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O básico sobre a inflação

1. Inflação é um aumento na quantidade de
dinheiro e de crédito criado em decorrência desta criação adicional de
dinheiro.  A principal e mais visível consequência da inflação é a elevação
dos preços.  Portanto, uma inflação de preços — atenção para o termo
correto — é causada unicamente pelo aumento da quantidade de dinheiro na
economia. 

2. A quantidade de dinheiro na economia é uma
variável decorrente das políticas monetárias do governo — mais especificamente,
de seu Banco Central.

3. Um dos principais motivos para a criação de
mais dinheiro é a existência de um orçamento deficitário por parte do
governo.  Orçamentos deficitários são
gerados por gastos crescentes e extravagantes, os quais o governo é incapaz de
cobrir utilizando exclusivamente suas receitas de impostos.  Gastos excessivos decorrem principalmente dos
esforços do governo em redistribuir riqueza e renda para setores privilegiados
— isto é, esforços para retirar recursos dos produtivos para sustentar os
improdutivos de todas as classes.  Isto
corrompe a ética e desestimula os incentivos trabalhistas tanto dos produtivos
quanto dos improdutivos.

4. As causas da inflação de preços não são,
como se diz frequentemente, “múltiplas e complexas”; elas são simplesmente a
consequência inevitável de uma criação excessiva de dinheiro.  Não existe algo como “inflação gerada pelo
aumento dos custos”.  Se salários e
outros custos trabalhistas ou de produção forem forçados para cima, mas não
houver um aumento na quantidade de dinheiro na economia, e os produtores
tentarem repassar estes aumentos aos consumidores elevando os preços de venda,
a maioria deles irá apenas vender menos produtos.  O resultado será um menor nível de produção e
a perda de empregos.  Custos maiores
podem ser repassados para os preços somente quando os consumidores têm mais
dinheiro para pagar por estes preços mais altos. 

5. Controles e congelamentos de preços não
podem interromper ou arrefecer a inflação de preços.  Eles podem, no máximo, atrasar a sua
manifestação.  Pior ainda: eles irão
sempre desorganizar a economia. 
Controles de preços simplesmente comprimem ou eliminam por completo as
margens de lucro, desarranjam a estrutura de produção da economia, e geram
gargalos e escassezes.  Todo e qualquer
controle de preços e salários implantado pelo governo, ou até mesmo a sua
“monitoração”, é apenas uma tentativa de políticos de jogar a responsabilidade
pela inflação sobre produtores e vendedores, e não em suas próprias políticas
monetárias.

6. Uma prolongada inflação nunca “estimula” a
economia.  Ao contrário, ela desequilibra
e desorganiza a estrutura produtiva da economia, direcionando a produção e o
emprego para investimentos que mais tarde revelar-se-ão insustentáveis, gerando
prejuízos, desperdício de recursos escassos e maior desemprego.  O desemprego assim gerado permanecerá em
níveis elevados enquanto o salário demandado estiver acima do real valor de
mercado — seja por demandas sindicais, por leis de salário mínimo (que mantém
adolescentes e mão-de-obra pouco qualificada fora do mercado de trabalho) ou
por prolongados e generosos seguros-desemprego.

7. Para se evitar estragos irremediáveis, a
noção de que expansões monetárias podem estimular permanentemente a economia
deve ser irreversivelmente rejeitada. 
Adicionalmente, o governo deve ser retirado por completo do controle da
oferta monetária, deixando esta área a cargo das forças de mercado.  Por fim, o orçamento do governo deve ser
equilibrado o mais rapidamente possível, e não de maneira gradualista e
indolor.  O equilíbrio deve ser alcançado
por meio de um acentuado corte de gastos, e não pelo aumento de uma carga
tributária já extremamente elevada, que comprime salários e desestimula o trabalho
árduo e a produção. 

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208 comentários em “O básico sobre a inflação”

  1. O autor do texto nasceu em 1894 e faleceu em 1993. Ainda que este artigo tenha sido escrito no ano do seu falecimento, permanece lógico, coerente, racional e atual, mesmo 20 anos depois.

    Simplesmente incontestável.

  2. Bom dia Leandro!
    Estamos experimentando “o imperio das multas”. Este dinheiro arrecadado pelo Estado não ajuda para que a inflação suba menos? abs

  3. Tem coisas que eu lei na internet que é foda. No blog do do ilustre Paulo Henrique Amorim (www.conversaafiada.com.br/economia/2012/05/02/bancos-nao-respondem-a-dilma-o-pig-esta-ai-pra-isso/):
    “Em resumo: os conservadores chamam de "populismo" tudo o que os governantes trabalhistas fazem em benefício do povo.

