No
Brasil, mesmo com a cotação do dólar em queda e com o câmbio em seu nível mais apreciado da
história — o que significa que as importações nunca foram tão baratas em
termos reais –, a inflação de preços se mantém acima do (já alto) centro da
meta, que é de 4,5%. A última projeção é
que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine 2011 com um acúmulo
de 6,31% (o teto da meta é de 6,5%).
Para 2012, o próprio Banco Central, que supostamente tem a função de
conter a inflação de preços, prevê aumento de 5,20%.
Na
América Latina, reina a bagunça de sempre, com apenas o Chile, a Colômbia e o
Peru mantendo a inflação de preços entre 3 e 4%.
Nos
EUA, a coisa segue aparentemente pior.
Estatísticas coletadas pelo mundialmente renomado economista John Williams — que se especializou em
compilar dados utilizando estatísticas baseadas meramente nas metodologias que
eram as oficialmente utilizadas pelos governos anteriores (foi o governo Bill
Clinton quem fez a última alteração da metodologia de cálculo da inflação, o
que deixou as estatísticas bem mais brandas) — mostram que a verdadeira
inflação de preços está na casa dos 11% ao
ano. E o desemprego real chega aos 23%.
Na
União Europeia, a inflação de preços anual está em
3,1%. Pode parecer pouco, mas quando
se considera que a média histórica sempre foi de 2%, quando se considera que se
trata de estatísticas governamentais (logo, sempre com indicadores mais brandos)
e, principalmente, quando se considera o fato de a região estar em recessão, tal
cifra é significativa.
Na
China, o altamente suspeito índice divulgado pelo governo aponta alta anual de 6,4%,
a maior em três anos (o preço dos alimentos subiu 14,4% nesse mesmo período) e
a segunda maior em 14 anos.
Até
mesmo a Nova Zelândia cedeu e já apresenta inflação anual de preços de 5,3%.
O que ocorreu?
O
atual sistema monetário e financeiro mundial existe apenas desde 1971. Foi apenas há 40 anos que os últimos
resquícios do padrão-ouro foram abolidos e
os bancos centrais de todo o mundo passaram a ter plena liberdade para imprimir
dinheiro como quisessem, sendo limitados exclusivamente pelo próprio bom senso
de seus respectivos presidentes.
Vale
ressaltar: o arranjo monetário sob o qual vivemos existe apenas e tão somente há
ínfimos 40 anos. Muitas pessoas creem
que o presente arranjo é aquele que sempre existiu na história do mundo. Nada mais ilusório. O inerentemente instável sistema monetário
atual, que parece estar se exaurindo com a atual crise americana e europeia, completará
exatamente 40 anos de idade no mês que vem, mais especificamente no dia 15 de agosto.
Após
esse rompimento com o que restava do padrão-ouro, o mundo vivenciou um período
de crescente inflação de preços, em todos os continentes, e que durou toda a
década de 1970. Até então, tinha-se a
desculpa de que os países e as autoridades monetárias ainda estavam se
ajustando à nova realidade.
Na
década de 1980, principalmente a partir de sua metade final, as coisas
aparentemente haviam começado a se ajustar e os preços começaram a apresentar
um comportamento um pouco mais previsível (o Brasil, é claro, foi uma exceção;
aqui, tudo só piorava).
Já
entre meados da década de 1990 e meados da década de 2000, todo o mundo viveu
um inegável período de baixa inflação de preços. Nos EUA, a média da inflação anual foi de
2,60%, e na Inglaterra, 2,67%. Para se
ter uma ideia do que isso significava, durante a década de 1980, esses valores
foram de 5,56% e 7,80%, respectivamente.
(Você pode pesquisar todos os valores neste site).
Vários
economistas — no que foram secundados por toda a mídia — chegaram a declarar
que “inflação é um problema do passado”.
Até mesmo o Brasil entrou no clima.
