
N. do T.: com o anúncio de que o governo americano irá salvar financeiramente duas gigantes do setor imobiliário, é hora de entendermos melhor de onde surgiram essas duas gigantes, como elas operam, como elas se endividaram e por que tal calamidade não existiria em um ambiente de genuíno livre mercado.
Ludwig von Mises tinha uma teoria sobre o intervencionismo:
Ele nunca atinge seus fins declarados. Ao invés disso, ele apenas distorce todo o mercado. Essa distorção implora por correções. As correções podem consistir em duas medidas opostas: recuar o estado e liberar o mercado, ou dar passos ainda mais resolutos em direção à intervenção total. O estado quase sempre escolhe a última opção, a menos quando forçado a escolher a primeira. O resultado é ainda mais distorção, o que eventualmente leva a mais nacionalizações, que, por sua vez, levam ao destino final: estagnação e falências.
Quando você pensar sobre a atual crise das empresas Fannie Mae e Freddie Mac, você tem de se lembrar sobre a teoria de Mises sobre o intervencionismo. Os jornalistas não irão, mas você terá de, considerando-se que você de fato queira entender o que se passa.
Para tal, é necessário entender um pouco da história dessas duas empresas. A Fannie Mae (Federal National Mortgage Association) foi criada em 1938 por Franklin Delano Roosevelt, durante o New Deal. Sua função era fornecer liquidez ao mercado hipotecário. Durante os 30 anos seguintes, ela desfrutou do monopólio do mercado secundário de hipotecas nos EUA. Tornou-se uma corporação privada em 1968, para conter o déficit orçamentário do governo. A Freddie Mac (Federal Home Loan Mortgage Company) foi criada em 1970, no governo Nixon, para expandir o mercado secundário de hipotecas e, assim como a Fannie Mae, tem a função de fazer empréstimos e dar garantias a empréstimos. Tanto a Freddie Mac como a Fannie Mae, junto com outras empresas, compram (dos bancos) hipotecas no mercado secundário e as revendem para investidores no mercado aberto como títulos lastreados
A Fannie Mae e a Freddie Mac são conhecidas como “empresas apadrinhadas pelo governo”, o que significa que elas são empresas privadas, mas com propósitos públicos. Esse tipo de empresa tem o apoio implícito do governo americano, conquanto não tenha obrigações diretas para com ele. Por causa desse apadrinhamento que elas recebem do governo, essas duas empresas conseguem financiamentos a taxas vantajosas – os credores imaginam que, em caso de insolvência, o governo ajudará essas empresas. E, devido a esses financiamentos facilitados, elas acabaram por sobre-estimular o mercado imobiliário, inflando-o a alturas inimagináveis, ao comprar hipotecas que foram securitizadas por bancos de todo o país.
Essas duas empresas não deveriam existir. Nenhuma empresa privada deveria desfrutar de linhas de crédito que levam diretamente ao Tesouro dos EUA, isto é, ao dinheiro do contribuinte. Nenhuma empresa privada deveria receber mandatos do governo obrigando-as a facilitar, através da compra desmesurada de hipotecas, o acesso da população a imóveis. Nenhuma empresa privada deveria emitir títulos que os investidores acreditam ter uma garantia implícita dada pelo dinheiro do contribuinte.
Sem o governo na jogada, não haveria como a Fannie Mae e a Freddie Mac terem crescido tanto. Os ativos e passivos dessas duas empresas totalizam $1,6 trilhão. Seu passivo fora do balanço totaliza mais de $3,5 trilhões. A dívida total, portanto, é de $5 trilhões (trilhões, com “t”)! Qual é a grandeza de $5 trilhões? Ora, a dívida nacional é de $9,5 trilhões!
É quase inacreditável que essas duas empresas possam ter acumulado dívidas que chegam a mais da metade da dívida nacional. Mas isso é algo inerente a essa promiscuidade entre governo e setor imobiliário, o que gerou garantias estatais a dívidas imobiliárias do mercado privado. O mercado imobiliário é gigante, principalmente se considerarmos que ao longo do tempo o estoque de casas só aumenta. Ao dar à Fannie Mae e à Freddie Mac vantagens na emissão de dívidas, essas empresas acabaram por dominar o setor de finanças do mercado imobiliário. E não há momento melhor do que este para acabar com esse absurdo.
