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Ou temos capitalismo ou temos escravidão – não há terceira via

Há quem jure que a busca pelo lucro é algo cruel, abusivo,
ultrajante, imoral e maléfico.  É fato
que há pessoas desonestas que recorrem a métodos inescrupulosos para obter
lucros em seus empreendimentos, mas basear-se em tais pessoas para fazer uma
condenação automática do lucro é uma postura ignorante.

A
verdade é que foi a busca pelo lucro o que aniquilou aquela milenar abominação
que foi a escravidão humana.  Eliminar a
capacidade das pessoas de buscar o lucro significaria reimplantar a escravidão no
mundo.  E creio que nenhum de nós quer
isso de volta.

A escravidão era um sistema econômico

O
que até hoje ainda não é corretamente entendido é que a escravidão era a base
do sistema econômico vigente no mundo
antigo — como na Grécia e em Roma.

Todo
o sistema escravocrata se baseava praticamente em um só objetivo: obter
excedentes.  É claro que os defensores da
escravidão sempre recorriam a justificativas criativas para defender o sistema
escravocrata, mas, no final, tudo se resumia a obter excedentes.  Pode-se dizer, portanto, que a escravidão era
uma espécie de poupança coercivamente impingida.

Um
indivíduo rudimentar e despreparado irá, caso seja abandonado à própria sorte,
gastar praticamente tudo o que ele ganha. 
Se ele conseguir auferir algum excedente, ele provavelmente irá gastar este
excedente em luxos, prazeres, frivolidades ou em coisas piores.  Enquanto ele não desenvolver um caráter mais
forte, enquanto ele não adquirir uma personalidade mais estável, sobrará muito pouco
de seu excedente para ser utilizado em outras coisas.

Um
escravo, por outro lado, jamais aufere rendimentos e, consequentemente, não tem
como gastá-los.  Todo o excedente
produzido por um escravo é transferido para seu senhor.  Foi exatamente este tipo de arranjo gerador
de excedentes o que tornou Roma um império rico.

Mas
então surgiu a Europa cristã.  Antes do
advento do cristianismo, não se encontra uma única cultura antiga que proibia a
prática da escravidão; a escravidão era vista como algo absolutamente normal.  Sendo assim, a Europa abolir o sistema
escravocrata que havia herdado de Roma foi uma mudança monumental.

Os
europeus substituíram a escravidão — de maneira lenta e por causa de seus
princípios cristãos, e não em decorrência de algum plano consciente e
deliberado — adotando as seguintes posturas:

1. Desenvolvendo o
hábito da frugalidade e da poupança em nível individual
.  Isso requereu uma total mudança de postura e
um enfoque vigoroso em virtudes como a temperança (autocontrole) e a paciência.

2. Substituindo o
arranjo de “produção forçada de excedentes” pelo lucro
.  Para isso, os
europeus tiveram de recorrer à criatividade para alterar totalmente a natureza
de suas atividades comerciais.  Eles
tiveram de inovar, inventar e se adaptar para conseguir mais excedentes por
meio do comércio.

Sob
um novo sistema que acabou sendo rotulado de capitalismo,
a poupança e a criatividade se tornaram os novos geradores de excedentes, e
nenhum ser humano teve de ser escravizado.

Um mundo sem lucros

Por
outro lado, temos exemplos bem recentes do que acontece quando uma cultura
proíbe o lucro.  Pense em tudo o que
ocorreu em paraísos
socialistas
como a URSS
de Stalin
, a China de
Mao
, e as nações escravizadas do Leste Europeu, e no que ainda ocorre na
Coréia do Norte e em Cuba.

São
exemplos lúgubres que ilustram exatamente o que ocorre quando toda uma
população é escravizada pelo partido dominante. 
Nestes sistemas, o indivíduo é obrigado a trabalhar e a produzir, mas é
proibido de usufruir os frutos e os rendimentos de seu próprio trabalho, tendo até mesmo o seu consumo restringido pelo governo.

