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O protecionismo e o “trabalho escravo” dos chineses

“Nossos
trabalhadores e nosso mercado de trabalho têm de ser protegidos contra a
mão-de-obra escrava chinesa e seus produtos baratos!”


quantas décadas se ouve esta justificativa em prol da imposição de tarifas de
importação?

De
todas as críticas ao livre comércio, esta não apenas é a mais ignara, como
também é a menos defensável em termos puramente empíricos.  Em primeiro lugar, tal crítica pressupõe que
os governos, ao longo da história, sempre impuseram tarifas ou outras
restrições contra bens produzidos por trabalhadores escravos.  Mas o que a história nos ensina, muito pelo
contrário, é que os governos praticamente nunca impuseram tarifas ou restrições
sobre importações de bens produzidos por trabalho escravo.  Por quê? 
Porque as principais exportações de sociedades baseadas no trabalho
escravo são matérias-primas, produtos
de baixo valor agregado. 

Em
outras palavras, o argumento apresentado não bate com os fatos.  A pessoa que recorre a tal argumento nunca se
deu ao trabalho básico de analisar os fatos. 
Ela está simplesmente repetindo, por puro automatismo, um argumento que
parece bonito e moral, mas que na realidade é simplório, sem sentido e obtuso.

Permita-me
sintetizar o raciocínio que está por trás deste argumento.  Se destituirmos este argumento de toda a
indignação moral que ele finge afetar — a qual é completamente falsa –, eis as
pressuposições econômicas que sustentam a defesa de tarifas de importação:

“Sabemos que o trabalho escravo é altamente produtivo.  A livre iniciativa não é capaz de competir
com o trabalho escravo.  E impossível um
sociedade livre competir, de igual para igual, com uma sociedade de
escravos.  O planejamento central feito
por uma sociedade de escravos é simplesmente muito produtivo e eficiente demais.  Nenhum trabalhador de uma nação capitalista é
capaz de defender a si próprio e o seu emprego utilizando sua própria
produtividade econômica.  Ele necessita
de funcionários públicos nas fronteiras do país, com armas e distintivos,
fiscalizando e proibindo a importação de bens produzidos por escravos.

“Qualquer pessoa que argumente que o sistema de livre
mercado é muito produtivo e totalmente capaz de competir com o trabalho escravo
é um completo ignorante.  Tal pessoa
realmente não possui ciência da enorme produtividade do trabalho escravo.  Ela também é igualmente ignorante quanto à
patética produtividade do livre mercado.

“Sociedades baseadas no trabalho escravo são altamente
produtivas.  Se você quiser que alguém se
torne um exímio artesão, ou um produtor altamente eficiente de bens e serviços
especializados, ou um excepcional projetista de produtos de tecnologia de ponta,
não há maneira mais eficiente de fazer isso do que forçá-lo a trabalhar sob a mira
de uma arma, ameaçando matá-lo de fome caso se recuse a trabalhar
exaustivamente.

“A enorme produtividade do trabalho escravo representa uma
ameaça tão grande às pessoas de paz do resto do mundo, que é imperativo fazer
com que políticos enviem funcionários públicos com armas e distintivos para
proibir a importação de bens que foram produzidos por hordas de trabalhadores
escravos.  Se isso não for feito, os
trabalhadores pateticamente ineficientes que vivem sob um regime de capitalismo
de livre mercado verão seus salários definharem em decorrência da incomparável
produtividade do trabalho escravo.

Este
argumento soa ridículo?  É claro que
sim.  Trata-se de um implícito ataque à
eficácia das instituições do livre mercado. 
Trata-se de um implícito ataque à produtividade de trabalhadores que
hoje usufruem e se beneficiam do enorme investimento de capital que foi feito
no Ocidente ao longo dos últimos dois séculos. 
Tal argumento está simplesmente afirmando que o trabalho escravo é
produtivo e que o trabalho livre e altamente capitalizado é improdutivo.  Tão ilógico, irracional e absurdo é este
argumento, que ninguém tem a coragem de dizê-lo clara e abertamente.  A pessoa ou não entende as reais implicações
de seu argumento — que trabalhadores em sociedades livres têm de ser
protegidos contra bens produzidos por mão-de-obra escrava — ou ela realmente
acredita que sociedades escravagistas são enormemente produtivas, e que
sociedades livres simplesmente não são capazes de competir com elas.

