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As distorções geradas pelos sindicatos e pela política de salário mínimo

O ápice da sabedoria política intervencionista consiste em querer encarecer o preço do trabalho, seja por decreto governamental, seja pela ação violenta ou pela ameaça de tal ação por parte dos sindicatos. Aumentar os salários acima do nível que eles teriam em um mercado livre e desimpedido é considerado um postulado das leis da moralidade, e também uma medida indispensável do ponto de vista econômico. Quem se atrever a desafiar esse dogma ético e econômico é considerado depravado e ignorante.

Muitos dos nossos contemporâneos veem as pessoas que são suficientemente corajosas para “atravessar uma linha de piquetes” da mesma forma que os membros de uma tribo primitiva viam os que violavam os preceitos de um tabu.  Milhões de pessoas exultam quando um desses “fura-greves” recebe o seu merecido castigo das mãos dos grevistas, enquanto a polícia, o ministério público e os tribunais mantêm uma arrogante neutralidade — isso quando não tomam abertamente o partido dos grevistas.

Os salários determinados por um mercado livre e desimpedido tendem para um nível que permite àqueles que quiserem trabalhar conseguir emprego, e aos que desejarem contratar trabalhadores empregar tantos quantos desejam. Tende para aquilo que hoje em dia é denominado de pleno emprego.  Onde não houver interferência do governo e dos sindicatos no mercado de trabalho só pode existir desemprego voluntário.  Mas tão logo uma pressão externa ou uma coerção, seja da parte do governo, seja da dos sindicatos, tenta elevar os salários acima do valor de mercado, surge o desemprego institucional.  

Enquanto prevalecer no mercado de trabalho livre e desimpedido uma tendência a que desapareça o desemprego voluntário, o desemprego institucional não poderá desaparecer enquanto o governo ou os sindicatos conseguirem impor a sua vontade.  Se o salário mínimo se aplica apenas a algumas ocupações, enquanto outros setores do mercado de trabalho continuam livres, os que por esse motivo perderam o seu emprego tentarão empregar-se nos setores livres, aumentando assim a oferta de trabalho nos mesmos.  Se o sindicalismo se restringir principalmente à mão de obra qualificada, o aumento salarial conseguido pelos sindicatos não conduzirá ao desemprego institucional; simplesmente diminuirá o nível salarial nos setores em que os sindicatos não são tão eficientes ou não existem.  A consequência natural do aumento salarial para os trabalhadores organizados é uma queda salarial para os trabalhadores não organizados.  Mas, com a generalização da interferência governamental sobre os salários e com o apoio que o estado vem dando ao sindicalismo, as coisas mudaram.  O desemprego institucional tornou-se um fenômeno de massa crônico e permanente.

Escrevendo em 1930, Lorde Beveridge, que mais tarde viria a ser um defensor da ingerência governamental e sindical no mercado de trabalho, assinalava que o efeito potencial do fato de uma “política de salários altos” provocar o desemprego é algo que “não pode ser negado por nenhuma autoridade competente”.[1]  De fato, negar esse efeito equivale a desconhecer a existência de qualquer regularidade na sequência e na interconexão dos fenômenos de mercado.  Os economistas mais antigos, que simpatizavam com o movimento sindical, tinham plena consciência do fato de que o sindicalismo só pode atingir seus objetivos se ficar restrito a uma minoria de trabalhadores.  Aprovavam o sindicalismo como expediente benéfico aos interesses de um grupo privilegiado de trabalhadores, sem se importarem com as consequências para todos os demais assalariados.[2]  Ninguém até hoje conseguiu demonstrar que o sindicalismo poderia melhorar a situação e elevar o padrão de vida de todos os assalariados.

É importante lembrar também que o próprio Marx nunca sustentou que os sindicatos pudessem aumentar os salários em geral.  “A tendência geral da produção capitalista — dizia ele — não é aumentar, mas diminuir o nível médio dos salários”. Sendo essa a tendência, tudo o que o sindicalismo pode conseguir em relação aos salários é “tirar o melhor partido possível das eventuais chances de melhorá-los”.[3]  Os sindicatos, para Marx, só tinham importância na medida em que atacassem “o próprio sistema da escravidão salarial e os métodos atuais de produção”.[4]  Deviam compreender que “em vez do lema conservador: Um bom salário por dia,  um bom dia de trabalho!”, deveriam inscrever na sua bandeira a palavra de ordem revolucionária: Abaixo o sistema salarial!”.[5] 

