Ao longo de toda a história humana, foram várias as manifestações de movimentos ideológicos coletivistas. Especialmente nas décadas de 1930 e 1940, em várias partes da Europa, estes movimentos se tornaram mais explícitos e radicais, e assumiram suas extremadas formas de comunismo, fascismo e nazismo. Todas estas três ideologias representavam a total rejeição da liberdade econômica, do livre mercado e da liberdade individual.
Atualmente, o comunismo, o fascismo e o nazismo — ao menos no formato que assumiram no século XX — estão mortos. Eles fracassaram miseravelmente, tendo produzido nada mais do que genocídios, forme, devastação e miséria. Embora sejam vários aqueles que alegam — em todos os eixos do espectro político ideológico — que o capitalismo triunfou sobre estas ideologias, a verdade é que o sistema econômico que hoje existe ao redor do mundo está muito longe daquilo que economistas liberais-clássicos como Mises consideravam ser uma economia de livre mercado.
O que seria uma verdadeira economia de mercado? Quais as características indispensáveis que uma economia deve apresentar para ser considerada de livre mercado? Os nove princípios a seguir definem, em minha opinião, uma genuína economia de livre mercado:
1. Todos os meios de produção são propriedade privada, seja de indivíduos ou de empresas.
2. Os proprietários destes meios de produção têm total liberdade para utilizá-los da maneira que mais lhes aprouver, sem estipulações estatais, sem restrições e sem regulamentações (a única restrição óbvia é não agredir a vida, a propriedade e a liberdade de terceiros).
3. A demanda dos consumidores é o que realmente determina como estes meios de produção serão utilizados.
4. As forças concorrenciais da oferta e da demanda determinam os preços dos bens de consumo e dos vários fatores de produção, inclusive da mão-de-obra.
5. A livre concorrência é plena, o que significa que não há restrições à entrada de indivíduos ou empresas em nenhum tipo de mercado. Não há empecilhos burocráticos e não há agências reguladoras determinando quem pode e quem não pode entrar em um determinado mercado.
6. O sucesso ou o fracasso de empresas e empreendimentos é determinado exclusivamente pelos lucros e pelos prejuízos destas empresas, os quais, por sua vez, decorrem de sua capacidade de vencer a concorrência das empresas rivais no mercado e mais bem satisfazer as demandas dos consumidores. Não há programas de socorro governamental a nenhum tipo de empresa falida, inclusive bancos.
7. O mercado não está restrito a transações domésticas. Há plena liberdade de comercializar com pessoas de todos os cantos do mundo, sem restrições governamentais, sem tarifas protecionistas.
8. O sistema monetário é completamente separado do estado. O governo não possui controle algum sobre o dinheiro, e este não é de curso forçado. Não há um banco central protegendo o sistema bancário e imprimindo dinheiro para expandir o crédito, determinar juros e estimular os lucros dos bancos. Há plena liberdade de entrada no setor bancário. A moeda será aquela voluntariamente escolhida pelos cidadãos.
9. O governo é restrito a níveis locais e sua atividade consiste unicamente em proteger a vida, a liberdade e a propriedade das pessoas.
Por essa definição, nenhum país do mundo é atualmente uma sociedade de livre mercado (embora haja várias gradações que deixem alguns — majoritariamente as cidades-estados — mais perto destes critérios). Sendo assim, que tipo de sistema econômico existe hoje no mundo? Mises explicou isso em sua coleção de ensaios de 1929, Uma Crítica ao Intervencionismo:
Quase todos os teóricos de política econômica e quase todos os estadistas e líderes partidários estão procurando um sistema ideal que, em suas crenças, não deve ser nem capitalista nem socialista, e que não se baseie nem na propriedade privada dos meios de produção e nem na propriedade pública. Estão procurando um sistema de propriedade que seja restrito, regulado e dirigido pela intervenção governamental e por outras forças sociais, como os sindicatos. Denominamos tal política econômica de intervencionismo, que vem a ser o próprio sistema de mercado controlado.
Uma economia intervencionista
Eis a seguir os nove pontos que definem uma economia intervencionista:
1. Os meios de produção podem ser propriedade privada, mas seu uso é restringido e regulamentado pela autoridade política.
2. O governo pode estipular, restringir ou regulamentar o modo como os meios de produção são utilizados, bem como pode proibir ou regular o acesso a determinados setores da economia, ou mesmo estipular que apenas ele, o governo, pode incorrer em determinada atividade comercial.