Em março de 2007, o IPCA acumulado de 12 meses bateu em 2,96%, o menor
índice desde a liberação do câmbio em 1999 — o que fez a nossa mídia declarar
o fim de todas as preocupações com a inflação. O dragão, finalmente, estava domado.
E,
de fato, todos os dados levavam a crer que isso era verdade. O problema é que, como bem ensinou Mises, dados empíricos não substituem a boa teoria;
fatos não podem refutar uma teoria lógica.
Quando se estuda o funcionamento do atual sistema monetário, quando se
entende que temos um arranjo em que os governos possuem bancos centrais que
estão ali para criar dinheiro para financiar seus déficits e para garantir a
solvência do naturalmente insolvente sistema bancário de reservas fracionárias,
e quando finalmente se percebe que o que temos é um arranjo intrinsecamente
instável e que não poderia durar mesmo que todo o sistema fosse comandado por
anjos (sendo que na verdade é comandado por políticos), a verdadeira pergunta
que deve ser feita é: por que está demorando tanto tempo para a inflação de
preços se generalizar mundialmente?
A
teoria econômica é algo que envolve a dedução de leis não-quantitativas e
aprioristicamente verdadeiras, do tipo, “dado A, então, tudo o mais constante,
temos necessariamente B, que gera C, que provoca D etc.” Para fazer tais deduções, não se deve
depender de dados empíricos. Desde que o
raciocínio esteja correto, as proposições econômicas terão de ser, sempre e sem
exceção, lógica e irrefutavelmente corretas.
Afinal, o teórico está assumindo que todas as outras variáveis exógenas
— que podem influenciar e intervir no processo, alterando os resultados
previsíveis — estão mantidas constantes.
Por
outro lado, explicar eventos econômicos é uma tarefa distinta do desenvolvimento
de uma teoria econômica. A explicação de
eventos econômicos é algo que não apenas deve sempre se basear em uma fundamentação
teórica sólida, como também deve apresentar uma seleção de dados apropriados,
os quais devem então ser aplicados a uma sequência encadeada de raciocínios
lógicos. Tal sequência de raciocínios
lógicos deve empregar as leis econômicas relevantes para se chegar a um
argumento plausível.
Por
que falo isso? Como havia mencionado
acima, a questão real, o que realmente impressiona, não é o fato de estar
havendo agora uma crescente alta nos preços em nível mundial; o que realmente
impressiona é o tempo que se levou para
que a inflação de preços começasse a atingir essa dimensão — afinal, as
políticas monetárias de todos os países, principalmente a dos EUA, mas
inclusive Europa e Brasil, têm sido sensivelmente expansionistas desde o
rompimento total com o padrão-ouro em 1971.
É claro que a política monetária do Brasil melhorou sobremaneira a
partir de meados de 1994, porém ainda assim a média de expansão do M1 no Brasil
está entre 15% e 20% ao ano.
Logo,
por que só agora? Sim, houve aquele
período de generalizada inflação mundial de preços — alguns casos, de hiperinflação
— no final da década de 1970 e boa parte da década de 1980. Porém, tudo aparentemente foi corrigido na
década de 1990. Entretanto, quando
olhamos por exemplo o gráfico da
expansão da oferta monetária dos EUA, nota-se uma aceleração da inflação monetária justamente a partir de meados da
década de 1990.
O
mesmo ocorreu na Europa pós-integração, quando o Banco Central mais rígido do
mundo à época, o Bundesbank alemão —
que, ao adotar políticas monetárias restritivas, acabava obrigando todos os
bancos centrais dos outros países da Europa a também controlar suas
impressoras, caso contrário suas moedas seriam flagradas em crescente
desvalorização em relação ao marco alemão, algo que atemorizava os políticos —
foi substituído pelo Banco Central Europeu, que passou a comandar a expansão
monetária de toda a Europa visando agora não só a integração das políticas
monetárias mas também a sustentação do estado de bem-estar social.