    Por exemplo: chamar os bancos privados na chincha, reestatizar a YPF argentina, ou a Transporte de Eletricidade da Bolívia.”

    O pior é que muita gente acredita e segue as idéias dele. Acha que está correto a presidAnta reduzir os juros à força. Que está correta a atitude do Governo Argentino de reestatizar a YPF, que tudo isso é feito para o bem do povo.
    Estou começando a acreditar que estamos perto de um golpe de estado, que transformará esse país na nova experiência comunista. O pior é que a elite está vendida, nada fará para nos tirar desse triste caminho.

  4. Será que os economistas no período da hiperinflação não sabiam de nada disso, ou eles eram simplesmente perversos brincando de engenharia social e frequentando a igreja keynesiana? Fico realmente intrigado por que estou quase formando em Ciências Econômicas e quase todo meu conhecimento de economia da vida real aprendi com a EAE, boa parte aqui no Instituto Mises, já perguntei sobre inflação para alguns professores e só obtive o mesmo nem nem heterodoxo. Muito provavelmente eles eram perversos E ignorantes mesmo.

  5. Leandro,\r
    \r
    “O equil´brio deve ser alcançado por meio de um acentuado corte de gastos,e não pelo aumento de uma carga tributária já extremamente pesada”…\r
    Ou seja: tudo para cima do povo e nada pelo povo.E,assim,, quem mais faz sacri fícios,não alcança benefícios.Até quando?

  6. Texto simples e de facil compreensão, infelizmente num pais pobre educacionalmente, onde as informações são contraditórias, direcionadas e tendenciosas, agravado pelo fato da população não se preocupar e interessar-se com as decisões do Estado (Executivo e Legislativo), infelizmente, constata-se, só quando as consequências se tornam realidade, é que os cidadãos alcançam a gravidade da situação. Pelo que pude entender, o Estado Brasileiro, atual gestão, de iniciativa do Poder Executivo e Legislativo obrigam-se no curtíssimo espaço tempo implementar as reformas administrativas, políticas e tributárias, sob pena de dentro, no máx. 03 anos, alimentar-nos de inflação “galopante” e o alto índice de desempregados – O chamado “Custo Brasil” – Assim, eu entendo, O Brasil está numa “encruzilhada” enonômica. Até!

  7. Seria fantástico se vcs do IMB fizessem uma série “o básico sobre”. Para leigos em Economia como eu, artigos como esse acertam na mosca. Concisão, clareza e inteligência.
    Já estava de queixo caído com os textos do Rothbard em teoria do estado (Senhor, perdoai o Dalmo de Abreu Dallari, pois ele não sabe o que escreve!).

  8. Está tudo tão claro neste país,
    Os nossos governantes estão se lixando para tudo isso, os trabalhadores e empresários ficam contentes com as migalhas que o governo joga da mesa.
    Cedo ou mais tarde a conta vai chegar, inflação, desemprego, previdência quebrada.

  9. Simples e pratico, explicando o “monstro” que é a inflaçao em 5 minutos de leitura.

    Agora algo que vem me chamando a atençao, o que voces acham sobre essa pressao do governo para a queda nas taxas de juros? quais as consequencias que isso pode causar?

  10. Portanto, uma inflação de preços — atenção para o termo correto — é causada unicamente pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia.

    Quanto monetarismo e dogmatismo! Há vários outros fatores que podem acarretar inflação como um choque de preços de commodities.

  11. “Inflação é um aumento na quantidade de dinheiro e de crédito criado em decorrência desta criação adicional de dinheiro. A principal e mais visível consequência da inflação é a elevação dos preços.”

    Ao trocas causa e consequência fica fácil falar o que você falou. Inflação é, por definição, uma variação no nível de preços. É a primeira vez que eu vejo alguém tentando contrapor isso. Em geral, os debates surgem com relação à causa da inflação. Você põe uma das causas possíveis (elevação da oferta de moeda) como a inflação propriamente dita. – Aqui devo concordar com o Carlos que isso é de um dogmatismo e monetarismo abusivo! –

  12. É engraçado como as coisas são… Esses economistas sempre buscando uma forma de complicar o simples…

    Se os preços são lastreados por moeda, como pode haver aumento de preços sem aumento de moeda?

    É como querer fazer uma pessoa engordar sem dar comida a ela…

  13. Cara, consigo “captar” o significado da inflação quando se trata de moedas metálicas, mas e quando é somente um dígito numa tela de computador? Não fica muito mais difícil perceber a inflação? Esse aumento de dinheiro “abstrato” me confunde muito ainda.