3. A demanda dos consumidores não é o único fator a determinar como os meios de produção serão utilizados. O governo pode impor regulamentações estipulando metas de produção, obrigando a prestação de serviços em determinados mercados sem demanda ou proibindo a produção de determinados tipos de produtos ou serviços.
4. O governo influencia ou até mesmo controla a formação dos preços de vários bens de consumo e de fatores de produção, inclusive da mão-de-obra. O governo manipula os efeitos do mercado — isto é, das leis de oferta e demanda — sobre o sucesso ou o fracasso de várias empresas, influenciando as receitas das empresas através de meios artificiais como regulações de preços, políticas de compra de estoques excedentes, limites à liberdade de entrada nos mercado, subsídios diretos e indiretos, e redistribuição de riqueza.
5. A livre concorrência é tolhida por vários tipos de restrição à entrada em vários setores da economia. Agências reguladoras determinam quem pode e quem não pode entrar em um determinado mercado, bem como quais serviços as empresas escolhidas podem ou não ofertar, e quais preços podem cobrar.
6. O governo pode escolher quais empresas podem falir e quais devem ser socorridas com o dinheiro dos pagadores de impostos. Os pequenos são utilizados para cobrir os prejuízos dos grandes com boas conexões políticas e sindicais.
7. A liberdade de entrada de produtos estrangeiros no mercado doméstico é desestimulada ou mesmo impedida por meio de proibições, tarifas ou quotas de importações. O mesmo se aplica à entrada de potenciais empresas estrangeiras que possam rivalizar com empresas nacionais já estabelecidas.
8. O sistema monetário é inteiramente regulado pelo governo, que detém o monopólio da moeda e impõe sua aceitação obrigatória para todos os cidadãos. Um banco central protege e carteliza o sistema bancário, além de manipular os juros e o valor do dinheiro ao determinar a que taxa sua quantidade na economia deve ser aumentada. A expansão do crédito é determinada pelo governo e não pela poupança voluntária dos cidadãos. Todas estas medidas são utilizadas como ferramentas para afetar o emprego, a produção e o crescimento a economia.
9. O governo está presente em várias áreas da economia e da vida das pessoas, possui abrangência nacional e não está limitado à proteção da vida, da liberdade e da propriedade.
É importante observar que o sistema intervencionista representado por estes nove pontos só pode ser implementado por meios violentos e coercivos. Somente o uso da força, ou a ameaça do uso da força, pode fazer as pessoas incorrerem em ações diferentes daqueles em que elas incorreriam voluntariamente sem a intervenção do governo. Sendo assim, embora a intervenção estatal seja normalmente discutida como se fosse “política pública”, a verdade é que não há nada de “pública” nela. Intervenções são políticas coercivas implantadas por políticos e burocratas visando ao interesse próprio e de seus favorecidos.
Compare estas políticas ao livre mercado, ou à economia desobstruída, como foi definido acima. O que é mais evidente é a natureza voluntária de arranjos sociais genuinamente baseados em transações de mercado. A violência ou a ameaça de violência é reduzida a um mínimo, e o indivíduo adquire a liberdade de viver sua própria vida e de aprimorar suas circunstâncias por meio da livre associação com terceiros.
Exatamente por isso é importante compartilhar com um maior número possível de pessoas uma visão clara e persuasiva a respeito da sociedade livre e da economia de livre mercado. Apenas esta difusão de ideias pode, se não pôr um fim, ao menos restringir bastante esta era do estado intervencionista, levando-nos para um pouco mais perto da liberdade humana, que é um direito natural de qualquer indivíduo.
Belíssimo artigo, muito bem traduzido.
Saber disso os intervencionistas sabem, suponho. Mas será que eles manifestam sequer uma mínima vontade de desimplantar seu sistema vigente, ou assim como está fica bom? Porque há uma elite dominante no Brasil – econômica, não intelectual – que controla de certa forma a cena decisória dos acontecimentos. Grandes empresários dão discurso de liberais, mas não quebram seus cartões do BNDES, nem fecham suas contas em bancos estatais, nem deixam de participar de licitações de todo tipo.
Se o pai ensina o filho com exemplos, não temos exemplos de cima para, aqui de baixo, seguir. Vemos os grandes dando-se muito bem com intervencionismos estatais e queremos repetir o ato em escala menor. E a bola de neve segue aumentando. A bolha estoura, não estoura, estufa e murcha feito uma sanfona, e o baile segue. Enquanto não furar o fole da sanfona, dá-lhe forró.
