Em 1800, o setor industrial dos EUA e da Grã-Bretanha era formado por técnicos altamente capacitados. Estas pessoas ganharam muito dinheiro. E então as máquinas começaram a substituí-los, profissão por profissão. Esta tendência continua até hoje.
Pense nos homens que faziam trabalhos de precisão metal-mecânica em 1960, utilizando sofisticados tornos mecânicos. Eles tinham de trabalhar com tolerâncias de um milésimo de polegada, ou menos. Eles eram incríveis. Mas não havia muitos deles.
Gradualmente, este tipo de processo de produção foi sendo substituído por máquinas perfeitamente capazes de trabalhar dentro destas ínfimas tolerâncias. As máquinas de hoje são capazes de apresentar a mesma produção de trabalhadores que, uma geração atrás, eram indispensáveis à indústria. Máquina por máquina, estamos assistindo a uma inexorável substituição da mão-de-obra qualificada.
A tendência é irreversível
O gráfico abaixo mostra a participação da indústria no PIB dos países mais ricos do mundo.
Fonte: https://transportgeography.org/?page_id=549
Como se pode ver, o percentual de contribuição da indústria à produção econômica total vem declinando continuamente ao longo dos últimos 40 anos. Em alguns países mais rapidamente que em outros. Mas a tenência é a mesma para todos. Se o gráfico mostrasse mais 40 anos anteriores, o mesmo tipo de declínio seria perceptível.
Trata-se de um fenômeno mundial. Trata-se de um fenômeno irreversível.
Há pessoas, majoritariamente economistas de cunho intervencionista e desenvolvimentista, que reclamam desta tendência em seus respectivos países. Seja nos EUA, seja na Europa, seja num país latino-americano, eles acreditam que uma economia robusta e rica só é possível se houver uma indústria cada vez maior.
Isso apenas mostra o quão ignorante eles são em relação a essa tendência mundial. Eles não entendem que o crescimento econômico sempre gera um declínio na porcentagem da participação da indústria na economia nacional.
O cerne da riqueza moderna
O cerne da riqueza não é o setor industrial; o cerne da riqueza é o conhecimento. Mais especificamente, o conhecimento que é aplicado com o intuito de reduzir o percentual total da indústria na economia e de aumentar a riqueza das massas por meio dos serviços.
Esses serviços podem ser digitais ou podem ser pessoais. Mas não são baseados na manufatura.
Um amigo sempre utilizava essa frase: “Venda elétrons, e não átomos”. É uma excelente frase. Não venda pedaços de coisas; venda ideias, venda eficiência, venda entretenimento e, acima de tudo, venda qualquer coisa que permita reduzir os custos das matérias-primas, o custo do capital, e o custo da produção. Corte custos, corte preços, enriqueça.
É por isso que a indústria será, cada vez mais, equipada por máquinas totalmente controladas por programas computacionais. Utilizar mão-de-obra humana para fazer esforços repetitivos e puramente mecânicos é um completo desperdício de recurso e de dinheiro. O uso de máquinas e de inteligência artificial permite que a humanidade seja libertada do fardo do trabalho maçante e exaustivo. É incrível que economistas, em pleno século XXI, ainda condenem as máquinas e desejem que seres humanos façam um serviço totalmente mecânico, tedioso e, em relação às máquinas, bem menos produtivo.
Ao longo dos últimos 200 anos, em todos os estágios em que as máquinas substituíram a mão-de-obra humana, houve um extraordinário aumento na produção e na produtividade, bem como um igualmente extraordinário aumento na riqueza per capita. Nosso mundo é completamente diferente do mundo de 1800, e o motivo para isso está no fato de que, antes, os trabalhadores eram munidos de poucos e ineficazes bens de capital, ao passo que hoje eles estão munidos de uma quantidade crescente de bens de capital de qualidade.
Os trabalhadores de hoje têm a sua disposição uma maquinário de muito melhor qualidade. Os maquinários estão cada vez mais eficazes e eficientes, o que faz com sejam necessários cada vez menos pessoa para executar uma determinada função com a mesma qualidade. Esses trabalhadores substituídos por máquinas de maior qualidade vão buscar emprego em novas áreas do setor de serviços.