Portanto,
o mundo — que já vinha vivenciando uma grande expansão monetária após a abolição
total do padrão-ouro na década de 1970 — entrou em uma nova fase de crescente
aumento na taxa de expansão monetária a partir do final da década de 1990. Como é possível ter inflação de preços apenas agora? Por que ela não foi mais forte antes?
É
nesse ponto que, na tarefa de explicar eventos econômicos utilizando uma fundamentação
teórica sólida e uma seleção apropriada de dados, devemos levar em consideração
os efeitos exercidos por quatro eventualidades; quatro circunstâncias
históricas que ocorreram, a primeira na década de 1980, e as outras no início
da década de 1990, e cujos desdobramentos se prolongaram para muito além destas
datas. Tais fenômenos ajudam a explicar
por que os preços se mantiveram relativamente estáveis durante esse período.
O
primeiro evento começou ainda no início da década de 1980, quando houve um
grande processo de desregulamentação comercial e financeira, tanto nos EUA
(Ronald Reagan) quanto na Europa (Margaret Thatcher). Ao longo da década, por conseguinte, os
mercados financeiros se tornaram mais flexíveis, o comércio entre os países se
tornou mais livre e, com isso, a divisão do trabalho foi ampliada em escala
internacional. Essa combinação fez com
que a produtividade e, consequentemente, o volume de produção das economias
fosse ampliado sobejamente.
Essa
combinação de aumento da produtividade, maior liberdade de comércio, maior
concorrência entre os mercados e aumento da eficiência gerado pela maior
divisão internacional do trabalho (o Brasil, com sua política de substituição
de importações, obviamente não se beneficiou do processo) gerou uma pressão
baixista sobre os preços de todas as mercadorias que podiam ser transacionadas
internacionalmente, desta forma compensando parcialmente a pressão
inflacionária advinda da política monetária expansionista.
A
estes fenômenos devemos acrescentar o segundo evento, que ocorreu no início da
década de 1990 e que intensificou ainda mais os fenômenos acima relatados: o
colapso da União Soviética e a consequente libertação de todo o Leste Europeu,
que até então era apenas um bloco unificado sob o domínio de Moscou e isolado
do mundo. Todos esses países se juntaram
— alguns de forma ampla (como Estônia, República Tcheca e Polônia), outros de
forma tímida (como Romênia, Bulgária e Hungria) — à economia mundial.
Com
isso, houve uma nova rodada de ampliação da divisão internacional do trabalho,
gerando os mesmos fenômenos listados acima, o que compensou e, em alguns casos,
até mesmo neutralizou os efeitos das políticas monetárias expansionistas.
A
estes dois eventos, devemos acrescentar um terceiro, que na verdade havia
começado ainda no final da década de 1970, mas que foi se intensificando na
década de 1980, e só chegou ao ápice mesmo a partir de meados da década de
1990: a abertura econômica da China, o que intensificou ainda mais todos os
fenômenos descritos acima. Com uma
mão-de-obra dedicada e trabalhadora, escassos dias de férias por ano (uma média
de 3 dias), e com a alta taxa de poupança da sua população, o volume de
produção do país é enorme (e seria maior caso houvesse mais liberdade econômica). Como não há uma previdência social, os
chineses têm de poupar grande parte de sua renda; e é essa poupança — em
conjunto com a produtividade e o trabalho duro chinês — que permite que um
grande volume de bens não consumidos seja exportado a preços baixos para todo o
mundo.
Entretanto,
talvez ainda mais importante do que esses fatores conjunturais seja a taxa de
câmbio chinesa — se não o principal, certamente um dos principais segredos dos
produtos baratos chineses. Veja sua evolução
em relação ao dólar:
O
eixo Y mostra quantos yuanes era possível comprar com 1 dólar a cada ano. Quanto maior esse valor, mais baratas são as
importações de produtos chineses.
Observe
que a moeda chinesa vai se desvalorizando constantemente de 1980 até 1995. Isso ajudou a deixar as importações de
produtos chineses cada vez mais baratas.