É impossível ler os nove pontos do intervencionismo e não associar à atual situação brasileira.
Prezada equipe IMB
Mais um texto muito bom, o que é uma constante no site.
Os que criticam o respeito a propriedade privada e a economia de mercado deveriam ler com mais atenção os textos do site.
É muito obvio que a economia de mercado defendida pela Escola Austríaca, bem como pela Filosofia Libertária não são aplicadas em lugar nenhum do mundo.
Nem mesmo os EUA seguem a receita libertária há muito tempo.
Frise-se que os EUA, nas últimas décadas, divulgam o socialismo com muito mais eficiência que a URSS jamais fez. Ninguem comenta este tema.
Em vez de estudarem mais e com mais atenção o assunto “Mercado versus estado” eles ficam vomitando impropérios que são frases feitas e chavões esquerdistas.
Os males do estado são atribuidos ao Mercado e as características positivas do Mercado são consideradas como virtudes do estatismo.
Os defensores do estatismo precisam é de amparo psicologógico.
O texto volta um tema que é recorrente no site: os intervencionistas são marxistas envergonhados, nada além disso.
Resumindo: “Estamos Ferrados!!!”
Excelente artigo. Muito esclarecedor.
Brilhante artigo.
Admito que durante a primeira vez que li o artigo apenas abaixei a barra do artigo até os pontos essenciais do intervencionismo.
Por alguns segundos jurei que o autor era do Mises Brasil pela tamanha precisão com que ele relatou o caso brasileiro. Mas o artigo 7 chamou minha atenção:
“7. A liberdade de entrada de produtos estrangeiros no mercado doméstico é desestimulada ou mesmo impedida por meio de proibições, tarifas ou quotas de importações. O mesmo se aplica à entrada de potenciais empresas estrangeiras que possam rivalizar com empresas nacionais já estabelecidas.”
Respondam-me, por favor: (Perdoem-me por qualquer erro de análise)
Considere o país X, cujo a região sul produz trigo à região norte. As pessoas de lá possuem pouco capital, pouca tecnologia e ainda utilizam métodos primitivos de plantação; ou seja, sua razão produção/1 unidade de capital é baixa(Por consequência, possuem pouca margem para diminuir seus preços).
Em um belo dia, o presidente do país X decide desregulamentar toda a importação de trigo e o estabelecimento de empresas agricultoras mais modernas aqui. Para quem é da região norte será ótimo pois eles não serão mais obrigados a pagar mais por um produto de mesma ou menor qualidade. Entretanto, para quem é da região sul e não pode competir com os agricultores mais modernos, a situação passa a estar difícil. Nesse caso, o desemprego e os problemas sociais irão durar pouco se o mercado for desregulamentado pois essas pessoas irão atender à outras demandas dos consumidores; a divisão de trabalho irá resolver o problema.
Entretanto, se jogarmos esse raciocínio na prática pensando no Nordeste brasileiro, não iremos verificar que mesmo se o Brasil fosse um país de livre mercado em todos os outros pontos ainda teríamos uma quantidade considerável de sofrimento humano pois todos esses empreendedores deslocariam-se a pontos em que seus serviços são demandados?
Obrigado.
(Ou na Nicarágua, por exemplo, em que há uma quantidade enorme de agricultores com baixa tecnologia que provavelmente deslocar-se-ia a outras atividades.)
Confesso que sou leigo no assunto, por isso venho ler os artigos desse site.
Mas isso me parece uma consolidação da transferência de poder do Estado pro Mercado – a elite – o que impossibilitaria o item 4, a livre concorrência, sendo que os bancos determinariam quem pode concorrer ou não, de forma justa.
Podem me chamar de comunista, nazista, socialista.. o que for, mas acredito que o povo ainda é, e talvez sempre será, ignorante a ponto de fazer com que a demanda seja uma diversidade de porcarias. A demanda que faz com que novelas e futebol sejam as coisas mais assistidas na televisão. A demanda faz com que michel teló, justin bieber, gangman style e porcarias parecidas sejam as mais procuradas.
Com o mercado no poder, essa situação se agravaria, imagino o mercado regulando o que devemos aprender na escola, seriamos moldados exclusivamente para o consumo, para ser a demanda que ele tanto necessita pra sobreviver.
