Este
livro trata de um dos mais importantes e negligenciados resultados produzidos
pelas ciências sociais, fruto do exame da viabilidade do socialismo sob o ponto
de vista da teoria econômica moderna: a tese da impossibilidade do cálculo
econômico no socialismo.
Essa
tese afirma que o ideal socialista jamais poderia encontrar uma contrapartida
no mundo real. Esse ideal, a despeito do seu forte apelo emocional, oriundo de
instintos calcados na própria natureza humana, apenas pôde encontrar suporte
científico na ultrapassada teoria econômica clássica dos séculos XVIII e XIX.
Nessa teoria, a produção não faz parte do problema econômico fundamental.
Questões sobre o que e como produzir são derivadas de considerações técnicas,
de engenharia. Aspectos como preços e propriedade privada afetariam apenas a
distribuição da produção entre classes.
A
teoria moderna, por outro lado, incorporou a produção no problema econômico: a
economia passou a tratar da relação entre meios e fins, de maneira que, na
presença de escassez relativa de recursos diante da multiplicidade de fins
imagináveis, tornou-se impossível dissociar a produção do problema mais amplo
da escolha entre usos alternativos dos recursos.
Em
termos mais concretos, a escolha sobre o que produzir, além de engenharia, deve
envolver considerações mercadológicas: talvez a recomendação técnica do
engenheiro sobre o uso de certo insumo para a produção de um bem deva ser
ignorada, pois tal insumo poderia ser empregado na produção de outro bem,
considerado mais importante pelos consumidores. Mas deveria existir marketing
no socialismo? Sem dúvida, pois a teoria econômica moderna nos mostra que o
problema econômico fundamental se faz presente em qualquer forma de organização
social, inclusive o socialismo. Mesmo se as preferências dos habitantes forem
ignoradas, ainda assim os recursos precisam ser alocados segundo as prioridades
dos dirigentes. Não há como escapar do problema.
Há
quase cem anos, o economista austríaco Ludwig von Mises lançou então o desafio:
sem propriedade privada não existem mercados e sem estes não existem preços que
tornam possível a comparação entre os diversos usos possíveis dos recursos. O
socialismo seria um ideal irrealizável, pois sem um sistema de preços não há
como superar a complexidade da divisão do trabalho que acompanha a alta
produtividade das economias atuais, a menos que tenhamos um planejador central
onisciente, que saiba todos os detalhes de como se alteram em tempo real as
preferências, as alternativas técnicas e a disponibilidade de recursos
produtivos. Se a produtividade das economias atuais não for pelo menos
replicada, condenaríamos a maioria da população mundial à morte.
Desde
o lançamento desse desafio, a distinção marxista entre socialismo utópico e
científico se inverteu: os defensores do socialismo que não ignoram a teoria
econômica foram forçados a investigar a natureza do socialismo, propondo
modelos que buscam formas alternativas de alocar recursos, sem o auxílio do
sistema de preços de mercado.
Até
o presente momento, o desafio original de Mises continua sem resposta. Todas as
tentativas de refutar seu argumento só tiveram sucesso na medida em que
conseguiram distorcer o problema original. O socialismo permanece como algo
que, embora intensamente desejado, não se têm a menor ideia do que seja.
O
fracasso da tarefa de refutar Mises está relacionado ao silêncio que acompanha
o tema. Assim como o estudante moderno, que nos seus diversos cursos de
história nunca se depara com os massacres perpetrados pelos regimes
totalitários inspirados pelo ideal socialista, também o estudante de ciências
sociais raramente trava contato com a crítica teórica ao socialismo e em
particular poucos ouviram falar sobre o debate do cálculo econômico, mesmo
entre os economistas profissionais. Por outro lado, o ideal socialista ainda
inspira a maioria dos partidos políticos e quase todos os departamentos de ciências
sociais, com a exceção da própria economia, são ainda fortemente influenciados
pelo socialismo.
Nada
mais oportuno então do que a publicação como livro da minha tese de doutorado,
que trata da história do debate do cálculo econômico socialista. Desde que foi
defendida nove anos atrás, existe uma crescente demanda pela tese, que é a
única história completa do debate publicada em língua portuguesa.
