| Indivíduos qualificados escolhidos pelo povo |
Sêneca,
o filósofo romano, relata a estória do assassinato de Calístenes por Alexandre,
o Grande como sendo o “crime eterno” do líder macedônio. Escreveu Sêneca em sua enciclopédia Naturales Quaestiones:
Sempre que alguém disser que ‘Alexandre
matou vários milhares de persas’, a contra-resposta será: “E matou Calístenes
também”. Quando alguém disser que
‘Alexandre matou Dario, que possuía o maior reinado da época’, a resposta será:
“E ele matou Calístenes também”. Quando
alguém disser que ‘Ele conquistou tudo o que havia sobre a terra até o
oceano… e estendeu seu império desde uma esquina de Trácia até as fronteiras
mais longínquas do Oriente’, a resposta será: ‘Mas ele matou Calístenes’. Embora ele tenha ido muito além das façanhas de
todos os generais e reis que o precederam, dentre todas as coisas que ele fez nada
será tão grande quanto esse seu crime.
Essa
anedota resume dramaticamente aquilo que já foi considerado a mais sublime
criação da Civilização Ocidental: o indivíduo aristocrata, celebrado desde os
filósofos romanos, passando pelos ingleses do século XVIII, como Gibbon, até chegar aos
americanos do século XIX, como Emerson.
Desde
o apogeu daquela visão prometéica sobre o imensurável potencial do indivíduo —
que fez de um Calístenes alguém mais importante do que todo um exército — até
chegarmos à visão degenerada do indivíduo como um ser inevitavelmente fraco,
cujo interesse próprio é quase sempre malévolo e cuja dignidade é
inevitavelmente desvalida, poucas ideias ocidentais foram mais aviltadas e
sujeitadas a uma implacável destruição do que a noção de indivíduo.
Com
efeito, nada é mais banal e clichê do que vituperar contra a noção de
individualismo, e caluniá-la como sendo algo inerentemente pecaminoso e
moralmente errado. O “si próprio” passou
a ser visto como um repositório de vergonha viva, culpa, ganância e atitudes
anti-sociais.
É
essa moderna e deturpada noção de “individual” que fez com que os problemas
maciços enfrentados por todas as democracias ocidentais deixassem de ser
fundamentalmente políticos e se tornassem majoritariamente filosóficos.
E
tal realidade, por sua vez, resultou de uma confusão acerca de dois conceitos
completamente distintos de democracia: há a democracia aristocrática — que foi
aquela que os Pais Fundadores dos EUA tinham em mente — e há a democracia
igualitária, que é justamente essa que criamos e na qual vivemos, e que está
nos colocando em perigo.
Foi
o próprio Thomas Jefferson quem disse que os cargos públicos deveriam ser
exercidos por “aristoi naturais” e que a educação em uma República
deveria ser “democrática e aristocrática”.
Também é válido relembrar os receios quase obsessivos de James Madison e
Alexander Hamilton sobre uma “oclocracia“,
bem como a repulsa de ambos à ideia de democracia direta. (Escreveu
John Randolph:
“Quando falo em povo, tenho em mente apenas a parte racional dele. Os ignorantes e vulgares são incapazes tanto
de julgar as modalidades de governo quanto de controlar suas rédeas”).
Para
ficar bem claro: “igualitário” não significa igualdade; significa o menor
denominador comum tendo a maior influência política e cultural possível, seja
essa influência impulsionada pela elite ou pelas massas. E o termo “aristocrático” é aqui utilizado
não no sentido de baronatos, linhagens e fortificações muradas, mas sim em seu
original sentido filosófico, o qual foi muito bem resumido por ninguém menos
que o poeta Lord
Tennyson como significando “auto-respeito, auto-suficiência e
auto-perpetuação”.
É
essa qualidade de pensar no longo prazo, algo inerente à perspectiva aristocrática,
que é o seu mais importante aspecto. É
isso o que faz com que a liberdade do indivíduo em uma sociedade democrática
seja duradoura e esteja ligada àquilo que o torna capaz de se sustentar e se manter
vivo: seus meios de produção, ou o capitalismo.
Isso
significa que uma democracia adequada — na qual o “auto-respeito e a
auto-perpetuação” necessários ao cidadão são preponderantes — tem
necessariamente de ser “devidamente” capitalista, pois apenas esse arranjo
permitirá ao cidadão sua “auto-perpetuação” no longo prazo.
