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Eis o responsável pela disparada dos combustíveis: o Banco Central e sua política ultra-keynesiana

Nota do Editor

O artigo abaixo foi originalmente publicado no dia 19 de fevereiro de 2021. Desde então, o problema se intensificou. A seguir, uma explicação completa e atualizada dos fenômenos que causaram tudo isso.

_____________________________________

Não há nenhuma escassez de petróleo no mundo. E isso é fácil de provar. 

Se houvesse escassez de petróleo, o preço do barril em dólares ou mesmo em franco suíço (a moeda mais estável do mundo) estaria na máxima histórica.

No entanto, eis a evolução do preço do barril do tipo Brent em dólares:

USDBRO.png

Gráfico 1: evolução do preço, em dólares, do barril de petróleo do tipo Brent

Para a comparação ficar completa, eis a evolução do preço do barril do tipo Brent em francos suíços:

USSDBROxUSDCHF.png

Gráfico 2: evolução do preço, em francos suíços, do barril de petróleo do tipo Brent

Repare que, tanto em dólar quanto em franco suíços, o preço do barril de petróleo está muito longe das máximas. Com efeito, em dólar, o barril custa o mesmo que custava em 2005. Já em francos suíços, moeda mais estável que o dólar, o barril custa hoje pouco acima do que chegou a custar em 2000.

Ou seja, não há o mais mínimo sinal de escassez de petróleo. Portanto, qualquer eventual carestia desta commodity em uma determinada moeda denota um problema da moeda, e não da commodity.

Com efeito, vejamos agora a evolução do preço do barril de petróleo do tipo Brent em reais. O gráfico abaixo simplesmente pega a cotação em dólares (gráfico 1) e converte pela taxa de câmbio vigente em cada data:

USDBROxUSDBRL.png

Gráfico 3: evolução do preço, em reais, do barril de petróleo do tipo Brent

E aí agora você começa a entender por que os combustíveis no Brasil estão batendo recordes de preço.

O problema não está no preço internacional do petróleo. O problema está inteiramente em nossa moeda. Afinal, se o preço do barril de petróleo em dólar e franco suíço está no mesmo valor de mais de 15 anos atrás, porém, em reais, está na máxima histórica, então o problema não está com o petróleo, mas sim com o real.

O encarecimento dos combustíveis no Brasil, portanto, não se deve nem a alguma escassez de petróleo no mercado, ou a algum conluio entre russos e árabes, ou a alguma restrição da OPEP. Tampouco se deve a ICMS ou mesmo a impostos federais. É tudo uma questão de moeda.

O real está fraco. Ponto. Todo o resto é tergiversação.

Como a Petrobras é exportadora e importadora de petróleo, ela obviamente tem de seguir a cotação determinada pelo mercado internacional. Pelos seguintes motivos:

a) ela importa petróleo pelo valor da cotação internacional; logo, ela não pode revender gasolina abaixo da cotação internacional (senão teria prejuízo);

b) dado que ela exporta petróleo, ela não pode vender aqui dentro a preços menores que o da cotação internacional, pois, além de ser uma medida economicamente insensata, há o risco de gerar desabastecimento: dado que a Petrobras não abastece inteiramente o mercado interno, o qual também é suprido por importadores privados, se a Petrobras passar a vender abaixo dos preços de mercado, os importadores privados irão à falência e, consequentemente, faltará gasolina no mercado interno.

Ademais, há a crucial questão das refinarias. A Petrobrás é dona de 13 das 17 refinarias do Brasil, respondendo por 98% do petróleo refinado (isto é, transformado em gasolina, diesel etc.) no país. Vender estas refinarias é crucial para aumentar a concorrência no mercado. Sendo assim, qualquer medida de controle de preços teria consequências desastrosas para o mercado de refinarias. 

Se o governo controlar os preços da Petrobras, quem irá se arriscar a comprar uma refinaria para concorrer com a estatal? Quem irá comprar refinarias sabendo que o governo pode, a seu bel-prazer, simplesmente sair praticando controle de preços (reduzir artificialmente os preços cobrados pela Petrobras)? Isso inviabilizaria todo o empreendimento privado, trazendo enormes prejuízos e deixando este mercado ainda mais ineficiente.

Essas são as consequências de se ter todo um setor controlado diretamente pelo estado: total insegurança jurídica.

Contratos de gasolina, ICMS, Pis/Cofins

Para a análise ficar mais completa, peguemos agora a evolução do preços dos contratos de um galão de gasolina negociados no mercado internacional de commodities. 

Este é o valor que a Petrobras utiliza para precificar a gasolina que vende em suas refinarias.

Eis a evolução em dólares: 

RB1!.png

Gráfico 4: evolução do preço, em dólares, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

Surpresa nenhuma.

Agora, em francos suíços.

RB1xUSDCHF.png

Gráfico 5: evolução do preço, em fracos suíços, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

Mesma coisa. Os preços do galão de gasolina no mercado internacional de commodities estão no mesmo valor de 2006 (em dólares) e de 2005 (em franco suíço). E muito longe da máxima histórica.

Ou seja, não há qualquer sinal de escassez.

Agora, vejamos a evolução deste mesmo galão de gasolina no mercado internacional de commodities cotado em reais.

RB1xUSDBRL.png

Gráfico 6: evolução do preço, em reais, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

Máxima histórica absoluta e irrefragável.

E, para piorar tudo, o preço do etanol disparou. A disparada se deveu à estiagem e ao aumento do açúcar no mercado internacional. 

Se o açúcar aumenta lá fora, os produtores de cana-de-açúcar no Brasil destinam um maior volume de cana para atender a esse mercado internacional de açúcar (que paga em dólares) em detrimento do mercado de álcool nacional (que paga em reais). 

Acrescente a esse redirecionamento toda a estiagem, e tem-se uma escassez acentuada.

Eis a evolução do preço do etanol negociado no B3 (a série começa em 2010):

etanol.png

Gráfico 7: evolução do preço, em reais, do metro cúbico de etanol 

No Brasil, um decreto do governo impõe a mistura de álcool anidro à gasolina. Até antes de 2015, cada litro de gasolina continha 25% de álcool. A partir de 2015, por determinação do governo, esse percentual foi elevado para 27%

Ou seja, hoje, em um litro, 730 ml são de fato gasolina e 270 ml são álcool anidro. O Brasil é o único país do mundo que faz uma mistura nesta proporção de 27%. Nos EUA, o máximo permitido é de 15%. Na vizinha Argentina, 12%. México, 5,8%. Chile e Canadá, 5%.

Uma disparada no preço do etanol — causada, por sua vez, por fatores meteorológicos e pelo preço do açúcar (que aumenta as exportações e reduz a oferta interna) — faz aumentar o preço da gasolina. 

Para resumir: a atual disparada dos combustíveis não se deve, portanto, a ICMS ou PIS/Cofins. Mesmo que estes impostos nunca houvessem existido, ainda assim petróleo e gasolina, em reais, estariam na máxima histórica. Sim, o valor nominal nas bombas seria muito menor, mas o preço estaria na máxima histórica.

O motivo? A moeda.

Um Banco Central ultra-keynesiano

Quem acompanha este Instituto não está surpreso com o comportamento dos preços dos combustíveis. O mesmo já ocorreu com os alimentos. A causa é idêntica.

Em resposta à pandemia de Covid-19 e às medidas de fechamento da economia efetuadas pelos governadores, o Banco Central, por meio do Orçamento de Guerra, adotou uma política monetária extremamente expansionista. 

Na prática, o BC adotou os preceitos da ultra-keynesiana Teoria Monetária Moderna: taxa básica de juros (Selic) ínfima (o que gerou juros reais negativos e menores que os da Suíça) e forte expansão monetária para financiar o aumento de gastos, na crença de que isso não geraria aumento de preços (pois, afinal, estávamos em uma forte recessão e com alto desemprego).

O resultado foi uma profunda desvalorização cambial.

Para deixar bem claro: a carestia atual dos alimentos e dos combustíveis é resultado direto do aumento da moeda injetada na economia pelo Banco Central. A política monetária frouxa do Banco Central é a responsável direta pelo fenômeno.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1):

selicxm1.png

Gráfico 8: linha azul, eixo da direita: M1; linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, a expansão da oferta monetária acelera.

O real foi fortemente depreciado em decorrência desta combinação de acentuada expansão monetária com juros reais profundamente negativos: em 2020, a Selic caiu para 2%, valor muito menor que o IPCA, que fechou 2020 em 4,52%; no acumulado dos últimos 12 meses, a Selic acumulada 2,62% ao passo que o IPCA acumula 9%, o que nos deixa com juros reais negativos de inacreditáveis 5,85%). 

A consequência desta desvalorização do real é que o dólar encareceu.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da taxa de câmbio:

Selicxcambio.png

Gráfico 9: linha azul, eixo da direita: taxa de câmbio (reais por dólar); linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é também quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a taxa de câmbio cai (ou pára de subir). Quando a Selic cai, a taxa de câmbio sobe.

A consequência é que o real foi a sexta moeda que mais se desvalorizou no mundo em 2020, tendo sido melhor apenas que potências como Zâmbia, Angola, Venezuela, Seychelles e Argentina.

É exatamente essa desvalorização cambial (linha azul do gráfico 9) que explica a disparada, em reais, dos preços do petróleo, da gasolina e do diesel.

O que fazer

O presidente Jair Bolsonaro, visando a reduzir o preço histórico dos combustíveis, zerou os impostos federais sobre o diesel e sobre o gás de cozinha. Excelente medida, pois reduz o peso do estado sobre a economia. Ele também está pressionando os governadores a reduzir o ICMS dos combustíveis. Ótimo. Toda e qualquer redução de impostos é ótima, bem-vinda e deve ser apoiada. Quanto menos o estado confiscar do setor produtivo, melhor para os produtivos. Ponto.

Dito isso, é crucial o presidente entender que ele está apenas fazendo um paliativo. Ele não está atacando a causa do problema. O problema da disparada dos preços não está nos impostos federais ou estaduais (que sempre existiram). E suas críticas ao Confaz, embora válidas e corretas, passam longe de explicar os reajustes de preços nas refinarias.

Apenas para deixar bem claro: toda essa discussão sobre redução de impostos sobre os combustíveis é excelente e bem-vinda. Tomara que todos os impostos sejam zerados. Todo apoio a essa medida. Mas ela passa longe de ser a causa dos preços altos.

Toda a causa está na temerária gestão monetária feita pelo Banco Central. Sem que esta causa seja atacada, não há como os preços dos combustíveis voltarem a níveis civilizados.

Reduzir a expansão do M1 e elevar a Selic (para pelos menos 7,5%, pois só a partir deste valor voltaremos a ter juros reais positivos) seriam as medidas mais diretas e com mais garantia de resultados. É uma completa bizarrice um país como o Brasil, que não tem grau de investimento e cujas contas públicas estão em total descalabro, ter juros reais amplamente negativos e muito menores que os da Suíça. Na prática, o investidor paga muito mais caro pelo “privilégio” de emprestar seu dinheiro para o governo brasileiro do que para o governo suíço.

Qualquer outra medida que não passe pela gestão da moeda será inócua no longo prazo. 

“Ah, mas é politicamente inviável defender aumento de juros e redução da expansão monetária!”, grita o leitor.

Pode ser. Mas este é o momento de o presidente mostrar que é durão e que realmente, como ele próprio diz, não está preocupado com popularidade.

Com efeito, pode algo ser mais impopular para um político do que alimentos e combustíveis em preços recordes?

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764 comentários em “Eis o responsável pela disparada dos combustíveis: o Banco Central e sua política ultra-keynesiana”

  1. Como eu disse em outro comentário, nesse imbróglio do preço dos combustíveis, é impressionante como absolutamente ninguém fala do Banco Central e da Selic. Ninguém!

    Nem a oposição, nem a imprensa, nem a diretoria da Petrobras e nem os próprios governadores, que estão sendo acusados de maneira um tanto injusta (ao que se sabe, nenhum estado aumentou o ICMS; e críticas ao Confaz também não explicam os reajustes nas refinarias).

    Não me lembro de ter visto na história um BC tão blindado quanto este. Aliás, nem é blindado; é incensado mesmo. Todos os anteriores sofreram críticas (alguns, por muito menos), exceto este.

    Na minha próxima encarnação, quero ser um Campos Neto: faço lambança à vontade, absolutamente ninguém me culpa por nada e todos ficam apontando dedo entre eles.

  2. O lado positivo de tudo isso é que a Teoria Monetária Moderna será definitivamente desacreditada. Assim como Dilma enterrou o keynesianismo clássico (que defende gastança e créditos de bancos estatais), o atual BC está enterrando a tese de que impressão monetária, mesmo em uma forte recessão, não gera aumento de preços.

    Algum dia, daqui a algumas décadas, o pessoal descobre a Escola Austríaca…

  3. O que derruba presidentes no Brasil se chama inflação… Já li essa frase antes e faz todo sentido olhando a história, a única coisa que deixa brasileiro descontente é tudo estar caro.

    Bolsonaro está brincando com fogo, ele acha que sua popularidade histórica pode salva-lo de um chute na bunda. Talvez ele realmente não entenda nada sobre economia, mas duvido.

    O estado já coaptou bolsonaro, ele não vai entregar as grandes privatizações prometidas.

    No começo eu cai no papo de que a culpa era do congresso, que ele queria mas outros não o deixavam.

    Mas depois ficou claro que ele não tinha mais interesse em privatizar, diminuir o estado. Era cargo por voto na cara dura mesmo.

    Ele faz parte do estado e não vai diminuí-lo.

    O covid fez os políticos (Bolsonaro ainda tentou não fechar o Brasil) fazerem as medidas mais burras da história. Fechar a economia e imprimir dinheiro a rodo.

    Agora somem isso tudo ( Crise econômica da Dilma + desvalorização da nossa moeda + fechamento dos comércios + demissões + dinheiro sendo impresso sem parar…..)

    A tempestade perfeita está formada.

  4. Mas as exportações estão bombando, ou seja, era para a fraqueza do dólar (ou fortaleza, depende), que nos obriga a gastar mais moeda americana para comprar produtos importados, ser compensada pelo aumento das exportações.

    Porém, as divisas arrecadadas pelo setor exportador não estão sendo “internalizadas”, ou seja, os produtores estão deixando os dólares no exterior fazendo com que os importadores não tenham acesso às moeda moeda americana para importar. Mas por qual motivo? Porque os exportadores não querem trocar os seus dólares pelo real inflacionário e pelos títulos de curto prazo que não estão rendendo nada.

    Então, qual seria a solução?

    Estatizar todo setor agroexportador para que a alocação das divisas conseguidas em prol da importação não passe pelo entrave de “ter que atender os interesses dos exportadores em primeiro lugar”

    O Brasil vai produzir soja, vender e os dólares obtidos ficarão prontamente à disposição dos importadores de petróleo, de medicamentos e de insumos agrícolas.

    Seria socialismo se não tivesse nenhum fundamento racional ou prático, se fosse apenas mais uma daquelas ideias fofinhas, sem sentido e prejudiciais (ao contrário das aparências) que só serve para arrebanhar eleitores para políticos esquerdistas.

  5. E sabe por que não vão parar de desvalorizar o Real? Porque o funcionalismo público vive dessa desvalorização. Se não houver impressão louca o salário privilegiado deles não chega.

  6. Pensador Libert%C3%83%C2%A1rio

    Autonomia do Banco Central foi uma medida boa ou será mais uma furada tupiniquim? E a lei do câmbio que prevê pessoas físicas investirem e possuírem contas em dólar,mesmo residindo no Brasil guaranil.

  7. Como presidente, minhas primeiras ações serão:

    – estabelecimento do padrão ouro para o Real;

    – diminuição da carga tributária;

    – desburocratização;

    – privatização.

    Meu nome é Zé das Coooooooooooooouves!!!!

  8. O artigo é mil vezes melhor que colocar a culpa do preço dos combustíveis numa “teórica absurda alta repentina dos impostos”. Sabemos que apesar da mudança na carga tributária que recaí no caso do Brasil, na maioria, sobre o consumo e que por sí só já é um absurdo, ela de fato, pouco mudou para impactar os combustíveis. Obviamente que foi o câmbio.

    A questão aqui que me fica é a quem interessa essa relação cambial desvalorizada?

    Vamos aos fatos. A imensa maioria do que o Brasil exporta são commodities com o preço definido externamente em dólar pelo Mercado, por tanto, sobre o ponto de vista político é de interesse desses setores que a relação cambial seja desfavorável. Eles vendem em Dólar e compram em Real muitos dos insumos, principalmente o trabalho, a terra, enfim, a maior parte do que usam para produzir ou que já possuem (Máquinas, Ferramentas, etc) tirando insumos como fertilizantes, aumentando assim seus retornos, inclusive no setor de energia. Essa política monetária aumenta em muito a sua riqueza relativa já que podem operar maioria em Real e ganhar exclusivamente em Dólar. Inclusive os setores agroexportadores. É muito simples. No pior caso, ainda retirar o Capital do país para investir em Economias estrangeiras de melhor dinamismo.