O
argumento beira o burlesco.  Ele também é
deliberadamente enganoso.  A pessoa que
recorre a este argumento jamais fornece qualquer evidência estatística de que
os bens produzidos por trabalhadores escravos estão sendo avidamente comprados
por consumidores que vivem em sociedades livres.  A pessoa não é capaz de apontar quais
produtos são produzidos por mão-de-obra escrava.  Tampouco ela é capaz de mostrar que estes
produtos dominam uma significativa fatia do mercado em sociedades de livre
mercado.

Yugo.jpgNa
maioria dos casos, a pessoa não é nem capaz de mencionar um único produto que
tenha sido produzido por trabalho escravo e do qual alguém já tenha ouvido
falar.  Considerando-se que a Iugoslávia
era uma sociedade comunista, e que portanto se baseava no trabalho coercivo,
seu mais famoso bem produzido se transformou em uma das maiores chacotas da
história da produção automobilística: o Yugo.

Matérias-primas

Os
únicos casos de importações oriundas de sociedades escravagistas que podem ser
utilizados como exemplos de bens que penetraram os mercados ocidentais são as
matérias-primas, especialmente o petróleo. 
O valor destas exportações das sociedades escravagistas se deve quase
que inteiramente ao valor econômico imputado pelos consumidores ocidentais a
estas matérias-primas.  O componente
mão-de-obra destas exportações é insignificante.  Trabalhadores coagidos são capazes de extrair
minerais e outras matérias-primas da terra. 
Trata-se de um trabalho rudimentar e não sofisticado.  A produção destas indústrias extrativas que
utilizam trabalho escravo seria muito maior caso os planejadores permitissem o
capitalismo de livre mercado; porém, o alto valor das matérias-prima
contrabalança o baixo valor e a baixa qualidade da mão-de-obra utilizada para
extraí-las.

Raramente
ouvimos falar de alguma sociedade que tenha imposto tarifas ou outras
restrições sobre a importação de minerais industriais ou de matérias-primas.
(As tarifas americanas sobre o açúcar são uma horrenda exceção).  Nunca ouvimos falar de restrições sobre a
importação de petróleo estrangeiro. 
Portanto, o argumento de que os trabalhadores ocidentais têm de ser
protegidos contra o trabalho escravo estrangeiro é um fato negado pela
explícita e desimpedida importação de minerais e de outras matérias-primas, os
quais são utilizados por trabalhadores destes países importadores para produzir
bens valiosos.  Estes trabalhadores se
tornam os beneficiários das matérias-primas e do petróleo importados.  Logo, o único possível exemplo da veracidade deste
clichê protecionista nunca é de fato confirmado na prática.

Quando
você voltar a ouvir este argumento, peça para o protecionista citar quais são
as cinco nações que compõem o grosso do comércio internacional de seu
país.  Primeiro, ele não terá ideia de
quais são as cinco nações que majoritariamente comercializam com seu país.  Segundo, assim que você mostrar a ele quais
são estas cinco nações, peça a ele para identificar qual destas nações depende
do trabalho escravo para produzir os bens e serviços que ela exporta.  Tão logo ele vir a lista, ele ficará
engasgado e não encontrará uma resposta. 
As nações que detêm um grande volume de comércio internacional
(exportação e importação) são aquelas que comercializam com outras nações que
possuem livre mobilidade de mão-de-obra, mercados de capitais bastante
desenvolvidos, sofisticadas instituições de pesquisa, e uma alta produtividade decorrente
do uso intensivo de capital.  Nenhuma
destas características é encontrada em uma sociedade que faz uso de trabalho
escravo.

Em
suma, o argumento é ilógico e absurdo tanto em termos de teoria econômica
quanto em termos de fatos empíricos. 
Nenhuma nação que utiliza trabalho escravo encontra mercados no Ocidente
para seus produtos manufaturados.  Seus
produtos são vagabundos e fajutos demais para penetrar de maneira significativa
nos mercados do Ocidente.

A China

Quase
sempre, o defensor de tarifas sobre a importação de bens produzidos por
trabalho escravo irá utilizar o exemplo da China.  Este certamente é um dos argumentos mais
ignaros e parvos da história do pensamento econômico.

