Voltar

Sem o dinheiro, não há nem civilização e nem progresso

Este
artigo foi extraído do livro “O que o
governo fez com o nosso dinheiro
“, futuro lançamento do IMB

 

O surgimento do dinheiro

Como
surgiu o dinheiro?  É claro que Robinson
Crusoé, sozinho em sua ilha, não necessitava de nenhum dinheiro.  Ele não poderia comer moedas de ouro.  Tampouco Crusoé e Sexta-Feira, ao trocarem
entre si peixe por madeira, tinham de se preocupar com dinheiro.  Porém, quando a sociedade se expande e passa
a ser formada por várias famílias, o cenário se torna propício para o
surgimento do dinheiro.

Para
explicar a função do dinheiro, temos de retroceder no tempo e perguntar: por
que, afinal, os homens fazem transações econômicas?  Por que eles trocam bens entre si?  A
troca é a base essencial de nossa vida econômica.  Sem trocas, não haveria uma economia real e,
praticamente, não haveria sociedade. 
Quando uma troca é voluntária, ela claramente ocorre porque ambas as
partes esperam se beneficiar dessa transação. 
Uma troca é um acordo entre A e B no qual A transfere seus bens ou seus
serviços para B, e B por sua vez transfere seus bens ou seus serviços para
A.  Obviamente, ambos, por definição,
esperam se beneficiar dessa troca, pois cada um valoriza mais aquilo que está
recebendo do que aquilo do qual abriu mão. 
Não fosse assim, não haveria uma troca voluntária.

Quando,
por exemplo, Robinson Crusoé troca um peixe por um pedaço de madeira, ele dá
mais valor à madeira que está “comprando” do que ao peixe que está “vendendo”,
ao passo que para Sexta-Feira, ao contrário, dá mais valor ao peixe do que à
madeira.  De Aristóteles a Marx, o homem
erroneamente tem acreditado que uma troca denota algum tipo de igualdade de
valor — que se um barril de peixes é trocado por dez toras de madeira, então há
uma espécie de igualdade secreta
entre tais coisas.  A verdade, no
entanto, é que a troca só ocorreu porque cada uma das partes valorou os dois
produtos de maneira distinta.

Por
que a propensão a transacionar é algo tão universal na humanidade?  Fundamentalmente, por causa da grande variedade existente na natureza: a
variedade que há nos homens e a variedade e a diversidade da localização dos
recursos naturais.  Cada homem possui um
conjunto diferente de habilidades e aptidões específicas, e cada pedaço de
terra possui suas características próprias, suas riquezas únicas.  É desta variedade — um fato externo e natural — que surge a troca: o trigo produzido em uma localidade geográfica é trocado
pelo ferro produzido em outra localidade geográfica; um indivíduo fornece seus
serviços médicos em troca do prazer de ouvir uma música tocada em um violino por
outro indivíduo. 

A
especialização permite que cada indivíduo aprimore suas melhores habilidades, e
permite que cada região geográfica desenvolva seus próprios recursos
particulares.  Se ninguém pudesse
transacionar, se cada indivíduo fosse forçado a ser totalmente autossuficiente,
a maioria de nós obviamente morreria de fome, e o restante mal conseguiria se
manter vivo.  A troca é a força vital não
só da economia, mas da própria civilização.

Escambo

No
entanto, esse processo de troca direta
de bens e serviços úteis dificilmente seria capaz de manter uma economia acima
de seu nível mais primitivo.  Tal troca
direta — ou escambo — dificilmente é
melhor do que a pura e simples autossuficiência. Por quê?  Em primeiro lugar, está claro que tal arranjo
permite somente uma quantidade muito pequena de produção.  Se João contrata alguns trabalhadores para
construir uma casa, com o que ele lhes pagará? 
Com partes da casa?  Com os
materiais de construção que não forem utilizados? 

Os
dois problemas básicos deste arranjo são a “indivisibilidade” e a ausência
daquilo que chamamos de “coincidência de desejos”.  Assim, se o senhor Silva tem um arado que ele
gostaria de trocar por várias coisas diferentes — por exemplo, ovos, pães e uma
muda de roupas –, como ela faria isso? 
Como ele dividiria seu arado e daria uma parte para um agricultor e a
outra parte para um alfaiate?  Mesmo para
os casos em que os bens são divisíveis, é geralmente impossível que dois
indivíduos dispostos a transacionar se encontrem no momento exato.  Se A possui um suprimento de ovos para vender
e B possui um par de sapatos, como ambos podem transacionar se A quer um
terno?  Imaginem, então, a penosa
situação de um professor de economia: ele terá de encontrar um produtor de ovos
que queira comprar algumas aulas de economia em troca de seus ovos! 