  14. Eu tenho uma dúvida sobre o tópico 4:
    No tópico você disse que aumentos de salários e custos não são repassados para os preços, pois os consumidores não estão mais ricos, mas um aumento de salários não os faz mais ricos, fazendo com que um aumento dos preços gere lucro maior para os empresários? Mesmo que você considere que o aumento da renda dos trabalhadores sem aumento na produtividade(por meio de sindicalizações, legislações de salário mínimo, percepções inexatas dos empresários,etc) seria apenas uma distribuição de renda, dos empresários para os trabalhadores, teríamos um aumento geral do consumo, pois os empresários, que geralmente tem renda maior, tem uma propensão maior a poupar.Quem ganha muito poupa uma porcentagem maior da sua renda que quem ganha pouco. Não vou entrar no mérito se ele podia ou não, mas é sabido que a baixa renda não poupa, e poupança aumenta, de modo geral, com a renda. Essa tendência dos empresários a poupar, aliada às formas de aumento dos salários de maneira não produtiva não explicaria a inflação em uma economia sem políticas monetárias expansiva? Mesmo que de forma provisória, já que a poupança das pessoas de alta renda não é eterna e eventualmente se transforma em consumo.

  15. Ótimo artigo.

    Saindo um pouco do tema.. acho que esse aquido Thomas DiLorenzo merece uma tradução:
    mises.org/daily/6323/The-Founding-Fathers-of-Participatory-Fascism

  16. Leandro eu gostaria de sugerir uma idéía,que tal vocês fazerem uma tabela confrontando a EAE e a escolas intervencionistas,abordando cada tema(inflação,juros ,moeda…) com riqueza de detalhes e bem resumida de forma a se ter um panorama da realidade e da teoria austríaca,certo será que tal tabela não esgotará o assunto mas dará uma cosmovisão da economia sob vários ângulos,de maneira que os iniciantes saberiam onde tirar as dúvidas de forma definitiva sem empobrecer o debate.

  17. Patrick de Lima Lopes

    Leandro, desculpe-me por pedir ajuda sem pesquisar antes, é que estou com pouco tempo; mas haveria algum artigo detalhado da EA sobre a estagflação americana da década de 70(Aquela que o mainstream afirma ter sido causada pela alta nos preços do petróleo)?

  18. As causas da inflação de preços não são, como se diz frequentemente, “múltiplas e complexas”; elas são simplesmente a consequência inevitável de uma criação excessiva de dinheiro.

    Criação excessiva de dinheiro não cria necessariamente inflação. A política atual do FED prova isso.

  19. Leandro,

    Bom Dia !

    Novamente me impreciono com a acuracia em que as teorias Austricas sobre economia conseguem explanar de forma coesa e eficiente minhas dúvidas.

    A unica dúvida que me surgiu é a seguinte: Se eu mensurar a variação de crescimento de M2 em um determinado periodo, esse resultado obtido teria que ser igual ou proximo da variação de preço medidos pelo IBGE ou outro orgão ? E queria saber se algum procedimento e ou medidas economicas podem interferir para menos a relação criação de M2 e inflação ? Exemplo: digamos que a variação de m2 em um determinado periodo foi de 2% e a inflação foi de 1%, essa diferença poderia ser justificada por por alguma medida economica ou indicador ( PIB ).

    Desde já agradeço pelas informações prestadas !

    E cade o seu livro no hall do mises ? 😀

    Abraço !

  20. “Portanto, uma inflação de preços — atenção para o termo correto — é causada unicamente pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia.”

    Acho que o autor cometeu um erro ao usar o termo “unicamente”. Mesmo em uma economia com uma quantidade fixa de dinheiro, ainda é possível ocorrer aumento de preços generalizados por conta de alguma catástrofe natural.

  21. Jovem Entusiasta de Hayek

    Olá, sei que esse não é o artigo onde eu deveria escrever isso, mas nao sei onde posso tirar duvidas. Eu gostaria de que me fornecessem uma informação sobre a Obra de Eugenn Böhm Bawerk, Capital e Juro. Eu quero saber se a Teoria da Exploração do Socialismo-Comunismo, do mesmo autor, faz parte de “Capital e Juro” ou se trata de um livro a parte. Obrigado!

  22. Se inflação fosse só aumento de preços, o plano cruzado teria dado certo. Tinha até os ficais do sarney. Não durou 6 meses. Depois da farra foi uma ressaca.