Os marxistas mais consistentes sempre se opuseram às tentativas de impor salários mínimos por considerá-las prejudiciais aos interesses da classe trabalhadora como um todo.  Sempre houve, desde que teve início o moderno movimento trabalhista, um antagonismo entre os sindicatos e os socialistas revolucionários.  Os sindicatos americanos e ingleses mais antigos dedicavam-se exclusivamente à obtenção de salários mais elevados. Não viam o socialismo com bons olhos, tanto o “utópico” como o “científico”.  Na Alemanha havia uma rivalidade entre os adeptos do credo marxista e os líderes sindicais.  Finalmente, nas últimas décadas que antecederam à Primeira Guerra Mundial, os sindicatos triunfaram: conseguiram virtualmente converter o Partido Social Democrata aos princípios do intervencionismo e do sindicalismo.  Na França, George Sorel procurava imbuir nos sindicatos aquele espírito de agressão e de guerra revolucionária que Marx lhes recomendava.  Em todos os países não socialistas existe hoje um conflito ostensivo entre duas facções sindicais.  Um grupo considera o sindicalismo como um instrumento para melhorar a situação dos trabalhadores no contexto do capitalismo.  O outro grupo quer usar os sindicatos como organizações a serviço da causa comunista, só os aprovando na medida em que sejam os pioneiros na derrubada violenta do sistema capitalista.

Os problemas do sindicalismo trabalhista foram ofuscados e completamente confundidos por um verbalismo pseudo-humanitário.  Os defensores do salário mínimo, seja decretado e imposto pelo governo, seja obtido pela violenta ação sindical, afirmam estar lutando pela melhoria da situação das massas trabalhadoras.  Não permitem que alguém conteste o dogma de que os salários mínimos sejam o meio apropriado para elevar permanentemente os salários de todos os assalariados.  Orgulham-se de ser os únicos verdadeiros amigos dos “trabalhadores” e do “homem comum”, do “progresso” e dos eternos princípios de “justiça social”.

Entretanto, o problema é precisamente o de saber se existe alguma outra maneira de aumentar o padrão de vida dos que querem trabalhar que não seja o aumento da produtividade marginal do trabalho mediante o incremento de capital per capita.  Os teóricos do sindicalismo procuram fugir dessa questão essencial e nunca mencionam o único ponto realmente importante: a relação entre o número de trabalhadores e a quantidade de bens de capital disponíveis.  

Os sindicatos lutam para reduzir a oferta de mão de obra por meio de leis contra a imigração e de medidas que impeçam os não sindicalizados ou os ainda inexperientes de competir nos setores sindicalizados do mercado de trabalho.  Por outro lado, opõem-se à exportação de capitais.  Essas políticas seriam absurdas se fosse verdade que a quota de capital disponível per capita não tivesse importância na determinação dos salários.

A essência da doutrina sindical está contida no slogan “exploração”.  Segundo a versão sindical da teoria da exploração, que é diferente do credo marxista, o trabalho é a única fonte de riqueza, e os gastos com trabalho são os únicos custos reais.  De direito, toda a receita obtida com a venda de um produto deveria pertencer aos trabalhadores.  Ainda segundo essa doutrina, o trabalhador manual pode legitimamente reivindicar para si a “produção total do trabalho”.  O mal que o sistema capitalista de produção faz ao trabalhador fica evidente pelo fato de permitir que os proprietários de terras, capitalistas e empresários retenham para si uma parte do que pertence de direito aos trabalhadores.  A parcela retida por esses parasitas sociais é chamada de renda não ganha.  Os trabalhadores têm razão em lutar pela elevação passo a passo dos salários, até que não sobre mais nada para a classe dos exploradores socialmente inúteis.  Ao visar a esse objetivo, os sindicatos dão prosseguimento à luta, deflagrada há gerações, pela emancipação dos escravos e dos servos, e pela abolição dos impostos, tributos, dízimos e do trabalho obrigatório gratuito que pesava sobre o campesinato em benefício da aristocracia proprietária de terras.  O movimento trabalhista é uma luta pela liberdade e pela igualdade, em favor dos inalienáveis direitos do homem.  Sua vitória final é fora de dúvida, uma vez que a tendência inevitável da evolução histórica é eliminar todos os privilégios de classe e instaurar definitivamente o reino da liberdade e da igualdade.  As tentativas dos empregadores reacionários para impedir o progresso estão condenadas ao fracasso.

Tais são os princípios da doutrina social contemporânea.  É verdade que algumas pessoas, embora inteiramente de acordo com esse ideário, só apoiam as conclusões práticas dos radicais com algumas reservas e sob certas condições.  Esses moderados não pretendem abolir inteiramente a parcela que deveria caber à “administração”; contentam-se em limitá-la a um valor “justo”.  Como as opiniões relativas a qual seja o valor justo da receita dos empresários e dos capitalistas variam muito, a diferença entre o ponto de vista dos radicais e o dos moderados tem pouca importância.  Os moderados também endossam o princípio de que os salários reais deveriam aumentar sempre e nunca baixar.  Em ambas as guerras mundiais, poucos foram os que nos Estados Unidos questionaram o pleito dos sindicatos segundo o qual os salários líquidos dos trabalhadores, mesmo numa emergência nacional, deveriam crescer mais do que o custo de vida.

