Os
últimos relatos detalhando todas as lambanças e maracutaias que ocorreram
dentro da Petrobras não devem surpreender aquelas pessoas que realmente
entendem que, em uma empresa que tem como maior acionista o Tesouro nacional, a
rede de incentivos funciona de maneira um tanto distinta. Em última instância, eventuais maus negócios e seus subsequentes
prejuízos ou descapitalizações serão prontamente cobertos pela viúva — ou seja, por nós, pagadores
de impostos, ainda que de modos rocambolescos e indiretos.
O
imbróglio mais famoso do momento é o da compra da refinaria de Pasedena, no
Texas, em 2006. A Petrobras pagou US$
360 milhões por 50% da refinaria (US$ 190 milhões pelos papéis e US$ 170
milhões pelo petróleo que estava em Pasadena). O valor é muito superior ao que
havia sido pago apenas um ano antes pela Astra Oil, da Bélgica, por 100% da
refinaria: US$ 42,5 milhões.
Mas
a coisa piora: um desentendimento ocorrido em 2008 entre a Petrobras e a Astra
Oil acionou uma cláusula contratual (no jargão técnico conhecida como Put
Option) que obrigou a estatal brasileira a comprar toda a fatia que pertencia à
empresa belga. E, como se não bastasse,
havia também uma segunda cláusula contratual, conhecida como Marlim. A Put Option estipulava que, em caso de desavença
entre os sócios, a outra parte seria obrigada a adquirir o restante das ações. Já
a Marlim garantia à sócia da Petrobras, a belga Astra Oil, um lucro de 6,9% ao
ano.
Consequentemente,
a aquisição da refinaria de Pasadena acabou custando US$ 1,18 bilhão à estatal,
um valor mais de 27 vezes maior do que aquele que a Astra teve de desembolsar.
Quem
presidia o Conselho de Administração da estatal e que deu aval a toda essa
operação, ignorando a possibilidade de acionamento dessas cláusulas
contratuais, era Dilma Rousseff.
Outra
figura que ficou famosa é o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras,
Paulo Roberto Costa, que foi apontado como um dos responsáveis por elaborar o
resumo técnico da operação de 2006, e que não teria informado ao conselho de
administração da estatal (presidido por Dilma) sobre a existência das cláusulas
Put Option e Marlim.
No
entanto, apesar de ele ter participado diretamente da compra da refinaria de
Pasadena, ele foi preso por um motivo não-relacionado a essa negociação: ele
foi acusado de participar em um esquema de lavagem de dinheiro e de fazer
intermediação em vendas irregulares de glicerina de uso industrial. Essa operação ficou popularmente conhecida
como “Operação Lava-Jato”
Mas
tudo isso é apenas a ponta do iceberg.
Há muito mais.
Há
indícios de que a empresa holandesa SBM Offshore, que fornece plataformas
marítimas flutuantes, pagou
propina a funcionários graúdos da Petrobras para que estes escolhessem a
empresa holandesa como fornecedora — a qual, por sua vez, cobraria preços
muito maiores pelos produtos fornecidos.
Isso ocorreu entre os anos de 2005 e 2012.
Há
denúncias de que plataformas estariam sendo lançadas ao mar sem
equipamentos primordiais de segurança.
Há
indícios de superfaturamento
na construção de refinarias.
Há
o fato de que a Petrobras perdoou
um calote da Venezuela, abrindo mão de penalidades que exigiriam da
Venezuela o pagamento de uma dívida contraída pelo Brasil para as obras na
refinaria Abreu Lima, em PE. O acordo feito entre Lula e
Hugo Chávez deixou o Brasil com a missão de garantir, sozinho, investimentos de
US$ 20 bi.
Há
o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, Comperj, que foi orçado em US$ 6,5
bilhões e que, até o momento, já
custou mais de US$ 13,5 bilhões.