Obviamente,
é impossível haver qualquer tipo de economia civilizada sob um arranjo formado
exclusivamente por trocas diretas.

Trocas indiretas

Felizmente,
o homem descobriu, em seu infindável processo de tentativa e erro, um arranjo
que permitiu que a economia crescesse de forma contínua: a troca indireta.  Em uma troca indireta, você vende seu produto
não em troca daquele bem que você realmente deseja, mas sim em troca de um
outro bem que você, futuramente, poderá trocar pelo bem que você realmente
deseja.  À primeira vista parece uma
operação canhestra e circular.  Mas a
realidade é que foi exatamente este maravilhoso arranjo o que permitiu — e que
segue permitindo — o desenvolvimento da civilização.

Considere
o caso de A, o agricultor, que quer comprar os sapatos feitos por B.  Dado que B não quer ovos, A terá de descobrir
o que B realmente quer — digamos que
seja manteiga.  O indivíduo A, então,
troca seus ovos pela manteiga de C, e então vende a manteiga para B em troca
dos sapatos.  O indivíduo A irá comprar a
manteiga não porque a deseja diretamente, mas sim porque isso o permitirá
adquirir os sapatos.  Similarmente, o
senhor Silva, o dono do arado, venderá seu arado por uma mercadoria que ele
possa com mais facilidade dividir e vender — por exemplo, manteiga.  Ato contínuo, ele trocará partes de manteiga
por ovos, pães, roupas etc. 

Em
ambos os casos, a superioridade da manteiga — razão pela qual existe uma
demanda extra por ela, que vai além do seu mero consumo — está em sua maior comerciabilidade, ou seja, em sua maior
facilidade de ser trocada, de ser vendida, de ser comercializada.

Se
um bem é mais comerciável do que outro — se todos os indivíduos estão
confiantes de que tal bem será vendido com mais facilidade –, então ele terá
uma grande demanda, pois ele será usado como um meio de troca.  Ele será o
meio pelo qual um especialista poderá trocar seu produto pelos bens de outros
especialistas.

Assim
como há uma grande variedade de habilidades e recursos na natureza, também há
uma grande variedade na comerciabilidade dos bens existentes.  Alguns bens são mais demandados que outros,
alguns são plenamente divisíveis em unidades menores sem que haja perda de
valor, alguns são mais duráveis, e outros são mais transportáveis por longas
distâncias. Todas essas vantagens aumentam a comerciabilidade de um bem.  Sendo assim, em cada sociedade, os bens mais
comerciáveis serão, com o tempo, escolhidos para representar a função de meio
de troca.  À medida que sua utilização
como meio de troca vai se tornando mais ampla, a demanda por eles aumenta, e,
consequentemente, eles se tornam cada vez mais comerciáveis.  O resultado é
uma espiral que se auto-reforça: mais comerciabilidade amplia o uso do bem como
meio de troca, o que por sua vez aumenta ainda mais sua comerciabilidade,
reiniciando o ciclo.  No final, apenas
uma ou duas mercadorias serão utilizadas como meios gerais de troca — em praticamente todas as trocas.  Tais mercadorias são chamadas de dinheiro.

Ao
longo da história, diferentes bens foram utilizados como meios de troca:
tabaco, na Virgínia colonial; açúcar, nas Índias Ocidentais; sal, na Etiópia
(na época, Abissínia); gado, na Grécia antiga; pregos, na Escócia; cobre, no
Antigo Egito; além de grãos, rosários, chá, conchas e anzóis.  Ao longo dos séculos, duas mercadorias, o ouro e a prata, foram espontaneamente escolhidas como dinheiro na livre
concorrência do mercado, desalojando todas as outras mercadorias desta
função.  Tanto o ouro quanto a prata são altamente
comerciáveis, são muito demandados como ornamento, e se sobressaem em todas as
outras qualidades necessárias.  Em épocas
recentes, a prata, por ser relativamente mais abundante que o ouro, se mostrou
mais útil para trocas de menor valor, ao passo que o ouro foi mais utilizado
para transações de maior valor.  De
qualquer maneira, o importante é que, independentemente do motivo, o livre
mercado escolheu o ouro e a prata como a mais eficiente forma de dinheiro.

