Paul Johnson demonstrou magistralmente, em
seu extraordinário livro “Tempos Modernos”,
já no primeiro capítulo, intitulado “Um
mundo relativista”, que o maior mal de nossos tempos — que começou a se
desenvolver em fins do século XIX, ganhou força no século passado e persiste
até os nossos dias, é a crença nas chamadas “soluções políticas”. Johnson argumenta com boa fundamentação
que essa praga tem como causa a “morte de Deus”, decretada por “medida
provisória” baixada por Nietzsche (que, paradoxalmente, foi um defensor do
livre mercado) e que deixou o ocidente a descoberto, com um vazio de poder que
acabou sendo preenchido pelo mito da “vontade política”. Ainda naquele capítulo ele mostra que a relativização do mundo foi encorpada por
intelectuais que se seguiram a Nietzsche: em 1915, quase ninguém entendeu o que
Einstein — que nunca foi um relativista moral! — queria dizer com sua teoria
da relatividade e, matreira e solertemente, levaram a coisa para o lado moral.
Pronto! Passava a não existir mais o certo e o errado, porque, afinal, “tudo é
relativo”. Johnson cita a psicanálise de Freud e a economia de Keynes como
resultados dessa relativização moral.
Não
pretendo aqui discutir religião, mas tão somente ressaltar que foi a partir
dessa gênese relativista que os valores morais até então inquestionáveis e
aceitos voluntariamente durante séculos em nossas sociedades passaram a ser
“relativizados”: assim, valores fundamentais, como a propriedade privada e as
liberdades individuais começaram não apenas a ser questionados sob o ponto de
vista moral ou jurídico, mas atacados sob o pretexto de que caberia aos estados
(isto é, a pessoas exatamente iguais às demais) tomarem as decisões mais
importantes em todos os campos da existência humana, já que os iluminados do
governo saberiam o que era melhor para todos, para o coletivo, para o
formigueiro humano, para o “social”.
Você
já parou para pensar no mal que isso representou e continua representando para
a humanidade? Se ainda não o fez, convença-se de que as maiores barbaridades do
século XX — a saber, o comunismo e o nazismo — foram consequências diretas
desse vácuo de poder, de que se aproveitaram verdadeiros monstros como Hitler,
Lenin e dezenas de outros. Já que não existiria mais uma verdade absoluta,
tradicional e consagrada há séculos e que forjou toda a civilização ocidental,
então tudo, praticamente tudo, poderia ser relativizado. Muitos milhões de
assassinados pagaram o preço dessa maluquice, ou porque se opunham às ideias
dos ditadores ou porque pertenciam a “classes” ou “raças” tidas por eles como
lesivas ou prejudiciais aos interesses dos mandatários. Foi a fase — e, por
incrível que pareça, ainda não saímos dela, basta olharmos para alguns dos
atuais governos da América do Sul — do poder pelo poder.
Em
outro soberbo livro, Os Intelectuais,
Paul Johnson mostra como muitos deles, sem terem jamais se dado sequer ao
trabalho de pegar em um martelo para pregar um quadro em uma parede, passaram a
ditar, sentados em mesas de bares, o que era bom e o que era ruim, sempre de
acordo com o seu ponto de vista, considerado obviamente como superior ao do
homem comum, que é aquele que faz o mundo real funcionar. Goebbels e Antonio Gramsci (especialmente o
segundo), Sartre e outros — todos festejados como “mentes brilhantes” — deram
o toque final a esse processo de imbecilização coletiva fantasiada de boas
intenções, e ai de quem se opunha ou — ainda! — se opõe a essa horda de
barbarismo revestida de “modernidade”. A última manifestação dessa endemia que
se transformou em epidemia e depois em pandemia é a chamada “ditadura do
politicamente correto”.