Essa tem sido a história da transformação do mundo em um lugar melhor ao longo dos últimos 200 anos. Por que, após tudo isso, as pessoas repentinamente passaram a ficar preocupadas com o fato de que máquinas e programas computacionais irão continuar substituindo trabalhadores em várias áreas? Isso é exatamente o que já vem acontecendo há dois séculos.
Por que repentinamente querem parar com tudo isso?
O trabalho humano é versátil
Sempre estamos à procura de alguém que faça algo por nós. Se uma máquina é capaz de substituir o trabalho humano, então ela deve substituir o trabalho humano. O trabalho humano não deve ser desperdiçado em tarefas repetitivas que podem ser feitas por uma máquina de maneira igualmente eficaz e menos dispendiosa.
Se algo pode ser feito por uma máquina, por que imobilizar algo tão versátil quanto o trabalho humano? O trabalho humano é o mais versátil de todos. Há inúmeras coisas que as pessoas podem aprender a fazer.
Já uma máquina pode fazer bem apenas uma coisa; ela não pode fazer outra coisa fora daquilo para a qual projetada. Seres humanos não são como máquinas. Eles podem fazer muitas coisas.
Se um indivíduo se especializou em um determinado processo de produção e tal processo é substituído por uma máquina, ele de fato pode vivenciar uma crise de desemprego. Mas alguém com seu nível de qualificação tem capacidade para trabalhar com outros instrumentos de precisão. Ele é versátil, mas somente a um nível de produtividade muito alto. Ele pode até ser momentaneamente reduzido de cargo por causa das máquinas, mas é possível se recuperar. A maioria das pessoas se recupera. Elas encontram outras coisas para fazer.
Se você trabalha no setor industrial, então você deve aspirar a uma posição que esteja entre uma máquina especializada e a resolução de um problema imediato. Existem todos os tipos de problemas imagináveis e inimagináveis nos processos de produção, o que significa que uma máquina não irá solucioná-los. Qualquer tipo de problema tem de ser resolvido pela mente humana, e por um ser humano equipado com uma ferramenta capaz de resolver o problema.
É a criatividade humana, em conjunto com o uso de ferramentas, que é essencial para garantir a produção de uma máquina. Aspire a uma posição em que você tenha constantemente de utilizar sua mente.
Se você tem uma profissão manual que se resume a fazer processos repetitivos, é bom ir adquirindo outras habilidades. Se você pensa que poderá concorrer com uma máquina para fazer processos repetitivos, é bom repensar seu futuro. Em processos repetitivos, a máquina sempre irá vencer. Em algum momento surgirá uma máquina que fará o trabalho melhor do que você. E isso é ótimo para toda a humanidade.
Adam Smith já havia observado que as habilidades mecânicas e repetitivas que são necessárias em uma divisão do trabalho não são boas para os homens.
No progresso da divisão do trabalho, o emprego da maior parte daqueles que vivem do trabalho manual, ou seja, da grande maioria das pessoas, acaba sendo limitado a umas poucas e muito simples operações — quase sempre uma ou duas. . . .
O homem que passa a vida inteira executando operações simples e cujos efeitos talvez sejam sempre os mesmos ou bastante parecidos não tem nenhuma oportunidade de utilizar sua mente ou de aproveitar sua capacidade inventiva para descobrir expedientes para vencer dificuldades que nunca ocorrem. Portanto, ele perde, naturalmente, o hábito deste esforço e, geralmente, se torna tão estúpido e ignorante quanto é possível uma criatura humana se tornar.
O torpor de sua mente o torna não só incapaz de apreciar ou de manter qualquer conversa racional, como também de conceber qualquer sentimento generoso, nobre ou terno, e consequentemente de ter qualquer opinião até mesmo sobre os mais rotineiros aspectos da vida cotidiana. . . .
Corrompe até mesmo a atividade de seu corpo, tornando-o incapaz de empregar sua força com vigor e perseverança a qualquer outro emprego que não aquele ao qual se habituou.
Sua destreza em seu ofício particular parece, deste modo, ter sido adquirida à custa de suas virtudes intelectuais e sociais. Mas, em toda sociedade avançada e civilizada, este é o estado ao qual os trabalhadores pobres, ou seja, a grande parte das pessoas, irão necessariamente cair, a menos que o governo faça algo para evitar isso.
Adam Smith, A Riqueza das Nações (1776), livro 5, capítulo 1.