O
futuro da democracia será decidido pela disputa entre visões de curto e de
longo prazo. Nas décadas vindouras, é
isso o que determinará se o Ocidente conseguirá ou não sair do seu declínio.
Em
suma: se as modernas democracias capitalistas ocidentais quiserem sobreviver,
elas terão de incorporar aquilo que sempre consideraram ser seu completo
oposto: características aristocráticas (a visão de longo prazo). Se, por outro lado, as coisas continuarem
como estão, a democracia irá cada vez mais assumir características totalitárias
e culminar naquilo que Thomas Jefferson rotulou de “despotismo eletivo”, em que
uma suposta vontade popular será incorporada em um governante que, por sua vez,
irá subjugar completamente uma população impotente, indefesa e desarmada.
Uma
notável tendência intelectual e social que ilustra bem todos esses fatores — a
deturpação do conceito de indivíduos; a preferência maciça pelos apetites e
impulsos do presente; o moderno desprezo da sociedade pelo futuro e pelo
planejamento para o futuro — pode ser vista no relativamente recente modismo
de querer “transformar” o capitalismo em algo que ele não é e que jamais
deveria se tornar. A subversão está
ocorrendo justamente naquele ponto em que subversões tendem a ocorrer primeiro:
na linguagem.
Alterações
sutis na terminologia começaram a ganhar força desde o início da crise financeira, e só se
intensificaram de lá para cá. Hoje, é
corriqueiro vermos filósofos, sociólogos e até mesmo economistas clamando por
um “socialismo de mercado”, ou por um “mercado socialmente regulado”, ou por um
“capitalismo comunitário”, ou por um “capitalismo social”, ou por um
“empreendedorismo mais includente”.
Igualmente comuns são os apelos para se acabar com algo que chamam de
“capitalismo excludente” ou “capitalismo selvagem”.
Superficialmente,
tudo isso parece inofensivo, até mesmo positivo. Com efeito, para muitas pessoas, inclusive
líderes empresariais, essas novas categorias de pensamento representam um passo
inteligentemente progressista na direção correta, em que as finalidades
produtivas do capitalismo são respeitadas ao mesmo tempo em que alguns
elementos de fiscalização social são incluídos no arranjo. Como benefício adicional, dizem seus
defensores, a palavra ‘capitalismo’ fica purificada de suas conotações depreciativas.
Mas
é aí que jaz o perigo. Na raiz deste
linguajar sutil está a filosofia de que o cerne do sistema capitalista — o
indivíduo e seus ganhos individuais, sua busca pelo lucro, seu interesse
próprio, sua distinção pessoal e até mesmo a sua glória — é algo na melhor das
hipóteses reprovável; na pior, inerentemente e irremediavelmente criminoso e
corrupto.
Simultaneamente,
de acordo com tal pensamento, somente uma mentalidade grupal/comunal/social
possui um objetivo econômico legítimo e, por extensão, moralmente
superior. Esse modismo recorre ao truque
baixo de equiparar o genuíno capitalismo ao atual arranjo corporativista em que
uma pequena elite que
tem boas relações com políticos é beneficiada com subsídios, com políticas
protecionistas e com regulações específicas que lhe garantem reservas de
mercado. Recorre também ao truque baixo
de equiparar capitalismo com o gangsterismo de alguns bancos que, justamente por saberem que
serão socorridos pelo estado caso façam apostas mal sucedidas, fazem
lambança, se tornam insolventes e derrubam economias inteiras. O objetivo é solapar e difamar o conceito de capitalismo.
A
premissa do capitalismo é dessa maneira revertida: os fins passam a ser a
coletividade, e a redistribuição passa a ser uma ética suprema, mais importante
do que a proteção aos meios fundamentais de produção, que são o indivíduo, sua
mente e sua capacidade. O igualitário se
torna o objetivo a ser almejado ao passo que o aristocrático — os tradicionais
padrões éticos e morais, o planejamento de longo prazo e a perpetuação da
geração — se torna o objeto de desprezo.
Eric
Hoffer, em seu clássico The
True Believer, escreveu:
A razão por que elementos inferiores de uma
nação conseguem exercer uma grande influência sobre seu destino é que eles são
completamente destituídos de respeito e reverência pelo presente e pelo
futuro. Eles veem tanto suas vidas
quanto o mundo atual como tragédias sem solução, e, por isso, estão
permanentemente dispostos a desperdiçar e destruir ambos. Daí sua propensão ao caos e à desordem.
