Antes
de qualquer coisa, devo esclarecer que imagino o anarcocapitalismo como
resultado evolucionário da civilização humana, como uma ordem espontânea, e não
como um modelo imposto de cima para baixo, nem instalado via revolução ou a
partir de quaisquer arranjos técnicos ou filosóficos preconcebidos.
Acredito
que esse modelo, se um dia vingar, só poderá florescer a partir de sociedades
moral, econômica e civicamente muito avançadas.
Não
tenho qualquer pretensão de ver o anarcocapitalismo em funcionamento onde quer
que seja. Se um dia vier a ocorrer, será apenas muitas gerações à frente.
Portanto, minha opção “ancap” é muito
mais uma questão moral do que pragmática. Simplesmente, não consigo admitir que
o ser humano será, para todo sempre, refém do “mais frio e cruel dos monstros”.
Qualquer
pessoa normal concordaria que um indivíduo que atenta contra a vida, a
liberdade ou a propriedade de outro comete um mal, um ato injusto. Por
outro lado, a maioria de nós também aceita a existência de certas
circunstâncias atenuantes que poderiam mitigar uma ação injusta. Mesmo
nesse último caso, porém, a violência seria ainda lamentável e, portanto, algo
a ser evitado. Em outras palavras, embora uma ação criminosa jamais se
torne realmente boa, ela pode tornar-se defensável e até desculpável.
Em
quaisquer casos, entretanto, o que justifica uma ação é o motivo, a
circunstância, e não a entidade, a organização ou a quantidade de pessoas que a
praticam.
Se
eu afirmasse que um atentado à vida, à liberdade ou à propriedade torna-se
menos nocivo na proporção em que aumenta o número de agentes que o cometem,
você pensaria que sou estúpido, louco ou moralmente deficiente. Todavia,
muitas pessoas entendem que a violência contra direitos individuais
elementares, não importa quão absurda e vil, pode tornar-se boa e justa, desde
que executada por agentes governamentais empossados através de eleições
democráticas.
Como bem resumiu Maggie McNeill, chega a ser
patética a ginástica mental de certas pessoas (muitos liberais aí incluídos) na
tentativa de justificar o injustificável. Elas entendem que a democracia,
como num passe de mágica, absolve quase todos os crimes e injustiças cometidos
coletivamente, do mesmo modo que nossos antepassados atribuíam um certo direito
divino a seus monarcas e imperadores. Alguns chegam a fazer
pronunciamentos apologéticos sobre o poder da lei votada democraticamente, como
se esta houvesse sido ditada por uma divindade celestial e esculpida em pedra.
Ora,
um governo é apenas um grupo de indivíduos, selecionados por meios arbitrários,
de acordo com regras arbitrárias acordadas por grupos poderosos o suficiente
para impor sua própria opinião sobre o resto da população. Pior: nenhum
governo pode impor suas leis e decretos senão através da ameaça e da violência,
o que o torna inexoravelmente um ente tirânico, cuja intensidade do mal perpetrado
dependerá da índole daqueles que o controlam. A tirania é, portanto,
inerente a qualquer governo, variando apenas em gênero e grau.
Isso
não significa que a humanidade possa ficar inteiramente sem governo, pelo menos
nesta fase de nossa evolução. Eu seria ingênuo se acreditasse que uma
sociedade completamente anárquica poderia sobreviver atualmente sem degenerar
no caos, na lei do mais forte. Por outro lado, não há nada que justifique
a crença de que esta realidade será permanente. Pensemos, por exemplo, nas
práticas médicas do passado. Quantas intervenções absolutamente insanas
para os padrões atuais — como lobotomia, sangrias, choques elétricos, ingestão
de urina, entre outras — não foram um dia consideradas
males necessários e praticadas sob efusivos aplausos e reconhecimentos?