Este
processo — a evolução cumulativa de um meio de troca no livre mercado — é a
única maneira pela qual o dinheiro pode surgir e ser estabelecido.  O dinheiro não pode se originar de nenhuma
outra maneira: mesmo que as pessoas repentinamente decidam criar dinheiro
utilizando materiais inúteis, ou o governo decrete que determinados pedaços de
papel agora são “dinheiro”, nada disso pode funcionar se o bem estipulado não
possuir um histórico como meio de troca

Toda
e qualquer demanda por dinheiro ocorre porque as pessoas podem utilizar aquele
bem para calcular preços.  Incorporado na
demanda pelo dinheiro está o conhecimento dos preços do passado imediato.  Ao contrário dos bens diretamente utilizados
pelos consumidores e pelos empreendedores, a mercadoria a ser utilizada como
dinheiro tem de apresentar um histórico de expressão de valores na forma de
preços.  Antes de tal produto ser
definido como dinheiro, ele tem de possuir um passado no qual ele foi utilizado
como definidor de preços.  É sobre este
histórico que a demanda será baseada. 

Porém,
a única maneira pela qual isso pode acontecer é começando por uma mercadoria
que foi utilizada quando a economia ainda operava sob escambo.  Ato contínuo, a essa demanda anterior pelo
seu uso direto (por exemplo, no caso do ouro, para ornamentos), é acrescentada
a demanda para ele passar a ser utilizado como um meio de troca.[1] 

Portanto,
o governo é completamente impotente para criar um dinheiro do nada, utilizando
um material sem passado algum como meio de troca; o dinheiro só pode surgir e
evoluir pelo processo de livre mercado.

O
que nos leva, então, à verdade mais importante de toda essa nossa argumentação
a respeito do dinheiro: o dinheiro é uma mercadoria.  Aprender essa simples lição é uma das tarefas
mais importantes do mundo.  Com enorme
frequência, as pessoas falam de dinheiro como se fosse algo muito acima ou
muito abaixo dessa realidade.  O dinheiro
não é uma abstrata unidade de conta, perfeitamente separável de um bem
concreto; não é um objeto inútil que só presta para trocas; não é um “título de
reivindicação” sobre os bens produzidos pela sociedade; não é uma garantia de
um nível fixo de preços.  O dinheiro é
simplesmente uma mercadoria. 

O
dinheiro difere das demais mercadorias por ser demandado majoritariamente como
um meio de troca.  Mas, excetuando-se
isso, o dinheiro é uma mercadoria — e, como todas as mercadorias, ele possui um
estoque real e é demandado por pessoas que querem comprá-lo, que querem
portá-lo etc.  Como todas as mercadorias,
seu “preço” — em termos de outros bens — é determinado pela interação entre sua
oferta total, ou estoque, e sua demanda total por pessoas que querem comprá-lo
e guardá-lo. (As pessoas “compram” dinheiro ao venderem seus bens e serviços, e
“vendem” dinheiro ao comprarem bens e serviços).

Os benefícios do dinheiro

O
surgimento do dinheiro foi uma grande dádiva para a humanidade. Sem o dinheiro
— sem um meio geral de troca — seria impossível haver uma genuína
especialização, uma genuína divisão do trabalho.  Consequentemente, seria impossível a economia
avançar para além de seu nível mais simples e primitivo. Com o dinheiro, todos
os problemas de indivisibilidade e da “coincidência de desejos”, que
atormentavam a sociedade baseada no escambo, são eliminados.  Agora, João pode contratar trabalhadores e
pagá-los em… dinheiro.  O senhor Silva
pode vender seu arado por unidades de… dinheiro.

O
dinheiro-mercadoria é divisível em pequenas unidades, e é aceito
generalizadamente por todos.  Sendo
assim, todos os bens e serviços são vendidos por dinheiro, e esse dinheiro é
então utilizado para comprar outros bens e serviços que as pessoas
desejam.  Por causa do dinheiro, é
possível se criar uma complexa “estrutura de produção” formada por fatores de
produção como bens de capital, mão-de-obra e terra.  Todos estes fatores são combinados de modo a
aprimorar o processo produtivo em cada estágio da cadeia de produção.  E todos estes fatores são pagos em dinheiro.