No início de 1995 ocorre uma desvalorização ainda mais abrupta e brutal,
coisa de aproximadamente 40% — o que significa que os produtos chineses
ficaram, em média e de uma só vez, 40% ainda mais baratos para quem os
importava. Esse fenômeno cambial chinês
não pode ser negligenciado em um estudo sobre o comportamento da inflação de
preços nas últimas décadas, principalmente quando se sabe que o volume das
exportações chinesas e o alcance e a variedade de seus produtos são expressivos.
Vale
também observar que, a partir de 2005, os chineses aparentemente não mais
conseguem acompanhar o ritmo da expansão monetária dos americanos, o que os
obriga a promover sucessivas valorizações na sua taxa cambial. (E o impacto dessas valorizações nos preços futuros
não pode ser subestimado.)
O
quarto evento foi, obviamente, a invenção da internet, essa fenomenal
ferramenta que ajuda — de modo praticamente incomensurável — a cortar custos,
poupar tempo, estimular a concorrência e quebrar monopólios, além de fornecer
informações vitais gratuitamente, coisa impensável há pouco menos de duas
décadas.
A atualidade
Não
fossem essas circunstâncias acidentais e extraordinárias, é muito provável que
uma alta generalizada dos preços em nível mundial já houvesse se manifestado há
mais tempo. As expansões monetárias e
seu efeito sobre os preços dos produtos foram, durante muito tempo,
contrabalanceadas pela expansão da divisão internacional do trabalho, pelo
aumento da produtividade, pelo maior número de ofertantes, pela abertura
comercial, pela concorrência entre os novos mercados, pela maior fonte de
informações e, principalmente, pela China, seu povo trabalhador e sua política
cambial.
Entretanto,
desde pelo menos os últimos cinco anos, todos esses fatores que surgiram nas
décadas de 1980 e 90 não mais exercem o mesmo impacto de antes, pois já
deixaram de ser uma novidade e já foram totalmente incorporadas pelo cenário
econômico mundial. Consequentemente, o
impacto das políticas monetárias de todos os países está sendo cada vez mais
intensamente sentida pelos seus cidadãos. A própria China, após atrelar a sua política monetária à política monetária americana, aparentemente perdeu o controle da inflação de preços em sua economia.
Ou
seja, a menos que surja alguma novidade completamente inesperada, que
intensifique a produtividade e aumente a divisão do trabalho, a tendência é que
sintamos os efeitos de políticas monetárias expansionistas cada vez mais
diretamente.
Um
bom exemplo disso vem acontecendo justamente no Brasil. Como dito no início do artigo, estamos com um
câmbio em seu nível mais apreciado da história, e a inflação de preços acima do
teto da meta. Ao que me consta, nunca
houve um período que combinasse câmbio em apreciação e inflação de preços em
ascensão.
Na
Europa, embora o problema atualmente enfrentado seja outro, a situação é mais
dramática e até mesmo mais interessante.
Justamente por causa dos fatores listados acima, os europeus se
acostumaram a ter acesso a produtos baratos.
As autoridades monetárias, por sua vez e em decorrência disso, se
sentiram mais à vontade para expandir a oferta monetária e, com isso, ajudar os
governos europeus a financiar seus crescentes déficits. E os governos, por sua vez, gastavam muito e
tinham déficits justamente para sustentar o estado assistencialista europeu,
algo que sempre garante bons votos.
Ou
seja, fatores que ocorreram na década de 1980 e 90 ajudaram os europeus a
manter um estado de bem-estar social de maneira muito menos dolorosa do que
ensina a teoria econômica: a expansão monetária garantia parte do financiamento
dos déficits governamentais sem que os governos tivessem de se preocupar com a
inflação de preços e nem com a solvência do sistema bancário. Os efeitos deletérios da inflação monetária
foram camuflados e apenas a sua parte “positiva” — o prolongamento dos estados
assistencialistas — era sentida.
Porém,
ao que tudo indica, o conto de fadas acabou.