Segundo a doutrina sindical, não há nenhum inconveniente em confiscar, parcial ou totalmente, a renda dos capitalistas e dos empresários.  Ao tratar desse assunto, empregam o termo lucros com o mesmo sentido empregado pelos economistas clássicos.  Não distinguem lucro empresarial de juro sobre o capital investido e de compensação pelos serviços técnicos prestados pelo empresário.

Foi Ricardo quem, pela primeira vez, enunciou a tese de que um aumento nos salários encorajaria os capitalistas a substituírem mão de obra por equipamentos e vice-versa.[6] Portanto, concluem os apologistas do sindicalismo, uma política de aumentos salariais acima do valor que teriam no mercado de trabalho não obstruído é sempre benéfica.  Gera progresso tecnológico e aumenta a produtividade do trabalho.  Salários mais altos pagam-se por si mesmos.  Ao forçarem os empregadores que relutam em aumentar os salários, os sindicatos estariam cumprindo o papel de vanguarda do progresso e da prosperidade.

Muitos economistas aprovam essa tese de Ricardo, embora poucos entre eles sejam suficientemente consistentes para endossar a inferência que dela tiram os sindicalistas.  Na verdade, o efeito de Ricardo é um argumento que só pode impressionar os principiantes em economia; é um dos maiores erros econômicos.

A confusão começa com o equívoco de que a máquina “substitui” a mão de obra.  Na realidade, o que a máquina faz é tornar a mão de obra mais eficiente.  A mesma quantidade de trabalho possibilita a obtenção de uma maior quantidade ou de uma melhor qualidade de produtos.  O uso da máquina em si não resulta diretamente em ma redução do mínimo de operários empregados na fabricação de um artigo A.  O que provoca esse efeito secundário é o fato de que — tudo o mais constante — um aumento da oferta de diminui a utilidade marginal de uma unidade de em comparação com as unidades de outros artigos; por consequência, a mão de obra é deslocada da produção de para a produção de outros artigos.

O progresso tecnológico ocorrido na produção de torna possível realizar certos projetos que antes não poderiam ser executados porque os trabalhadores necessários estavam ocupados na produção de A, cuja demanda pelos consumidores era considerada mais urgente.  A redução do número de trabalhadores na indústria produtora de é provocada pela maior demanda desses outros setores aos quais é oferecida a oportunidade de expansão.  Consequentemente, tudo o que se costuma dizer sobre “desemprego tecnológico” fica devidamente refutado.

As ferramentas e as máquinas são primordialmente meios para aumentar a produção por unidade de aporte e não dispositivos para economizar mão de obra.  Parecem ser dispositivos para economizar mão de obra se considerados exclusivamente do ponto de vista do setor da atividade econômica em questão.  Vistos do ângulo dos consumidores e da sociedade em geral, são instrumentos que aumentam a produtividade do esforço humano.

Aumentam a oferta e tornam possível consumir mais bens materiais e usufruir mais lazer.  Que bens serão consumidos em quantidade maior e até que ponto as pessoas preferirão usufruir mais lazer depende dos julgamentos de valor de cada indivíduo.

O emprego de mais e melhores ferramentas só é viável na medida em que o capital necessário esteja disponível.  A poupança — isto é, um excedente da produção sobre o consumo — é condição indispensável de todo aperfeiçoamento tecnológico.  O mero conhecimento tecnológico é inútil se não houver capital para utilizá-lo. Os empresários indianos estão familiarizados com os métodos americanos de produção; o que os impede de adotá-los é a falta de capital e não os baixos salários da Índia.

Por outro lado, a poupança capitalista necessariamente gera o emprego de máquinas e ferramentas adicionais.  O papel que a poupança simples — isto é, a acumulação de bens de consumo como uma reserva para dias mais difíceis — representa na economia de mercado é de menor importância.  No regime capitalista, a poupança é geralmente poupança capitalista.  O excesso de produção sobre o consumo é investido seja diretamente no próprio negócio ou na fazenda do poupador, seja indiretamente nas empresas de outras pessoas por meio dos depósitos de poupança, ações ordinárias ou preferenciais, títulos, debêntures e hipotecas.[7]  Na medida em que as pessoas mantenham o seu consumo abaixo de sua renda líquida, cria-se capital adicional que é empregado na expansão do capital fixo do aparato de produção.  Por um lado, o que é invariavelmente necessário para o emprego de mais e melhores ferramentas é a acumulação adicional de capital; por outro lado, não há melhor emprego para o capital adicional do que a utilização de mais e melhores ferramentas.