Assim,
se Fulano roubou alguém, a culpa não foi dele, mas da “sociedade”; se Beltrano
estuprou uma mulher, a culpa foi do “sistema”; se alguém fuma um cigarro em um
estádio de futebol é visto como um pária; se um zagueiro comete uma falta
violenta contra um adversário e imediatamente levanta os braços para fazer ver
ao árbitro que não fez nada demais, isso é visto como natural, pois todos fazem
assim; se um deputado desviou recursos públicos para sua conta pessoal, o
culpado é o “capitalismo” que endeusa o dinheiro; se magistrados colocam
parentes em empregos públicos ganhando altíssimos salários, é claro que não
deve haver qualquer culpa envolvida nisso, pois, afinal, é tudo natural; o que
vale é o momento, é o prazer, o hedonismo, os ganhos fáceis, a vida da cigarra,
já que as formigas são tremendamente “conservadoras e otárias” porque valorizam
o trabalho árduo e a poupança. Sim, as formigas são as mais antigas neocons de que se tem notícia…
Quem
ainda não ouviu algum comentário do tipo “ih, não se meta nisso, porque foi uma
“decisão política” da direção da empresa”? Ou, na universidade, “não questione
essa decisão, porque ela é apoiada pelo reitor”, ou, ainda, “tal medida foi uma
decisão política do ministro”? Já pararam para pensar nesses absurdos aceitos
ou como verdades inquestionáveis ou como meras ordens a serem cumpridas? Já
refletiram que isso vai — como foi e vem acontecendo — minando a capacidade
de raciocinar das pessoas, ou seja, vai desumanizando o homem?
Eis
a verdade, meus amigos, clara como a água mais cristalina, mas que a imensa
maioria não consegue enxergar, porque foi habituada, ensinada, doutrinada,
bombardeada para agir como bois ao som do berrante do boiadeiro: estamos
vivendo em uma sociedade que a cada dia se torna mais desumanizada, em que a
dignidade da pessoa humana de pouco ou nada vale. Essa crença cega nas
pretensas “soluções políticas” foi sendo inoculada nas pessoas passo a passo,
vagarosa e calculadamente e se alastrou pelos corpos das sociedades como um
veneno mortal.
É
urgente combater o relativismo moral e suas “soluções políticas”, a começar
pelo resgate da família e seus valores, da importância da formação moral das
crianças por parte dos pais (e não dos professores de História inteiramente
embriagados de marxismo) e da imprescindibilidade da liberdade responsável, que
é aquela liberdade de escolher sabendo o que é certo e o que não é certo.
Já
pensaram também por que nosso povo está indo às ruas para protestar? Estão
pretendendo o quê com os protestos: mais “soluções políticas”? É o que parece.
Na
economia, desde que Keynes, em outra “medida provisória”, estabeleceu a máxima,
tida por quase todos os economistas como inquestionável, a de que poupar faz
mal à saúde da economia e gastar faz bem, uma tremenda e gigantesca guinada nos
fundamentos morais da ciência econômica, as “soluções políticas” passaram a
substituir as decisões individuais voluntárias, os mercados passaram a ser
vistos como um perigo para os pobres e os ministros da Fazenda e presidentes
dos bancos centrais como grandes iluminados salvadores de suas pátrias. O
resultado dessa imoralidade representada pelo keynesianismo pode ser visto facilmente, como um relâmpago em uma
noite escura: déficits orçamentários crescentes, endividamento público maior do
que o “tamanho da economia”, inflação, desemprego, crises em cima de crises e gerações
de jovens que não encontram empregos, como vem sucedendo na Europa, antes
badalada como um paraíso da social democracia.
James
Buchanan e Gordon Tullock, os dois principais autores da Public Choice School, mostraram
claramente que Keynes, um imoralista assumido, politizou a teoria econômica e
seu trabalho foi justamente fazer o oposto: levaram os princípios básicos da
teoria econômica para analisar o processo político, mostraram como isto pode
ser feito e concluíram que os chamados “homens públicos”, tal como os mortais comuns,
agem de acordo com seus próprios interesses e não tendo em vista o chamado bem comum. Ou seja, os políticos agem —
para usarmos o jargão econômico convencional — com o intuito de “maximizar a
sua utilidade” e não a dos seus eleitores.
