo de R$ 850 milhões. Assim, seu
lucro nominal será de R$ 450 milhões. Com
uma alíquota de 35%, os impostos que ela pagará serão de R$ 157,50 milhões, o
que lhe deixará com um lucro líquido de R$ 292,50 milhões.
Até
aí, ela parece estar em melhor situação.
Só que, por causa da expansão monetária, os preços e os custos também
subiram (no nosso exemplo, 30%).
Portanto, para o ano seguinte, todos os custos incorridos por esta indústria
— compra de bens de capital (máquinas), compra de peças de reposição do
maquinário, o salário da mão-de-obra e todas as demais despesas (contas de luz,
água, telefone, aluguel etc) — subirão 30%, o que significa que uma fatia de
seu lucro líquido terá de ser usada para bancar esse encarecimento.
No
nosso exemplo, os custos operacionais subirão de R$ 850 milhões para R$ 1,105
bilhão (aumento de 30%), o que significa um encarecimento de R$ 255 milhões.
Para
arcar com estes R$ 255 milhões adicionais, o dinheiro terá de ser retirado do
lucro líquido da indústria (de R$ 292,50 milhões), o que a deixará com apenas
R$ 37,50 milhões extras.
Ou
seja, em relação ao primeiro cenário, além de ter menos dinheiro para futuros investimentos,
a indústria terá agora de lidar com uma economia cujos preços estão 30% maiores.
Eis
um resumo:
Cenário 1 (inflação zero):
Receita:
R$ 1 bilhão
Custos
computados: R$ 850 milhões
Lucro
nominal: R$ 150 milhões
Imposto
de renda: R$ 52,50 milhões
Lucro
líquido: R$ 97,5 milhões
Aumento
dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 0
Fatia
do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano
seguinte: R$ 0
Capital
extra disponível para futuros investimentos: R$ 97,5 milhões
Cenário 2 (inflação de 30%):
Receita:
R$1,3 bilhão
Custos
computados: R$850 milhões
Lucro
nominal: R$ 450 milhões
Imposto
de renda: R$ 157,50 milhões
Lucro
líquido: R$ 292,50 milhões
Aumento
dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 255 milhões
Fatia
do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano
seguinte: R$ 255 milhões
Capital
extra disponível para novos investimentos: R$ 37,50 milhões (R$ 292,50 – R$
255)
Ou
seja, a inflação falsificou a contabilidade da empresa e gerou a ilusão de
lucros elevados. Mas estes lucros
elevados não apenas eram ilusórios, como na realidade deixaram a empresa com um
poder de compra menor do que ela teria em um ambiente não-inflacionário.
Quanto
maior for a inflação no período, maior será a ilusão contábil da empresa, e
consequentemente menor será a sua capacidade de fazer novos investimentos no
futuro.
O
exemplo numérico acima ajuda a explicar por que é raro encontrar países com
histórico de alta inflação que possuam uma indústria robusta e
competitiva.
Da
mesma maneira, ajuda a entender por que os países com histórico de moeda sólida
e baixa inflação — como Suíça, Alemanha pós-1948 e Japão pós-guerra — possuem
uma indústria forte, eficiente e produtiva.
Também
ajuda a entender por que a China só firmou a sua base industrial após ter
domado sua inflação a partir de meados
da década de 1990. Processo idêntico
ocorreu com
a Coréia do Sul.
Consequências
A
inflação, portanto, cria inicialmente um cenário de falsa prosperidade para a
indústria, que imagina ter lucros maiores do que realmente possui. Essa ilusão de prosperidade faz com que a
indústria faça investimentos que não são economicamente sensatos, mas que, por
causa da contabilidade falsificada pela inflação, parecem fazer todo o sentido.
À
medida que a inflação de preços vai encarecendo seus custos — em conjunto com
outros fatores, como a subida dos juros, o maior endividamento dos
consumidores, e o arrefecimento da demanda –, a situação da indústria começa a
se reverter, e todo aquele bom momento inicial se revela insustentável.
Seus
investimentos iniciais se revelam otimistas demais e sobredimensionados, o que
a leva a tomar medidas como redução de turnos, suspensão temporária de
contratos, férias
coletivas, redução
das horas de trabalho e corte
da produção. No extremo, há demissões
e o fechamento de fábricas.
(Aqui
vale um parêntese: uma eventual hesitação em recorrer a demissões é uma
característica específica do setor industrial. Na indústria, a retenção de mão-de-obra
costuma ser maior do que em outros setores porque o empregado industrial tende
a ser mais qualificado e mais bem treinado do que os dos outros setores. Sendo assim, o custo de demissão é elevado —
e, para contratar outra mão-de-obra novamente, há gastos com treinamento de
pessoal na fábrica e em cursos bancados pela empresa.)
Quanto
maior o histórico inflacionário de um país, mais obsoleta, atrasada e pouco
produtiva é a sua indústria. Eventuais
surtos de bonança são passageiros, e só ocorrem em épocas que sucedem períodos
de inflação de preços mais baixa.
É
por isso que não deveria ter sido surpresa nenhuma quando o próprio Ministro do
Desenvolvimento, Mauro Borges, veio a público confessar
que a indústria brasileira está envelhecida 17 anos em média, e que os
países mais diretamente concorrentes do Brasil contam com indústrias de 7 a 8
anos, na média. Na comparação com os
EUA, a coisa piora; a produtividade brasileira é de apenas 20% da produtividade
da indústria americana.
Com
o nosso histórico inflacionário, realmente não tinha como a indústria nacional
não estar envelhecida. E não tem como
ela ser produtiva.
Infraestrutura também é afetada
Não
é apenas a indústria. A inflação também afeta
toda a infraestrutura estatal do país, de rodovias e ferrovias a portos e
aeroportos.
À
medida que a inflação monetária aumenta as receitas tributárias do governo, os
políticos agem como se realmente possuíssem mais receitas, e saem expandindo os
gastos do governo e concedendo aumentos ao funcionalismo, ignorando a
necessidade de dedicar uma parte dessa receita adicional para a manutenção e o
reparo dessas infraestruturas, cujos custos também aumentaram.
O
resultado são estradas esburacadas, aeroportos saturados, ferrovias em
frangalhos, portos com serviços extremamente lentos, túneis que desabam e
sistema de saneamento ruim e pouco abrangente.
Conclusão
Durante
a época da hiperinflação no Brasil, praticamente nenhuma indústria fazia
planejamento de longo prazo, pois era impossível saber exatamente quais eram os
custos reais e quais eram os lucros genuínos.
Após
a estabilização da economia, a redução da inflação e a abertura dos mercados —
o que permitiu a importação de maquinário de boa qualidade –, a indústria
nacional ganhou algum vigor.
