época de aumentos generalizados nos índices de preços, os economistas tendem a
explicar tal fenômeno colocando a culpa em alguns fatores pontuais, como se o
aumento no preço de um determinado produto pudesse gerar toda uma reação em
cascata.
Há
quase que uma completa unanimidade entre economistas e comentaristas econômicos
sobre a inflação ser um aumento generalizado nos preços de bens e
serviços. Deste raciocínio, estabelece-se que qualquer coisa que
contribua para um aumento nos preços irá desencadear inflação. Uma queda
no desemprego ou um aumento na atividade econômica é visto como um potencial
gatilho inflacionário. Alguns outros gatilhos, como aumentos nos preços
das commodities ou nos salários, também são considerados potenciais ameaças.
Normalmente,
os culpados preferidos da carestia são a alta do petróleo causada por tensões
no Oriente Médio, eventos climáticos como escassez ou excesso de chuvas, pressões
sindicais por maiores salários ou até mesmo a subida das tarifas aéreas, da
energia elétrica e dos fretes. Mas o
mais corriqueiro é dizer que inflação de preços é sinal de economia
superaquecida.
A
inflação é um aumento de preços?
O
problema fundamental dessa confusão jaz na incapacidade de se definir
adequadamente o que é inflação. A essência da inflação não é um aumento
generalizado nos preços, mas sim um aumento
na quantidade de dinheiro na economia, o que por sua vez provoca um aumento
generalizado nos preços dos bens e serviços.
Como
Mises explicou em seu ensaio, “Inflação:
uma política fiscal impraticável“,
Inflação, como esse termo sempre foi
utilizado em praticamente todos os lugares do mundo, significa aumentar a
quantidade de dinheiro na economia, algo que por sua vez decorre da expansão do
crédito feita pelo sistema bancário de reservas fracionárias em conjunto com o
Banco Central.Porém, as pessoas hoje utilizam o termo
“inflação” para se referirem ao fenômeno que na verdade é uma
consequência inevitável da inflação, qual seja, a elevação de todos os preços e
salários. O resultado desta deplorável confusão é que não mais existe um
termo disponível para explicar a causa desse
aumento generalizado nos preços e salários. Não mais existe qualquer
palavra disponível para assinalar o fenômeno que, até então, sempre foi chamado
de inflação.Se você é incapaz de definir corretamente um
fenômeno, você não tem como lutar contra ele. Aqueles que se arvoram a
capacidade de lutar contra a inflação estão na verdade lutando apenas contra
a consequência inevitável
da inflação: o aumento dos preços. Seus esforços irão inevitavelmente
fracassar porque não se está atacando a raiz do problema. Eles tentam
manter os preços sob controle ao mesmo tempo em que continuam decididamente
aumentando a quantidade de dinheiro na economia, algo que necessariamente fará
com que os preços continuem subindo. Enquanto essa confusão terminológica
não for completamente extirpada, é impossível haver qualquer chance de se
acabar com a inflação.
O
preço de um bem é a quantidade de dinheiro pedida em troca dele. Assim,
para uma dada quantidade de bens, quanto mais dinheiro houver na economia,
maior será a quantidade de dinheiro gasta por bem, tudo o mais constante.
Isso significa que, para uma dada quantidade de bens, um aumento na quantidade
de dinheiro, tudo o mais constante, deve inevitavelmente fazer com que haja
mais gastos monetários por unidade de cada bem — ou seja, um aumento
generalizado nos preços dos bens.
Quando
a inflação passa a ser vista como um aumento generalizado nos preços, então
qualquer coisa que contribua para um aumento nos preços é chamada de
inflacionária. As fontes da inflação deixam de ser o Banco Central e o
sistema bancário de reservas fracionárias; as fontes da inflação passam a ser
qualquer outro fenômeno não relacionado a essas instituições. Nesse
arranjo, não apenas o Banco Central nada tem a ver com a inflação, como também,
ao contrário, o banco central passa a ser visto com um guerreiro contra a
inflação.
Assim,
uma queda no desemprego ou um aumento na atividade econômica passam a ser
vistos como um potencial detonador inflacionário, devendo ser restringidos
pelas políticas do Banco Central. Alguns outros “detonadores”,
como aumentos nos preços das commodities ou um reajuste nos salários dos
trabalhadores, também passam a ser considerados como ameaças em potencial,
devendo portando estar sempre sob o zeloso e atento escrutínio do banco
central.