Toda essa expansão monetária e o consequente endividamento dos governos
agora estão cobrando a fatura. Com o
iminente calote grego, com a insolvência da Irlanda e com as situações
calamitosas de Portugal, Espanha e Itália, a nova realidade parece estar se
impondo. Os chineses não mais poderão
ajudar muito.
Finalmente,
nos EUA, está ocorrendo aquilo que todos sabem.
O país chegou à humilhante posição de ter de avisar ao mundo que, logo
ele, o detentor da moeda de troca internacional, pode não mais conseguir pagar
suas dívidas. Imprimiu tanto dinheiro e
se endividou tanto — mas sem sentir a inflação de preços –, que agora corre o
risco de não poder nem imprimir e nem se endividar mais (embora nós todos saibamos
que, no final, o teto da dívida será elevado).
As agências da classificação Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s —
todas reguladas pelo governo americano — estão ameaçando rebaixar a
classificação de risco dos títulos do país justamente para pressionar o
Congresso a aprovar a elevação do teto da dívida. É tudo jogo político.
Conclusão
As
conclusões de um economista historiador jamais podem ser absolutamente
certas. Tampouco suas previsões
futuras. Embora as leis econômicas que
ele utilize em sua análise tenham de ser absolutamente verdadeiras, a inclusão
de fatores causais específicos — bem como a avaliação da importância relativa
de cada um deles — vai depender em última instância de seu julgamento pessoal
e do seu entendimento do assunto. Sendo
assim, uma análise histórica jamais pode ser utilizada para comprovar ou
refutar qualquer teoria econômica; ela pode ser utilizada apenas para
ilustrá-la.
Ainda
mais importante: ao passo que o historiador possui todo um arranjo de dados ao
seu dispor, um prognosticador não pode ter conhecimento de todas as influências
externas que poderão surgir e alterar todas as suas previsões. Antecipar quais serão ou quais poderão ser
essas influências é algo totalmente fora do escopo da ciência econômica, pois
depende de uma variedade de fatores políticos, psicológicos e até mesmo
tecnológicos.
Embora
nem o historiador nem o prognosticador possam dizer com toda a certeza que um
determinado conjunto de fatores A causou uma determinada situação B, ou que A
irá causar B, o fato é que a teoria utilizada em sua análise deve ser sólida,
lógica e sensata. As leis econômicas
utilizadas, bem como toda a sequência argumentativa aplicada, devem estar
logicamente corretas.
Creio
que as explicações aqui apresentadas para justificar o cenário econômico
inflacionário das décadas de 1990 e 2000 são logicamente sensatas — podendo, é
claro, ter-me escapado algum outro fator relevante. Por outro lado, tentar prever eventos futuros
é uma proposta bastante arriscada, não apenas porque os fatos futuros são algo
desconhecido, como também porque não há como saber de antemão como os
indivíduos irão reagir a estes possíveis fatos.
Prever a natureza e a intensidade de inúmeras variáveis exógenas é algo
que não depende da lógica da ciência econômica, mas sim da aplicação de
disciplinas como a praxeologia, a ciência política e a tecnologia. E nenhuma delas pode fornecer uma resposta
que seja definitiva.
A
inflação de preços veio para ficar? Tudo
o mais constante, sim. Caso não haja
substantivas alterações no cenário monetário mundial, e nem na atual tendência
intervencionista, regulatória e burocrática que vem sendo adotada pelos
governos ao redor do mundo, não há como haver um cenário mais róseo.
No
Brasil, por exemplo, caso o governo continue com sua sanha regulatória,
gastadeira e intervencionista, e caso o Banco Central continue coniventemente financiando tudo isto,
haja importação chinesa para abrandar nossa inflação de preços.
Por
outro lado, já se fala abertamente na volta
do padrão-ouro [o IMB foi o único site brasileiro a falar sobre essa
possibilidade há 3 anos], muito embora o formato que porventura venha a ser
adotado provavelmente estará longe do ideal.
O que se sabe é que a cotação do ouro sobe aceleradamente no mercado
internacional, justamente por causa dos temores inflacionários. Quem comprou ouro em 2008 está rindo à toa
hoje.
