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Por que os carros de hoje são todos iguais

Aquele
carro antigo, que havia sido especialmente alugado para a ocasião, esperava
pelos noivos para levá-los a uma festa logo após a cerimônia do casamento.  Eu estava entre aqueles convidados que se
mostravam mais embevecidos pelo carro do que pela festa de casamento em si.  Absolutamente maravilhoso.

Era
um Studebaker.  Até onde sei, era um
conversível da linha Commander,
de 1940.  Tive de ir pesquisar: esta
empresa nasceu em 1852 e morreu em 1967, e produziu alguns dos carros mais
visualmente fantásticos de sua época. 
Ela até chegou a produzir um carro elétrico em 1902!  Mas os controles de preços adotados pelo governo
americano durante a Segunda Guerra Mundial encolheram suas margens de lucro, o
que gerou um processo de fusão em toda a indústria automotiva, que acabaria por
matar a empresa. 

Mas,
naquele sábado à tarde, o carro ainda estava fabuloso, após todos esses
anos.  Estávamos em um estacionamento a
céu aberto repleto de automóveis modelos novos. 
Mas ninguém dava a mínima para eles. 
Estávamos todos obcecados com este velho Studebaker.  Seu nome havia sido escolhido corretamente:
aquele automóvel despertava atenção.  O
formato fazia dele uma obra de arte.  O
capô não era nada parecido com o que existe hoje.  O interior de couro vermelho era extremamente
luxuoso.

Ficamos
lá extasiados, em total admiração. 
Divagamos um pouco sobre como seria o consumo de combustível.  Não deveria ser muito maior do que o dos
gigantescos utilitários atuais.  Ainda
assim, concordamos que pagar mais para dirigir algo tão legal valeria a pena.

Studebaker Custom Convertible OC.jpg
Studebaker Commander Convertible

No
entanto — e eis todo o problema –, isso não é uma opção.  Nenhum fabricante está autorizado a fazer um
carro igual a esse.  Façamos um pequeno
retrospecto e pensemos um pouco.  Na
década de 1930, os telefones eram horrorosos, pesados e nada práticos, e você
era um grande sortudo se tivesse um. 
Ninguém hoje abriria mão de um smartphone em troca de uma daquelas
coisas antigas.  O mesmo é válido para
computadores, televisões, fogões, fornos microondas, sapatos etc.  Ninguém quer retroceder no tempo. 


com os carros, a situação é distinta.  Nossa
sensação de nostalgia só faz aumentar, em vez de diminuir.  Mas o problema é que nem sequer temos a opção
de voltar ao passado.  Não mais teremos
carros bonitos como os de antigamente.  O
governo e suas dezenas de milhares de regulamentações específicas para o setor
automotivo não permitem.    

No
dia anterior ao casamento, estava eu em uma loja de conveniência quando vejo
outro carro fabuloso, desta vez um pequeno modelo esportivo.  Mesmo eu que não ligo muito para carros
fiquei extasiado. Normalmente, não me importo muito com o modelo de carro que
dirijo.  Mas aquele carro em específico
era sensacional demais para não despertar a minha admiração.

Perguntei
ao proprietário onde ele havia comprado, que modelo era, quem era o fabricante
etc.  Aquele carro havia desafiado a
minha impressão de que todos os carros atuais são iguais.  Ele me disse que ele próprio o havia construído
em sua garagem.  Ele comprou todo o kit
de montagem na Factory
Five Racing
.

Perguntei:
“Você hoje tem de montar seu próprio carro porque nenhum fabricante pode vender
algo assim?”

“Correto!”,
disse ele.

Estas
empresas que se especializaram em vender componentes automotivos avulsos são
uma forma fantástica de você conseguir respirar em uma era em que o controle
governamental sobre o mundo físico é total. 
Elas são uma maneira legal de driblar as imposições estatais.  A lei ainda permite que colecionadores,
proprietários de carros antigos e praticantes de hobby possam dirigir estes
belos carros.  Mas ela não permite que os
fabricantes atuais comercializem carros que se pareçam com estes.