    O Segundo fator é a própria estrutura produtiva do Brasil. Como exportador de commodities, esses são praticamente os únicos produtos que conferem ao Real o seu valor Internacional como moeda. Muitos desses produtos caíram de preço muito mais rapidamente (chegando a absurdos negativos como no caso do petróleo futuro) que bens de consumo duráveis ou de demanda inelástica (Alguns até com aumento como o caso de computadores).

    Fora isso, teríamos obviamente, a entrada de Capital estrangeiro como segundo fator possível de valorização do Real. Essa política que foi vendida como solução através de reformas como Trabalhista e Previdenciária fracassou para atrair Capital Externo, ainda antes da Pandemia. Isso ocorreu pois a Economia real mal reagia com crescimento próximo de 1%, principalmente pela falta de demanda interna. Levando isso em consideração, a total falta de demonstração prática de melhora da Economia real e a falta de projeto econômico para o país voltar a crescer levou-nos ao caos cambial que vemos agora e não apenas uma Selic baixa. Vale lembrar que existem outros títulos pré-fixados, inclusive atrelados ao IPCA com rendimentos mais atrativos.

    O resultado é muito simples e explicaria tudo que o Artigo poderia ter simplificado de maneira mais objetiva. O Capital estrangeiro nunca teve interesse real de entrar no Brasil para investimentos produtivos de médio ou longo prazo sabendo que a Economia já não apresentava qualquer tipo de dinamismo evidente. E aí, o segundo fator, que o Artigo acaba demonstrando de maneira mais óbvia. Se todo o Capital que entra, apenas o faz para ganhar com a taxa elevada de juros da dívida pública (em relação a países desenvolvidos) o efeito manada ou bola de neve é quase que imediato e exponencial. Porque com a desvalorização do Real a própria taxa de juros teria que subir de maneira absurdamente rápida para manter o Capital estrangeiro (que “pensa” apenas em Dólar) e em sua imensa maioria entra de maneira especulativa para retornos rápidos. Esse processo de valorização forçada e descoordenada, apenas através de juros altos, não gera qualquer retorno real a economia que possa diminuir nossa dependência externa de dólares, de importados, como Diesel, bens duráveis, ou mesmo parte do petróleo utilizado como insumo para o refino.

    A alta do Dólar é a representação de alguns problemas em conjunto: A falta de reação da Economia; falta de perspectiva de crescimento real; e o aumento da nossa dependência externa de importados e a queda mais brusca no valor das Commodities no pico da Pandemia. Se, por exemplo, o Capital estrangeiro tivesse entrado para investir, digamos que construir uma refinaria, isso seria interessante para o país pois reduziria nossa dependência externa ao mesmo que evitaria a fuga rápida do Capital já consolidado de forma produtiva. No atual cenário, ao primeiro sinal de problemas econômicos ou monetários, o Capital evade o país rapidamente, via Sistema Financeiro. Vale lembrar que os anos recentes antes mesmo da Pandemia, tiveram um recorde de saída de Capital estrangeiro, seja na Bolsa ou para financiar nossa dívida publica interna. Notem que isso já ocorria em 2019, antes da Pandemia: http://www.poder360.com.br/economia/brasil-registra-em-2019-a-maior-saida-de-dolares-nos-ultimos-38-anos/.

    O gráfico apresentado no Artigo não é uma causa mas uma necessidade. O juro é o valor futuro do dinheiro, o seu preço. Para que algum produto, mesmo o dinheiro, caia de preço é necessário aumentar sua oferta, por tanto, é preciso colocar dinheiro em circulação para que a taxa de juros caia. A taxa de juros e a meta é definida posteriormente a esse processo ocorre quando se recompra os títulos. Esse processo começou com a injeção de 1,2 trilhões de Reais no Sistema Financeiro via Banco Central com a compra de títulos e ativos no Mercado Secundário (www.infomoney.com.br/economia/com-crise-banco-central-ja-anunciou-r-12-trilhao-em-recursos-para-bancos/). Ou seja, boa parte desse dinheiro injetado na Economia foi para o setor Financeiro, para manter o valor dos ativos. Se isso não ocorresse haveria uma quebra nesse setor antes mesmo antes da crise ter efeito sobre a Economia Real.

    Em seguida, o mesmo ocorre na Economia Real. O Governo através do Tesouro e do BC precisou operar um déficit fiscal emergencial, não de mesma proporção, mas importante para injetar meios de pagamento, para manter o consumo em valores mínimos enquanto setores de mão de obra intensiva ou impactados pela Pandemia tiveram que parar total ou parcialmente. Isso ocorreu de forma generalizada nas Economias de todo o resto do mundo, em maior ou menor grau. Foi necessário injetar liquidez (Na compra de títulos e Ativos) e meios de pagamento, na forma de auxílios para que a Economia Real (depois do Sistema Financeiro) não desabasse e houvesse queda infinitamente pior da Demanda, ou pior, eventualmente, revoltas por falta de alimentos, saques, e desabastecimento, principalmente de produtos não-duráveis nas prateleiras.

    O que vemos agora é o efeito secundário dessa injeção de liquidez que super inflaciona os ativos financeiros, inclusive nos países desenvolvidos, já que a perspectiva econômica real ainda não está bem definida. Obviamente, que pior por aqui. A questão é que ainda existe esse interesse na desvalorização do Real pela elite econômica que está no poder. Basta ver a aprovação da criação de conta em Dólar para pessoas físicas que podem fugir do efeito inflacionário (www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/10/bc-abre-caminho-para-pessoas-fisicas-terem-conta-em-dolar-no-pais.shtml) para proteger o Capital, principalmente, desses que ganham com essa política. A tendência, se mantida, é que o Real perca ainda mais valor e, pior, a longo prazo podemos sofrer do mesmo efeito de “dolarização interna” que existe em países que perderam completamente a soberania sobre a sua moeda como o caso da Argentina ou Venezuela.

  9. Há que se analisar melhor os itens a) e b) do artigo.

    Essa importação e exportação de petróleo pelo Brasil precisa ser melhor aberta e entendida, não simplesmente um fato consumado.

    O artigo é bastante detalhado em relação à economia, mas não quanto à política adotada no segmento petróleo e derivados.

    Os importadores irão quebrar… ora, só existe uma operação de importação se ela for interessante economicamente; senão for fecha. Nunca haverá garantia para importação se o mercado interno for supridor com preço e qualidade adequados.

  10. Alguém aqui sabe o que o Gustavo Franco quis dizer em seu tuíte de ontem?

    Essa história de “duplo mandato” para o BCB com essa autonomia é algo bastante esquisito. Para quem não sabe, o duplo mandato envolveria o BCB atuar também para “suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego”. Isso é keynesianismo puro. Isso de “garantir o pleno emprego” existe no Federal Reserve System e mesmo lá acham isso controverso. Imaginem aqui no Brasil, com um histórico de hiperinflação e com moeda menos negociada que rublo russo e peso mexicano?

    Sobre flutuações de atividade econômica, quem justamente cria ciclos econômicos é o banco central e o sistema de reservas fracionárias. Ciclos estes que são expansões econômicas artificiais e intensas, assim como nas contrações econômicas, que é quando ocorre a correção e a liquidação de investimentos errôneos. Isso sem contar o fato de que uma economia não é algo estático.

  11. Temos que aumentar a capacidade de refino e não deixar as refinarias ociosas. A Petrobrás deveria ter uma política de preços diferente para o mercado interno, fazendo uma média ponderada, para preservar os interesses nacionais. E claro, o BC deveria fazer uma política monetária mais racional.

  12. É verdade cara, os países desenvolvidos sempre adotaram políticas monetárias mais liberais e não tinham empresas estatais quando estavam em desenvolvimento. A decadência da economia ocidental e japonesa é justamente por causa do aumento da participação do Estado na economia e as políticas do welfare state. A China só conseguiu esse desenvolvimento com a economia planificada pois o povo lá é escravizado.

  13. O que vocês acham dessa tabela mostrando o histórico do preço do botijão de gás de cozinha dos últimos 20 anos? Acho que usar o salário mínimo não é um mensurador tão bom.

    Quais conclusões podemos tirar? O salário mínimo subiu bastante nesses 20 anos, fico me perguntando sobre o quanto isso interfere na taxa de desemprego, já que a nossa moeda desvalorizou muito e o que geralmente mais pesa nas contratações no Brasil são as toneladas de encargos e regulações trabalhistas (ao contrário dos EUA, onde o salário mínimo é quem mais causa prejuízos na geração de emprego).

  14. Vocês liberais não argumentam que desvalorização cambial não ajuda exportações? Porque nosso agro e os exportadores estão batendo recorde de produção e de lucro? Eai?

  15. Pessoal, se alguém puder me ajudar. Vejo o problema do dólar, claro que é ruim porque nosso poder de compra reduziu-se. Mas por ex., e se as pessoas forem repassando estes custos pra frente, desde o produtor até chegar no consumidor, e isso sendo realimentado, não tem como a gente eventualmente recuperar o padrão de vida num futuro próximo? Pergunto isso porque nossa experiência hiperinflacionária nos anos 80-90 não fez com que nos tornássemos a Venezuela.

  16. Marionete do Nego Ney

    Pessoal, saindo do assunto deste artigo foderoso, qual é o prospecto de vocês para a liberdade e o geral para o futuro?

    Talvez pareça um tanto esquisito, mas eu me permito ter um pouco de esperança, não muito quanto ao Brasil mas no resto do mundo.

    Vejam, nos EUA Trump não perdeu por muito, na verdade ganhou na maior parte de país, porém perdeu justamente em alguns estados chave. E olhem só, é o Trump, o cara tem uma postura extremamente “anti-presidencial”, fala muita m*erda, apanha dia e noite da mídia, perdeu apoio de muitos eleitores tradicionalmente republicanos, e tinha vários de dentro do próprio partido contra ele, ainda assim ele perdeu por pouco. Se ele fosse contra o Bernie Sanders provavelmente teria sido declarado reeleito poucas horas após o início da eleição, se os republicanos lançassem um Ronald Reagan da vida como candidato, mesmo caso.

    Agora na Europa, por lá vimos vários e vários protestos contra as medidas draconianas contra a peste chinesa e suas consequências econômicas, eu confesso que fiquei impressionado com isso, sempre pensei que os Europeus fossem em sua grande maioria doutrinados e submissos, mas vejo que não é bem por aí não.

    Em suma, há muito mais pessoas antiesquerda por aí do que nos permitimos acreditar.

    A fraudemia expôs muito do viés político encravado na ciência contemporânea, mas mais do que isso, provavelmente ambos os lados vão se extremi\ar ainda mais, especialmente após as redes sociais banirem o Trump junto com vários conservadores, a coisa nas redes sociais deve estar asquerosa no momento, ainda bem que não perco mais o meu tempo com isso.

    Enfim, qual é a opinião de vocês?

    Não esqueçam de saudar o grandioso Nego Ney, viu?

  17. Pessoal, verdade que nos anos 90 a internet demorou pra avançar devido a REGULAÇÕES?

    Bem, é o que essa moça na época diz e da a entender, regulações impediam serviços:

    youtu.be/V8cnP-RtRHU

    Alguém porfavor me conta

  18. Com toda essa bagunca e temeraria gestao voces acham que o dolar ainda tem folego pra subir mais? Visto que a situacao do BC nos EUA nao eh diferente (apesar do dolar ser mto mais desejado que o real).

    Tesouro IPCA ja seria uma saida decente para se proteger dessa fatalidade de desvalorizacao?

  19. E tem gente na área de comentário do IMB que defende o milico reaça. É impressionante como ele está conseguindo ser um pior presidente que Dilma Rousseff. Eu achava impossível.

  20. *Off Topic*

    Vocês acham que parte da ultravalorização das criptomoedas é por causa da alavancagem que a farra dos juros negativos encoraja?

    Quando a farra acabar, vocês acham que a demanda por criptomoedas despencará?

  21. Profunda tristeza em ver a depreciação da nossa moeda acontecer sob a gestão do Roberto Campos Neto.

    Cada vez fico mais certo: o lobby mais forte que existe no Brasil é o da exportação.

    Vale empobrecer um país inteiro para que poucos saiam ganhando com isso.

  22. Hoje o índice de commodities (preço de uma cesta de commodities em dólares) bateu a máxima desde 2013. E o dólar está próximo das máximas em reais.

    Preparados?

    Quem disse que keynesianismo não custa caro?

  23. O engraçado é que economistas como Marcos Lisboa sabem exatamente a causa do problema (desvalorização cambial) mas não criticam a política monetária do Banco Central. Num artigo dele da folha, ele crítica o intervencionismo na Petrossauro, fala que o problema do câmbio seria resolvido com reformas econômicas que o atual governo não quer fazer. Até que ponto isso procede? Vamos imaginar que as reformas estariam andando ou sendo aprovadas. Seria possível o câmbio não ter degringolado com a atual política monetária? O Marcos Lisboa também criticou a MP da liberdade econômica. Ele disse que ela vai passar por uma série de problemas jurídicos. Ele também disse que a autonomia (no caso não é independência como ele deixou claro) do Banco Central pode ser questionada na justiça e que a função do pleno emprego pode ser utilizada para desviar o foco do banco central no controle da inflação. O que ele disse procede?

  24. na quinta feira devem liberar a impressora pra printar mais de 30 bi

    “50 reais 5 kilos de arroz vem q vem”

    escrevi isso na rede social e ganhei um monte de fãs (so que ao contrario), disseram que eu odeio pobre e aqueles adjetivos de sempre …

  25. E Argentina? Como esta? Os ricos estão fugindo? Se os ricos fugirem mas beneficiar os pobres la na Argentina, que assim seja. Agora se não, que fiquem. Ricos não são criminosos. Não vejo porque pensar o contrário

    Quem esta pior, nós ou a Argentina? O que vai acontecer com a Argentina nos próximos anos?

    Como eles tem mais grau de investimento que nós com um governo ”comunista” com vocês? Os pobres la estão melhor que aqui não estão?

  26. Mesmo com o país indo pro abismo, como é possível o BC e Paulo Guedes ainda se recusarem a ver que uma moeda desvalorizada não traz crescimento econômico? Até o Ciro Gomes é capaz de ver isso agora.

  27. meio OFF:

    Como o governo conseguiria reduzir a oferta monetária? digamos de 600 bilhões para 500 bilhões, quais os mecanismos que poderiam ser usados caso houvesse interesse nisso.

    Os mecanismos de expansão monetária já entendi razoavelmente bem, mas os de contração ainda me escapam.

    Alguém poderia me elucidar ou indicar um artigo sobre isso?

    Muito obrigado !!

  28. Só não entendi uma coisa:

    Por que o valor do real importa sendo que as importações são feitas em dólar?

    Para mim, é assim:

    A petrobras deve ter alguma reserva em dólar e, para importar, ela gasta esses dólares. O real fica de fora da conversa.

    Eu acho que está caro porque, como alguém daqui falou, o dólar está fraco (vide link abaixo) e são necessários mais dólares para importar a mesma quantidade de petróleo

    einvestidor.estadao.com.br/mercado/dolar-fraco-real-pior

  29. Pessoal, se vocês fossem o governo HOJE, o que fariam com esse excesso de oferta, mais oferta do que demanda de caminhões. O governo estuda comprar caminhões mas pedindo voluntariamente…. Eai um programa desses como fazer da maneira certa sem que retire muita oferta e faça o inverso da realidade atual (causar mais demanda do que oferta)

  30. E já começaram a surgir notícias de desabastecimento:

    http://www.moneytimes.com.br/petrobras-diz-a-distribuidoras-que-nao-atendera-100-da-demanda-de-diesel-em-marco/

    A lambança feita pelo Banco Central é inacreditável:

    1) Desvalorizou a moeda;

    2) com isso encareceu desnecessariamente a importação de combustíveis;

    3) a Petrobras não repassou todo esse encarecimento (pois, sendo estatal, é controlada por políticos);

    4) com a Petrobras vendendo a preços abaixo do custo de importação, os imperadores privados foram afastados do mercado, pois não são imbecis; ninguém paga para trabalhar.

    5) Agora já há notícias de que não haverá como atender a demanda de diesel em março.

    E teve nêgo aqui nessa seção de comentários dizendo que o fato de a Petrobras controlar preços não afeta em nada.

  31. Olhando essa entrevista de Ilan Goldfajn de 10/09/2020… ele previu que a inflação subiria, mesmo em ambiente recessivo.