  23. Gostaria de saber qual a opinião austríaca sobre a “inflação estrutural” que a Cepal teorizou, se realmente haveria pressão de custos nos países em desenvolvimento. E também sobre a “de demanda” e “inercial”. Se um governo contrai a emissão monetária, vocês concordam que levará alguns meses ou anos até estabilizar os preços?

  24. “Inflação é um aumento na quantidade de dinheiro e de crédito criado em decorrência desta criação adicional de dinheiro”.
    Mas se por algum motivo a sociedade produzir cada vez menos riqueza, o “pedaço de riqueza” dividido pra cada cédula e moeda seria menor, certo? Isso não seria um exemplo de “inflação natural de preços”(sem criação de dinheiro)?

  25. Leandro você pode por favor indicar os artigos que explicam a diferença do impacto da entrada de dinheiro estrangeiro em uma economia na inflação de preços e nas taxas de juros.

  26. Leandro ou outrem que se disponha a responder,

    em primeiro lugar, venho pedir que publiquem coisas mais desinteressantes! Explico: começo lendo um artigo, sigo pelos comentários, e vou me aprofundando com os links de artigos relacionados. Quando eu vejo, lá se foi um dia inteiro! Já não consigo mais conversar com as pessoas sobre política e economia e a cada artigo lido, minha vontade de voltar a viver no Brasil (ou em qualquer outra parte do mundo) só diminui! Vocês estão acabando com meu tempo livre! Por favor, parem! Alguém tem que passar uma lei pra resolver isso!

    Falando sério agora. Tenho algumas dúvidas:

    1) É correto afirmar que a distribuição de renda por impostos também gera inflações de preços pontuais?

    É certo que se o governo tira de A e dá para B, A tem que deixar de consumir X. Se B, com o dinheiro expropriado, agora passar a consumir X, a demanda por X continuará a mesma e X permanecerá com preço inalterado. Pelo menos foi o que entendi.

    Mas se B consumir Y, os níveis de preços de X e de Y serão alterados, gerando distorções. Correto?

    2) Agora, suponhamos duas ilhas que não comercializam entre si e onde im- e exportações são proibídas… Suponhamos que alguma entidade ache que a ilha C tem uma dívida histórica para com a ilha D, tendo que pagar uma indenização mensal para esta. Na prática, isso não geraria apenas inflação na ilha D? Se a economia dentro da ilha C fosse livre pra reajustar os preços, é possível que tal medida apenas gerasse uma deflação na ilha C?

    No caso de transferência de renda entre, digamos, o estado de São Paulo e o estado da Paraíba, e devido à distância continental entre os estados, o raciocínio acima não se aplicaria (mesmo que parcialmente)?

    3) No caso de vouchers para educação, o repasse de recursos para os beneficiados não geraria apenas aumento de preços das escolas, a longo prazo, gerando dependência de quem recebe o benefício e prejudicando (devido ao aumento de preços) quem por pouco não o recebe ?

    4) Uma inflação equivalente ao aumento de produtividade (caso fosse possível, e beneficiasse “igualmente” cada pessoa) não seria preferível por facilitar as previsões em investimentos futuros? Deflação contínua não geraria um incentivo perverso às pessoas guardarem em excesso seu dinheiro, o que por sua vez geraria mais deflação e aumentaria ainda mais este incentivo? Não sei, este mundo de deflação me é muito estranho. Até hoje minha mãe compra tudo a prazo porque acha que não vale a pena economizar e comprar à vista com desconto, por resquícios da época antes do Real…

    Bem, por enquanto é isso. Obrigado e continuem com o excelente trabalho.

  27. “As causas da inflação de preços não são, como se diz frequentemente, “múltiplas e complexas”; elas são simplesmente a consequência inevitável de uma criação excessiva de dinheiro. Não existe algo como “inflação gerada pelo aumento dos custos”. Se salários e outros custos trabalhistas ou de produção forem forçados para cima, mas não houver um aumento na quantidade de dinheiro na economia, e os produtores tentarem repassar estes aumentos aos consumidores elevando os preços de venda, a maioria deles irá apenas vender menos produtos. O resultado será um menor nível de produção e a perda de empregos. Custos maiores podem ser repassados para os preços somente quando os consumidores têm mais dinheiro para pagar por estes preços mais altos. “

    Eu não entendi este ponto! Alguém pode me explicar?

  28. Uma dúvida: quando os jornais noticiam que “o governo aumentou o salário mínimo ACIMA da inflação”, eu sempre vi essa informação como sendo sem sentido. Afinal, se a inflação é o aumento da oferta monetária, como que pode haver um aumento de salário maior do que o aumento da criação de dinheiro? Como que esse aumento é definido?