Como nos lembra Bryan Caplan, há mil anos, se
alguém sugerisse que o sistema democrático seria hoje o arranjo comum na
maioria das nações, certamente seria tachado de louco. Segundo ele, a
“loucura”, nesse caso, tem a ver com expectativas. Durante a Idade Média,
todos estavam acostumados ao despotismo. Ninguém esperava que um
governante derrotado entregasse voluntariamente o poder. Com efeito, a
recusa de entregar o poder não parecia loucura aos olhos de ninguém.
Nas
sociedades modernas, em contraste, todos estão acostumados à democracia.
Todos esperam de um derrotado que entregue voluntariamente o poder. A
recusa, neste caso, é que parecerá loucura, a qual resultaria provavelmente não
no fim da democracia, mas da carreira desse governante.
Imagine
agora alguém que, há dois milênios, se insurgisse contra a escravidão ou
previsse que, dois mil anos depois, a escravidão não apenas estaria extinta da
face da Terra, como seria considerada crime hediondo em todos os lugares.
Nem Jesus Cristo ousou tanto, pois certamente seria visto como louco. O
que dizer então de alguém que, há apenas duzentos anos, falasse de coisas como
viagens espaciais, aviões, automóveis, televisão, computador, internet e
edifícios com duzentos metros de altura? Não seriam tais coisas, naquela
época, mais inverossímeis (utópicas?) do que imaginarmos, nos dias de hoje, uma
eventual futura sociedade sem Estado, vivendo de forma ordeira e
próspera? Não seria muita arrogância de nossa parte pretender saber como
se organizarão as civilizações futuras?
Não
importa. Como disse acima, minha opção pelo anarcocapitalismo é muito
mais uma opção moral do que pragmática. Mas deixo que o grande Bob Higgs a explique:
Muitas
discussões sobre o anarquismo poderiam ser evitadas se esses dois aspectos
distintos da ideologia estivessem sempre em mente — sua possibilidade prática e
seu ideal moral.Sinto-me
sem qualquer obrigação de argumentar de forma convincente de que forma esta
ordem social pode ser estabelecida na prática. Não sei se é possível ou não,
assim como desconheço muitos outros desenvolvimentos que podem ou não vir a
tornar-se realidade no futuro.No
entanto, vou continuar a defender o anarquismo libertário como um ideal moral
que, acredito, todas as pessoas decentes deveriam defender. Se nós anarcocapitalistas
tivermos sucesso, o resultado será esplêndido, de fato, mas se falharmos, acho
que teremos feito a coisa certa. Afinal, que mal podemos fazer por abster-nos
de apoiar certos crimes? Qual é o mal em denunciar quem os comete ou quem contribui
para justificar os crimes inerentes ao funcionamento do estado?
Em outra passagem, ele é ainda mais enfático:
Embora
eu não peça desculpas por essa escolha ideológica, tampouco compartilho da
expectativa aparente de alguns companheiros anarquistas libertários, segundo os
quais a revolução é iminente, ou ocorrerá muito em breve (…)Se
eu entendo o mundo desta forma, algumas pessoas perguntam, qual é o meu
objetivo ao abraçar o anarquismo libertário? Bem, obviamente não estou nisso a
fim de ficar do lado vencedor. Se esse fosse meu objetivo, eu já teria
encontrado uma maneira de tornar-me útil participando de lobbies no Congresso.
Não, eu pus-me onde estou agora um pouco como Martinho Lutero fez quando
anunciou: “Eis-me aqui. Não consigo estar em nenhum outro lugar”.No
meu caso, esta declaração significa que eu estou simplesmente fazendo o que me
parece a coisa decente a fazer; que tomar qualquer outra posição ideológica
iria envolver-me em males dos quais eu não quero participar. Embora eu sinceramente acredite que um mundo
sem estado seria melhor do que o mundo atual de inúmeras maneiras, tais
como melhor saúde, maior riqueza e maior bem-estar material, eu não sou um anarquista
libertário por razões consequencialistas, mas sim, e principalmente,
porque acredito que é errado para qualquer um — inclusive aqueles designados
governantes e seus funcionários — fazer o que é considerado errado para
mim ou para qualquer outro indivíduo na esfera privada.