E,
para coroar, descobriu-se
recentemente que, nos últimos três anos, a Petrobras fechou R$ 90 bilhões
em contratos sem fazer licitação, o que equivale a mais de 28% de tudo o que a
estatal gastou entre 2011 e 2013. Segundo
a reportagem, as “modalidades normalmente adotadas pela administração pública,
como concorrência e tomada de preços, representam menos de 1% dos contratos da
Petrobras. Em 71% dos casos, a forma de
controle é mais branda, como carta-convite.”
A
Petrobras dispensa licitação até para a contratação de mão-de-obra
terceirizada.
E
por que se preocuparia com isso? Boa
parte do dinheiro que for mal gasto será reposto por nós.
Solução
Os
problemas de um setor petrolífero nas mãos do estado são óbvios demais: ele
gera muito dinheiro para políticos, burocratas, empreiteiras ligadas a políticos, corruptores, sindicatos e demais
apaniguados. Isso é tentador. A teoria diz que toda e qualquer
gerência governamental sobre uma atividade econômica sempre estará subordinada
a ineficiências criadas por conchavos políticos, a esquemas de propina em
licitações, a loteamentos de cargos para apadrinhados políticos e a monumentais
desvios de verba. No setor petrolífero, Venezuela, Nigéria e todos os
países do Oriente Médio comprovam essa teoria.
Um
setor ser gerido pelo governo significa apenas que ele opera sem precisar se
sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos. Todos os eventuais déficits
operacionais gerados pela corrupção serão cobertos ou pelo Tesouro ou pelo aumento dos preços dos combustíveis nas bombas. O interesse do consumidor é a
última variável a ser considerada.
No setor petrolífero brasileiro, o dinheiro é retirado do subsolo e despejado
no buraco sem fundo da burocracia, da corrupção, dos privilégios e das
mamatas. Todos os governos estaduais e todos os políticos do país querem
uma fatia deste dinheiro para subsidiar suas burocracias e programas estatais
preferidos. Consequentemente, em todos os setores em que esse dinheiro é
gasto, ele é desperdiçado. Como é economicamente impossível o governo
produzir algo de real valor, ele na prática apenas consome os ativos e a
riqueza do país.
Caso
o setor petrolífero estivesse sob o controle de empresas privadas, todo o
dinheiro retirado do subsolo seria de propriedade destas empresas e de seus
acionistas. Sim, haveria impostos sobre esse dinheiro. Mas a maior
parte dele ainda iria para mãos privadas. É assim nos EUA e em vários
países da Europa. Tal arranjo mantém o dinheiro longe das mãos do governo
e dos demais parasitas, e garante que a produção e a distribuição sempre
ocorrerão estritamente de acordo com interesses de mercado, e não de acordo com
conveniências políticas.
Sendo
assim, qual a maneira efetiva de se desestatizar o setor petrolífero do Brasil?
Legalizando a concorrência. Para isso, bastaria o estado se retirar do
setor petrolífero, deixando a Petrobras à sorte de seus próprios funcionários,
que agora não contariam com nenhum monopólio, nenhuma proteção e nenhuma
subvenção. O estado não venderia nada para ninguém. Apenas sairia
de cena, aboliria a ANP e nada faria para impedir a chegada concorrência
estrangeira.
A
Petrobras é do povo? Então, nada mais coerente do que colocar este mantra
em prática: após a retirada do governo do setor petrolífero, cada brasileiro
receberia uma ação da Petrobras que estava em posse do governo. E
só. Ato contínuo, cada brasileiro decidirá o que fazer com esta
ação. Se quiser vendê-la, que fique à vontade. Se quiser mantê-la,
boa sorte. Se quiser comprar ações das outras empresas petrolíferas que
agora estarão livres para vir operar aqui, sem os onerosos fardos da
regulamentação da ANP, que o faça. Se a maioria dos acionistas
brasileiros quiser vender suas ações para investidores estrangeiros, quem irá
questionar a divina voz do povo? Se o povo é sábio o bastante para votar,
então certamente também é sábio o bastante para gerenciar as ações da
Petrobras.