Eu sei, meus argumentos são fracos, mas a minha ideia é clara… o povo é ignorante e o mercado se alimenta dessa ignorância, sem nenhuma regulação ou intervenção, ele iria plantar e colher cada vez mais ignorância.
Prezado Rafael, obrigado por sua preocupação. Mas será que agora eu posso consumir a porcaria que eu quiser, ou você quer apontar uma arma para a minha cabeça e determinar o que eu posso consumir? Quem você se julga ser para determinar o que é qualidade e o que é porcaria? Por que você se julga apto a fazer esta regulação? A arrogância e o ímpeto controlador do ser humano não têm fim.
É engraçado ver como algumas pessoas – certamente submetidas a lavagem cerebral por seus professores desde a mais tenra idade – ainda associam mercado com “elite” e acreditam que o estado sabe o qie é melhor para os indivíduos do que os próprios indivíduos…
Agora sim, sobre isso eu concordo totalmente com o artigo.
Liberdade econômica e “9. O governo é restrito a níveis locais e sua atividade consiste unicamente em proteger a vida, a liberdade e a propriedade das pessoas.”
Não ausência total de Estado.
Luis, você pode consumir a porcaria que você quiser, acredito que você já esteja suficientemente conscientizado que a porcaria faz mal e que as vezes é irreversível.
Se eu te ver ouvindo justin bieber, invés de apontar uma arma pra sua cabeça, eu vou apontar alguma música do titãs, por exemplo, assim teremos o empurrão inicial pra discutir sobre família, polícia, faculdade, televisão, política, amor… acho que esses assuntos, no âmbito nacional, deve ser um debate mais proveitoso.
Ubiratan, você acha que elite é uma teoria da conspiração ? Um banco pode emprestar milhões pra uma industria como a GM, agora vai você abrir sua industria e fazer um empréstimo pra ver quanto você consegue.
Um individuo que trabalha de segunda a sábado, chega em casa e vai correndo assistir novela das 19h e fica até as 23h assistindo, no mínimo não sabe o que é melhor pra ela, e nessa de não saber e não querer saber o que é melhor pra ela, acaba sendo egoísta porque isso reflete na sociedade inteira.
O que está acabando com a natureza humana e o planeta não é o aquecimento global, é a ignorância. A gente precisa assumir que somos burros, assim como eu assumo a minha ignorância no assunto no primeiro comentário, mas estou aqui pra debater e aprender.
É utopia acabar com a massa que é tão moldável e que apresentou e ainda apresenta capacidade enorme de adaptação para diferentes propósitos ? Fazer a sociedade inteira, e não alguns intelectuais ou pseudo-intelectuais, como eu, que não tem força nenhuma e apresenta muita teoria e pouca prática ? Acredito que se a escuridão da ignorância fosse muito menos escura do que é, ai sim poderíamos pensar em livre mercado, este servindo gente inteligente seria outra coisa.
Leandro, queria abordar uma questão meio off-topic, mas que está me deixando em dúvida.
Li em um texto aqui no Mises.org.br que o governo brasileiro emite títulos da dívida para comprar dólares e evitar a apreciação do Real. É isso mesmo?
Outra dúvida, outro caminho para manter o Real depreciado seria emitir moeda e gerar inflação, certo? Porém, posso deduzir que a depreciação artificial do câmbio sempre resultará em inflação?
Desculpe fugir do tópico do texto.
Abraço!
Eu queria colocar uma questão ao anarco-capitalistas.
É sobre o ponto 2: “Os proprietários destes meios de produção têm total liberdade para utilizá-los da maneira que mais lhes aprouver, sem estipulações estatais, sem restrições e sem regulamentações (a única restrição óbvia é não agredir a vida, a propriedade e a liberdade de terceiros)”.
E eu pergunto: Num regime anarquista, quem iria decidir e exercer sobre o “não agredir a vida, a propriedade e a liberdade de terceiros”?! Consideremos o caso de que estamos no século XV, e os europeus chegam à américa e deparam-se com um povo nativo. E esse povo pratica sacrifícios humanos, faz parte da sua cultura. Será que os europeus têm legitimidade para usarem a força para intervir neste povo e mudar a sua cultura?!.. O que lhes dá essa legitimidade?! Suponho que nenhuma, e a resposta que se pensaria seria não intervir (suponho que partilhem da minha opinião). Mas agora surge um impasse. Os europeus não têm legitimidade para intervir num povo de outra cultura, mas o que lhes dá legitimidade de intervir no seu vizinho?! Não pode este ter uma cultura diferente da do outro europeu?! Não pode um grupo de pessoas organizar-se em comunidade dentro de um país europeu e praticar que cultura eles quiserem (inclusive sacrifício humano, se foi aceite para uns, deve ser aceite para outros). No entanto, as pessoas que não aceitem o sacrifício humano têm formas de protesto e de não-aceitação, como rejeitar qualquer troca com estes grupos, mas mais uma vez, não poderão usar a força, mesmo que isso quebre ‘a vida, propriedade e liberdade’ de pessoas dentro de outras comunidades.