E,
desde seus primórdios com os pós-escolásticos, passando por seu fundador Menger
e por Mises, Hayek, Rothbard, Kirzner e praticamente todos os seus economistas,
a Escola Austríaca de Economia sempre se posicionou contra a falsa panaceia das
“soluções políticas”, porque sempre entendeu com muito maior clareza — e com
uma metodologia bastante superior à das escolas rivais –, que os mercados são
processos de intercâmbio voluntário que jamais puderam, podem ou poderão ser
substituídos por pretensas “soluções”, que de soluções nada têm. Hayek, em
especial, mostrou, especialmente em seu famoso artigo O uso do conhecimento na
sociedade que o conhecimento, em termos de assuntos sociais, é sempre
insuficiente e se apresenta de forma dispersa. E que os planejadores dos
governos não são super-homens que se situem acima desse fato elementar.
Portanto,
nada melhor do que os próprios envolvidos nas situações concretas para
resolverem os seus problemas concretos. As “soluções políticas” já nascem
fadadas ao fracasso. Na verdade, elas são, por si mesmas, sinônimos de
fracassos. A Escola Austríaca de Economia é moralmente superior às demais
porque respeita os princípios, valores e instituições de uma sociedade livre e
virtuosa. O texto de Hayek, claramente, é uma defesa do conhecido Princípio da Subsidiariedade, que se baseia
na ideia de que é moralmente errado retirar-se a autoridade e a responsabilidade
inerentes à pessoa humana para entregá-la a um grupo, porque nada pode ser
feito de melhor por uma organização maior e mais complexa do que pode ser
conseguido pelas organizações ou indivíduos envolvidos diretamente com os
problemas. A subsidiariedade decorre
de três importantes aspectos da própria existência humana: a dignidade da
pessoa humana, a limitação do conhecimento enfatizada por Hayek e a
solidariedade.
Por
tudo isso e como estou farto de dizer e escrever, temos uma tarefa gigantesca
pela frente, que é a de fazer as pessoas voltarem ter noção de que há atos
moralmente certos e atos moralmente errados, tanto no campo da economia, como
no das relações pessoais, no da atividade política, na prática dos esportes,
enfim, em todas as nossas ações. Obviamente, há ações que podem ser chamados de
moralmente neutras, como, por exemplo, a de chupar um picolé, mas a maioria de
nossas escolhas reflete os valores morais que recebemos desde muito cedo e que
desenvolvemos com o passar dos anos. Muitos dos que estão indo às ruas
protestar contra este ou aquele político corrupto, será que não agiriam de
maneira parecida caso estivessem no lugar do mesmo?
Essa
tarefa enorme e hercúlea que temos pela frente, a meu ver, transcende rótulos
de qualquer natureza. Não me agradam esses rótulos. Nunca me agradaram, porque
são superficiais. Em termos de filosofia moral, sou um “conservador”, mas em
termos de teoria econômica, sou um “libertário”. E aí, como é que fica? De
forma semelhante, alguém pode ser um “progressista” em termos morais, mas um
“conservador” em termos políticos. E aí? Rótulos rútilos só servem ou para
xingar alguém ou para confundir incautos…
Acima
dos rótulos, temos que lutar contra a panaceia das “soluções políticas”, que
nos ronda como urubus sobre a carniça. Se mostrarmos que estamos vivos, nos
mexendo, lutando, poremos os urubus para correrem, ou melhor, para voarem para
outras plagas. E se quisermos saber qual é o ninho os corvos, veremos que é o
relativismo moral.
Infelizmente o clamor dos jovens ainda é por mais “soluçoes práticas”.
Temos um longo caminho pela frente até conseguir que a nossa juventude enxergue que não podemos esperar que o governo resolva os problemas da sociedade.