Faltam alguns meses para me tornar um anarcocapitalista, então gostaria de tirar uma dúvida.
Como funcionaria o Direito Civil em uma sociedade ancap? Existe algum artigo que discorra sobre esta área especificamente?
“Isso não significa que a humanidade possa ficar inteiramente sem governo, pelo menos nesta fase de nossa evolução. Eu seria ingênuo se acreditasse que uma sociedade completamente anárquica poderia sobreviver atualmente sem degenerar no caos, na lei do mais forte.”
O estado é o mais forte e gerador do caos, a unica coisa que impede a anarquia atualmente é a crença da população de que o estado é o centro de coesão da sociedade, que impede o caos.
Não é o estado que impede que as pessoas saiam se matando por ai, e os supostos mais fortes que o autor fala estão aonde neste momento? Em casa morrendo de medo do estado lá fora? Ou são o próprio estado?
Ingenuidade é achar que o governo impede o caos, no mais ótimo texto.
(OFF-TOPIC repetido aqui para melhor exposição)
Heloísa Helena tem sua casa “invadida” por Movimento Social periférico em Alagoas:
ultimosegundo.ig.com.br/brasil/crimes/2014-04-13/heloisa-helena-tem-casa-invadida-em-alagoas.html
Lamentável que alienada pelo estresse e a mágoa, a tradicional esquerdista não tenha reconhecido que nós como sociedade que falhamos ao não nutrir todas as necessidades constitucionais dos 4 militantes pela justiça social. Ainda mais vergonhosa é a reação fascista neoliberal e ultraconservadora do filho da ex-senadora ao tentar agredir o militante, rejeitando os direitos humanos e a discussão democrática pelas reivindicações do ativista.
—
Como está evidente no anúncio acima, é mister que deve caber somente ao estado a proteção do cidadão; em oposição ao que é constantemente pregado pelos anarco-neoliberais, adoradores do armamento civil. Basta perguntar: E se em tal situação de crise, o filho da ex-senadora houvesse decidido por ferir o ativista dos movimentos sociais? Qual seria a garantia possível e inteligível para a defesa dos direitos humanos de tal triste vítima da sociedade? E quanto aos valores democráticos que zelam pelo debate justo e pacífico entre os movimentos sociais periféricos (em ação de justiça social) e a pequena burguesia ultraconservadora (que defende a medieval ‘legítima defesa’)?
Consiste em, data venia, em uma realidade de absurda e permanente violência e indiferença ao debate democrático a proposta defendida pelos anarcocapitalistas. Aí dos movimentos sociais de proteger a preciosa democracia contra o fascismo e a fome pela violência dos armamentistas e anti-estatistas. Somente o estado é capaz de proteger o militante e vítima da sociedade capitalista; além de garantir o debate social frente à arma apontada pela ‘legítima defesa’ fascista.
E idem à pesquisa tecnológica (empresas não estão interessadas em contratar pensadores para que discutam os impactos de sua pesquisa contra o emprego e os interesses da república e as vetem, diferentemente do estado). É absurdo.
Penso que o anarcocapitalismo realmente só pode existir no campo das ideias, fornecendo material filosófico ao mundo real.
Em termos reais, precisamos seguir evoluindo no sentido de limitar cada vez mais o poder de interferência do Estado na economia e na vida particular dos indivíduos. Acredito que é possível chegar bastante próximo de um modelo anárquico, mas, não vejo, ainda que faça muito esforço meios para que em qualquer momento presente ou futuro possamos dispensar totalmente a existência do Estado.
O máximo que podemos fazer é uma contribuição que é relativamente pequena. Mas todas essas mudanças foram resultado das contribuições cumulativas de inúmeros indivíduos no decorrer dos séculos que fizeram o que podiam para agir diferente e influenciar outros.