    O Henrique Meirelles disse que a culpa da volatilidade dos combustíveis não é do ICMS. Por incrível que pareça, ele está certo. O ICMS é responsável pelo preço maior do combustível, não pela volatilidade. Essa criação de fundo que ele mencionou é que me deixou “com pulga atrás da orelha”.

  32. Haveria a possibilidade de algum conterrâneo responder, o que de fato é M1 e M2?

    Mesmo assistindo a vídeos que explicam como eles funcionam, eu não consigo compreender..

    O que seria o M1, M2 e M3?

  33. Coincidentemente eu havia postado há alguns dias um artigo (meu) falando exatamente o que temos aqui .. claro, não fiz a análise historica da evolução dos preços , mas comentei a essência – como o BC irresponsavelmente derrubou a Selic , tornando nossa economia negativa, espantando investidores e, por tabela, elevando o dolar . E hoje temos um caso excepcional ! inflação em um cenário recessivo ! o que demonstra claramente que é uma inflação de custos e não de demanda .. o BC terá que elevar a Selic para consertar a burrada m nas a cura vai demorar pois dolar aumenta no atacado e abaixo no varejo …e , claro, todos continuarão impunes … lamentável . Como sempre digo :

    “Não existe economia forte com moeda fraca”.

  34. Sergio Andre Pereira Santana

    Gostaria de parabenizá-los pela publicação do artigo, raras vezes vi um texto tão coerente, objetivo e didático, trazendo à luz uma explicaçao racional para o fenômeno do aumento atual dos preços do combustivel, sem partidarismos ou discussao ideologica. Excelente utilizaçao de dados tecnicos, encadeados de forma logica, sem deixar duvidas ao leitor. Arrisco-me a dizer que ate pessoas sem contato com a discussao sobre economia atual e custos lerão o texto com facilidade. Enfim, coloca-se no devido lugar o papel do Banco Central na (má) condução da economia, sem descuidar da discussao acerca da necessidade de redução do papel do Estado. Novamente, parabéns a toda a equipe por trazer à luz tão importantes esclarecimentos, necessarios a todos os interessados na melhoriabde nossa economia.

  35. Agora com autonomia do banco central vcs saberiam dizer se, mesmo que houvesse um presidente com bom senso econômico, ele poderia subir as taxas de juros e consequentemente ajudar a arrefecer a pressão do dólar? ou agora estamos refém da cabeça do presidente do bacen?

  36. Até a mídia reconhece a cagada do BACEN:

    veja.abril.com.br/blog/radar-economico/selic-a-2-nao-reduziu-custo-e-piorou-perfil-da-divida/

    O mais bizarro é o final do artigo:

    “O Banco Central, que faz trabalho louvável, diga-se, ainda precisa balancear melhor a política monetária para que os juros não estejam baixos somente no papel, mas por toda a atividade econômica do país.”

  37. Caros,

    Uma dúvida. Ao somar as Reservas Bancárias com os Meios Fiduciários não obtive o total de Depósitos à Vista. Este total só é obtido ao somar as “Reservas Físicas” duas vezes na variável Reservas Bancárias. Alguém sabe me explicar a razão?

    Reservas Bancárias + Meios Fiduciários = Depósitos em Conta Corrente. Não seria isso?

    Porém o resultado só bate quando faço:

    Reservas Bancárias + Reservas Físicas + Meios Fiduciários = Depósitos à Vista

    Por que a necessidade de somar as “Reservas Físicas” duas vezes para conta fechar?

  38. A taxa selic tem caído e se mantido em níveis baixos de forma anunciada, sem sustos, previsível e progressiva acomodando uma necessidade de combate à recessão. Obviamente tem efeitos colaterais se utilizado de forma isolada.

    Obviamente q pela lei universal de oferta e demanda quando um bem é ofertado em maiores volumes ele perde valor. Com juros selic baixos, isso ocorre com o dinheiro , que ofertado sob regimes de baixos juros fica em maior disponibilidade e assim perde valor, e a consequência imediata é o aumento dos preços de produtos, bens e serviços, como reflexo da desvalorização do poder de compra daquela moeda.

    Isto posto não se pode negar a manutenção da atividade econômica, sobretudo nos setores da base populacional, preservando empregos e níveis mínimo de rendas num período tão trágico como o que o Brasil vive desde o segundo mandato do governo Dilma.

    Me parece um tanto quanto contraproducente, depois de tanto esforço para chegar nos níveis atuais da selic, buscar corrigir os efeitos colaterais dessa política apenas voltando a aumentar a selic. A selic ideal não é um número. A selic ideal é aquela q se atrela a uma política de desenvolvimento q leva em conta outras frentes de desenvolvimento.

    Ora, se a oferta do dinheiro reduz o valor do dinheiro implicando em aumento do custo do bem, a estratégia mais sustentável nesse contexto é estimular a produção dos bens, sobretudo com redução de impostos no curto prazo, mas tbm com educação e investimentos em tecnologia a médio prazo.

    Com mais oferta de bens e produtos estes tendem a baixar de preco e assim se equilibrar como a questão da desvalorização da moeda causada pela oferta de crédito. Assim, chegaríamos a uma situação ideal onde teríamos oferta de crédito com oferta de bens e produtos, alto consumo sem inflação – q é o q um país com os altos níveis de demandas básicas e estrutuais como Brasil precisa ter.

    Controlar os preços, controlando a oferta de crédito com juros maiores, não ataca a raiz do problema que é a mitigação das altas demandas de tudo, uma vez que reduz o consumo de bens necessários à redução do péssimo nível estutural e de vida do brasileiro, só estaremos trocando baixa qualidade de vida por inflação controlada.

    Parabenizo o nobre comunista pela matéria. Mas entendo q o lugar de fala, de alguém que provavelmente ganha $$ com maiores juros influencia na leitura deste processo, que ao meu ver foi fiel no Polo que anlisou, porém parcial.

    Por fim, uma outra abordagem q deve ser dada em curtíssimo prazo na questão dos combustíveis é buscar aumentar a oferta do produto com balanços de fluxos de consumo, utilizando-se de medidas mais inteligentes q as puramente monetárias. 20% do diesel do Brasil e 10% da gasolina são utilizados em motores estacionários que poderiam ser facilmente substituídos por motores elétricos nutridos por energia solar, reduzindo a demanda por combustíveis fosseis e injetando esa sobra no sistema aumentando a oferta e baixando o preco onde se nota o maior impacto na cadeia de preços, q é no setor de transportes.

    É preciso entender o processo de forma mais holística. No meu entender.

  39. Concordo com o artigo, mas e se o BC subir os juros não vai aprofundar a recessão? Pois juros maiores vão dificultar crédito e encarecer algumas dívidas privadas atreladas a variação da SELIC.

  40. “Nos bastidores do Planalto, saída de Guedes é uma questão de tempo”

    O que acham?

    O Bolsonaro deu “carta branca” para o Guedes e a equipe fazerem a política monetária keynesiana e deu no que deu, eu realmente não entendo como que poderia haver uma divergência dentro do governo. Na política fiscal, Bolsonaro muito poderia cortar gastos, fechar agências e departamentos, entre outras coisas. Não fez porque não quis. Não houve austeridade quase (a não ser o remendo na previdência, na prática um aumento de impostos disfarçado). O trabalho mais sujo nesse aspecto foi feito no governo Temer.

    Do jeito que as coisas estão, é mais fácil o peso argentino virar uma moeda forte do que privatizarem os Correios e a Petrobras (na minha opinião, a Petrobras é mais urgente).

  41. Eu parei de acompanhar esse site, depois que passaram pano para o Flávio Bolsonaro por conta do COAF (o chamando de comunista). É impressionante como esse site e algumas pessoas nos comentários ainda não entenderam que Bolsonaro é um completo inútil. Se o que foi feito agora fosse feito na época do PT, muitos aqui estariam chateados. Acordem! Bolsonaro está afundando o Brasil!

  42. Após a queda dos empréstimos feitos pelos bancos estatais do início de 2016 até início de 2020, o crédito concedido pelos bancos estatais voltou a subir. Vem inflação aí.

  43. Quando vcs vão aceitar que o problema do dólar não são os juros, mas a falta de competitividade da economia brasileira?

    Vcs querem pagar para o dólar baixar? Sério?

    O Banco Central não pode fazer nada se o sistema tributário brasileiro é uma zona, se não existe segurança jurídica, se as leis trabalhistas são malucas…

  44. Após uma constante valorização, a lira turca deu uma capotada em relação ao dólar americano. A moeda americana encareceu algumas dezenas de centavos em poucos dias.

    É alegado que o que interferiu na desvalorização foram os dados do PIB (no qual é dito de que a economia turca foi uma das poucas do mundo que cresceu no quarto trimestre de 2020). Ora, se foi assim, então era para a lira se valorizar, não é? De qualquer forma, o presidente do banco central local já deixou claro que não deve reduzir os juros tão cedo.

    Vamos ver como ficarão os dados de inflação desse mês de fevereiro.

  45. Vi a entrevista do Paulo Guedes para o programa “Os Pingos nos Is” e eu fico impressionado com o otimismo dele com relação ao avanço das próximas reformas. Ele mencionou em uma parte que a nossa vantagem sobre a Argentina, na parte fiscal, é que lá a dívida com relação ao PIB é de quase igual à nossa, mas que os juros nominais lá são muito maiores. Depois disse de que ao longo das últimas décadas, ao mesmo tempo em que aumentaram a carga tributária, o governo aumentou os gastos.

    Em um momento, ele disse de que o auxílio-emergencial aumentou a renda e diminuiu a pobreza (começa em 1:13:58: “Foi a maior queda na miséria em 40 anos. Isso aconteceu em oito meses de auxílio-emergencial. O que quer dizer isso? Que é quando você dá dinheiro na veia do pobre, você acaba com a pobreza. Se você afastar o intermediário, a máquina pública é um intermediário colossal, bebe sem parar. É muito banco público, é muita empresa estatal, tem… tem 180 empresas estatais, 170 fundos e o dinheiro não chega no povo. Bastou dar o dinheiro na veia ali, foi a maior redução de pobreza da história do Brasil. Por quê? Porque deram dinheiro para o pobre, ao invés de ficar passeando por Brasília, depois passeando por órgãos públicos, depois passeando pelos estados, depois chegando nos municípios, quando chega lá embaixo não tem quase nada.”

    O que pensam sobre?

  46. “Racha na ANP expõe lobby de distribuidoras contra queda de preços dos combustíveis”

    “A medida em preparo permitirá que as distribuidoras de marca possam vender para qualquer posto. Hoje, elas só podem negociar com a rede da mesma bandeira.

    […]

    Grandes distribuidoras, como a BR e Raízen, além da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), se posicionaram contrariamente.”

    Bolsonaro não ficou falando em desburocratizar? Por que não fechou nenhuma agência reguladora ainda?

  47. Para o Brasil se tornar uma Argentina, bastam seis meses; chegar à situação da Venezuela, um ano. Esse é o diagnóstico do ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo ele, o cenário se concretizará na hipótese de descontrole de gastos, alta taxa de juros e falha em crédito de bancos públicos.

    mais facil jesus voltar que o brasil ter moeda forte e estavel

  48. Por que o Índice DXY voltou a subir? Agora está encostando em 92. Teria relação com a subida dos juros de longo prazo? Qual a relação disso com a força do dólar americano?

    PS: No Brasil também subiu bastante. Aqueles tempos de juros de longo prazo baixos de 2019 já foram embora.

  49. [www.otempo.com.br/economia/desvalorizacao-do-real-no-ano-supera-ate-a-da-moeda-de-mianmar-1.2456712]”Desvalorização do real no ano supera até a da moeda de Mianmar”[/link]

    No governo Dilma a nossa moeda desvalorizou em relação ao gourde haitiano. No governo Bolsonaro a nossa moeda desvalorizou em relação ao quiate birmanês.

    Que milagre, pela primeira vez vi alguém na mídia criticando os juros baixos e ainda mencionaram que é mais vantajoso ir para o México, onde os juros são maiores e os riscos menores.

  50. Excelente artigo. Venho acompanhando este e outros aqui do instituto.

    Entretanto, nenhum deles toca num problema fundamental, ou toca superficialmente, e que explica o porquê dessa desanda em relação ao Banco Central e à política cambial: a dívida.

    Sabíamos, desde o Temer, desde antes até, que pagar a dívida de mais de 4 trilhões exigiria sacrifícios.

    Vender estatais seria o caminho perfeito, matariamos dois coelhos com uma cajadada só. Mas sabemos que isso é difícil no Brasil, não por falta de vontade da equipe econômica, mas por questões legais e burocráticas.

    Então, o Guedes seguiu por uma via, talvez não a melhor, mas uma possível: reduzir os juros para impactar menos na dívida. Só o que economizamos com menos juros foi muito significativo. E o preço dessa política está aí, retratada muito bem pelo autor do artigo.

    Alguém teria uma solução melhor para a dívida? Mas uma solução real, prática, e não aquelas fantasiosas tiradas da Disney, de um mundo ideal. Uma solução que leve em conta as particularidades da política brasileira, do congresso, dos trâmites burocráticos e dos embates de força. Quem tiver, coloca aí e vamos levar para o Guedes.

  51. “País se despede de Selic a 2% após efeito limitado no custo da dívida”

    Leiam a reportagem que vale a pena. Será que o pessoal da Folha está lendo os comentários dos artigos do IMB?

    O que acham desse trecho abaixo?

    “O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já disse várias vezes que voltar para um cenário de juros altos com a dívida no patamar atual custaria caro ao país. A dívida bruta alcançou 89,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em janeiro (em dezembro de 2019, estava em 74,26%).

    Desde o início da pandemia, a dívida bruta, que segundo dados do BC alcançou 89,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em janeiro. Em dezembro de 2019, a dívida estava em 74,26% do PIB.

    Em um evento realizado em novembro do ano passado, Campos Neto alertou que a alta de juros com a dívida em patamares elevados geraria o que chamou de efeito pobreza e poderia travar o crescimento da atividade econômica, em um círculo vicioso.

    ‘A dívida nominal muito grande com taxas de juros muito baixas gera risco maior’, destacou. ‘O mundo começa a melhorar, os juros sobem e criam um efeito pobreza tão grande que cancela o crescimento antes de ele nascer. Podemos entrar em um círculo vicioso nesse sentido’, afirmou o presidente do BC.”

    Será que ele sabe que com o Meirelles na presidência do BCB, tivemos juros altos por vários anos e mesmo assim houve superávit primário?

    Destaque para o México que, sob um governo socialista, conseguiu reduzir os seus riscos fiscais no CDS.

    Vale lembrar que a economia feita no Brasil com juros foi mixuruca e não paga nem metade do orçamento do Ministério da Saúde.

    PS: Leandro, independentemente de o Lula se candidatar ou não, como visualizaria o Brasil sob ele? E sob o Ciro? Será que já dá para pedir asilo político?

  52. Pessoas da rede, o chamado Credit Default Swap seria uma espécie de seguro contra calotes em empréstimos (quanto menor o valor, menor o risco de calote)? Ele mensura apenas empréstimos concedidos por estrangeiros a governos, ou envolve mais categorias? Um país com baixo valor no CDS na prática também torna o custo de empréstimos para pessoas físicas e pessoas jurídicas menor, assim melhorando os investimentos privados?

    Curiosidade: no México o CDS está ainda baixo. O do Brasil está quase o dobro.

  53. O que voces pensam sobre o Ethereum (ETH)? Esta crescendo forte e ja eh a segunda moeda em valor. Na opiniao de voces, promete tambem? Estou investindo um pouco e acho que nao deixa de ser uma boa aposta contra os aloprados dos BCs ao redor do mundo

  54. Inflação de preços (IPCA) continua em subida. Nesse mês de fevereiro, 5,2 % no acumulado dos últimos doze meses.

    A conta das políticas keynesianas está começando a chegar no IPCA também.

    O setor alimentício continua em alta de preços: 15,01 % no acumulado dos últimos doze meses para este mês de fevereiro.

    A política keynesiana é tão destrutiva que ela é capaz de gerar inflação de preços no setor alimentício mesmo em um país que produz e exporta alimentos em massa para o mundo todo.

    Enquanto isso, na Bolívia o setor alimentício teve um índice de preços ínfimo de 0,97 %…

    Na América do Sul, devemos perder somente para Argentina, Suriname e Venezuela.

    Os keynesianos que ficaram defendendo juros negativos e TMM agora nos devem explicações sobre isso.

  55. Artista Estatizado

    meulugar.quintoandar.com.br/igpm-previa-reajuste-de-aluguel/

    Prévia do IGPM (índice muito usado para reajuste dos aluguéis, por exemplo) dos últimos 12 meses, de março, ficou em 29%. Valorização do dólar entre 22/11/2019 e 12/03/2021 foi de 31,90% (R$ 5,54/R$4,20).