Genial
Brilhante texto…
Só acredito que a coisa começou antes, com a reforma protestante mais precisamente.
O Nietzsche só deu o golpe final.
Ótimo texto!
Excelente texto!
Infelizmente o cidadão comum costuma terceirizar as suas decisões aos “algozes” políticos!
Realmente precisamos urgentemente lutar contra essa inversão de valores que se abateu principalmente sobre a juventude! E viva a dignidade da pessoa humana!
Excelente texto!
O relativismo é uma praga que precisa ser combatida, e precisamos resgatar os valores tradicionais essenciais para a preservação da civilização.
Sempre observei o lado ético das pessoas das mas comuns as mas abastadas.
como pode um individuo, passar a perna no outro e não violar os princípios
da moral. Vejam como agem em benefícios próprios! sem se valerem da honestidade.
Elas, erram sabendo e cobrem os erros dos cumprisses nas falcatruas gerais.
Perfeito e esclarecedor!
Aliás, a descrição do professor me fez lembrar Walter Block, em “Defendendo o Indefensável”: sou um conservador cultural em termos morais mas um libertário em termos políticos.
O duro dos conservadores políticos, que, ao contrário dos socialistas, pretendem ter valores morais conservadores, também acreditam em soluções políticas, sendo elas mera questão de ter um dos seus no timão.
Ou seja, as duas correntes políticas que monopolizam o debate político, a direita e a esquerda, são apenas duas faces da mesma moeda. Aí jaz a beleza da Escola Austríaca e do Libertarianismo: eles são ortogonais ao Monetarianismo-Keynesianismo e à direita-esquerda, ao estatismo. Infelizmente, também aí jaz a dificuldade de compartilhar seus ideias, pois o monopólio estatista domina as mentes e corações das pessoas que entendem tudo sob um prisma político, já que não reconhecem a verdade como objetiva, e tentam reduzir as questões ao espectro das opiniões que eles consideram aceitáveis encarnadas no José Sarney e no Lula.
Muito instigante a leitura. Eu tentei ir às ruas para protestar também, no entanto tudo que encontrei nas reivindicações foi mais estado e mais estado. Pois é. Daí então, eu decidi voltar pra casa e para os livros.
Bom a questão é do relativismo moral.
A nossa moral vem dos ensinamentos cristãos, se eles passam a ser ensinados de forma diversa, que resultado poderia ser esperado ?
Eu não estou entrando no mérito da questão.
Só tenho a opinião de que o relativismo moral não começou com Nietzsche. Aliás, sempre existiu, acho que a reforma protestante de certa forma instituiu e tornou aceita certas condutas e por não ter força suficiente, foi totalmente tomada pelo estado. Que faz o que bem entende com a religião. A Católica também sofre com isso, mais tem força pra reagir.
Dividir para conquistar. Só é isso o que penso.
Desculpe se ofendi alguém.
E também isso relativizou toda a ciência (E vai continuar até acabarem com o pouco do prestigio que ainda possui).
Por exemplo, a pílula anti-concepcional é um abortivo na concepção biológica, assim o uso deveria ser condenado. Concordam ?
Se as pessoas defendem o uso da mesma, estão sendo relativistas morais.
Agora você pode mudar o conceito de vida para não “ofender” as pessoas.
Novamente, eu não estou querendo entrar no mérito da questão.
Só acho que a Igreja Católica é coerente. E acho que ninguém pode negar isso.
Excelente texto, prof. Iorio. De tão grande, é até difícil de dimensionar o trabalho dos defensores de uma sociedade mais livre e pautada pela moral tradicional.
Aproveitando suas menções a Hayek e ao conservadorismo, gostaria de deixar aqui a indicação deste provocante artigo do eminente austríaco.
Por que não sou conservador
http://www.ordemlivre.org/2008/03/por-que-nao-sou-conservador/
Um dos pontos abordados no texto é como o conservadorismo político se transforma numa armadilha quando o paradigma dominante é o socialismo.
sds.