A
criação do dinheiro traz outro grande benefício.  Uma vez que todas as trocas são feitas em
dinheiro, todas as ‘taxas de câmbio’ ou ‘razões de troca’ são expressos em
valores monetários, de modo que as pessoas agora podem comparar o valor de
mercado de cada bem em relação aos demais. 
Se um aparelho de televisão é trocável por três onças de ouro, e um
automóvel é trocável por sessenta onças de ouro, então nota-se que um automóvel
“vale”, no mercado, vinte aparelhos de televisão.  Tais ‘taxas de câmbio’ ou ‘razões de troca’
são os preços, e o
dinheiro-mercadoria serve como um denominador comum para todos os preços. 

É
o estabelecimento de preços monetários no mercado o que permite o
desenvolvimento de uma economia civilizada, pois somente os preços permitem ao
empreendedor fazer o cálculo
econômico.  Podendo fazer o cálculo
econômico, os empreendedores podem avaliar o quão corretamente estão
satisfazendo as demandas dos consumidores; eles podem avaliar como os preços de
venda de seus produtos se comportam em relação aos preços que têm de pagar
pelos fatores de produção (seus “custos”). 
Dado que todos esses preços são expressos em termos monetários, os
empreendedores podem determinar se estão auferindo lucros ou sofrendo
prejuízos.  São esses cálculos que guiam
os empreendedores, os trabalhadores e os proprietários de terra e de bens de
capital em sua busca pela renda monetária no mercado.  Somente esses cálculos permitem que recursos
escassos sejam alocados para seu uso mais produtivo — para aqueles
investimentos que irão satisfazer da melhor forma possível a demanda dos consumidores.

Praticamente
todos os manuais de economia dizem que o dinheiro possui várias funções: ser um
meio de troca, ser uma unidade de conta (ou um “mensurador de valores”), ser
uma “reserva de valor” etc.  No entanto,
já deve estar claro que todas essas funções são simplesmente corolários da
única grande função do dinheiro: ser um meio de troca.  Por sempre ter sido um meio geral de troca, o
ouro é a mercadoria mais comerciável. 
Ele pode ser estocado para servir como meio de troca tanto no futuro
quanto no presente, e historicamente todos os preços sempre foram expressos em
termos de ouro.[2]  Por sempre ter sido uma mercadoria utilizada
como meio para todas as trocas, o ouro sempre serviu como unidade de conta
tanto para os preços do presente quanto para os preços esperados no futuro. 

É
importante entender que o dinheiro só pode ser visto como uma unidade de conta
ou como um título de reivindicação sobre bens a partir do momento em que ele
passa a servir como um meio de troca.  É
de sua função como meio de troca que derivam todas as outras suas
características, como ser unidade de conta e reserva de valor.

Civilizações
só existem e o mundo só se desenvolve quando existe o dinheiro.


[1] Sobre a
origem do dinheiro, cf. Carl Menger, Principles
of Economics
, Glencoe: Free Press, 1950, p. 257-71; Ludwig von Mises, The Theory of Money and Credit, New Haven: Yale University
Press, 1951, p. 97-123.

[2] O dinheiro não “mensura”
preços ou valores.  O dinheiro é um
denominador comum para a expressão de preços e valores. Em suma, os preços são
expressos em dinheiro, mas são por ele mensurados.

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

65 comentários em “Sem o dinheiro, não há nem civilização e nem progresso”

  1. Pois é, me lembro demais de ter citado exatamente esse capítulo várias vezes no artigo sobre o bitcoin. Parecia que o Rothbard tinha uma bola de cristal

    ‘Porém, a única maneira pela qual isso pode acontecer é começando por uma mercadoria que foi utilizada quando a economia ainda operava sob escambo. O dinheiro não pode se originar de nenhuma outra maneira: mesmo que as pessoas repentinamente decidam criar dinheiro utilizando materiais inúteis, ou o governo decrete que determinados pedaços de papel agora são “dinheiro”, nada disso pode funcionar se o bem estipulado não possuir um histórico como meio de troca. ‘

  2. Não seria melhor deixar como no original ‘dinheiro é uma commodity’ do que ‘dinheiro é uma mercadoria’? Um carro é uma mercadoria, e não tem esse sentido que a palavra commodity tem, de se referir a bens sem muita diferenciação