Entre
1999 e 2010, a inflação acumulada em qualquer período de quatro anos sempre foi
menor do que a inflação acumulada no período de quatro anos imediatamente
anterior. (Por exemplo, a inflação acumulada entre 2007 e 2010 foi menor do que
a acumulada entre 2003 e 2006). A partir
de 2011, no entanto, houve uma grave reversão desta tendência. E parece que essa reversão pegou a indústria de
surpresa.
Qualquer
tentativa de revigorar a indústria que não passe pela redução da inflação não
terá nenhum efeito. E desvalorizar o câmbio, uma medida que gera ainda mais carestia, irá apenas piorar as coisas. (Aliás, isso já está acontecendo: nos últimos 3 anos, justamente o período de mais intensa desvalorização cambial, as exportações caíram continuamente, ano após ano).
Além
do problema da inflação, eis uma pequena fatia da carga tributária que incide
sobre a indústria nacional: IRPJ de 15%, mais uma sobretaxa de 10% sobre o
lucro que ultrapassa um determinado valor, mais CSLL de 9%, mais PIS de 1,65%,
e mais COFINS de 7,6%.
E
não nos esqueçamos também da burocracia, das regulamentações restritivas, dos
encargos trabalhistas e sociais, e dos sindicatos.
Sem
que todos esses problemas sejam atacados, não haverá nenhuma solução
minimamente viável. O encolhimento da indústria
brasileira não será revertido por meio de medidas paliativas, por empréstimos do BNDES ou por sucessivos
pacotes reciclados pelo governo. Se a
inflação, a carga tributária, a burocracia e a infraestrutura (necessária para
reduzir os custos operacionais e para escoar os bens produzidos) não forem
atacados, a produtividade e a competitividade da indústria continuarão em
declínio.
Por
fim, é válido enfatizar que deixar indústrias obsoletas quebrarem é mais
economicamente sensato do que tentar salvá-las com os paliativos de sempre, com
mais subsídios, mais reservas de mercado, mais proteção cambial e mais tarifas
de importação.
E
isso nos leva às perguntas que realmente interessam: o país realmente tem a
propensão para produzir coisas valiosas? É economicamente sensato tentar produzir
todas as linhas de industrializados no Brasil, de panelas e pentes a navios e
satélites? Por acaso cortar,
entortar e rebitar ferro — tarefas que um xing-ling é capaz de
executar a custos irrisórios — são coisas economicamente prementes para o
país ou será que o governo quer que isso seja feito apenas para exibir estatísticas de
produção industrial?
Tentar
manipular o câmbio e proibir brasileiros de comprar produtos estrangeiros e de
maior qualidade com o intuito de exibir estatísticas positivas para a balança
comercial servirá apenas para inflar as contas bancárias dos barões da
FIESP. Não podemos ser obrigados — por
causa da incompetência do governo — a comprar porcarias fabricadas em solo
nacional em detrimento de produtos de maior qualidade fabricados no exterior.


Caro Leandro,
Parabéns pelo seu excelente artigo e pertinente análise. Análises deste calibre despertam muito mais o interesse dos leigos (como eu) pelas ideias e metodologia de MISES do que artigos de carater politico como aqueles que foram publicados recentmente.
“Apareça” por aqui mais vezes, sua analise sempre traz discernimento aos leigos.
Cesar
Caríssimo Leandro, graças por + este artigo. O trabalho que você vem desempenhando de educar e despertar ao longo destes teues anos no IMB é inestimável. D’us te abençoe por isto, pois só o Eterno pode te recompensar à altura.
O artigo consegue ser melhor do que a foto de Mantega com aquela carinha de “ai, meu Deus, o que é que eu faço agora?”. Valeu, Leandro!
Excelente artigo, sem duvida uma verdadeira aula.
Leandro: Parabéns pelo belíssimo texto. O final foi em grande estilo:
”Não podemos ser obrigados — por causa da incompetência do governo — a comprar porcarias fabricadas em solo nacional em detrimento de produtos de maior qualidade fabricados no exterior.”
Uma duvida: No período de pujança industrial que citou, você atribui algum mérito aos governantes da época?
Excelente artigo!
Com relação à esse exemplo: “túneis que desabam” poderia ser incluso o exemplo “viadutos que desabam”, com um link para, por exemplo, essa notícia:
g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2014/07/viaduto-desaba-sobre-caminhoes-carro-e-micro-onibus-em-bh.html
Leandro, ótimo artigo, como sempre.
Na parte dos impostos, você esqueceu do maravilhoso ICMS. Aqui em SP ele é de 18%, sendo que o próprio valor do imposto entra na base de cálculo da operação. Vai vender alguma coisa por R$ 100? Sua base de cálculo vai ser R$ 118. Pois é, a indústria paga imposto sobre o próprio imposto.
E olha que nem entrei no mérito da substituição tributária.
A inflação torna o cálculo econômico praticamente impossível, nos cálculos acima o Leandro usou o IPCA, porém acredito que a inflação para uma indústria está bem acima deste índice, agravando ainda mais o problema.
A carga tributária aumentou muito nos últimos anos.
A burocracia aumentou muito também, vide a legislação do ICMS e a guerra fiscal entre os Estados, o que abre ainda mais margem para apadrinhamentos e ineficiência. Sem falar nas desonerações do IPI, que serve ainda mais para desalinhar os investimentos eficientes…
Quanto ao dólar, na minha humilde opinião, está valorizado, talvez o aumentou da taxa de juros ultimamente e as intervenções do Banco Central deram uma segurada. Em julho saiu o levantamento do índice big mac, o que parece reforçar esta visão.
Leandro, quanto ao dólar sua visão é a de que ele está valorizado ou desvalorizado? E tu poderia colocar na sua opinião, o porquê do governo o manter assim.
Excelente texto.
Tão importante quanto entender as causas e consequências de políticas econômicas (das mais sensatas [a virtual ausência de políticas econômicas] às menos sensatas [intervencionismo brutal]), é também entender como os incentivos dentro da política motivam a escolha logo das menos sensatas.
É um ponto importante para clarificar para as pessoas que pensam que (a intervenção econômica do) estado é um instrumento cujos interesses coincidem com o “do povo” e serve para remediar o suposto mal do livre-mercado.
Pelo contrário, ao observar as causas e consequências da sensatez econômica, na medida do possível no cenário fortemente intervencionista que temos em todo lugar do mundo (moeda forte, baixa inflação, baixa tributação, etc) e da loucura econômica (expansão de crédito, desvalorização cambial, controle de preços, alta tributação, protecionismo, etc), também é possível observar por quê o interesse de curto prazo do estado se volta para a insanidade econômica.
Tal observação bota a desconfiança devida na intervenção estatal. Mesmo os defensores de determinadas intervenções aqui e ali largam o papo místico do altruísmo estatal e tomam mais cuidado com o que defendem ao entenderem que o estado está longe de representar o interesse coletivo, mas que tem seus próprios interesses e poder político (uso de coerção e violência) para buscá-los das formas mais predatórias.
Leandro
Primeiramente, parabens pelo texto. Na teoria economica, voce esta mais que certo.