Aquele
antigo ditado diz que “Se você quer algo bem feito, faça você mesmo.”  Há apenas um problema com este ditado: em uma
economia desenvolvida, ele não deveria ser válido.  Deveríamos poder tirar vantagem da divisão do
trabalho.  Assim como não temos de tecer
nossas próprias roupas, não deveríamos ter de construir por conta própria
nossos carros.  Mas foi justamente a este
caminho que as regulações estatais nos levaram.

Você por acaso já parou para pensar por que todos os
fabricantes constroem carros visualmente sensacionais — os quais elas chamam
de “carros-conceito” –, mas por algum motivo tais carros nunca estão à
venda?  Sempre fiquei intrigado em
relação a isso.  Imaginava que era simplesmente
porque os carros-conceito eram caros demais para serem fabricados.  Mas não é por isso.  A questão é que as regulamentações estatais
não permitem que eles sejam comercializados.

As
coisas não aconteceram todas de uma só vez. 
As proibições foram graduais e ocorreram ao longo de quatro décadas,
sempre em nome da segurança e do ambientalismo. 
Tudo começou nos EUA, em 1966, com a criação da National
Highway Traffic Safety Administration
[agência
governamental que faz parte do Departamento de Transportes, cuja missão é
“proteger vidas, impedir danos, e reduzir acidentes automotivos”
].  Depois surgiu Environmental
Protection Agency
[agência governamental encarregada de “proteger a saúde
humana e o ambiente”].  Inevitavelmente,
dezenas de outras agências surgiram depois. 
Todas queriam se apossar de uma fatia do automóvel.

A
princípio, cada regulamentação criada parecia fazer algum sentido.  Afinal, quem não quer estar mais seguro?  Quem não quer consumir menos combustível?

Mas
a realidade é que todos esses decretos são impostos sem a mais mínima
consideração quanto à realidade dos custos e benefícios.  Mais ainda: eles são criados sem qualquer
consideração em relação ao seu impacto sobre o design de um carro.  E, uma vez que as regulamentações são
impostas, elas jamais são revogadas. 
Elas são mais definitivas do que as normas sobre uma peça de software
patenteada.

Agora
o fim do jogo já chegou.  Por mais que
tentem, os próprios fabricantes passam aperto para tentar diferenciar seus
carros dos de seus concorrentes.  A
homogeneização do automóvel já está banalizada. 
Todos os carros atuais são parecidos. 
Como já disse, nunca fui muito entusiasta de carros e, exatamente por
isso, só comecei a notar esse fenômeno nos últimos 12 meses.  E, ainda assim, pensei que estava apenas
imaginando coisas.  Porém, algumas
pessoas brincando com o Photoshop
descobriram que, se você apenas trocar a grade frontal dos carros, é possível fazer uma BMW ficar igual a uma Kia e um
Hyundai ficar idêntico a um Honda.  É
tudo um só carro.

Realmente,
tem de ter uma explicação para isso.  Fui
procurar e descobri um vídeo feito pela CNET que enumera cinco motivos para os
carros de hoje serem iguais: decretos para que a frente do carro seja mais alta
para proteger pedestres, decretos que limitam a altura do carro para economizar
combustível e uma traseira grande que contrabalance a frente grande.  Essa combinação fez com que tanto o
pára-brisa quanto todas as janelas dos carros se tornassem irritantemente pequenas,
o que afeta a visibilidade e acaba tornando os carros menos seguros para serem dirigidos. 
Adicionalmente, o peitoril das janelas ficou mais alto, o que dá a
claustrofóbica sensação de se estar dentro de um tanque.  Em outras palavras, uma histeria em relação à
segurança e ao ambiente destruiu toda a estética dos carros.

Pouco
importa que segurança e ecologia criem resultados contraditórios.  Quanto menor o consumo de combustível, mais
leve e delicado tem de ser o carro e maior é a probabilidade de você morrer em
um acidente.  As regulamentações que
especificam um consumo máximo de combustível certamente já mataram muitas
pessoas.  Similarmente, como princípio
geral, quanto mais seguro for o carro, mais combustível ele irá consumir.  Enquanto isso, a própria gasolina vem sendo
arruinada em decorrência de todas as misturas etílicas que o governo determina
que devem ser acrescentadas, o que reduz a vida útil do motor.