No melhor exemplo, Jesus não ordenou o fim da servidão porque os primeiros cristãos eram uma minoria minúscula na época, mas semeou o fim dela de dentro para fora por ensinar que todos somos iguais [mas não idênticos] como seres humanos. Ora, a base da escravidão é que alguns humanos são superiores e outros são meros objetos, o que é incompatível com a ética ensinada por ele.
Portanto, façamos nossas contribuições individuais a favor da liberdade e da isonomia e paremos de brigar entre nós. Guardemos nossas energias contra o estatismo.
* * *
Mudando rapidamente de assunto.
Ontem li um comentário bastante relevante em relação ao tal sindicalismo.
Não são palavras minhas, mas gostaria que vocês analisassem:
“Estamos em 2014, hoje é muito diferente da década 70 e 80, ou seja muita coisa não há mais necessidade que exista, pois o tempo torna e mostra que são descartáveis!!!!! Uma delas, é (são) o (os) Sindicato (s)!!!!
Antigamente existia realmente muitos proprietários que não cumpriam a lei, e os sindicatos ajudaram com a contribuição de alguns direitos do empregado.
Na situação atual, qualquer advogado cobra o mesmo que um advogado do sindicato, e vai executar a empresa que não cumpra as leis da mesma forma, com o mesmo resultado!
Os sindicatos hoje, servem simplesmente para ser a máquina de arrecadação do PT. Não existe mais necessidade alguma de você ser sindicalizado, ou seja, você paga por algo que não quer e não tem necessidade!
Venho através desta, lembrar que você, é responsável atualmente pelo PT ter tanto dinheiro!!!!! Por que você não faz agora mesmo uma carta para a empresa que você trabalha, solicitando que não desconte mais de seu salário, o sindicato, e também comunicando que não é mais de seu interesse ser sindicalizado???
Lentamente, porém gradativamente todos fazendo isto, enfraquecerá tanto PT, quanto os aliados PSTU e PSOL. Começando hoje … e divulgando sempre, mesmo que lentamente, com certeza diariamente o sindicato perdendo você, seus amigos e assim por diante, acontecerá o que? Começando hoje, por você, em 05 anos, acaba os Sindicatos! Resumindo… acaba Greves, bagunça, baderna, terror contra o patrão, PT, PSOL, PSTU, etc….
Todos temos as armas, só não luta quem é covarde!!!!!!
*Lembro que: Você tem “DIREITO” de ser sindicalizado, e não é “OBRIGADO”, a ser sindicalizado!!!!!!!!!!!!!
Gostei do artigo. Compartilhei e estou tentando mostrar às pessoas que a verdadeira revolução é intelectual e moral, não é a que se faz através do anarcoilegalismo ou a que prevêem o anarcossindicalismo ou o anarco-comunismo. Não me considero ancap, de qualquer forma, se tivesse que optar entre a bandeira preta e vermelha ou preta e amarela, sem sombra de dúvidas o anarcocapitalismo seria minha opção. Me sinto como Higgs descreveu: não consigo estar em outro lugar, mas não me calo frente a atos e situações antiéticas. Ganhei vários inimigos, inclusive dentre aqueles que se dizem “libertários” sem saber o real significado do termo.
Em uma consideração muito rasa sobre a pergunta feita pelo Rennan Alves: sou advogada na área trabalhista. Quando penso em uma sociedade anarquista, não vejo a existência do “direito” e, muito menos, de advogados. A “ordem” anárquica, sob meu ponto de vista, substitui qualquer tipo de norma imposta ou hierarquia. A evolução intelectual, moral e emocional necessárias a uma sociedade anarquista dispensam leis, advogados, etc. Dificilmente pessoas que conhecem seu lugar no mundo, fazem escolhas conscientes e têm suas capacidades e habilidades individuais desenvolvidas ao máximo precisariam de alguma regra dizendo “faça ou não faça”, “seu limite começa ou acaba aqui”, etc.