Durante
o período em que a China estava sob o domínio do camarada Mao, o
país praticamente não fazia parte do comércio internacional.  O país não tinha produtos capazes de encontrar
mercados no Ocidente.  Os chineses mal
conseguiam se alimentar.  Em algumas
épocas, eles de fato não se alimentavam. 
O país não tinha nada de valor para exportar.  Não tinha reservas internacionais.  Não tinha algo que nem remotamente se assemelhasse
a uma produção industrial em larga escala. 
Era uma nação à beira do quarto mundo. 
A única coisa que o país conseguia produzir em larga escala era
armamento.  Ele não exportava nada para o
Ocidente.

Hoje,
após um grande período de sucessivas
liberalizações econômicas
, a China se tornou um grande concorrente nos
mercados ocidentais.  Seus trabalhadores
podem se mover e se mudar para onde quiserem. 
Estamos testemunhando a maior migração da história da humanidade, da
pobreza rural para a vida urbana de classe média.  Centenas de milhões de pessoas saíram da zona
rural e se mudaram para as grandes cidades. 
Isto não é trabalho escravo; isto é trabalho livre. 

Não
há restrições governamentais à movimentação dos trabalhadores.  Eles têm liberdade de decidir para onde
querem ir e onde querem trabalhar.  Há
muito poucas leis e restrições governamentais sobre a contratação destes
trabalhadores.  Não há praticamente
nenhum sistema de seguridade social imposto pelo estado.  O mercado de trabalho chinês é amplamente
mais livre do que os mercados de trabalho do Ocidente, que são repletos de leis
trabalhistas, de regulamentações, de onerosos encargos sociais e trabalhistas e
de sindicatos que gozam do explícito apoio dos governos — o que significa que
eles não apenas têm o direito legal de conclamar greves e interromper o
funcionamento dos meios de produção das empresas, sem que os donos nada possam
fazer, como também podem determinar quais empregados podem e quais não podem
ser contratados pelas empresas.  Apenas
os trabalhadores sindicalizados podem.

Alie
tudo isso a uma crescente carga tributária, e você terá os motivos por que as
indústrias ocidentais estão tendo tantas dificuldades para concorrer com os
trabalhadores chineses.

Os
trabalhadores chineses são livres para trocar de emprego, e os empregadores
chineses podem legalmente contratar quem eles quiserem.  Sob estas condições, os trabalhadores do
Ocidente estão mais próximos da escravidão do que os trabalhadores chineses.  Na Europa, por exemplo,
os trabalhadores que não são sindicalizados acabam sendo, na prática, forçados
a procurar apenas aqueles empregos menos desejados, pois os sindicatos, por
gozarem do apoio de seus governos, conseguem restringir o mercado de trabalho
apenas para seus membros, deixando de fora os não sindicalizados.  Os sindicatos utilizam o governo para enviar
burocratas com armas e distintivos às empresas com o intuito de proibir os empregadores
de contratar trabalhadores não sindicalizados. 
Isto não é livre mercado; isto é um mercado manipulado pelo estado.

Portanto,
da próxima vez que você ouvir alguém argumentando que os trabalhadores do seu
país têm de ser protegidos contra bens estrangeiros produzidos por trabalho
escravo, mostre a ele que o motivo de os trabalhadores ocidentais quererem
proteção é porque eles é que são a mão-de-obra escrava.  Eles sentem que está cada vez mais difícil
competir com trabalhadores que vivem em uma nação que honra os princípios da
livre mobilidade de mão-de-obra e dos contratos voluntários entre empregados e
empregadores. 

A
China é uma concorrente feroz e ardorosa não porque é uma sociedade que possui
trabalho escravo, mas sim porque está concorrendo com trabalhadores que vivem
em um regime cujos mercados de trabalho são amplamente controlados por seus
governos.

 

Leia
também:

Descubra se você é um
protecionista mercantilista
 

A filosofia da miséria e o
novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro
 

Os empregos e as
importações
 

A terceira revolução
industrial

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66 comentários em “O protecionismo e o “trabalho escravo” dos chineses”

  1. É fácil prever que os estatistas não vão aceitar os argumentos do prof. North. Vão insistir no argumento da escravidão usando o exemplo chinês. Vão dizer que o trabalhador chinês não tem o “direito” a greve, férias, décimo, indenização, licença saúde, maternidade etc etc etc. Como eles não possuem nenhum desses “direitos” consagrados pelo ocidente, eles estão sendo “enganados” e servindo como mão de obra “escrava”.