O governo não tem de fazer nada para evitar isso. Tudo o que o governo tem de fazer é sair do caminho. Alguém irá inventar uma máquina que substitua o indivíduo nesta atividade tediosa e repetitiva. Máquinas não se entediam. Elas não cometem erros desleixados. Elas não divagam durante seu trabalho.
Alexis de Tocqueville, em seu livro Democracia na América, dizia que a solução era se tornar um líder, e não um operário.
Quando um operário se dedica sem cessar e unicamente à fabricação de um só objeto, acaba realizando esse trabalho com uma destreza singular. Mas perde, ao mesmo tempo, a faculdade geral de aplicar sua mente à direção do trabalho. Ele se torna a cada dia mais hábil e menos industrioso; pode-se dizer que o homem se degrada à medida que o operário se aperfeiçoa.
O que se pode esperar de um homem que passou vinte anos da sua vida fazendo cabeças de alfinetes? A que pode se aplicar, agora, essa poderosa inteligência humana que existe nele e que tantas vezes revolveu o mundo, a não ser para procurar o melhor meio de fazer cabeças de alfinete?
Quando um operário consumou dessa maneira uma porção considerável de sua existência, seu pensamento deteve-se para sempre perto do objeto cotidiano de seus labores; seu corpo contraiu certos hábitos fixos de que não lhe é mais permitido desfazer-se. Numa palavra, ele não pertence mais a si mesmo, mas sim à profissão que escolheu.
Em uma sociedade em que a divisão do trabalho é altamente desenvolvida, ele pode sair deste emprego e encontrar algo mais de acordo com seus gostos e talentos.
À medida que o princípio da divisão do trabalho recebe uma aplicação mais completa, o operário se torna mais fraco, mais bitolado e mais dependente. A arte faz progressos, o artesão retrocede.
Por outro lado, à medida que fica mais manifesto que os produtos de uma indústria são tão mais perfeitos e tão mais baratos quanto mais vasta a manufatura e maior o capital, homens muito ricos e muito esclarecidos se apresentam para explorar indústrias que, até então, tinham sido entregues a artesãos ignorantes ou inábeis. A grandeza dos esforços necessários e a imensidão dos resultados os atraem.
Assim, portanto, ao mesmo tempo que rebaixa sem cessar a classe dos operários, a ciência industrial eleva a dos patrões.
Enquanto o operário concentra sua inteligência cada vez mais no estudo de um só detalhe, o patrão analisa o todo, e sua mente se expande na mesma proporção que a do outro se estreita. Em breve, o primeiro não precisará de mais do que sua força física sem inteligência; já o segundo necessita da ciência, e quase do gênio, para ser bem-sucedido. Um se parece cada vez mais com o administrador de um vasto império, o outro, com um bruto.
Felizmente, o livre mercado substitui esse tipo de processo de produção rapidamente. Henry Ford adotava esse processo mecanizado em suas linhas de produção, mas a General Motors tomou o lugar de Ford em uma década. Os processos de produção sempre se movem em direção à cooperação no chão de fábrica, onde as pessoas contribuem com suas ideias e trabalham em equipe para implantá-las.
Este foi um dos grandes segredos da indústria japonesa após a Segunda Guerra Mundial. Equipes de homens lidando com problemas conjuntos.
A coisa mais valiosa que as pessoas podem fazer é resolver problemas. Elas não são máquinas. Da mesma maneira, clientes e consumidores têm vários problemas. Não há um só tipo de problema. Há vários padrões de problemas. Mas cada problema possui aspectos singulares. É por isso que máquinas não podem lidar com eles.
As máquinas sempre estarão limitadas por sua programação, e elas sempre estarão limitadas por sua incapacidade de inventar soluções criativas para problemas altamente específicos.
Ferramentas são máquinas; elas não são criativas. Pessoas são usuárias de ferramentas; elas não são máquinas e, por isso, são criativas.
Se um determinado processo de produção substitui pessoas por máquinas, então o destino daquela indústria já está selado. Se um determinado processo de produção ainda utiliza indivíduos para efetuar tarefas repetitivas, então ele está criando um mercado para que uma máquina substitua a força de trabalho. Isso é bom para a força de trabalho e é bom para os consumidores.
O segredo para se ter uma alta renda não é possuir uma capacidade de efetuar tarefas repetitivas. O segredo é ter uma mente criativa. O segredo está na mente criativa que é capaz de aplicar princípios gerais a casos específicos, e então encontrar ferramentas especializadas com as quais implantar seu plano.