O
lucro fornece incentivos para se trabalhar e empreender. 
Quando ele é abolido, não apenas o ato de trabalhar e de empreender perde sua função,
como também aqueles que querem prosperar não têm como fazê-lo de maneira
honesta.  E isso leva ou ao desespero ou
à criminalidade.

O
lucro é obtido por meio de trocas comerciais inovadoras e recompensadoras.  Se o lucro é eliminado, tem-se a
escravidão.  O formato dessa escravidão
pode ser variável, mas será uma escravidão de algum tipo.

Com
efeito, este resultado será o mesmo não importa se a eliminação do lucro
ocorrer por meio do comunismo (em que o lucro é punido com a pena capital) ou
do fascismo (em que todo o lucro é direcionado para os amigos do regime).

A
questão principal é o excedente produzido:

  • Se o excedente pode ser
    produzido e acumulado pelo cidadão comum por meios honestos, a escravidão
    pode ser eliminada.
  • Se os cidadãos honestos não
    tiverem a permissão de produzir e de manter seus próprios excedentes
    (sendo seus excedentes confiscados ou pelo estado ou pelos parceiros do
    estado), o resultado será alguma forma de escravidão.

O
lucro é simplesmente uma ferramenta — uma maneira de gerar excedentes sem a
coerção imposta pela escravidão.

O
que nos leva à conclusão definitiva: é impossível se livrar simultaneamente da escravidão e do
sistema de lucros.  Você pode eliminar um
dos dois, mas sempre que eliminar um, ficará inevitavelmente com o outro.

O lucro se baseia nas virtudes

Para
se viver em uma civilização que prospera por meio do lucro, é necessário que o ser
humano saiba domar todos aqueles seus instintos mais primitivos — algo típico
dos animais –, como a inveja.  É
necessário saber desenvolver o autocontrole, a paciência, a temperança e,
principalmente, saber se concentrar em algo maior do que meras possessões
materiais — afinal, é exatamente o materialismo o motor da inveja e do
igualitarismo.

É
vergonhoso que o Ocidente tenha, ao longo dos últimos séculos, se afastado de
suas virtudes tradicionais, e passado a considerá-las vícios burgueses ou meras
superstições.  Se algum dia finalmente
perdermos todas as nossas virtudes, o sistema de lucros perderá sua proteção e
não mais será visto como um motor da prosperidade, e a antiga e extinta prática
da escravidão irá voltar.

Nossas
ações têm consequências.

_________________________

Para
uma abordagem mais técnica e aprofundada sobre a questão dos lucros, leia:

A natureza econômica dos
lucros e dos prejuízos
 

Condenar o lucro é defender
o retrocesso da humanidade
 

A função social e moral dos
lucros
 

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59 comentários em “Ou temos capitalismo ou temos escravidão – não há terceira via”

  1. Eu concordo que o capitalismo é o melhor sistema, mas o próprio capitalismo tem uma certa dose de comunismo e fascismo, porque parte do lucro individual é tributado pelo estado, e parte do dinheiro tributado pelo estado é distribuido pelos amigos da respetiva democracia. Logo não existe um sistema capitalista puro em nenhum pais do mundo, apenas um sistema misto, com base capitalista e comunista (redistribuição da riqueza tributada pelo resto das pessoas de acordo com os recursos de cada um) e facista (redistribuição da riqueza tributada pelos vicios dos sistemas democraticos e dirigentes politicos/amigos de dirigentes).

    De notar que eu não sou a favor de comunismo nem fascismo, apenas penso que mesmo o sistema capitalista existentes nas democracias atuais, tem um pouco de tudo.

  2. Tomemos os conceitos:

    Estado, Organização e Indivíduo.

    Seja a abstração:

    O Mundo é formado por um conjunto de Estados, um Estado é formado por um conjunto de Organizações e uma Organização é formada por um conjunto de Indivíduos.