O presidente Bush, por sua vez, está planejando uma solução fatídica para um problema de 60 anos: a nacionalização dessas empresas. Ele quer dar garantias a essa dívida de $5 trilhões. Uma outra opção considerada é colocar essas monstruosidades sob “tutela”, o que significa que o contribuinte terá de pagar diretamente pelos prejuízos.
Não importa qual seja a decisão, o fato é que não há mágica capaz de dar para todo cidadão americano, independentemente de seus meios financeiros ou de seu histórico de crédito, casas de
O diabo é que qualquer opção seria devastadora para o já calamitoso mercado imobiliário. A razão por que esse setor foi tão desenfreadamente inflado é que os bancos sabiam que Fannie e Freddie seriam capazes de comprar qualquer dívida hipotecária criada pela indústria bancária. Se essas empresas forem nacionalizadas elas não mais farão isso seguindo critérios de mercado. Isso significa que os bancos repentinamente teriam de agir com responsabilidade.
Agora, você pode pensar, se isso é verdade, então a culpa toda é dos banqueiros que vinham fazendo empréstimos irresponsáveis, acreditando que essas empresas apadrinhadas pelo governo iriam absorvê-los. Mas isso não procede. Coloque-se no lugar de um banqueiro pelos últimos vinte anos. Você tem concorrentes. Você tem de apresentar resultados. Se você não ampliar seus empréstimos, ficará para trás e passará por bobo. A concorrência vai jantá-lo. Ficar à frente das tendências de mercado significa que você tem de jogar o jogo, mesmo sabendo que ele está manipulado.
Culpe não apenas os bancos, mas também as instituições que estão jogando para outros todos os seus passivos adquiridos irresponsavelmente. E essas instituições são a Fannie Mae e a Freddie Mac. Aqui está um artigo sobre a criação da Freddie Mac. E aqui está outro sobre a criação da Fannie Mae.
Ambas foram criadas para financiar hipotecas seguradas pela Federal Home Administration (algo semelhante ao nosso Sistema Financeiro de Habitação). Ambas foram usadas por todos os presidentes como um meio para realizar esse misterioso princípio americano de que cada pessoa existente deve ser dona de um imóvel, não importa o quê. Assim, a elas foi dada a permissão para comprar hipotecas e torná-las parte de seu portfolio. Depois, nas administrações Johnson e Nixon, elas se tornaram empresas de capital aberto e passaram a vender ações. As pessoas chamaram isso de privatização, mas não foi bem isso que ocorreu. Ambas tinham acesso a uma linha de crédito direta do Tesouro americano. Ambas tinham acesso a empréstimos mais baratos do que qualquer equivalente no setor privado.
Empresas apadrinhadas pelo governo não estão sujeitas às disciplinas do mercado, como as empresas do setor privado. Seus títulos são listados como títulos do governo, o que faz com que seus prêmios de risco não sejam ditados pelo livre mercado. Elas podem se alavancar em 50-, 75-, 100-1, fazendo pirâmides de dívida sobre uma minúscula base patrimonial. Os mercados financeiros acreditavam desde há muito que essas empresas seriam salvas pelo governo em caso de insolvência. E isso as coloca em uma posição completamente diferente da de uma empresa como a Enron, a qual os mercados vigiavam de perto. O que está causando o atual pânico é o fato de os mercados terem acordado e começado a avaliar essas instituições usando padrões realmente de mercado. Freddie e Fannie estão com seus preços de mercado em queda vertiginosa, e seus títulos estão carregando prêmios de risco cada vez maiores. A Fannie Mae, que chegou a ter ações precificadas a $90, hoje tem ações valendo $10. As ações da Freddie Mac, por sua vez, caíram de $70 para $7. Novamente: essas ações despencaram drasticamente por causa dos maus investimentos que essas empresas fizeram em hipotecas, investimentos encorajados e subsidiados por políticas antigas do governo federal.
Agora que essas instituições que carregam a marca da legítima manipulação governamental entraram em colapso, a ineficiência de qualquer intervenção governamental se torna ainda mais evidente. A tentativa de restaurar essas empresas apadrinhadas pelo governo não será capaz de esconder o fracasso que elas são, sob qualquer perspectiva. O fracasso já está registrado nos mercados financeiros.