    Ah, achei o texto ótimo, ideal para alguns jornalistas e outros “profissionais” que costumam distorcer o que não entendem.

  29. Lendo os artigos do mises eu consigo entender o que está escrito, mas alguém pode me explicar o que quis dizer Dr Delfim Neto:

    “Inflação

    A taxa de inflação é como um “radiador” que dissipa o calor produzido pela inércia. Exemplificando sem exaurir:

    1º) Por todos os atritos naturalmente produzidos pela demora necessária para ajustar as demandas setoriais (choques de oferta, mudança de hábitos) com as respectivas ofertas;

    2º) Pela deficiência da infraestrutura;

    3º) Pelos obstáculos institucionais e políticos que retardam os ajustes da oferta dos insumos básicos;

    4º) Pelos exageros cometidos pelo poder incumbente quando perde o senso e se entrega ao voluntarismo populista, que ignora as restrições físicas impostas pelas identidades da contabilidade nacional;

    5º) Pelo próprio governo quando tenta proteger sua receita pela indexação automática de impostos, preços, tarifas ou salários da própria inflação que está criando;

    6º) Pelo estímulo ao crédito quando não há mais fatores de produção disponíveis em proporção adequada e a acumulação do deficit em conta-corrente não permite importá-los;

    7º) Quando os salários reais crescem acima da produtividade física do trabalho.

    A taxa de inflação é, portanto, um indicador duvidoso da demanda global. Ela é, simultaneamente, causa e efeito da redistribuição das rendas. No fundo, é a imagem invertida no espelho do nível de produtividade da economia que cresce à medida que se reduzem os mesmos “atritos” que a produzem.

    A redução da taxa de inflação brasileira –que, há oito anos, permanece em torno de 5,2% ao ano e que, como em todos os países com “metas inflacionárias” com bandas, namora o seu teto– não é, obviamente, uma tarefa apenas do BC. É uma missão de todo o governo, que envolve o aumento da sua eficiência apoiada em reformas microeconômicas bem “focadas” que precisam do apoio da sociedade.

    Por exemplo, um mercado de trabalho bem organizado, que respeita os direitos constitucionais dos trabalhadores e onde a livre negociação salarial dentro da empresa (e não do setor), sob as vistas de uma comissão de fábrica eleita e com representatividade, pretere os efeitos legais acumulados pelo corporativismo ao longo dos anos, é poderoso instrumento para o aumento da “produtividade” do trabalho e, ao mesmo tempo, a redução dos atritos que se dissipam como pressões inflacionárias.

    Por outro lado, quando há um desajuste entre a disponibilidade da mão de obra e suas habilidades em relação às necessidades da economia, é extremamente custoso corrigi-lo cortando a demanda global pela política monetária. São necessárias medidas estruturais que aumentem a oferta e a qualidade da mão de obra: rápida educação profissional e imigração!”

    ANTONIO DELFIM NETTO escreve às quartas-feiras.
    [email protected]

  30. Caro Leandro,
    Um tema muito instigante e que vem se tornando controverso. Lembro de um artigo do Mises, publicado inicialmente para a VOGA, no qual havia um grafico ilustrando a variacao da oferta monetária vis a vis o IPA, na ocasiao, a imagem que recordo era que havia uma certa defasagem em relacao a oferta monetaria e o IPA (algo normal) mas que as variacaoes da oferta monetaria antecipavam de fato o comportamento do IPA, porém, quando esta mesma relacao era comparada com a evoluão de precos de setores mais proximos do varejo, como é o caso do IPCA, esta relacao nao era tao direta e nao tao clara.
    1) A duvida e necessidade de entendimento que tenho é: Aquela relação IPA M1 foi apenas coincidencia e não necessariamente isso sempre ocorre?

    2) Qual o sentido de concentrar-mos nossa atencao na variacao da oferta monetária se ela é de pouca valia para informar sobre o comportamento geral dos preços?

    Grato pela disponibilidade

  31. O que vocês acham desse comentário?

    “Existem muitos fatores que manipulam o processo inflacionário e que não precisam estar necessariamente ligados à emissão de moeda e crédito.

    Inflação de demanda e de custos são diretamente impactadas pelo tipo de mercado que há no país e pela exposição que se tem aos produtos estrangeiros. Há também o nível de manipulação que força sindical consegue exercer nesse mercado, mais um fator que independente da emissão de moeda.