A tese de Ricardo e a doutrina sindical que dela deriva invertem as coisas.  Uma tendência de alta dos salários não é a causa, mas o efeito, do progresso tecnológico.  A atividade econômica com fins lucrativos é obrigada a empregar os métodos de produção mais eficientes.  O que impede um empresário de melhorar o equipamento de sua empresa é somente a falta de capital.  Se o capital necessário não estiver disponível, nenhum aumento salarial poderá proporcioná-lo.

O máximo que os salários mínimos podem conseguir em relação ao emprego de maquinaria é desviar investimentos adicionais de um setor para outro.  Suponhamos que em um país economicamente subdesenvolvido, a Ruritânia, o sindicato dos estivadores consegue forçar os empresários a pagarem salários que são comparativamente maiores do que os pagos nas outras atividades econômicas.  Pode ocorrer então que o emprego mais rentável para o capital adicional seja utilizar dispositivos mecânicos para carga e descarga dos navios.  Mas o capital assim empregado foi subtraído de outros setores da atividade econômica da Ruritânia, nos quais, não fosse a pressão sindical, teria sido empregado de uma maneira mais vantajosa.

O efeito dos altos salários dos estivadores não é um aumento, mas uma diminuição da produção total da Ruritânia.[8]  Salários reais só podem aumentar, mantidas inalteradas as demais circunstâncias, na medida em que o capital se torne mais abundante.  Se o governo ou os sindicatos conseguem forçar salários superiores aos que teriam sido estabelecidos pelo mercado de trabalho não obstruído, a oferta de mão de obra excede a demanda por mão de obra.  Surge o desemprego institucional.

Firmemente comprometidos com os princípios do intervencionismo, os governos tentam impedir esta indesejada consequência de sua interferência pelo recurso a medidas conhecidas hoje em dia como política de pleno emprego: auxílio-desemprego, arbitragem de questões trabalhistas, realização de obras públicas por meio de gastos volumosos, inflação e expansão creditícia.  Todos esses remédios são piores do que os males que pretendiam corrigir.

O auxílio dado aos desempregados não acaba com o desemprego.  Facilita para quem prefere permanecer ocioso. Quanto mais próximo este subsídio estiver do nível que teriam os salários no mercado não obstruído, menor será o incentivo para o beneficiado procurar emprego.  É uma maneira de prolongar o desemprego e não de suprimi-lo.  As desastrosas consequências financeiras desse tipo de auxílio-desemprego são por demais conhecidas.

A arbitragem não é um método adequado para decidir disputas quanto a valor de salários.  A sentença do árbitro se fixar os salários exatamente no valor potencial de mercado ou num valor mais baixo, não terá efeitos práticos; se fixá-los acima do valor potencial de mercado, as consequências serão as mesmas que as provocadas por qualquer outro modo de fixar salários mínimos acima do nível de mercado, qual seja, desemprego institucional. Não importa que razões o árbitro tenha invocado para justificar sua decisão.  O que importa não é saber se os salários podem ser considerados “justos” segundo algum critério arbitrário; é saber se provocam ou não um excesso de oferta de mão de obra sobre a demanda por mão de obra.

Para algumas pessoas, pode parecer justo fixar os salários num nível tão alto que uma grande parte da força de trabalho fique condenada a um longo período de desemprego.  Mas ninguém poderá dizer que isso seja conveniente e benéfico para a sociedade.

Se os recursos para a realização de obras públicas são obtidos através de impostos ou de empréstimo, o aumento de recursos do Tesouro equivale à diminuição da capacidade de investir e de consumir dos cidadãos.  Nenhum emprego adicional pode ser criado dessa maneira.  Mas se o governo recorre à inflação para custear os seus gastos — aumentando a quantidade de moeda e expandindo artificialmente o crédito (isto é, sem que esteja havendo poupança) –, o máximo que consegue é um aumento geral de todos os preços e serviços.

Se, no curso dessa inflação, o aumento dos salários não acompanhar o aumento de preços das mercadorias, o desemprego institucional pode diminuir ou mesmo desaparecer completamente.  Mas o que o faz diminuir ou desaparecer é precisamente o fato de que houve uma redução dos salários reais.  Lorde Keynes considerava a expansão do crédito um método eficiente para eliminação do desemprego; acreditava que uma “diminuição gradual e automática dos salários reais em decorrência do aumento dos preços” não encontraria tanta resistência por parte dos trabalhadores, quanto uma redução no valor nominal dos salários.[9]  Todavia, o sucesso de um plano tão ardiloso implicaria um grau de ignorância e estupidez dos assalariados altamente improvável.  Enquanto os trabalhadores acreditarem que o estabelecimento de salários mínimos lhes beneficia, não se deixarão enganar por esse tipo de subterfúgio.