Daniel
Ótimo artigo! Vou procurar esse livro do PJ!
* * *
A teoria da relatividade teve inicio com Galileu.
Einstein desenvolveu-a com base nos trabalhos de Maxwell.
A Teoria da Relatividade Geral foi sua obra prima que dão frutos até hoje.
Era para ter sido chamada de teoria relacional, segundo historiadores da Ciência.
Einstein preferiu chama-la de relativa, ao invés de relacional, para não confundi-la com a teoria de Weber conhecida por Mecânica Relacional.
Assim Einstein escreveu e falou sobre relações entre observadores postados em referenciais inerciais e não-inerciais e não sobre relativismo.
É isso.
É por essas e outras que admiro imensamente Ayn Rand. Para ela, não existia meio termo, não existe o cinza, nada era relativo. Era preto e branco. E quem escolhia o cinza, era, necessariamente, imoral.
Acho que está sendo bastante conveniente deturpar o significado de Relativismo Moral.
Confrontar ideias virou Relativismo Moral? Discordar do outro virou negar haver verdade absoluta? Pelo contrário! Quem não crê em verdade absoluta é que não diverge do outro, não quem crê.
Querem criticar o protestantismo? Critiquem com a Bíblia, não com distorção semântica. Se assim não logram, não partam para apelação.
O surgimento do protestantismo não tem nada a ver com o artigo em questão. Repito: Foi um offtopic desnecessário e sem base.
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Cauê, não me entenda mal. Não tenho nada a dizer, do ponto de vista racional, sobre suas crenças na obediência ao papa, da autoridade dele na validação de proposições, ou sobre usura, ou o sacerdócio de todos os crentes.
Eu não posso erguer críticas teológicas a você se estiver apenas alegando crer nestas coisas em virtude da posição da Igreja Católica. Só levanto a voz quando dizem: ” Cremos nisso e isto está de acordo com a Bíblia”. Aí sim, tenho algo com que trabalhar, uma vez que a pessoa reconhece tal livro.
Se não reconhecer a supremacia bíblica na fé não tenho como esboçar críticas teológicas.
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Augustine, sugiro que você leia os livros Romanos, Gálatas e Atos. Tratam sobre a justificação pela fé. Entenda que fé verdadeira, naturalmente, tem boas obras, senão não seria fé. Mas não são essas obras, mero produto imperfeito humano, a nossa justificação. De acordo com a Bíblia, somos salvos pela fé.
Não tenho a ver com a crença católica, e você pode acreditar no que quiser. Digo apenas que, se estiver considerando a Bíblia, você está errado.
Jesus não estabeleceu outro homem como ligação entre Deus e os homens, Jesus é a ligação (I Timóteo 2:5). Leia o diálogo todo, de Jesus com os apóstolos, e você vai saber o que Jesus estava falando. Jesus referia-se a si mesmo, Augustine:
“Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mateus 16:15)
“E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mateus 16:16)
“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” (Mateus 16:18)
Jesus estava respondendo à afirmação do apóstolo Pedro de que Ele é o Filho de Deus. Enquanto Jesus era Filho de Deus, o apóstolo era Pedro. Sobre a pedra que Pedro mencionou – Jesus – seria construída a Igreja.
No mesmo capítulo, Jesus chama Pedro de diabo.
Outra: A Bíblia não se contradiz; a tese do papado não só não encontra apoio bíblico em outras partes – na verdade, nem nessa – como também é contrariada outras vezes:
“Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus;
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;” (Efésios 2:19-20)
Agora do próprio Pedro:
“Se é que já provastes que o SENHOR é benigno;
E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa,
Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido.” (I Pedro 2:3-6)
Veja que essa passagem também sustenta a tese do sacerdócio de todos os santos. Todos os crentes são parte da Igreja de Cristo, mas é Jesus a pedra na qual ela está edificada.