Em outras palavras, não estamos vivenciando uma falha de mercado. Por gentileza, suba no telhado da sua casa ou na cobertura do seu prédio e grite isso a plenos pulmões, pois a imprensa e o governo farão o possível para culpar os financiadores e os mutuários privados por essa calamidade. A origem de ambas essas organizações está na legislação federal. Elas não são entidades de mercado. Elas há muito são garantidas pelo contribuinte. Não, elas também não são entidades socialistas, pois são gerenciadas privadamente. Portanto, elas ocupam um terceiro status, para o qual há um nome: fascismo. Como Mussolini definiu, “o fascismo deveria ser chamado de corporativismo, pois trata-se da fusão entre o estado e o poder corporativo”. Realmente, é disso que estamos falando: o conluio entre estado e grandes corporações leva ao fascismo financeiro que, por sua vez, tem a inexorável tendência de se transformar em socialismo financeiro de larga escala – por conseguinte, em falências.
Ademais, o desejo governamental de que cada cidadão seja dono de um imóvel, independente dos meios utilizados para se atingir esse objetivo, só pode ser financiado através de um socialismo financeiro ou do roubo
Para tornar esse fascismo financeiro ainda mais evidente, no domingo, 13 de julho de 2008, o Fed (o Banco Central) e o Tesouro anunciaram medidas para manter de pé as duas gigantes. Essas medidas incluem acesso a empréstimos feitos pelo Fed a uma taxa preferencial de 2,25%, aumento do acesso ao crédito junto ao Tesouro e a compra de ações dessas empresas pelo Tesouro. Ou seja: a nacionalização (socialismo financeiro) dessas empresas é praticamente inevitável.
Não obstante, essa seria uma oportunidade de ouro para liquidar essas duas empresas de uma vez por todas. E fazer isso é incrivelmente simples! Qualquer banco de investimento
Os investidores dessas empresas, tanto acionistas como aqueles que possuem títulos de dívida, não devem ser salvos pelo contribuinte. Essas duas empresas fizeram investimentos ruins comprando hipotecas ruins. Essas duas empresas também emitiram muitas dívidas para financiar esses investimentos, o que lhes gerou uma combalida estrutura financeira. O valor de seus ativos é menor do que o valor de suas obrigações, o que as torna insolventes. Elas ainda não estão falidas. Elas ainda têm o dinheiro para pagar o serviço de suas dívidas. Essas dívidas de maneira alguma são desprezíveis. Aproximadamente 11,6 por cento do dinheiro dos fundos mútuos está investido nessas empresas. Ao preço atual dessas dívidas, ainda não surgiram notícias sobre problemas com fundos mútuos. Se esses preços caírem 10 por cento, as perdas dos fundos mútuos seriam de modestos 1 por cento.
Há milhões de americanos que podem temer pela dissolução dessas empresas. Eles vão se perguntar onde e como eles conseguirão financiar suas hipotecas. Também há centenas de colunistas na imprensa que compartilham desse medo. Alguns vão tapar o nariz e defender o resgate governamental. Outros vão querer manter a interferência do governo no mercado imobiliário e até mesmo expandi-lo como questão de política pública.
Mas não há nada a temer. A quantidade de dinheiro disponível nos mercados paralelos para o financiamento de hipotecas é enorme. Ele pode ser seduzido e direcionado para as hipotecas se os juros pagos forem altos o bastante. Um livre mercado em hipotecas irá facilmente fornecer capital para mutuários com capacidade creditícia. Mas esse é também o obstáculo. O governo quer manter os juros hipotecários baixos para poder manter a indústria imobiliária funcionando e satisfazer os eleitores que estão hipotecados. O governo não quer um livre mercado em hipotecas, e isso porque nem os eleitores e nem a indústria imobiliária querem um livre mercado para o setor imobiliário. Enquanto houver um governo com poderes para interferir, a pressão para interferir irá superar o livre mercado.
Quanto ao futuro, a teoria de Mises de que o governo sempre irá favorecer mais governo parece totalmente sólida.
Veja, por exemplo, John McCain:
“Essas instituições, Fannie e Freddie, foram responsáveis por tornar milhões de americanos aptos a possuir uma casa própria, e elas não irão quebrar, não iremos permitir que elas quebrem … faremos o que for necessário para garantir que elas continuem operando com essa função.”
Nem um único Democrata discorda.