Nestes tempos obscuros de expansão do politicamente correto, a liberdade de expessão no Brasil e na america latina vem minguando, estes fatos ocorridos atualmente acerca dos jornalistas Paulo Martins e Rachel Sherazade me deixaram temerosos, a forma como os meios de comunicação são regulados no Brasil com essa dependencia de verbas publicas, a atitude da deputada comunista querendo cassar a concessão do SBT (e a recente auto-censura do mesmo ao limitar as opiniões de sherazade no Jornal SBT), o encaminhamento de PL á camara pedindo destinação verbas publicas para criação de uma “midia independente” (sic). Gostaria de saber se aqui no site tem artigos sobre Midia Independente, Meios de Comunicação, Imprensa Livre ou Chapa-Branca etc, pois não consegui encontrar na busca ou nos artgos separados por assunto, se puderem me indicar os links.
Ótimo artigo, João. Sou leitor fiel do Bryan Caplan. Por sinal, Caplan recomenda fortemente o recém publicado The Problem of Political Authority do Michael Huemer.
O problema do anarcocapitalismo não é o fato dele não dar ênfase ao pragmatismo, e sim de que nele não há pragmatismo nenhum! Qual é a possibilidade real do anarcocapitalismo chegar ao poder e desfragmentá-lo ou mesmo representar uma séria ameaça ao Estado? É possível algum plano de ação ou o anarcocapitalismo irá permanecer no campo das ideias?
Pelo menos na minha cabeça só existe uma forma real – excluindo o partidarismo,que só viria mais tarde… – dos libertários mudarem alguma coisa: infiltração cultural libertária análoga à infiltração gramisciana. Trata-se de colocar libertários em todos os meios culturais (jornais,revistas,canais de tv, músicas,etc) inclusive no próprio Estado e espalhar nesses meios ideias libertárias sem identificá-las como sendo libertárias. A longo prazo, as pessoas irão internalizar essas ideias como sendo delas próprias e exigirão voluntariamente uma redução do Estado. Essa estratégia foi aplicada pela esquerda nos últimos 30 anos e funcionou espetacularmente bem. Se os libertários começarem a pensar seriamente nesse plano de ação(criando jornalistas libertários, promotores libertários, professores libertários, militares libertários, entre outros) aí vocês terão resultados reais e o ambiente político será favorável a coisas como “partido libertário” e semelhantes.
Eu sou conservador, mas se fosse libertário meu caminho seria aquele que descrevi. Minha linha de argumentação contra o libertarianismo é de que não é possível criar uma sociedade se baseando somente em algo tão vago quanto liberdade. Não é à toa que todas as civilizações foram criadas a partir de sociedades rigidamente religiosas. Perceba que numa sociedade libertária, no caso de um aborto, a liberdade da mãe em praticar o aborto implicaria na agressão da liberdade do bebê à vida; o inverso também é verdadeiro: a liberdade do bebê à vida implica na impossibilidade da mãe praticar o aborto. A restrição que eu sofreria ao jogar uma bomba na casa de alguém seria uma agressão à minha liberdade e se me deixassem fazer isso impune seria um atentado à liberdade do outro à vida. O “princípio” da liberdade sempre leva a uma contradição interna: para que exista liberdade é necessário que haja limites.
Vejam o vídeo extremamente lúcido de Olavo de Carvalho:
https://www.youtube.com/watch?v=NTM2KE4pucQ
Beleza. Mas todo libertário é ancap no sentido do autor. Os libertários que não são ancap não o são justamente porque não acreditam que a abolição do estado é, ceteris paribus, melhor do que mantê-la. Enquanto 99% da população acredita que crimes são justificados desde que cometidos em massa, abolir o estado atual não adianta nada. Os crimes simplesmente serão menos previsíveis, e o mais provável é que um novo Estado surja em poucos meses.