Na prática, todos esses expedientes de uma suposta política de pleno emprego mais cedo ou mais tarde conduzem à instauração de um socialismo modelo alemão.  Levando-se em conta que os membros de uma comissão de arbitramento indicados pelos empregadores nunca chegam a um acordo com os indicados pelos sindicatos quanto à remuneração que possa ser considerada justa, a decisão virtualmente fica com os membros indicados pelo governo.

Assim, o governo se investe no poder de determinar o valor que devem ter os salários.  Quanto mais proliferam as obras públicas e quanto mais o governo toma iniciativas para suprir a “incapacidade da empresa privada de gerar emprego para todos”, mais se retrai o campo de ação da iniciativa privada.  Isso nos coloca, mais uma vez, diante da alternativa: capitalismo ou socialismo.

Uma política de salários mínimos que produza resultados duradouros é inteiramente inconcebível.

 

Leia também Trabalho, emprego, poupança e capital

 

Este artigo foi originalmente publicado em 24 de fevereiro de 2012


[1] Ver W.H. Beveridge, Full Employment in a Free Society, Londres, 1944, p. 92 e segs.

[2] Ver Hutt, The Theory of Collective Bargaining, p. 10-21.

[3] Ver Marx, Value, Price and Profit, ed. E.Marx Aveling, Chicago, Charles H. Kerr & Company, p.125.

[4] Ver A.Lozovsky, Marx and the Trade Unions, Nova Iorque, 1935, p. 17.

[5] Ver Marx, op. cit, p.126-127.

[6] Ver Ricardo, Principles of Political Economy and Taxation, cap. i, seção v. O termo “efeito de Ricardo” é usado por Hayek em Profits, Interest and Investment, Londres, 1939, p.8.

[7]  Como estamos lidando com as condições de uma economia de mercado não obstruído, podemos desprezar os efeitos de consumo de capital provocados pelos empréstimos públicos.

[8] O exemplo é meramente hipotético. Um sindicato tão poderoso provavelmente impediria a utilização de dispositivos mecânicos para carga e descarga de navios, a fim de “criar mais empregos”.

[9] Ver Keynes, The General Theory of Employment, Interest and Money, Londres, 1936, p. 264. Para um exame crítico dessa ideia, ver Albert Hahn, Deficit Spending and Private Enterprise, Postwar Reajustments Bulletin n. 8, U.S. Chamber of Commerce, p. 28- 29; Henry Hazlitt, The Failure of the “New Economics”,Princeton, 1959, p. 263-295.

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Nota: as visões expressas no artigo não são necessariamente aquelas do Instituto Mises Brasil.

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86 comentários em “As distorções geradas pelos sindicatos e pela política de salário mínimo”

  1. Marx foi um brilhante intelectual e filósofo. Não importa o revisionismo nem mesmo uma eventual superação do pensamento marxista, Marx sempre terá um lugar especial na história do pensamento.

  2. Sem leis de salário mínimo, pisos salariais e leis trabalhistas, a prática de trabalho escravo tornaria se praticamente legal. Quem sofreria mais seria obviamente os trabalhadores dos paises subdesenvolvidos. Essas regulamentações são muito importantes para protegê-los.

  3. O problema de vcs é que ficam muito no plano das idéias e abstem se da realidade. Nada garante que essas teorias são válidas. Precisa se buscar ostensivamente evidências concretas de que funcionam. E deve se tomar cuidado pq pode funcionar bem numa sociedade e mal em outra. Não se pode fechar se numa torre de marfim para teorizar sobre s problemas humanos, sejam econômicos, sociais, ou de outro tipo, pois o homem não é previsível. Ele não é uma coisa, nem um animal irracional. Ele é dotado de profunda subjetividade, que se constrói dentro dele e na própria sociedade, na vivência diária, e vai se modificando constantemente. Isso complica tudo e é o que torna o homem tão complexo.

  4. “Os salários determinados por um mercado livre e desimpedido tendem para um nível que permite àqueles que quiserem trabalhar conseguir emprego.”

    Concordo, mas não temos um mercado livre no Brasil, e uma suposta política de pleno emprego nunca foi conseguida, Keynes sugeriu que a economia poderia estabilizar-se num ponto aquém do nível de pleno emprego, como? especulando e baixando a renda.

    O consumo não mais de terminado pela renda do individuo e sim pela renda disponível.

  5. Sempre bom ler Mises…

    “Por um lado, o que é invariavelmente necessário para o emprego de mais e melhores ferramentas é a acumulação adicional de capital; por outro lado, não há melhor emprego para o capital adicional do que a utilização de mais e melhores ferramentas.”

    Não entendi bem, não é um argumento circular?

  6. Esse Carlos vive em qual planeta? Eu acho que ele acredita em duendes, papais noeis ou então ele nunca leu nada sobre Marx e os efeitos do comunismo e muito menos não deve saber nada de matemática econômica e financeira.