  3. Prova que os direitontos, assim como os esquerdopatas odeiam o libertarianismo:

    “Para Cibele, a Arena vem suprir a vacância de uma representação de direita em um contexto de pragmatismo ideológico. “Eu diria que, entre os que estão por aí, não existe partido de direita. Existem centristas, um tanto governistas, na sua maior parte social-democratas (como o PSDB) ou liberais (como era o PFL, hoje Democratas, e o PP). O perfil do nosso partido não é focado no liberalismo. Como programa, a gente não defende o Estado mínimo nem o Estado máximo, porque o Estado máximo seria implantar uma ditadura aos moldes comunistas e marxistas, e o Estado mínimo seria simplesmente criar um anarquismo”, ela pondera, exaltando a moderação como virtude própria do conservador.”

    noticias.terra.com.br/brasil/politica/estudante-lidera-movimento-para-refundar-partido-do-regime-militar,29581cc32a55b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

  4. O dinheiro é a mais lamentável invenção da história humana. Ele é dívida e escravidão. Por que?

    Quando o governo toma dinheiro emprestado da Reserva Federal, ou quando uma pessoa faz um crédito num banco, quase sempre deve ser devolvido com pesados juro .Por outras palavras, quase todos os dólares que existem um dia terão que ser devolvidos a um banco com o pagamento de juros embutidos. Porém, se todo o dinheiro é emprestado do Banco Central, e expandido pelos bancos comerciais através de empréstimos, somente o que chamamos de "principal" está sendo criado na existência de dinheiro.Então, onde está o dinheiro para cobrir os juros que são cobrados? Em lugar nenhum. Não existe. As ramificações disso são inacreditáveis, pois a quantia de dinheiro devida aos bancos sempre será maior que a quantidade de dinheiro em circulação. É por isso que a inflação é uma constante na economia,pois o dinheiro novo é sempre necessário para ajudar a cobrir o défice embutido no sistema causado pela necessidade de se pagar juros. Isso também significa que, matematicamente, a insolvência e as falências são literalmente partes do sistema. E será sempre a parte mais pobre da sociedade que sofrerá com isso. Uma analogia seria a dança das cadeiras:quando a música pára, sempre sobra alguém de fora. A ideia é essa. As riquezas verdadeiras são invariavelmente transferidas das pessoas para os bancos,pois se não copnseguir pagar sua hipoteca, a sua propriedade será tomada. Isso é particularmente revoltante quando percebe não só que a insolvência é inevitável devido à prática de reservas fraccionadas,mas também porque o dinheiro que o banco lhe emprestou nem chegou a existir legalmente.

    Pense nisso: o dinheiro é criado a partir de dívidas. O que as pessoas fazem quando possuem dívidas? Buscam empregos para poder pagá-las. Mas se o dinheiro só pode ser criado a partir de empréstimos, como vai a sociedade algum dia libertar-se das dívidas? Não pode, e essa é a questão. E é o medo da perca de bens, junto com a luta para se manter com dívidas perpétuas e inflação como parte do sistema, compostos pela característica inevitável da escassez da oferta de dinheiro, criado pelos juros e que nunca poderão ser pagos que mantém o escravo do salário na linha correndo sem sair do mesmo lugar como milhões de outros. Efetivamente, fortalecendo um império que só beneficia a elite no topo da pirâmide. No fim das contas, para quem você realmente trabalha? Para os bancos! O dinheiro é criado no banco e acaba invariavelmente de retorno ao banco. Eles são os verdadeiros senhores, junto com as corporações e governos que apoiam. A escravidão física exige alojamento e comida para os trabalhadores. A escravidão econômica exige que as pessoas consigam a sua própria casa e comida. Esse é um dos engodos mais engenhosos para manipulação social jamais criados. E na sua essência está em guerra invisível contra a população. A dívida é a arma usada para conquistar e escravizar sociedades, e os juros são sua munição principal. Enquanto a maioria de nós circula sem saber dessa realidade, os bancos, associados aos governos e corporações continuaram a aperfeiçoar e expandir suas tácticas de guerra econômica.

    Ou seja, se desejarmos uma sociedade cuja administração central for baseada em uma visão realista dos recursos e do que fazer com eles, não deverá haver dinheiro ou determinação espontânea da alocação de recursos, pois os indivíduos que habitam e realizam trocas constantemente no mercado não fazem a menor idéia de como gerí-lo. Apenas uma instituição central será capaz de fazê-lo sempre voltada ao bem comum á longo prazo. O mercado é imediatista e apenas sobrevive enquanto os homens aceitarem serem escravos uns dos outros na satisfação dos desejos mútuos, o que é uma terrível brutalidade, pois o povo é constantemente alienado para rejeitar as brilhantes contribuição culturais de artistas e escritores; sendo eles dependentes da aprovação de um povo manipulado pelos ricos, jamais poderão viver de sua arte e seu trabalho jamais evoluirá a civilização. E ainda ouço críticas quando defendo que o Estado financie pensadores com o dinheiro daqueles que apreciariam sua arte se não fossem alienados pela mídia.