Estas
regulamentações são as responsáveis pelo desaparecimento da perua e pelo
subsequente domínio do mercado por veículos enormes que podem ser classificados
como caminhonetes, os quais são regulados por um padrão distinto.  É isso mesmo: regulamentações criadas para
reduzir o consumo de combustível geraram o efeito exatamente oposto ao
estimular as pessoas a abandonar os carros e ir para os utilitários — que era
exatamente o que os grandes fabricantes queriam.  Não é de se estranhar que as críticas mais
contundentes às regulamentações que estipulam valores máximos para consumo de
combustível não sejam feitas pela indústria automotiva, mas sim pelos usuários.

É
verdade que ninguém tinha a intenção de acabar com a diversidade, a
funcionalidade e a beleza dos carros. 
Mas isso foi exatamente o que aconteceu. 
E é isso o que acontece sempre que as elites políticas e burocráticas
impõem sobre os cidadãos o seu próprio sistema de valores, desconsiderando
totalmente os valores subjetivos dos produtores e dos consumidores.  Eles são os mestres e nós somos os escravos,
e cabe a nós aceitarmos nosso fardo resignadamente.

Considere
a questão a respeito dos pedestres. 
Quantas vidas realmente já foram salvas por uma frente mais
elevada?  Ninguém sabe.  Mas a própria regulamentação parece excluir a
possibilidade de que motoristas e pedestres possam resolver seus problemas por
conta própria, sem uma intervenção regulatória. 
Em outras palavras, estamos sendo tratados como crianças.  Aliás, pior ainda.  Estamos sendo tratados como se simplesmente
não possuíssemos cérebro.

120412_lft3.pngA
situação é muito séria.  Trinta anos
atrás, os futuristas imaginavam que os carros do futuro seriam belos e
estonteantes, e dariam imenso prazer ao serem dirigidos.  Considere, por exemplo, este Triumph, que era
tido como o “carro do futuro”.  Este
futuro foi totalmente destruído.  Os
reguladores o transformaram no carro do passado, um sonho frustrado que teve de
morrer para abrir espaço para estas coisas esquisitas e homogeneizadas que
temos a permissão de comprar atualmente.  Até mesmo os belos faróis retráteis foram proibidos.

Houve
uma época em que os ocidentais se orgulhavam de seus carros e zombavam
implacavelmente os carros horríveis que eram produzidos sob um sistema
socialista, como, por exemplo, na Alemanha Oriental.  O Trabant já entrou para a
história como um dos piores carros já produzidos.  Porém, analisando em retrospecto, o fato é que você não
apenas conseguia ver algo através das janelas, como também a intenção ao menos
parecia ser a de colocar os interesses do motorista acima dos interesses da Mãe
Natureza e dos não-motoristas.  Parece
que os planejadores centrais socialistas tinham um pouco mais de bom senso do
que os burocratas reguladores da atualidade.

No
final, se o objetivo é proteger os pedestres e a Terra, então o transporte
coletivo e as bicicletas são o futuro.  E
todos nós sabemos que é exatamente isso que eles querem.  Ano passado, por exemplo, o governo Obama —
e é dos EUA que saem todas essas regulamentações idiotas — anunciou novos
padrões de consumo de combustível a serem obedecidos até 2025, padrões estes
aos quais nenhum carro atual movido exclusivamente a gasolina é capaz de se
enquadrar.  Tais padrões irão elevar
acentuadamente o preço dos carros e forçar a criação de um mundo em que os carros
são todos elétricos ou híbridos recarregados na tomada.  (Quem quiser ler todos os arrepiantes
detalhes, veja
aqui
.)

Todos
nós corretamente condenamos pacotes de socorro destinados a bancos e empresas,
bem como arranjos corporativistas que mesclam interesses privados com
interesses do governo.  Também condenamos
veementemente todo e qualquer tipo de auxílio estatal a empresas falidas.  Porém, eis aqui uma verdade: se os barões da
indústria automotiva e os sindicatos que as dominam não possuíssem conexões
políticas, a abolição do automóvel provavelmente já seria um fato
consumado.  Por enquanto, o automóvel
ainda é permitido.  Mas os governos não
permitem que ele se desenvolva, que ele assuma o formato que os consumidores
desejam e que ele funcione como um verdadeiro bem econômico.