Este
é o caminho da autodestruição de um igualitário. Ele pensa apenas no curto prazo, pois o
presente é um martírio a ser superado, o passado é invariavelmente uma fonte de
tormentos, e o futuro está fora do seu controle e além de suas
preocupações. O curto prazo é o
conveniente, é o instantâneo, é o estimulador do apetite. Rapidamente, o curto prazo se torna não
apenas a mentalidade econômica escolhida, mas também a política, cultural e
social.
E
então tudo passa a ter um horizonte temporal curtíssimo. Todos visam apenas ao curto prazo em termos
financeiros, políticos, educacionais, amorosos, de relações humanas, de
durabilidade de um produto ou serviço, de comprometimentos, de concentração, de
esforço. Até mesmo a arte sofre uma
forte degradação: filmes, músicas e pinturas são reciclados, descartáveis e
esquecíveis. Tudo isso gerou a atual
safra de capital humano que temos hoje.
E então, a vox populi e seus
representantes políticos passam a deplorar esse capital humano como sendo
composto de indivíduos desgraçados, vorazes e exploradores, que fazem
maquinações e trapaças para conseguir o que querem da maneira mais rápida
possível. Ora, eles deveriam ter previsto
isso. Foram eles que criaram esse
“indivíduo”.
Por
mais dramático que pareça, há um fim direto para tudo isso. Uma sociedade democrática que não exige
padrões éticos e morais mais elevados de seus indivíduos irá se tornar, por
total falta de opção, totalitária. Ou
seja, se nada for exigido do indivíduo, então nada poderá ser exigido das
massas, pois aquilo que não é exigido de uma pessoa não pode ser exigido de uma
manada. Com o tempo, surgirá um
indivíduo que incorporará a “vontade popular”, e ele será investido da
responsabilidade de cuidar de todos, transformando-se em um déspota esclarecido
— o “déspota eleito”, nas palavras de Thomas Jefferson.
No
mundo ocidental atual, há um capital humano que não está muito apto para uma
democracia aristocrática — certamente, não economicamente. O elemento aristocrático presente em uma
democracia é o que garantirá sua qualidade no longo prazo. A aristocracia é o instinto necessário que a
democracia terá de adquirir novamente se quiser sobreviver. E, para isso, o capitalismo — que fornece o
apoio prático a esse tipo de democracia — terá de se livrar de seus pretensos
modificadores (que vivem mortificados por uma espécie de culpa inconsciente) e
de rótulos apologéticos que lhe foram pregados.
Houve
uma época na Europa em que essa visão de mundo gerou grandes fortunas que foram
acumuladas com o intuito de sustentar gerações com um mesmo sobrenome. Nos EUA, esse arranjo europeu se tornou uma
inspiração para James Madison, John Adams e Thomas Jefferson, que seguidamente
enfatizavam a necessidade de “cidadãos valentes e nobres” para preservar seu
vasto e incrível experimento.
Essa
é a concepção do tipo de indivíduo que nenhuma grande força — imperadores,
exércitos, governos — é capaz de substituir.
É desse tipo de aristocracia que necessitamos urgentemente no mundo
ocidental.
Uma legítima Austríaca!
“Verdadero aristócrata es el que tiene vida interior. Cualquiera que sea su origen, su rango, o su fortuna.”
“El amor al pueblo es vocación de aristócrata. El demócrata no lo ama sino en período electoral.”
(Nicolás Gómez Dávila)
Fantástica análise/declaração.
“O elemento aristocrático presente em uma democracia é o que garantirá sua qualidade no longo prazo. A aristocracia é o instinto necessário que a democracia terá de adquirir novamente se quiser sobreviver.”
Este ponto em especial eu discordo. Não acredito que uma cultura aristrocática possa sobreviver no longo prazo em um sistema democrático. A tendência será sempre que “benevolentes” lideres políticos ofereçam caminhos mais fáceis do que a visão de longo prazo e, ludibriando a maioria insensata, enterrem ideias aristrocáticas sempre que as mesmas começarem a florescer.
Julio, elemento aristocratico não é cultura aristocratica.
“Este é o caminho da autodestruição de um igualitário. Ele pensa apenas no curto prazo, pois o presente é um martírio a ser superado, o passado é invariavelmente uma fonte de tormentos, e o futuro está fora do seu controle e além de suas preocupações.”
É a mentalidade revolucionária.
Oclocracia cleptocratica
Pô, Sêneca! Calístenes era seu amante? Que tanta revolta é essa?