    Coincidência? Parece que alguns índices de preços seguem bem de perto a desvalorização do câmbio, apenas com um certo delay entre as duas variáveis.

    Desvalorizar câmbio é bom para quem mesmo?

    Tenho um imóvel alugado, e uma coisa que pouco é discutida fora daqui é como a inflação desorganiza a economia. Um aspecto bem cotidiano, e que está me afetando, é o quanto repassar de reajuste de aluguel para um inquilino.

    Para manter o meu poder de compra, eu teria que repassar o IGPM inteiro. Entretanto, como meu inquilino não é funcionário público, perdeu rendimento em termos reais com a inflação recente.

    Sendo assim, me vejo forçado a abrir mão de reajustar o aluguel na totalidade ou a procurar outro inquilino, levando a vacância do imóvel. Meu inquilino, por outro, perderá tempo e dinheiro procurando outro imóvel.

    Imaginem o dano que isso causa em toda a cadeia de valor (em grande parte muito mais complexa que no meu exemplo) da economia?

  56. Ahahaha, Paulo Guedes nem entrar em supermercado deve, o sujeito atualmente mora lá no palácio dos políticos em Brasília, e recebe tudo de bandeja.

  57. Sinais por toda parte indicam que economia está decolando, diz Guedes

    O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que vários indicadores sinalizam que a economia brasileira está mais uma vez decolando.

    Em rápida fala à imprensa, ele citou o valor recorde de criação de vagas do emprego formal em janeiro, o indicador de atividade do BC (IBC-Br) para o mês, que veio acima do esperado, e a arrecadação de tributos federais, que, segundo o ministro, deverá ser recorde.

    “Há sinais por toda parte de que a economia brasileira está de novo decolando”, disse Guedes.

    br.investing.com/news/economy/sinais-por-toda-parte-indicam-que-economia-esta-decolando-diz-guedes-842707

  58. Por que a alta nas taxas de juros de longo prazo dos EUA estão fazendo com que o dólar americano se valorize? Eu perguntei sobre isso, eu ainda tinha algumas dúvidas sobre, mas eu perdi o meu comentário…

    A alta nos juros de longo prazo brasileiros poderia causar o mesmo efeito, ou há outras variáveis no meio, como o fato de nossos juros reais (da SELIC) estarem negativos e menores do que de países mais seguros?

  59. “Selic sobe para 2,75% e juros têm o 1º aumento em quase 6 anos”

    Só eu que fiquei um pouco surpreso? Isso é um aumento prático de 37,5 % nos juros. O aumento foi acima do esperado pelo mercado. Foi decidido por unanimidade pelo comitê.

    Eis a íntegra da decisão do COPOM.

    Lendo a íntegra, dá para perceber que eles estão um pouco mais preocupados com os preços das commodities e com a meta de inflação, podendo continuar com a elevação de juros (se eu entendi corretamente). Isso certamente irá impactar nas expectativas dos formadores de preços.

    Só que… calma, o México ainda está com juros de 4 % ao ano e está com menos risco do que aqui. Turquia está com uns dos juros reais dos maiores do mundo.

  60. Lendo o artigo e os comentarios, ainda fiquei com uma duvida. Entendi como a falta do carry trade afetou nosso cambio, a selic excessivamente baixa afetou a inflacao. O que eu não entendi direito é como a expansao da base monetaria, m1, afeta o cambio antes dos preços gerais da economia acusarem.. (pelo menos foi o que eu constatei observando o mercado)..

    Oferta e demanda basica do dinheiro?

  61. Falando dos turcos, Naci Agbal deu mais uma pancada hoje (18 de março), com 200 pontos base (2 pontos percentuais). Agora foi de 17 para 19 %, novamente surpreendendo o mercado, que esperava uma elevação de 100 pontos base. O cara é brabo mesmo. Um Paul Volcker janízaro? O seu antecessor reduziu muito os juros, agora estão tentando consertar o estrago.

    Agora, falando do Brasil… a nossa moeda até se valorizou em relação a franco suíço e euro (prestem atenção no fim [link=i.ibb.co/VpKvyFp/taxas-de-c-mbio-01-01-2019-18-03-2021.png]do gráfico[/i], após essa decisão recente do BCB.

  62. Artista Estatizado

    Estava refletindo sobre câmbio e inflação e me veio uma dúvida.

    Aparentemente, existe um certo delay entre variação do câmbio e aumento nos preços. Esse delay aparentemente gera uma oportunidade de ganho de arbitragem (um ganho imediato e sem risco, causado por precificação incorreta de ativos).

    Imaginemos o seguinte exemplo:

    – Não existem barreiras de importação para nenhum produto comercializado entre Brasil e EUA (sonho!!)

    – O câmbio é flutuante

    – 1 barril de petróleo hoje custa US$ 1,00 e R$ 1,00

    – Nesse ambiente, a taxa de câmbio deve ser US$ 1 = R$ 1, considerando o poder de compra das moedas

    Suponha agora que, depois do fechamento do mercado hoje, o governo anuncia alguma mudança que afeta o câmbio (uma mudança de surpresa na SELIC ou alguma outra mudança)

    Suponha agora que, na abertura do mercado amanhã, o câmbio salta para US$ 1,00 = R$ 2,00

    Nesse caso, supondo que o preço do barril de petróleo em dólares permaneça o mesmo, o preço do barril de petróleo em reais não deveria imediatamente saltar para R$ 2,00?

    Caso esse aumento imediato não aconteça, um trader poderia ter um lucro automático fazendo a seguinte operação:

    1 – Compre 1 barril de petróleo por R$ 1,00 (estou supondo que o câmbio mudou mas os preços em reais não subiram)

    2 – Venda esse barril por US$ 1,00

    3 – Troque esse US$ 1,00 por R$ 2,00 (a nova taxa de câmbio)

    4 – Tenha um lucro automático de R$ 1,00

    Ou seja, o delay entre mudança no câmbio e mudança nos preços parece gerar uma oportunidade de lucro automático de arbitragem. Não existe uma contradição nisso? A solução da contradição estaria no mercado de futuros? Realmente não consigo resolver o paradoxo.

  63. Agora com essa subida da SELIC (e a promessa de ate 4,5% no fim do ano) ainda vale investir em IPCA? Realmente muda alguma coisa em termos de investimentos mais conservadores?

  64. Pessoal, por que o Índice DXY chegou a esse valor estrondoso de quase 165 pontos em 1985? Além da subida dos juros feita pelo Paul Volcker e de defesa de moeda forte no governo Reagan, quais os outros fatores? Por que esse índice altíssimo durou pouco tempo e depois despencou?

    De curiosidade, esses foram os países abaixo que aumentaram os juros (em 2021), além do próprio Brasil:

    – Venezuela: 39,59 para 45,34 % (01/02/2021);

    – Tajiquistão: 10,75 para 11 % (06/02/2021);

    – Zâmbia: 8 para 8,5 % (17/02/2021);

    – Quirguistão: 5 para 5,5 % (24/02/2021);

    – Ucrânia: 6 para 6,5 % (04/03/2021);

    – Rússia: 4,25 para 4,5 % (22/03/2021);

    Falando de Brasil, nossos juros de longo prazo estão encostando em 9 %.

  65. Alguém viu a entrevista do Gustavo Franco no Roda Viva? Acho que, pelo menos no começo, os entrevistadores ficaram focando muito em pandemia e em assuntos de supostamente o Bolsonaro ser autoritário e afins, ao invés de falar sobre a política monetária do governo atual.

    O curioso é que alguns criticam o Franco por causa dos juros altos no regime atrelado. Criticar isso no cenário de hoje é fácil: na hiperinflação, os juros eram muito maiores, em alguns momentos passando dos milhares. Acabou de sair de uma moeda porcaria e uma nova moeda estava nascendo, ainda tendo de atrair confiança dos investidores estrangeiros. Querer juros baixos num país assim, só com Currency Board pelo que eu saiba (ou adotando uma moeda estrangeira de qualidade). Hoje com o regime flutuante, não precisa mais de juros tão altos. A Turquia, que é uma verdadeira zona, pratica juros que nunca chegaram a 30 %, na pior das hipóteses.

    O Equador, dolarizado, está com juros de 9,02 % (com o sucre, era comum passar de 40 % ao ano). Talvez hoje seja um dos países com maiores juros reais do mundo. O país, por sinal, continua com deflação de preços. Sabem quanto foi a inflação de preços de alimentos lá, em fevereiro? 0,1 % no acumulado dos últimos doze meses. Nesse quesito, melhores do que muitos países desenvolvidos. Enquanto aqui a gente fica insistindo em tripé macroeconômico, COPOM e afins, uma solução simples e sem gambiarras existe lá: adotar uma moeda estrangeira. Equador é um caso de país onde tudo está ruim, exceto a dolarização. Tire o dólar e o país fica pior do que a Argentina.

  66. O interessante é que o artigo saiu na sexta-feira, 19 fev 2021.

    Em 17/03/2021 – Copom eleva taxa básica de juros de 2% para 2,75% ao ano

    g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/17/copom-eleva-taxa-basica-de-juros-de-2percent-para-275percent-ao-ano.ghtml

    Em 19/03/2021 – Petrobras reduz preço da gasolina pela primeira vez no ano

    g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/19/petrobras-reduz-preco-da-gasolina.ghtml

    Em 23/03/2021 – Em ata, Copom aponta pressão sobre inflação e indica nova alta da Selic em maio

    Comitê do BC indicou que pode anunciar novo aumento de 0,75 ponto percentual na taxa de juros, que iria para 3,5% ao ano. Copom também apontou ‘incertezas’ na economia.

    g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/23/bc-ve-queda-bem-menos-profunda-da-atividade-neste-ano-seguida-por-recuperacao-rapida-e-indica-alta-do-juro.ghtml

    Em 24/03/2021 – Petrobras anuncia redução nos preços da gasolina e do diesel

    A queda no preço do diesel vem após cinco altas consecutivas este ano. Já a gasolina subiu seis vezes antes de ter o preço reduzido na semana passada. A Petrobras vai reduzir o preço da gasolina e do diesel nas refinarias a partir desta quinta-feira (25), informou a companhia. É a segunda queda no preço da gasolina este ano e a primeira do diesel.

    g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/24/petrobras-anuncia-reducao-nos-precos-da-gasolina-e-do-diesel.ghtml

    Correlação não é causalidade… porém…

  67. Cada dia mais noto que, conhecer a escola austríaca nos deixa em posição melhor do que aqueles que só acompanham a mídia tradicional e a economia mainstream.

    Sou bancário, gerente de contas Pessoa Jurídica (pequenas empresas).

    Ao longo do ano 2020, meu chefe nos incentivava a oferecer operações de emprestimo/financiamentos para os clientes com taxa de juros pós fixadas (geralmente baseadas no CDI). Ele nos incentivava a isso baseado nas previsões da SELIC no boletim Focus. Com SELIC a 2%, realmente os operações saíram baratas.

    A expectativa de juros do Copom, baseada no Boletim Focus, era subir lentamente e alcançar a 3% ao final do ano de 2021, e a inflação ainda estava na meta de 3,75%.

    Hoje, alguns meses depois, o próprio Copom subiu a Selic para 2,75% e já antecipou um novo aumento para 3,5% na próxima reunião, com expectativa dos analistas de que a taxa alcance o patamar de 4,5% ou 5% até o final do ano e IPCA dos últimos 12 meses em 5,12%.

    Lendo os artigos do IMB do ano passado – que já mostravam a evolução dos agregados monetários – pra mim estava claro que a inflação sairia da meta já no primeiro semestre de 2021 e seria necessário subir a SELIC bem mais do que as previsões do Boletim Focus à época. Por isso, eu nunca animei fazer esse tipo de operação com taxa pós fixada – baseada no CDI, visto que as parcelas iriam subir muito ao longo do financiamento com uma alta da SELIC.

  68. Algo que eu venho notando nos EUA é a falta de rally do ouro e da prata;

    Mesmo com o dolar fraco, outras commodities estão em alta, menos essa, que costuma ser proteção de inflação de preços?

    Será que não vai ter inflação de preços lá?

  69. Analisando o caso boliviano, nesse mês de janeiro de 2021:

    M1: 73.295.452.000 BOB

    Reservas internacionais: 2.144.200.00 USD

    Taxa de câmbio (01/02/2021): 6,80 bolivianos por dólar americano

    Ao longo dos anos, o M1 subiu, ao mesmo tempo em que as reservas caíram.

    Se a gente convertesse o M1 pelas reservas, a taxa de câmbio estaria em aproximados 34,18 BOB por dólar americano.

    Fiz um gráfico também incluindo a taxa de juros. Apesar de os juros lá não flutuarem, vocês não estão achando que esses juros estão baixos para um país como a Bolívia? Os juros do país estão menores do que no México, país que está mais organizado do que a Bolívia!

    Poderíamos dizer que o boliviano estaria sobrevalorizado? Até quando isso será sustentável? Não sei se um dia haverá ataques especulativos no país. No Equador já houve, quando o sucre era atrelado ao dólar americano, isso na década de 1990.

  70. “ONU alerta para possível calote do Brasil e de outros países em desenvolvimento”

    Hoje a dívida externa brasileira compõe aproximadamente a metade da dívida bruta do governo federal, correto?

    Eu nem sabia que o Equador havia dado calote na dívida externa no ano passado…

    De qualquer forma, tendo ou não esse calote (isso não aconteceu nem no governo Dilma), eu parabenizo aos keynesianos no BCB.

    Agora o dólar já passou de 93 pontos no seu Índice DXY…

  71. Dólar se valorizou mundialmente, ao mesmo tempo que o real brasileiro se valorizou em relação ao dólar americano, ou seja, o Índice DXY subiu, mas a nossa moeda ganhou valor perante o dólar. Qual foi o milagre?

  72. Leandro, tem um comentário antigo seu, falando dos Estados Unidos e o privilégio que os americanos possuem que, por eles usarem a moeda internacional de troca e de reserva, acabam sendo beneficiados também pelos credores externos que emprestam dinheiro para o governo americano, assim como o mecanismo de expansão monetária do Federal Reserve System. Se não me engano, foi algo relacionado a isso. Você se lembra desse seu comentário?

    Caso eu achar, eu aviso.

  73. A conta do keynesianismo continua se aproximando…

    Inflação de preços subindo forte… nesse mês de março, acumulado dos últimos doze meses, a inflação de preços chegou aos 6,1 %, maiores valores desde dezembro de 2016.

    O absurdo é que pelo que me parece (corrijam-me se eu estiver errado), a reunião do COPOM será só em maio! Para 2021, a centro da meta passou a ser de 3,75 %, sendo o teto de 5,25 % e o piso mínimo de 2,25 %. Não tem a mínima lógica de haver um “piso mínimo” para essa meta, como se deflação de preços fosse algo ruim… os suíços e singapurianos então devem estar na miséria…

    O México, desde 2003, tem uma meta de inflação de 3 % (1 p. p. +/-). Na Costa do Marfim é ainda menor, com uma meta de 2 % e 1 p. p. +/-.

    Cadê os keynesianos falando que imprimir dinheiro em cenário recessivo “não iria causar inflação de preços” e um monte de gente comemorando essa SELIC de 2 %, inclusive xingando o Fernando Ulrich?

  74. “Guedes fica sob 'fogo cerrado'; já há bolsa de apostas para substituí-lo”

    O Rogério Marinho certamente seria um desastre no lugar, pois ele é abertamente desenvolvimentista. O Brasil já está tendo desenvolvimentismo na política monetária, imagina na fiscal…

    O Luiz Fernando Figueiredo não conheço e não encontrei muita coisa dele de tão relevante. Ele fez parte da equipe do BCB durante o segundo mandato do FHC. Ele pelo menos sabe que o estado brasileiro é extremamente inchado e o Brasil é um dos países emergentes mais gastões (vejam essa entrevista dele). O problema é que isenções fiscais parecem incomodá-lo (como se isenção fiscal fosse ruim…). Infelizmente ele parece flertar com lockdowns. Analisando essa notícia da época de sua nomeação, onde ele disse que iria trabalhar contra a volta da famigerada inflação e vendo que o IPCA no País, de 1999 a 2002, nunca ficou abaixo de 6 % (lembrando bastante alguns anos do governo do PT, embora nessa época do FHC o dólar ainda estava mundialmente forte), fico com muitas dúvidas.

    Mansueto conheço pouco.

    Agora falando do diesel, com essa redução de mistura do biodiesel no combustível, poderia na prática ser algo benéfico, análogo a reduzir o percentual de etanol na gasolina? O que acham?