Se a sua ocupação requer que você apenas efetue coisas repetitivas, coisas que não requerem muito raciocínio, então seria bom você ficar esperto e começar a procurar algum setor que possua algum conjunto de problemas que alguém com suas habilidades possa resolver. É a capacidade de saber resolver problemas, e não a implantação de soluções mecânicas, que gera uma renda alta. É assim que trabalhadores se tornam líderes e patrões.
Se um sistema educacional de um país treina seu povo para solucionar problemas, então o país tem futuro. Se, por outro lado, o sistema educacional treina seu povo para coisas rotineiras, então ele está ludibriando a população. Em termos de renda, ela não sairá do lugar.

Sobre o trabalho criativo, acredito que todos aqui sabem que esse eh o grande diferencial… Hoje se tem cameras para filmar, mas so alguns conseguem produzir algo criativo, impressora 3D idem projetos mirabolantes nao se criam do nada…, Blender para para criar jogos ou realidade virtual idem, mas poucos conseguem fazer algo “novo” .
Entendo que o governo deveria regular mais essas máquinas para que não suplantem a grandiosidade da o trabalho humano! Não é lícito substituir seremos humanos por máquinas. Estava lendo hoje sobre uma máquina 3d para construção de casas! Que absurdo, para que construir casas em 20 horas, com maior economia de material e mão de obra se podemos empregar o próximo e ajudar muitas famílias?! Lucro não é tudo!
Ainda bem que em nossa política temos pessoas sóbrias. Como nosso querido Lula afirmou:
"Na década de 90, existia a dúvida de quem era o serviçal mais importante, Menem (Carlos Menem, presidente da Argentina de 1989 a 1999), FHC, etc. Como o Brasil queria ser grande se não cuidava dos que estavam perto de si? Fizemos um trabalho de reconquistar confiança política. Em dois anos, aconteceram coisas extraordinárias, primeiro o Chávez (Hugo Chávez, presidente da Venezuela), depois o Lula, o Kirchner (Néstor Kirchner, presidente da Argentina de 2003 a 2007), etc. Aquilo que as pessoas jamais imaginaram que iria acontecer nós vivemos, que foi o período mais progressista, socialista e de esquerda da nossa América do Sul."
Certo fez o Lula a não se levantar para o presidente americano e seus comparsas, afinal já somos muito superiores aos EUA!
Fica tb meu elogio à genialidade de Lula ao afirmar: “As pessoas se incomodam com o pobre tendo carro ou andando de avião” e mostrou muita humildade ao dizer:
“Na hora que um jovem estiver dentro de casa ou no computador, quando vocês estiverem putos da vida, dizendo que não gosta do Lula, da Dilma, ainda assim, não neguem a política. E muito menos neguem os partidos. Podem fazer outros. Quando estiver p* e negar as coisas, em vez de negar a política, entre na política. É dentro de cada um de vocês que está o político perfeito que vocês querem. Fora disso, não existe solução.”
Fico imaginando quando as maquinas se tornarem “criativas” digo com inteligencia artificial plena. Será uma revolução sem precedentes muito maior que as revoluções industriais do passado.
Muitos pensam que apenas o setor agricola e industrial que “sofre” com as maquinas mas o setor de serviços tb está em “perigo” com o tempo. Por exemplo o setor bancário, que já se faz tudo praticamente online ou via caixa eletronico. Prevejo nas proximas decadas esse setor sofrendo um grande downsizing de funcionarios como já vem há um bom tempo.
Sir. Adam Smith escreveu tudo que se precisa saber sobre economia.. o cara foi um gênio. Não apenas o primeiro, mas o maior de todos os economistas. Até hoje, só Ricardo, Hayek e Friedman são personagens que entenderam Adam Smith em sua plenitude e contribuíram com o pensamento econômico de forma relevante.
Por favor, mais artigos sobre automação.
Bem se as pessoas tiverem dispostas consumirem NASA, eles terão bem mais verba que os imposto poderiam fornecer. Mais até hoje as poucas tecnologia da NASA para nosso mundo são muitos cara, como aquele travesseiro super ortopédicos.
Fiquei emocionado ao ler o artigo. Penso de forma semelhante.