  2. “Seus trabalhadores podem se mover e se mudar para onde quiserem.”

    Não é verdade, existem restrições para a migração dentro da China. Hoje em dia é preciso de autorização. O volume enorme de pessoas deixando a área rural fez o governo tomar essa posição.

  3. Vejam como o governo brasileiro quer controlar o mercado de trabalho. Leiam á noticia :Mantega não vai aceitar demissões na GM
    Ministro da Fazenda disse que "não vai tolerar o descumprimento do acordo de não demissão nos setores beneficiados pela redução do IPI"

    Uma empresa multinacional quer demitir trabalhadores que não necessita mais( Será que a empresa é obrigada a continuar gastando muito dinheiro com empregados sem serventia ?),por ser inviável a produção de mais veiculos. Aí um manda-chuva do governo diz que não vai aceitar essas demissões.

    O meu medo é que como essa noticia está sendo visto pelo mundo todo. As empresas do mundo todo receiem de investir e contratar trabalhadores no Brasil.

    Vai que certa hora que precisem despedir esses trabalhadores por não necessitarem mais deles. Aí ! Aparece um manda-chuva do Governo dizendo furioso: QUE NÂO VAI ACEITAR DEMISSÔES !

    Tem muita gente apoiando o Governo neste caso. Mas ! Para mim esse Mantega só está garantindo o emprego na “marra” de uma classe privilegiada de trabalhadores como os metalúrgicos,o próprio Lula foi metalurgico.
    No entanto os trabalhadores mais simples vão se lascar ,pois uma enorme desconfiança e temor de contratar trabalhadores no Brasil foi criada.

    Pegunto ao Leandro será que estou certo em meus temores ?

  4. É como eu estava discutindo esses dias, se a China tivesse diversos encargos trabalhistas, diversas leis como salario minimo, jornada de trabalho e etc, o que iria acontecer é muito simples. Desemprego em massa desses chineses.
    O Chines que hoje pode se alimentar e comprar algum bem não poderia nem mais fazer isso. Resultado disso seria uma grande miséria.

    O grande problema é que as pessoas comparam as coisas de maneira completamente errada. Comparam a vida de um americano(que apesar de todos os entraves do governo é uma boa vida devido a quantidade de capital nesse pais) com a vida de um Chines. Você não pode querer que o chines tenha exatamente o mesmo padrão de vida do americano da noite pro dia, pois sao paises completamente diferentes. Temos que comparar o padrão de vida do chines HOJE, com o do chines antes dessa grande revolução capitalista.

    É como dizem se a vida no campo fosse melhor que a vida nas fabricas os chineses simplesmente nao estariam na fabrica mas continuariam no campo.

  5. Olá, tenho uma dúvida quanto ao livre mercado e aos salários atuantes no mesmo.
    È o seguinte, até onde eu sei, apesar da mão-de-obra-livre que ocorre na China, a baixa remuneração por hora trabalhada, mesmo na produção de manufaturas é algo predominante naquele país, o que também ajuda a baratear os custos. Se o mundo vivesse numa concorrência perfeita, sem intervenção do governo, nao ocorreria um ” leilão ” entre os empregadores em uma economia onde houvesse um certo desemprego ( apesar deste ser muito baixo no livre comércio)na tentativa de garantir uma vaga de emprego? Desemprego esse ( talvez) sustentado pelos próprios empresário para garantir um barateamento da mão-de-obra?

  6. Mas eu não consigo entender até onde esse consumismo vai…até onde pode chegar com ou sem livre mercado…O que vamos fazer com esses 3 fatores;

    Obsolescência Programada: é aquela onde o fabricante, bem sacana, desenvolve um produto para que quebre depois de um certo tempo de uso. Exemplos já comprovados: impressoras e lâmpadas (veja o documentário ao final do post).