    Façamos a analogia:

    Uma Organização normalmente produz excedente, parte do qual é apropriada pelo Estado em que está contida, que o distribui a outras Organizações. Um Indivíduo normalmente produz excedente, parte do qual é apropriada pela Organização em que está contido, que o distribui a outros Indivíduos.

    A pergunta:

    Dado que não é aceitável que o Estado se aproprie de excedentes das Organizações, por que seria aceitável que uma Organização se apropriasse de excedentes dos Indivíduos?

    ou:

    Dado que é aceitável que uma Organização se aproprie de excedentes dos Indivíduos, por que não seria aceitável que um Estado se apropriasse de excedentes das Organizações?

  3. A verdade é que foi a busca pelo lucro o que aniquilou aquela milenar abominação que foi a escravidão humana. Eliminar a capacidade das pessoas de buscar o lucro significaria reimplantar a escravidão no mundo. E creio que nenhum de nós quer isso de volta.

    Mas claro que tem quem queira: Raúl Castro, Nicola Maduro, Marilena Chauí, François Hollande, Cristina Kirchner, Warren Buffet, Barack Obama, Dilma Roussef, George Soros, José Genuíno, Antônio Palocci, o PC do B, o PCB, o PSTU, o PSOL, o PCO. O que + tem é gente defendendo a escravidão.

  4. “A busca pelo lucro levou ao fim da escravidão” – Isso não deveria ser novidade nenhuma.

    Adam Smith, Riqueza das Nações

    Livro I, Cap. 9:

    The wear and tear of a slave, it has been said, is at the expense of his master; but that of a free servant is at his own expense. The wear and tear of the latter, however, is, in reality, as much at the expense of his master as that of the former. The wages paid to journeymen and servants of every kind must be such as may enable them, one with another to continue the race of journeymen and servants, according as the increasing, diminishing, or stationary demand of the society, may happen to require. But though the wear and tear of a free servant be equally at the expense of his master, it generally costs him much less than that of a slave. The fund destined for replacing or repairing, if I may say so, the wear and tear of the slave, is commonly managed by a negligent master or careless overseer. That destined for performing the same office with regard to the freeman is managed by the freeman himself. The disorders which generally prevail in the economy of the rich, naturally introduce themselves into the management of the former;
    the strict frugality and parsimonious attention of the poor as naturally establish themselves in that of the latter. Under such different management, the same purpose must require very different
    degrees of expense to execute it. It appears, accordingly, from the experience of all ages and nations, I believe, that the work done by freemen comes cheaper in the end than that performed by slaves. It is found to do so even at Boston, New-York, and Philadelphia, where the wages of common labour are so very high.

    Tocqueville – Democracia na América

    Livro I, Capítulo 18:

    Thus it is in the United States that the prejudice which repels the Negroes seems to increase in proportion as they are emancipated, and inequality is sanctioned by the manners while it is effaced from the laws of the country. But if the relative position of the two races that inhabit the United States is such as I have described, why have the Americans abolished slavery in the North of the Union, why do they maintain it in the South, and why do they aggravate its hardships? The answer is easily given. It is not for the good of the Negroes, but for that of the whites, that measures are taken to abolish slavery in the United States.

    A century had scarcely elapsed since the foundation of the colonies when the attention of the planters was struck by the extraordinary fact that the provinces which were comparatively destitute of slaves increased in population, in wealth, and in prosperity more rapidly than those which contained many of them. In the former, however, the inhabitants were obliged to cultivate the soil themselves or by hired laborers; in the latter they were furnished with hands for which they paid no wages. Yet though labor and expense were on the one side and ease with economy on the other, the former had the more advantageous system. This result seemed the more difficult to explain since the settlers, who all belonged to the same European race, had the same habits, the same civilization, the same laws, and their shades of difference were extremely slight.