Uma
solução eficaz e que poderia ser adotada a curto prazo seria um livre mercado
de moedas, no qual as pessoas pudessem transacionar na moeda em que quisessem,
podendo abandonar imediatamente aquelas que estão inflacionadas. Ou seja, seria necessária a abolição do
monopólio estatal sobre a moeda. O
dinheiro passaria a ser um bem como qualquer outro, e cada um utilizaria aquele
que considerasse ser o mais bem gerido.
Com o tempo, a moeda menos inflacionária seria a escolhida. Isto teria salvado, por exemplo, a economia
brasileira na década de 1980.
Mas
o governo não deixou antes e aparentemente não vai deixar de novo. A menos que haja grande pressão
popular. Daí a importância de se saber
economia e, principalmente, de se saber como popularizá-la. É tudo uma questão de sobrevivência.

Ótimo artigo Leandro, parabéns. Esse certamente merece ser traduzido para inglês. 😉
Abraços,
Tiago.
Oi Leandro,
Como faço para te certeza de que a inflação atual tem raiz na criação de moeda, e não em aspectos fundamentais como a diminuição da produção de petróleo?
Muito Obrigado!
Ótimo artigo, Leandro!\r
Tenho apenas uma dúvida neste ponto :¨Na Europa, embora o problema atualmente enfrentado seja outro, a situação é mais dramática e até mesmo mais interessante. Justamente por causa dos fatores listados acima, os europeus se acostumaram a ter acesso a produtos baratos¨. \r
\r
Alguns países europeus como a Itália o custo de vida praticamente triplicou depois da adoção do Euro e das exigências econômicas e sociais feitas pelo Parlamento Europeu.
Tenho lido os textos deste site nas últimas semanas, e devo parabeniza-los pelo ótimo trabalho que estão realizando.
Não tenho qualquer formação na área de economia, trabalho com desenvolvimento de software. Contudo é impressionante como os artigos deste site são claros, mesmo para mim, um leigo.
Adorei o texto, continuem assim.
Fernando Z\r
\r
A inflação é de cunho monetário e os preços elevados do Petróleo também tem este aspecto, a China que hoje é um dos maiores consumidores deste produto realiza uma uma política monetária expansionista e outras nações também como: o Brasil, EUA, etc……
Excelente artigo, Leandro. Parabéns.\r
\r
Merece escrever o prefácio da edição brasileira do livro “Teoria e história”, de Mises.\r
\r
Abraço
Leandro,
+ um brilhante artigo.Porém, não acredito em melhora nesse cenário.
Imprimir dinheiro e gastar nababescamente é uma tentação para qualquer governo.
Ademais, os sócios do governo (banqueiros, empreiteiros e mídia) estão muito satisfeitos com esse arranjo.E isso, como bem o seu artigo ilustra, é um comportamento mundial. Brasil, China, Europa, EUA etc etc Todos agem assim.
Excelente artigo!
Leandro,
caso os EUA não aumentassem o teto de sua dívida, é possível prever seus efeitos e intensidade na economia? Qual é a relação destes eventos com a desvalorização da bolça de valores, ou seja podemos usar este indicador como um tendência da economia?
Obrigado!