Quer mais? A Bíblia não autoriza-nos a fazer de outro homem nossa edificação:
“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jeremias 17:5)
Quer mais ainda? O único vigário – substituto, enviado – que Cristo nos deu foi o Espírito Santo:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;
O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” (João 14:16-17)
“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João 14:26)
Temos acesso direto à Deus, Augustine. Não precisamos de mediador humano algum.
Os dogmas do Concílio Vaticano I não têm respaldo bíblico e qualquer que o segue, o faz por fé anti-bíblica, já que a Palavra não a embasa.
De novo, repito que não criticarei teologicamente nenhuma simples crença em algo. Poderei contribuir apenas quando se diz que tal crença está de acordo com a Bíblia.
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No final, teria sido muito melhor, para vocês, não terem comprado essa briga.
Abraço a todos.
E parabéns pelo artigo, professor!
Fui professor de História durante meu tempo de acadêmico, mas percebia que a teoria se distanciava cada vez mais da realidade. Foi ai que larguei a sala de aula e busquei novos rumos. Um dos meus ex-alunos, um dia me indicou o Instituto Mises e tudo mudou. Não mais “embriagado” de Marxismo, como diz o autor.
Eu, infelizmente, venho a discordar deste texto com muitos pontos excelentes. A base de toda essa argumentação me parece um ataque a própria liberdade. Relativização É a liberdade de pensamento, dada a falta de um referencial universal que não seja imposto de maneira coerciva, como, analiso, que a moralidade cristã foi, e ainda é, propagada. Então, se alguém puder me provar o contrário, me mostrar onde estou errando nessa minha linha de raciocínio, eu agradecerei enormemente.
Engraçado que eu conhecia como “Ética” tudo o que esse site chama de “Moral”, isso derivado diretamente das etimologias dessas palavras (“ethos” e “ethós”, do grego, “costumes” e “princípios” – posso ter errado qual é qual – pra ética e “mosmoria”, do latim, “costumes” para “moral”). Moral realmente se altera de acordo com os costumes e os valores da sociedade. A ética não! Os PRINCÍPIOS que fazem com que certos comportamentos possam ser condenados e outros sejam reforçados são universais.
E a Ética é o ramo da filosofia que estuda justamente os princípios que norteiam o comportamento humano na sociedade, ou seja, os princípios (ethos) que norteiam os costumes (ethós), e esses princípios devem ser universais. Por isso que roubo e assassinato são condenados em qualquer cultura e por qualquer religião ao longo de séculos, ao mesmo tempo que matar alguém por legítima defesa sua ou de outra pessoa sempre foi considerado legítimo. Mas por pouco entendimento desses princípios, guerras – ainda que abominadas – até hoje não são reprovadas por todos. Tributação idem.
Como fala-se muito de distinção semântica nesse site, talvez valesse a pena fazer essa distinção e reforçá-la, uma vez que – infelizmente – me parece ser senso comum que a moral seja algo que mude naturalmente no tempo e no espaço, e está mesmo totalmente associada aos costumes muito mais do que aos princípios que os norteiam. Talvez isso ajude a dar um passo – mesmo que seja pequeno – na direção contrária à do relativismo moral, através do universalismo ético.
Então vamos lá, ética é relativa ?
Resposta: Sim.
Universalismo ético existe ? Será algum dia possível ?
Respostas: Não. Não.
Você tem certeza ?
Respostas: Sim.
Como?
Respostas: Pecado original. Determinismo genético. Empiricismo.Vida real. Filosofia. O fato de existirem Mártires. O fato de Hitler, Stalin, Mao terem existido e governado milhões de pessoas. O Fato das pessoas ainda acreditarem no comunismo em 2013 D.C.. Ateísmo militante.
Voltamos ao mesmo ponto.
O dia que vocês deixarem de lado a vaidade, eu posso até dar a solução.
@Cauê,
Como?