    Existe a inflação de inércia, que são os contratos que preveem reajustes indexados aos níveis de inflação anteriores. São processos viciados que também não estão ligados à emissão de moeda diretamente.

    Existe a inflação estrutural, causada pelas disfunções de um processos qualquer que afete outros processos. Em sendo disfuncional, se torna MAIS CARO e afeta todos os outros.

    Como podemos ver, a inflação não está sempre ligada à emissão de moeda – embora sim, na maioria das vezes esteja.”

  32. E o que vocês podem dizer sobre a inflação no futebol? Jogares ganhando salários astronômicos que antigamente não ganhavam…o único motivo é a expansão monetária?

  33. Além disso, você pode colocar o Efeito Neymar e os investimentos pra Copa do Mundo como responsáveis.

    A maioria dos clubes já são falidos por natureza, mas quando essa bolha explodir imagino uma situação muito pior para eles.

  34. Alguém poderia ilustrar para mim a situação dos juros, impostos e inflação? Ainda não tive aula de Economia.

    1- Se o governo reduzisse absurdamente os impostos, as pessoas teriam mais dinheiro e portanto iria aumentar a inflação dos preços??

    2- A inflação dos preços aumentar o salário dos funcionários de uma empresa?

    3- Se o governo baixa os juros. Isso é ruim para o poupador correto? Mas para as pessoas que tem menos dinheiro é melhor?

  35. Peraí, como que alguem que consegue se manter vivo por 24hrs ainda acredita na teoria quantitativa da moeda?

    Sério, “inflação é causada pelo aumento da base monetaria (et al)” é algo que ficou tão pra traz quanto pos-keynesianismo e austrianismo e outras religiões.

    Mas voces saberiam disso se não tivessem preguiça de ler Sargent e Surico (ou se recusarem a ler qualquer coisa do mainstream porque contêm simbolos e equações)

  36. relação entre base monetária e preços no curto e médio prazo (em altas frequências) é em geral não-existente.

    Neste momento, posso dizer com um bocado de confiança que não deve existir um único banqueiro central no planeta Terra que acredite que pode controlar inflação controlando a base monetária.

    Agora, em geral não existe também uma conexão estável entre preços e outros agregados monetários. Também é bem complicado o controle de outros agregados monetários pelo banco central (M1, M2 etc).

    Por essas e outras, praticamente nenhum banco central no mundo escolhe controlar agregados monetários. Afinal, eles querem estabilidade de preços. A experiência e evidência empírica mostra que controlar a base monetária não é o método mais efetivo para atingir este objetivo.

  37. Alguém poderia me dar uma sugestão?

    Qual melhor investimento para fazer no meu caso? CDB? Renda Fixa? DI? LFT? Poupança? Ouro?

    Eu quero começar a juntar dinheiro agora entre 2013-2020 que é o prazo pra terminar a faculdade e estar ganhando um salário bom, para poder depois dar de entrada em um imóvel. Quero que o meu poder de compra seja igual ou maior do que era antes (ou seja, estar no positivo após subtrair a inflação dos anos sequentes). Lembrando que será depositado mensalmente uma quantia do meu salário.

  38. caro Leandro austriaco, voce :

    1 – Mostrou que NÃO conhece os estudos feitos. A maior parte dos estudos que falam da não-existência de relação estável entre agregados monetários e preços o fazem verificando a não-verificação da Teoria Quantitativa da Moeda, ou seja, verificando que a velocidade de circulação não é constante. Logo, o “ponto” de que não se leva em conta o produto, como diria o Padre Quevedo, “non ecziste”.

    2 – A variável de interesse é o índice de preços, e não qualquer variável como “a variação de preços versus o contrafactual de um aumento de 0% na base monetária”. Aliás, quando algum economista defende políticas expansionistas por temer efeitos adversos de uma deflação, está obviamente admitindo que as políticas expansionistas aumentam o preço em comparação com o “crescimento zero da base monetária”. De novo, não ha sequer um ponto a discutir

    3 – Se voces querem expansão zero dos agregados monetários, as soluções dadas pelos austrianos (parte defende padrão-ouro com narrow banking, outra parte defende quase o oposto, que cada agente possa emitir moeda livremente) não assegurará nem de longe isso.