    The free workman is paid, but he does his work quicker than the slave; and rapidity of execution is one of the great elements of economy. The white sells his services, but they are purchased only when they may be useful; the black can claim no remuneration for his toil, but the expense of his maintenance is perpetual; he must be supported in his old age as well as in manhood, in his profitless infancy as well as in the productive years of youth, in sickness as well as in health. Payment must equally be made in order to obtain the services of either class of men: the free workman receives his wages in money; the slave in education, in food, in care, and in clothing. The money which a master spends in the maintenance of his slaves goes gradually and in detail, so that it is scarcely perceived; the salary of the free workman is paid in a round sum and appears to enrich only him who receives it; but in the end the slave has cost more than the free servant, and his labor is less productive.

  5. Pergunto-me quando a busca pelo lucro (tanto através da geração da utilidade pela produção e prestação de serviços como da busca por meios de enfraquecer os leviatãs que lesam há milênios a maximização dessa) nos levará ao próximo passo da abolição da escravidão: sociedades onde as relações sociais serão inteiramente ou virtualmente voluntárias.

    Não seria um grande prazer dormir sob uma segurança que possui algum incentivo praxeológico para prestar serviços à sua clientela? Ou simplesmente poder usufruir de bens e serviços advindos de qualquer parte do mundo sem sofrer restrições (como as recentes cotas de importação aos carros mexicanos) ou ter de pagar multas ao senhor de sua casa grande por haver estabelecido uma relação voluntária com o habitante de outra fazenda?

    Maior ainda: Não seria simplesmente incrível dormir sem o temor de que seu dinheiro será confiscado direta ou indiretamente pelo ou para o senhor da casa grande? Este desejo pela estabilidade e dela a manutenção da utilidade já conquistada que levou os iugoslavos a trocarem dólares em suas senzalas mesmo sob a proibição de seu senhor e é a mesma motivação que incentiva o crescimento de moedas independentes como o Bitcoin, que por hora alimentam as esperanças de um dia livrarmo-nos da maior chibata do fazendeiro através de um meio de troca ainda mais distante de seus tentáculos que o ouro.

    Por hora, resta apenas a esperança de que os meios de libertação crescerão mais rapidamente que a vontade dos burocratas de controlar sua fazenda.

  6. A busca pelo lucro já nos libertou dos primeiros estágios da escravidão. Se os burocratas já fazem de tudo, na cara dura, para restaurá-la, imagina o que eles farão para impedir que a liberdade, de fato, se dissemine.

  7. De um modo bem simples gostaria que o primeiro passo para a obtenção do lucro é a abstinenscia a um gasto qualquer. De posse de algum capital (poupança) voce pode comprar uma ferramenta e atravez da produção indireta e usando um maquinario que produz pordutos automaticamete desenvolver um produtividade maior que minimiza seus custos. Sabedor da teoria austriaca que os preços que determinam os custos e não o contrario seu produto pode ofereceu um diferncial de custo e poderá ser oferecido a um preço mais barato,se satisfazerem os gostos dos consumidores, você vederá mais e procurando estudar a demanda do mercado obter um nivel de venda muito dai, com um faturamento alto. O LUCRO é um simples residuos. Depois de precificar o faturamento, vem os descontos dos insumos com sinal menos a serem descontados: deduções preco da materia prima, preço da mão de obra, preço da energia, preço dos impostos,preço de material que é desperdiçado,preço de reposição de suas maquinas que tem uma vida util por exemplo de 10 anos,quando deverá ser trocadas então providenciar 1/10 do preço das maquinas,como reservas.A diferença entre o faturamento e todos estes fatores da um numero residual positivo ou negativo, chamados de lucro se positivo e prejuizo quando negativo. O ideal é que estabelecida a firma,o empresario contratasse com os empregados que dando lucro ele seria usado em reservas e no caso de prejuizo seus salarios seriam rebaixados até que se obtivesse o equilibrio da firma. E reorganizassem os metodos de trabalho e buscassem inovações ou até fechar a firma se não tivesse jeito sem ajuda dos contribuintes. O incentivo a que tudo desse certo estimularia os funcionarios. Apenas um palpite. Nada do governo: segurança zero,educação nivel abaixo do anus so para doutrinação ideologica,saude racionamento: fila se você morrer antes pior para seu dependentes. Governo Obrigado. Para os que gostam de sofrer Viva o IPTU alto. Não castigue o empresario senão a riquesa diminuirá. Alguem trabalha de graça?