    Obsolescência Percebida: essa tem como maior culpada a Propaganda. Pois, nesse caso, sentimos a necessidade de comprar um novo produto, mesmo que o nosso produto atual atenda a todas as nossas necessidades fundamentais. Esse é o caso dos smartphones onde o fabricantes inovam muito pouco e fazem barulho na mídia reinventando a roda.

    Obsolescência Funcional: essa aqui pode ser legítima ou induzida. Ou seja, é legítima quando uma tecnologia é descoberta e você decide por comprar um produto mais moderno. E julgo induzida para o caso dos computadores que avançam de forma que as peças novas não sejam compatíveis com as antigas e você tenha sempre que comprar um computador novo.

  7. Obsolescência Programada: é aquela onde o fabricante, bem sacana, desenvolve um produto para que quebre depois de um certo tempo de uso. Exemplos já comprovados: impressoras e lâmpadas (veja o documentário ao final do post).

    Isso é lenda urbana. Não existe obsolescência programada. O que de fato ocorre é a redução média da vida útil de determinado bens, mas isso tem explicação racional. Primeiro é a busca do fabricante em reduzir custos e massificar as vendas, sem este processo, bens de alto valor agregado ficariam restritos às famílias mais abastardas da sociedade. O segundo ponto é a concorrência, não é muito inteligente se investir no desenvolvimento de um bem de alta durabilidade se dentro do seu prazo de validade, os concorrentes lançarem produtos mais sofisticados que terminarão por fazer com que o fabricante perca seus clientes. Exemplo; porque a 10 anos atrás uma empresa de eletro-eletrônicos investiria em televisores de tubo de imagem com durabilidade de 10, 15 ou 20 anos se hoje ninguém mais compra esse tipo de televisor?? O fabricante que fizesse essa opção já teria falido!

    Obsolescência Percebida: essa tem como maior culpada a Propaganda. Pois, nesse caso, sentimos a necessidade de comprar um novo produto, mesmo que o nosso produto atual atenda a todas as nossas necessidades fundamentais. Esse é o caso dos smartphones onde o fabricantes inovam muito pouco e fazem barulho na mídia reinventando a roda.

    E daí cara? A propaganda não coage você e nem ninguém a nada e tem uma um problema desgraçado em sua afirmação. Nenhuma empresa no mundo, ao lançar um novo produto, vai induzir o cliente a abandonar o antigo, isso porque a substituição ocorre de forma progressiva e ela precisa pulverizar todos os estoques do produto antigo antes de massificar o novo, fora que enquanto a economia de escala em produzir e vender um bem defasado for alta, o fabricante continuará vendendo e anunciando o produto defasado mesmo que o novo já esteja sendo comercializado. Eu nunca vi a Apple fazendo propaganda onde induz os donos de Iphone 1, 2 e 3 a jogá-los fora para comprar a quarta versão. Enquanto o rendimento de escala das versões antigas for lucrativa, eles vão continuar anunciando e vendendo alegremente os produtos mais antigos, até porque leva tempo para o fabricante viabilizar a redução de custos na produção dos produtos mais novos, de forma que a priori eles ainda custam caro e ficam restrito as categorias mais altas da sociedade.

    Obsolescência Funcional: essa aqui pode ser legítima ou induzida. Ou seja, é legítima quando uma tecnologia é descoberta e você decide por comprar um produto mais moderno. E julgo induzida para o caso dos computadores que avançam de forma que as peças novas não sejam compatíveis com as antigas e você tenha sempre que comprar um computador novo.

    Cara, é raro uma empresa fabricar vários itens diferentes que se configuram como bens complementares, na sociedade atual, os fabricantes se especializam e produzir componentes distintos. Então, não é tão simples assim desenvolver produtos que se encaixam em outros, é preciso que diferentes fabricantes e fornecedores negociem uma eventual padronização que seja economicamente rentável a todos os envolvidos. Se um pente de memória RAM DDR 4 Encaixa em uma placa-mãe, é porque o fabricante da memória negociou com o fabricante da placa e com o fabricante dos slot’s, a padronização destes componentes. Não há nada de deliberadamente maldoso para com os consumidores aqui, mas tal fenômeno existe e é das raras vezes que ocorre, é por artimanha do estado, que obriga várias empresas a aderirem a um determinado padrão, para atender as necessidades de alguma empresa de empresário lobista que subornou parlamentares para fazer isso. Um exemplo disso foi a mudança do padrão nas tomadas brasileiras, impostas pelo estado e sem nenhuma justificativa plausível, algo que beneficiou alguns grupos empresariais seletos.