Agora, se por algum milagre as massas põem o Código da Vinchi no porão e começam a ler Ethics of Liberty, então é claro que o monopólio da violência terá seus dias contados.
O problema é decifrar o significado da pergunta “você é anarquista?”. Ela é ambígua.
Sempre tive uma queda pelo anarquismo e capitalismo, agora com a evolução natural da coisas, vejo que não estava encanado, o capitalismo é inevitável e o anarquismo uma liberdade, tem tudo para dar certo, só falta o povo.
Será viagem? Qual a semelhança entre a nova ordem mundial e Mordor e o um anel de Tolkien?
Seríamos nós Frodos lutando contra Saurons????
Creio que o Anarco-capitalismo seja a única saída!
Sobre o assunto “Direito” e “Justiça”, segue uma opinião de um AnCap Cristão. É uma visão Cristã, portanto quem não acredita favor não perder seu tempo.
Não cabe ao ser humano comum ser justo. Ninguém é, ninguém nunca foi e ninguém jamais será, apenas Jesus, que é Deus, foi um ser humano absolutamente justo. Nós somos imperfeitos, incapazes e pecadores.
Ora, se nenhum ser humano consegue ser justo, como pode o estado ser justo para com seus cidadãos? Mais ainda, como pode o estado ousar dizer que ele é a única entidade capaz de promover a justiça entre os homens? Isso não é apenas incompreensível, chega a ser ridículo.
Felizmente sabemos, pelo nosso próprio conhecimento e por algumas evidências históricas, que o livre mercado tende a gerar produtos e serviços cada vez mais eficientes e baratos. Colocar a Justiça no meio privado é a melhor solução que temos, se quisermos um mundo pelo menos “menos injusto”. Claro que nenhuma solução será perfeita, pois nenhum ser humano é perfeito, mas pelo menos conseguiríamos um mundo um pouco mais justo do que o atual.
Essa é minha birra com os minarquistas, ou liberais conservadores, que em geral são Cristãos. Ao defender o monopólio da justiça na mão do estado eles estão basicamente elevando o estado ao status de Deus, o único justo e perfeito. E isso é uma aberração moral e lógica.
Entender a ordem espontânea não é fácil, requer um boa dose de abstração e sair do lugar comum do pensamento.
Em geral entendemos ordem com algo de cima para baixo, do centro para a periferia, etc. Mas dizer para as pessoas que é possível haver ordem a partir do caos (significado matemático do termo), elas fazem a mesma cara como se a gente tivesses falando do ET de Varginia em Marte.
Boa parte dessa discussão se é possível ou não o anarcocapitalimo ser colocado em prática é, no fundo, uma questão do que se considera a ordem e do que se considera algo anárquico.
Os tais “pontos atratores” que aparecem em um sistema complexo, denotando a ordem que surge espontaneamente, pode ser encarado como uma prova de que um sistema anárquico (caótico) fatalmente leva a um estado (a ordem no caos). Para outros, contudo, mostra exatamente o contrário, que uma sociedade vai encontrar sua ordem espontaneamente, sem a necessidade de um estado.
Para mim o artigo está perfeito. Mostra, como outrora já coloquei, que o anarcocapitalismo para mim é uma evolução que chegará quando tivermos rompido essas algemas mentais que nos prendem ao estado. Também, consoante com o texto, acredito que a revolução anárquica se dará no pensamento das pessoas.
Novamente me valho da teoria de sistemas complexos: a ordem não vai surgir de cima para baixo, do centro à periferia ou qualquer outra direção: simplesmente ela vai vir de todas as direções e vai evoluir para todas as direções e, do caos aparente, encontraremos alguns pontos de equilíbrio (novamente, equilíbrio dinâmico, definição matemática) e aí a sociedade vai se estabilizar. De forma que, ao alcançarmos aquele estado, por ser força da evolução social, nos será o estado absolutamente normal e nem mesmo saberemos rotulá-lo de anarcocapitalismo ou qualquer outra coisa.