  75. “Alta dos juros pode se tornar ineficaz para controlar a inflação; entenda”

    Pessoal, quem aqui não se lembra daquela discussão de “dominância fiscal” que houve no Brasil, no começo de 2016? Pois então, voltou pelo jeito.

    O aumento dos juros não necessariamente implica no aumento do custo de manter a dívida. Durante os anos Lula, a SELIC brasileira dificilmente ficava abaixo dos 10 % a.a. e nessa época até se conseguia um superávit primário (em 2003 foi conseguido um superávit primário de 4,3 % com juros bem altos). Desde 2014, estamos sem superávit primário e, apesar disso, os juros seguem historicamente baixos. O endividamento começou a cair mesmo no governo Temer, quando a economia passou a se recuperar e ele domou os bancos estatais.

    Apesar da brutal redução da taxa de juros SELIC, o decréscimo nas despesas com os juros foi ínfimo: o gasto com juros foi de R$ 312,427 bilhões em 2020, enquanto em 2019 foi de R$ 367,282 bilhões, portanto uma economia de aproximados R$ 54,85 bilhões. Isso não paga nem metade do orçamento do Ministério da Saúde (e muito menos o que foi gasto com auxílio emergencial). Além disso, apenas uma parte dos títulos governamentais é atrelada à SELIC (em 2020, foi de 25,3 %). Ainda há os títulos atrelados ao IPCA: se a SELIC cai e o IPCA aumenta (que é o que está acontecendo agora), as despesas para pagar esses títulos aumentam, já que o IPCA subiu. Os títulos prefixados também entram nessa, sofrendo variação positiva no percentual com a expectativa futura de inflação pelos investidores.

    Leandro tinha razão. Quem quiser ver, tem também esse artigo.

  76. Alta dos juros pode se tornar ineficaz para controlar a inflação; entenda

    A alta dos juros pode ser insuficiente para controlar a inflação no Brasil. Sem corrigir os rumos das contas públicas, alguns analistas alertam que o país pode ver a política monetária perder eficácia. Ou até caminhar para um cenário pior: entrar num quadro de dominância fiscal.

    (…)

    Em um cenário de dominância fiscal, a desordem das contas públicas faz com que a alta dos juros não tenha o efeito esperado – ou seja, a crise fiscal passa a dominar a política econômica do país.

    Nesse ciclo perverso, o aumento da Selic não tem o efeito esperado sobre o controle da inflação. Em vez disso, ele eleva o endividamento do país e afugenta os investidores, diante do medo de insolvência – o que provoca a desvalorização do real e, consequentemente, contribui para o aumento dos preços, num efeito oposto ao desejado.

    (…)

    g1.globo.com/economia/noticia/2021/04/10/alta-dos-juros-pode-se-tornar-ineficaz-para-controlar-a-inflacao-entenda.ghtml

  77. Vejam que interessante [link=www.instagram.com/p/CNs9AXNhDZD/?utm_source=ig_web_copy_link]o PIB per capita dos estados brasileiros[/link]. O PIB per capita do Distrito Federal é maior que o da Grécia. Já o PIB per capita paulista, um dos maiores do País, é similar ao da Romênia, este último um país que ficou por mais de 50 anos sendo pilhado por comunistas.

  78. “BRF começa a importar milho da Argentina e Paraguai”

    Como previsto, a desvalorização cambial afetou também os preços internos do milho. Agora compensa mais comprar dos argentinos e dos paraguaios do que do mercado doméstico, que está exportando esse milho com maior intensidade.

    Bom, pelo menos estão ajudando os argentinos, afinal a vida deles tem ficado difícil com o Fernández.

    Essa outra notícia abaixo chama a atenção:

    “Dólar se mantém em alta, apesar das exportações”

    Faz sentido isso, aumentar as exportações de commodities e isso fazer o dólar desvalorizar, por sua maior oferta no Brasil?

  79. Vi algumas pessoas que sigo curtindo essa postagem do Instagram.

    Ou seja, a pessoa que gasta várias horas do dia para produzir alimentos, produz fome. Pode ser um cortador manual, ou uma pessoa operando alguma máquina, ou mesmo os investidores de títulos do setor e toda a cadeia que se beneficia do setor que alimenta as pessoas.

    Subsídios (por exemplo a obrigatoriedade de adicionar etanol à gasolina, assim como o biodiesel no óleo diesel, que vem da soja), tarifas protecionistas e desvalorização cambial, que causam carestia no setor e menor oferta no mercado doméstico, ficam sem culpa alguma. Será que eles sabem que muitos alimentos são desperdiçados justamente porque existe o risco de processo judicial em caso de alguém passar mal ao ingerir algum alimento doado?

    Vale lembrar que nunca vivemos em um mundo com tanta fartura, apesar dessas inúmeras distorções.

    E, por fim, as pessoas que impuseram lockdowns também ficam sem culpa alguma.

    Sim, commodity é comida.

  80. Pessoal, preciso da ajuda de vocês. Acho que podem me esclarecer.

    Lendo a história monetária do Japão (cujo material disponível é exatamente este), esse trecho me deixou em dúvidas:

    “During this time in Japan, one gram of gold could be exchanged approximately for five grams of silver, while in foreign countries, one gram of gold could be exchanged for approximately 15 grams of silver. As the value of gold in Japan was much lower compared to the overseas market, a large number of gold coins flowed out of the country. In 1860, the government decreased the gold fineness to one-third its previous level in the Man'en recoinange in order to adjust the gold-silver parity to that of the international level. Eventually, further outflow of gold coins overseas was prevented.”

    Aqui é o seguinte: um grama de ouro comprava cinco gramas de prata no Japão. Só que, no mercado internacional, um grama de ouro comprava quinze gramas de prata. Ou seja: o ouro estava subvalorizado e a prata sobrevalorizada no Japão. Isso incentivou a fuga de ouro do país. Então o governo recunhou a moeda de ouro, reduzindo o seu teor de ouro. Nesse contexto, como desvalorizar mais o ouro no Japão impediria a sua fuga do país, se o fato de ouro estar subvalorizado é que estava causando a sua saída para o mercado internacional?

    “To stop the outflow of gold coins from Japan, the government minted Man'en Nibu (2 bu)-kin gold coins. As the gold coins were issued in large quantity to cover fiscal deficits, this resulted in sharp inflation[…]”

    Esse trecho não entendi também. Como a emissão dessas moedas estancou a fuga de ouro?

    Nessa situação entrou a Lei de Gresham, por ter sido imposto um bimetalismo, correto?

    Foi dito no texto de que, com o ouro subvalorizado, o ouro saía do Japão e depois voltava para o país, pois assim havia um grande lucro para as pessoas do mercado de câmbio. Desvalorizar o ouro para a paridade internacional não faz sentido, já que o ouro teria que ser valorizado para chegar à paridade, e não desvalorizado.

    O que realmente aconteceu nessa situação?

  81. Leandro, você disse que, com a Reforma da Previdência de 2019, o real se fortaleceria. De fato o real se fortaleceu mundialmente, conforme comentou aqui. Então muitas coisas ocorreram.

    Levando-se em conta de que a equipe econômica do BCB parece ter se esquecido do câmbio (apesar de eles, ao mesmo tempo, falarem que estão de olho na meta de inflação), as reformas recentes feitas não provocaram nenhuma valorização do real (como a Lei do Gás). Então, na prática, somente uma reforma brutal no estilo da Nova Zelândia que poderia causar uma valorização cambial? Só consigo olhar por esse lado, além de trocar a constituição por outra mais liberal.

    Falando nisso, recentemente a Rússia elevou seus juros, em 50 pontos base (acima da expectativa, que era de 25 pontos base). Agora está em 5 % a.a. Isso provocou uma breve valorização da moeda de lá, embora eu não saiba se isso vá se manter. Engraçado que o teto da meta de inflação deles é de 4 % a.a., e aqui é de 5,25 % a.a….

  82. Postagem mostrando que o iPhone mais caro do mundo, em dólar americano, é o vendido no Brasil.

    Lembrando: todos esses países abaixo possuem uma renda média (em dólar americano) maior que a do Brasil.

    Ou seja: além de o brasileiro ter de pagar por tarifas e impostos norte-coreanos, ele é obrigado a usar uma moeda entre as que mais desvalorizam no mundo, então na prática os salários brasileiros estão encolhendo. Apenas para manter o poder de compra em dólar americano desde o nascimento do real, a renda média brasileira teria de ser acima de R$ 4 mil mensais. Para a nossa renda conseguir aumentar assim, só mesmo um pacote amplo de reformas. Como (e se) irão fazer isso, é uma boa pergunta.

    Então é isso: um chinês precisa trabalhar menos do que um brasileiro para comprar um iPhone.

  83. Olhem que interessante, as vendas de caminhões mensal atingiram uma alta nesse mês de março. Essa subida forte após o início de 2017, além de ter sido causada pela natural recuperação econômica iniciada no governo Temer, pode ser motivada pela SELIC menor nesse período? Talvez a resposta esteja nessa minha pergunta, já que uma SELIC em queda significa que o crédito está se expandindo, o que mostra que a economia está em crescimento.

    Esses são os dados dos veículos registrados até março deste ano. A dúvida é se eles incluem todos os veículos ou apenas carros.

    Analisando as exportações de veículos, o notório é que, após uma forte subida nessas exportações sob o governo Temer, houve uma desaceleração desde o início de 2018. E então estamos nessa situação até agora, descontando a forte queda no ano passado.

    Fator importante é que grande parte dos carros exportados vai para a Argentina (veículos e suas peças também, mas a distribuição é mais dispersa, indo também para mercados como o americano, o mexicano, o chileno e o peruano) e o nosso vizinho argentino tem sofrido bastante desde 2018, piorando de maneira intensa no atual governo do Fernández.

    O que pensam?

  84. Lendo essa coluna sobre o etanol combustível, fico imaginando se esse setor fosse genuinamente livre… teríamos etanol misturado com gasolina, etanol hidratado, a preços reais deflacionários, mais ou menos o que ocorre com o setor de informática.

    O medonho é que essa história de carro elétrico e híbrido pode até ser viável para países da Europa e da América do Norte, agora imagina para o Brasil, onde ter um mísero carro popular a combustão já é luxo? Isso é obviamente uma política anti-pobre. É tão lógico quanto proibir carros a combustão na Índia ou mesmo o uso de combustíveis fósseis naquele país.

  85. Enquanto em muitos países o índice de preços volta a subir, o Uruguai parece estar no caminho contrário: para esse mês de abril, caiu para 6,76 %, menor valor desde abril de 2018. Parece que agora o Lacalle inventou de colocar algumas restrições (coisa que ele não havia feito). O M1 do país continua em forte subida, enquanto o câmbio segue em apreciação, tímida, desde março de 2021 (dá para perceber que a volatilidade cambial diminuiu ao longo dos meses). Em setembro de 2020 parece que o banco central do Uruguai mudou a política monetária. Segundo o Trading Economics:

    “The Central Bank of Uruguay reintroduced on September 3rd, 2020, the monetary policy rate after seven years of trying to control inflation through changes in the money supply. The central bank had abandoned the use of a single benchmark interest rate in 2013.”

    O que será que vai mudar na prática?

    Vamos ver como o COPOM irá decidir…

  86. Aproveitando a deixa. Por que a alta de juros afeta o câmbio?

    É por que a demanda por reais aumenta, a oferta de reais diminui ? Ainda não consegui entender bem essa parte sem apelar para aquela velha teoria do fluxo de dinheiro como “entrar dolares e sair dolares”. O carry trade afetaria o nosso cambio pela teoria do poder de compra da moeda(vulgo, afetar a demanda por reais via titulos publicos), ou por que “entra dolares”?

  87. Pessoas, o que esperar do Pronampe? Pelo que parece, ele será aprovado pelo Senado e depois sancionado (a Câmara já aprovou a permanência dele). Tem alguma semelhança com algum programa de crédito do governo Dilma? Por que simplesmente não deixar as instituições privadas fazerem isso sem nada governamental envolvido?

    Com a SELIC em subida e com essa tendência, como isso vai interferir no programa? Com certeza a solução para a carestia atual não será indolor (a menos indolor envolveria a dolarização ou um Currency Board).

  88. Uma questão que me intriga bastante é com relação às tarifas do Uber. Aqui na cidade onde moro, já vi pessoas pagando apenas R$ 7 por uma corrida. Levando-se em conta de que logo o litro da gasolina passa dos R$ 6, dá para afirmar que os preços reais das corridas de Uber estão praticamente deflacionários, ou não?

    Seria bastante interessante se existisse algum gráfico mostrando o preço médio das corridas de Uber ao longo dos anos, e comparar com outros preços como os regulados, envolvendo por exemplo remédios e planos de saúde. É bastante interessante que, apesar de serem regulados pelo estado, esses preços sobem muito mais do que os preços livres.

    Se o nosso setor de combustíveis fosse desregulamentado, com certeza estaríamos sofrendo bem menos com os combustíveis em alta, mais parecido com o que está acontecendo agora com os americanos. A gasolina lá, de março de 2020 até março de 2021, subiu 22,5 % em média (fonte aqui). Aqui no Brasil, os preços médios subiram em 23,53 %, ao menos quando fui checar as notícias de época (caso estiver errado me corrijam). Só que aqui tem uma encrenca: a Petrobras ainda não repassou todos os preços, pois os preços ainda estão defasados. Por isso que privatizar a Petrobras é mais urgente do que os Correios (dos Correios ainda dá para fugir para alguns concorrentes, da Petrobras não).

  89. Banco do México (o banco central do México) decidiu manter a sua taxa de juros em 4 % nesse dia 13/05/2021. Achei até que eles fossem começar a elevar os juros, já que a inflação está começando a incomodar por lá (ficou em 6,08 % a.a. em abril desse ano). A próxima reunião prevista será somente em 24/06/2021, uma quinta-feira.

    Com isso, é possível que até alguns investidores possam migrar de lá para o Brasil, caso o BCB mantiver a sua elevação de juros ao longo dos próximos meses. Mas os juros reais lá continuam maiores, a moeda é mais sólida e as contas governamentais estão mais controladas.

    Íntegra da decisão aqui.

    Saiu também na Bloomberg.

  90. “Inflação de produtos farmacêuticos dispara em abril”

    Uma moeda doente também atrapalha a vida do doente.

    O que chama a atenção é que, em 2019, após a deflação mensal no mês de julho, os próximos meses vivenciaram um índice de preços quase nulo.

    Um dia ainda irão descobrir que a moeda também ajuda nos pobres no quesito de remédios.

    Quem quiser ver, aqui há um estudo mais completo sobre.

    Se eu pesquisei certo, esses são os índices:

    – Início do governo Bolsonaro até abril de 2021;

    – Fim do governo Dilma até fim do governo Temer;

  91. Outro país que recentemente aumentou a sua taxa de juros foi a Geórgia.

    Em seu segundo aumento nesse ano, o Sakartvelos Erovnuli Bank'i aumentou, nesse dia 28 de abril, 100 pontos base, de 8,5 para 9,5 % ao ano.

    O índice de preços no país disparou em março, quando chegou a 7,2 % ao ano, maior valor desde dezembro de 2019, quando atingiu 7 %.

    Parte dessa disparada, além do encarecimento das commodities, deve-se ao fato de que o governo georgiano extinguiu subsídios para contas domésticas (energia, água e afins).

    A meta de inflação é de 3 % ao ano e a moeda local é o lari georgiano. O país tem grau de investimento, embora a dívida do governo tenha explodido em 2020. Em 2019, o endividamento governamental estava em 41,2 % do PIB. Em 2020, ficara em 62,4 % do PIB.

    A próxima reunião está prevista para ocorrer no dia 23 de junho desse ano, um domingo.

    A íntegra da decisão pode ser vista aqui.

    PS: Não entendi essa menção deles à dolarização no país. Eles na prática estão afrouxando restrições ao uso do dólar?

  92. Queria entender o seguinte:

    Em fev/20 o petróleo estava a US 23,00 o Barril, agora está perto do 80 dólares e você faz um narrativa baseado na hipótese que o petróleo não está nos valores máximos. Esta visão não está distrocida da realidade?

    Pelo gráfico podemos ver que tivemos uma alta de quase 400% no valor do petróleo, em dólares, isto não impactaria nos preços do consumir final?

  93. O BC está sentado em cima de US$ 340 bilhões de reservas. É absolutamente incompreensível essa passividade dele.

    Ainda mais incompreensível é ele preferir disparar a Selic em vez de atuar no câmbio.

    Há vários especialistas mundiais na área de câmbio dizendo que, levando em consideração o balanço de pagamentos, os juros atuais, os preços das commodities e os termos de troca, o valor correto do câmbio é de R$ 4,50.