Sou arquiteto e me graduei na década passada, quando ainda era possível encontrar colegas trabalhando em pranchetas de desenho. A melhor coisa que pôde nos acontecer foi o computador ter entrado na profissão: surgiram inúmeros desenhistas, mas os arquitetos se viram obrigados a deixar de ser desenhistas para se tornar arquitetos.
Gostaria de entender melhor, se um trabalhador é super-especializado em uma função repetitiva, como ele conseguirá emprego numa função diferente? Ele procurará um curso para uma nova qualificação, por conta própria, ou o patrão deve subsidiar a formação para ele aprender a operar a máquina que o substituiu? Ou ainda, buscar um trabaho de baixo nível de especialização, recebendo um salário menor, até ele arranjar algo melhor? Só quero entender, não me xinguem de ludita.
Esse é um bom tema, sou defensor da economia livre mas tenha sérias dúvidas se o capitalismo que leva automação consegue se reiventar gerando novos empregos, acho que há um limite para isso, e li uma pesquisa do MIT que a internet a partir de determinado momento mais destruiu empregos do que gerou, e não duvido que seja verdade, está acabando com o mercado editorial, acabou com a industria fonográfica, e vai devorando várias coisas de modo automatizado, o instagram uma empresa de 2 bilhões tinha 13 funcionários. Sim, grandes mentes sempre terão espaço,sempre terão emprego, sempre ganharão dinheiro, em qualquer época, mas a sociedade não é feita de gênios e sim de pessoas comuns,e é legal falar que devemos procurar trabalho que utilize raciocínio mas o computador faz isso muito bem e o mais importante, mais barato,vcs sabem que o grosso dos empregos não requerem criatividade nem capacidade de resolver problemas, a automação começou no setor primário, secundário, e já está chegando forte em serviços.Não sei, acho que o futuro ou vai ser muito bom,ou vai ser péssimo, qual vcs acham que vai ser o futuro do mercado de trabalho? Computadores e robôs trabalhando para várias micro empresas?
http://www.douradosnews.com.br/tecnologia/tecnologia-mais-destroi-do-que-cria-emprego-diz-estudo-do-mit
“Se um sistema educacional de um país treina seu povo para solucionar problemas, então o país tem futuro. Se, por outro lado, o sistema educacional treina seu povo para coisas rotineiras, então ele está ludibriando a população. Em termos de renda, ela não sairá do lugar.”
O que dizer então de um sistema educacional que treina seu povo para ser comunista?
“O ideal é criar um produto ou serviço que atenda às necessidades das pessoas. Em seguida, v. deve vendê-lo com otimização da margem de lucro. Assim você deixa de ser profissional e passar a gerar emprego para “profissionais”. Este é o foco.
Isso é uma carreira. É isso que fazem músicos, jogadores de futebol, pilotos de Fórmula 1 etc.
Seu problema parece estar exclusivamente com a semântica, o que é bobagem.
Não há por que nem por onde complicar. Você pode entender emprego simplesmente como uma relação contratual de trabalho, algo que poderia continuar existindo mesmo em um hipotético sistema capitalista “puro” (anarcocapitalismo).
Dizer que o certo é “fugir do trabalho, buscar o capital”, soa como ironia de esquerda. A mesma esquerda que acredita que o empreendedor não é mais que um parasita que vive de extrair a “mais-valia” do trabalhador (bom lembrar que as ideias de “valor-trabalho” e “mais-valia” caíram em descrédito já faz um bom tempo). Lógico que não funciona assim.
O papel do empresário é o de servir como um coordenador da estrutura produtiva social. Identificar desejos ou necessidades não satisfeitos, ou que poderiam ser melhor satisfeitos, e planejar e trazer à realidade respostas para esses anseios. “Casar” meios e fins, de certa forma. Seu sucesso será dependente de sua capacidade em atender às demandas dos consumidores. E, é claro, sua atividade envolve diversos riscos. O empreendedor pode errar em sua análise do mercado, enxergar oportunidades onde não existem. Ou não conseguir organizar sua empresa de maneira sustentável. Talvez alguma flutuação econômica inesperada inviabilize a continuidade de seu negócio. Isso sem falar da concorrência, sempre desejosa de abocanhar fatias maiores de mercado.
Empreendedores que por um motivo ou outro sofrem prejuízos persistentemente acabarão indo à falência. Não são todas as pessoas que estão dispostas a se arriscar dessa forma. É possível ganhar muito, é possível perder tudo. E cada indivíduo tem seu nível de tolerância a riscos. Cada indivíduo possui suas aptidões. Cada indivíduo tem seus próprios valores e preferências. Empreender é uma opção e uma decisão pessoal, e tudo isso tem que ser levado em conta.