Assim como ocorreu com as S&L (caixas de poupança) na década de
Como Hans-Hermann Hoppe já demonstrou, a democracia não funciona. Cedo ou tarde – nesse caso 70 anos mais tarde, 70 anos após Fannie Mae ter sido criada – o sistema começa a ruir. Chame-o do que quiser, socialismo democrático ou fascismo democrático ou ambos, a democracia não funciona. Ela não funciona na agricultura, nas forças armadas, no programa espacial, no sistema bancário, ou em qualquer outra parte da economia. A democracia estimula mentiras, encoraja os mentirosos, gera propinas e covardia frente aos eleitores. A democracia simplesmente não funciona, meus amigos. Cedo ou tarde, dependendo de várias coisas em particular, implosões ocorrem.
A democracia assume como premissa um público informado e educado. Mas a mídia já foi cooptada pelo sistema político. Consequentemente, ela não está vigilante e não está reportando o que deveria – e isso resulta
A intervenção governamental é como um frasco de veneno mutante derramado na rede fornecedora de água. Podemos beber essa água por um bom tempo sem que ninguém realmente pareça pior. Até que um dia acordamos e todos estão desesperadoramente doentes – e culpando não o veneno, mas a água. O mesmo ocorre com a atual crise imobiliária. Os financiadores estão sendo culpados por todo o fiasco, e o capitalismo será submetido às surras de praxe, já que Freddie e Fannie são empresas de capital aberto. Mas a verdade é imutável: a razão por que tudo durou tanto tempo e ficou tão ruim é uma só: foi aquele frasco de veneno do governo.
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Para mais sobre o assunto, ver As raízes da crise imobiliária.
Olá, conheço o site faz alguns meses e já aprendi bastante coisa, já mudei de opinião em vários assuntos também…\r
Sobre esse artigo, tenho a seguinte dúvida: Se a Fannie Mae foi criada em 1938 e a Freddie Mac em 1970, por que só agora (de 2008 para cá) explodiu essa crise? Por que não antes? Por que não poderia ter acontecido no futuro? O que causou o estopim? (visto que essas empresas já operam há décadas) Há algum outro artigo que explique isso? Obrigada.
Não escutei ainda, mas finalmente!
Excelente! Grande Olavão!
GRANDE Olavo.
Massa! Obrigado, Bruno!
“Depois que você lê von Mises é que você percebe como os outros economistas são confusos”
E, depois que você percebe como os outros economistas são confusos, é aí que você passa a gostar de Economia!
Excelente entrevista!
Bravo! Foi o Olavo quem me apresentou a Escola Austríaca. Muito bom ver essa entrevista.
Instituto Mises Brasil e Olavo de Carvalho juntos. Quem diria? Espero que esse encontro se torne mais frequente. Os libertários podem aprender muito com o Olavo e este também pode aprender muito com os libertários.
A Equipe Mises Brasil está de parabéns. Mostrando porque é, de longe, o melhor instituto liberal do Basil.
Olavo rules!
Valeu, Bruno.
“As universidades são a peste do mundo moderno, porque a cada 100 pessoas que despejam no mercado você tem 90 inúteis, inúteis, incapazes, ineptos, incompetentes, diplomados e metidos, então está se criando uma praga, todos vão ser doutores sem saber coisíssima nenhuma.” Olavão falando nada mais que a verdade.
Excelente.
Parabéns ao instituto pela iniciativa! O brasileiro sensato agradece!
A liberdade não é a filha da ordem e sim a mãe dela.
A doutrina conservadora já começa com essa doutrina falsa.
Grande Olavo!
Fiquei muito decepcionado com o podcast do Olavo. O instituto Mises presta um desserviço aos defensores da liberdade ao se associar a este senhor.
F A N T Á S T I C O ! ! !
O Olavo deu a dica: o inimigo é o estatismo, vulgo comunismo. Sem a derrocada desta praga, não há liberdade de mercado plena!
Podcast histórico.
Acho que teria sido deveras produtivo para o debate incluir na pauta da entrevista o livro "Democracy: the god that failed" e questionar o Olavo acerca da ponte teórica que o Hans-Hermann Hoppe tentou construir ali entre o libertarianismo e o conservadorismo como duas faces complementares da mesma moeda.