  8. Quero deixar umas provocações (na verdade, não responder à questão sozinho):

    1) Por que a produtividade caiu no final do Império Romano, quando da transição do escravismo para o colonato?
    Devido à desorganização das cadeias de produção?
    Mas então por que não se organizaram novamente embasadas no colonato?

    2) Por que o Ocidente reintroduziu a escravidão, quando do contato com os africanos na Idade Moderna (oferta de escravos negros gerada espontaneamente pelos próprios negros, vide Narloch)?

    3) Por que nesta época preferia-se o trabalho escravo ao trabalho livre assalariado (ambos estavam disponíveis)?
    A abolição da escravidão se deu por motivação humanitária, com o movimento iniciado em Manchester e Liverpool. Era anti-econômica à época (“econocide”).

    4) A produtividade do trabalho livre só superou a da escravidão após a revolução industrial?

  9. Toda a história do mundo, de 1917 até hoje, nos mostra uma lição sobre escravidão. Onde exista um dito “socialista” no poder, ele restabelece o trabalho escravo. Tanto faz que na Alemanha, sob o anti-semita Hitler ou na então União Soviética, sob Trotsky. Um “socialista” no poder, mais um país o trabalho escravo. Gulag ou campo de concentração; dá no mesmo.
    Isto me lembra um artigo que eu li muitos meses atrás, na revista gringa “Soldier of Fortune”. Traduzindo, o trecho do artigo teríamos algo como isto: “Sim. Existe um lugar onde todos são alimentados e alojados (sem pagar nada) pelo estado, em todos os dias do ano. Além disto, todos, tem segurança estatal e gratuita 24 horas, por dia e ninguém precisa pagar impostos ou taxas, por tudo isto. Acredite-me este lugar já existe e chama-se de cadeia. ”

  10. Até uma instituição de caridade precisa ter lucro. Se arrecadar com doações sistematicamente mais do gasta atendendo pessoas necessitadas ( ou outra causa), poderá ampliar o atendimento.

  11. “quando os socialistas desistem da estatização integral dos meios de produção e os capitalistas aceitam o princípio do controle estatal, o resultado, hoje em dia, chama-se "terceira via". Mas é, sem tirar nem pôr, economia fascista. De um lado, burgueses cada vez mais ricos, mas —
    como dizia Hitler — "de joelhos ante o Estado". De outro, um povo cada vez mais garantido em matéria de alimentação, saúde, habitação etc., mas rigidamente escravizado ao controle estatal da vida privada.” (Olavo de Carvalho)