O ponto aqui é que empregados e empregadores são fundamentais no bom funcionamento da economia e no desenvolvimento da sociedade como um todo. Pode ser que empreender ou trabalhar para alguém adquiram um caráter vil e detestável através do filtro das suas convicções, mas não são atividades ruins per se. Pelo contrário.
Textos de interesse:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1590
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1368
De fato, profissionais que trabalham com processos repetitivos são substituídos por máquinas, e isso é necessário para que as empresas aumentem sua produção e atendam a necessidade do mercado. Uma simples máquina de salgadinhos consegue produzir em muito maior quantidade e com perfeição, o que muitas pessoas não conseguiriam em um dia, e faz isso em poucas horas!
Eu acredito que a automação é benéfica sim para a sociedade e que abre espaço para outras formas de trabalho também, aumentando a tecnologia o resultado é aumentar a produtividade!
Na crise que nos encontramos, para muitos se torna necessário a busca de caminhos diferentes, e por fazer algo diferente, nosso resultados também serão diferentes. Que sejam melhores!
“mogisenio 23/07/2013 02:44”
Concordo com o Ricardo e considero que esteja havendo um problema de semântica, o que você descreve como capital eu descreveria como empreendedorismo; seja porque há empreendedores que conseguem fazer o que você descreve sem tirar um centavo do bolso, apenas com capital de terceiros; seja porque a acumulação de capital com o mero trabalho para então virar um capitalista não passaria de um sofrimento interminável; seja porque a acumulação de capital com empreendedorismo seria em muito facilitada; seja porque o próprio trabalhador, enquanto se considera um mero empregado, extirpa de si mesmo qualquer fator criativo e então se torna até mesmo um fardo para o empregador, enquanto, sob outra perspectiva, o próprio trabalhador, mesmo enquanto empregado, atuando como empreendedor, consegue criar maior valor ao empregador, resolver problemas e também ganhar com isto (seja enquanto consumidor, que nunca deixa de ser) nem que seja galgando cargos dentro da corporação na qual se insere e assim tem condições de acumular mais facilmente o tal capital; seja porque, ao cabo, é o que acontece no mundo real, onde o empregado que conhece e tem condições de resolver problemas enriquece e onde quem recebe pura e simplesmente o capital do nada acaba naturalmente retornando à pobreza.
Enfim, capital ajuda, e muito, mas não é o ponto fulcral; acaso fosse, as grandes fortunas jamais seriam perdidas e as grandes empresas jamais fechariam; bancos então, justamente porque lidam com capital, jamais quebrariam.
Simplificar tudo como sendo capital parece ser uma coisa positiva se isto resolve o seu problema; considero sim que é até mais salutar do que simplificar tudo como sendo um emprego ou carreira pública, como a maioria o faz em nosso país; contudo, também considero que isto simplesmente não resolve, num passe de mágica, todos os problemas.
O sistema capitalista, aliás, beneficia-se justamente disto, das constantes tentativas de alocação de recursos, algumas bem realizadas, que retornam positivamente, outras mal realizadas, que destroem o capital, a riqueza; é justamente em razão destes constantes erros e acertos de todos os envolvidos que se dá a otimização da alocação do capital. Não adianta se fixar em obter capital e achar que isto também não é uma carreira… agora, claro que serão tão melhores quanto melhor você for nelas… não adianta dizer que o capitalista dono da mercearia na esquina, que não guarda obediência a nenhum patrão e abre quando quer e vende o que quer, está em melhor situação que o atleta Cristiano Ronaldo, jogador de futebol que deve obediência a uma série de patrões entre empresários, clube e patrocinadores, inclusive, quanto a horários, esforços físicos e disciplina tática, aparência dentro e fora do local de trabalho, vigilância de consumidores em aspectos íntimos etc etc etc… enfim, a realidade é muito mais rica.
Eu até entendo que a mão de obra qualificada que for demitida de uma linha de produção por causa dos robôs irá encontrar novos trabalhos, mas e um cara de 45 anos que frita hamburguers em uma rede de fast-food? Se ele for substituído por um robô (e será) como é que ele vai encontrar outro emprego?