O
interesse pela tese, porém, não é derivado apenas da discussão da economia do
socialismo. O debate do cálculo foi também um ponto crucial na história do
pensamento econômico, marcando a percepção de que a Escola Austríaca de
economia não era apenas uma das vertentes da teoria moderna, mas um programa de
pesquisa próprio, com semelhanças e diferenças em relação ao mainstream.
No debate, a crítica ao socialismo foi feita por austríacos e a sua defesa por
economistas neoclássicos. Pode-se dizer que muitas características distintivas
da moderna teoria austríaca de processo de mercado foram forjadas durante o debate,
a partir das contribuições de Mises e Hayek.
Com
o expressivo aumento do interesse pelas ideias da escola austríaca que
presenciamos nos últimos anos no país, temos um segundo motivo que justifica a
publicação da tese como livro. Em relação à versão original, a mudança mais
significativa do livro foi a tradução para o português de todas as citações,
que apareciam originalmente nas línguas nas quais foram escritas. Além disso,
foram feitas mudanças marginais no texto para tornar mais claro o significado
de algumas passagens. Fora essas mudanças pequenas, o livro preserva seu
formato original, pois não ocorreram na última década contribuições que
acrescentassem argumentos verdadeiramente novos ao debate.
Assim,
a minha interpretação da controvérsia continua a mesma: as tentativas de criar
um sistema de preços artificiais para o socialismo que substituísse os preços
de mercados fracassaram por um motivo de ordem metodológica. As simplificações
utilizadas na teoria da competição perfeita, úteis para explicar certos
aspectos dos fenômenos de mercado, se tornam enganadoras quando usadas para construir
e controlar o fenômeno estudado. Sendo assim, a simplicidade da teoria é
transferida para o objeto estudado, o que reduz sobremodo a complexidade do
problema alocativo real.
Dessa
forma, a evolução dos modelos de socialismo ao longo do debate é marcada pelo
progressivo abandono de elementos centralizadores e consequente reincorporação
de elementos dos mercados reais, até chegarmos as propostas de socialismo que contemplam
a existência de bolsas de valores. Cada modelo era de fato criticado por
ignorar algum aspecto do problema alocativo que aparece nos mercados reais. O
exame desse gradual abandono do planejamento consciente da produção é um
exercício útil para o estudante de economia refletir sobre as limitações do
aparato teórico desenvolvido para teoria econômica. Nesse sentido, o contraste
entre as opiniões austríacas e neoclássicas ao longo do debate faz com que
saltem aos olhos as vantagens da primeira no que diz respeito à apreciação do
fenômeno da competição nos mercados.
A história de um debate centenário
Em 1920, na Áustria, em um período no qual o ideal
socialista alcançava grande aceitação, o economista Ludwig von Mises publicou
um artigo em que defendia a tese de que o socialismo não seria uma forma
possível de organização social, a despeito do apoio que essa causa obtivesse,
do ardor com que fosse desejado e da previsão marxista sobre sua
inevitabilidade.
Para Mises, o socialismo marxista, que prometera trazer consigo a
racionalidade para a esfera das atividades econômicas em substituição ao ‘caos
da produção capitalista’, fracassaria justamente quando se investigasse à luz
da teoria econômica como seria o funcionamento de uma economia socialista.
Mises notou que os autores marxistas pouco ou nada diziam sobre a natureza
do sistema econômico socialista. A mesma observação foi feita pelo economista
russo Boris Brutzkus, que simultaneamente formulou a crítica feita por Mises:
“O socialismo científico, limitado exclusivamente à crítica da ordem
econômica capitalista, não produziu até agora uma teoria para a ordem econômica
socialista” (Brutzkus, 1920:3).
Quando a análise econômica do socialismo fosse feita, chegaríamos então à
conclusão de que ali não seria possível alocar os recursos escassos de forma
racional. Segundo Mises, em qualquer sociedade, se os recursos forem escassos,
a decisão sobre o emprego de um fator na produção de um bem deve sempre
comparar a importância do recurso na produção desse bem com a sua importância
em empregos alternativos. Em uma economia avançada, as formas como os bens
podem se combinar nos processos produtivos são incontáveis, de modo que, sem um
sistema de preços de mercado para que se possa comparar benefícios com custos
— tarefa que o autor denomina ‘cálculo econômico’ — seria impossível escolher
combinações economicamente viáveis. Como no socialismo não existiriam mercados
nos quais preços fossem formados, o cálculo econômico seria impossível e
estaríamos perdidos diante da complexidade do problema econômico. Em vez de
racionalizar o processo produtivo, o socialismo traria o caos.
