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Ocupando Wall Street sob a influência do inimigo

O movimento de “ocupação” de Wall
Street prospera e se expande baseando-se na alegação de que 99% da população é
explorada pelo 1% restante.  De fato, tal
dado é uma realidade.  Porém, os manifestantes
erraram fragorosamente a identidade dos grupos. 
Eles imaginam que o problema está no 1% das pessoas mais ricas dos
EUA.  Mas a realidade é que este 1%
inclui algumas das mais brilhantes e mais inovadoras pessoas do país — são as
pessoas que inventam, comercializam e distribuem benefícios materiais para toda
a população.  São elas também quem detém
o capital que sustenta a produtividade e o crescimento.

Mas há um outro 1% na sociedade,
que são aqueles que de fato vivem parasiticamente à custa da população,
explorando os 99% restantes.  E isso não
é um fenômeno recente.  Há uma longa
tradição intelectual — iniciada ainda no final da Idade Média — que chama a
atenção para a estranha realidade de que uma ínfima minoria vive à custa do
trabalho produtivo da esmagadora maioria.

Refiro-me obviamente ao estado,
que mesmo hoje é formado por uma minúscula fatia da população, mas que é a
causa direta de todas as guerras que nos empobrecem, da inflação, dos impostos,
da organização da sociedade em grupos antagônicos e dos conflitos sociais.  Este 1% é também a causa direta da violência,
da censura, do desemprego e do vasto nível de indigência.

Apenas veja os números coletados
pelo último censo.  A população dos EUA é
de 307 milhões.  Existem aproximadamente
20 milhões de funcionários públicos em todos os níveis de governo, o que dá
6,5% da população.  Mas 6,2 milhões
destas pessoas são professores de escolas públicas, os quais, creio eu, podemos
dizer que não fazem parte realmente a elite dominante.  Isso nos deixa então com 4,5% da população.

Podemos retirar da conta mais
meio milhão de pessoas que trabalham nos Correios, e provavelmente o mesmo
número que trabalha nas várias repartições públicas.  Provavelmente há um outro milhão que não
trabalha em nenhum braço armado do estado, que é aquele responsável pela
imposição e execução de ordens e decretos. 
E podemos descontar também o enorme e assombroso exército de burocratas que
se limita apenas a fazer os trâmites da papelada.  Governos municipais não geram problemas em
escala nacional (geralmente), e o mesmo pode ser dito dos 50 estados.  O problema real, portanto, está em nível
federal (8,5 milhões de pessoas), do qual podemos subtrair toda a cornucópia de
barnabés que se limita a cumprir mecanicamente tarefas puramente burocráticas.

No final, ficamos com
aproximadamente 3 milhões de pessoas, as quais constituem o que é comumente
chamado de estado.  Para resumir, podemos
simplesmente dizer que estas pessoas formam o 1% que manda e desmanda.

Este 1% não gera absolutamente
nenhuma riqueza própria.  Tudo o que eles
têm, eles conseguiram confiscando diretamente de terceiros.  E tudo sob o manto da lei.  Eles vivem totalmente à nossa custa.  Sem nós, o estado como instituição
definharia.

E aqui chegamos ao núcleo da questão.  O que é o estado e o que ele faz?  Há uma enorme confusão a respeito deste
assunto, e isto quando tal assunto sequer é discutido.  Durante centenas de anos, as pessoas
imaginaram que o estado seria uma instituição orgânica que se desenvolve naturalmente
em decorrência de algum contrato
social
.  Ou talvez o estado seria
nosso benfeitor, pois ele nos fornece serviços que de outra forma não
poderíamos nos fornecer a nós mesmos.

Nas salas de aula e nas
discussões políticas, não há nenhum debate honesto sobre o que é o estado e o
que ele faz.  Porém, na tradição
libertária, as coisas são muito mais explícitas. 
De Bastiat a Rothbard, a resposta sempre esteve visivelmente clara.  O estado é a única instituição da sociedade
que tem a permissão da lei de usar de força agressiva contra o indivíduo e a
propriedade.