  12. o capitalismo deve ser regulado como qualquer comportamento humano. O capitalismo atual prega e desenvolve-se através da exploração e do acumulo de recursos, o capital (papel moeda) e investimentos financeiros em fundos de investimentos (pouco produtivos para a sociedade) ações (útil para sociedade na forma de investimento para ampliação das empresas e grupos econômicos) e a poupança.
    O dinheiro em espécie foi criado penso eu, e como é visto nos livros, como um instrumento que substituiu outra forma de legitimar o comércio, compra e venda de bens e serviços.
    Regular é manter o equilíbrio de poder. Não pode ser encarado como cerceamento de direitos adquiridos. A sociedade deve ser encarada com um sistema vivo, no qual o equilíbrio é saudável. O Desequilíbrio e prejudicial e danoso. Existem tipos de ganâncias produzidas por um povo (civilização) e isso determina sua trajetória na humanidade isso significa poder ou destruição.
    A regulamentação do capitalismo não é o suficiente para ter uma civilização progressista plena, os poderes burocráticos e aristocráticos dever ser regulados para que não exista um gasto exagerado no setor governamental. A ideia é mais por menos e não a lógica atual de menos gente mais salário, e com um estado que não demite funcionário. O estado deve definir um salário de acordo com a realidade proletária e não executiva.
    O Funcionalismo público deve ser ampliado e reduzido seu custo. Funcionário público, não deve ter poder sobre seu emprego, o estado não pode ser refém de seus funcionários.
    Contudo, a riqueza é o problema em questão, para defini-la deve-se usar a ciência econômica, para ajuda-lo a definir os parâmetros.
    Definir níveis de riqueza.
    A PL 130/2012 prevê 0,5 a 1% do patrimônio liquido. Contudo:
    Porque é pouco?
    Porque 8000 vezes o valor base para isenção do imposto de renda?
    De onde vem esse número?
    Existe um estudo para provar que a partir deste valor existe o melhor reinvestimento na sociedade dos recursos financeiros providos da própria sociedade?
    Acredito que deve ser feito um estudo sobre a economia. Neste estudo deve-se entender qual o dinamismo do dinheiro. A Receita Federal pode contribui muito com o desenvolvimento da pesquisa e fomentar o controle. As leis que eles precisam. Os poderes devem se comunicar, isso define a eficiência.
    Este estudo revelaria como o dinheiro "movimenta-se" entre as classes sociais. Com isto é possível projetar e definir os níveis de riqueza, e sua participação na sociedade.
    Definindo os níveis de riqueza a taxação seria de acordo com a faixa de riqueza. Esta podendo sofrer alteração de acordo do o desenvolvimento da economia. É possível usar os valores da inflação média de 2 anos atrás.
    Um exemplo dispensável mas numérico:
    – Cidadão pessoa jurídica ou física com valor de até 2 mi (milhão) líquidos, taxação de 1% a 5%.
    – Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 2 mi (milhão) líquidos, taxação de 6% a 10%.
    – Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 5 mi (milhão) líquidos, taxação de 10% a 15%.
    – Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 20 mi (milhão) líquidos, taxação de 15% a 17%.
    – Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 250 mi (milhão) líquidos ou investimentos, taxação de 19% a 22%.
    – Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 1 bi (bilhão) líquidos ou investimentos, taxação de 22% a 25%.
    — Cidadão pessoa jurídica ou física com valor superior a 10 bi (milhão) líquidos, taxação de 30%
    Estes valores deverão ser definidos pelo estudo da economia. A arrecadação deste valor pôde-se considerado justo, por que este dinheiro emana da sociedade e deve voltar para ela na forma de modificações do ambiente social.
    O capitalismo regulado não deixará o rico pobre, possivelmente ele se entenderá mais como um provedor de mudanças fantásticas, e se continuar perspicaz prosperaram de maneira monumental, mas fará a dinâmica social ser ampliada e a melhoria da vida de todos.
    Quando não existe uma forma de controle o sistema capitalista torna-se escravista, explorador, desumano, como qualquer sistema humano sem equilíbrio de poder.

  13. Artigo muito bom. Porém, creio que faltaram alguns pontos a serem considerados.

    Como exemplo, o que dizer, então, do pseudo modelo de mercado comunista/capitalista empregado na China? Esse país está somente atrás dos EUA em quantidade de milionários (e o número de novos ricos não para de crescer por lá).

    O modelo de escravidão que foi mencionado no artigo não difere, em essência, ao modo de como os empresários chineses (e tantas outras empresas multinacionais) enriquessem explorando essa população (sem levar em conta a exploração de mão-de-obra ao redor do mundo).
    Salários de subsistência, jornada de trabalho exarcebada, condições de vida precárias… Existem meios desses trabalhadores terem excedentes? Se tiver sorte, um pai de família não deixará sua esposa e filho passar fome.

    Em meu ponto de vista, a essência continua a mesma. Escravidão, como lemos em livros, em tempos passados. Escravidão, contemporânea ao modelo global/capitalista, como vemos hoje em dia.

  14. Pois acho que há sim uma via mais inteligente que estas duas, é só pegar as boas ideias dos socialistas, que são bem poucas e juntar com as do capitalismo, que são muitas, juntarmos com um liberalismo consciente e pronto.
    O principal é combater a burrice, que predomina e é a verdadeira culpada pelos fracassos na humanidade.