O
automóvel foi a base da segunda revolução industrial.  Burocratas usurpadores estão retirando o
automóvel do nosso futuro.  Houve uma
época em que sonhávamos com carros voadores. 
Os reguladores de hoje conseguiram a façanha de nos fazer sonhar apenas
com a volta dos dias gloriosos de décadas passadas.  Isso é simplesmente patético.

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66 comentários em “Por que os carros de hoje são todos iguais”

  1. O autor comete erros neste artigo. Por exemplo:

    “Pouco importa que segurança e ecologia criem resultados contraditórios. Quanto menor o consumo de combustível, mais leve e delicado tem de ser o carro e maior é a probabilidade de você morrer em um acidente.”

    Isso simplesmente não é verdade. Os carros, hoje, são menos leves, proporcionalmente ao tamanho, do que eram na década de 50, por exemplo. As regulamentações estatais obrigaram as fábricas, nos países da OCDE, a utilizarem aço de alta resistência, que é mais pesado – mas tem a vantagem de ser muito mais seguro em caso de acidentes. As regulamentações também obrigaram as fábricas a utilizarem esquemas de deformação programada, que também torna o carro mais seguro em caso de colisão, porém não eleva o peso.

    No caso das regulamentações em caso de colisões contra pedestres, atropelamentos, eu discordo do autor em relação ao seu juízo. Bem, elas não existem em todos os países. Nos EUA, elas são extremamente brandas; na maioria dos países da Europa, são muito rígidas. Isso não é ruim: os carros tão apreciados pelo autor, das décadas de 50 e 60, eram verdadeiras armadilhas para os pedestres, com seus pára-choques protuberantes. Hoje, temos carros como o novo Volvo V40, com airbags para pedestres.

  2. Errado.

    O real motivo é a mera maximização dos lucros da burguesia através da mais-valia retirada da exploração do trabalho repetitivo. Os produtos tendem a sempre auferir valor intrínseco máximo da padronização das circunstâncias de produção na reprodução capitalista. Assim vislumbrado pela lógica capitalista da posse privada dos meios de produção.

    Por tal motivo, é imprescindível que ocorra a abolição imediata do ciclo capitalista de produção e do sistema de classes. Assim, surgirão carros diferenciados, vide os modelos únicos da Iugoslávia socialista, o carrinho de mão e os veículos populares brasileiros.

  3. Realmente as tendências automobilísticas são frustrantes, mas não são só as automobilísticas, não? A mediocridade está no comando, é a “segurança” primeiro e todo o resto depois. Bancos não podem falir, carros não podem correr, burros não podem reprovar…

    Acho que isso se deve ao fato de os esquerdistas ditarem o espectro do “debate”: ou você é 1) a favor das regulações e do igualitarismo, ou 2) irresponsável, elitista, nazista, assassino, imperialista etc. etc.

  4. Nunca havia pensado nesse tema dessa forma. Achava que os carros ficavam cada vez mais parecidos por causa da aerodinâmica (oque também faz sentido), mas não havia parado pra pensar que as regulações sobre segurança, meio ambiente, etc., empurravam a industria nessa direção.

    Outra coisa que vem me atormentando é esse negócio de carro elétrico. Claro que um carro que emite menos poluente é bom, mas não consigo compreender porque todo mundo faz festa em torno disso. Esse dias atrás vi um gráfico com a matriz energética do Brasil (2006) e se não me engano 80% da energia produzida aqui é com queima de combustível. Ora, qual a grande vantagem? Afinal se o carro não queimar o combustível não terá uma usina queimando pra produzir energia pro mesmo? Não consigo perceber o beneficio que tanto falam. Além disso com o carro deixando de produzir a energia que ele utilizava pra se movimentar, “alguém” terá que produzir, oque teoricamente faz com que tenha que ser construídas mais usinas devido ao aumento no consumo elétrico. Afinal, qual a grande vantagem?

  5. Excelente artigo! Há muito tempo tenho refletido sobre as razões para a involução dos automóveis. Acho que o autor foi especialmente feliz ao lembrar que em relação a outras tecnologias, o passado não causa inveja (o que é natural, dentro do conceito de evolução), ao contrário do que acontece em relação aos automóveis.