E isso é fácil de entender por
meio de um simples exemplo.  Digamos que
você vá a um restaurante e se sinta totalmente desconfortável com a cor das
paredes do estabelecimento.  Você pode
reclamar com o proprietário e tentar persuadi-lo a alterar a pintura.  Se ele não atender ao seu pedido, você pode
simplesmente não voltar mais ao local. 
Porém, se você, ainda inconformado, decidir arrombar o estabelecimento,
tirar dinheiro do caixa, comprar tinta e pintar todas as paredes por conta
própria, você será acusado de delito criminal e pode até ir para a cadeia.  Qualquer pessoa sensata na sociedade irá
concordar que o que você fez é errado.

Mas com o estado as coisas
funcionam diferentemente.  O estado opera
em outra dimensão moral.  Se ele não
gostar da pintura do restaurante, ele pode criar uma lei (ou talvez nem mesmo se
dê ao trabalho de fazer isso) e expedir uma ordem.  Ele pode determinar o que o proprietário deve
fazer com sua própria propriedade.  Mas
não será o estado quem fará o trabalho da pintura.  O estado pode obrigar você a repintar seu
próprio estabelecimento.  Se você se
recusar, você será acusado de delito criminal e desacato.

Os mesmos objetivos, meios
diferentes, e dois tipos de criminosos completamente distintos.  O estado é a instituição que basicamente redefine
o conceito de delito criminal apenas para se isentar das mesmas leis que
governam todo o resto da sociedade.

O mesmo raciocínio se aplica para
todos os impostos, todas as regulamentações, todos os decretos, e para cada
palavra das novas leis burocráticas que são diariamente inventadas.  Tudo isso representa coerção.  Nos setores monetário e bancário, foi o
estado quem criou o Banco Central e é ele quem dá sustentação ao atual regime
inflacionário, pois ele violentamente impede a concorrência no setor monetário
— impedindo que ouro, prata ou até mesmo outras moedas de papel sejam
utilizadas concorrencialmente — e limita ao máximo a concorrência no setor
bancário.  De certa forma, esta é a mais
pavorosa intervenção de todas, pois permite que o estado destrua o nosso
dinheiro impunemente, sempre de acordo com suas necessidades.

O estado é o inimigo de todas as
pessoas trabalhadoras e honestas.  E por
que os manifestantes não entendem isso? 
Porque eles foram vítimas da máquina de propaganda do estado —
aquinhoada nas escolas e universidades públicas –, a qual afirma que todos os
sofrimentos humanos devem ser imputados à livre iniciativa e a agentes
privados.  Eles não entendem que o
verdadeiro inimigo é exatamente a instituição que fez esta lavagem cerebral
neles, condicionando-os a pensar exatamente da maneira como pensam.

Eles realmente estão certos em
dizer que a sociedade está flagelada por conflitos, e que a batalha está
completamente desequilibrada.  Realmente
são os 99% contra o 1%.  Eles apenas
estão enganados quanto à identidade do inimigo.

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85 comentários em “Ocupando Wall Street sob a influência do inimigo”

  1. Eu sempre fico confuso quando falam em quem tem o controle sobre a emissão de moeda. Vejo muita gente, incluindo a grande mídia, dizendo que é o estado. Mas vejo outros dizendo que na verdade são entidades privadas, sendo o próprio FED propriedade privada de algumas poucas familias abastadas.

    Neste cenário, essas famílias praticamente controlam a economia mundial, nos mantendo praticamente como servos do sistema, sendo o sistema bancário de reservas fracionadas a principal munição para manter a população nessa condição.

    Primeiramente fiquei com a impressão de que isso seria appenas teoria da conspiração, mas cada vez mais vejo mais gente esclarecida, incluindo professores universitários, mestres e doutores comentando sobre essa questão.

    Gostaria de uma opinião sobre essa questão de pessoas que conhecem melhor o cenário da economia mundial.

  2. Belo artigo do Rockwell. Deveria ser lido (e compreendido) por todos aqueles que, de uma forma ou de outra, apoiam o estado e suas politicagens. Esse movimento de ocupar Wall Street está apontando o inimigo errado mesmo. O interessante é que se você analisar os participantes, só tem esquerdistas e alienados em geral.