Leandro Roque, com tal artigo, mostra, mais uma vez, que é um articulista extremamente perspicaz e talentoso!\r
\r
É bem possível que depois da Copa do Mundo e das Olimpíadas o Brasil finalmente se torne um país socialista, ocorrendo, assim, horrores como o relatado em recente artigo (morte de milhões de ucranianos por fome; tal assassínio em massa é chamado de Holodomor). \r
\r
Com a inevitável recessão que virá após este crescimento econômico insustentável que vivemos (expansão de crédito promovida pelo Banco Central), com a altíssima inflação (gastos irresponsáveis em milhares de obras), com o crescente e duradouro desemprego (insatisfação popular), o partido que estiver no poder, provavelmente o PT, terá as condições sociais necessárias para promover a plena estatização da economia: “O capitalismo não funciona! Ele só causa desgraças! A única solução para todos esses graves problemas, caro povo brasileiro, é o socialismo!”.\r
\r
E, de acordo com todos os ensinamentos deste site e de Mises/Rothbard, fome, miséria, escravidão (campos de trabalhos forçados) e morte de milhões são as lógicas consequências do comunismo…\r
\r
Não somente o Brasil, mas também o mundo inteiro poderá se tornar socialista em pouco tempo, pois em todos os lugares florescerão (aliás, florescem) tais desgraças (inflação, desemprego, recessão, etc.).\r
\r
O que acham?\r
\r
Qual é a tua opinião, Leandro?\r
\r
Abraços!!!\r
\r
\r
Ola Leandro
Como o governo americano regula as agências da classificação Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s? Existe algum artigo ou link sobre isso?
Grato
Caio
A economia brasileira vive um momento de esquizofrenia de um lado o BACEN aumenta a taxa de juro e do outro o BNDES coloca recursos financeiros no mercado.Sobre inflação o Ex- Min. da Fazenda, Guido Mantega, teve a cara-de-pau de dizer que a economia com preços elevados é bom para Economia brasileira essa frase é muito utilizada por esses dementes inflacionistas.
Excelente texto, como sempre, Leandro!
Desculpe com dúvidas fora do assunto do tópico. Estou extremamente próximo de “me converter” ao anarco-capitalismo. Quer dizer, já compreendi porque esse é o único sistema viável e ético, mas tenho dificuldades de imaginar este sistema funcionando na prática.
Se alguma empresa MUITO bem armada resolver que vai te roubar 40% de tudo que você ganhar, que vai te fornecer alguns serviços meia-boca por isso e que tem o direito de te julgar e te punir de acordo com as leis que eles mesmos criam. além de eliminar qualquer concorrência. Sim, cai no argumento de que precisamos de um Estado para impedir o surgimento de um Estado, mas viajando um pouco, não podemos dizer que já vivemos em um anarco-capitalismo em que uma empresa conseguiu monopolizar a violência?
“Se alguma empresa MUITO bem armada resolver que vai te roubar 40% de tudo que você ganhar” \r
\r
Qualquer empresa de segurança que resolve-se de uma hora pra outra roubar deliberadamente os outros perderia praticamente todos os clientes. Atitudes assim fortaleceriam demasiadamente empresas rivais, dentro do ramo, que fossem honestas. É bom lembrar que essas possibilidades absurdas (que muitos usam para testar a viabilidade do anarco-capitalismo) são iqualmente possíveis em um país que tem um estado. Porém quando elas acontecem em uma sociedade com estado (não anarco-capitalista) suas consequências são mais incontornáveis.\r
\r
\r
\r
“que vai te fornecer alguns serviços meia-boca”\r
\r
O tipo e qualidade do serviço que ela iria lhe fornecer estaria estipulado dentro do contrato feito voluntariamente entre ambos. É claro que confrontos sempre iriam existir (sempre teria cliente que reclamaria do serviço), então todo contrato também preveria uma ligação com um tribunal X que resolveria a contenda caso ela existisse. Só os melhores tribunais conseguiriam sobreviver a concorrência. O monopólio jurídico disfarça a força que a publicidade pode ter sobre tribunais, afinal, imagine se existissem vários tribunais no EUA, será que a publicidade não ferraria o o tribunal do caso OJ Simpsom? \r
\r
“não podemos dizer que já vivemos em um anarco-capitalismo em que uma empresa conseguiu monopolizar a violência?”\r
\r
Eu poderia falar muita coisa sobre isso, porém vamos resumir: não, pois nem todas as relações de negócios, jurídicas e etc são voluntárias. \r
\r
Para praticamente matar qualquer dúvida que você tenha sobre esse assunto eu recomendo: mises.org/books/chaostheory.pdf\r
Qual indice de inflação no Brasil é o mais realista?