O
objetivo supremo é fazer com que o dinheiro do petróleo vá para as mãos do
povo, e não para o bolso de políticos e burocratas. É assim que acontece
em outros países, principalmente nos EUA, onde não há autossuficiência e a
gasolina é bem mais barata que a nossa.
Conclusão
É
claro que isso nunca será feito. Isso significaria capitalismo
genuíno. Significaria cidadãos privados participando ativamente da
riqueza gerada pela indústria petrolífera, e se beneficiando dela — algo
proibido em arranjos socialistas como o que vigora no Brasil.
Sem
o estado participando ativamente do setor petrolífero, não mais seria possível
ocorrer as manipulações, as indicações políticas e os jogos de favorecimento a
companheiros no alto comando da Petrobras.
Mas
nenhum governo de nenhum partido fará esse tipo de reforma. Imaginar que
políticos irão voluntariamente abrir mão dos privilégios gerados pela Petrobras
é tão lógico quanto imaginar que cupins irão voluntariamente abdicar da
madeira.
O
governo é naturalmente formado por insaciáveis praticantes da espoliação
pública. Tais pessoas não apenas querem utilizar o dinheiro do petróleo
para financiar seus próprios projetos eleitoreiros, como também querem ter o
governo subsidiando esses seus buracos sem fundo. Só nos resta aguentar.
Nunca irá acontecer.
Como dito, “Imaginar que políticos irão voluntariamente abrir mão dos privilégios gerados pela Petrobras é tão lógico quanto imaginar que cupins irão voluntariamente abdicar da madeira.”
A coisa ta feia.
Realmente, o estado está mais para rei merdas…põe a mão e vida merda. Mas esse governo do PT se superou…está ordenhando a vaca até a última gota.
Uma dúvida: Privatização e desestatização são sinônimos?
Leandro, moro bem no interior e vejo quão nociva a Petrobras é. Como a nossa economia gira em torno do Agronegócio, vejo produtores pagando horrores por óleo diesel. Gente que pula cedo todos os dias para trabalhar. Gente que sobe num trator às 7 da manhã e só para às 10 da noite. O litro do óleo diesel deveria custar menos da metade do que custa hoje e, claro, a qualidade deveria ser superior. Sem contar o preço da gasolina que toma boa parte da renda mensal das pessoas. E o gás de cozinha? Os parasitas da Petrobras não sentem dó de ninguém. Cinco mudanças sem as quais o Brasil nunca será um lugar sério:
-retirada do estado do setor de energia(inclusive geração, transmissão e distribuição de energia elétrica);
-A extinção da CLT e da Justiça do Trabalho. A confiança mútua é um dos pilares do verdadeiro livre mercado;
-Reorganização do estado brasileiro. Hoje o Brasil NÃO É uma federação com voto distrital. Vários políticos se elegem com os “votos extras” de outro candidato. Isso é uma aberração sem precedente. Sem contar que o voto distrital reduz bastante o custo de campanha para a maioria dos cargos. Dar autonomia para os municípios e os estados reduz o poder do governo federal. E claro, uma drástica redução do estado. Eliminando cargos inúteis…diminuindo número de cargos políticos…cortando vários benefícios dos funças.
-Reforma tributária. Profunda e séria. A carga tributária deve cair muito e pagar imposto deve ser rápido. A maior parte dos recursos das empresas deve ser usado para produção e inovação.
Leandro parabéns pela boa argumentação.
A única coisa que dói a respeito de uma possível venda da Petrobrás é que o governo receberia uma espécie de bônus com este valor, pois para o povo, com certeza ele não iria.
Eu sempre fui favorável à ideia da desestatização da Petrobras e entrega das ações para a população.
Porém eu proporia o seguinte como opção:
1 – Lei de Responsabilidade Fiscal 2.0: Proibir todos os níveis das federação de operar com qualquer tipo de dívida, sendo todos obrigados a utilizarem apenas o arrecadado em impostos. Apenas essa lei já seria suficiente para estabilizar a moeda, atrair investimentos, diminuir desigualdades, reduzir a corrupção, reduzir o tamanho do estado, diminuir os juros, aumentar a produtividade entre outras coisas.