Especialmente no trecho em que o O. de C. falou sobre as comunidades puritanas que fundaram os EUA (cujos membros teriam sido disciplinados e independentes a ponto de achar que não precisavam de governo) e de como o programa cultural de esquerda erode a ordem moral da sociedade e aumenta a demanda pela ordem política oferecida pelo Estado, foi impossível não lembrar da crítica de Hoppe aos "left-libertarians" e da tese dele de que uma sociedade libertária só pode ser estabelecida eficazmente em um ambiente de alta repressão moral, repleto de instituições intermediárias (moral, religião, família, etc.) para preencher o vácuo sociológico deixado pelos políticos e impedir que a anomia desintegre tudo:
“Moreover, true conservative libertarians – in contrast to left-libertarians – must not only recognize and emphasize the fact that there will be a sharp increase in discrimination (exclusion, expulsion) in a libertarian society wherein private property rights are fully restored to the owners of private households and estates; more importantly, they will have to recognize – and conservatives and conservative insights can be helpful in achieving this – that this ought to be so: that is, that there should be strict discrimination if one wants to reach the goal of a private property anarchy (or a pure private law society). Without continued and relentless discrimination, a libertarian society would quickly erode and degenerate into welfare state socialism. Every social order, including a libertarian or conservative one, requires a self-enforcement mechanism. More precisely, social orders (unlike mechanical or biological systems) are not maintained automatically; they require conscious effort and purposeful action on the part of the members of society to prevent them from disintegrating” (p. 213).
O que mais dizer, fantástica a entrevista.
Oi Leandro, minha decepção fica por conta da diminuição da importância da liberdade e a oposição ao estado mínimo (não quero nem ouvir o que ele pensa sobre anarcocapitalismo), logo, defendendo o oposto. Espero que fique claro que não estou contra o IMB, justamente por querer que ele cresça não posso concordar com essa "estratégia".
Por fim, acredito que a associação não precisa ser um contrato formal, quando alguém é entrevistado no podcast, acreditamos que é alguém que concorda com as ideias liberais. Pois este é um ponto comum entre os convidados. Se isto não fosse verdade, teríamos entrevistas com o Plínio de Arruda, Sakamoto, Conceição Tavares e até o ex-liberal Constantino.
O entrevistado diz que não se pode ter um território totalmente liberal (livre-mercado e sem estado), pois seria subjugado por forças estatistas vizinhas, militaristas, mais fortes e organizadas. Isto não seria um forte argumento fundamental, de onde se poderia concluir que a longa subsistência de territórios totalmente liberais é impossível? Para se ter um território com livre-mercado há que se ter uma proteção externa contra inimigos prováveis? (Por exemplo, um país onde o território de sua faixa de fronteira fosse fortemente militarizado e o centro um território totalmente liberal – seria um estado mínimo onde se separaria fisicamente o estado do mínimo)
Olavo de Carvalho, em seus artigos, refere-se constantemente ao estrategista esquerdista Saul Alinsky (en.wikipedia.org/wiki/Saul_Alinsky).
Com base no livro Rules for Radicals, de Alinsky, o gaúcho Luciano Ayan compilou uma enorme série de mentiras usadas exaustivamente pelos esquerdistas: lucianoayan.com/rotinas-esquerdistas
Sugiro a todos os anticomunistas – libertários, liberais clássicos, conservadores – que leiam.
Não imaginava uma dia ver o Olavo de Carvalho participar de um Podcast do Mises Brasil…
É hora de parar com essa briguinha imbecil e nos unirmos para combater o verdadeiro inimigo.
Outra vantagem do socialismo frente ao liberalismo é que o socialismo praticamente proíbe a divulgação de ideias liberais, denominando-as de todos os nomes “feios :-(” possíveis e imagináveis (ideologia bastante odienta e rancorosa 🙁 essa hein.); Enquanto que o liberalismo tenta argumentar 🙂 (utilizando-se da razão, algo abominado pelo odientos) contra o socialismo, com ideias, cientificamente :-|. No embate da estratégia contra a razão, quem vence, quem convence mais gente?
Parabéns ao Mises Brasil.
Até que enfim.
Eu conhecí o Mises a partir da indicação do Olavo, e vejo que já passou da hora de liberais conservadores e libertários unirem forças contra a locomotiva bolivariana que assola a américa latina.
Irônico que, numa conversa com um instituto liberal por excelência, Olavo de Carvalho não tenha sido capaz de dar uma definição minimamente articulada de liberdade.
Num dado momento, ele ainda amalgama liberdade sexual e liberdade para abortar, produzindo uma falsa relação de causa e consequência entre uma e outra; sofisma comum entre estatistas, p.ex. quando tentam justificar a proibição de armas de fogo ou do consumo de drogas.
Brilhante! Olavo é o cara.
Obs: O mais engraçado são os xaropes tentando rechaçar utilizando conceito geral de liberdade. Que preguiça! Gente!, será que é tão difícil entender? Será que ele falou grego?