    Apoiar tal arranjo, ainda mais vindo do senhor Rothbard, é uma brutalidade. Se quisermos evoluir como sociedade, as trocas voluntárias e o dinheiro precisam deixar de existir.

  5. Olá pessoal, sou novíssimo no site. Tenho acompanhado alguns dos diversos artigos que aqui foram postados. Também li e aprendi muito com os debates que se formaram nos comentários. Por isso gostaria de agradecer a equipe que forma o IMB e todos que , através de comentário, distribuem todo esse conhecimento. Obrigado!
    Aproveitando a passagem, ficaria muito grato se alguém me indicasse um livro ou artigo(de preferência um artigo, visto que estes do IMB são bem didáticos) que me explique melhor como funciona esse negócio de “criação de dinheiro do nada por parte do Bacen” já citado por aqui. Novamente, obrigado!

  6. maurício barbosa

    A ordem espontânea não resolve todos os problemas,mas com certeza o setor privado é muito mais eficiente na alocação dos recursos,Mises acertou na mosca ao demonstrar que o teste de lucro\prejúizo do Mercado é infálivel,ou seja o estado é um peso morto em nossas costas,pois qual de nós quando procuramos emprego o nível de exigências é altìssimo tudo por conta dessa legislação trabalhista hipertrofiada,enquanto o governo faz lambança com nosso dinheiro,até quando meu DEUS seremos enganados e empurrados por este sistema corrompido e falido para nós e lucrativo para os poderosos.

  7. Um pensador de esquerda

    Como poderia dizer Arnaldo Jabor, este é um site fachista (“fascista” com sotaque carioca) visa somente o individualismo, a grana, a posse irresponsável de armas de fogo. Querem acabar com a América, e de quebra, o resto do mundo. O destino deu-nos Obama pela segunda vez. Aquele negro belo, de mãos santas, está desfazendo muitas cag@adas daqueles republicanos boçais, que encontram em sites fachistas como o Mises, retrógados analfabetos em economia básica, que ainda acreditam no livre mercado selvagem de uma América arcaica do século 19. Keynes e a crise de 1929 os enterrou há décadas, mas ainda estão por aí, assustando a tudo e a todos em incansáveis e histéricas criticas estúpidas contra a social-democracia.

  8. Como se a civilização e o progresso girassem só em torno de dinheiro. propriedade, família, cultura, moral, etc. nada disso importa, né? Só dinheiro.

  9. Sérgio,não é uma questão financeira,é uma questão de alocar recursos de forma eficiente e lucrativa para ambos os lados,para seu governo apesar da faculdade ser povoada de professores despreparados e até mesmo alienado e dos livros textos estarem recheados de teorias mainstream,mesmo assim todos reconhecem que o livre-comércio é benéfico para as nações,nós libertários acrescentamos livre-mercado onde cada produtor e cada consumidor livremente estabelecem o melhor acordo,esse papo de hipossuficiência é verdade em parte,pois as pessoas não são coitadinhas,são apenas desinformadas,portanto quando elas passam a ter acesso a informação automaticamente deixam de ser alienadas,é tudo muito simples,deixa de preconceito,ora ninguém precisa de faculdade para ser comerciante ou empresário(até mesmo político,essa classe abjeta e nojenta)e ai eu te pergunto a questão é só financeira.(Claro que não!)
    OBS: Faculdade só é importante em parte,ela só será preciosa quando o leque de matérias puder ser selecionada pelo aluno no tempo e no espaço,de acordo com suas necessidades e aliando teoria e prática livremente sem as amarras atuais onde o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende,um verdadeiro faz de conta,posso te dizer que aprendo economia muito mais nos artigos de Mises do que vi na faculdade, instituição falida.