Respostas: Pecado original. Determinismo genético. Empiricismo.Vida real. Filosofia. O fato de existirem Mártires. O fato de Hitler, Stalin, Mao terem existido e governado milhões de pessoas. O Fato das pessoas ainda acreditarem no comunismo em 2013 D.C.. Ateísmo militante.
Por favor, elabore por que o “Ateísmo militante” seja algo que te faz ter certeza que um Universalismo ético não será possível nunca. Elabore por que em particular o Ateísmo militante lhe “incomoda” mais (a ponto de citá-lo) do que, por exemplo, a multiplicidade de religiões existentes.
O dia que vocês deixarem de lado a vaidade, eu posso até dar a solução.
Sou somente eu ou a afirmação acima me parece ainda mais permeada de vaidade do que a maioria dos comentários desse artigo?
Porque o ateísmo militante prega o determinismo genético. Simples assim.
Pra virar holocausto é daqui pra li.
————————————————————————————-
Solução foi dada a 2000 anos o.O
Amar Deus Sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo.
Como muitos não aprenderam… fazer o que ?
Só pense do ponto de vista utilitário se a idéia de Deus lhe ofender. O problema é geralmente sem o primeiro o segundo nunca acontece o.O
————————————————————————————-
Rafael
Stefan Molyneux é um palhaço, com todo respeito.
Até uma criança daria um nó na “filosofia” dele. Eu tenho até a impressão que ele sabe disso. É mais pra auto-ajuda mesmo.
@Cauê,
Porque o ateísmo militante prega o determinismo genético. Simples assim.
Espantalhos e mais espantalhos.
Você deve se atualizar. É compreensível que alguém pregando as crenças de uma seita da idade do ferro não compreenda exatamente como se atualizar, então acho que você pode ser desculpado por esse deslize. O determinismo genético nunca foi uma coisa bem aceita nem pelos ateus de outrora… hoje em dia, com o conhecimento genético muito mais elaborado, é indefensável.
Dizer que o ateísmo militante prega o que quer que seja é no mínimo uma heresia (para tomar emprestado um termo muito utilizado por membros daquela seita que prega a partir de um livro da idade do ferro). Ateus simplesmente não acreditam em seres mitológicos. Os ateus militantes tentam esclarecer as pessoas que mitologia pode até ser interessante, mas é ficção. Só isso.
“Determinismo genético” é só o espantalho em que você quer bater para tentar atingir pessoas que não acreditam na sua mitologia. Boa sorte com sua argumentação… da próxima vez tente pelo menos não constranger seus colegas teístas (como o Anônimo 22/08/2013 14:12:41) com suas falácias perniciosas.
Se você realmente acredita em determinismo não deveria ser militante.
É só isso que eu estou dizendo. Por isso eu disse que o problema é a pregação.
E não se esqueça do advérbio propositadamente colocado. Que resume todo esse seu comentário. E responde a sua pergunta.
@Cauê,
Hoje o senhor está cheio de espantalhos. Você ao menos se dá ao trabalho de ler o que lhe escrevem?
Podemos inaugurar um novo off-topic se você deseja, ao menos conceda que o que escreveu antes está equivocado… Em todo caso, vamos lá:
Se você realmente acredita em determinismo não deveria ser militante.
Se alguém realmente acreditasse em determinismo, poderia simplesmente ser que essa pessoa também acreditasse que devesse ser militante, o que estaria completamente compatível com a sua crença em determinismo.
(De qualquer forma, o assunto era o determinismo genético. Ainda não entendi como derivaste tanto do tema proposto por ti mesmo.)
…Por isso eu disse que o problema é a pregação.
Daqui posso entender que o teu problema não é com o ateísmo (se o cara não acredita seres mitológicos é um problema somente dele, certo?), mas com o ateísmo militante (que “prega” a inexistência de seres mitológicos). Então seria correto dizer que teu problema é que tu e tua seita que prega a partir de um livro da idade do ferro aceitam que a “pregação” seja algo exclusivo de vós… algo como um monopólio?