  3. Sempre leio artigos desse site, concordo com alguns, com outros nem tanto, mas esse foi o pior de todos. O estado, seja aqui no Brasil ou nos EUA está nas mãos da classe dominante. Quandos os americanos protestam contra o 1%, nessa lista já se inclui banqueiros, empresários dos setores de armas e petróleo e também os lobistas que estão no congresso e no poder executivo defendendo os direitos destes. O governo americano gastou mais 1 tri para resgatar os bancos, os banqueiros que foram irresponsáveis nada sofreram, mas a população vai ter que arcar com o preço desse resgate e ainda têm que enfrentar execuções de hipotecas. O estado age em nome dos ricos, que são os que financiam suas campanhas. Acho que há muita ficção nessa história de famílias que dominam o mundo, mas é claro como a luz do sol que hoje as chamadas democracias governam para os ricos. Aqui no Brasil mesmo, vejamos, muito se fala que a carga tributária é altíssima, mas ninguém diz que de tudo que é arrecadado pelo estado, 40% é usado para rolar a dívida pública (Dados do IPEA). Que mais 20% retorna para iniciativa privada através de subsídios e renúncia fiscal(Segundo o presidente do IPEA). Quando subtraimos o que estado gasta só pra manter a máquina pública, vemos que o que sobra pra investimento é pouquissimo. No entanto o que vemos na TV é os ditos especialistas cobrando a redução da carga tributária, ao invés de uma reforma na tributação. Acontece que no brasil, a carga tributária está concentrada sobre a produção e o consumo. Os pobres acabam pagando proporcionalmente mais impostos que os ricos, já que gastam quase toda sua renda com consumo. Em países como Suécia e Noruega o grosso da carga tributária incide sobre a renda, quem ganha mais paga mais e ainda tem impostos sobre patrimônio. Aqui no Brasil o cidadão que dá um duro danado pra ganhar 10 mil e tentar ter uma vida digna, paga as mesmas aliquotas de imposto que a pessoa que 200 mil. E o pior, quem vive de dividendos não paga imposto de renda pq os mesmo são pagos pela empresa, quem aplica em ações paga 15% sobre o lucro. No entanto a classe dominante não reclama dessa situação absurda. Querem reduzir impostos sobre a produção, mas não repassaram essa ganho para a população, vão aumentar seus exorbitantes lucros. Veja o BNDES, um absurdo, um roubo, faltam adjetivos negativos para descrever a atuação dessa instituição que se diz pretensa a promover o desenvolvimento Econômico e Social. Se o cidadão comum que abrir um pequeno negócio, têm que ralar para pagar empréstimos a juros extorsivos e ainda enfrentar uma enorme burocracia. Mas as grandes empresas quando querem dinheiro o que fazem, vão ao BNDES e pegam financiamentos a juros irrisórios. Acontece que o dinheiro do BNDES é dinheiro público, o mesmo que o dinheiro pegou emprestado, pagando juros de 12% a.a., vai agora emprestar a 1 ou 2% a.a.. E você me diz que é contra o estado que a população têm que se revoltar? Não, tem que se revoltar contra esse sistema econômico excludente, que confere a alguns o poder econômico e através deste o poder político. Abaixo o capitalismo.

  4. Quando encontrei este site pela primeira vez achei ele interessante e educativo. Aos poucos fui verificando umas idéias que me pareciam um tanto extremas.

    Pesquisando na wikipedia, descobri que grande parte dos membros mais importantes do Instituto Ludwig von Mises é adepata do anarco-capitalismo. Devo confessar que nem tinha conhecimento que tal ideologia existia. Confesso também que considero o anarco-capitalismo uma ideologia coerente consigo mesma.

    No entanto, não sou adepto e não concordo com ela. É claro que somos todos livres pra pensar o que quisermos, e este site ainda pode ser uma fonte interessante de consulta, tomadas as devidas ressalvas.

    Só o que me decepciona é o fato da ideologia completa do instituto não estar explicita, tendo que ser percebida no seu conteúdo. A área “Sobre nós” poderia ser revista.

    Sds

  5. Engraçado é os Austríacos exigirem honestidade dos professores quando se referirem ao estado, mas nem os austríacos são honestos quando se referem a falta de um… Não existe nem um estudo empírico se quer que prove que a sociedade conseguiria se organizar sem um estado ou controle central qualquer. ou seja, sempre na história da humanidade houve civilizações organizadas por algum líder ou algo do tipo. Gostaria mesmo que os austríacos não ficassem simplesmente na crítica, pois crítica todo marxista sabe fazer tbm, gostaria que apresentassem um estudo empírico provando que um anarc-capitalismo seria uma melhor opção do que um estado mínimo que fosse, caso cotrário vai ser impossível convencer uma sociedade de teorias utópicas como anarc-cap ou comunismo, pois no final são tudo uma farinha do mesmo saco.