    Conclusão: Você parece ter copiado algum texto dos malucos do Zeitgeist.

  8. Tem alguns pontos no texto que não fazem sentido na nossa realidade (Brasil).\r
    \r
    "Porque as principais exportações de sociedades baseadas no trabalho escravo são matérias-primas, produtos de baixo valor agregado. "\r
    \r
    Normalmente esse discurso é usado no Brasil para produtos industrializados e agrícolas. Como o Brasil é um grande exportador de commodities, normalmente a concorrência nessa área nunca foi um grande problema. Ouço o argumento da mão de obra escrava justamente nos produtos industrializados, para proteger "nossos trabalhadores".\r
    \r
    \r
    \r
    "Raramente ouvimos falar de alguma sociedade que tenha imposto tarifas ou outras restrições sobre a importação de minerais industriais ou de matérias-primas".\r
    \r
    Pelo contexto, ele está citando commodities, mas são justamente essas as restrições que o Brasil mais luta contra na OMC. Barreiras contra o suco de laranja são outros exemplos, além dos notórios subsídios agrícolas muito presentes nos EUA e Europa.\r
    \r
    \r
    \r
    "Não há restrições governamentais à movimentação dos trabalhadores. Eles têm liberdade de decidir para onde querem ir e onde querem trabalhar. Há muito poucas leis e restrições governamentais sobre a contratação destes trabalhadores. Não há praticamente nenhum sistema de seguridade social imposto pelo estado."\r
    \r
    Não conheço muito a realidade da China, mas estou longe de considerá-la um modelo de livre comércio. Lembro de ter ouvido sobre um alto controle sobre migração e não devemos esquecer que falamos de um país oficialmente comunista. Não duvido que o governo por lá se alie a empresários para explorar a camada pobre da sociedade agindo como bem queira. Fico com a impressão de agirmos com uma certa ingenuidade ao atribuirmos essas "qualidades" ao modelo chinês. Eles não podem decidir por conta própria nem quantos filhos vão ter.\r
    \r
    A China permitiu que grandes empresas começassem a se estabelecer por lá, tem um histórico de poucas exigências trabalhistas e consegue manter um custo de mão de obra baixo, mas isso não faz de ninguém um liberal. \r
    \r
    \r
    Não estou defendendo mecanismos de proteção contra produtos chineses, principalmente mantidos pelo Estado. Só também defendo que a gente tome cuidado ao tratar o crescimento chinês como um milagre do livre mercado pois não é bem essa a verdade. A realidade é muito complexa e a China é uma das maiores ditaduras do planeta, se não for a maior.\r
    \r
    \r
    Abraços,\r
    Juliano

  9. Obsolescência Percebida: Ao meu ver o que é difícil nessa é que você será tratado com chacotas caso apareça por aí com, por exemplo, um celular que é visivelmente antigo mas que atenda suas necessidades. Algumas pessoas tentam se auto-afirmar (seja lá o que isso signifique) com a posse desses itens modernos (mesmo que apenas na aparência). As empresas tentam incentivar isso, pois é lucrativo para elas. Entretanto isso só funciona porque os consumidores assim o desejam. Infelizmente, para você, a situação não tem solução. Você precisa aguentar a “humilhação” e preservar seu dinheiro ao não adquirir um bem que seria inútil para você ou ceder e comprar o bem e parar com a chacotas. Mesmo argumento vale para “carro do ano”, dentre outros. A tal “ditadura dos consumidores” se revela novamente nessa situação, mas não existe uma forma não-ditatorial de impedir isso.
    Argumentos semelhantes podem ser elaborados em relação as outras obsolescências. Elas existem porque os consumidores as apoiam. O fato de você desejar algo que quase ninguém deseja acaba acaba sendo ruim para você? Sim, mas o mercado é isso aí.

  10. Leandro,

    Uma questão!

    Sobre a moeda chinesa (altamente protecionista e artificial pelo seu baixo valor). É justo fazer mercado livre nestas condições?

    A minha maior dúvida sobre a China é essa.