Eis o que ninguém tem coragem intelectual de dizer: empregos industriais são insalubres e, por isso mesmo, indesejáveis.
Eu sempre me delicio ao ver intelectuais defendendo o aumento no emprego industrial como se fosse uma coisa desejável e agradável. Ora, trabalhar na indústria é algo totalmente punitivo do ponto de vista da saúde e da segurança. É um ambiente maçante, monótono e até mesmo emburrecedor. O trabalhador industrial passa oito horas do dia fazendo trabalhados repetitivos e extenuantes. É a perfeita caricatura do homem robotizado, sem emoções e vontade própria.
Por isso, qualquer redução do emprego industrial deveria ser comemorada como algo humanístico; qualquer substituição de homens por máquinas deve ser aplaudida como algo em prol da humanidade.
Antigamente, a esquerda criticava os empregos gerados nas fábricas (Revolução Industrial). Hoje, ela diz que a salvação está nos empregos nas fábricas. E, pelo visto, ganhou a companhia de alguns “libertários” nessa.
Apenas gente que nunca empunhou um instrumento de trabalho mais pesado que um lápis pode defender a ideia de que o progresso está em fazer trabalhos excruciantes e “quebradores de coluna” nas indústrias.
Eu não entendo gente defendendo enfiar ainda mais humanos dentro de fábricas. Empregar humanos na indústria denota atraso. Avanço é substituí-los por máquinas e robôs. Países ricos fazem o segundo e liberam essas pessoas para se dedicar a empreendimentos mais prazerosos. Países pobres, o primeiro, e com isso permanecem no atraso, sem um setor de serviços vibrante e criativo.
A tecnologia acaba com os bons empregos e realoca as pessoas em sub-empregos que com toda certeza, por serem muito menos exigentes e executáveis até mesmo por macacos, pagarão muito menos. “As pessoas estão em empregos muito mais confortáveis”, claro, como se deixar de arar a própria terra e ir trabalhar em um call-center multinacional que te obriga a trabalhar até aos domingos fosse algo muito bom.
Com certeza é a tendência da nossa evolução, trabalhos mais inteligentes, mais tecnológicos, mais cerebrais e menos manuais. Lutar contra isso é perda de tempo. E também um baita atraso.
É dose ver gente falando sobre “desindustrialização” e pedindo providências dos governos sem entender o quanto tal fenômeno é natural no desenvolvimento de um país.
Agora um problema: se boa parte do povo não acompanhar essa mudança, é provável que uma parte dessa massa ficará desempregada, e a outra parte insegura quanto ao seu emprego. Desse jeito aumentando ainda mais a interferência do sindicato e do governo, e assim atrapalhando essa evolução.
Pelo gráfico, Japão e Alemanha são os que mais mantiveram (relativamente) a força de suas indústrias (estável e em nível alto para países desenvolvidos). E são também os que tiveram a moeda mais forte e estável neste período (a menor inflação). Diga isso a um desenvolvimentista e ele pira.
O Brasil foi o que mais afundou tanto por causa da inflação acumulada quanto pelo PIB que passou a crescer mais na década de 90 e 2000 (o PIB está no denominador; quanto maior o PIB, menor a relação).
A lógica de sempre se aplicava até o surgimento de inteligência artificial.
A partir do momento que você cria um software capaz de criar outro software, é o momento em que os humanos deixam de ter sua utilidade prática. É claro que, no final das contas, a ideia central da humanidade é simplesmente comer, reproduzir e morrer, mas pelo arranjo moderno que se fez (seja lá qual for o sistema econômico e político), a inutilidade do humano só se intensifica, e qualquer um que tenta negar isso é um mero sonhador.
A google, a título de exemplo, já fez software que aprende qualquer coisa, a jogar xadrez, por exemplo, não existe humano capaz de vencer o tal ‘alphazero’.
Digo isso pois estou na TI, sou desenvolvedor (assim como muitos aqui no Mises) e vejo isso todos os dias, ‘facilitando’ nosso trabalho e acabando com vários outros que não acharam mais o que fazer.
Aliás, lembrei agora que a nova fonte de renda dos jovens é ‘youtuber’, ou seja, produção de ‘entretenimento’, o que já é um belo começo para o fim da utilidade prática do ser humano – ao menos pra fins de ‘evolução tecnológica’.