A tese de Mises é mais bem resumida com as próprias palavras do autor:
“Onde não existe mercado livre, não existe mecanismo de preços; sem um
mecanismo de preços, não existe cálculo econômico. (Mises, 1935:111)”
Desde a formulação dessa tese, os economistas socialistas têm buscado
responder ao desafio de Mises, formulando modelos de socialismo que possam
refutar o argumento da impossibilidade.
O conjunto de propostas de socialismo mais significativo foi formulado não
por autores marxistas, mas sim por economistas neoclássicos, cujo programa de
pesquisa reconhecia a importância do problema. Essas propostas procuravam
resolvê-lo por meio da introdução no socialismo de alguma forma de sistema de
preços, mesmo que fosse de forma simulada. A mais famosa dessas propostas foi
sugerida pelo economista polonês Oskar Lange, em um artigo publicado em 1936-7,
considerado o ponto culminante das discussões entre os economistas curiosamente
denominados de ‘socialistas de mercado’. Na versão final do modelo de Lange, as
firmas estatais seriam instruídas a minimizar os custos médios e igualar os
custos marginais aos preços enunciados centralmente. O planejador estabeleceria
os preços que, por tentativas e erros, seriam alterados de forma a igualar
oferta e demanda. O debate em torno desses modelos constitui o chamado Debate
do Cálculo Econômico Socialista.
O objetivo desta tese é estudar tal debate. O estudo da controvérsia do
cálculo se reveste de interesse por vários motivos. Em primeiro lugar, existe o
interesse no objeto em si da discussão. Simpatizantes e opositores do
socialismo, ambos devem levar a sério o argumento que afirma a impossibilidade
de sua existência. Se correta a tese sobre a impossibilidade do socialismo,
qualquer discussão sobre a desejabilidade se torna ociosa ou sobre a sua
inevitabilidade incorreta. De forma mais geral, a discussão sobre a economia do
socialismo feita no debate deve interessar a todos aqueles que investigam quais
seriam as formas de organização social mais adequadas, ou seja, deve interessar
a todos os cientistas sociais.
Em segundo lugar, o debate é importante para os economistas que se
interessam pela evolução da teoria econômica e por questões metodológicas a
respeito do significado da teoria que utilizam. Embora o debate propriamente
dito se inicie em 1920, a discussão sobre como o socialismo lidaria com o
problema alocativo sem um sistema de preços se estende por um período que se
inicia pelo menos desde 1850 até os dias de hoje. É curioso então estudar como
o debate toma cursos diferentes conforme a teoria econômica avança e também
como esta mesma deve parte desse avanço à própria controvérsia do cálculo. O
debate passa pelo confronto entre as teorias clássica e neoclássica do valor,
toma corpo com a maturação da teoria neoclássica, é parcialmente responsável
pelo aprofundamento da cisão entre a Escola Neoclássica e a Escola Austríaca,
se relaciona com a evolução da Teoria do Bem Estar e incorpora as contribuições
posteriores da Escola de Escolha Pública e Teoria da Informação Assimétrica.
No debate, as teorias de equilíbrio geral e parcial foram utilizadas não
para explicar o funcionamento dos mercados, mas sim para construir um novo
sistema econômico. Isso, como veremos, dará origem a uma série de questões
metodológicas sobre o significado e as limitações dessas teorias.
Finalmente, e em terceiro lugar, é interessante estudar a história da
controvérsia por si mesma. Isso porque se trata de um dos debates mais
interessantes da história da economia, no qual se envolveram alguns dos mais
eminentes economistas do século XX.
Dada a importância do debate, é de surpreender, mesmo entre os economistas,
quão poucos são aqueles que já ouviram falar do mesmo. Adicionalmente, entre
estes últimos, a maioria tem conhecimento de uma versão bastante distorcida.