    Abraço

  11. Alexander Jarosch

    Entro em contato direto com diversos fornecedores chineses. Eles trabalham das 9:00 às 18:00 com 1 hora de almoço. Essa idéia de que lá tem trabalho escravo é ultrapassada e uma tremenda desculpa esfarrapada.

  12. Camarada Friedman

    Existe alguma democracia que liberalizou a economia tanto quanto os chineses ? Perto dos chineses eu só consigo por o nome de outras ditaduras: Vietnã, Chile…

  13. Camarada Friedman

    É exatamente esse meu ponto. Eu andei dando uma pesquisada aqui e no mises.org e só encontrei duas liberações(leves) pela via democrática Inglaterra e Nova Zelândia.

    Isso é desesperador… O que fazer ?

  14. kkkkkkkkkk 1 exemplo , um TORNEIRO CNC nos EUA chega a ganhar 4 mil dólares por més , o mesmo Torneiro CNC na CHINA ganha 300 dólares por mês, como se abre o mercado totalmente dos EUA para a CHINA, seria a falência dos EUA na hora.
    O serviço SEMI-Escravo na China se refere aos míseros salários pagos na china para o POVO Trabalhador.

  15. resistir.info/brasil/benayon_16jul12.html

    Por Adriano Benayon [*]

    1. A desindustrialização do Brasil ($Real) não tem sido explicada adequadamente, sequer pelos economistas menos vinculados à ideologia das corporações transnacionais.

    2. Em entrevista à BBC (13/07/2012), Gabriel Palma, professor da Universidade de Cambridge, Inglaterra, lembrou que, em 1980, a produção industrial no Brasil superava a do conjunto formado por China, Índia, Coreia do Sul, Malásia e Tailândia e que, em 2010, já não representava senão 10% do total produzido nesses países.

    A emissão de moeda para subsidiar a indústria.
    A inflação foi absorvida pela alta nos preços dos produtos.
    O fim da inflação leva o fim da indústria.

    A emissão de crédito para subsidiar a indústria.
    O crédito será absorvido pela alta nos preços
    O fim do crédito leva o fim da indústria

  16. Significado de Escravo

    adj. e s.m. Que ou quem está sob o poder absoluto de um senhor que o aprisionou ou o comprou.
    Que ou quem está na dependência de outro.
    Que ou quem é presa de um sentimento, de um princípio: escravo do dever.

    Alguém tem duvida que a mao de obra chinesa é totalmente escrava?
    Um povo que nao tem direito a buscar conhecimento nao é escravo?
    Um povo que nao pode ter Google senão aprende demais e começa a pensar nao é escravo?

    É tão obvio a estratégia da China e ninguém faz nada?

  17. É verdade que os EUA dos founding fathers era protecionista? Me falaram que vários livros de introdução à economia dizem isso, inclusive o Mankiw

  18. Leandro, não foi justamente durante o período de 1870 a 1900 que os EUA vivenciaram seu período de industrialização, maior crescimento econômico e mais próximo do livre-mercado pleno? Os trechos abaixo me deixaram com algumas dúvidas, já que não poderiam ser usados por protecionistas para afirmar que a industrialização americana se deu por meio desse protecionismo?

    “Em 1860, o Congresso aprovou a Morrill Tariff, que elevou enormemente as tarifas sobre importações para proteger as indústrias do norte bem como seus altos salários, prejudicando severamente os estados do sul, que agora tinham de arcar com os altos custos de importação, mas que não tinham como repassar estes altos custos para seus preços, pois vendiam três quartos da sua produção para o mercado mundial. Vestuário, equipamentos agrícolas, maquinários e vários outros itens ficaram extremamente caros de se obter. O sul queria livre comércio porque também era a única maneira de exportar sua produção. ”

    “Com a vitória do norte, tarifas protecionistas foram implantadas (que vigoraram até o ano de 1900, caindo a partir dali).

    Como consequência dessa imposição tarifária e da destruição do livre comércio, o sul empobreceu (e, até hoje, é mais pobre do que o norte).

    Tarifas fizeram exatamente o que prometiam: protegeram (de 1865 a 1900) aquelas indústrias do nordeste americano que já estavam estabelecidas, e empobreceram o resto do país. E, de quebra, mataram 600.000 civis em uma guerra. ”

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