Da mesma forma, porque não entra o Brasil em guerra com os EUA?! Não estão eles a invadir propriedade que não é deles e a tirar a vida a pessoas?! Porque será que devemos usar a força para membros do nosso país que quebrem os 3 mandamentos (liberdade, propriedade e integridade), e não usá-la para outros que estão a 3000km de distância, não são eles pessoas na mesma?!
Fica a questão. Se poderem comentar agradecia.
Randalf
Me dá uma tristeza, eu sinto um peso quando leio artigos que nem esse, pois é justamente o que acontece no Brasil e, ao meu ver não há possibilidade de mudanças, sempre será assim.
Fugindo do assunto…
Eu conheci o mises.org graças a um vídeo que vi no youtube, sobre o libertarianismo e desde então frequento o site, procurei ler os livros recomendados aqui e tenho procurado adquirir cada vez mais conhecimento a respeito, devo confessar que o libertarianismo estranhamente combina com as coisas que eu já pensava antes mesmo de conhece-lo, inclusive pretendo tratar da liberdade no meu Tcc, “A liberdade segundo Sartre”.
Apesar da afirmação que fiz a cima, eu fui na marcha contra corrupção e baixei as fichas de apoio ao Liber, não custa nada. Rsss
Excelente artigo.
Infelizmente o que predomina no mundo é o intervencionismo.
COMO REVERTER e MANTER as liberdades individuais é o desafio.
Abraços!
Estou esperando até agora alguém justificar por que o melhor é um judiciário privado.
Até bloquear meus comentários já bloquearam.
p.s.: Postar o link da Teoria do Caos de Robert Murphy não vale, já li e lá os argumentos são tão fracos que me pergunto se não é brincadeira.
Off-topic: alguém poderia indicar um livro ou texto infantil sobre o libertariamismo. Também gostaria de material de como criar uma criança de forma libertaria.
Fernando,
É claro que eu consigo enxergar a diferença em toda a filosofia envolvida na produção de pães e na de automóveis. Produzir pães é diferente de produzir automóveis.
Mas não é pq são processos diferentes com filosofias diferentes que o setor publico produza um ou outro de maneira mais eficiente do que o setor privado.
Se o setor privado consegue oferecer o serviço ultra complexo de cirurgia cerebral de forma mais eficiente do que o setor público, eu tenho a mais absoluta convicção que um serviço simples como justiça também será oferecido de forma mais eficiente pelo setor privado.
Eu não confiaria o meu cérebro ao setor público do mesmo modo que não confiaria o julgamento do assassinato do meu filho.
Muito da barbárie atual é fruto justamente da confiança que as pessoas depositam no setor público como produtor de leis e como julgador das mesmas. Se as pessoas entende-se que o setor público não consegue produzir automóveis eficientes e que produzir automóveis é mais difícil que leis ou tribunais.
Eu me pergunto até que ponto realmente o comunismo está morto ou simplesmente seus ideólogos se renderam a realidade e resolveram continuar com os mesmos objetivos mas com uma abordagem diferente.
Fernando,
Me explique como telefones conectados em centrais diferentes de empresas diferentes podem conversar entre si. Não faz sentido!
Me explique como computadores de empresas diferentes, com sistemas diferentes, conectados em redes diferentes,em territórios diferentes, administrado por empresas diferentes podem comunicar entre si. Não faz sentido!
Me explique como aviões de empresas diferentes, utilizando pistas de aeroportos diferentes, em territórios diferentes podem levar pessoas para locais diferentes. Não faz sentido!
Se o sistema jurídico não é uma mercadoria eu espero que o juízes sejam monges que não troquem o seus serviços jurídicos por mercadoria. Porque não faz sentido imaginar um juiz trocar uma não-mercadoria por uma mercadoria, um não-valor por valor.