Eu gostaria apenas de fazer um contraponto pratico, para sua apreciação.
Trabalho em uma industria familiar, então tenho conhecimento de causa. Realmente, pelos motivos que voce citou, é muito dificil a atividade industrial no Brasil. Nossas industrias realmente sao defasadas, na maioria dos casos.
O que me irrita um pouco, é que na maioria dos casos, essa defasagem é causada pelas dificuldades inerentes a atividade industrial no Brasil (citados por voce no texto), e não por incompetencia dos industriais. Toda vez que vejo textos sobre atividade industrial, noto um vies que da a entender que o industrial brasileiro é incompetente, e que todos sao baroes da FIESP, o que não é verdadeiro. Ja visitei industrias em muitos paises, e o empresario brasileiro nao é menos capacitado.
Quanto ao cambio, vou tentar explicar porque alguns industriais defendem o cambio desvalorizado: os problemas de competitividade da industrias são causados pelo governo (impostos altos, infraestrutura ridicula, leis trabalhistas stalinistas). Como esses problemas NUNCA são resolvidos, a unica maneira que a industria local tem para sobreviver é a desvalorização do cambio. Em condições de cambio baixo, é simplesmente IMPOSSIVEL CONCORRER COM A MAIORIA DOS PAISES ESTRANGEIROS, POR MAIS COMPETENTE QUE VOCE SEJA.
Nao estou dizendo que isso seja o correto, o correto seria atacar os problemas citados nos texto. Porem é uma questao de sobrevivencia. Simples assim. Espero ter contribuido.
Abraço
Rapaz, que aula! Sabe quando dizemos: “entendeu ou quer que eu desenhe?”, pois é, você desenhou! Parabéns e muito obrigado Leandro!
Parabéns, Leandro.
Mais um excelente artigo!
Excelente lição, Leandro. Uma refutação quase que intencional ao tradicional modelo de industrialização à moda do governo: desvalorização monetária, tarifas, subsídios & inflação – quando não há o próprio governo utilizando o último para fundar suas próprias ‘indústrias de base’ que em poucos anos atingem níveis medievais (espero que esta ideia de criar estatais e semi-estatais para empurrar o setor já esteja morta).
Ler esse artigo do Leandro e essa reportagem da exame (A era das fábricas inteligentes está começando) exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1068/noticias/a-fabrica-do-futuro, só me deixa mais desanimado com o futuro deste país.
Está havendo uma nova revolução industrial no mundo e nós aqui no Brasil discutindo em quem votar, se num Partido bolivariano e antidemocrático (PT) ou num socialista light (PSDB).
E a dúvida é: como se proteger da inflação no longo prazo e se preparar para não depender da previdência pública?
Estranho sistema tributário! Como é que o próprio imposto pode entrar na base do cálculo da tributação.
Pergunta: os empresário,pelo menos os grandes,que são muito competentes em fazer lobbys políticos, (para adquirir proteção do governo, por exemplo) porquê permitem que o governo lhes inflijam uma carga tributária deste jeito? Porquê permitem que o governo permita uma inflação que lhes diminua o lucro assim? Não são eles bons em articular lobbys para alguns fins que lhes são convenientes, porquê não quando se trata da corrosão imposta pela inflação?
Alguém poderia responder, por favor?
Obrigado
Muito bom o artigo mas ao descartar o Dólar não usou argumento convincente para mim. O governo está vendendo no mercado futuro dólares para segurar o preço e atuando também no mercado presente para isto. Se eu falar que estou 35% mais magro não quer dizer que agora sou magro, pode ser que só esteja menos gordo.
Acho que as duas explicações podem se complementar tanto o dólar está valorizado quanto a inflação pressiona a indústria e sim sou a favor de concentrarmos somente na industria que somos competitivos sem ajuda governamental.
Estudo ciências contábeis, e meu professor de finanças estava falando sobre o assunto deste artigo. A diferença é que o enfoque dele era o balanço patrimonial. Muito bom este artigo do mises.
Perfeita análise, parabéns pelo excelente trabalho.
Leandro, e o papel dos bancos nesse história? Hoje, no Valor, o Steinbruch reclama dos “juros abusivos” cobrados pelos bancos …Queria saber seu comentário sobre isso
Artigo fantástico.
Fico triste com uma coisa. Compartilhei a matéria no Facebook já faz umas 3 horas. NENHUM “like” ou “share”. Quando posto uma piada ou imagem engraçadinha em minutos um monte de “likes”.
É uma pena que para mudar nossa situação o brasileiro tem que primeiro se interessar por leituras de textos do nível deste artigo. E vejo que ainda vai demorar. pra isso acontecer.
Grande abraço.
O Leandro tem o dom de usar os fatos para nos mostrar como é clara a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos.
Incrível como ela é boa para explicar essas crises malucas que ninguém entende por aí…
Leandro, adianta aí qual vai ser o tema da sua apresentação lá no seminário!
Artigo nota 10. O último parágrafo foi nota 20. Sensacional.
Será que se eu compartilhar esse artigo no facebook com a equipe do Skaf, eles ficariam com raiva? Vou fazer isso só pra ver se algum deles responde. Abraço.
Os artigos do Leandro são uns dos melhores.
Atualmente, a política industrial da Dilma é uma cópia da política industrial/cambial de José Alfredo Martínez de Hoz (1925 – 2013). A destruição da indústria nacional, pela política cambial absurda, sem qualquer investimento real em infra-estrutura ou educação. Ver site es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Alfredo_Mart%C3%ADnez_de_Hoz
Então a inflação tem duplo efeito de tributação porque além de ter dinheiro criado, ela aumenta artificalmente o lucro das empresas que por sua vez é a entrada do cálculo de imposto. Correto?
Leandro, boa noite.
Parabéns pelas colocações.
Fiz uma viagem de negócios pela Áustria e Alemanha no mês de Julho.
Visitei fábricas de implementos agrícolas e percebi que estamos 50 anos atrasados. Ou seja, as máquinas que nossa indústria produz são as máquinas que eram produzidas 50 anos atrás na Áustria e Alemanha. As máquinas que usamos hoje são as que estão nas fotos antigas pregadas como decoração nos escritórios das fábricas européias.
Pois bem, caso as importações fossem liberadas, ou, caso a indústria nacional pudesse se desenvolver, a produção nacional de leite iria dobrar. Desta forma, a proteção da indústria nacional neste caso está gerando um gigantestco prejuízo ao país. Os empregos gerados no campo seriam infinitamente maiores que os perdidos pelas indústrias.
Enfim, o imposto de importação inviabiliza a importação do equipamento. E, todos os produtores preferem comprar máquinas improdutivas porque o mais importante é que os juros do BNDES são muito baratos.
Será que um dia mudaremos a visão? E conseguiremos enxergar analiticamente cada situação?