2 – Privatização de todas as empresas públicas de todos os níveis da federação, com a obrigatoriedade de 100% do valor da venda ser utilizado em pagamento de dívidas.
3 – Desestatização de todos os setores.
Muito bom artigo, Leandro. O PT se supera a cada dia em sua suprema ineficiência e corrupção,a Petrobras está deixando isso ainda mais transparente.
Fiquei com uma dúvida apenas: “Caso o setor petrolífero estivesse sob o controle de empresas privadas, todo o dinheiro retirado do subsolo seria de propriedade destas empresas e de seus acionistas.” O benefício para o povo nesse caso seria um produto de maior qualidade e por menor preço, no caso a gasolina, correto? Porque acredito que muitos argumentariam que o setor petrolífero privado iria apenas gerar dinheiro para os donos, que remeteriam todo lucro à matriz, em outro país. Apenas “explorando” os recursos locais.
POR ISSO MAIS PROTESTOS INTELIGENTES
Parabéns, Leandro. Segue em frente na luta.
Gosto muito dessa idéia de privatização do Leandro. Também seria de longe a mais difícil de criticar. Como dizer que “estão entregando o patrimônio nacional” quando na verdade cada brasileiro teria a sua ação? Os protestos poderiam vir apenas de empregados da estatal que acham que a situação deles pioraria. Mas nem tanto assim, já que já são celetistas e não estatutários.
É verdade que também seria bem mais difícil de operacionalizar. Como distribuir dividendos para milhões de pessoas, muitas das quais sequer possuem conta em banco? Mas é a mais justa.
Infelizmente, duvido que seja adotada. O governo não abre mão da empresa. Se abrir, certamente não abrirá mão do dinheiro da venda. Aí vem os esquerdistas contra privatização dizendo com o discurso anti-entreguismo, não sem certa razão, já que de fato o governo está embolsando um dinheiro que deveria ser de todos.
Eu ainda proponho algo melhor!
Todos os beneficitarios (leia-se parasitas) do bolsa familia deveriam receber ações equivalentes a sua renda no bolsa familia (se ganha 300,00 de beneficios, este seria convertido em 300,00 em ações da petrobrás).
Chamariamos isto de “Capitalização Social”.
Assim esta ação ficaria ainda mais inquestionavel pelos esquerdistas!
Como todos nós sabemos que a petrobras não teria nenhuma chance de se manter no mercado sem o apoio do estado, alem de acabar vom o parasitismo do bolsa familia, acabariamos com o fardo de uma estatal ineficiente. E ainda dariamos um tapa na cara da corrupção, pois os politicos não colocariam um dedo na grana da venda.
PALMAS!!! (Mises deve estar orgulhoso em ‘algum lugar’ 😀 )…
Leandro, acho que esse modo de privatização realmente é menos sujeito à patrulha e bem mais eficiente, mas acha que valeria mesmo a pena abrir mão de um dinheiro que poderia vir por exemplo para abater dívida pública e diminuir impostos?
Contudo, o governo é sócio majoritário e nada mais. Ele se livraria de 51% da companhia, e os demais 49% continuariam na mão de acionistas deveras poderosos. Se querem que o solo e a petrobras sejam do povo, talvez seja melhor nacionalizar completamente e só então desestatizar.
Ainda, todo o processo de produção de energia fóssil exige regulação, porque o solo não pode ser disputado com empresas concorrentes sem um mediador. Se a Chevron ou qualquer outra vier disputar jazidas e blocos, quem vai lhes dizer onde investigar e produzir? A Petrobras, empresa do povo, sem reguladores? Ela vai dizer que não pode furar nada em lugar algum, pra sempre, porque o solo é todo nosso.
Eu gostei muito da tua idéia, mas não tenho alcance mental suficiente pra imaginá-la dando certo sem que haja uma ANP, por exemplo.