    Com três leilões o BC resolveria isso. Não gastaria mais do que US$ 50 bilhões (uma ninharia) e resolveria o problema da inflação sem ter de disparar juros e jogar a economia em recessão.

    Tombini foi péssimo, mas de 2012 até o fim de 2014 ele segurou a inflação no câmbio. E olha que absolutamente tudo conspirava contra: BNDES descontrolado e bancos estatais concedendo crédito a juros de 2% ao ano. Conseguiu reeleger aquela completa inapta da Dilma.

    Em 2015, ele foi seguir os conselhos do chicaguista Levy, e parou de atuar no câmbio para mexer exclusivamente nos juros. Jogou a Selic para 14,25%, arregaçou a economia e não segurou a inflação (a qual só começou a cair depois que trocou o governo).

    Espero, MUITO, que o atual BC não siga pelo mesmo caminho.

  94. Leandro,

    Simples e direto: como vc explica que de 14 a 18 o M1 tenha ficado praticamente estável e tenhamos tido inflação na casa dos 10% aquela época

    E agora, com a maior variação da história do m1 temos uma inflação projetada bem menor para 2021 de 7%.

    Aliás, deixe aqui, faça essa bondade, sua estimativa de ipca para 2021 e para 2022.

    Saudações

  95. capitalista chinês

    Vocês já viram a evolução do pib per capita no Brasil de acordo com os dados do world bank?

    O Brasil está literalmente mergulhando no concreto. A última vez que eu li a pontuação estava em $12k. Agora está chegando a $6k

    Não apenas isso, Brasil ruma para a quinta década perdida! (período em que cresce menos do que a média mundial).

  96. Onde investir 20 mil? Moro com os país posso abrir mão desse dinheiro, sem pressa e com intuito de crescer o patrimonio e ter mais reserva de emergencia.

    Prefiro renda fixa, mas uma boa variavel nao nego.

    O rendimento anual seria de quanto e qual o risco? o que me indicam?

  97. Bom dia!

    Só não vê quem não quer. A intenção desse descalabro inflacionário é diminuir a dívida pública em valor real, pois com inflação recorde a arrecadação do governo vai muito bem em valor nominal e real, bem acima da inflação. Isso sim que é calote bem dado nos investidores em renda fixa e títulos do governo e poupadores. Bom mesmo é a ironia sarcástica de Guedes no texto abaixo, dizendo tratar-se de impulso da economia.

    “Nos seis primeiros meses de 2021, a arrecadação federal soma R$ 881,996 bilhões, com alta de 24,49% acima da inflação pelo IPCA, recorde para o período. O ministro da Economia, Paulo Guedes, comentou os resultados e disse que as altas expressivas na arrecadação mostram o forte impulso da economia”

  98. Li essa matéria da QR sobre essa discussão e eles acertaram em algumas coisas, enquanto um ficou falando do tal “desmonte da Petrobras” e falando que a estatal precisa ter “preocupação social”. Nos EUA não há essa tal de “preocupação social” e as empresas “gananciosas” de petróleo oferecem uma gasolina acessível e com qualidade. É o Biden que está com essa ideia insana de cancelar novos leilões de petróleo (e que já está sendo contestado na Justiça americana), ao mesmo tempo em que ele quer que a OPEP aumente a produção de petróleo para diminuir a carestia americana.

    Nossos carros seriam mais econômicos e o combustível seria mais barato (inclusive o etanol), se o estado não interviesse tanto no setor.

  99. O Banco Central del Paraguay decidiu, nesse dia 23/05 (segunda-feira), em aumentar a sua taxa básica de juros em 25 pontos base, de 0,75 para 1 %.

    A inflação de preços no país fechou o mês de julho em 5,2 % (acumulado dos últimos doze meses), acima do centro da meta, que é de até 4 % (2 pontos percentuais para mais e para menos), embora ainda abaixo do teto da meta. Esse índice de preços foi o maior desde janeiro de 2016, quando atingira o mesmo valor.

    Apesar da alta, foi ressaltado de que a política monetária continua expansionista, contrastando com a pretensão do banco central de começar a “normalizar” a política monetária.

    Leandro, o Paraguai seria uma exceção na América Latina, ao praticar juros básicos tão baixos? Afinal não é um país desenvolvido, não tem grau de investimento e ainda sofre com certa instabilidade política e institucional. O guaraní paraguayo está em baixa histórica em relação ao dólar americano. Bom, apesar disso, o país no momento está com inflação menor até do que nos Estados Unidos…

  100. Subsídio de bebida alcoólica, essa é nova para mim.

    Por que o dólar é tão comum no Paraguai? Ele é aceito informalmente? Seria algo como “lei que não pega”? Aqui no Brasil por exemplo não há bens e serviços sendo precificados em dólares, porque não é moeda corrente aqui. É proibido, com raríssimas exceções, como coisas envolvendo consulados.

    Dando uma pesquisada sobre essa situação do guarani paraguaio, encontrei essa entrevista com um ex presidente do banco central de lá, falando de preços de commodities e afins. O motivo de o guarani ter se fortalecido nesse período de coronavírus é algo interessante de ser desvendado, afinal a economia estava em forte contração. Olhando notícias dos últimos meses, parece que o banco central de lá interveio e injetou dólares por vários meses para não deixar o guarani se desvalorizar muito. Aí mencionou a alta no preço da soja (o pequenino país é um grande exportador de soja e farelo de soja, além de milho), o que traria mais dólares para o país, fortalecendo o guarani. Agora como que se exporta exatamente energia elétrica?

    O peso mexicano também passou por algo parecido. Está menos volátil que por exemplo a moeda brasileira. A inflação lá está bem menor do que aqui.

  101. O Banco Central independente é uma vitória do Presidente Bolsonaro, sou muito grato a ele. Era uma necessidade e demanda antiga nossa, os liberais de direita, será que o autor quer novamente um BC seguindo ordem do governo eleito? Já esqueceu da Dilma?

    O combustível aumentou em todos os países livres do mundo, a causa do aumento foi a mesma do Brasil: A FRAUDEMIA DA COVID.

  102. “Brasil poderá dispensar frentistas e ter carros movidos a diesel”

    Não vai acabar os frentistas se passar essa emenda. Na década de 1990 tinha posto com frentista e com sistema de auto-serviço. Aqui deve levar algum tempo, por questões culturais também. Somos um país com mão de obra pouco intensiva, até hoje temos pessoas varrendo a rua com vassouras simples e ainda é comum existir empregadas domésticas e faxineiras em muitas famílias, enquanto nos EUA há pessoas que usam sopradores, enquanto as empregadas são para famílias ricas (e com casas enormes).

    Seria muito bom. Acho que a questão do Diesel é até mais urgente, tem que acabar com essa aberração. Podem alegar poluição, mas tem um monte de caminhão e ônibus caindo aos pedaços e soltando fumaça preta e ninguém reclama (e muitas vezes a culpa não é nem das pessoas que utilizam esses veículos velhos, já que aqui tudo é caro para comprar e manter). Os carros a Diesel europeus são extremamente limpos, mesmo porque são bastante sofisticados. Tem a encrenca dos subsídios ao combustível, que foram aumentados após a birra de sindicalistas em 2018.

  103. Vamos fazer os combustíveis baixar de preço. Simples, basta a Petrobrás vender todas as suas ações na bolsa, declarar a sua saída do mercado de ações e acabar com a paridade com os preços internacionais. Dessa forma o povo brasileiro deixará de ser refém de acionistas ansiosos por dividendos.

  104. Leandro, seus artigos de Economia são excelentes. Muito superiores a quase tudo que se publica sobre Economia em toda a mídia (cujo conteúdo geral nessa área, aliás, é de chorar). Você deveria escrever e publicar livros sobre Economia. Eu compraria. Já pensou em fazer uma compilação de seus artigos e publicar como um livro? Faria um enorme sucesso entre o público que quer entender Economia de verdade e não apenas ficar repetindo clichês e jargões vazios feito papagaios, sem entender de fato do que estão falando – que é o que a maior parte da mídia faz quando o assunto é Economia e Finanças.

  105. “Ele e o Kogos são os caras que mais entendem de economia brasileira nesse País.”

    Eu substituiria Kogos por Fernando Ulrich, mas cada um com sua opinião rsrs.

  106. Rodrigo Fernandes

    Nesse embrólio da gasolina, todos esquecem que o Brasil hoje exporta gasolina e importa os derivados (refinados) e com isso o dólar alto joga os preços para cima.

    Só que nos últimos 20 anos os governantes investiram algo de 30 bilhões na Maranhão Premium, que nada produz!

    Investiram mais de 50 bilhões na Abreu Lima, que trabalha só com 20% de sua capacidade, pois além da roubalheira gritante que ocorreu, os corruptos ainda “compraram” maquinário de refino que não serve para o petróleo enviado para lá!

    Não precisamos relembrar o escandaloso roubou de Pasadena…

    No esqueleto do COMPERJ foi gasto outros 50 bilhões para nada produzir até hoje!

    Resumo, 4 refinarias que se não tivesse ocorridos assaltos monstruosos, hoje o Brasil não exportaria petróleo cru e importaria derivados, estaria explorando e refinando a preço de Real.

    Mas vamos voltar com os antigos ladroes que agora eles vão resolver!

  107. Já que a carestia está relacionada também com a estiagem, vários meios de imprensa estão falando que a seca na região Sudeste é a pior desde 1930 (não sei se há alguma fonte falando sobre esse ano).

    Alguém sabe se é possível achar fontes dessa época? Porque analisando em coisas mainstream, normalmente já dizem de que as secas estão cada vez piores por culpa das “mudanças climáticas” e da atividade humana.

  108. Desde o aumento dos preços ninguém nunca mais cogitou aumentar os impostos ou ressuscitar a CPMF.

    Dólar alto se mostrou uma mina de ouro para o governo.

    Sendo governo qual o sentido de baixar o dólar e ainda se endividar aumentando os juros se ninguém vai protesta e continua pagando?

  109. Leandro, eu já ouvi várias vezes sobre o que você disse sobre a questão das “pancadas” nos juros como forma de combater a carestia (até merece um artigo à parte, algo como “X países que deram pancadas nos juros e diminuíram a inflação”). Além do choque nas expectativas nos investidores e consumidores que tal medida causa, como essa medida diminui a carestia?

    Olhando acima, o exemplo de 2014, houve uma queda no crescimento do M1. Ok, tudo bem. O M1 até chegou a diminuir.

    Então eu tracei algumas coisas abaixo e eu lhe peço que me corrija, caso estiver errado:

    (1) A diminuição na quantidade de dinheiro na economia faz com que esse dinheiro valha mais, afinal há menor oferta monetária (desde que não seja interferido por uma redução mais intensa na oferta de bens e serviços). Agora a questão: mesmo que a taxa de crescimento do M1 caia e, então, o M1 não caia (ou seja, ele continua crescendo, mas a um ritmo menor), é possível que isso possa impactar os preços na economia?

    (2) Analisando esse gráfico sobre o crescimento do M1. Na história do real, somente vimos crescimentos negativos durante o regime flutuante. Na pancada feita entre 2002 e 2003, o M1 caiu e depois ficou estagnado. Nesse caso, a carestia caiu apenas por causa disso e, se sim, por quê? Evidente que nesse ano o real se apreciou e a equipe econômica trouxe confiança aos agentes econômicos. Como essa confiança pode influenciar no índice de preços?

    (3) O aumento dos juros torna mais atrativo o chamado carry trade, que naturalmente atrai investidores para os países emergentes. Somente o fato de trazer um ínfimo juro real positivo já seria o bastante para tal? Entre as economias subdesenvolvidas, por enquanto a China é um dos poucos onde há juros reais positivos (claro, caso o índice de preços deles for confiável). O Equador oferece hoje juros reais de quase 9 %. A Bolívia também tem juros reais positivos, embora bem menores (o motivo disso eu não sei, afinal é um país muito conturbado). Nesses dois últimos países, a Bolívia não controla os juros, assim como o Equador (no Trading Economics eles alegam que sim, mas como que o banco central do país vai controlar os juros, já que eles não possuem uma moeda própria para eles manipular?). A Turquia talvez ofereça, mas o índice de preços oficial turco é pouco confiável e, então, bastante subestimado.

    Além disso, a taxa de juros maior torna mais atrativa a poupança (não estou falando de aplicar em poupança, e sim em poupar por si só), afinal tal aumento nos juros sinaliza uma falta de capital na economia. Como isso faz a carestia diminuir? Entendo que, com isso, com mais poupança, então haverá maior investimento, para consequentemente ter uma maior oferta de bens e serviços.

    Acho que por enquanto essas são as minhas dúvidas. Desculpe em tomar o tempo e obrigado pela atenção!

  110. Qual a opinião do IMB e dos demais leitores no médio e longo prazo a cerca do impacto das energias renováveis (solar, eólica e hidrológicas) no preço de combustíveis fósseis e por consequencia no custo de mobilidade?

    Em teoria, maior disponibilidade de meios de transporte elétricos reduziriam em boa quantidade (não sei mensurar quanto), a demanda por petróleo e por consequência a competição entre essas matrizes energéticas faria o preço de ambas caírem.

    Neste cenário, não se vê qualquer mobilização do governo a respeito de estimular a mobilidade com fontes de energia elétrica no Brasil. Frize-se que alguns países europeus ja decretaram que em 2040 não permitirão nem mais carros a combustão rodarem nas estradas.

    Até que ponto podemos pensar em lobby da petrobrás contra estímulos do goberno brasileiro à difusão de carros elétricos no Brasil?

    Em zona adjacente, recentemente o congresso deu aval a CRIAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO sobre a geração de energia elétrica por fonte solar por pequenos produtores, pasmem, num cenário de possibilidade de racionamento por escassez de água nas hidrelétricas do Brasil, desestimulando que o sistema possa ser reforçado pelo fornecimento de energia limpa produzida por consumidores que injetariam esta na rede.

    O que se pode inferir de todos este cenário de falta de ação do governo e alguns caso de ações puramente arrecadatória? Existe realmente no horizonte perspectivas de que o consumidor e cidadão possa efetivamente ter acesso a preços justos por serviços essenciais?

  111. 1) Se houver expansão monetária, mesmo que a um ritmo menor, há sim um aumento de preços, seja ele nominal ou real, dependendo do cenário apresentado.

    Você disse que poderia comprovar, poderia nos fornecer esses dados, por favor.

  112. Leandro, há anos leio seus artigos e são sempre muito bons!

    Quando é que você vai se lançar para Ministro da Economia ou Presidente do BC?

    Tem que tirar o Guedes de lá, aquele fanfarrão keynesianista, socialista, que odeia pobre e que tem a audácia de se dizer liberal — uma verdadeira lástima! Ele entende as questões econômicas na teoria, vem cheio dos discursos bonitos, mas, na prática, faz tudo ao contrário e adora um tributo.

    Sério, o Brasil precisa de um sujeito que nem você gerindo (intervindo pouco) os rumos da nossa Economia, independentemente de qual seja o governo. Você tem que “criar raízes” lá assim como o Ministro Tarcísio, da Infraestrutura, que tem um cacife que acredito ser tão bom a ponto de ser chamado por qualquer governo que queira dar certo. Você seria o Ministro Tarcísio da Economia ou o Ministro Tarcísio seria o Leandro Roque da Infraestrutura ;-). Imagine! Você poderia criar uma cultura dentro do Ministério da Economia a ponto de os servidores aconselharem novos Ministros a seguirem pelo mesmo estilo de política!

    Pessoal, bora começar a incentivar o Leandro a se meter nesses lugares!!

    Leandro, comece a aparecer mais politicamente que lhe defenderemos como ótimo candidato ao cargo.

    (Não custa sonhar! hahaha)

  113. o ponto fraco do Equador não tem interferido na moeda:

    http://www.heritage.org/index/country/ecuador

    porém direitos de propriedades fracos abrem espaco pra esquerda um dia talvez aplicar o golpe como na Argentina e Venezuela são os maiores riscos.

    já na moeda , sua saúde é alta no ranking. pode se dizer que ela que está salvando o pais dos pontos fracos esquerdistas.

  114. Vendo esse vídeo da BBC Brasil falando sobre a carestia, eles acertaram em quase tudo, mas não mencionaram (pelo menos não de maneira direta) de que a causa principal é a fraqueza do real brasileiro. Um aumento na carestia a gente veria de qualquer jeito, mas seria amenizado se a equipe econômica atual realmente defendesse uma moeda forte e, não foi o que vimos, muito pelo contrário. Desde (pelo menos) o fim de 2019 vemos sempre um ataque à valorização da moeda. E em dezembro daquele ano o IPCA já tinha passado do centro da meta.