Grato,
Ivo
Olá Leandro,
Gostei do artigo, mas fiquei com uma duvida, não seria procedimento padrão ajustar o valor nomianl dos investimentos de 2 ou mais anos atras para a inflação do periodo até o calculo do balanço?
Isso me parece algo muito óbvio para escapar aos contadores, a menos que o governo desconsidere os ajustes e considere apenas os valores nominais para cobrar imposto, é isso o que acontece?
Grato!
Curioso que não era Paul Krugman que estava revoltado pq a industria alemã era tão produtiva ? que estava oprimindo os outros países do Euro.
Pelo que se deduz, a inflação alta gera mais arrecadação de impostos para o governo. Tira dinheiro da sociedade que seria investido na produção.
Parabéns pelo artigo Leandro. Ficou bem legal.
Queria saber sua opinião sobre essa obsessão que alguns economistas têm com o câmbio.
Eu estava pensando aqui com o meus botões… as exportações brasileiras são essencialmente compostas por produtos primários como soja, minério de ferro, carne bovina, café, petróleo bruto, açúcar e frango, certo? Não é toda empresa brasileira que exporta. Acredito eu, que as empresas brasileiras exportadoras devem ser, via de regras, empresas bem grandes.
Por que se assume uma alta taxa de câmbio (desvalorização o real) ajudaria o Brasil a se industrializar? Não ficaria mais difícil de importar maquinário? Não fortaleceria apenas essas grandes indústrias que já recebem outros tipos de benefícios? Não consolidaria o papel de exportador de commodities ao Brasil?
Há alguma pesquisa séria para o Brasil que demonstre a relação entre industrialização e taxa de câmbio?
Obrigado. Abraços.
Uma correção: a reportagem do Estadão fala de quarto MÊS consecutivo, não de quarto TRIMESTRE consecutivo.
Obrigado.
Em primeiro lugar, eu gostaria de cumprimentar o autor pelo elucidativo artigo. Uma análise explicando um assunto assim, de interesse de uma nação mas polêmico, sob medida para qualquer entendimento não é coisa que se vê por aí. Sem esquecer de mencionar os colegas que sempre perguntam e/ou puxam o texto para além do que foi.
Não mais importante, eu gostaria de encarecidamente sugerir que sejam escolhidas melhor as imagens. Por exemplo nesse artigo poderia ter sido escolhida uma em que o nosso atual Ministro da Fazenda apareça com uma imagem mais séria ou austera. Eu li o artigo e os comentários, mas minhas impressões mais revoltantes sobre o assunto se desmancham em um pouco de escárnio toda vez que olho a imagem inserida (será que isso só acontece comigo?). E isso não é correto; juro que estou me sentindo muito mal por isso. Mas como eu sou um pouco uma alienígena, então leve em conta também a possibilidade de essa ser apenas uma visão distorcida minha, e desconsidere a sugestão.
Muito obrigada pela atenção.
Mais um artigo arrebatador do Leandro Roque. É admirável a lucidez de suas palavras e a sinceridade de seu iniciativa.
Se o Brasil fosse um país sério, o Leandro já estaria assinando a coluna de economia de algum grande jornal.
Siga com esse nobre trabalho.
Abraços.
Tem algum artigo que mostre como a inflação atrapalha o próprio Estado? Incrível como as burradas do Estado atrapalham ele mesmo…
Bom artigo.
ALGUÉM teria mais textos sobre esse fenômeno?
Obrigado
Belo artigo. Ficou bem evidente nos exemplos numéricos apresentados como a inflação pode atrapalhar a percepção de resultados do empresário. O artigo comentou rapidamente a questão a energia elétrica que é aplicado diretamente na conta do balanço empresarial. Fico imaginando o estrago que causa os planos governamentais de ação direta na economia. Economia tem um equilíbrio, seja ele natural ou forçado. Dizem que o governo está segurando o preço da gasolina e dizem que isso está afetando a indústria de álcool. A um tempo atras houve forte incentivo para industria alcooleira. Eu particularmente prefiro beber álcool à gasolina. Dizem que é possível comprar ferramentas metálicas na china mais barata que a matéria prima que se compra aqui, e o brasil é que exporta o minério de ferro. Será que isso ocorre porque na china tem carvão e transformam o mineiro em aço com mais eficiência? Ou será que é um dos poucos subterfúgios que temos para conseguir um pouco de dólar? As industria de ferramentas se transformaram em importadoras.
O que quero dizer é que além da inflação temos o efeito secundário de uma ação direta do governo na economia. Como ele é soberano e ele define as regras e essas regras mudam a todo momento o empresariado nacional além do calculo inflacionário deve ficar atento as medidas protecionistas. Quando a proteção governamental no setor acaba muitas empresas quebram pois certamente estavam participando de uma micro “bolha”.
Prezado leandro
Me informaram do mises em um blog que frequento. Parabens pelo seu artigo. Excelente.
Sou apartidario e servidor publico – auditor fiscal do trabalho.
De antemao digo que tudo que vc falou esta correto. Apenas gostaria de comentar sobre a questao dos encargos trabalhistas.
Seu artigo foi jornalistico e imparcial. Perfeito. Acontece que sj to grande dificuldade em aceitar um sistema produtivo em que nao seja garantido o que chamamos de “trabalho decente”. Confesso que prefiro pagar mais por um produto e saber que todos da linha produtiva podem comer do que ser apenas economico.
Digo isso por causa do que vem sendo pregado no brasil, de que o trabalhador xing ling eh uma opcao. Sinceramente discordo. Nao eh, nem nunca serah. Trabalhadores sem banheiro nem agua, para mim eh demais.
Enfim, novamente parabens pelo trabalho
Muito interessante Leandro. Uma dúvida..
Não existe nos países hoje um cenário com inflação nula, ela sempre será mínima, mesmo nos países que tem indústrias robustas. Ou seja, baseando-se nos cenários que você assumiu (inflação 0 e 30%) o valor no caixa sempre será menor que os 97,5 milhões por menor que seja a inflação.
Então, os empresários de países de inflação baixa ainda sim terão menos caixa para investimento. Qual o critério para saber a partir de quantos % da inflação irá causar problemas?
Prezado Leandro, em sua opinao porque a contabilidade, os contadores e os cursos de contabilidade sao tao desprezados no Brasil. Em paises mais desenvolvidos acontece a mesma coisa?
Muito bom texto, mas enquanto lia uma dúvida não me saia da cabeça. Levar em consideração o lucro real, descontado a inflação do período, ao invés do lucro nominal não evitaria esse todo esse problema nos investimentos? Empresas como a Wolksvagem, e empresas menores, não contariam com a inflação na apuração dos resultados? As variáveis reais são o que realmente importam no final das contas. O principal problema da inflação, ao meu ver, estaria no fato da mesma deteriorar o poder de compra dos agentes econômicos, causando uma queda na produção, demissões e desestimulo aos investimentos.
Obrigado pela atenção.