Por fim, eu vejo outros problemas mais urgentes. A comunicação, por exemplo, é um órgão vital que precisa funcionar bem, mas esse órgão tá com câncer. Outro câncer muito complexo é o do transporte. Outro ainda mais complexo é a dívida externa, que sofreu um reajuste unilateral muito sujo no final dos anos 70, mas foi praticamente caducada em 92. De lá pra cá se tornou um escândalo que faz o mensalão parecer uma gota no oceano, mas ninguém ouviu falar da CPI. Pra piorar, a dívida interna é um péssimo negócio que virou moda na última década, e me dá ainda mais vergonha do meu país.
Energia é complicado, isso é óbvio. Mas eu deixaria como esse porão como está e arrumaria os outros quartos antes. O lobby ao menos tá funcionando bem.
Quanta desinformação! O setor de telefonia foi “privatizado” e, mesmo assim, pagamos uma das tarifas mais caras do mundo. Por que o setor de petróleo, um dos mais disputados e estratégicos, seria diferente? E o controle de combustíveis na mão dos empresários? Lembremos que, em 2008, o barril de óleo estava em US$40 e a gasolina em R$2,30/l; de pois o barril foi a US$150 e o litro da gasolina continuou em R$2,30.
Se privatizado só iríamos gerar empregos lá fora pois a Petrobras é a única a investir na indústria nacional. Nenhuma empresa que tenha arrematado área de produção comprou qualquer navio aqui e, mesmo assim, só se produz alguma coisa significativa se for em parceria com a Petrobras.
E o diretor que fez o relatório foi o Nestor Cerveró, não Paulo Roberto Costa.
Imaginar que políticos irão voluntariamente abrir mão dos privilégios gerados pela Petrobras é tão lógico quanto imaginar que cupins irão voluntariamente abdicar da madeira.
leandro, ñ ofenda os cupins! a frase correta é: Imaginar que políticos irão voluntariamente abrir mão dos privilégios gerados pela Petrobras é tão lógico quanto imaginar que um vírus voluntariamente abdicará do hospedeiro.
O Pastor Everaldo vai privatizar. 15 anos de propaganda na internet, formação de think tanks, O Indivíduo, Instituto Liberal, Ordem Livre, Instituto Mises, Rodrigo Constantino, Liberzone, etc. para convocar o espírito do autêntico liberalismo e ele veio encarnar logo no Pastor Everaldo. Além de um problema estético para o movimento liberal, ele não chega lá. O espírito do liberalismo autêntico nunca vai possuir um candidato/partido mainstream viável?
Trabalhei em uma empresa privada em São Gonçalo RJ na década de 90, cujo sócio era o Sr. Helio Beltrão, onde em um projeto de expansão, com mudança da planta e implantação de novos processos de fabricação, presenciei enorme desperdício de serviços e materiais, que creio, ultrapassaram a casa dos dez por cento do valor do investimento, isto falando de plantas industriais, previamente elaboradas nas pranchetas de seus projetistas, onde havia todos os recursos técnicos.
O que esperar do administrador de uma empresa pública ou de economia mista se não o mesmo comportamento quando na iniciativa privada: o tão falado custo Brasil já contempla a ineficiência gerencial e a corrupção.
A propósito, esta empresa tinha seu produto, a dextrose, exportado pela extinta INTERBRÁS. Isto sim é liberalismo! O Helinho conhece bem esta empresa.
E a statoil norueguesa? Não é um exemplo de eficiência estatal na gestão do petróleo como os fãs do “socialismo nórdico” advogam?
Interessante essa entrevista. Infelizmente, para a maior parte dos social-democratas, é melhor tentar mudar uma cultura milenar (herdamos dos portugueses e espanhóis) de corrupção e procrastinação, tentando fazer com que a petrobrás seja mais eficiente do que deixar privatizá-la.
Sobre o preço da gasolina na Noruega, 78% de impostos??????????? E eu que achava os 53% daqui absurdos.
Mas a pergunta que fica é: como o petróleo consegue ser o bastião da economia norueguesa com essa carga tributária obscena?