Foi o que Fukuyama disse: a democracia liberal obteve uma vitória moral, sendo a melhor forma de governo que o ser humano pode produzir; mas ela sofre ameaças e uma das maiores é a social-democracia.
* * *
No Brasil não há aristocracia alguma e a consequências são exatamente aquelas apontadas no texto. Somos o exemplo final do desastre que o despotismo eleitoral pode causar. O brasileiro é possivelmente o povo mais violento e inculto do mundo.
Excelente artigo. Tem uma entrevista bem legal, curta e direta do Principe Dom Bertrand de Orleans e Bragança
https://www.youtube.com/watch?v=1Lm_twYBZKI
Só para marcar à atualidade do assunto: umas semanas atrás no The Economist, com na capa a foto de Putin em cima de um blindado e com o título “The New World Order”: “… O Ocidente, frente à essa situação,…deveria sobretudo refletir e decidir com qual novo tipo de ordem mundial quer viver.” No enquanto isso Putin já deu os passos na direçaõ ao dele.
Tenho quase um ano de liberalismo e não entendi nada. Que negócio é esse de “aristocracia”? Alguém poderia indicar livros, links, artigos, etc.?
Não entendo a obsessão em redimir a democracia, mas fora isso, excelente artigo!
Esse é o verdadeiro libertarianismo: o que reconhece que a liberdade e a prosperidade dependem de todo e de cada indivíduo. O que lembra a pessoa de que quando ela age, ela está deixando a sua marca no mundo e nos outros.
Não existe panacéia nem receita de bolo. Não existe uma classe de demônios opressores e outra de inocentes oprimidos. O que existem são indivíduos, suas crenças, suas ações. É aí que temos que atuar para mudar alguma coisa.
Prezado Rafael, a Autora não defende a democracia, defende o Capitalismo e o Indivíduo com a sua Individualidade, que, pelo ponto de vista dela precisa recuperar uns elementos aristrocraticos que lhe foram arrancados. Elementos esses aceitos pela Autora na definição de: auto-estima, auto-suficiência, auto-perpetuação (esse trés elementos te satisfariam para a definição de: Libertario?). Não precisa ter uma linhagem aristocratica para ter alma nobre.
“o genuíno capitalismo ao atual arranjo corporativista em que uma pequena elite que tem boas relações com políticos é beneficiada com subsídios, com políticas protecionistas e com regulações específicas que lhe garantem reservas de mercado. Recorre também ao truque baixo de equiparar capitalismo com o gangsterismo de alguns bancos que, justamente por saberem que serão socorridos pelo estado caso façam apostas mal sucedidas, fazem lambança, se tornam insolventes e derrubam economias inteiras. O objetivo é solapar e difamar o conceito de capitalismo”. Era isso que eu achava que era o capitalismo até encontrar o Mises. Tento ensinar para todos os que conheço: familia,familiares,colegas de faculdade,colegas de trabalho, vizinhos, membros da igreja a que pertenço.
Observe a explanação muito bem explicada pelo economista Waldir Serafim.
Então, quando LULA assumiu o Brasil,
Em 2002, devíamos:
Dívida externa = 212 Bilhões
Dívida interna = 640 Bilhões
Total DA Dívida = 851 Bilhões
Em 2007 no governo Lula (Transfere a dívida externa para interna):
Dívida Externa = 0 Bilhões
Dívida Interna = 1.400 Trilhão
Total DA Dívida = 1.400 Trilhão
Em 2010 no governo Lula:
Dívida Externa = 240 Bilhões
Dívida Interna = 1.650 Trilhão
Total DA Dívida = 1.890 Trilhão
Ou seja, no governo LULA,
A dívida do Brasil aumentou em 1 Trilhão!!!
E não é com dinheiro do crescimento, Mas sim, com dinheiro de ENDIVIDAMENTO.
O Governo não está conseguindo pagar os Juros da dívida.
Interessante como os posts vão mudando de assunto.
Hoje a manutenção de um número tão assustador de pessoas povoando a Terra só é possível com a “igualitária’ administração. Não é mais possível fazer experiências.
Mas a experiência natural que irá acontecer é que o ambiente será disputado pelas pessoas. E ainda há gente que tem tempo de discutir formas ideais etc.
Enquanto o ebola oferece perigo. E detonamos nosso sangue com Coca-Cola. E acaso a Coca-Cola não foi iniciada por algum aristocrata?
De novo isso… A sua idéia de “aristocracia” governando têm duas falhas fundamentais.