Muita gente se esquece que o IMB tem o objetivo de divulgar e discutir as idéias da Escola Austríaca. Não o anarcocapitalismo, libertarianismo ou coisa assim. Sinceramente, não entendo as críticas quando um entrevistado não é anarcocapitalista ou não segue o que muita gente acha que é algum tipo de “consenso”. O Olavo não é libertário, mas não apenas tem ligação com a EA como foi um grande divulgador dela aqui no Brasil.
Qualquer um com conhecimento e ligação com a EA vale a pena ser ouvido.É um tanto preocupante a tendência de se fechar em um mundinho ideológico, não dando espaço para diferentes autores e pensamentos. Quem costuma fazer isso é a esquerda.
Não é possível ficar restrito apenas a autores libertários ou da EA. Temos que buscar uma formação ampla, buscando conhecer inclusive os esquerdistas. Afinal, como vamos lutar contra um inmigo que não conhecemos?
Po, nao tinha uma musiquinha melhor para tocar nao? Um Mozart, um Beethoven, um Jazz… essa porcaria de Black Sabbath , com o Ozzy ainda… não da para engolir
Quem é 100% aceito? Mas garanto que uma conversa desta jamais iremos ver na mídia porque ela esta tomada pela mesma gente que vendeu a falsa prosperidade.
Criticar o Olavo me parece algo com a mídia brasileira ( aliás ela nem toca no nome dele para não ter que explicar que ele é.)
Olavo de Carvalho!!?? Ai, ai! Quer dizer que "As ideias socialistas ainda seduzem tanta gente porque "o comunismo é o único movimento político que existe nos últimos 200 anos."? Sério? Só existem oposições locais às ideias socialistas? Não existe internacional liberal (www.liberal-international.org/site/)? Resta saber então como ainda temos sociedades capitalistas (meia boca que sejam), de democracia liberal.
As ideias socialistas seduzem até hoje porque existem injustiças, discriminações, exclusões várias no mundo que vivemos. Os socialistas capitalizam a indignação proveniente desse quadro para seus propósitos, dando falsas soluções para os problemas sociais, já que só têm teoria de poder, não teoria de governo nem teoria econômica que funcionem. Mas os conservadores também não têm, já que tradição não move economia nem estrutura governos per se, por isso emprestam tudo do liberalismo, cortando-lhe as asas em troca. Conservadores apoiam Estado mínimo e outros princípios liberais muito mais porque veem o Estado como rival da família tradicional, centro do poder conservador, junto com a religião, do que pelos argumentos racionais que se costuma levantar contra os problemas derivados de um estado grande. E são tão liberticidas quanto os socialistas, basta ver nessa entrevista a historinha do seu olavo de que se você quiser liberdade sexual terá como contrapartida de aceitar um governo tirânico. O que alhos têm a ver com bugalhos, não é?
Mas, então, se os socialistas podem ser considerados alienados por não aceitar que sua ideologia não deu certo em lugar nenhum do mundo, em qualquer momento, como não considerar alienada também gente que não reconhece a realidade profundamente injusta do mundo em que vivemos como o real combustível da permanência das ideias socialistas na atualidade, indo procurar respostas como quem busca pelos em casca de ovo e chifres em cabeça de cavalo? Aliás, outra das razões para a prevalência das ideias socialistas deriva da incapacidade inclusive dos liberais de darem respostas aos anseios de justiça da maior parte da humanidade, negando sua validade, hostilizando os movimentos sociais, copiando o discurso neocon que reduz qualquer inconformismo com a sociedade em que vivemos a coisa de "preguiçoso, maconheiro, vagabundo, vândalo, niilista, psicopata, ateu…"? Enquanto a posição for essa, cega, surda mas não muda infelizmente, não terão condições de reverter a prevalência da visão socialista na sociedade. Não terão nem merecem ter.
Senssacional! Parabéns ao Bruno e ao professor Olavo!
O problema do Olavo, como sempre, é criar uma caricatura ridícula dos libertários. Os seus alunos, que nunca devem ter lido um autor libertário sequer, escutam-no e acham que os libertários são todos umas grandes bestas. Como diz alguém acima, “a liberdade de um começa onde termina a do outro” já coloca o limite à liberdade. Portanto, a “ordem” precede a liberdade. Pois, ontologicamente, metafisicamente, a liberdade completa é uma impossibilidade.