Em resumo, o problema é que ateus não podem ser militantes por que teístas têm o monopólio da pregação? Ateus são, então, livres para ser ateus desde que não preguem (e aceitem livremente que teístas preguem)? Já saímos da idade média, certo?
Hoje em dia é fácil ser profeta,
Lembrem-se que a minha solução estava condicionada a vocês largarem a vaidade uhauhu
Não estou errado (minha opinião), pois se você [b]REALMENTE (100%)[/B] acredita em determinismo, você não deveria ser militante. Simplesmente porque seria inútil. Ou você pode fazer por hobby que seja.
Vocês estão procurando chifre em cabeça de cavalo. Esse é o ponto.
Porque as últimas descobertas no conhecimento genético só comprovam a tese teísta.
E é inútil discutir soluções quando existe uma sendo desenvolvida e discutida por 2000 anos. E se provando correta a tanto tempo.
Por favor, não me façam perder tempo se não forem ler meus comentários de forma correta. Quando eu colocar um advérbio, levem ele em consideração.
E não falo o que alguém pode ou não fazer. Faça o que bem entender. Só aguente as conseqüências depois. E não espere que alguém vai criticar.
E lembrem-se só estou discutindo com quem é contra o relativismo moral. Se for a favor simplesmente assuma.
Eu ainda espero minha resposta sobre a pílula.
“Porque as últimas descobertas no conhecimento genético só comprovam a tese teísta”.
Interessante, conte-me mais…
por conta da teoria da relatividade que instalou-se como um carrapato nas mentes ‘umanas’ o livre arbítrio virou ‘vale tudo’.realidade passou a não existir..
Einsten nem conta sabia fazer..Einsten era de educação ortodoxa..essa teoria precisa ser desmantelada em praça pública..ou canal aberto de TV em horario nobre..como pode o tempo parar..só o tempo é relativo (à cado um)quando paramos nosso proprio tempo,fundimo-nos a ‘deus’…
@armando,
O que isso que você escreveu tem a ver com a teoria da relatividade?
O fato de que o termo “teoria da relatividade” esteja sendo utilizado para tornar tudo relativo, inclusive a lei, a ética e a moral, não só não é culpa do Einstein como ele deve estar revirando-se no túmulo com essa utilização. A teoria da relatividade não é um endosso à relatividade moral.
O fato dele ter tido limitações na matemática (uma meia-verdade) nada tem a ver com o assunto e acredito tenha sido mencionado apenas como um ad hominem – ainda assim equivocado pois mesmo se fosse completamente verdade não diminuiria em nada o poder de pensamento abstrato que o levou à teoria da relatividade.
Agora, gostaria muito de ver o armando desmantelar em praça pública ou em canal aberto de TV a teoria da relatividade (a que se refere à física, e não a corruptela a que parece que ele está se referindo). Ia ser no mínimo engraçado.
Quando ao resto do cha-la-la… “quando paramos nosso proprio tempo,fundimo-nos a ‘deus'” só tenho uma consideração: afirmações extraordinárias requerem provas extraordinárias. O ônus da prova do que disseste é todo seu, armando. Gostaria, de fato, de ver argumentos tangíveis e intelegíveis acerca do que afirmaste. Do contrário é puro cha-la-la.
Desculpe-me por reviver esse artigo mas não poderia deixar de tirar uma dúvida.
A Ética e a Moral são criações humanas para que haja convívio e harmonia social. (Tirando a visão religiosa)
Sendo assim as duas criações de seres imperfeitos, como podem ser Universais e Imutáveis?
Por exemplo: O valor que um assassinato possui já é de imposição há séculos e praticamente inquestionável. Porém deixando de lado essa questão e apenas refletindo o fato de assassinato ter tido um valor negativo atribuído, como se pode afirmar que esse valor é parte imutável e que é totalmente correto, algo natural?
Nietzsche defendia o livre mercado? aonde? que eu saiba ele disse que era uma utopia, isso aí é mau caratismo descarado ou vocês estão mau informados?