Se o sistema jurídico é uma não-mercadoria então porque o mesmo precisa confiscar mercadoria através dos impostos para funcionar? Se o sistema jurídico é não-mercadoria então porque precisa de mercadoria para funcionar?
Em nenhum desses lugares houve fim do estado, mas sim a substituicao desse por pequenos “estados”, ou grupos coercitivos. Nao houve desregularizacao do setor de justica e seguranca, ou a possibilidade das pessoas se armarem e se organizarem para criar instituicoes de defesa, sejam estas empresas ou cooperativas. \r
\r
A verdade é que uma sociedade livre baseada em trocas voluntarias nunca foi tentada – e, portanto nao se pode dizer que nao ira funcionar -, enquanto que todas as tentativas de manter o estado minimo fracassaram.\r
\r
Outra coisa, libertarianismo nao é pacifismo! Os libertarios defendem o uso da “violencia” sempre que um direito negativo for infligido, como no caso de invasao de propriedade ou quebra de contrato.\r
\r
Se o seu inglês for bom, sugiro a mesma leitura que fiz ao Fernando.
“Mercado – a elite -“\r
\r
Que erro grosseiro heim? Só isso aí já prova que vc nem compreende o conceito de mercado.\r
\r
Breno,
Não vejo nenhum absurdo no que você falou, para mim faz todo o sentido do mundo, e sou a favor da liberdade econômica sim. Além disso, você não me explicou como funcionaria.
E não, não acho que o sistema judiciário esteja voltado para o lucro. Lucro e justiça são duas coisas que eu não acho que combinam.
E claro que juíz tem que receber pelo que ganha, mas não o sistem jurídico. Além disso, eles confiscam bens para ressarcirmento. Ou seja, seu exemplo não cabe.
Acho que algum comentário foi deletado, porque alguém explicou que cada tribunal cuidaria de determinado território!
Certo. Pelo menos parte da confusão seria arrumada, afinal de contas, não haveria DISPUTA entre tribunais. Até ai tudo bem.
Só que ninguém percebeu que cairia em um monopólio. Quem vai reclamar de preço? Cadê a concorrência?
Se duvidar, esse modelo seria PIOR ainda do que já é.
Espero que meu comentário não seja deletado, senão esses debate não pode ser levado a sério.
“Teria concorrencia sim, se você não gostasse do serviço de uma agência, contratava outra e teu território virava jurisdição da outra”
Ai já complicou novamente. Não seria da forma em que estão falando, que cada território seria administrado por um tribunal.
Ou seja, cometi um crime na rua X, seria julgado pelo tribunal que engloba a cidade Y.
“Ou faria como no seastead do Patri Friedman, vai embora e leva sua casa junto”
Isso não é liberdade. Pelo contrário, é mais repressão do que já é.
De novo, misturar lucro com justiça não é uma boa idéia.
Eu acredito que deva existir Governo, mas um Governo mínimo e descentralizado.
Mínimo no sentido de o Governo só seria responsável pela proteção dos direitos de propriedade, ou seja, polícia e justiça.
Descentralizado em relação à questão das tomadas de decisões e da jurisdição, ou seja, seriam cidades estados, não existindo toda essa buracracia tributária, política e etc. que uma “Nação” exige.
O que bancaria esse Estado seria uma flat tax.
Nessa sociedade livre, todos teriam livre mobilidade de se instalar onde acharem que tem mais segurança e à justiça melhor lhe servisse. Haveria concorrência, então, entre cidades estado, e a liberdade seria muito grande, apesar do efeito coercitivo da flat tax (que certamente seria diferente de um lugar para outro).
Acho que é isso ai…
Mas, por enquanto, as coisas tão se encaminhando pro outro lado… hahaha
Pergunto a todos aqui se posso considerar o estado como algo que surge naturalmente das forças de mercado. Afinal existem pessoas buscando proteção de algo intangível e comodidade na vida, se assegurando que sempre haverá alguém para protegê-las. Portanto essas pessoas SÃO o mercado, e nessa ótica o estado surge como uma entidade que veio para atender à essas necessidades.
Ou seja, uma economia puramente de livre mercado necessita de regulamentações que impeçam o surgimento do estado, mas ora, quem iria impor esta regulamentação? Seria naturalmente uma entidade com status de estado, não?
Por que alguns artigos antigos no site estão subindo para a primeira página? Esses artigos foram atualizados recentemente? Tornaram-se repentinamente pertinentes a alguma situação atual? Ou trata-se de um bug?