    Abraços!!!

  6. é verdade,
    não temos nenhum exemplo de uma sociedade assim,
    mas podemos tentar achar os países mais livres,
    com menor carga tributária e menor máquina estatal.
    No ranking por carga tributária(link abaixo), os países com menos de 10% de carga são em sua maioria pobres…
    pt.wikipedia.org/wiki/Carga_tribut%C3%A1ria
    neste ranking tem muitos países árabes e da África.
    No ranking de liberdade econômica as coisas já ficam mais coerentes, mas dentre os primeiros a tributação não pode ser considerada baixa, vejam:
    http://www.heritage.org/index/Ranking.aspx

  7. Erik Frederico Alves Cenaqui

    O IMB nem deveria tratar deste assunto que é a suposta ocupação de Wall Street porque se trata de uma articulação partidária.\r
    \r
    O Partido Democrata criou esta “ocupação” para contrapor ao Tea Party (Partido Republicano).\r
    \r
    O sempre excelent Lew Rockwell poderia ter tido que é um daqueles “movimentos sociais esquerdistas” que visa defender o estatismo e ajudar os democratas a reelegerem o Obama.\r
    \r
    Não precisava ter ido tão longe.\r
    \r
    Abraços

  8. Lendo hoje um artigo sobre a Síria, onde pessoas contrárias ao sistema, quando entram num Hospital da Síria, saem com um Tiro na cabeça.\r
    \r
    No Brasil, tirando as capitais, existem guardas Municipais espreitando internações.\r
    \r
    Por quê?\r
    \r
    Por que ninguém reflete sobre.

  9. Leandro e Fernando,

    Parabéns pelo texto…muito bom, como sempre.

    Fiquei com vergonha alheia pelo Deilton pelo fato de ele vir ao site do IMB falar tanta besteira sem, ao menos, ter estudado um pouco o assunto.

    É nego que lê a Folha e acha que sabe tudo de Economia…leitor do Paul Krugman…

    Abr,

    Ronaldo

  10. Erik Frederico Alves Cenaqui

    Prezados leitores do IMB\r
    \r
    Gostaria de fazer algumas considerações sobre alguns comentários que eu percebo na internet.\r
    \r
    Eu noto que existem diversos sites na internet que são altamente críticos a certas idéias hegemônicas no Brasil.\r
    \r
    O Instituto Ludwig Von Mises Brasil é um destes sites vez que combate o estatismo de uma forma firme e com idéias muito bem estruturadas e claras.\r
    \r
    Ocorre que, eu noto que quando um texto é aberto para comentários surgem certos tipos de textos muito curiosos.\r
    \r
    Certas pesssoas fazem comentários gigantescos criticando os textos usando “gritos de guerra” e “frases de efeito” típica dos marxistas e que na maioria das vezes são contratidórios vez que tão somente tumultuam o debate de idéias.\r
    \r
    Eu acreditos que estas pessoas são militantes de partidos de esquerda ou estudantes universitários de sociologia, ciência política, dentre outras, que fazem patrulhamento ideológico na internet.\r
    \r
    Um dos objetivos do marxismo cultural é criar um clima de bangunça intelecual como forma de interditar o debate.\r
    \r
    É evidente que os comentários críticos, gigantescos e contraditórios somente são feitos para atrapalhar o raciocinio lógico das pessoas.\r
    \r
    Estes tipos de comentários devem ser tratados com indiferença, mas devem ser mantidos para mostrarem o baixo nível intelectual dos marxistas culturais.\r
    \r
    OBS: Achei muito cômico a sugestão do Deilton de substituir o “estado capitalista” pelo “estado intervencionista”. \r
    \r
    Abraços

  11. Deilton,

    Você defende o socialismo e ao mesmo tempo é contra o 1%. Mas o que você não percebe é que o 1% também defende o socialismo e defende as manifestações contra o capitalismo.