  39. Dúvida: dizem que o mais prejudicado da inflação é sempre o pobre. Contudo, se a expansão monetária decorre por causa do aumento do salário mínimo, por exemplo, para não haver desemprego, o pobre, nesse caso, não teria sido o mais beneficiado, a curto prazo, até os preços estabilizarem? Tendo em vista que foram eles que primeiramente tiveram acesso à oferta daquele dinheiro…

  40. Leandro, não sei se eu fui claro

    Leia esse trecho do Mises:

    “Na Grã-Bretanha, a imposição de altos padrões salariais pelos sindicatos trabalhistas teve como consequência um desemprego prolongado, que durou anos a fio. Milhões de trabalhadores ficaram desempregados, os índices de produção caíram. Até os experts ficaram perplexos. Diante deste quadro, o governo inglês deu um passo que se lhe afigurou como uma medida de emergência indispensável: desvalorizou a moeda corrente do país. O poder de compra dos salários em dinheiro — em cuja manutenção os sindicatos tanto haviam insistido — deixou de ser o mesmo. Os salários reais, os salários em mercadorias, foram reduzidos. Agora, o trabalhador já não podia comprar o mesmo que antes, embora os padrões nominais dos salários tivessem permanecido os mesmos. Procurou-se, através da adoção dessa medida, promover o retorno dos padrões salariais reais aos níveis do mercado livre para que, consequentemente, tivesse lugar o desaparecimento do desemprego. Essa medida — a desvalorização — foi adotada por muitos outros países, como a França, os Países Baixos e a Bélgica. A Tchecoslováquia chegou a recorrer a ela duas vezes no período de um ano e meio. A desvalorização tornou-se um método sub-reptício, digamos assim, de frustrar o poder dos sindicatos. No entanto, como veremos, este método também não pode ser considerado verdadeiramente eficiente.”

    Portanto, nesse caso, se o governo aumenta o salário mínimo, e em seguida, para evitar o desemprego, desvaloriza a moeda, o pobre (nesse caso, me refiro ao trabalhador que recebe um salário mínimo) não teria sido o primeiro a ter acesso aquele dinheiro, e desse modo, embora,por um curto prazo, o mais beneficiado pela inflação?

  41. Na verdade a inflação é de custos mesmo. Não ha ações deliberadas do banco central relacionadas ao nivel de salarios ou diluiçao de sei la o que. Se o custo marginal aumenta e a produtividade fica constante o produtor aumenta o preço = inflação

  42. Ficou mais claro, mas ainda segue uma dúvida:

    os efeitos da inflação sobre o pobre que teve o salário mínimo elevado não seriam nulos, pelo fato de seu salário ter sido artificialmente elevado anteriormente?

    Ou seja, o seu salário real, se comparado entre a época anterior ao aumento artificial do salário mínimo e a época posterior ao aumento adicionado a inflação, não continuaria o mesmo? E nesse curto período de tempo em que os preços não subiram proporcionalmente ele não teria se beneficiado?

    Obrigado.

  43. Dúvida: e se um aumento de preços for gerado por escassez de algum recuso básico? Por exemplo, se o petróleo se tornar escasso, o preço da gasolina subir e causar um aumento em todo o resto devido ao custo elevado do transporte de mercadorias, isso não geraria inflação?

  44. Dúvida: controle de preços faz com que o empresário ou saia do mercado, ou reduza os custos, fazendo cair a qualidade do produto.e se tanto sair do mercado quanto reduzir os custos fosse proibido? O que aconteceria?

  45. Perdoe-me pela minha ignorância acerca do tema,mas gostaria de saber se diminuindo a quantidade de dinheiro em circulação pode acarretar na diminuição dos preços ? E se essa dimunuição é realizada pelo banco central ou não.

  46. Quando deixamos o nosso dinheiro na conta de poupança e ele rende, por exemplo, 5% ao ano, e a inflação é de 6% ao ano, nós perdemos 1% ou esses juros vem com correção monetária?

  47. Leandro, no artigo diz-se que a inflação só pode ser causada por um aumento na quantidade de moeda na economia. Porém, no caso de uma alta nos salários, o fato de a renda dos trabalhadores aumentar (por causa dos novos salários) não possibilitaria que as firmas aumentassem os preços sem vender menos? Afinal, os trabalhadores teriam mais dinheiro no bolso para gastar. E no caso de um choque negativo da oferta de um bem muito importante, como o petróleo, por exemplo, isso não causaria inflação? Digo isso porque nos livros de economia costuma-se ensinar que a inflação dos anos 70 nos Estados Unidos foi motivada principalmente pelo aumento nos preços do barril, causado pela redução da oferta global do combustível. Se vc puder esclarecer essa questão para mim.. Obrigado!