Com todo respeito, mas culpar a inflação e excluir o câmbio, como motivos da derrocada da indústria é uma explicação totalmente deslocada da realidade. Assim como o joão eu também tenho uma pequena indústria e vejo o dia a dia da situação, então vou falar minha visão da coisa.
Digamos assim, a inflação realmente atrapalha bastante os negócios, tirando a previsibilidade do negócio. Mas, quando a inflação fica estagnada num patamar estável, ainda dá pra fazer as contas, tirar seus impactos e tocar projetos de investimento adiante. Então, se vc sabe que a inflação vai ser 6% no próximo ano, já vai colocando isso nas contas, e no final tem uma cálculo razoável.
O problema é quando a inflação começa a galopar como está acontecendo agora e do dólar não acompanha. Os funcionários pressionam por salários, os fornecedores pressionam pra repassar seus preços e os compradores pressionam pra não receber os repasses. Como o dolar não acompanha, voce não pode repassar para o preço final todos os aumentos de custos, pq o produto internamente tem q ter o mesmo preço do mercado externo, ou vc será substituido. Resultado que sua margem de lucro é pressionada.
Nos últimos 8-10 anos, por aí, vimos o dolar caindo de uns 3,50 lá em 2002 (que equivaleriam a uns 7 pila hj), para até 1,60 no período. No mesmo tempo vimos os custos internos, em termos nominais, triplicarem. Resultado: em diversas indústrias os preços de venda interna ficaram praticamente estabilizados ao passo que os custos dispararam. A margem de lucro q era absurda lá em 2002, foi caindo… caindo… caindo.. até chegar num ponto que a para a indústria, na média, simplesmente parou de ser interessante continuar investindo e aumentando a produção. Ninguém investe para não obter retorno compatível ou abaixo do que acha no mercado financeiro. Ao meu ver isto foi lá por 2007. De 2008 até hoje a indústria está praticamente no mesmo patamar. Continua trabalhando, pq na maioria dos setores é impossível vc desinvestir uma fábrica inteira e conseguir algum retorno por isso. Então você continua trabalhando, esperando q melhore, tomando pequenso prejuizos, ganhando pequenos lucros. MAS CERTAMENTE NAO INVESTE MAIS. Então o dólar explica sim, uma parte significativa das coisas. No tete-a-tete não interessa se a maquina custa 200 mil dolares e 400 mil ou 800 mil reais. Interessa que colocando na ponta do lapis, no fim das contas, montar a operação dê um retorno sobre o investimento.
Se de 2010 pra cá o dolar subiu 35% e mesmo assim a indústria não reagiu, boa parte da explicação é pq os custos subiram na mesma proporção. E em 2010 a indústria já estava definhando. Desde 2008, a grosso modo, só um setor relevante tem investido bem, que é o de automoveis. Esse cresceu uns 45-50% no periodo. Quase todo o resto da indústria tá afundando vagarosamente. Mas tá afundando. Não pq não tem o maquinário mais moderno que poderia ter comprado com o dolar baixo, mas pq para trabalhar no Brasil, com essa ineficiência, burocracia, leis anacronicas e infraestrutura medieval, nem tecnologia alienígena dá conta. Alguns setores específicos, algumas empresas específicas podem até prosperar. Um outro bom tanto da indústria pode se segurar, sobreviver. Mas no geralzão, dado que reformas nunca sairão, a saída deveria ser pelo câmbio. O câmbio livre certamente já estaria bem acima do patamar atual. Mas com governo continuando a deteriorar as condições internas, e segurando a cotação da moeda via BC, não dá pra esperar algo muito melhor no futuro próximo. A indústria vai continuar a putrefar.
Ótimo artigo, Leandro!
Leandro, desculpe por estragar seu dia com a seguinte notícia, mas acho que você deveria ver isto. O que dizer sobre isso?
carplace.virgula.uol.com.br/bc-injeta-25-bilhoes-na-economia-credito-para-veiculos-sera-estimulado/
Leandro, certamente concordo com a questão central do artigo, mas vejo que não é assim tão simples de definir os preços, já que conforme ocorrer a escalada inflacionária vários gastos da empresa irão sim sofrer reajustes por parte dos fornecedores. Os ativos propriamente ditos realmente não, mas várias despesas administrativas, por exemplo, sofrerão reajustes nominais conforme a escalada de preços, então o gap não será tão grande assim.
Uma dúvida: o mesmo problema da inflação maquiar a contabilidade também ocorre com o setor de serviços e agrícola, correto? Por que no caso da indústria o processo se intensificaria em relação aos outros?
Leandro, seus artigos são simplesmente FANTÁSTICOS!
Muito bem argumentado, muitos dados e com excelente escrita.
Meu sincero MUITO OBRIGADO!
Um desabafo aos amigos virtuais do Instituto Mises Brasil.
De segunda-feira até ontem, dia 27 de agosto, tivemos a Semana Acadêmica de Economia na Unioeste de Francisco Beltrão, Paraná. O tema foi a indústria brasileira. De modo geral, até que foram construtivas as falas dos preletores. Ontem, no entanto, o Dr. Oreiro, o presidente da Associação Keynesiana Brasileira, o palestrante da noite, teve atitudes deploráveis, além de defender uma teoria furada. Tudo o que ele disse pode ser resumido numa única sentença: câmbio valorizado causa desindustrialização e é isso o que está ocorrendo atualmente no Brasil.
Primeiramente eu havia feito uma pergunta escrita, com viés de crítica, dizendo conter imoralidade e irracionalidade na política de desvalorização do real a fim de fortalecimento da indústria, pois esta ocorre em detrimento do padrão de vida de toda uma população. Ele, talvez por não ter entendido a pergunta, criou um espantalho e começou a esbofeteá-lo, criando um cenário deplorável para o futuro do Brasil caso não tenhamos essa política de desvalorização. Chegou ao absurdo de citar a Alemanha Oriental como fosse um desastre da manutenção da política monetária atual. Após o fim das perguntas escritas, foi solicitado se alguém tinha algum comentário ou pergunta final a fazer. Eu pus-me de pé e critiquei a desvalorização do real, dizendo que economias que ele tanto citou como industrializadas – como a Alemanha e o Japão – desenvolveram sua indústria com moedas fortemente valorizadas. Ele desviou do foco citando um fato dos anos noventa a respeito de uma ligeira recuperação da indústria de um país europeu devido uma desvalorização da moeda. Eu respondi dizendo que a Alemanha, após a Segunda Guerra, além do marco fortemente valorizado, adotou o modelo econômico chamado ordoliberalismo. Antes desse período, que vai de 1945 a 1947 o regime econômico alemão – estrutura produtiva e institucional – ainda era nazista. Eu já estava citando o burocrata responsável pelo sucesso alemão, economista liberal Ludwig Erhard quando o senhor Oreiro, na sua ignorância, interrompeu-me e disse para eu estudar, encerrando grosseiramente a sua fala…
No segundo dia, o palestrante era um representante da Fiep – Federação das Indústrias do Paraná. Eu me surpreendi, pois ele criticou severamente a posição atual do governo através do incentivo ao consumismo e disse ser necessária maior liberdade econômica ao setor industrial: menores regulações e menor carga tributária. Em nenhum momento sequer tocou na questão do câmbio. Tive que aplaudir o cara.