    Com essa queda na oferta de motoristas de Uber, provavelmente os preços das corridas ficarão mais altos e muitos podem até migrar para motocicletas ou bicicletas. Isso pode ser bom talvez para os que ficarão ainda no mercado Uber, mas até que ponto esse aumento nos custos de produção irá interferir nos lucros, é uma questão importante. Talvez aumente o transporte por jegues, mas os jegues também comem commodities

  115. Em 20 anos, quantidade de gasolina que salário mínimo pode comprar aumenta 57%

    Se um consumidor quiser gastar, hoje, todo o valor de um salário mínimo em gasolina, poderá comprar 200,3 litros do combustível. Há 20 anos, se alguém tentasse a mesma coisa, a quantidade seria de 127 litros – ou seja, houve uma alta de 57% da quantidade que pode ser comprada.

    É o que aponta levantamento feito pelo InvestNews, considerado dados para meses de março da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A agência calcula o valor médio dos combustíveis por litro em diversos postos pelo país.

    Gráfico: investnews.com.br/wp-content/uploads/2021/03/20210315_litros_gasolina-2.jpg

    investnews.com.br/economia/em-20-anos-quantidade-de-gasolina-que-salario-minimo-pode-comprar-aumenta-57/

  116. No Brasil, temos uma dependência da importação de derivados (como gasolina e, principalmente, diesel) mesmo tendo refinarias. Nosso parque de refino ainda não é capaz de refinar grande parte do óleo produzido aqui (óleo pesado) e suprir a demanda interna por derivados.

    Exportamos óleo cru e importamos combustíveis e derivados. Por isso ainda estamos atrelados ao mercado internacional.

    O que Ciro e os desenvolvimentistas defendem é que seja feito investimentos na capacidade de refino da Petrobrás, para que a população não fique ao sabor da cotação internacional de Roterdã.

    Havendo investimento nas refinarias para produção nacional de gasolina e diesel, a expectativa é de que se promova o desatrelamento e a quase independência do mercado internacional.

    Esse ponto ainda não vi ningúem contra-argumentar.

  117. Com a alta da gasolina, mais brasileiros estão indo para o Paraguai abastecer.

    Lá é 10 % de imposto na gasolina, aqui é praticamente metade do preço da gasolina. Impostos pornográficos para sustentar esse estado inchado e suas dívidas intermináveis que nos atormentam o tempo todo.

  118. Pergunto: por que a iniciativa privada não se interessa pela área de refino no Brasil? Já que aqui estamos ano a ano produzindo mais petróleo no pré sal, que é leve e de alta qualidade. Caros magnatas, invistam na construção de novas refinarias. Já sei, querem comprar prontas do governo a preço de banana, igualzinho ao que acontece com as rodovias e outras infraestruturas.

  119. CARLOS GONCALVES DA SILVA

    E quando a cabeça está em uma temperatura de 100º C e o pé em uma temperatura de 0° C, então a média será de 50° C, mas essa média não é uma temperatura recomendável quando o objetivo que se quer é 26° C deduz-se que estamos bem mal em todo caso.

    Qual o caminho objetivo para resolver-se a questão dessa confusão?

    Além da política econômica temos ainda uma deficiência política gerada pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário sem que ninguém se entenda a não ser o preconceito ideológico e a deformada atitude política dos donos dos poderes nestes tempos de ressentimento.

    Quando é que iremos sair da armadilha em que a reflexão da empatia com a nação sobreponha os interesses particulares?

    Sabemos que na política não há sentimento moral apenas interesse de grupos PODEROSOS.

  120. Leandro, em relação ao seu comentário acima, permaneço com algumas dúvidas. Vamos lá…

    “Os preços passam a crescer a uma taxa menor. E a economia desacelera.”

    Isso então seria capaz de criar uma pressão anti-inflacionária, simplesmente pela queda na demanda dos agentes econômicos? Pergunto isso porque ainda há um cenário onde a SELIC aumenta e, mesmo assim, continua havendo expansão econômica, desde que as instituições financeiras continuem concedendo crédito por fatores como, por exemplo, elas acreditarem que o Brasil crescerá no futuro (acho que podemos ver isso em breve), algo que você comentou em um outro artigo. Na Europa, por exemplo, com juros nulos, não houve essa explosão nas concessões no crédito, simplesmente porque com esses juros artificialmente baixos, fica muito arriscado conceder empréstimos para qualquer pessoa. Todos os países da Zona do Euro tiveram então índices de preços até bastante baixos. Mais recentemente, os PIGS vivenciaram isso novamente nesse cenário de lockdowns.

    “O aumento da Selic gerou essa contração monetária, que por sua vez gerou uma recessão, que por sua vez ajudou a conter o aumento de preços. No entanto, houve também uma forte apreciação do real (por causa do aumento da Selic e da redução da oferta monetária). O dólar caiu de R$ 3,90 ao fim de 2002 para R$ 2,75 já em meados de 2003. Isso foi ainda mais crucial.”

    De fato a apreciação cambial é a forma mais rápida de se combater a carestia, porque é um preço instantâneo, ao passo que controlar os juros vai mexer em agregado monetário e os resultados aparecem só depois de algum tempo. Papéis flutuantes de países como o nosso se valorizam com o aumento dos juros por causa apenas do carry-trade mais atrativo e com um crescimento econômico mais robusto? Você não acha que poderíamos ter visto alguma apreciação cambial diante das tímidas reformas que o governo Bolsonaro passou, como a Lei do Ambiente de Negócios, as concessões novas e as privatizações das refinarias da Petrobras?

    Obrigado pela atenção e desculpe por tomar o seu tempo!

  121. O Rei da Trollagem

    O paradoxo desenvolvimentista:

    De acordo com a teoria estruturalista, os custos fixos para a construção de refinarias, usinas hidrelétricas, etc… seriam demasiado altos para a iniciativa privada. Caberia, portanto, ao Estado centralizar os recursos da sociedade e investir nesses setores para garantir o futuro desenvolvimento da economia.

    Entretanto, depois que foi feita a escolha pelo serviço estatal, não haverá, de fato, incentivo para um empresário privado instalar uma tal infraestrutura. Ora, o custo fixo para instalar esse tipo de empreendimento é altíssimo e, mesmo se houver um governo menos intervencionista, sempre haverá o risco de um próximo presidente “dilmar” os preços e inviabilizar economicamente o seu investimento.

    À medida que a economia cresce, porém, cresce a demanda por mais energia. São necessárias mais usinas e refinarias. E, como vaticinado pelos desenvolvimentistas, nenhum investidor privado tem interesse em entrar nesse mercado. A pergunta que fica, meus confrades, é esta: como romper com esse ciclo vicioso ?

  122. Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn foram entrevistados pelo Estadão hoje, 3 de setembro. Uma coisa interessante que o Meirelles pontuou é que ele disse que é bom o presidente do BCB evitar em comparecer a eventos de confraternização e envolvendo ministérios (será que isso incluiria fazer lives no YouTube?), pois isso traz a expectativa aos agentes econômicos de que o presidente do banco central pode dar a impressão de que ele está sujeito à política. Falou também de que o banco central sempre pode desagradar certos setores econômicos quando começa a elevar os juros (imagino que ele tenha sofrido pressão entre 2003 e 2011). Quando a entrevistadora mencionou de que o presidente do banco central é muito atuante no mundo político, deu para notar a exata mudança na expressão corporal do Meirelles (após 2:29:02).

    Novamente Meirelles falou sobre as commodities, falando que normalmente as commodities mais caras em dólar tendem a apreciar o real, de forma que isso amorteça as pressões inflacionárias. Falou também de que é desvio de assunto culpar o aumento dos combustíveis pelo ICMS (deveria ter falado da SELIC…).

  123. Marionete do Nego Ney

    Galerinha, o que vocês acham da presente greve (dá pra chamar assim já?) dos caminhoneiros? Confiar na mídia aqui em banânia é complicado mas pelo que ando lendo a adesão está aquém do esperado até agora, suspeito que a coisa vai se desintegrar daqui à pouco, igual aconteceu uns tempos atrás.

    Mas enfim, vocês consideram uma boa entrar no Bitcoin agora? Digo, mesmo se a greve não vingar o mesmo deve se valorizar nos próximos meses dado o clima de extremização política e as vindouras eleições, certo?

    Nestes tempos difíceis, jamais esqueçam de engrandecer o glorioso Nego Ney!

  124. Vejam que curioso esse tuíte do Arthur Lira, falando de que irá fazer uma comissão para questionar a alta nos preços dos combustíveis e do gás. Dá a entender que a culpa é da Petrobras. Mas não é: é culpa é do BCB.

  125. “Campos Neto diz que preços da Petrobras mudam mais rápido do que no exterior”

    Alguém sabe o que ele quis dizer?

    No mercado americano, os preços dos combustíveis nos postos até oscilam mais rápido do que no Brasil, principalmente quando o petróleo fica mais barato, já que o setor é concorrencial.

    Falando nisso, aqui no Brasil o Bolsonaro antecipou duas das medidas previstas para desburocratizar o setor, como a venda direta de etanol e flexibilização para postos bandeirados. Os preços aqui demoram para ser ajustados nos postos, inclusive o do etanol. Poderia ser como nos EUA.

    O que ajudaria seria reduzir esse teor pornográfico de etanol para a mistura com gasolina, o maior teor do mundo, melhorando a qualidade da mistura e amenizando a volatilidade dos preços, já que uma alta no etanol encarece o preço da mistura de gasolina, mesmo quando o petróleo não sobe de preço.

  126. “Quanto à MP que permite a venda de etanol diretamente para os postos, será que mais ninguém achou estranhíssimo o acidente aéreo com o irmão do CEO da Cosan, que foi a grande beneficiada por essa mudança”.

    a história tá muito mal contada.

    e como no Brasil somente 30 por cento dos crimes são solucionados, sempre teve espaço pra ataque politicoe ficar por isso mesmo.

  127. Se o real desvalorizado encarece os combustíveis (e uma serie de produtos dependentes dos combustíveis), um real valorizado reduzindo o preço dos combustíveis e de uma série de produtos importados, isso não prejudicaria a indústria nacional causando ainda mais desemprego num momento ja de altas taxas de desemprego? Em outras palavras, teríamos gasolina mais barata e uma multidão de desempregados maior q a atual sem condições de comprar pq simplesmente não tem renda para assumir esse tipo de consumo? Como resolver isso? Criando taxas contra importações de outros produtos q nao os derivados do petróleo?

    É so uma provocação aos amigos … um abraço.

  128. “”

    Os governadores perderam uma (ótima) oportunidade de colocar a culpa dessa alta na política monetária keynesiana do BCB.

    O advogado tributarista acertou quando disse sobre a concentração de mercado no setor de postos de combustíveis.

  129. Selic acaba de ser elevada para 6,25%, e BC já deixa contratado mais um aumento de 1 ponto percentual para a próxima reunião do Copom.

    Comentários?

  130. “Copom aumenta taxa Selic para 6,25%”

    Agora chegou a nossa vez…

    O Banco Central do Brasil continua a sua trajetória de subida nos juros, subindo 100 pontos base, de 5,25 para 6,25 %. Atualmente os nossos juros estão agora próximos dos 6,5 % do primeiro semestre de 2019. A subida foi feita de maneira unânime.

    No comunicado, mencionou-se o aperto monetário feito em economias emergentes, a importância das reformas estruturais para a economia, assim como os riscos fiscais que, caso persistirem, irão resultar em juros maiores.

    Para a próxima reunião, que irá ocorrer no próximo mês (26 de outubro), eles já antecipam outra elevação de juros.

    Se eu fosse eles, eu me apressaria ainda mais na elevação dos juros.

    O nosso vizinho, Paraguai, fez outra elevação de juros (ontem), elevando a sua taxa básica de juros em 50 pontos base, de 1 para 1,5 %. A intenção é normalizar a política monetária, ao mesmo tempo em que se mantém uma política expansionista.

    A inflação de preços no país fechou o mês de agosto em 5,6 % (acumulado dos últimos doze meses), dentro da meta de inflação estabelecida, que é de até 4 % (2 pontos percentuais para mais e para menos).

    O próximo encontro está previsto para o dia 21 do próximo mês. Ao contrário do Brasil, lá as reuniões sobre a taxa de juros são mensais.

    No acumulado do ano, o guarani paraguaio acumula valorização de 0,71 % ante moeda americana. A nossa moeda, por outro lado, acumulou desvalorização de – 2,24 % ante a moeda dos Estados Unidos.

  131. Artista Estatizado

    A imprensa critica simultaneamente os aumentos da SELIC e os preços subindo. A sociopatia e desinformação são a regra na sociedade.

    Não consigo medir a sorte que tive em conhecer a Escola Austríaca há 10 anos…

  132. “‘A chance de um golpe é zero’, diz Bolsonaro em entrevista a VEJA”

    A entrevista dele até que foi boa (não sei se alguém viu, mas ver o Felipe Neto achando ruim já é um bom sinal), essa parte que me chamou a atenção (e ele acertou em praticamente tudo):

    O preço da gasolina, do gás de cozinha e dos alimentos pressiona o bolso do brasileiro.

    Eu não vou tabelar ou segurar preços. Não posso tabelar o preço da gasolina, por exemplo, mas quero que o consumidor fique sabendo o preço do combustível da refinaria, o imposto federal, o transporte, a margem de lucro e o imposto estadual. Hoje toda crítica cai no meu colo. O dólar está alto, mas o que eu posso falar para o Roberto Campos (presidente do BC)? Quem decide é ele, que tem independência e um mandato. Reconheço que o custo de vida cresceu bastante aqui, além do razoável, mas vejo perspectivas de melhora para o futuro.”

    Como eu tinha falado, o Bolsonaro não relou um dedo no BCB.

    O Fed tem independência (o que é um pouco diferente de autonomia, afinal ) e nem por isso os presidentes ou os ministros deixaram de contribuir: Ronald Reagan defendia um dólar forte, assim como o seu secretário Regan (depois de ele ter saído, o DXY deu uma forte caída, embora o dólar tenha se mantido forte), Robert Rubin e Jacob Lew também defendiam um dólar forte. O Lula tentou pressionar o BCB a conter a desvalorização do dólar (provavelmente com influência do Mantega). Meirelles, todavia, já falou que um câmbio estável é benéfico para os investimentos.

  133. Apesar da política de preços do etanol ser agora mais liberal, por que os preços do álcool nos postos não oscilam como ocorre nos postos americanos, como se fosse uma espécie de mercado de commodities? A gasolina eu sei que é controlada pela Petrobras.

    Já que o álcool continua alto, o Bolsonaro poderia pelo menos dar a opção de vender gasolina com o teor mínimo permitido na legislação, para 18 %. ANP pode fazer várias coisas por meras resoluções e portarias. Podem falar de interesses corporativistas, mas o fato é o seguinte: não há uma medida “neutra” nesse quesito, afinal é a essência de um arranjo estatista. Se eu mando aumentar o teor do biodiesel ao óleo diesel, eu vou agradar aos produtores de soja e desagradar os sindicatos de caminhoneiros. Se eu mando diminuir o teor, desagrado os produtores de soja e agrado os sindicatos dos caminhoneiros.

  134. Há de se mencionar também que a nossa moeda está fraca devido à distribuição de dinheiro (auxílio emergencial) sem lastro em produção de riqueza.

    O raciocínio é simples e fácil de abstrair: se todo mundo tem um maço de notas de 100 no bolso, essa cédula torna-se abundante, logo, perderá valor.

  135. “Ministério de Minas e Energia rebate artigo de Eduardo Cunha no Poder360”

    Eu sei que é cômico refutar o artigo do Eduardo Cunha (Brasil…), mas a resposta do MME é interessante e levanta discussões.

    De fato os preços dos combustíveis são livres nos postos, mas o preço da gasolina lá na Petrobras é controlado (chamado de “preço administrado”), tanto é verdade que tem importador reclamando (de novo) de que os preços da gasolina e do Diesel estão defasados. Não é como se os combustíveis oscilassem de preço nos postos o tempo todo, como é no mercado americano.

    Eles falam de alternativas para mitigar a volatilidade dos preços no mercado nacional, como a reserva estabilizadora (não sei do que se trata), redução dos tributos federais e a mudança no cálculo do ICMS.

    Em nenhum momento, todavia, eles falam em desregulamentar o setor de petróleo e derivados (eles falaram do setor de gás natural, com o Programa Novo Mercado de Gás, o qual eu não sei se irá mudar algo nos preços do GLP, que é o que eles alegaram na resposta). Que tal facilitar a abertura, manutenção e fechamento de postos de combustíveis (não sei se isso mudou com a Lei de Liberdade Econômica e com a Lei do Ambiente de Negócios)? Fechar a ANP ou até mesmo o MME? Bom, pelo menos com o Marco Ferroviário, deveremos ver mais ferrovias transportando combustíveis (como acontece nos Estados Unidos).