O artigo é bem instigante, e não pode ser categorizado como menos que maravilhoso. Depois de lê-lo deveria se tornar um dever de cada cidadão reivindicar a sua parte de direito nas ações da Petrobras e tirá-la das mãos do governo. Por uma questão de bom senso, é inadmissível alguém ser contra isso. Sem contar que essa poderia ser uma iniciativa vanguardista, abrindo caminho para outras desestatizações. E essa é sem dúvida uma proposta que merece e tem condições de ser levada à sério.
Entretanto, faltou ir um pouco mais além e dizer os rumos que a Petrobras tomaria caso ninguém (ou pelo menos a grande maioria) quisesse vender suas ações, afinal de contas “o petróleo é nosso” (razão pela qual também é difícil visualizar uma abertura do setor à concorrência estrangeira). Aí sim começarão a surgir os problemas e as dúvidas: quem vai querer ter direito a voto e quem não vai; como vai ficar o controle acionário; como é que vai ser escolhido o presidente e eleitos os demais diretores; como vai ser feita a distribuição dos lucros ou para onde serão direcionados… E todo mundo agora tendo que se aprofundar e se informar e conhecer bem a instituição. E também vendo que para continuar acionista e para que a empresa não quebre, é preciso poupar e reinvestir sempre.
É, nesse caso nem tudo seriam flores. Todos teriam que aprender, obrigatoriamente, a lidar com os pesados ossos do ofício capitalista – não sei se por esquecimento ou se por outro motivo mais ardiloso, o fato é que o autor omitiu essas condições. (Mas, prezado Leandro, vamos isentá-lo de qualquer culpa. A inquisição libertária por aqui está agora muito mais indulgente.)
Grande abraço
Boa tarde Leandro!
Apos 7 meses e outras denuncias e delações, tem algo a mais para colocar neste artigo
Olá.
Uma outra opção não seria o governo simplesmente abandonar seus empreendimentos, deixando-os livres para qualquer um apropriar-se originalmente deles?
Abraço.
Cuba é o futuro da Venezuela.
A Venezuela é o futuro da Argentina.
E a Argentina é o futuro do Brasil.
Dilma é Lula. E Lula é Sarney.
Dei-me um país que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre. O petróleo é dos árabes. E a Petrobrás é dos políticos e de seus funcionários.
Adiante, um trechinho de um artigo do jurista Lenio Luiz Streck que serve para valorizarmos o sério e esquadrinhador trabalho realizado pelos Tribunais de Contas Brasil afora:
“Primeiro, parece engraçado esse súbito encantamento pelos Tribunais de Contas. Ali é que estaria o nirvana da transparência… Graças a isso que a Petrobras, fiscalizada pelo TCU… Bom, o resto todos sabemos.”
Prezado Leandro,
É impossível não concordarmos com vossa senhoria sobre os problemas causados pela corrupção e pela má gestão estatal na Petrobrás. Os fatos nos mostram, de toda evidência, que algo precisa ser feito imediatamente. Que o governo brasileiro não tem nem competência para, nem interesse em melhorar a gestão da Petrobrás, isso está claro. Porém, quanto à privatização, tenho uma enorme inquietude: mesmo que a concorência seja uma coisa boa, mesmo que as empresas busquem a expansão do mercado consumidor e, nesse sentido, atendam às demandas do público, mesmo que o preço da gasolina e de tudo mais baixe, a questão é: será que os proprietários privados de empresas como a Petrobrás, ou seja, que exploram o meio ambiente de uma maneira planetária e irrevogável, será que eles vão colocar o que em primeiro lugar? Será que vai ser o futuro do planeta? Será que eles vão colocar os ciclos da natureza em cima do próprio lucro e vão investir numa forma de exploração menos rentável para eles, mas mais rentável para o planeta? Quando tudo fica à mercê do mercado, qual interesse prevalece??????