A
definição popular não é capaz de explicar por que a inflação é ruim
Se
a inflação é apenas um aumento generalizado nos preços, como acredita o senso
comum, então por que ela é considerada algo ruim? Que tipo de estrago ela
faz? Os economistas convencionais dizem que a inflação — que eles
rotulam como sendo um aumento geral dos preços — gera especulações e faz com
que as pessoas saiam fazendo compras para se precaver contra aumentos futuros
nos preços, comportamento esse que gera grandes desperdícios. A inflação,
afirma-se, também corrói a renda real dos aposentados, pensionistas e dos
assalariados mais pobres, além de provocar uma má alocação de recursos. A inflação, argumentam, solapa o crescimento
econômico real.
Apesar
de todas essas afirmações sobre os efeitos colaterais da inflação, os
economistas convencionais não nos dizem qual a real causa de todos esses
efeitos ruins. Por que um aumento geral nos preços seria ruim para alguns
grupos, mas não para outros? Por que um aumento geral nos preços prejudica
o crescimento real da economia? Ou, como a inflação gera uma má alocação
de recursos? Ademais, se a inflação é apenas um aumento nos preços, então
certamente deveria ser possível compensar seus efeitos apenas reajustando a
renda de todas as pessoas da economia de acordo com esse aumento generalizado
nos preços.
Entretanto,
se aceitarmos que a inflação é na verdade um
aumento na oferta monetária, e não um aumento nos preços, então todas essas
afirmações podem ser facilmente explicadas. Não são os sintomas da
doença, mas sim a própria doença a causa dos danos físicos. Da mesma
forma, não é o aumento generalizado dos preços, mas sim o contínuo aumento na
quantidade de dinheiro na economia o que provoca os estragos na criação de
riqueza da economia.
Aumentos
na quantidade de dinheiro na economia possibilitam que as primeiras pessoas que
recebem esse dinheiro recém-criado tenham seu poder de compra elevado.
Sem que tenham produzido absolutamente nada, elas agora podem adquirir mais
bens, gerando uma concorrência desleal com os reais produtores de riqueza da
economia, aquelas pessoas que realmente precisam produzir algo para poderem
adquirir outro bem em troca.
Note
que aumentos na oferta monetária desencadeiam uma troca de nada por alguma
coisa. Tais aumentos retiram recursos dos reais geradores de riqueza e os
desviam para os portadores do dinheiro recém-criado. Essa distorção altera a alocação de recursos
na economia, privilegiando os reais beneficiários da inflação da oferta
monetária (os primeiros a receberem o dinheiro recém-criado) em detrimento dos
reais geradores de riqueza. É isso, e não o aumento dos preços, que gera
a má alocação de recursos na economia.
As
pessoas que primeiro recebem esse dinheiro recém-criado — um dinheiro que é
criado do nada pelo Banco Central e pelo sistema bancário de reservas
fracionárias — podem agora desviar para si próprias uma maior fatia de toda a
riqueza que existe na economia. Obviamente, aquelas pessoas que não
recebem nenhuma parte desse dinheiro recém-criado, ou que recebem apenas uma
parte e após muito tempo, irão descobrir que para elas sobrou apenas uma fatia
mínima de toda a riqueza da economia. Ou, falando mais claramente, os
preços de todos os bens já aumentaram antes de esse dinheiro chegar até elas, o
que significa que houve uma redistribuição de renda dos mais pobres para os
mais ricos.
A
renda real dos indivíduos geradores de riqueza irá cair não por causa do
aumento generalizado dos preços, mas sim por causa do aumento na oferta
monetária. Quando a quantidade de dinheiro é expandida — isto é, o
dinheiro é criado “do nada” —, os portadores deste dinheiro
recém-criado adquirem a capacidade de desviar para si próprios bens e serviços
sem no entanto terem feito qualquer contribuição para a produção de bens.
O
aumento generalizado nos preços é apenas a consequência de todo um processo
destrutivo gerado pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia.