A primeira é que para uma aristocracia, monarquia, etc funcionar (ou qualquer outro regime de governo que coloque todo o poder nas mãos de uma única pessoa), é necessário encontrar um governante “perfeito” que simplesmente NÂO existe, período. O ser humano é falho, algumas vezes damos sorte e aparece algum líder que de fato é apto para governar sozinho, mas não dá de basear uma sociedade inteira na “sorte” e sofrer com as GRAVES consequências de dar poder total para uma única pessoa que não merece tal poder.
E o segundo problema é que quase sempre os que se consideram a si mesmos “aristocratas” e “dignos” de governar sozinhos são os ÚLTIMOS que deveriam ter tal poder. Uma gorda conta bancária não significa que a dona dessa conta seja uma boa pessoa, inclusive geralmente o que acontece é o exato oposto. Ou em resumo: QUEM têm a autoridade para dizer quem é “nobre” e quem não é? Quem têm a autoridade para decidir quem têm direitos e quem não têm? É a sua conta bancária que diz que você é nobre? Que na minha escola de vida são os atos da pessoa que definem se ela é “nobre” ou não.
Cut the crap, na prática quem seria essa aristocracia? Os militares? Os empresários donos de empresas de segurança? Quem?
“Para Aristóteles, o comportamento político pode ser organizado em três formas principais: a monarquia (governo de um só), a aristocracia (governo dos melhores) e a politeia (governo de muitos). Essas formas, no entanto, estão sujeitas a degradação por interesses privados e pessoais dos homens, sofrendo alterações em seu foco de governo e se desviando da busca pelo bem comum.
Essas formas degradadas são, respectivamente, a tirania, a oligarquia e a democracia (entendida como democracia popular, onde a população livre não teria “a mais perfeita igualdade política”, portanto não seria possível existir liberdade e igualdade entre a população, essenciais a um satisfatório governo de todos.
Destarte, essa organização política sucumbe facilmente ao demagogo, ao adulador do povo. Ressalte-se que Aristóteles considerava essa forma, dentre as piores, a melhor.)”
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_das_formas_de_governo
* * *
Off toppic
Diriam: Até tu, Brutus?
“Luciana Genro propõe novas eleições para presidente no ano que vem” – InfoMoney
Um dos melhores artigos publicados esse ano.
Para quem deseja uma extensão do argumento do artigo, o clássico de Hoppe:
http://www.libertarianismo.org/livros/hhhdtgtf.pdf
Levy diz que governo federal teve superávit de 48 bilhões, mas foi desapareceu para cobrir o rombo da previdência social.
http://www.otempo.com.br/capa/economia/levy-fala-em-ano-at%C3%ADpico-e-defende-reforma-da-previd%C3%AAncia-social-1.1188276
E eu tive um superávit de 4800 reais. Mas as minhas contas mensais comeram tudo… Julgando o histórico do governo, acha que eles vão parar de tratar o dinheiro passado para a previdência como ‘de fora’ para ter superávit no futuro? Uma nova mudança no cálculo?
(Sei que a última não enganou ninguém)
Sempre achei esse artigo confuso, relendo ele acho mais ainda.
Quem é essa aristocracia? a família Orleans e Bragança? Pfff
E dane-se o que a democracia precisa.Democracia é um câncer, ninguém precisa dela não.
Solução: passar o mundo para o meu nome.
Excelente artigo.
Ultimamente, o Mises vem trazendo à tona assuntos que estavam sendo deixados de lá. Parabéns.
O maior problema sempre foi o estado intervencionista e aloprado.
Os investidores são pessoas que correm riscos. Se não houvesse risco, todo mundo seria investidor.
A igualdade é o primeiro passo para o totalitarismo. O governo é como um gordo em uma churrascaria ou como um alcoolatra em um bar. Eles nunca conseguirão ter um estado pequeno ou mínimo. É gula mesmo e canalhice de vagabundo.
O governo toma atitudes irresponsáveis o tempo todo.
Uma simples proibição da maconha resultou em 50 mil pessoas presas.
Uma simples criação de universidades públicas, retirou uma parcela enorme de verbas da educação básica.
Uma carga tributária de 36% causou uma degradação absurda na economia.
Uma burocracia enorme causou o congelamemto da economia.
Enfim, os socialismo e o assistencialismo foram os grandes responsáveis pela miséria do Brasil.
Gosto de ler essa página, por conta dos seus excelentes artigos sobre economia.
Mas de vez em quanto temos que engolir artigos medíocres como esse. Simplesmente lamentável.