Ora, está muito certo. Só que isso que o Olavo aponta como um problema insuperável, uma contradição insolúvel, a pá de cal do pensamento libertário, na verdade, não é problema algum. Pois os libertários não colocam a “liberdade” como princípio supremo. Os libertários (jusnaturalistas) colocam o PRINCÍPIO DE NÃO INICIAÇÃO DE AGRESSÃO como princípio supremo.
E agora, onde estão todos os paradoxos? Simplesmente desaparecem. Por exemplo, argumentaria hipoteticamente o Olavo, a liberdade total implica que um indivíduo poderia escravizar o outro. Logo, a liberdade de escravizar deve ser restringida. E, diz ele, a liberdade deve ser restrita. Ao que o libertário responde: sim, evidente. Pois o escravizador não tem o direito de INICIAR UMA AGRESSÃO a outrem.
A questão do aborto: um libertário pode simplesmente argumentar que o aborto é uma iniciação de agressão contra o feto. Pronto: está aí a solução do problema. Mas não há libertários que defendem o aborto? Sim, como Rothbard. E qual é o argumento: direito de exclusão da propriedade. Portanto, o problema pode ser resolvido sopesando essas duas questões. Ao meu ver, o aborto é ilegítimo, pois seria uma defesa desproporcional ao eventual agravo etc. (Não vou elaborar, pois não é este o tema.)
Este é o motivo por que tantos libertários ficam de saco cheio com o Olavo. Não é por ele criticar o libertarianismo. É por criticá-lo de maneira pueril, estúpida, patética.
Mesmo os críticos do Olavo têm que admitir: de marxismo, movimento revolucionário, doutrinação, miltância, coletivismo e todas as merdas afins, ele entende pra caralho!!!
O princípio da não-agressão é uma piada. E se for ofendido ? Aí precisa de justiça. Que justiça? Pronto, tá aí o estado. Há não.. tem a justiça privada.. kkkk
Olavo é o cara. Queria ver algum libertário interroga-lo sobre o princípio da não-agressão. Ele ia descascar em cima do infeliz.
Foi o Olavo que me apresentou a Escola Austríaca também, lá em 2008. Muito bom vê-lo por aqui.
Bem legal o podscast. O velho manda muito bem.
A causa de eu ter conhecido o Mises!
Valeu Bruno!
Gostaria que o Sr. Olavo se Carvalho desenvolvesse o conceito de liberdade apresentado por ele. Conheço o pluralismo de Isaiah Berlin e Oakeshott, mas tive a impressão de que há uma certa evolução desse conceito nas palavras do Olavo. Como faço para pedir a ele maiores esclarecimentos ou artigo sobre isso? Ele escreve para o site de vocês? Onde posso encontrar mais textos dele sobre o tema? Obrigado.
E o caso da Suiça em que não havia exército estatal nenhum e enfrentou a Alemanha Nazista com um exército estatal altamente organizado?
Nao consigo entender porque o Olavo acaba brigando com varias pessoas que se aproximam dele. Mesmo com pessoas que concordam com a grande parte do que ele fala.
No face ele disse:
‘Há um século a política econômica comunista, como aliás também a capitalista, é um vaivém entre estatização e privatizacão. Nunca vai sair disso, porque tomadas em sentido extremo as duas coisas são impossíveis. Quem acha que o oposto de comunismo é livre mercado não entende PORRA nenhuma do assunto. Comunismo NÃO é um sistema econômico, é um projeto de poder mundial e de destruição civilizacional que, a cada momento, usará as políticas econômicas mais oportunas, girando 180 graus, se preciso, com a maior cara-de-pau. Marx, por exemplo, era um grande apologista do livre comércio internacional’
Confere isso? Marx defendia o livre comércio? Achei muito estranho, não faz o menor sentido, mas considerando que raciocínio lógico não é o forte da companheirada, pode até ser…
O Olavo se gaba de acertar previsões estratégicas por vinte anos, e ele também aparentemente conhece a escola austríaca, então o que eu não consigo entender é o aparente otimismo dele quanto aos EUA, terra onde ele escolheu viver
Será que ele acha que ainda está na era Bush? Com a diferença apenas do Obama fazendo uma ou duas cagadas mas que são perfeitamente consertáveis? Será que ele não sabe do défcit americano? Ou de economistas austríacos prevendo o colapso dos EUA na próxima crise, muito pior que a de 2008?