    Pelo visto o Estado mínimo, como descrito no livro A LEI, é atacado pelo senhor pois o mesmo seria a proteção do capitalismo, no seu ponto de vista. Porém esse Estado mínimo não existe mais, o senhor está a atacar uma coisa que não existe. E além disso o senhor ataca esse Estado não porque está do lado da tradição austríaca da defesa ferrenha da propriedade, mas pelo contrário, você o ataca porque evidentemente é contrário a propriedade. Resumindo, você ataca algo que está justamente querendo que você ataque!

    Portanto as pessoas aqui não estão sendo desrespeitosas, é que você realmente não entende as besteiras que diz, e elas nem cabem no nível de discussão.

    Para complementar esse artigo, eu gostaria de recomendar uma leitura:
    vo1cefa2la.wordpress.com/2011/10/05/occupy-wall-street-mass-economic-riots-are-now-here-and-america-will-never-be-the-same/

    Nesse texto, conforme já denunciado pelo professor Olavo de Carvalho, mostra-se que Stephen Lerner (agente de Obama) organizou os protestos em Wall Street. E quem mais estaria do lado de Obama senão Wall Street?

  12. Eu sempre tenho reservas quando o debatedor utiliza expressões como “capitalismo selvagem” ou “neoliberalismo”, pois não tem significado no mundo real…são meros chichês repetidos por quem desconhece como as coisas funcionam.
    Costumo dizer que todos fazemos parte do mercado, nós somos seres capitalistas, independente que quão comunista seja, uma vez que sempre estamos “à caça” de oportunidades, ou seja, de comprar o mais barato possível e de vender o mais caro possível…essa é a lógica da maximização do bem estar que todo mundo busca.
    Se acha o contrário, faça o seguinte: seja socialista na ações e não só na palavras, venda o seu carro que vale R$ 10.000 por R$ 1.000! Não sei vc, mas alguém vai gostar.
    O que o Deilton disse é que todos estamos errados em aproveitar as oportunidades, em não agir segundo nossa capacidade…que todos devemos ser medíocres, pois a meritocracia é errada! Parem o mundo que eu quero descer!
    Me corrijam se estiver errado.

  13. A crítica de Lew Rockwell aos manifestantes é muito parecida com a crítica de Herman Cain. Para Rockwell, “os manifestantes erraram fragorosamente a identidade dos grupos”. Para Cain, os manifestantes “estão direcionando sua raiva ao lugar errado”:

    “They might be frustrated with Wall Street and the bankers, but they’re directing their anger at the wrong place. Wall Street didn’t put in failed economic policies. Wall Street didn’t spend a trillion dollars that didn’t do any good. Wall Street isn’t going around the country trying to sell another $450 billions. They ought to be over in front of the White House taking out their frustration.”

    O candidato libertário, Ron Paul, apoiado pelo Lew Rockwell e o Instituto Mises, criticou a posição de Herman Cain e defendeu a ocupação de Wall Street:

    “Well I think Mr. Cain has blamed the victims. There’s a lot of people that are victims of this business cycle. We can’t blame the victims. But we also have to point – I’d go to Washington as well as Wall Street. But I’d go over to the Federal Reserve. They create the financial bubbles and you have to understand that. You can’t solve these problems if you don’t know where these bubbles come from.”

  14. Eu gosto muito do site e também dos comentários do Fernando Chiocca, o único porém é que às vezes ele perde a postura, o que pode acabar ofuscando as respostas dadas.

    Sim, o sujeito ali está falando um monte de contradições. Também sei que muitas vezes enche o saco responder sempre a mesma coisa (embora seja em tópicos diferentes), mas o que custa tomar uma maracugina e responder platonicamente?

    Na minha opnião, o que acaba acontecendo é uma guerra escrita e não um debate de ideias lógicas. No fim das contas vira um mero debate pessoal, em que ótimos argumentos sequer são lidos.

    Beijos e abraços.

    Marco

  15. Deilton,

    Não sei se você ainda está acompanhando a discussão. Não tenho vergonha de dizer que alguns dos seus questionamentos já foram os meus. Eu não nasci sabendo economia, muito menos sobre a Escola Austríaca de Economia (a qual considero ainda ter um longo caminho a ser trilhado rumo à profunda compreensão de suas abrangentes ideias).