Contrariamente
ao senso comum, a preocupação do Banco Central em manter uma estabilidade de
preços — ao, por exemplo, estabelecer um sistema de metas de
inflação — pode gerar surpresas desagradáveis. Por exemplo,
caso haja um forte aumento na produtividade simultaneamente a uma forte expansão
monetária, os preços poderão se manter estáveis. Não obstante essa
estabilidade, vários efeitos colaterais deletérios advirão dessa expansão
monetária. Exatamente por isso é que os economistas, bem como as
autoridades monetárias, deveriam centrar-se nas fontes da inflação monetária —
expansão do crédito –, e não nos sintomas da inflação.
Sobre
isso, Rothbard escreveu,
O fato de que, nos EUA, os preços em geral
se mantiveram relativamente estáveis durante a década de 1920 foi interpretado
pela maioria dos economistas da época como uma evidência de que não havia
nenhuma ameaça inflacionária.
Consequentemente, o evento da Grande Depressão surpreendeu-os por
completo.
Conclusão
Inflação
é um aumento na quantidade de dinheiro na
economia em decorrência do crédito criado pelo sistema bancário em conjunto
com o Banco Central. Aumento de preços é
apenas a principal e mais visível consequência
da inflação.
Isso
não se trata de uma mera pendenga semântica.
É algo muito mais sério do que isso. Se você não define exatamente qual
é o problema, você não tem a menor chance de resolvê-lo corretamente.
Se inflação é “aumento de preços”, então a solução para este problema
não tem nada a ver com a quantidade de dinheiro na economia, mas sim com coibir
o comportamento “maldoso” de empresários, que insistem em elevar seus preços
sem nenhum motivo, levados apenas pela ganância. Se inflação é “aumento de preços”,
então a solução para este problema pode perfeitamente ser o congelamento de preços ou a
imposição de um teto para os preços de qualquer bem.
Saber a diferença entre inflação e aumento de preços é tão importante quanto
compreender corretamente as causas de uma doença. É a diferença entre saber o que causa todos os
seus sintomas desta doença e o que deve ser feito para eliminar a fonte dos
sintomas, versus tentar lidar diretamente com os sintomas.
Definir inflação como aumento de preços é o mesmo que pensar que ‘doença’
significa um aumento da temperatura do corpo apontada pelo termômetro, o que
implicaria que a solução seria simplesmente colocar o termômetro na geladeira.
Entender corretamente o significado de inflação — isto é, um aumento na
quantidade de moeda — permite entender que é plenamente possível haver
inflação sem estar havendo aumento de preços e, consequentemente, saber todas
as consequências em termos de investimentos insustentáveis que tal inflação
pode causar. (Vide a recente bolha imobiliária americana,
em que os preços dos imóveis subiam mas os preços gerais da economia estavam
totalmente abaixo dos 2% ao ano, o que levou os monetaristas e os keynesianos a
crerem que estava tudo perfeito e sob controle).
Portanto, é realmente fundamental saber a definição correta de inflação. Assim
como o câncer pode existir sem apresentar nenhum sintoma aparente, a inflação
também existe sem que esteja havendo aumento de preços — e ela estará
insidiosamente fazendo uma redistribuição de renda dos mais pobres para os mais
ricos e gerando todo tipo de investimentos insustentáveis que mais tarde irão
gerar uma recessão.
Quando
o dinheiro é criado do nada e injetado na economia, ele adentra o sistema
econômico por pontos muito específicos, de modo que as pessoas que primeiro o
recebem se beneficiam às custas daquelas que o recebem por último.
Exatamente por isso, essa inflação monetária jamais afeta os preços de todos os
bens na mesma intensidade ao mesmo tempo. Tampouco o efeito é
instantâneo.
Como
o dinheiro se move de um mercado para outro, de um setor da economia para
outra, sempre há um atraso entre a injeção de dinheiro e a subida dos
preços. Quando o aumento da oferta monetária ocorre em períodos de
aumento da produtividade, o aumento dos preços demora mais a ocorrer; quando o
aumento da oferta monetária se dá em períodos de reduzida produtividade, o
aumento de preços tende a ser mais rápido e perceptível.