    O que pensam disso?

  136. “Câmara aprova alteração no ICMS dos combustíveis”

    Parece uma medida boa, ou eu estou errado? Falta passar no Senado (se passar…). Na Câmara passou por uma ampla maioria.

    Curiosamente, vejam esse trecho (contido na notícia):

    “Essa ação é uma verdadeira cortina de fumaça. Tenho falado há meses: outros são os fatores que influenciam os preços de combustíveis, o 1º é a política econômica do governo Bolsonaro, que desvaloriza cada vez mais o Real e provoca o descontrole da inflação. O outro fator é a política da Petrobras, que tem o Estado seu maior acionista”

    Será que o Isnaldo Bulhões está lendo os seus artigos, Leandro?

  137. O Banco Central de Chile surpreendeu o mercado no dia de ontem, 13 de outubro, ao elevar os juros em 125 pontos base (o Brasil elevou 100 pontos base na última reunião), assim com a taxa básica de juros saltando de 1,5 para 2,75 % anuais.

    O índice de preços chileno acumulou 5,3 % no mês de setembro em valores anuais, acima da meta de inflação de 3 % estipulada pelo banco central.

    A próxima reunião está prevista para o dia 14 de dezembro.

    De curiosidade, gráfico juros x inflação de preços:

    – Chile;

    – Brasil;

  138. Vi hoje essa avaliação do PoderData sobre o Paulo Guedes. É claro que não é uma avaliação extremamente ampla e altamente precisa, mas fica algumas notas interessantes:

    – Grande parte das pessoas que avaliam bem o ministro possuem até ensino fundamental completo. Muitos são do Centro-Oeste, com faixa etária entre 45 e 59 anos. O setor agropecuário é uma base de apoio importante para o governo. Se a desvalorização do real torna as exportações de commodities mais atrativas, até que ponto isso é benéfico, afinal insumos como fertilizantes, máquinas e afins são importados. 80 % dos fertilizantes são importados. O setor agropecuário está se beneficiando, de certa forma, das ferrovias que serão feitas, afinal o custo logístico será muito menor e é difícil e oneroso transportar por rodovias da região. Mas a população, neste caso, também se beneficia.

    – No ensino superior predomina as pessoas que avaliam mal o Guedes. Aí pode misturar tanto os esquerdistas por motivos ideológicos quanto os que sabem dos problemas da desvalorização cambial, como a inflação de preços e corrosão do poder de compra da classe média.

    Tenho certeza que se fosse uma pesquisa sobre o Tarcísio, os números seriam bem diferentes.

  139. Pessoal, eu não sou do setor de combustíveis mas algumas coisas me chamaram a atenção.

    Para quem não sabe, existe também a opção pelo etanol como combustível no mercado americano (lá é vendida na mistura E85, não o E100 aqui do Brasil). Todavia, no estado da Flórida, a diferença de preço entre o etanol e a gasolina é quase que nula, de forma que não compensa comprar o etanol. Todavia, mais para o interior do país, a diferença já é maior. Mesmo assim, nem todos os carros conseguem rodar com essa mistura de etanol. Grande parte do etanol combustível é extraído do milho. Na Flórida eu vi alguns postos oferecendo álcool como opção, mas é meio difícil. No interior do país eu não sei.

    Aqui no Brasil, o etanol compensa mais em estados como São Paulo, onde há a maior concentração de usinas/destilarias. Em terras brasileiras, já é mais comum o uso de cana-de-açúcar como fonte para produção do álcool combustível. Todavia, em alguns estados brasileiros (senão a maior parte deles), a diferença entre álcool e gasolina nos preços é nula ou bastante baixa, compensando mais o uso de gasolina.

  140. Preço da gasolina está em alta histórica no Paraguai.

    O interessante é que, historicamente, o preço da gasolina lá pode cair tanto quando o guarani se desvaloriza ante dólar, quanto quando o guarani se valoriza ante a moeda americana.

  141. Li essa coluna sobre o preço da gasolina, e esse trecho constata aquilo que os austríacos não cansam de falar:

    “Como brasileiro não ganha em dólar e o câmbio distorce valores, pode-se também tomar como base o salário mínimo. Neste caso, houve grande variação do poder de compra da gasolina nos últimos 20 anos.

    O pior deles foi 2004, pois o salário-mínimo (SM) de R$ 206,00 permitia comprar apenas 103 litros. Em 2017 o brasileiro teve a gasolina mais barata do período: 254 litros com 1 SM.

    Hoje? Com preços subindo sem parar, R$ 1.100,00 (SM) adquirem apenas 169 litros.”

    Moeda forte é isso.

  142. Hoje o Romeu Zema anunciou que irá congelar o ICMS sobre o Diesel. Isso na prática seria a alíquota não aumentar, quando o Diesel aumentar o preço de novo?

    Não seria mais fácil ele reduzir o ICMS?

  143. investidorcauteloso

    Petrobras reajusta mais uma vez preços da gasolina e do diesel

    Litro da gasolina terá alta de 7,04% nas refinarias; diesel sobe 9,15%.

    g1.globo.com/economia/noticia/2021/10/25/petrobras-reajusta-mais-uma-vez-precos-da-gasolina-e-do-diesel.ghtml

    Surgem rumores de privatização da Petrobrás.

    http://www.infomoney.com.br/mercados/privatizacao-da-petrobras-entrou-no-radar-diz-bolsonaro/

    Se privatizassem a Petrobras acredito que o governo ia conseguir uns 100 bilhões de reais com a venda por baixo.

  144. “André Esteves, do BTG, diz ser consultado por Campos Neto sobre piso de juros”

    O curioso é essa fala:

    “‘Eu achei que a gente meio que… caiu demais os juros na pandemia, para esses 2%. Eu me lembro que… tem um conceito que chama lower bound, alguns aqui já devem ter ouvido falar, que é qual a taxa de juros mínima. E eu me lembro que o juros tava assim em uns 3,5% e o Roberto me ligou para perguntar: 'pô, André, o que você está achando disso, onde você acha que está o lower bound?'. Eu falei assim: 'olha, Roberto, eu não sei onde que está, mas eu estou vendo pelo retrovisor, porque a gente já passou por ele. A gente… acho que em algum momento a gente se achou inglês demais e levamos esse juros para 2%, o que eu acho que é um pouquinho fora de apreço. Acho que a gente não comporta ainda esse juros’, declarou o banqueiro.”

    Até ele sabia que isso era fora da realidade.

  145. Pessoas, alguém sabe como que funciona o controle da taxa de juros no Equador, já que ainda há o banco central? Apesar de dolarizado, segundo o Trading Economics:

    “In Ecuador, interest rate decisions are taken by the Central Bank of Ecuador´s Governing Council. The official interest rate is the Benchmark Lending Rate (Tasa Activa Referencial).”

    Procurei pela “Resolución N°437-2018-F” e pela lei que dolarizou o país, mas não esclareceu como é feita essa política. O site do BCE não está entrando (não sei se acontece só comigo…). Antes da dolarização, era parecido com o atual BCB, agora essa taxa básica de juros varia quase todo mês.

    De curiosidade, o padrão de crescimento do M1 no país não mudou em 2020. Então no mínimo não houve uma política pombalista extrema, como vimos em quase o mundo inteiro.

    Seria uma espécie de convênio com o Federal Reserve? Como é feito esse controle?

    Obrigado pela atenção!

  146. Pessoas, saiu a ata do COPOM hoje.

    Entre os destaques:

    – Falaram sobre os efeitos do encarecimento das commodities energéticas em dólar americano, falando que a desvalorização do real piorou a carestia (4). Agora que eles descobriram isso?

    – Os riscos sobre a mudança da EC 95 fazem com que se pense em alternativas de se elevar ainda mais os prêmios de risco. O trecho: “Esses questionamentos também elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica atribuir maior probabilidade para cenários alternativos que considerem taxas neutras de juros mais elevadas.”

    – Um grau mais contracionista na política monetária já é considerado. Ver “C) 13.” Foi avaliada a possibilidade de uma elevação maior do que de 1,5 ponto percentual (15).

    – Com os riscos maiores, considerou-se mais adequado um ciclo de aperto monetário mais intenso (17).

    – A previsão é que na próxima reunião haja uma elevação na mesma magnitude.

  147. O Sérgio Moro se filiou ao Podemos. Se esse cara for pré-candidato a presidência da república, ele precisa necessariamente fazer um governo supply-side com moeda forte. Pelo amor de Deus, se alguém desse instituto tiver proximidade com ele, vacine-o contra o vírus do câmbio flutuante imediatamente, antes que ele seja raptado pelas influências chicaguistas do MBL.

  148. “Shekel spikes to 25-year high against dollar, highlighting threat to exporters”

    O Sheqel novo israelita está em alta histórica ante o dólar.

    A taxa de câmbio de dólar americano/Sheqel novo israelita está em valores próximos aos do início de março de 1996.

    A imprensa está criticando, falando que isso vai prejudicar as exportações, alegando de que isso atrapalha pois as exportadoras recebem em dólar americano e pagam em sheqalim. Ué, mas as exportadoras também não importam bens, especialmente para um país minúsculo como Israel? O que eles falam da Argentina? Brasil?

  149. No meio de tanto caos, pelo menos uma notícia boa:

    “ANP autoriza que gasolina e etanol sejam entregues por delivery”

    Só mesmo uma carestia para forçar alguma liberalização.

    E também temos mais uma coisa, conforme diz aqui:

    – TRRs (transportadores-revendedores-retalhistas) podiam comercializar somente Diesel (isso mesmo). Agora podem comercializar gasolina C e álcool hidratado.

    Nos últimos dias, a gasolina em reais deu uma caída. Se o nosso setor de combustíveis fosse livre, já teríamos visto alguma queda, mesmo que mínima.

  150. Hoje tive de ir à Ribeirão Preto. Não sei se tem a ver com a lei passada do álcool vendido direto aos postos (não sei nem se foi sancionada), mas por lá há postos vendendo o litro de álcool por R$ 4,80, R$ 4,90 (uma das explicações é que a cidade é do lado de inúmeras usinas). Aqui em Mococa está R$ 5,30 num posto de bandeira, isso que houve uma recente queda. Em avenidas movimentadas ribeirão-pretanas eu vi o posto da mesma marca vendendo a gasolina por R$ 0,20 a menos o litro. Interessante é a briga entre grupos de interesse na aprovação da lei: uns queriam a venda de gasolina genérica (não sei como que ficou, porque parece que cada mídia fala uma coisa) e outro grupo não queria…

    Existe alguma forma para se proteger dessa alta dos combustíveis, prever tendências altistas e baixistas nos preços?

    Para finalizar, uma decisão judicial interessante e que tirou parte do poder da ANP…

  151. Aqui na cidade o preço do álcool caiu de novo (em Ribeirão Preto deve estar ainda mais em conta). No Trading View o código “ETH1!” é usado para ver o preço do álcool como referência. E o do açúcar? Qual o código? Queria tentar ver a correlação entre alta do açúcar e preço do álcool.

  152. “Comercialização de biodiesel: primeiro bimestre no novo modelo tem contratação acima da meta”

    O que pensam sobre essa alteração na comercialização do biodiesel? Parece-me que a ANP alterou o modelo, indo de leilões para esse novo tipo de compra.

    Bizarro é sabermos que a importação do biodiesel é proibida. Foi liberada para esse ano apenas. Isso sem contar que entra pouca soja. Ou seja, os produtores podem exportar soja, mas os consumidores não podem importar soja livremente. Mercantilismo puro. Sem contar a altíssima mistura obrigatória do biodiesel, a maior do mundo. Somos campeões tanto na mistura obrigatória do álcool quanto na do biodiesel. O Bolsonaro poderia negociar com esses lobbies, fazer uma desregulação que acabe beneficiando as corporações e em troca tirar subsídios delas (acho que é legal isso, né?). Vou pegar o exemplo: a venda direta do álcool é boa para os usineiros (e para o consumidor também) e nisso ele diminui esse teor absurdo de álcool na gasolina. Política é briga de interesses. Alguém achou que o Bolsonaro conseguiria alguma coisa se não fizesse acordo com o Centrão? Ele tentou isso em 2019 e todos nós sabemos no que deu.

    Tem que fazer igual em Singapura: uma cidade-estado sem nada, onde não há espaço para mercantilismo.

  153. Trader, você disse no ano passado que a gasolina ia cair o preço? Será que vai mesmo? O petróleo continua encarecendo em dólar americano. Em real brasileiro, deu uma caída, mas voltou a subir.

    Só se o real fortalecer com intensidade nesse ano, assim como uma brusca queda no preço do álcool.

  154. Juros longos americanos em mais uma alta, de quase 1,85 % (junto com DXY) e, apesar disso, o real não se desvalorizou (ou desvalorizou quase nada).

    O índice que você sugeriu, Leandro, para medir a força do real ante as moedas do mundo, seria o código “USDBRL/DXY” no Trading View, onde quanto menor o valor, mais forte está a moeda? Invertendo para “BRLUSD/DXY”, é o contrário?

    Vamos fazer uma campanha para esse índice entrar como artigo na Wikipédia e no Investopedia.

  155. Não sei se alguém assina a Revista Oeste, mas nesse artigo do Alan Ghani, ele disse mostrou a diferença das previsões da Focus de 04/01/2021 e de 24/12/21: na previsão do dia 4, eles previam um IPCA de 3,32 %, com SELIC a 3 % e câmbio a R$ 5 por dólar americano. Já no dia 24/12/21, os dados ficaram em respectivamente 10,02 %, 9,25 % e R$ 5,63.

    Com uma SELIC nesse patamar e com o IPCA tão baixo, qual o milagre? Só se nesse ínterim de 2021 o BCB funcionasse como o banco central peruano, ao mesmo tempo em que o governo federal faz uma austeridade irlandesa.

    IPCA ficaria baixo assim como, com altos R$ 5 por dólar?

    Alan pelo menos disse de que a expansão monetária com a SELIC de 2 % foi uma das causadoras da inflação, mencionando também os gargalos na produção e alta nos custos de energia e combustíveis. Os combustíveis são também influenciados pelo fenômeno monetário e no câmbio, ao passo que as tarifas de energia sofrem influência do IGP-M. Houve a seca recorde também nas hidrelétricas.

    Ele também mencionou que as reformas tais como Marco das Ferrovias, Lei do Gás e afins não devem ser desprezadas, pois elas trarão efeitos positivos no médio e longo prazo.

  156. Pessoas, achei essa postagem onde há um posto vendendo gasolina e diesel por menos de R$ 3 o litro. Não tenho a mínima ideia de como que isso funciona e nem achei alguma fonte confirmando isso.

    Pesquisando rapidamente, há o tal do programa Roda Bem Caminhoneiro. (há essa notícia também).

    Vi essa notícia que o Bolsonaro disse que vai intervir na cobrança de postos para pernoite, o que é um absurdo total, além de invasivo. Os postos já arcam com custos medonhos, imagina arcar com um custo a mais, via decreto.

  157. Com a alta mundial da nossa moeda, o petróleo conseguiu cair, mesmo com o óleo encarecendo em dólares.

    Imagina se o nosso setor de petróleo e derivados fosse livre e com impostos baixos e simples, já estaríamos vendo postos desesperados e disputando os clientes a tapas oferecendo a gasolina mais em conta.

    A gente pode ver uma pressão baixista no álcool, o que é bom para as regiões próximas às usinas (como no estado de São Paulo) e para carros que lidam bem com o combustível.

    Difícil fecharem a ANP?

  158. Postos de combustíveis em Teresina aumentam preço da gasolina comum para R$ 7,29 e alegam invasão russa

    Os teresinenses foram surpreendidos com um novo aumento do preço da gasolina nesta quinta-feira (24). Desta vez, a Petrobras não anunciou reajuste no valor do combustível, mas os donos de postos justificaram a instabilidade no mercado do petróleo devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, que começou durante a madrugada.

    O g1 percorreu alguns postos de combustíveis. O litro da gasolina que custava em média R$ 6,59 nesta quarta-feira (23) subiu para R$ 7,29.

    (…)

    O Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) informou que está consciente da situação e tomará as medidas cabíveis.

    (…)

    g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2022/02/24/postos-de-combustiveis-em-teresina-aumentam-preco-da-gasolina-comum-para-r-729-apos-invasao-russa.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1

  159. Yasmin Luiza Faoro Baron

    Não sei se vocÊs sabem, que pode ser chave disso aí, é que em 2019 entrou em vigor uma palhaçada chamada RenovaBio, que obriga as distribuidoras a comprarem creditos de carbono pra vender a gasolina. Não sei qual a proporção disso no preço, mas vale uma pesquisa.

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