Você citou o Estados Unidos como exemplo no seu texto, pois bem, em relação a fontes de energia renováveis, o GOVERNO AMERICANO é o que MAIS investe em pesquisas de energia renovável no mundo. Não é um proprietário privado, mas sim O GOVERNO. No Canadá, a mesma coisa acontece, é o governo quem investe em pesquisas sobre fontes renováveis de energia ( ver Martin Roy ). O mercado se interessa mesmo é no lucro FINANCEIRO, se for rentável é bom, se não for rentável, é automaticamente descartado. Será que tudo tem que ser realmente assim? Será que o mais importante da vida é o LUCRO FINANCEIRO? Eu gostaria muito de acreditar que, privatizando a Petrobrás, todos os problemas da estatal chegariam ao fim. Infelizmente, não sou tão optimista quanto o senhor. Quer dizer, pode até ser que a corrupção acabe, mas o problema maior, o da exploração planetária desenfreada, esse continuaria igual, ou mesmo maior, visto a ganância dos homens.
Pour le bien de la planète Terre, je vous salue respectueusement!
Senhor Prático, eu apoiaria a sua proposta simples, clara e objetiva, desde que ela se basea-se numa leitura fiel do que eu escrevi e, logo, desde que essa proposta fosse realmente possível.
Eu disse que os governos americano e canadense investem muito em pesquisas sobre energias renováveis, foi isso que eu disse, ponto. Hora nenhuma eu disse que as petrolíferas americanas e canadenses respeitam o meio ambiente. Isso já é uma outra história..
Tudo o que eu defendi foi que a iniciativa privada se preocupa em primeiro lugar (e talvez unicamente) é com o lucro financeiro. As preocupações ambientais e/ou sociais são secundárias, ou mesmo inexistentes, aos olhos daqueles que só se preocupam com o mercado financeiro. É assim no EUA e é assim aqui no Canadá, os dois países desenvolvidos que conheço mais de perto. Por esse motivo, deixar a exploração petrolífera à mercê do mercado pode ser muito perigoso. Pode ser até mesmo fatal para o planeta.
Tudo foi dito sobre a desgraça que abateu-se sobre a Petrobrás,mas, tenho dúvidas se o problema foi erradicado de vez. Porque acredito que o Presidente(a) de uma empresa tem por obrigação supervisionar as atividades de seus subordinados.
Ora, como poude a Ilustrima Graça Foster durante anos a frente daquela empresa, lendo os boletins diarios e nunca desconfiar das fraudes ocorridas diante de sua efetiva presidencia.
Será que nunca desconfiou de que ocorria rodizio das mesmas empresas contratadas, ou…… Tenho minhas dúvidas. Porque o Pais eximiu suas responsabilidades de maneira plena, apenas se demitiu, e aí……
Sugestão: É preciso que os dirigentes de empresas publicas conheça os principios administrativos, confiando e desconfiando dos mesmos…..
Abolir a ANP? Tão absurdo que creio que nenhum país abdicou do direito de receber por leilões de campos de petróleo. Só falta dizer que é contra o pagamento de royalties também?
Creio que haja uma solução mais simples para a petróbras, por que ao invés de privatizar, não apenas liberem para que empresas importem gasolina de fora? O próprio processo natural levará a petrobras a falência.
Para mim está claro que esse MISES é um agente estrangeiro operando em sincronia com os recentes casos de corrupção, para entregar o Brasil (especialmente a PETROBRAS) ao capital estrangeiro. As “7 irmãs em ação” junto com os comunistas.
Mas tem coisas num país que não podem ser vendidas, nem emprestadas e muito menos dadas.
Mesmo com as dificuldades de se combater a corrupção.
Precisamos é de leis mais duras, mais moral e civismo. Menos políticos.
São quase dois anos no “governo de direita” e ainda não houve uma desregulação do setor de petróleo e derivados. Houve aquelas vendas de parte da Petrobras, mas coisas pequenas. E ainda somos obrigados a usar uma mistura com 27% de etanol que eles chamam de gasolina. Daqui a pouco o diesel também irá receber etanol.
Com a desculpa fiscal, não querem reduzir impostos. Só que quando a coisa estava boa, não reduziram. E também não houve desculpa fiscal para deixar de fazer farra no covidão.