    A única ressalva que faria é que o artigo se concentrou mais no lado estético dos veículos, dando, talvez, um pouco menos de importância a falta de inovação tecnológica nos automóveis como um todo. É ridículo o número de mortes por acidentes de trânsito anualmente e a falta de alternativas de combustíveis e me parece inegável que a causa principal deste fenômeno é a ingerência estatal no setor. No Brasil, então, é lamentável o protecionismo,o poder ilimitado dos sindicatos e o incentivo à produção destes veículos 1.0 que são verdadeiras máquinas de moer. E, pior, produção no Brasil, de forma a garantir ao consumidor brasileiro a pior relação custo-benefício do mundo…

  6. Francisco, apenas corrigindo, no Brasil a matriz energética é uns 80% hidráulica.

    Num primeiro olhar, até faz sentido sua afirmação de que é indiferente você queimar combustível para produzir energia elétrica e depois utilizar no automóvel elétrico, ou queimar o combustível diretamente no automóvel. Entretanto, uma usina termelétrica é muito mais eficiente do que um carro na queima do combustível, por isso há uma ganho de eficiência nesse processo.

  7. (parênteses)
    Hoje carros são mais leves sim.

    A prova? Bate num Del Rey e bate num Clio pra ver qual ficará mais destruído. Aliás, as carrocerias precisam amassar mais mesmo, como proteção (absorvem mais o impacto, chegando menos aos passageiros). E para amassar mais, precisam ser menos rígidas e, portanto, menos densas. Deve haver regulamentação sobre isso, também.
    (fecha parênteses)

    O ARTIGO é interessante, sim.

    Realmente um ponto interessante de ser refletido e estudado. Mas eu achei ele com um foco muito abrangente. Ele aborda a questão dos modelos e as consequencias das regulações, porém, não fica claro aonde ele quis chegar, porque começa a se perder na questão das intenções das indústrias, especulando que “era o que as indústrias queriam”.

    Depois, fala que ainda bem que existe lobby, porque pelo menos sobreviveram (as indústrias automobilísticas). E por fim, não conseguiu desenvolver o porquê é ruim carro elétrico!

    Tá, mas ele não estava criticando a homogeneização dos veículos por causa da regulações? E o que tem a ver aquele carro socialista?

    Na boa, artigo interessante, mas com rumo perdido!

  8. Olá amigos do IMB,

    Eu estava lendo na revista carta capital, um post do digníssimo Paul Krugman, reclamando que, se todos cortassem gastos e poupassem, ninguém iria comprar os produtos a venda.Poderiam me fornecer uma resposta lógica e direta para refutar essa falácia baseada no “enriquecimento a partir do fluxo de capital”?
    E se possível um argumento prático e direto de entender e convencer, que a teoria da mais valia é uma falácia ainda pior?rs

    Serei muito grato.

  9. pensador de esquerda

    Ford pintava os carros só na cor preta. Aliás, pra que pintar mesmo? Deveriam ser todos sem tinta, assim agredia menos a mãe natureza com substância tóxicas.

  10. Engenheiro Anti-Cartórios

    Hahahaha, excelente artigo!! (desculpem as risadas de feissibúqui, é que não consigo expressar de outra forma em texto…).
    Além de todo o peso e custo adicional decorrente das regulações idiotas, tem uma coisa que me perturba: serei eu o único a sofrer do problema de dar cabeçada naquelas malditas colunas dianteiras grossas e inclinadas para trás de todo carro atual??? Tenho estatura baixa (por volta de 1,68 m) e preciso regular o banco para a frente, e com isso tenho que ter todo cuidado na hora de entrar e sair, para não perder os meus adereços cranianos frontais ao me movimentar de modo um pouco intempestivo!! Que saudades do velho Milleco, e da velha e boa Elba 1.6, com seu pára-brisa a quase 45 graus, e sua interseção alta com o teto… eu conseguia entrar e sair dele sem qualquer receio… Agora – além da coreografia para entrar e sair do meu “poderoso” 2012, tenho que ficar mexendo a cabeça pros lados para saber se vou atropelar alguma coluna na garagem… Por favor, comentem pra me tirar esse trauma de pensar que sou o único que precisa de capacete?!?!?!
    Abraços austro-libertários a todos os autores e leitores do IMB.