Enquanto nessa versão o argumento de um dos lados da controvérsia é totalmente
descaracterizado, os historiadores modernos que a contestaram se preocuparam em
recuperar o significado do argumento distorcido, deixando todavia de expor com
cuidado os argumentos do outro lado. Por isso, é uma ambição do presente
trabalho deixar os participantes falarem por si mesmos, de modo a apresentar
uma narrativa que exponha todos os lados da questão. Isso, naturalmente, sem
nos furtarmos de tomar posição sobre o mérito dos argumentos apresentados.
Outro intento que buscaremos no trabalho será a apresentação de uma história
completa da controvérsia. Em vez de tratar apenas do núcleo do debate, ocorrido
nas décadas de vinte e trinta do século XX, procuraremos retomar com mais
cuidado os seus antecedentes. Com efeito, o problema em questão já fora tratado
em 1850 por Gossen, um dos precursores da Revolução Marginalista, e continuou
sendo investigado por autores como Wieser, Cassel e Pareto, entre outros.
Tampouco as discussões se encerram na década de trinta, quando ocorrem as
principais tentativas de refutar a tese de Mises. Depois de um período de
dormência, o debate é retomado na última década do século, e persiste até hoje.
Este trabalho abarcará a fase moderna do debate, relacionando-a com as fases
precedentes.
Roteiro
O
presente trabalho é dividido da seguinte maneira.
No
primeiro capítulo apresentamos todo o pano de fundo para a história deste debate
centenário, começando pela constatação de Mises acerca da inviabilidade prática
do socialismo, passando pelas definições de socialismo, pela relação entre teoria
e história, e, finalmente, apresentando a base metodológica do problema
No
segundo capítulo descrevemos a ‘pré-história’ do debate, que trata das
primeiras aplicações da teoria neoclássica ao problema da economia socialista,
desde Gossen em 1850 até os trabalhos de Wieser e Pareto, entre outros. Esses
trabalhos estabelecem que a natureza do problema econômico — a escolha diante
da escassez — seria a mesma em qualquer sociedade.
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Em
seguida, no capítulo 3, trataremos do início da controvérsia. Mises, Weber e
Brutzkus afirmam simultaneamente que o socialismo seria impossível devido à
incapacidade de resolver o problema alocativo na ausência de mercados. No
capítulo 4, analisaremos a primeira geração de tentativas de refutar a tese de
Mises. Estudaremos o debate em alemão que ocorreu na década de vinte e o debate
em inglês da década de trinta, que versa sobre as propostas de ‘socialismo de
mercado’.
No
capítulo seguinte, estudaremos as objeções que os economistas austríacos
fizeram a esse tipo de solução, em especial a reação de Hayek às propostas de
socialismo de mercado. Como subproduto dessa crítica, veremos como tomou corpo
a formação de um programa de pesquisa austríaco próprio, distinto do programa
neoclássico tradicional.
No
capítulo 6, estudaremos o período entre o final dessa fase do debate, em torno
de 1940, até antes de sua retomada, em 1990. Esse período é rico em
interpretações alternativas sobre quem teria ‘ganho’ o debate. No final desse
capítulo retomaremos a discussão desenvolvida na seção acima, construindo a
nossa própria avaliação da controvérsia.
No
sétimo capítulo, veremos como os desenvolvimentos teóricos ocorridos na segunda
metade do século XX, em especial a economia da informação, deram origem à
retomada do debate, com novos modelos de socialismo de mercado que procuram
desenhar mecanismos de incentivos para lidar com o problema agente-principal no
socialismo.
Finalmente,
no oitavo capítulo, estudaremos outras contribuições contemporâneas ao debate
que retomam a visão marxista sobre o problema. A discussão dessas contribuições
nos levará de volta àquilo que identificamos como o ponto central da questão, a
saber, a complexidade do problema alocativo.
Concluiremos
com uma avaliação geral do debate e especulações sobre que rumo poderá tomar no
futuro.
Fabio
Barbieri
São
Paulo, janeiro de 2013.



Saudações ao Professor Barbieri por este livro. Muitos embustes são ditos por todo lado (com todo assistematismo, achismos, e ausência de referências característicos da esquerda, keynesianos e congêneres) acerca do debate sobre von Mises e socialistas quanto ao cálculo econômico. Um livro acerca deste debate cobre uma lacuna na história das ideias.