  48. Leandro, me surgiu outra dúvida: eu entendi que a oferta de petróleo não variou realmente na década de 70, mas, se tivesse variado, isso teria algum impacto no nível de preços? Pergunto isso porque já vi alguns liberais dizendo, por exemplo, que grande parte da deflação que teve lugar nos EUA durante o século XIX se deveu a ganhos crescentes de produtividade da mão de obra, o que levou a uma maior oferta de bens e consequentemente a preços menores. Esse é um raciocínio correto? Obrigado

  49. Gabriel Medeiros

    Leandro, como a inflação é medida por um indicador altamente manipulado e que mede apenas os preços de alguns bens e serviços não está correto afirmar que, dentro dessa realidade, exista inflação de custos?

  50. Gabriel Medeiros

    Leandro, te peço para que analise este cenário totalmente hipotético.

    1 – Uma economia onde só se produz pães – quantidade: 1000.

    2 – A quantidade de dinheiro também é 1000.

    3 – O preço de cada pão é de $1,00

    3 – O trigo usado para fazer o pão é todo importado: custo de 20 cents por pão.

    4 – A economia em questão sofre um choque externo com o aumento do preço do trigo, indo a 40 cents por pão.

    5 – Os produtores de pão repassam o aumento de custo para o preço, ficando o preço do pão em $ 1,20. Ou seja, há agora $1200 em preços para 1000 em dinheiro.

    6 – Os produtores não podem reduzir seus custos e portanto seus preços, sobrando apenas a falência em caso de queda nas vendas.

    Eis então que começa o ajuste, dando-se por queda de produção. Em um equilíbrio hipotético, a nova produção ficaria em aproximadamente 833 pães.

    Nesta situação, para evitar a queda de produção, não seria recomendado uma expansão monetária? Se a resposta for não, por quê? Abraço.

  51. Boa noite,

    Perdão pela simplicidade da pergunta, não sou da área de economia.

    Percebi lendo o texto e também os comentários que existe a inflação baseada no aumento da oferta monetária e também a inflação calculada com base no aumento de preço de venda dos produtos (o que é mais comum, acredito). Uma coisa que eu não entendo é como pode a Venezuela apresentar uma inflação de 300% se ao mesmo tempo há o controle de preços das mercadorias. Seria esse cálculo baseado no aumento da oferta monetária? Pois, supondo que determinado país fixasse o preço de todos os produtos, teoricamente a inflação seria de 0%.

    Desde já agradeço a atenção

  52. Leandro,

    Encontrei esse artigo no site do Mises americano:

    https://mises.org/library/good-inflation

    Ali o Salerno aborda o que seriam os “tipos de inflação”. Eu me senti meio perdido, pois, pra mim a definição austríaca de inflação sempre foi muito clara: aumento na quantidade de dinheiro.

    Ao meu ver, ao trazer todos esses “tipos de inflação” nomeando-os e classificando cada um, acaba vulgarizando a palavra novamente.

    Estou errado?

  53. Uma dúvida: se a inflação fechou em baixa em 2017, por que os combustíveis ficaram mais caros? Este aumento deles e por causa dos reajustes pra reequilibrar a Petrobrás ou é efeito inflacionário legítimo?

  54. Boa noite,

    Minha dúvida é como a base monetária influencia os meios de pagamento num sistema de pagamento? Também gostaria de entender melhor a relação entre o M1 e a inflação, se eu comparar esses dados mensalmente nos últimos 2 anos por exemplo, encontro alguma relação ou na verdade não existe nenhuma e, por fim, nessa comparação que mencionei, qual parâmetro de inflação faz sentido comparar analisando mensalmente: CPI=2010; inflação em % no próprio mês ou inflação acumulada nos últimos 12 meses?

    Agradeço a ajuda

  55. Bolsodilma ciroguedes

    produtivos sao qualquer pessoas ou empresas que produzem algo, seja pra comercializar ou doar. São as que produzem: agricultores, industriais, cientistas, ou empregados .

    improdutiva é aquela que não produz nada e apenas toma dos que fizeram algo. improdutivos são como parasitas, não sobrevivem sem tirar dos produtivos, que são como hospedeiros. São improdutivos os assistencialistas, os empresários que recebem subsidios ou que. vivem das ligações políticas, pois mesmo que produzam algo, através dos meio políticos tão recebendo dinheiro que é tirado a força pelo estado dos contribuintes. políticos e funcionários público tb ao receberem proventos provenientes de impostos tb são, visto que obrigam o pagamento, mas não devolvem o valor em bens e serviços.

  56. É possível ocorrer uma inflação com queda de demanda da população e do governo, apenas aumentando a quantidade de dinheiro na economia? Por exemplo, a pop recebe dinheiro, mas não vai consumir, ela deixa esse dinheiro entesourado..

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