  11. Emerson Luis, um Psicologo

    Já existem protótipos de carros voadores há anos, mas eles não são produzidos em parte por limitações tecnológicas e em parte por causa das regulamentações.

    Com respeito à uniformidade dos carros atuais, existem diversos fatores atuando. As regulamentações governamentais com certeza influenciam muito, conforme o artigo explica bem, mas não é toda a resposta.

    Outro fator são as leis naturais, como a aerodinâmica. O número ótimo de rodas para um carro ter estabilidade, mobilidade e boa estética é quatro. Para um carro, três rodas é pouco e mais de quatro rodas é excesso. Os engenheiros não podem criar carros com visuais bizarros que não funcionam, não por causa ou só por causa das leis humanas, mas por causa de princípios universais.

    Um terceiro fator são as leis do mercado, que se baseiam nas leis naturais. Se a maioria dos consumidores prefere carros que tenham determinadas características, as empresas que querem lhes vender precisam produzir veículos com este perfil. Os carros-conceito podem ser impressionantes, mas diversos deles simplesmente não venderiam. Caso muitas pessoas aceitassem e quisessem comprar veículos em forma de disco voador e com três rodas, as empresas com certeza os produziriam em massa.

    Este é um argumento semelhante ao do artigo sobre a obsolescência:

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1528

    * * *

  12. O autor foi saudosista, romântico e vago, demonstrando que pouco entende de engenharia e desing de automóveis, muito menos das regulamentações governamentais aplicadas ao setor automobilístico.O desing atual é fruto da economia de mercado, da redução de custos, da padronização e distribuição global de modelos baseados em uma única plataforma, de margens de lucro exorbitantes e das preferências dos consumidores muito mais do que das regulamentações estatais.Realmente muitos automóveis do passado eram glamourosos, opulentos, espaçosos e bonitos de se contemplar, mas é temerário acreditar que eram melhores, mais seguros, mais econômicos, mais confortáveis e agradáveis de dirigir do que os atuais. Ao longo da história do automóvel milhões de vidas foram perdidas precocemente e trilhões de dólares foram gastos em reparos de patrimônio público avariado, indenizações, resgates, remoções de urgência, internações, cirurgias reparadoras, aposentadorias e pensões por morte ou invalidez tendo por causas falhas estruturais, de projeto, de segurança passiva e ativa desses veículos, tudo pago com dinheiro do contribuinte.Essa é apenas uma das externalidades negativas provocadas pelo automóvel.Embora o autor defenda o “livre” mercado, se esquece de que virtualmente TODAS as vezes que o mercado se autorregulou terminou em truste, monopólio, oligopólio, cartéis, dumping, lobby da indústria e desastres econômicos: recessão, desemprego, falência, fome, miséria, doenças e até guerras.A máxima do mercado é: LUCRO E EXTERNALIDADES POSITIVAS PRIVADOS, PREJUÍZOS E EXTERNALIDADES NEGATIVAS PÚBLICOS, sendo seu eterno corolário: A CULPA PELAS FALHAS (DE/DO MERCADO) É EXCLUSIVAMENTE DO GOVERNO… Esse é um discurso sofismático e tautológico, indefensável nos dias atuais.As regulamentações existem, principalmente, para melhorar a segurança ativa, a passiva e a eficiência energética dos veículos, nada dizem sobre o desing, a potência, a motorização ou a tecnologia que os fabricantes vão utilizar para atingir esses objetivos. Elas passam por amplos debates e discussões nos órgãos reguladores, inclusive com CONSULTAS PÚBLICAS e sugestões de TODOS os stakeholders e do cidadão antes de serem aprovadas e publicadas.Os reguladores não são acéfalos, também existem muitos doutores, mestres e especialistas, inclusive em engenharia, nos quadros das agências governamentais.Ao contrário do que foi dito nos comentários de alguns leitores os automóveis mais modernos estão mais pesados e não mais leves, eles têm estrutura mais rígida e reforços em pontos do monobloco onde estatisticamente os acidentes vitimam mais as pessoas (portas, assoalho, teto, coluna A e