O capitalismo é um mero estágio da organização social do homem, como vislumbrado pela dialética social de Hegel e Marx. Discordo igualmente do autor Felipe Barbieri e de sua oposição histórica social-democrata melosa e faminta pelas esmolas burguesas, a posse privada dos meios de produção jamais será moralmente defensável e qualquer achismo pós-marxista se dá obrigatoriamente como incapaz de prever a organização social que sucederá o capitalismo devido à essa ter de advir da classe proletária em meio à inerente e sangrenta luta de classes.
Como marxista real há décadas, envergonho-me do entusiasmo da juventude em profanar as obras dos mestres irrefutáveis originais. Visam o controle do homem e não dispensam segundos em criar hipóteses mirabolantes para refutar as provocações reacionárias. Perdem-se no sentido de vanguarda – olvidam-se de sua agência conscientizadora e adotam a posse do controle sobre a revolução. Por tal motivo, qualquer contribuição dos economistas pós-marxistas fora um desperdício de discussão por parte dos pensadores reacionários, já que a sociedade comunista; como concepção da dialética hegeliana, é inimaginável ao arranjo classista atual.
Ponho-me em posição idêntica à do Instituto em sua visão da economia como instituição cuja obrigação é estar alheia ao estado: Desejo-a selvagem, caótica, anárquica e visando nada além do lucro, sobrepondo-se além de qualquer necessidade ou sentimento de todas as gentes. Almejo o manifesto violento, a ira e o ódio justificado da classe proletária, pois como demonstrando magistralmente pela história; é nada além do rancor que alimentará a revolução e a consciência de classe. Finalmente, a exploração da mais-valia e a própria natureza cíclica do capitalismo trará o ápice da raiva do proletariado, que não mais submeter-se-á às retóricas e esmolas, tomando em armas e erguendo-se brutalmente contra o regime vigente; o processo hegeliano será executado e a liderança proletária emergirá da dor, do ódio e do caos, criando o novo mundo – tão impensável e inimaginável aos homens de hoje como o atual o seria aos das gentes feudais.
O erro dos marxistas sempre fora criar tal mundo em sua própria inocência. À vanguarda não lhe cabe governar o homem e salvá-lo de seus hábitos burgueses, essa deve, através do terrorismo, da incitação do ódio classista e do alimento do caos; formar a consciência de classe nos proletários e deles emergirá a liderança criadora da ordem social fantástica quando não mais a esmola burguesa conter a agitação revolucionária. Poucos mestres marxistas além de Sartre lograram compreender tal realidade e lutar pelo despertar da faceta violenta do proletariado ao invés de mendigar nos comitês democráticos do encontro da burguesia.
Como de facto seguidor de Marx, aos cientistas burgueses lhes darei a resposta verdadeiramente adequada; dispensando-os de achismos convictos pós-marxistas:
– É meramente inimaginável a nós a organização social e alocativa de recursos que terá origem da luta de classes devido às amarras hegelianas que nos prendem ao contexto vigente do estágio de ordem humana. A próxima etapa de nossa existência será marcada por um arranjo econômico além do nosso pensamento polilógico classista(Mi de vanguarda, vosso de reacionários). Apenas com o fim da burguesia e a posse privada dos meios de produção será possível a concepção da nova etapa da evolução humana, marcada por uma plena renovação de todo o regulamento econômico, ético e social moderno; impensável até mesmo ao cientista mais longínquo da luta de classes.
Devido à nossa “caverna hegeliana”(Deriva-se da metáfora de Platão, na qual o mundo das idéias jamais será concebível a nós, que jazemos presos à fitar sombras desse), qualquer debate respectivo à alocação de recursos pós-revolucionário será improdutivo para ambas as partes.
Espero tê-los iluminado a respeito de suas inseguranças. Qualquer resposta que não a minha estará ignorando as implicações da dialética hegeliana e do arcabouço racional polilógico marxista, sendo assim, contrariando a própria obra original de Karl Marx e abandonando a definição “marxista”.
Teorias que, quando levadas à prática (como vimos e vivenciamos), só trouxeram destruição à todos os seres aqui viventes. Ideologias pensadas, mas não tão bem pensadas assim, pois na prática, levam a humanidade ao buraco.
Usando a música de Cazuza como exemplo: “Ideologia … eu quero uma pra viver” … Será?!