    Eu fico agressivo com pessoas ignorantes assim tipo o Carlos, mas coitado dele acredita nas mentiras do Marx ele ainda é uma criança que não saiu das fraldas, muito burrinho!

  7. “Sim as teorias são válidas, e com garantia. A teoria econômica praxeológica é axiomática, ou seja, suas proposições são válidas a priori. Isto quer dizer não só que não necessitam ser testadas para terem suas veracidadade comprovada como também nenhum teste empirico subsequente pode refutá-las.”

    E você tem consciência das implicações epistemológicas disso? A de que essa teoria não diz nada sobre a realidade independente dos sentidos. Ei, não fique bravo comigo, é voce quem está dizendo isso. Se alguém escolhe construir uma teoria formal, ou puramente sintática, é essa a consequencia epistemológica. Nesse sentido a praxeologia é um meio de chegar a algo, como o cálculo de preposições da lógica, dependendo de um indivíduo que conheça a realidade e consiga elaborar premissas válidas.

    Por isso é perigoso sair por ai simplesmente dizendo que a praxeologia é válida por definição. Isso é verdade, mas não mostra como é possível extrair previsões sobre a realidade usando-a. Um construto puramente sintático não possui relação com a realidade.

    Mais informações sobre o assunto, ver as críticas do Wittgenstein à matemática. Lógico que o Goddel provou que o Witt está errado, mas a essencia da argumentação é que interessa. Quem está dizendo que a praxeologia é puramente sintática não sou eu.

  8. Uma teoria puramente sintática é apenas um conjunto de regras coerentes entre si que servem para chegar a alguma conclusão (realizar inferência) a partir de algumas premissas. Não existe relação com a realidade. Quer um exemplo:

    1- Todos os cachorros são verdes

    2- Eu tenho um cachorro

    Conclusão: meu cachorro é verde.

    Isso está logicamente correto, mas é obviamente um absurdo. COMO ISSO? O cálculo de preposições da lógica foi demonstrado pro Godel como meramente sintático, em seu trabalho de doutorado. De forma resumida, que a lógica sustenta a si mesma! A consequencia é que isso não te permite conhecer a realidade, mas é uma poderosa ferramenta de inferência a partir de premissas válidas.

    Teorias da Física não são meramente sintáticas, pelo contrário. Elas não se sustentam sozinhas. Elas fazem referencia a algo externo a elas, que é a natureza, que existe independente da nossa própria existencia. Elas não são apenas um conjunto de regras coerentes entre si.

    No começo do século passado o Wittgenstein disse que a matemática era meramente sintática, ou seja, que era apenas um conjunto de regras coerentes entre si e que não tinha relação com o mundo real. Aí o Godel foi lá e provou, através dos seus DOIS teoremas da incompletude, que a aritmética básica não é meramente sintática (e ela é a base de toda a matemática). Portando pelo que se sabe a matemática é algo mais do que uma ferramenta de inferência, ela está ligada de algum modo à algo da realidade, como se existisse uma realidade matemática no universo. É talvez o resultado mais importante do século passado na matemática.

    Pelo que entendi, a praxeologia é meramente sintática. Ela, por si só, é apenas uma ferramenta de inferência. É preciso premissas válidas extraídas por alguém para que se obtenha resultados úteis sobre a realidade. Ou voce acha que é só chegar, postular que sua teoria é verdadeira, e a realidade irá se moldar às suas palavras? Se fosse assim cada um criaria seu proprio universo com suas próprias leis físicas, economicas…

  9. Ele se contradisse, na verdade. Uma teoria que não pode ser refutada pela realidade (infalseável, nas palavras de Popper) também não se pode mostrar verdadeira pela realidade. Assim a teoria NÃO GUARDA RELAÇÃO com a realidade, ela é INDEPENDENTE da realidade. Ela é válida mesmo que vivêssemos em outro universo com outras leis físicas e econômicas. Ela é válida até mesmo se não existíssemos.

    A grande sacada do Mises é que ele entendeu que átomos e moléculas podem ser conhecidos através da experiencia, mas a motivação humana não, pois cada indivíduo possui motivações muito particulares impossíveis de serem conhecidas em grande escala. Dessa forma teorias economicas feitas a partir da experiencia estão fadadas ao fracasso…

    A partir disso, ele criou uma teoria “a priori”, que é absolutamente verdadeira e infalseável. No entanto ela não guarda relação com a realidade. Isso é problema? Não. A função dessa teoria é a de ser METACONHECIMENTO para fundamentar um conhecimento econômico mais fidedigno. Ou seja, ele criou um sistema de inferência para a economia. Ele criou um modo de raciocinar sobre economia. Pouco, não? Uma comparação que tenho pra mim é que ele é o Aristóteles da economia.