A pergunta mesmo, ao meu ver, é como ficará todo o contexto de ‘sobrevivência a partir do trabalho’. Talvez vivamos um hedonismo sem fim (a la Brave New World), ou algo muito pior – o que é o mais provável na minha opinião. Experimente ficar alguns dias sem nenhuma preocupação e as piores ideias começam vir na cabeça, coisas doentias mesmo. Não nascemos para ficar parados e nem para puro entretenimento, mas esse dia chegará e eu não quero nem saber o que será de nós.
Tinha uma artigo aqui nesse site, que o tema se não me engano falava do capitalismo e do trabalho infantil e mais algumas falácias sobre trabalhos “insalubres” ou “perigosos”, e se não me engano nesse artigo citava um economista (acho que norte-americano) que falava que o capitalismo sem precisar ter intervenção estatal, teve aumentos nos salario durante o período que se desenvolveu e ele aplica e mostra os dados de progressão dos EUA, desde muito tempo que o “livre-mercado” vem ajustando pra maior os salários.
Eu não o encontrei, mas se alguém puder mandar o link na resposta eu agradeço, acabei esquecendo o nome do artigo e queria ler.
Se não me engano é Whales, whattles o nome do economista.
Agradeço desde já!
Os liberais vivem dizendo que a inflação no Brasil está voltando por causa do IGP-M de 10% acumulado em 12 meses até junho. Só omitem que esse índice é formado por 3 índices, sendo que o IPC (preços ao consumidor), o qual representa 30% do IGP-M, acumula alta de só 2% em 12 meses, em linha com o IPCA, contra 12% do IPA e 4% do INCC.
Bom, se há inflação está voltando mesmo, pergunto, por que então não reajustar o teto de gastos e salário mínimo pelo IGM-M em vez de pelo IPCA, ou inflação só existe quando convém?
Penso que vocês do Instituto Mises deveriam ler sobre as metodologias WCM (Pilar AM) e TPM.
O efeito colateral de toda essa diminuição do emprego industrial que sempre teve como característica uma remuneração maior que outros setores da economia é a menor arrecadação de imposto de renda pelos governos e a intensificação das crises fiscais.
” Pense nos homens que faziam trabalhos de precisão metal-mecânica em 1960, utilizando sofisticados tornos mecânicos. Eles tinham de trabalhar com tolerâncias de um milésimo de polegada, ou menos. Eles eram incríveis. Mas não havia muitos deles.
Gradualmente, este tipo de processo de produção foi sendo substituído por máquinas perfeitamente capazes de trabalhar dentro destas ínfimas tolerâncias. As máquinas de hoje são capazes de apresentar a mesma produção de trabalhadores que, uma geração atrás, eram indispensáveis à indústria.”
Meu tio trabalhou como instrumentista industrial, uma profissão bem remunerada na indústria, mas hoje muito do trabalho que ele fazia foi substituído por sistemas inteligentes.
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20 anos atrás, num excursão da escola visitei um grande complexo industrial daqui a cidade. Um dos líderes da empresa disse:
” Já tivemos 45 instrumentistas industriais, hoje temos 12.”
Desde o ginásio NUNCA acreditei que a aumtomação iria banir o trabalho humano: Por mais que uma máquina ou sistema automatizado substituísse pessoas, mesmo assim algu´m deveria projetar, construir, montar… essas máquinas. O que exigiria uma maior qualificação.
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É muito genérico dizer que o “desemprego” está alto, depnde da área. Certamente quem trabalha com TI, programação de computadores, essas coisas não está. Aliás, nessa pandemia muitas coisas estão sendo feitas digitalmente.
"Toda ação racional é em primeiro lugar uma ação individual. Apenas o indivíduo pensa. As razões são individuais. Apenas o indivíduo age."
Mises
* * *
Podem estar equivocados todos aqueles que acham que uma máquina não pode ser criativa.
É mentira dizer que as máquinas só criam aquilo que elas foram programadas a fazer, dado que certas IA’s produzem resultados que sequer os cientistas-programadores compreendem.
Não é utopia acreditar que poderemos presenciar uma IA com inteligência humana média.
Se tal IA for criada, será a última invenção humana.
Creio que querendo ou não empregos home office serão o futuro, pouca coisa vai sobrar para mão de obra bruta, tudo vai acabar no online, a robotização vai tirar muitos empregos, e quem não estiver preparado vai sofrer infelizmente.