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Leia
também:
O estado gera as
desigualdades sociais que ele próprio alega ser o único capaz de resolver
Sobre a não neutralidade da
moeda
Essa parece ser a mesma tese do Milton Friedman (da escola Monetarista), só que disfarçada. Ao invés de culpar diretamente o déficit do Governo ou o derramamento de dinheiro dos helicópteros do Banco Central, neste artigo o autor culpa a expansão do crédito bancário. Seja num ou noutro caso o problema essencial se refere à expansão da oferta monetária. Tobin, economista neoclássico, já mostrou que expansão da oferta monetária não gera o efeito riqueza, isto é, ninguém se vê mais rico do que antes da expansão. Isto acontece porque num ou noutro caso o que há, de fato, é apenas uma realocação dos ativos dos agentes. Os agentes agora possuem retêm mais moeda do que antes mas em compensação adquirem uma dívida maior. Esse excedente em moeda não tem um destino uno, qual seja, compor a Demanda Agregada e, consequentemente, tensionar os preços no curto prazo. Na verdade existem diversos fins (além do fim da Demanda Agregada) para este dinheiro, como por exemplo a especulação (aplicá-lo a uma taxa de juros maior do que a de captação) e a precaução (incertezas referentes ao futuro, como receio com a saúde, educação, segurança e etc). Destarte, muitas vezes parte do dinheiro tomado emprestado não vira Demanda Agregada. Aliás, se parte deste excedente em moeda agora vira Demanda Agregada poderá haver certa pressão sobre os preços no curto prazo mas também será um sinal para o empresário continuar/expandir sua produção, se houver fatores desempregados na economia. Em resumo eu diria que a escola Austríaca não está equivocada, mas incompleta. A expansão do crédito não é suficiente, embora tenha sua contribuição, para explicar a causa da inflação dos preços.
Muito bom! Artigo bastante pertinente nos dias atuais.
Melhor artigo, mais claro, mais didático que eu já li sobre inflação. Na verdade, a minha grande dúvida como leigo em economia era como surge essa tal de inflação. Talvez este seja o principal motivo pelo qual passei a ler o site: o fato de ter encontrado uma explicação sobre o que é e o que causa inflação. Parabéns ao site! O artigo será repassado aos amigos, com certeza!
desde “sempre” procuro pela definicao de inflacao (se é aumento nos precos ou na quantidade de moeda). Em todo lugar é definido ou subentendido como aumento de precos. Excecao wikipedia e esse artigo. Acredito no wikipedia, mas 99,9% do mundo fala o contrario, incluindo blogs e artigos de economistas.
Qual a relacao entre inflacao monetaria e crescimento do PIB? Sempre leio frases detonando o primeiro como causa (parcial) do segundo, mas essas nunca entram em detalhes. Há como um pais crescer com a impressora de dinheiro desligada? Houve isso?
Ao meu entender, inflação teria outra definição: seria a diferença ou variação percentual (delta) entre a taxa de crescimento da oferta monetária e a taxa de crescimento da oferta global em um dado período de tempo. Isso significa que a inflação cresce tanto com o aumento da oferta monetária (criação de moeda) quanto com a diminuição da oferta global (choque de oferta) e que, caso essas duas taxas forem equivalentes, a inflação seria mantida constante e igual a zero.
O mal do keynesianismo é achar que o correto é estimular a economia pelo lado da demanda. Isso porque a curva de demanda cresce a uma taxa maior que a curva de oferta, dado o mesmo estímulo monetário, justamente porque é mais fácil usar o dinheiro como despesa a usá-lo como um investimento realmente produtivo (até porque investimento improdutivo ou mau investimento é o mesmo que despesa). Dá mais trabalho aumentar a oferta. O seu crescimento é mais lento. Mas esse é o lado real da economia, e é o que realmente indica a saúde econômica de um país.
Contextualizando com a nossa realidade encontro alguns pontos exposto pelo autor que mão se aplicam ao nosso país.
Imagine o CMN (Conselho Monetário Nacional, órgão normativo do nosso Sistema Financeiro Nacional) causando DEFLAÇÃO, isso traria implicações agravantes as instituições monetárias (bancos) e aí deixo uma questão que não consigo – num primeiro momento – elucidar:
– Como diminuir o crédito (no nosso país) e manter a ECONOMIA aquecida, ou melhor, estável?
Vocês são os caras! Estou aprendendo muito, obrigado.
Sempre que eu assisto o jornal da globo, e eles convidam um economista para ir falar sobre a inflação. porque esse cara não diz que é culpa do banco central? ele sempre da uma desculpa. será que ele não sabe? ou será que é mal caráter?