B, parede de fogo, etc).Também a deformação programada torna a estrutura mais pesada, não mais leve (materiais especiais, chapas duplas, soldas reforçadas).Esse aumento de peso do monobloco, somado ao acréscimo de dispositivos de segurança e conforto (ABS, EBD, ESP, ASC, GPS, Central Multimídia, AC Digital, direção assistida, câmbio automatizado, tração integral, suspensão ativa, teto solar panorâmico, etc.) anularam os ganhos em eficiência dos motores a combustão muito mais do que as regulamentações ambientais (nível de emissões de CO, NOX, HC e particulados).O carro elétrico e o híbrido são alternativos ao convencional e vieram para ficar, mas não são uma mudança de paradigma. Como já dito o uso do automóvel trás consigo muitas externalidades negativas: consome uma quantidade colossal de materiais nobres e de energia em sua produção e durante sua vida útil, degrada (muito) o ar que respiramos e a água que bebemos, ocupa muito espaço, tem um custo de propriedade elevado e desproporcional a sua utilidade, produz um trânsito caótico e violento das grandes cidades, ceifando milhares de vidas todos os dias, produz grande quantidade de resíduos tóxicos e lixo não reciclável, etc.Tudo isso para levar apenas uma pessoa na maior parte do tempo em que é utilizado.Somos mais de sete bilhões de seres humanos, contudo menos de vinte por cento do transporte mundial de pessoas é feito por automóveis. O automóvel é uma epidemia global, ocupa virtualmente todos os espaços urbanos: árvores, praças, parques e construções são derrubados para que sejam construídos estacionamentos e avenidas mais largas.Ele nos deixa sedentários, obesos, preguiçosos e ansiosos. Basta dar a partida que, protegidos do mundo por uma tonelada e meia de aço, vidro e plástico, esquecemos-nos do outro, do tempo e do espaço a nossa volta, da fragilidade da vida.Sou um grande apaixonado pelo automóvel, mas acredito que o seu tempo de glamour, com visual exótico, motores potentes e (enorme) estrutura insegura já passou.A mobilidade urbana é a grande questão de nosso tempo.Precisamos urgentemente de transporte público de qualidade, seguro, silencioso, confortável e não poluente PARA TODOS. Um bom começo é implantar mais linhas de metrô nas grandes cidades, ônibus e VLTs movidos a diesel de etanol ou elétricos, veículos ultracompactos elétricos, motos e bicicletas elétricas em vias exclusivas.Demógrafos e cientistas sociais indicam que o futuro da humanidade será nas grandes cidades, elas concentrarão cada vez mais habitantes, funções e atividades se tornando megalópoles. Portanto precisamos urgentemente recuperar os espaços, a convivência, a saúde, a qualidade de vida e o tempo perdidos para o automóvel utilizando veículos comunitários, silenciosos, eficientes, seguros e não poluentes, reservando o carro (com qualquer tipo de propulsão) apenas para lazer e viagens ocasionais.No fundo é bem mais do que uma questão de escolha binária perde-ganha, ou trade-off para utilizar um termo tão caro ao leitores, envolve múltiplos fatores, múltiplos atores e comporta mais de um tipo de solução ideal, ou mesmo de second Best.O papel de qualquer governo democrático que se preze é no mínimo zelar pelo bem-estar, vida, segurança e prosperidade DE TODA A SOCIEDADE que representa e dirige.Para tanto necessita utilizar-se das leis, da política alocativa e da política distributiva, as quais, citando verdade inconteste em Marx e em Gramsci, são naturalmente contra os interesses do mercado no modelo hegemônico global de produção capitalista (irresponsável, hedonista e excludente).Fica a reflexão para a turma do Laissez-faire.

  13. O Delorean DMC é tão foda.. até hoje acho o carro do futuro. Não é por causa do filme, mas veja o design dele na Internet. Aquilo é vanguarda e destuiram.

  14. Engraçado que o mesmo aconteceu com a expressão máxima do automobilismo, a Fórmula 1. Há um certo tempo todos os carros são iguais, para cumprir a regulação cada vez mais pesada. E mais, quando numa roda de bar se fala dos carros top’s em tecnologia, sempre são lembrados bólidos de VINTE anos atrás.