  15. o medo da mudança o próprio Marx temia o dogma da sua ideia,o sentido de analisar a concepção do homem exclusivamente voltado para o lucro e a acumulação que é o grande problema,o capitalismo tem a virtude do dinamismo da busca material e da inovação tecnológica mas tem também a motivação para a diferença social como da perda financeira dos não rentistas e com isto a concentração excessiva na mão de pouca gente,ai que encontra o nó de górdio,nunca fui marxista mas não dá para negar a sua analise bem singular do que representa este sistema e num país como Brasil que sofre numa encruzilhada terrível em ser um país periférico e ao mesmo tempo emergente é pior ainda,o que fazer reinventar a ideia pára cada lucro de uma acumulação em si o agente desta situação seria obrigado a doar vinte por cento do seu rendimento para o investimento publico na área de educação por exemplo,ou quem sabe ajudar os seus operários a abrirem um negócio complementativo de sua empresa e com isto criar uma especie de complementação de investimento para escoamento de seeu próprio produto, o que não dá é só malhar o socialismo e endeusar tudo que o capitalismo cria.

  16. Em relação ao assunto abordado na matéria, acredito que alguns aspectos foram negligenciados. Existe sim escravidão no capitalismo moderno, pessoas que exercem funções que são análogas à escravidão. Posso citar como exemplo, a exploração do trabalho contemporâneo na industria da moda ou no segmento de tecnologia para telefonia móvel. Os números são preocupantes e, não estamos falando de pequenos grupos que não atuam de maneira ética para obtenção de lucro. São grandes grupos envolvidos em esquemas de exploração que possuem até crianças em sua “linha de produção”.

    Esse maniqueísmo tende a destruir qualquer possibilidade de um debate que suscite a busca por uma melhor compreensão do mundo, afinal, somos seres contraditórios e estamos em constante dialética.

    “Ou temos capitalismo ou temos escravidão – não há terceira via”, aparentemente é um grande equívoco.

  17. MAURO GODOY PRUDENTE

    O artigo é bem interessante e foi objeto de debate ao longo dos dois últimos séculos. Creio q faltou ao autor um conhecimento mais aprofundado das “virtudes do caráter”… que ele considera a base ????/êtica do capitalismo… Sua crítica ao materialismo (e do hedonismo q o acompanha) é a mesma crítica do Sócrates platônico aos seus concidadãos atenienses no diálogo Apologia de Sócrates… Lá ele afirma que o que gera “valor” aos bens em geral é um caráter virtuoso… ou seja… o modo excelente de cada indivíduo manifestar as suas emoções pelos atos que pratica…(temperança, justiça, coragem, magnanimidade, liberalidade, amizade, etc…) mas essa é uma longa história…na esteira de Max Weber… as “virtudes do caráter” desenvolvida pela “burguesia” dos primórdios do capitalismo tinha uma base teológica (protestante) e não secular …como entre os gregos dos séculos X e IV a.C.

  18. “Um indivíduo rudimentar e despreparado irá, caso seja abandonado à própria sorte, gastar praticamente tudo o que ele ganha. Se ele conseguir auferir algum excedente, ele provavelmente irá gastar este excedente em luxos, prazeres, frivolidades ou em coisas piores. Enquanto ele não desenvolver um caráter mais forte, enquanto ele não adquirir uma personalidade mais estável, sobrará muito pouco de seu excedente para ser utilizado em outras coisas.”

    Esse parágrafo me causou uma certa dúvida. Nesse caso seria de qualquer indivíduo em qualquer tipo de arranjo político? Porque países como os EUA, por exemplo, começaram o processo de enriquecimento com uma massa de pessoas analfabetas (assim como na Coreia do Sul). Simplesmente uma irrelevância estatal na economia fez com que os indivíduos pudessem trabalhar e enriquecer.

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