“Quando o dinheiro é criado do nada e injetado na economia, ele adentra o sistema econômico por pontos muito específicos, de modo que as pessoas que primeiro o recebem se beneficiam às custas daquelas que o recebem por último. Exatamente por isso, essa inflação monetária jamais afeta os preços de todos os bens na mesma intensidade ao mesmo tempo. Tampouco o efeito é instantâneo.”
Não sei se seria adequada a comparação, mas essa inflação monetária me lembra aqueles esquemas de “pirâmide”, em que os primeiros a entrar, ou os que estão no “topo”, enriquecem às custas dos que entram depois.
Leandro,
A inflação do bitcoin que já é conhecida e pré determinada, já poderia ser considerada danosa ? (se fosse usada como moeda global). Até mesmo pq não há reserva fracionária de bitcoins e muito menos alguem pode sair imprimindo-os além daquilo já pré programado.
Na propria revista Mises tem um artigo falando de oferta monetária, que até questiona um regime monetário super rigido (100% inelástico), como tb questiona o atual modelo 100% elástico.
Ou se hj as moedas fossem 100% lastreadas em ouro com 100% de caixa, com uma oferta monetária aumentando de 1% a 5% aa de acordo com a escavação de ouro, essa inflação tb já seria considerada danosa ?
Bom dia a todos. Venho tentando entender economia há pouco tempo e muitas coisas ainda não entram na minha cabeça. E este trecho é um deles:
“O preço de um bem é a quantidade de dinheiro pedida em troca dele. Assim, para uma dada quantidade de bens, quanto mais dinheiro houver na economia, maior será a quantidade de dinheiro gasta por bem, tudo o mais constante. Isso significa que, para uma dada quantidade de bens, um aumento na quantidade de dinheiro, tudo o mais constante, deve inevitavelmente fazer com que haja mais gastos monetários por unidade de cada bem — ou seja, um aumento generalizado nos preços dos bens.”
Pois, no meu entendimento, se você tem uma saída maior do bem ele não tende a baratear ? Talvez esse “gastos monetários” explica tudo e eu não entendi. Peço por gentileza uma explicação =)
Acredito que uma inflação do tipo Bitcoin, escavação de ouro ou quiçá a uma oferta fixa de um BC (como alguns monetaristas eram até então a favor), sendo em todos os casos com 100% de caixa, seria o modelo melhor de todos, melhor que as impressoras freneticas dos atuais BCs e melhor que em um modelo com oferta monetaria ultra rigida.
Quando o Sarney era presidente, o governo instava à população que contivesse os seus gastos familiares e pessoais para ajudar a conter a inflação. Faziam as pessoas se sentirem culpadas por gastar dinheiro e assim estimular o aumento de preços. É estarrecedor ler esse artigo e lembrar disso.
* * *
Leandro,
Caso a quantidade de Real fosse fixa desde o plano real, como que seria a taxa de cambio para dolar hoje em dia ?
Poderiamos ter uma taxa de cambio de 1 real para 10 dolares por exemplo ?
Muitos diriam que isso quebraria com as exportações, mas temos que levar em consideração que os custos de produção despencariam nesse periodo
Leandro,
O rapaz ali bebeu um pouco. hehe
Na Suiça de 2003 a 2009 o M1 e M2 ficaram quase estáticos ou mesmo em leve queda, e nem por isso o país estava quebrando (como poderiam dizer alguns).
Apenas de 2009 para cá que eles dobraram os agregados, muito provavelmente para conter uma possivel supervalorização do Franco. E curiosamente de 2003 a 2009 teve uma média de 1% de inflação de preços e de 2009 a 2013 um deflação de 0,1% nos preços.
http://www.tradingeconomics.com/charts/switzerland-money-supply-m1.png?s=switzerlanmonsupm1&d1=20000101&d2=20141231
http://www.tradingeconomics.com/charts/switzerland-money-supply-m2.png?s=switzerlanmonsupm2&d1=20000101&d2=20141231
Muitos dizem que há diversas bolhas imobiliarias pelo mundo, e uma delas na Suiça, pq desde da crise os preços subiram 20% lá (oq me parece até muito pouco pq no Brasil subiram 200%-300% desde a crise). Assim, esses indices de inflação possuem pontos cegos, pq não pegam a valorização de ativos, e muito dessa valorização na Suiça pode ser explicado talvez pela forte expansão dos agregados.