Não sei se a família real de Liechtenstein se encaixa nos conceitos propostos pela autora. Só sei que ela é o melhor exemplo de Monarquia na prática.
Os elementos aristocráticos como vigilantes dos efeitos de longo prazo (das ações tomadas agora) são, sim, salutares. Especialmente de forma reativa: barrando o inchaço auto-retroalimentado da social-democracia. O crucial é defender os valores corretos e ser inflexível: direito à integridade física, direito à propridade, liberdade de transação da propriedade. E por mais que haja consensos de aumento de atribuicçoes do estado no curto prazo, o aristocrata será aquele com o dever de alertar os incautos, “para seu próprio bem” (argh, que expressão horrível…)
Meu maior receio em relação aos elementos aristocráticos é darem brecha para o retorno da mentalidade aristocrática, e dos abusos pelos membros de castas superiores.
Bem, na prática, simpatizo com o conceito de livre sesseção, e de monarquias concorrentes; se um monarca for abusivo, se seu estado crescer demais, um território poderia se separar, e independente disso quem quisesse abndonar o território teria um território vizinho para lhe acolher.
Quanto ao sistema americano e aos founding fathers, faltou mencionar o mais importante nisso tudo, que é o fator religioso.
“Our Constitution was made only for a moral and religious people. It is wholly inadequate to the government of any other.”
John Adams
“Religion and morality are the essential pillars of civil society.”
George Washington
“[O]nly a virtuous people are capable of freedom. As nations become corrupt and vicious, they have more need of masters.”
Benjamin Franklin
“Human law must rest its authority ultimately upon the authority of that law which is divine. . . . Far from being rivals or enemies, religion and law are twin sisters, friends, and mutual assistants. Indeed, these two sciences run into each other.”
James Wilson
“[F]or avoiding the extremes of despotism or anarchy . . . the only ground of hope must be on the morals of the people. I believe that religion is the only solid base of morals and that morals are the only possible support of free governments. [T]herefore education should teach the precepts of religion and the duties of man towards God.”
Gouverneur Morris
“[T]he only foundation for a useful education in a republic is to be aid in religion. Without this there can be no virtue, and without virtue there can be no liberty, and liberty is the object and life of all republican governments. Without religion, I believe that learning does real mischief to the morals and principles of mankind.”
Benjamin Rush
O outro ponto é que a igualdade formal, num estado cuja população observa preceitos de moral religiosa, permite o surgimento de uma aristocracia genuína com fulcro no mérito pessoal, não em títulos, privilégios ou direitos hereditários.
No século XIX, um filósofo francês publicou o livro presente neste site: https://socserv2.socsci.mcmaster.ca/~econ/ugcm/3ll3/lebon/Crowds.pdf . Traduzindo umas frases, logo no início do livrocoisas, nos teríamos:
“Civilizações tem sido sempre criadas e dirigidas, por uma pequena aristocracia de intelectuais; nunca pelas massas. As massas são apenas feitas para a destruição. Seu reino é sempre anunciador de uma era bárbara. Uma civilização envolve regras claras, disciplina, um abandono do instinto, para um apego a um estado racional. E por fim, um planejamento racional, sobre o futuro.
Para todas estas coisas, as massas deixadas a si mesmas, sempre tem sido incapazes de fazer, se deixadas a si mesmas. Em consequência do puro poder destrutivo das massas, elas agem como aqueles micróbios que aceleram a morte de corpos mortos ou enfraquecidos. Quando uma estrutura de uma civilização está podre, são sempre as massas que trazem sua queda final.”
Patético. Quem acha que aristocaracia significa liberdade deveria ler as tiras do “Mago de Id”.
Aprendi com Aristóteles, e grandes defensores da liberdade – dentre eles os Pais Fundadores, que a Democracia é um conceito que deve ser desmascarado, além de combatido sempre que houver abuso (ou seja, quase sempre)!
Aproveitando o embalo, vão na página do Mises Institute e pesquisem pelos livros de Erik von Kuehnelt-Leddihn, ele fala bastante e profundamente sobre esse elemento aristocrático de nossa civilização, e como a democracia é uma ameaça a ele pois cria uma tendência de “nivelá-lo” e criar uma propensão à tirania. Um livro dele que recomendo muito e estou lendo se chama “Liberty or Equality”, vale muito a pena. Uma pena que ele não é muito mencionado aqui no IMB, tem algum plano pra traduzir artigos ou livros dele?