Pelo passar dos tempos, tudo isso, com pesquisas e estudos em busca da verdade, por muita gente, cheguei a uma conclusão: “Ideologia … eu não quero uma pra viver”
Pois todas se fossem boas, o mundo não estaria do jeito que está. Olhem para o passado, presente, e futuro, e verão o peso de cada uma. Ideias boas, mas na prática, a perversidade em carne e osso.
(Todos sabemos o que o socialismo, comunismo, marxismo, leninismo, e etc etc etc são capazes. Mas o capitalismo não é diferente. Um exemplo: uma mãe encontrou o filho de 4 anos desaparecido com o torax aberto. Do lado do corpo R$ 400,00 e uma carta que dizia: “Mãe, obrigado pelo coração do seu filho” …)
Catedrático meloso e emotivo são vocês marxistas,um bando de chatos incompetentes em matéria de economia e bom senso.
Estou estudando o assunto e espero adquirir muita informação com este livro. Há socialistas que insistem afirmar que o problema do cálculo econômico foi resolvido. Seria muito interessante se o livro abordasse movimentos socialistas recentes como o Zeitgest que dizem ter resolvido o problema do cálculo econômico.
Engraçado que eu estava a discutir o problema do calculo economico ontem com defensores da EBR (Economia Baseada em Recursos), e eles simplesmente não entendem que não é apenas capacidade de processamento de dados sobre oferta e demanda que impossibilita o calculo mas sim a ausencia de um sistemas de preços legitimo (causado pelo fim da propiedade privada) que impede a comparaçao entre metodos produtivos de forma a encontrar qual o mais eficiente…
Sem contar que eles bostejam sobre economia tanto quanto socialistas assumidos, já vi afirmaçoes do tipo “a escassez é causada pela propiedade privada” varias vezes. Um sujeito que diz isso provavelmente acha que as pessoas comem porque defecam.
Esses marxistas são uns presunçosos só manjam de teorias e discursos terroristas e revolucionários mas quando fala em administração de recursos escassos são uns incompetentes e falaciosos achando que basta apontar uma arma para quem se opor que aí estará resolvido o problema da produção dai porque as chacinas coletivas cometidas por grandes nomes como stálin,mao e che guevara entre outros e antes que fale do estado burguês assassino,saiba que nós libertários também condenamos as guerras imperialistas dos mesmos.Livre-mercado é paz e prosperidade e é com isso que sonhamos.
Outro problema que o EBR compartilha com o socialismo convencional é a impossibilidade de se planejar centralmente a economia por um motivo obvio: a vida das pessoas NÃO é planejada. Programar a economia significa programar a vida das pessoas. Imagina voce fazendo um lista de quanto de comida quer pra um mes, o quanto de agua vai usar , o quanto de luz vai usar, que lugares que vai frequentar,etc. É impossível prever com exatidão todos esses fatores já que a vida é cheia de incertezas. Eu nao sei se amanha vou ser atropelado e precisarei de assistencia medica, ou vou ter um ataque agudo de apendicite e tenha que retirar o orgao.
O mundo em si esta em constante mudança e a nao ser que os burocratas do EBR sejam mães diná da vida a açao humana continua uma incognita em potencial.
Desafio ao Autor:
Sobre o cálculo econômico sob o socialismo, não é raro que seja uma desculpa comum utilizada pelos cientistas reacionários para depreciar o sonho de uma sociedade melhor e baseada centralmente em prol do bem comum. A respeito da problemática estudada por Barbieri, desafiá-lo-ei juntamente com sua comunidade de apoiadores a discutir as seguintes oposições:
a) Formigueiros e Colmeias.
Aos leigos ou segregados socialmente e culturalmente pela ausência de uma educação pública de qualidade, em sociedades compostas por artrópodes, a organização social ocorre tal qual prevista por Platão: As atividades da pólis são completamente gerenciadas por uma autoridade central que discrimina aqueles seres propícios à guerra(De alma irascível), mineração e coleta(De alma concupiscente) e de grande capacidade reprodutiva e de liderança(Filósofos) em prol do bem comum.
Entretanto, segundo o conceito do cálculo econômico sob o socialismo, tais sociedades não deveriam prosperar; porém o fazem e obtém um sucesso muito acima das ordens humanas, baseadas no puro individualismo e em relações de poder e servidão à classe que domina os meios de produção. Há mais espécies de formigas e abelhas que há seres humanos, prova da superioridade do planejamento central sobre o espontâneo.