  15. É bom ter carro no Brasil (não é crítica ao texto, mas é a realidade diária):

    1) 2 horas para ir e mais 2 horas para voltar do serviço.

    2) As sinaleiras devem ter inteligência artificial, só pode! Não tem explicação em uma via rápida o seu sinal abrir e imediatamente o seguinte fechar.

    3) Multado ao mesmo tempo (mesmo dia, mas com umas 3 horas de diferença) em Goiás e Mato Grosso do Sul, mas você mora em Minas Gerais e nunca esteve nesses locais. Mesmo assim, a coisa chamada Detran rejeita sua defesa de multa. Sai mais a pena pagar as multas do que contratar advogado.

    4) Falando em Detran! Há o Detran! Não tem nada como o Detran! Não mesmo! Só quem um dia precisa desse tal de Detran sabe do que eu falo. Emoção única.

    5) A cada enchida de tanque no posto, você vê cada vez mais água saindo do cano de descarga.

    6) Para que serve o IPVA e o Seguro Obrigatório mesmo? Tá bom, é imposto, eu sei. Mas para que serve mesmo?

    7) Você vê uma das principais vias da sua cidade perder uma pista, e ganhar uma ‘ciclovia’. O interessante é você constatar que a via de 4 pistas já estava saturada. Agora com 3…

    8) E falando de ciclovia: enquanto você está ali, no engarrafamento parado a uns 15 minutos, passaram nesse tempo todo 2 ciclistas por você: um desses com uniforme coladinho e capacete e uma senhora com bicicleta de cestinha.

    9) E falando em engarrafamento, você ainda tem de aguentar (e respeitar!) a fila do meio dos motoqueiros. Se não respeitar, perde seu retrovisor.

  16. Vander

    Gostei da sua ironia,vc só esqueceu de falar que os ciclitas que usam uniforme coladinho parecem viadinho,aliais,como todo esquerdista.

  17. Bom artigo, interessante a analogia feita com a uniformização atual causada por entes reguladores, que apesar das ditas boas intenções, servem apenas como cabide de emprego hoje em dia. Quanto aos comentários acima, fica um questionamento: o site foi invadido por militantes socialistas? Há bons comentários, realmente bem escritos e pontuais, mas alguns são de doer (propositais ou não!).
    O artigo fala dos excessos de regulamentações, de todos os tipos e cores, todavia hoje penso que o brasileiro médio não consegue mais viver sem o auxílio do Estado. O brasileiro é literalmente viciado em Estado, e irá lutar contra qualquer um que sinalize tirar esse “bem” dele. E pior, ele se esquece que a burocracia local é autofágica, pois cobra um absurdo de impostos sobre um veículo particular, e ao mesmo tempo, cria ciclovias, BRTs e outros empecilhos que limitam a capacidade do mesmo poder trafegar, de poder chegar no seu trabalho. Há um paquiderme no quarto e ninguém quer falar nele.

  18. Quero fazer uma menção contra todos os problemas de liberdade, que influenciam no cotidiano urbano das grandes cidades. Podem incluir nestes quesitos a eficiência energética, estética, segurança, e outros assuntos de dívida de capital estatal.

    Sistema ferroviário é dispendioso.
    ônibus e carros são dispendiosos.

    Supomos que fizessemos uma séria contabilidade dos custos dos problemas de trânsito, que são enormes, e que o governo fizesse um “socialismo” dando uma motocicleta 125cc para cada cidadão. Deixo claro que não sou socialista, mas “ecochato”.

    Só a motocicleta salva.

  19. Sim, existe influência das regulamentações no design dos carros de hoje, mas o autor se esqueceu daquele que é o fator mais importante, a convergência tecnológica. Aqui tem um artigo muito bom sobre isso:
    autoentusiastas.com.br/2012/02/brincando-de-adivinhar-o-futuro/
    Em resumo, o mercado de automóveis hoje está plenamente amadurecido e é extremamente competitivo, com margens bem estreitas. Um projeto de um novo modelo consome bilhões de dólares em seu desenvolvimento e nenhum fabricante hoje teria condições de apostar suas fichas em um modelo muito diferente do atual, sob pena de ter sua posição no mercado comprometida. Por isso não teremos mais, pelo menos para os carros “comuns” soluções muito diferentes de um carro para outro.

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