    Quero tentar contribuir com um raciocínio simples, exposto por Henry Hazlitt. Sugiro, antes de qualquer outra leitura, que dedique um final de semana a um curto livro deste autor: Economia Numa Única Lição (www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=25). Não traz jargões, equações ou debates ideológicos. São apenas argumentos claros e francos sobre diversos aspectos econômicos ubiquos, tais como papel do governo, controle de preços e envididamento público. Irá ampliar de forma significativa seu espectro de ideias. Para experimentar, leia os três primeiros capítulos. Não deve tomar mais que meia hora.

    Voltando ao raciocínio, é muito nobre que desejemos que todos os indivíduos neste planeta tenham condições razoáveis de vida: uma boa casa para morar, educação, saúde e alimentação garantidas. Mas consumo depende da produção. Para que alguém possa usufruir de produtos/serviços, ainda que sejam “básicos e mínimos para a dignidade humana”, alguém precisa fornecê-los. E esse “alguém” são outras pessoas, que também demandarão serviços/produtos básicos. Pessoas produzem. O estado é incapaz de fazê-lo (na melhor das hipóteses, pagará alguém para fazê-lo com o dinheiro subtraído de outros). Aí reside um ponto frequentemente ignorado pelas teorias socialistas: a escassez. O estado não pode fornecer algo sem custo para as pessoas. Decretos não criam médicos nem alimentos. Esses médicos serão pagos com o dinheiro debitado do que a população produziu. E via de regra (na verdade, sempre), o estado gastará (muito) mais que o necessário e o serviço chegará a menos pessoas que deveria. E o pior: desestimulando aqueles que produzem ao retirar-lhes boa parte de sua produção. No arranjo final teremos produção abaixo do que poderia ser, com grande desperdício de escassos recursos e alocação arbitrária (o estado vai redirecionar os recursos como achar melhor – e esse melhor costuma ser o “amigo” do governante).

    Há ainda uma infinidade ao cubo de coisas a serem ditas. Espero que tenha ajudado em algo e que você possa ler esse livro introdutório a algumas das ideias difundidas por este Instituto.

    Abraços.

  16. Deilton
    Vou te mostrar em uma sintese como o estado rouba quando ele se apropria da criação de dinheiro e o motivo de não pode ser considerado capitalismo o que existe hoje.

    Imagine que em toda a economia do Brasil exista a quantia de R$ 1.000,00 circulando. Todo o dinheiro que existe no país seja este. E que tu deten R$ 50,00.

    Em um sistema de moeda comodity (ou mesmo papel-moeda mas que não tenha alteração na quantidade) em que o governo não pode criar dinheiro do noda com sua impressora tu sempre que conseguir um novo R$1,00 vai ficar R$ 1,00 mais rico.

    Contudo o sistema atual não é de moeda comodity organizada pela sociedade como foi por milhares de anos e sim um papel-moeda de curso forçado (ou seja, torna obrigatório que todas as pessoas naqule país aceitem aquele pedaço de papel como sendo dinheiro) que pode ser criado quando o governo bem entender e somente pelo governo.

    Agora tu imagina que o governo está com dificuldade de pagar suas contas e possui muitos débitos e resolve criar mais R$ 1.000,00 para poder operar melhor.

    Como ele “criou” essa riqueza do nada? Simples, ela não foi criada mas sim roubada de todos os que detinham algum Real momentos antes da criação do novo dinheiro.

    Se existiam R$ 1.000,00 e tu tinha R$ 50,00 e agora existem R$ 2.000,00 e tu continua com os mesmos R$ 50,00 quer dizer que o governo acabou de tirar metade da riqueza que tu tinha. Ele simplesmente te roubou à luz do dia.

    Claro que estou simplificando o sistema. Mas é isso que a inflação monetária representa. Os preços dos bens não sobem, é o valor da moeda que diminui.

    Tu não parece ser tão novo que não lembre do tempo da inflação galopante e de preços indexados. Aquilo ocorria exatamente da forma como eu descrevi acima: O governo tinha dificuldades de pagar as contas então simplesmente imprimia dinheiro novo. Lembra como era? Cada vez que tu recebia um salário ou um pagamento ter que correr para o banco ou para o supermercado para que ainda pudesse ser feito algo antes que o dinheiro perdesse o valor? O problema que havia não era que os produtos subiam mas que a moeda valia menos.