Na próxima edição da Semana Acadêmica vou procurar convencer a direção do curso para trazer um membro do IMB para discorrer sobre o assunto que for. Se não nos mobilizarmos, jamais estaremos livres dessas maldições intervencionistas e imbecilidades acadêmicas.
Um grande abraço à equipe IMB e a seus seguidores.
Leandro, melhor que os seus artigos, só as suas respostas às perguntas e refutações. Parabéns, mais uma vez, por todo o trabalho.
Grande abraço,
O IMB poderia fazer um artigo mostrando as dificuldades que o empresario e empresas brasileiras, como as pequenas, sofrem aqui no Brasil com um olhar mais “Micro”? (Não necessariamente os assuntos que englobam a Microeconomia). Tipo, o dia-dia de uma empresa e seus problemas com a complexidade, alguns exemplos como a MALDITA Substituição Tributária. Ou isto estaria fora do foco do site?
Aproveito o espaço para instigar pessoas sérias a comprovar minha teoria sobre o atraso econômico do Brasil: O problema consiste na evidente falta de carvão de boa qualidade.
Até 1750 os países europeus que possuíam bom carvão e ferro tinham boas armas e bons utensílios, usados como fonte econômica.
Após a Primeira Revolução Industrial a situação se acentuou com as máquinas a vapor, quando Inglaterra e Austria-Hungria se sobressaíram, paralelo a esses os EUA foram o maior objetivo de investimento europeu, pois lá se encontra bastante carvão bom e bastante ferro.
Após a segunda Revolução então as diferenças entre os europeus e norte-americanos se tornou mínima em competitividade. E nós, do Brasil, não podíamos competir em nada…
Espero que gostem, pois não aguento mais ouvir esse silêncio sobre o atraso econômico
É triste ver que as causas e soluções do problema são conhecidos, mas são simplesmente ignorados por dogmatismo e que a situação provavelmente vai piorar.
* * *
Leandro como ficaria o balancete dessa empresa num cenário de deflação leve,de mais ou menos 0,5% q nem acontece agora nos países mais afetados pela crise do Euro?
Leandro, por que há expectativa de inflação alta no futuro sendo que a base monetária está decrescendo (varição anual), e o M1 mais ainda (os meios fiduciários estão negativos)?
Obrigado, abraço!
Leandro.
Inicialmente Boa Tarde.
Ao ler as análises citadas acima, bem como, o trabalho desenvolvido pela FIESP, como
também, os trabalhos desenvolvidos por 25 economistas renomados do Brasil, com base no
10º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, ocorrido em 30 de setembro de 2.013, observa-se em síntese os seguintes dados:
As Indústrias de Transformação que participavam na formação do PIB brasileiro em 1.995
com 27,2 %, no exercício de 2.014 deverá atingir somente 13,5 % ou seja, uma perda de
” SHARE ” de somente 50,4 % pontos e se nada for feito, uma projeção para continuidade
do cenário atual : perda de dinamismo da economia doméstica, vindo a representar no
ano de 2.029 uma participação de 9,3 % , onde poderemos dizer níveis incompatíveis com o desenvolvimento econômico e social almejado pela sociedade brasileira.
Nos últimos 10 anos, enquanto a ” Produção Física Industrial” teve um crescimento de
23,9% o ” Comércio Varejista ” veio a apresentar uma variação acumulada de mais de 109,6 %.
Isto só vem a demonstrar, as grandes distorções existentes no tratamento dado aos segmentos citados.
Podemos concluir que o cerne da questão não tem sido o ” Setor Industrial ” mas sim
o cerne da riqueza é o conhecimento. Mas sim o de reduzir o percentual total da indús
tria na economia e de aumentar a riqueza das massas por meio dos serviços.
Se isto é uma verdade, um País tem que ter um equilíbrio sustentado, para administrar
esta posição, pois, ao redor do mundo as nações industrializadas terceirizaram suas bases manufatureiras para os países extremamente pobres, onde o custo da mão de obra é bem mais barato, vindo a competir com os produtos desenvolvidos no mercado mundial.
Ou seja, cada vez mais, os países mais desenvolvidos, tornando-se mais ricos, em de –
trimento dos países em desenvolvimento.
Diria também, como estimular o parque industrial brasileiro, visando tornar esta situ
ação mais sustentável, se nada for feito.
Qual a solução que poderemos encontrar para darmos início nesta nova posição, diria
então, que nos trabalhos apresentados, não vim a encontrar nenhuma solução que real –
mente viesse a contemplar esta necessidade.
Será que a resposta é simples, eu diria que não, mas uma somatória de medidas de âm-
bito nacional poderiam ser desenvolvidas, para reverter este quadro,e a partir destas medidas factíveis, melhorar substancialmente o quadro da ” Participação da Indústria de Transformação ” na participação do PIB brasileiro.
Como resposta, temos o nosso próprio desenvolvimento das ” Vendas do Comércio Varejis
ta ” como resposta, ou será que esta distorção ainda não foi observada.
Exemplificamos: Enquanto uma indústria demora para desenvolver um simples ferramen –
tal em tempo ” 1 ano ” o varejo consegue colocar no mercado no prazo aproximado de
2 meses.
A síntese da resposta está aí……….
Vamos pensar juntos………………..??
Leandro,
Concordo com esse artigo. Não sei se estou correto, mas acredito também que haveria menos inflação se as empresas investissem mais com capital próprio, ficando assim menos alavancadas. Os empréstimos bancários podem fazer a demanda crescer acima da produtividade, levando ao aumento geral de preços. Por outro lado, um aumento de demanda induzido por um investimento originado de um aumento do capital próprio das empresas não levaria à inflação.
Diante desses fatos, o governo poderia reduzir ao máximo possível o imposto de renda, pois deste modo o capital próprio da empresa aumentaria e ela teria maior capacidade de investimento, dependendo menos de bancos para se manter. O ideal, se for para ter imposto, que seja somente o indireto no consumo que dá uma certa flexibilidade de pagamento ao contribuinte.
Por fim, vejo que o conjunto de incentivos de nosso sistema econômico é perverso, pois pune quem é mais responsável financeiramente. Ele obriga todas as pessoas a se endividarem muito e correr riscos excessivos para obter ganhos significativos.