Quanto tempo até isso acontecer? Bom, só depende de a gente acabar com o estado dentro do nosso próprio pensamento. Quanto menos dependermos de entidades coercitivas externas para vivermos, melhor. Mas enfrentamos hoje, o problema dos adolescentes: precisam conquistar a sua liberdade, independência e responsabilidade, mas se acham ainda muito acanhados (muito infantis) para conquistar o mundo fora dos olhos paternos. O estado usa de coerção, mas também alimenta a infantilidade mental em que nos encontramos.
Não sei como tal sistema será, mas tenho absoluta certeza que será bem diferente do que temos hoje.
Abraços
No fim, Marx estava certo, só errou de anarquismo.
Tem um livro muito relevante para nossa causa:Os anjos Bons de nossa natureza.O autor demonstra ponto a ponto, uma pesquisa extremamente abrangente e detalhada sobre o por que nossa civilização esta e tornando passo a passo mais pacifica, e de como o nosso futuro esta apontando para o total pacifismo(essencial para a possibilidade de existência de um mundo ancap)
Eu geralmente quando quero mostrar aos meus parentes, amigos ou conhecidos do porque o anarcocapitalismo é superior a qualquer sistema ou ideologia politica digo que no anarcocapitalismo a sua propriedade privada é sua nação, seu país, sua lei.
O anarcocapitalismo é o Mundo de Regeneração. Estou absolutamente convicto disso.
Se for uma questão de ideal moral então não precisamos de polícia privada e justiça privada nenhuma, já que num mundo ideal todo mundo vai ter bons valores morais e ser honesto.
O povo não é consequência do sistema econômico, o sistema econômico é consequência do povo. Numa terra de gente escrota como o brasil, é claro que mais cedo ou mais tarde o sonho ia ser virar funça. Vou ficar aqui no bem bom, ganhando meu salário enorme e a iniciativa privada que se foda pra me sustentar.
Brenner, qual ponto na frase: “não agressão”, você achou …vago?!?! Aonde não entendeu?
Excelente texto,
Saudações de proto-anarcocapitalista
Jesus cristo não precisava dizer nada sobre escravidão. Quem conhece a bíblia sabe que desde que se fundou a sociedade judaica sob os ensinos da Lei de Moisés, todo escravo era comprado com prazo de validade. Depois de um determinado tempo, os escravos só permaneciam escravos em Israel se fosse por opção individual e mesmo assim sob a pena de ter uma das orelhas furadas. O atual regime global de ojeriza à escravidão já havia sido condenado muito antes de existir cristianismo.
Do mesmo jeito que eu obedeço mandamentos divinos mesmo sem saber seu efeito eu me posiciono à favor do anarco-capitalismo, como foi dito no texto, não preciso ser aceito, preciso apenas fazer aquilo que creio sinceramente ser o certo à ser feito. Ninguém é capaz de compreender o bem que há por trás da moralidade, mas quem opta em seguir o que considera certo, se possui de fato conhecimento e sabedoria, conhece seus frutos e sabe que só pode trazer coisas boas. Que coisas boas, não sabemos, mas fazer o que é moralmente correto geralmente surpreende positivamente no fim de tudo. Essa é minha experiência.
Belo texto, por mais óbvias que sejam a preposições que o fizeram
um anarcocapitalista.
A maioria dos brasileiros é insatisfeita com a burocracia do país, o intervencionismo e impostos. Mas mesmo assim mantenho meu posicionamento Liberal, pois acredito ainda em
pessoas que possam melhor representar na política.
Eu me tornei libertário graças a um canal no YouTube chamado Ideias Radicais, e alguns artigos daqui do IMB, bem como o livro “A Anatomia do Estado”, do Rothbard.
Quem gostaria de participar de um grupo Anarcocapitalista?
Chama no WhatsApp(75)9107-0298