Por que formigueiros e colmeias não servem aos cientistas reacionários como evidência da possibilidade do cálculo econômico sob o socialismo??
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b) Sobre o alinhamento entre alocação de recursos, escassez e propriedade privada.
Como pode um sistema próspero e responsável ser baseado na posse privada dos meios de produção e, por ceteris paribus, alimentar-se da própria escassez?
– O que impede produtores de amendoim de manter o alimento em reserva para que ocorra o aumento do preço e esse finalmente seja vendido em seu estágio valorizado?
– O que impede o sempre produtivo capitalismo de gerar produtos de má qualidade e baixa duração se seus consumidores, alienados pela burguesia e pelo consumismo, jamais deixarão de comprar um produto de terrível estado e à preços elevados?
– O que impede de uns indivíduos produzirem carros de menor rendimento porém de melhores características estéticas e convencer consumidores a consumi-los não por necessidade, mas por exibicionismo? É absurdo que uma sociedade tal qual essa exista, existindo sobre a desigualdade em detrimento do bem comum e da sobrevivência dos recursos ao longo prazo.
Caros,
o debate do cálculo é centenário. por isso, as diversas propostas de solução do problema do calculo ressurgem de tempos em tempos, em especial o tipo de bobagem encontrada no movimento aludido.
a cada par de anos, por exemplo, podemos ver algum artigo de engenheiros propondo
a substituicao da moeda por calculo em energia (calorias, joules ! )
, o uso de computadores, horas de trablaho, ou argumentando que
a economia de guerra demostra a possibilidade de planejamento economico.
essas propostas de não-economistas são todas bem divertidas pelo grau absurdo de desconhecimento da teoria economica e de seu problema fundamental.
As propostas “serias”, embora reconheçam o problema do calculo, so conseguem
achar uma solucao na medida em que reduz drasticamente a complexidade desse problema.
quando passar a correria do trabalho, no mes que vem, acho que vou escrever um artigo sobre esse movimento e problema do calculo, dada a crescente demanda por esse assunto.
abraço a todos.
FELIPE Barbieri. 🙂
Caro Filosofo,
a biologia moderna mostra que de fato é um mito a visao segundo a qual as colonias de insetos gregarios sao dirigidas centralmente. pelo contrário, sao ordens espontaneas descentralizadas, tal como estudado por hayek: o problema da coordenacao das atividades é muito complexo para solucao central.
como a alocacção é feita de forma descentralizada?
consulte qualquer entomologista, como deborah gordon, especialista na alocacação de recursos escassos das formigas.
eu escrevi dois artigos de divulgacao um tempo atrs sobre isso: “entre os cupins e os chipanzés” e “o ar-condicionado abstrato”, no site do ordemlivre. veja la.
abs
Felipe Barbieri.
É o que eu sempre digo: não confio nem na simulação da previsão do tempo pra semana que vem, quem dirá colocar a produção dos meus alimentos nas mãos dos computadores desses iluminados do Zeitgeist! Prefiro ser explorado por um capitalista (ao mesmo tempo em que o exploro), do que morrer de fome por mais um delírio socialista.
E mais um detalhe caro “um filósofo” a sociedade é formada por homens e mulheres de carne e osso nem sempre racionais em suas decisões,veja bem o caso da dentista paulista torturada e queimada viva por puro sadismo daqueles energúmenos,uns boçais covardes e armados e nós pessoas de bem sem poder nos defender confiando em um estado fajuto e hipócrita,prefiro a descentralização e a ordem espontânea de homens livres e armados,onde sei que não será o paraíso na terra mas será um mundo de paz e prosperidade esse é o meu sonho,sim sonho com o fim da roubalheira e desses serviços de péssima qualidade prestados por esses governantes fajutos e vendidos,e a eliminação desta elite que os sustentam e se sustenta desse sistema político podre e corrupto,ai que nojo desses políticos…
Rodrigo Constantino vs. Allan Mesentier (rodrigo detonou o cara, apesar de que… o rodrigo é meio comunista também, apoia a democracia e tal)
Gostaria de saber com mais detalhes a respeito do mecanismo dos preços-sombra e qual seria sua falha técnica,desde já agradeço.