Julgo totalmente impossível a ginástica
dialética feita por Marx fosse a fonte e a real justificativa de sua convicção. Um
pensador da sua categoria — e considero-o um pensador de primeiríssima ordem —,
caso desejasse chegar a uma convicção própria, procurando com olhar imparcial a
verdadeira relação das coisas, jamais teria partido por caminhos tão tortuosos
e antinaturais. Seria impossível que ele
tivesse, por mero e infeliz acaso, caído em todos os erros lógicos e
metodológicos acima descritos, obtendo, como resultado não conhecido nem
desejado, essa tese do trabalho como única fonte de valor.
Creio
que a situação real foi outra. Não
duvido de que Marx estivesse sinceramente convencido de sua tese. Mas os motivos de sua convicção não são
aqueles que estão apresentados em seus sistemas. Ele acreditava na sua tese como um fanático
acredita num dogma. Sem dúvida, foi dominado
por ela por causa das mesmas impressões vagas, eventuais, não bem controladas
pelo intelecto, que antes dele já tinham desencaminhado Adam Smith e David Ricardo,
e sob influência dessas mesmas autoridades. E ele, certamente, jamais alimentou a menor
dúvida quanto à correção dessa tese. Seu
princípio tinha, para ele próprio, a solidez de um axioma. No entanto, ele teria de prová-lo aos
leitores, o que não conseguiria fazer nem empiricamente nem segundo a
psicologia que embasa a vida econômica.