Leandro, li novamente este seu artigo e dei um prosseguimento à sua simulação de inflação sobre os lucros reais de uma firma:
Eis sua parte:
" Cenário 2 (inflação de 30%):
Receita: R$1,3 bilhão
Custos computados: R$850 milhões
Lucro nominal: R$ 450 milhões
Imposto de renda: R$ 157,50 milhões
Lucro líquido: R$ 292,50 milhões
Aumento dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 255 milhões
Fatia do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano seguinte: R$ 255 milhões
Capital extra disponível para novos investimentos: R$ 37,50 milhões (R$ 292,50 – R$ 255) "
Prosseguindo…
Ano 2 (inflação de 30%):
Receita: R$ 1,69 bilhão
Custos computados: R$ 1,105 bilhão
Lucro nominal: R$ 585 milhões
Imposto de renda: R$ 204,75 milhões
Lucro líquido: R$ 380,25 milhões
Aumento dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 331,5 milhões
Fatia do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano seguinte: R$ 331,5 milhões
Capital extra disponível para novos investimentos: R$ 48,75 milhões (R$ 380,25 – R$ 331,5)
Após uma política de drástica redução da inflação por parte da autoridade monetária…
Ano 3: Inflação zero (novamente):
Receita: R$ 1,69 bilhão (devido à menor pressão de demanda, a receita é a mesma do ano anterior)
Custos computados: R$ 1,4365 bilhão (os custos ainda são altos porque são computados anteriormente)
Lucro nominal: R$ 253,5 milhões
Imposto de renda: R$ 88,725 milhões
Lucro líquido: R$ 164,775 milhões
Aumento dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 0
Fatia do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano seguinte: R$ 0
Capital extra disponível para novos investimentos: R$ 164,775 milhões (Uau!)
A lógica do seu exemplo demonstra claramente o sucesso das políticas de combate à alta inflação sobre a atividade econômica de qualquer país. Fica claro também que um dos motivos de flutuações econômicas são as flutuações no estoque de dinheiro circulante na economia, que promove toda essa bagunça sobre os preços.
Percebo o tão grande sucesso do fim da hiperinflação argentina após adotar o regime de conversibilidade, pois se livrou desse maligno imposto inflacionário sem precisar de juros estratosféricos (conforme ocorreu no caso brasileiro da implantação do real).
Este modelo deveria fazer parte de todos os manuais de economia, ao invés da baboseira keynesiana do IS-LM e afins…
Leandro,
O exemplo numérico do texto seria um exemplo típico de como são feitos maus investimentos em épocas de expansão monetária segundo a teoria dos ciclos econômicos da EA?
Obrigado!
Leandro, a mim nao fica claro (i) por que os setor primario (agricultura, mineração) nao seriam igualmente prejudicados pela inflação e (ii) como o lucro pode ser maior em um exercício no qual houve inflação se os preços dos insumos e mão de obra já subiram nessemesmo ano.
Abs,
Leandro boa noite.
Que artigo didático. Continue traduzindo o discurso econômico para leigos como eu.
Continue explicitando diferenças conceituais entre custo contábil histórico e atual, entre lucro nominal e lucro real.
Atenciosamente,
(a) – Samir Jorge.
QUESTAo POLÍTICA – Parabéns ao autor do artigo, que tratou de abordar com muita profundidade, os aspectos da desindustrialização no Brasil. Penso que toda essa problemática se resume ao mote político que se estabelece no Governo Federal, seja em razão de proposta de poder ou de buscar aprovação popular. Com esse mote, há muitos anos que a política vem priorizando o trabalho em detrimento da indústria/empresa, quando qualquer acadêmico sabe que o trabalho é conseqüência do lucro da indústria/empresa. Dessa relação não escapa nem o trabalho do funcionário público, que depende da arrecadação do Estado que, por sua vez, está atrelada aos fatos geradores de tributo, na maioria, sãos os rendimentos com as atividades da indústria/empresa, que geram importações, salários, compra e venda e outras operações próprias de um ambiente em que se pode lucrar. Se não mudar o mote político de priorizar o atendimento de anseios e reivindicações despropositadas dos sindicatos e movimentos criminosos (sem formalização estatutária e que costumeiramente praticam invasões e danos à propriedade), a situação lastimável em que se encontra essa rica Nação (capaz de viabilizar infraestrutura e dar empregos em outros Países de relação com o Partido do Governo), não se resolverá apenas com a extirpação dos corruptos que se aparelharam no Governo, por indicações partidárias. A exemplo da mudança de mote político, priorizando um ambiente de lucro, seria investir na infraestrutura do País, como ocorreu na época do Governo Militar, com a construção de ferrovias, portos, rodovias, hidroelétricas e etc, bem como, na revisão de insuportáveis encargos trabalhistas e previdenciários, certamente irá gerar mais empregos, com melhores salários. Saliento que a questão política não é a única razão da desindustrialização do Brasil, mas não se pode deixar de considerá-la.
A economia rupestre — como disse o professor Ubiratan Iorio uns tempos atrás num Podcast aqui do Mises, se não me engano — contaminou até o chicago-boy:
g1.globo.com/economia/noticia/2015/05/mp-dos-importados-ajuda-industria-nacional-diz-levy.html
Às vezes eu penso: será que ele realmente acredita nisso ou o sucateado lobby industrial está pressionando-o tanto e ele se sente compelido a ser desonesto intelectualmente? Triste realidade, para nós, consumidores brasileiros.
“Por fim, é válido enfatizar que deixar indústrias obsoletas quebrarem é mais economicamente sensato do que tentar salvá-las com os paliativos de sempre”
Isso não geraria um colapso econômico? A indústria nacional é péssima para o consumidor, mas mantém empregos artificiais que gera um número positivo para o governo e o baronato. Se toda a indústria nacional falir e ir para o buraco não quebraria toda a economia? Além do mais não interessa ao governo, visto que atualmente o desemprego está subindo e isso pega muito mal para ele.
Estava fazendo umas contas (de engenheiro) aqui, os mais letrados em contabilidade que me corrijam se eu estiver errado:
Cenário 1:
Imposto de renda: R$ 52,50 milhões
Capital extra disponível para futuros investimentos: R$ 97,5 milhões
Total: 150M, dos quais
Governo fica com: 35%
Empresa fica com: 65%
Cenário 2:
Imposto de renda: R$ 157,50 milhões (+105MM) – VP: 121,15MM
Capital extra disponível para novos investimentos: R$ 37,50 milhões (-60MM) – VP: 28,85MM
Total VP: 150MM, dos quais
Governo fica com: 80,77%
Empresa fica com: 29,23%
Ou seja, o governo ROUBOU R$ 68,5MM da empresa via inflação.
Faz sentido?
Este artigo me lembrou uma discussão que o setor de Contabilidade precisa resgatar: o cálculo da Correção Monetária Integral (CMI).
As instituições internacionais recomendam o uso, e acredito que as empresas sérias brasileiras utilizam essa ferramenta para valorar corretamente os negócios e tomar decisões.
Leandro, existe uma situação que talvez esteja fazendo com que os desenvolvimentistas soltem foguetes:
http://www.bloomberg.com/news/articles/2016-06-19/japan-exports-decline-for-eighth-consecutive-month-in-may
Observe o gráfico da reportagem. Depois procure pela valorização do Iene.