Leandro,
Muito bom mesmo essas series.
Nessa de crédito consta tb ao setor público ? pq ai mostra 3,5 trilhões enquanto no tradingeconomics mostra 2,5 trilhões.
Tambem não acho que haja bolha na Suiça até pq mesmo que o imoveis lá sejam bastante caros (800 mil dolares) por um AP de 80m², mas eles são um dos povos mais ricos do mundo, ganham em média 6k francos por mês, fazendo que o preço do imovel pela renda fique muito baixo. Bem diferente de Brasil e China que os preços estão muito descolados da renda média nacional.
Leandro,
Pois é, ainda estou a procura de um que mostre o setor privado + publico. Entretanto, oq seria exatamente esse setor bancário externo ? oq bancos de fora emprestam aq ?
Tenho uma inferência lógica que gostaria de confirmá-la como correta:
A inflação da economia gera aumento nos preços se, e somente se não houver um aumento equivalente na produção de bens e serviços.
—
Sobre as moedas virtuais, como a BitCoin e demais, como estudante de engenharia da computação, sei que existe um limite físico para a geração dessas moedas que, no longo prazo, tendem a um valor finito, uma vez que se torna cada vez mais difícil “minerar” tais moedas, mesmo utilizando todo o poder computacional da Terra.
Quais seriam as implicações de uma economia mundial cuja base monetária (aí já não sei dizer se estou falando de M0, M1, M2… são conceitos novos pra mim) é fixa? Isso acabaria com a inflação? Acabaria com as hiperinflações?
Um colega metido a keynesiano diz que caso o mundo passe a adotar somente esse tipo de moeda, a economia passaria a ser um jogo de soma zero, pois, uma vez que a quantidade de dinheiro é constante, não há como gerar mais riqueza. Lendo este e mais alguns artigos, consegui compreender que na verdade isso é uma falácia das grandes =].
Outra pergunta: o que é exatamente um Currency Board? E de que maneira ele é diferente de um Banco Central?
Acabei de jogar fora tudo que eu imaginava sobre inflação, excelente artigo. Estou realmente aprendendo muito em cada artigo que leio, desmontando vários “mitos” que eu achava que era verdade.
Leandro, mas quando de fato a expansão monetária vai aumentar os custos?
Por exemplo: Digamos que eu seja dono de uma loja de doces e amanha chega alguém com um caminhão de dinheiro[recém criado do nada] e compra todos os doces da loja. No manhã seguinte eu recupero todo o estoque e pelo tarde a mesma pessoa volta à loja com outro caminhão de dinheiro e compra todo os doces de novo. Ao menos que meus custos aumentem eu não tenho por que aumentar os preços e isso acontecerá infinitamente. Então quando é que a expansão chega nos custos? Existe um artigo explicando isso? Abraços.
Só pra não passar batido; faltou um “resta” antes do refletir. hehehe
Inflação é oferta e demanda.
Aumento de demanda é mais dinheiro na economia.
A oferta é controlada pela quantidade de produto no mercado.
O custo do produto envolve toda a cadeia de despesa para cria-lo. Isso não muda.Envolve vários fatores e há varias formas de se medir.
Quanto para explicar pq o excesso de dinheiro na economia gera inflação.
Vamos a uma parábola.
Imagine uma cidade de difícil acesso, onde todo mundo tem uma carroça e sonham com o unico caminhão dela, a venda na unica concessionaria da cidade.
Ele custa 100.000 dinheiros.
Três sortudos da cidade acordam com 300.000 dinheiros em casa.
Chega o primeiro na concessionaria com 100.000 e logo vai comprar o caminhão. Nos tramites com o dono da concessionaria, chega o segundo e atravessa o negocio oferencendo 200.000 pelo caminhão. Logo chega o terceiro e para não perder o caminhão desejado, oferece logo todos os 300.000 para não ficar sem o caminhão.
Quando valia o caminhão? 100, 200 ou 300?
Na realidade, valia o quanto cada um tinha para ofertar, pois a demanda só dava conta de UM dono do caminhão.
Sem produto, papel moeda, só é papel.
Depois da inflação ter feito seu estrago, como seria a solução para haver uma deflação, como tirar o dinheiro de circulação, se é que essa seria a solução ?