  10. Leandro gostaria imensamente que a equipe IMB fizesse um artigo único ou vários abordando as demonstrações contábeis do Banco central de forma didática com dados reais ou dados fictícios e com riqueza de detalhes(marca registrada do IMB)de maneira a ficar claro o modus operandi dessa instituição nefasta para o mercado e mais ainda para nossas poupanças.
    Sei que é uma tarefa complicada,mas ela se tornaria referência no site para tirar dúvidas sobre política monetária na prática.Pois nos livros-textos da academia tal assunto é abordado superficialmente e até mesmo de forma confusa,como o objetivo do site é desmistificar as ciências econômicas,acredito ser fundamental destrinchar ao máximo como funciona esta merda de instituição.

  11. ‘Porém, a única maneira pela qual isso pode acontecer é começando por uma mercadoria que foi utilizada quando a economia ainda operava sob escambo”

    O cigarro tem esse papel no sistema prisional…

  12. Bom dia!
    A economia americana volta a polarizar um novo aumento no teto da divida. Parece que eles tem a certeza de que o desenvolvimento econômico vai ocorrer logo. Existem alguns que começam a dizer de um possível default full-blown. O atual presidente Obama, quando senador nao criticou aumento no teto da vivida? abs

  13. Obrigado, Leandro! Só para ver se entendi: esse período(1865-1913) representa a época em que os EUA utilizaram o padrão-ouro, correto? No mesmo site eu coloquei também a data de 1913 à 2012, a inflação foi de 3,25%, então esse aumento inflacionário é devido o intervencionismo do FED, certo? Obrigado!

  14. Expliquem uma coisa, quando teve padrão-ouro sem interferência de governo? Já existiu? Porque os reinos nacionais já cunhavam as moedas e até Roma… Houve algum momento em que realmente não teve?

  15. Certo, Leandro, estou compreendendo! Mas, e se pensarmos pelo lado otimista, quero dizer, e se esse aumento de dinheiro na economia fosse com o intuito de estimular o crescimento. Por exemplo: a grande oferta de crédito no setor imobiliário tem estimulado a construção civil. Indo direto ao ponto, quero dizer que, pelo que entendi até agora, a ideia libertária promove crescimento lento(falta de estímulo), e, a intervencionista promove crescimento pontuado(ciclos), não?
    Nota: a pergunta faz parte do meu processo de entendimento, por favor, não entendam como crítica!

  16. Leandro e Renato Souza, obrigado! Noto que tenho que estudar muito ainda, pois vários são os pré-requisitos para compreender a amplitude de suas respostas. Prezado Leandro, sem querer abusar de sua boa vontade, você poderia ter só mais um pouco de paciência e explicar a parte da “demanda genuína” e “desperdícios de recursos escassos”, dentro do seguinte contexto?
    Moro em uma pequena cidade do interior do Ceará. Aqui a renda das pessoas é basicamente resultante da agropecuária, aposentadoria, comércio e salários da prefeitura. Muitas pessoas não possuíam residências, viviam de aluguel. Mas com os incentivos ao crédito imobiliário a maioria conseguiu a casa própria. Detalhe: aqueles que já tinham casa, agora têm duas e alugaram, melhorando assim a renda dos mesmos.enfim, ao que parece, a demanda, embora não existisse antes, passou a existir(isso é ruim?). E os recursos escassos não foram desperdiçados, mas estão lá, digo, aqui, em forma de moradia. E, embora os preços em geral tenham subido,tornando-as pessoas devedoras, algumas resolveram esse problema diminuindo seu padrão de vida até que as contas fossem pagas(forma estimulada de poupança).
    Grato!

  17. Daniel

    Responderei usando o pensamento de Bastiat: Julque pelo que você vê e também pelo que vocênão vê.

    Você vê o financiamento de imóveis a juros baratos.

    O que você não vê? Boa parte desse financiamento é originado em criação de dinheiro novo (inflação monetária). É uma das características da inflação monetária privilegiar alguns em detrimento de outros. Tomadores de empréstimos baratos são beneficiários da inflação monetária. Quem são os prejudicados? Toda a sociedade, que pagará a mais pelos produtos. Mas o benéfício é atribuido ao governo (os juros baratos). O prejuizo, quase ninguém percebe que é o outro lado da moeda.

    Essa inflação causa diminuição da riqueza, perda de empregos, dificuldade em aumento da produção, mas seus efeitos são invisívels, porque distribuidos.