Enfim… ainda não tinha lido esse artigo. Muito bom. Obrigado pela tradução. 🙂
Abraços.
Você próprio matou a charada:
"Enfim… ainda não tinha lido esse artigo. Muito bom. Obrigado pela tradução. :)"
Alguns artigos merecem ser continuamente relembrados, seja porque apresentam definições importantes (as quais sempre são questionadas aqui), seja porque merecem ser apresentados ao público novato que diariamente chega ao site.
Adicionalmente, em épocas de feriado prolongado, quando o acesso é menor, é mais valioso subir artigos antigos do que apresentar novos.
Artigo muito bom. Mas é claro que nenhum dois dois extremos é bom. Defendo mais o livre mercado do que o intervencionismo, mas o que seria de alguns setores da economia sem nenhuma intervenção? Agricultura, mineração, energia? Seria um caos. Qualquer monopólio destruiria a tranquilidade de todo o país. E as comunicações? Nada funcionaria, a interferência de sinal seria a regra! E a inflação? Se o governo não controlar, em breve a população se destrói.
Sou da opinião que, basicamente, deva existir propriedade privada em tudo o que for possível, mas com agências reguladoras que agem em favor do povo. (infelizmente a dificuldade está em decidir o que é realmente bom)
Perfeito.
Excelente! Parabéns pela publicação. Isso é muito esclarecedor, sobretudo aos de esquerda que até hoje não entenderam o que é o capitalismo e o liberalismo.
Abraços!
Bastiat vive!
E pessoas desinformadas (incluindo professores universitários) ainda insistem em dizer que o Brasil é um país capitalista! Só os quesitos “falta de liberdade econômica” e “desrespeito à propriedade” já classificam o Brasil como mercantilista, corporativista, intervencionista, etc.
* * *
Muito bom o artigo, parabéns ao autor, Sr. Richard Ebeling. Precisamos de mais artigos assim!
P.S.: No trecho “Quais as características indispensáveis que uma economia deve apresentar para ser considerada de livre mercado?”, ao mostrar o mesmo à um colega socialista (“ferrenho”), o pobre animal quase vomitou lá pelo 4º ou 5º item (ele não quis me dizer). Fui malvado, confesso.
Vejo que o brasileiro tem MUITO o que aprender ainda.
Ampliando a discussão sobre a justiça privada, eu gostaria de saber como a falta de leis regularia a família no mundo novo libertário.Como vocês libertários acreditam na LIBERDADE ABSOLUTA das pessoas, então todo o tipo de relacionamento seria aceitável:haveriam famílias monogâmicas, poligâmicas, zoogamicas, homogamicas; em algumas famílias, os filhos herdariam os bens de seus pais; em outras não; haveria aquelas em que eles até seriam mortos pelos pais para não terem direito a isso.
Como toda forma de amor seria válida, então se permitiria a zoofilia, a coprofilia, a pedofilia …
Não estou sendo irônico: estou apenas levando até às últimas consequências o pensamento de vocês, libertários.Ora, pois em um mundo sem leis estatais, tudo é permitido.
Essa visão utópica tem vários problemas inconciliáveis. Vou citar apenas um: “A demanda dos consumidores é o que realmente determina como estes meios de produção serão utilizados”. Acontece que essa demanda não é legítima, as pessoas são levadas a desejarem o que não querem, pela publicidade agressiva e desmedida inerente ao capitalismo moderno, em um contínuo jogo de enganação. E qualquer especialista em mercado sabe muito bem que os produtos são desenvolvidos para enganar e escravizar o consumidor, sempre que possível, como no caso de produtos propositalmente descartáveis. Ah, mas poderia haver um produto melhor… quase nunca, porque o livre mercado, sem regulação, tende “naturalmente” ao cartel, em que todo o setor econômico eleva suas margens em unidade, não deixando liberdade nenhuma para o consumidor, que será o elo mais fraco em um sistema voltado para a transferência da riqueza para os empresários. Enfim, o consumidor sempre precisará de alguma proteção, seja do estado, seja dos advogados.
Estão usando este artigo para “provar” que a Noruega não é uma economia livre. Veja lá embaixo, nos comentários:
voyager1.net/economia/o-livre-mercado-e-chave-para-prosperidade-noruega-prova-que-nao/
Vocês tem algum comentário a respeito?