    A outra parte importante é que essa inflação não acontece no mesmo instante da criação do dinheiro de papel novo. Portanto aqueles que recebem primeiro ficam com uma moeda valendo mais. Até todo mundo perceber que a moeda não vale mais tanto, quem já recebeu ela primeiro acabou ganhando uma riqueza grande em cima de quem recebeu depois. A inflaçã monetária não acontece de modo linear.

    Por isso a defesa tão ferrenha que aqui é feita de que o governo simplesmente rouba as pessoas. Existem pessoas, mesmo aqui, que defendem um estado. Um que não regule a economia. Outros que ele apenas atue em áreas muito específicas e de modo restrito e outros que dizem que ele é um mal e totalmente desnecessário.

    Espero que tenha ajudado.

  17. Ola a todos,

    Eu nunca comentei neste blog, mas o leio faz quase um ano, junto com LewRockwell.com e a versao americana.

    Concordo 100% com as visoes do Leandro e cia., e acho que ha muitos erros e falacias com socialismo, ou outras tentativas de tirar os direitos de uns para dar aos outros.

    A unica coisa que acho eh que somos minoria neste momento, os libertarios e anarco-capitalistas, e para conseguir ter algum efeito no mundo, temos que disseminar as ideias de liberdade. Eu tambem sinto raiva ao ver alguem como o Deiton e outros repetindo o que viram no Bloomberg e outros, e as vezes ate perco a paciencia em casa, tentando convencer meus pais das ideias da liberdade. Eh dificil, e as pessoas tem muitas ideias erradas na cabeca, e eh cansativo discutir a mesma coisa 50 vezes. Mas eu acho que o importante, eh manter a calma, e tentar acolher as pessoas. O Deiton tinha a primeira metade da ideia certa, mas ele falhou ao identificar os causadores.

    Acho que com calma e paciencia, podemos aos poucos educar as pessoas.

    Concordo com o que disse Mateus, seria bom na pagina “Sobre Nos”, ou algum outro lugar, colocassem alguns textos basicos sobre o Libertarianismo, para os que vem ao site por primeira vez. Ao mesmo tempo, sei que isso eh uma tarefa ardua e chata, e eh facil fazer essas sugestoes quando nao sou eu que vou executa-las.

  18. Que demos à ideologia o nome que for.\r
    O poder sempre estará na mão dos mais fortes.\r
    A exclusão social é imanente ao desenvolvimento humano.\r
    A diferença vai ficar no quão violenta será essa exclusão, lembrando que o intelectualmente deficiente já o é desde a concepção ou gestação, ou ainda, devido a algum mal no transcorrer da vida, o qual pode torná-lo num peso morto.\r
    Será excluído, tolerado.\r
    Na outra ponta, o gênio empreendedor está fadado ao sucesso.\r
    Ou ainda, com o mesmo destino, o líder nato, ditador ou representante eleito do povo. \r
    Os 2 últimos, privilegiados pela natureza, estarão sempre em vantagem, ainda que adotem meios diversos para o próprio sucesso.\r
    Uma boa parte, com história esparsas de sucesso, são livres para cuidar do próprio destino.\r
    A grande maioria, porém, é gado, seja qual for o regime social adotado.\r
    \r
    O estado deveria ser mínimo onde o egoísmo o fosse na mesma proporção.\r
    Poderia o estado até ser descartado por completo, mas a humanidade não chegará nesse nível de desenvolvimento, por completa incompatibilidade.\r
    Mudam-se os atores, o cenário, o enredo, a época, mas a vaidade de achar que um ou outro regime político econômico, da própria preferência, seria sim a suprema pancéia, isto é atemporal, onipresente.\r
    Os extremos deveriam ser evitados, a doutrina do meio preservada, já dizia Confúcio.\r
    Assim, não interessa perecer como gado, tampouco se achar à altura de comandar um semelhante.\r
    \r
    Toda a nação troça das outras e todas têm razão.\r
    Arthur Schopenhauer\r

  19. Marx não “errou” quando falou das lutas de classes: ele plagiou e deturpou a ideia dos liberais, que já diziam isso, mas explicando corretamente que o conflito era entre pagadores de impostos e recebedores.

    * * *

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