    Em parte esses empréstimos baratos podem ser custeados por aporte de recursos do tesouro. Impostos altos geram muitos dos mesmos efeitos que a inflação. Para proteger a indústria nacional da concorrência dos estrangeiros, que pagam bem menos impostos, aumentam os impostos de importação, tornando os produtos mais caros ainda. Podem ser recursos repassados pelo BNDES, do fundo de garantia. Menor rendimento do fundo de garantia. Podem ser recursos retirados da previdência. Maior buraco no rombo dela. Podem ser recursos custeados por empréstimos (ou pela rolagem de empréstimos, deixando de pagar o juros e aumentando a dívida). Recursos retirados de nossos filhos.

    Agora pense, se em vez de “oferecer” empréstimos a juros baratos, o governo deixasse de causar todos esses males. Todos teriam mais riquezas, haveria mais poupança, e os imóveis poderia ser construídos ou comprados a juros NATURALMENTE mais baratos.

    Imagine um habitante da Coréia do Norte. Seu governo é o mais opressivo do mundo, e o povo come grama literalmente. Possivelmente, muitos habitantes daquele país, que nasceram depois de implantado o comunismo, não tem a menor idéia do que é viver em libertada. Na mente daquelas pessoas, o governo é seu benfeitor, porque na sua miséria, o pouco que tem é “dado” pelo governo. Ele é considerado o “supridor”. Ele é o grande carcereiro, mas se você disser a muitos habitantes daquele país que o governo desaparecerá no dia seguinte, ficarão desesperados, porque na sua visão, o governo é o produtor e doador do alimento, das roupas, das casas, de tudo. Eles veem o que o governo “dá” mas não veem o que deixou de existir para que aquele governo genocida possa se manter.

    Eles não consideram o que não veem.

  18. Evandro, é como o Leandro falou que o Bastiat falou: “Na economia, mais importante do que aquilo que se vê, é aquilo que não se vê. O que você viu foram algumas pessoas da sua cidade comprando casas. O que você não viu foram as pessoas de outras cidades que não foram beneficiadas por essa expansão inflacionária do crédito e que, exatamente por isso, hoje não mais podem comprar suas casas porque os preços gerais de tudo (principalmente material de construção e mão-de-obra) subiram.”

    Pense que, ao invés do financiamento imobiliário fosse o financiamento industrial. As empresas que chegassem primeiro receberiam o dinheiro sem o efeito da inflação alastrado pela economia, enquanto que as empresas que recebessem por último e as que não recebessem teriam que conviver com esse efeito já instalado.

    Além disso, o resto da sociedade teria de pagar a mais por essa inflação, pessoas que não tem nenhuma ligação com esse aumento do crédito. Sem contar a forma como esse crédito foi criado (no caso do minha casa minha vida, dinheiro público), o qual a sociedade inteira terá de pagar por meio de impostos ou inflação.

    Enfim, a família estaria em melhor situação porque o resto da sociedade arcou com essa melhora. Não houve almoço grátis.

  19. Bom , pessoal, pelo que entendi houve uma ramificação do assunto inicial. Em meu comentário (sobre os imóveis)questionei sobre o possível benefício gerado pelo intervencionismo, naquele exemplo… E isso foi muito bem respondido, principalmente, quando Leandro, Renato Souza e também Arthur M M, resgataram o pensamento de Bastiat. Evandro, ao que entendi, defendeu que é mais vantajoso e benéfico pagar as prestações da casa à aluguel(corrija-me se estiver errado), o que é outro assunto. Quanto a mim estou satisfeito com as respostas dadas(pelo menos por enquanto…).
    Outra coisa pessoal, normalmente as explicações que encontro sobre o que levou a crise de 29 foi o liberalismo, e, a solução para tal crise: o keynesianismo. Aposto que tem um artigo aqui sobre esse assunto, alguém poderia me indicar?

  20. A moeda de troca, portanto, é a base do progresso da civilização. Contudo, o padrão ouro, pela sua estabilidade, é sempre melhor que o papel moeda.

    Mas uma pergunta: um país que possui ouro e prata em seus territórios estaria mais avançado (pois assim poderia instituir um padrão ouro) do que um país que não possui?

  21. Alguem pode me explicar esse trecho do ação humana? O que significa demanda industrial da moeda? Ela nao é só um meio de troca?

    “Assim sendo, a demanda por um meio de troca compõe-se de duas demandas parciais: a demanda dos que pretendem usá-lo para consumo ou produção e a dos que desejam usá-lo como um meio de troca.[10] No que concerne à moeda metálica moderna, fala-se da demanda industrial e da demanda monetária. O valor de troca (o poder aquisitivo) de um meio de troca é o resultado do efeito acumulado dessas duas demandas parciais.”

Rolar para cima