    Dessa forma voce não precisa convencer alguém a acreditar na ação humana, ela é verdadeira independente da nossa existência. Voce precisa mostrar que essa é a melhor maneira de raciocinar sobre fenomenos econômicos. E eu não tenho dúvidas de que é. O Mises é obviamente genial.

    Eu estou usando termos simples pra tentar explicar, um filósofo de verdade ficaria um pouco chateado comigo. Eu espero ser entendido mais pelo espírito do que pela explicação de fato da coisa.

  10. Nenhuma teoria verdadeira à priori tem relação com a realidade. Isso é um fato básico que qualquer um se depara num curso de epistemologia. Uma teoria assim é puramente sintática. Simplesmente leia Wittgenstein e toda a controvérsia sobre a matemática no inicio do século XX. A realidade não se molda à teoria, mas o contrário! Observe o que voce disse:

    “E não entendi onde está o absurdo em concluir que seu cachorro é verde a partir das premissas que vc apresentou. Absurdo é dizer que ele não é verde”

    O absurdo é que a conclusão pode não corresponder com a realidade, pois parti de uma premissa inválida. A lógica é falsa? Não, ela apenas não guarda relação com a realidade. Somos nós que a fazemos servir para fazer inferências sobre a realidade através do seu uso correto e do estabelecimento de premissas válidas.

    Se voce estabelecer premissas errôneas e usar a praxeologia, é possível extrair conclusões que não correspondam à realidade, o que não nos interessa. Mas a praxedologia continua válida, verdadeira, para todo o sempre. A praxeologia é um sistema de inferência, tal qual é a lógica. Esse é o poder dela, essa é a genialidade do Mises.

    E se esse aspecto não ficar claro, o indivíduo pode acabar recusando a escola austríaca por achar que ela se baseia na fantasia de um tal Mises. O caráter irrefutável da praxeologia precisa ser esclarecido e justificado. O que se baseia na realidade não é a praxeologia, mas a escolha por criar uma teoria puramente sintática a partir da impossibilidade de conhecer o interesse individual de milhoes de pessoas.

  11. Mcmoraes

    Eu não estou dizendo o que entendi, eu estou dizendo que é razoável consenso entre vários filósofos: teoria puramente sintática não guarda relação com a realidade. Vou te indicar um livro direto sobre o assunto, bastante interessante de ler: Incompletude: A Prova e o Paradoxo de Kurt Gödel – Rebecca Goldstein – todos os meus alunos que indiquei gostaram do livro, e eu também.

    Nele há uma discussão para qualquer mortal entender o que estou incessantemente repetindo. Aproveite e tenha uma noção de um dos mais belos resultados da matemática do século 20.

  12. Jose Roberto Baschiera Junior

    A Suíça!

    No turbilhão de péssimas noticias, eis que surge uma para no dar esperanças:

    “Suíços dizem “não” a mais duas semanas de férias pagas

    O que você responderia se fosse perguntado pelo governo se gostaria de mais dias de férias por ano? No início desta semana, os eleitores na Suíça foram às urnas e disseram “não” a um adicional de férias de duas semanas por ano.
    No referendo suíço, 66,5% se mostraram contra a folga adicional, que colocaria o país no mesmo patamar de seis semanas de Alemanha e Itália. Para os suíços, que consideraram os apelos dos representantes governamentais e de empresários, a quinzena adicional de férias pagas poderia aumentar os custos do trabalho e colocar a economia em risco.
    Uma pesquisa realizada pela empresa de viagens online Expedia, com entrevistados de 20 países, apontou que o Brasil é um dos países em que as pessoas mais tem dias de férias remunerados (30) – mesmo número de França, Espanha e Dinamarca. Os brasileiros disseram que aproveitam todos os dias das férias.
    O estudo foi feito entre setembro e outubro de 2011, com 7.083 entrevistados. Holanda, Suécia, Noruega e Reino Unido estão em segundo lugar na lista, com 25 dias de férias remuneradas aos habitantes. Os americanos, que têm 14 dias de férias remuneradas, dizem que usam apenas 12. Os asiáticos são os que se mostraram mais avessos às férias. No Japão, os funcionários recebem apenas 11 dias pagos e dizem que usam, de fato, apenas cinco, enquanto os sul-coreanos recebem dez dias e aproveitam apenas sete.”

    not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201203161439_TRR_80993163

  13. Uma premissa verdadeira e uma conclusão falsa:

    Noruega, Finlândia, Estados Unidos são ricos e bem sucedidos porque são capitalistas.

    O Brasil, os países da África, os países da América Latina são capitalistas.

    Portanto, o Brasil, os países da África, os países da América Latina são ricos e bem sucedidos.