O governo deve cortar gastos. Fazer uma reforma trabalhista, reduzindo encargos e abolir o salário minimo, possibilitando que os miseráveis que recebem o bolsa-família tenham oportunidades de emprego, assim, além de aliviar os cofres públicos com este gasto, ao inves destes pessoas viverem de esmola do governo sem trabalhar, sobreviverão vendendo sua mão-de-obra, ou seja, passarão a produzir, o que já reduziria a inflação brasileira, pois contribuirá para aumentar a produção. Outra coisa: o governo poderia fazer uma reforma da previdência, não é preciso aumentar a idade mínimo para se aposentar, basta abolir a concessão de pensões para viúvas com menos de 40 anos.
Caro Leandro
Gostaria de saber se já existe, ou se não, porque você não publica um livro com esses textos maravilhosos de fácil entendimento de um assunto onde muitos “enrolam” demais. Seria ótimo para ler e dar de presente a muitos que precisam. Quem sabe um Mantega lendro suas análises, como seria diferente nosso Brasil.
O Instituto Von Mises não poderia publicá-lo? Existe outras obras além dos ebooks tão bons do Instituto, recomendáveis?
Obrigado,
um abraço.
Leandro:\r
\r
Realmente muito bom esse artigo. Sou leitor assíduo do IMB e de todos os trabalhos feitos pela Escola Austríaca como um todo. Estou querendo citar este seu trabalho em um artigo que estou desenvolvendo, você pode me dizer como cito a referência? \r
\r
Grande abraço!\r
\r
Obr!
Leandro e Getulio,\r
\r
Muito grato! \r
\r
Não sei se com medo de represálias por parte do governo, mas a Nestlé está praticando aumento de preços disfarçado.
De acordo com este site, o pacote de biscoito Bono teve redução de peso em todo o território nacional, menos norte e nordeste…
Refaço a mesma pergunta do dono do blog, Alguém pode explicar a razão do subsídio?
Leandro,
Excelente artigo Leandro! Não sou economista e nunca pensei que fosse tão simples entender de economia, é realmente impressionante. Não tem nada haver com aquele monte de números/suposições que vemos nos cadernos dos jornais.
Agora vem uma dúvida, você citou numa resposta mais a cima a seguinte frase:
“Prezado Carlos, ante de tudo, não perca muito seu tempo trabalhando com a hipótese de um não aumento do teto da dívida americana. Isso simplesmente não irá acontecer.”
Pelo pouco que li e entendi (me corriga se estiver errado) os EUA tem duas alternativas, continuam o ciclo de aumento da dívida ou não. Se continuarem irão aumentar a inflação, se quebrarem o ciclo darão um calote em todos os países que compraram seus títulos (o que logicamente eles não irão fazer por vontade própria).
Compreendo perfeitamente o seu ponto de vista, mas fiquei com duas dúvidas uma é se haveria um meio termo possível entre aumentar o teto da dívida ou não. E a outra é se neste ciclo de aumento do teto da dívida não pode haver um ponto de ruptura, onde inevitavelmente eles não teriam mais condições de aumentar o teto (o que levaria a um calote), em resumo (por dedução): imagino que não tem como este ciclo se perpetuar, correto?
“No Brasil, mesmo com a cotação do dólar em queda e com o câmbio em seu nível mais apreciado da história … a inflação de preços se mantém acima do (já alto) centro da meta, que é de 4,5%. A última projeção é que o … (IPCA) termine 2011 com um acúmulo de 6,31% (o teto da meta é de 6,5%). Para 2012, o próprio Banco Central, que supostamente tem a função de conter a inflação de preços, prevê aumento de 5,20%.“
A Dilma nos fez sentir saudades de 2011!
* * *
Caramba, chinês ter só três dias de férias por ano de média.
Quase dez anos se passaram, muitas coisas mudaram. Economia americana se recuperou, o renminbi afundou…
Hoje estamos tendo câmbio afundando e inflação subindo.