Não era para estarmos observando o contrário? No caso, um fortalecimento das exportações japonesas?
Entendi. Essa questão da confiança que você citou inclusive faz bastante sentido, e é “confirmável”:
cdn.tradingeconomics.com/embed/?s=jnsballi&v=201607072213n&d1=20130805&d2=20160805&type=type=line&h=300&w=900
Ai leio esse artigo e leio o artigo da UNCTAD em quem devo acreditar, o primeiro se baseou em opinião própria e o segundo em pesquisa e números. Oh dúvida em quem devo acreditar?!
Obrigado por me indicar este artigo, Leandro. Você foi extremamente enfático no seu ponto de vista!
Este artigo mostra, de fato, que a economia e a contabilidade devem estar aliadas. São áreas complementares de extrema importância para que possamos entender os problemas que nos assolam… Vou compartilhá-lo para que mais pessoas o vejam, pois mesmo sendo antigo (e aí ocorre um paradoxo a seguir), este artigo será sempre atual.
Parabéns e bom trabalho!
Que maravilha, ufa, até que fim eu leio um contraponto, pois até agora eu só li e ouvi apenas um ponto de vista, que é a corrente dominante.O Ciro Gomes em universidades e palestras tenta no maior cinismo vender a ideia de que a culpa dessa crise é do suposto ” neoliberalismo”. Esse discurso só cola pra quem é tão cínico quanto ele.
A Dilma que quebrou o país, essa mulher engessou a economia, eu não consigo imaginar como pode o cinismo ser tão grande para o Ciro Gomes vir culpar o Temer e sua corja por toda esse buraco em que o país se encontra. Eu acho que os liberais estão muito tímidos, é preciso de confrontar um sujeito como esse na cara, é preciso ir na academia, divulgar artigos científicos, esse cara fez parte do governo Lula, esse cara não pode vir agora com a cara limpa jogar isso na conta de quem estava fora do governo.
Tem algum artigo que explique mais detalhadamente o funcionamento da carga tributária sobre pessoa jurídica aqui no Brasil?
Na teoria, nossa carga tributária sobre pessoa jurídica é de 34%, mas de acordo com um relatório do Doing Business, o Estado recolhe 68% dos lucros das empresas anualmente…se somando IRPJ, CSLL, PIS/CONFINS, não chega a 68%, o que corresponde ao restante então?
Fonte do relatório:
oglobo.globo.com/economia/brasil-esta-entre-os-10-piores-paises-do-mundo-para-se-pagar-impostos-22013675
De fato, em 2010, a produção industrial fechou com aumento de 10,5%, a maior alta desde 1986 (1), e mesmo assim o real estava mais valorizado frente ao dólar (R$ 1,666, em dez/2010) (2).
Isso é um contra-senso, visto que um real mais barato tornaria os produtos industriais brasileiros mais competitivos no exterior, o que incentivaria a produção no país.
Porém e se boa parte dessa produção industrial fosse para atender demandas de mercado interno?
Veja o seguinte:
“No fechamento de 2010, foi verificado perfil generalizado de crescimento, 25 dos 27 setores registrando crescimento. As maiores influências partiram de dos setores de veículos automotores (24,2%) e de máquinas e equipamentos (24,3%). Em seguida, aparecem metalurgia básica (17,4%), indústrias extrativas (13,4%), outros produtos químicos (10,2%), produtos de metal (23,4%), alimentos (4,4%), borracha e plástico (12,5%) e bebidas (11,2%).” (referência 01, novamente)
Os veículos automotores são produzidos para o mercado interno (em sua grande maioria), assim como as máquinas e equipamentos podem ser um reflexo de uma demanda novamente do mercado interno (mas não apenas é claro). Nós tínhamos muito dinheiro em 2010 por causa do boom das commodities, que puxava setores industriais auxiliares (bens de consumo e de capital).
Veja:
“A balança comercial brasileira fechou 2010 com um saldo positivo de US$ 20,3 bilhões. Fortemente puxadas pelas commodities, as exportações chegaram a US$ 201,9 bilhões, batendo o recorde de 2008, de US$ 198 bilhões, e superando em quase US$ 7 bilhões a meta fixada pelo governo para o ano, de US$ 195 bilhões. As importações também foram recorde, de US$ 181,6 bilhões, graças ao dólar baixo e ao mercado interno aquecido”.
Já em 2015, o valor das commodities sofre uma queda drástica, desestimulando a indústria nacional.
Veja o comportamento do preço da soja: Dez de 2010: U$ 14,0115/bushel. Abril de 2015 (data dessa reportagem): U$ 9,6875 (4). É uma queda de mais de 30%.
A inflação do período também pode ser explicada pela alta do dólar, pois nossa economia é altamente dependente de uma série de produtos importados, pagos em dólar (ver nota 01). Desde implementos agrícolas, maquinário, tecnologia de ponta (celulares, computadores), medicamentos, métodos diagnósticos e até trigo (que vai no pão e pizza de todo o brasileiro), são pagos, em sua grande maioria em dólar.
Quando o dólar sai de 1,666 para 3,122 (preço do dólar na data da reportagem) (5), é óbvio que os preços dos produtos importados vão aumentar no mercado brasileiro, o que leva a inflação. Só que não é uma inflação por demanda ou por excesso de crédito, é uma inflação cambial.
(1) g1.globo.com/economia/noticia/2011/02/producao-industrial-fecha-2010-com-crescimento-de-105-diz-ibge.html
(2) economia.uol.com.br/cotacoes/ultimas-noticias/2010/12/30/dolar-acumula-queda-de-442-em-2010-valendo-r-1666.jhtm
(3) oglobo.globo.com/economia/balanca-comercial-fechou-2010-com-saldo-de-us-20-bi-2844420#ixzz5FyYmnzkn
stest
(4) http://www.macrotrends.net/2531/soybean-prices-historical-chart-data
(5) economia.uol.com.br/cotacoes/cambio/dolar-comercial-estados-unidos/
Esse é um artigo que sempre revisito. Sempre surgem pensamentos novos toda vez que volto.
Eis o último: essa conta que foi feita no texto parece não se aplicar caso o CMV seja de longe a maior despesa característica do negócio, pois esta acompanha a inflação juntamente com as receitas. Logo, não há essa distorção tão grande quanto a apontada.
Por outro lado, o raciocínio ilustrado se aplicaria basicamente para as despesas operacionais ou, em caráter geral, para empresas prestadoras de serviços, nas quais o CMV é pequeno.
De toda forma, essa reflexão apresentada é válida.
Na linha do artigo, Luiz Barsi (maior investidor pessoa física da bolsa brasileira) comenta que a inflação também penaliza fortemente o setor de varejo. Para ele, a inflação corrói muito as margens de lucro e é o principal fator que contribuiu para a falência de vários players do setor.
http://www.youtube.com/watch?v=AJ-0FP6kLpo