    Isto não é uma construção lógica?

    Pode não ser lógico, mas tenho visto muita gente fazendo estas comparações absurdas entre países do hemisfério norte e do hemisfério sul. O que vocês aprendem em geografia e em história? Façam uma relação entre estes conhecimentos antes de escrever tanta bobagem. O hemisfério sul foi por décadas saqueado e colonizado pelos europeus e americanos. Como comparar o Brasil com eles???

    Quanto ao texto de Mises é um pensamento da Economia Ortodoxa que prega a submissão dos países do terceiro mundo as economias capitalistas centrais. As crises do capitalismo, prevista por Marx, encontram-se no acúmulo de capital e na superprodução. Na falta da massa salarial quem vai consumir? O Kenesyanismo é uma resposta intessante a burrice do capitalismo selvagem proposto por Mises.

    A “mão invisível” do mercado, que tudo regula, mostrou-se uma mão de batedor de carteira que canalizou trilhões de dólares do setor público para o setor privado. Os bancos federais de vários países tiveram que criar o “bolsa família” para países, através do Banco Mundial, Bird e FMI para que o mundo não fosse a bancarrota nestes últimos 5 anos.

    O capitalismo nos moldes da produção está sendo superado e controlado pelo capitalismo especulativo que nada produz. Novas crises estão por vir.

  14. Infelismente fazer caber numa cabeça que e parasita que o que aumenta o valor dos salarios é maior produtividade, e uma tarefa herculea.
    O esquerdista transformou a economia num jogo de toma toma. Ele e premiado por tomar dos outros e dos outros para outros esquesditas igual a ele.
    E a sociedade entra em declinio quando os produtivos se tornam parasitas também. Logo se ninguem produz bens ou serviços, a prosperidade total cai e de quem os parasitas vao toma ?
    E ao contrario, se todos se tornassem produtivos, ninguem teria que tomar, só iriam fazer comercio pacifico, trocando os bens e serviços que produziu, por bems e serviços produzidos por outros.
    Por isso que as economias parasiticas, “os sistemas roubais “sao mais ineficientes. Quanto mais delas e aplicado, mais pobreza eles jogam as pessoas.

  15. E aí, depois do resultado das primárias na Argentina e as pesquisas mais recentes vocês ainda acreditam nessa besteira de não regulamentar a internet ou finalmente acordaram pra vida?

  16. A esquerda é complicada.
    Impoe salario mínimo ate pra quem nao quer, dificulta quem não quer ser assalariado e empreender, pra obrigar tudo mundo a se submeter a emprego e fica prometendo eternamente direitos para esses empregos, mas pagos com contribuição obrigatoria dos mesmos salários que os empregados deixam de receber…
    E por essas e por outras que os de carteura assinada sao so 36 milhoes contra 44 dos da economia informal.
    Dificultam demais para 44 milhoes se formalizarem e passarem a fazer parte do sistema.
    Ae o mercado informal se misturam ao do crime, e a propria população que financia, nao sabe quem estão financiando. Os produtos que elas tem condição de compra sairam dos assaltos a empresas e o crine se fortalece.
    E pra piorar mais ainda apoiam assaltos aos cidadãos de maior poder de compra .
    Caos social estimulado por eles praceles mesmo secreelegerem num curculo vicioso

  17. Com a eminente vitória Russa contra a OTAN vocês acham que vale a pena já ir trocando meus dólares por rublos? Vocês acham que a OTAN se despedaça rápido ou vão tentar manter por um tempo ainda? E os EUA, vão colapsar de uma vez eu apenas acelerar a decadência?

  18. Júlio César Rodrigues

    “O efeito dos altos salários dos estivadores não é um aumento, mas uma diminuição da produção total da Ruritânia.[8] Salários reais só podem aumentar, mantidas inalteradas as demais circunstâncias, na medida em que o capital se torne mais abundante. Se o governo ou os sindicatos conseguem forçar salários superiores aos que teriam sido estabelecidos pelo mercado de trabalho não obstruído, a oferta de mão de obra excede a demanda por mão de obra. Surge o desemprego institucional”.

  19. Ezequias Moraes da Rocha

    A questão não é o valor do salário mínimo 

    Mais a carga de impostos que o governo joga encima do empregador se o governo jogasse limpo cobrasse os impostos de acordo com as condições que as empresas podessem pagar

    Não querendo tirar do empregador o valoŕ equivalente ao pago pelo empregado 

    Haveria mais ofertas de emprego e salarios melhores de acordo com o cargo exercido 

    Fato é que o patrão não teria medo de contratar

    Hohe ele pensa duas vezes 

  20. Politica do salario minimo e só uma politica de achatamento dos salarios. A maioria nao recebe minimo. Mas todo mundo vainesta proximo do seu valor baixo. 

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