Não entendo
O Olavo afirma que o Mises é ótimo economicamente mas peca filosoficamente. Sabendo da formação kantiana de Mises, qual deveria ser o ideal filosófico de mises segundo Olavo?
Os intervencionistas são como a criança que apronta e depois acusa o colega.
A democracia (que é diferente de “república”) não funciona se não houver isonomia, liberdade com responsabilidade e limitações ao poder.
* * *
‘Olavo kept covering these links, showing Obama's "Islamic" links as proof that he was sponsoring an Islamic policy, but omitting that the Islamic links were Saudi, the same Saudis suported by Bush and the neo-con Republicans (among others), or taking his links to Saul Alinsky as proof of him being communist, without going further on the trail. About facts like the link between Obama and Rahm Emmanuel, son of one of the founders of the Israeli secret services, nothing would be said, as nothing would also be said about Israeli attacks in Syria and its sponsoring of radical Islamists that now mass murder the same Christians he claims to defend. I decided to then ask him in private about these facts and others that point to the same direction.’
http://www.geopolitika.ru/en/article/exposing-brazilian-agent-provocateur#.U1M1OFVdVXv
“Ninguém nega que Olavo de Carvalho seja inteligente e erudito. Reconheço, ademais, que algumas de suas análises são procedentes. Daí a atribuir o valor salvacionista que você confere à obra dele vai uma grande distância. (…)Em filosofia, ele conduz seus alunos aos erros de gnósticos como Leibniz e Schelling. Como analista político, ele realmente acertou em muita coisa, mas era tudo óbvio: estava na cara que a esquerda era hegemônica cultural e politicamente. A perspicácia do Olavo só tem destaque pelo contraste, vez que somente havia esquerdistas e uns poucos liberais comentando política e cultura. (….) Sua liderança política conduz ao “conservadorismo” maçônico e revolucionário de Bush e seus neocons. Grande diferença para o esquerdismo dos democratas! Ambos são essencialmente progressistas e, por conseguinte, anticatólicos. Como “guru” religioso ele é ainda pior, eis que propõe a “unidade transcendente” de todas as religiões, o que é gnose pura. (…) Eu já vi até propaganda de uma loja maçônica no site dele.O Olavo sabe que Bush é maçom,que toda a elite americana é maçônica e mesmo assim está lá nos EUA militando na ala “neoconservadora” do Partido Republicano, que, além de maçônica, é instrumento do sionismo. Como se pode ser católico e transigir com a maçonaria?””
angueth.blogspot.com.br/2010/03/o-estado-servil.html
O estado deve parar de gastar o dinheiro privado dos cidadãos roubados por ele em empresas ineficientes.
Queria saber de onde o Olavo de Carvalho tirou que o instituto Cato é a ‘elite libertarian’ americana.
‘O Obama está por baixo, mas a parcela de americanos que acreditam nele ainda é maior que a de brasileiros que acreditam no PT. O povo brasileiro está dando aos americanos uma lição de lucidez política e ainda há uns molequinhos e uns burguesinhos pó-de-arroz que vão pedir conselhos ao Cato Institute.’
‘Aconselhei: Sigam o povão. Seguiram a elite libertarian americana.’
Obrigado;
Mises sempre esclarecendo tudo, infelizmente, há sempre aqueles que torcem o nariz para a VERDADE.
Hoje, eu faço de tudo para emprestar dinheiro para meus conhecidos, assim, os bancos perdem dinheiro da ‘farra’;
Taí, vcs ajudam a divulgar esse cretino, é bem isso que vcs merecem.
‘Uma idéia que nunca me ocorreu, mas que foi a primeira a brilhar nas cabecinhas dos novos teóricos do liberal-conservadorismo, foi a de me aproveitar de autores que divulguei pioneiramente no Brasil e sair cavando uma verbinha nas fundações com os nomes deles.’
OdC
Esquerdistas (os “liberals” nos EUA) nem ao menos sabem o que, de fato, é o Fascismo.
A direita precisa começar a querer ser admirada; tem de parar de dar trela para malucos que falam bobagens como o OdC o faz.
Muito legal o artigo.
Penso que deve ocorrer algo parecido no setor de ensino superior americano (e por que não o brasileiro?). Chega a ser bizarro um empréstimo (caro) para estudar, algo que não existia nas décadas de 50 e 60, quando o setor não estava inflado de tal forma. É um bom tema, talvez um dia eu aborde em detalhes.
Alguém poderia me dar a referência da fala de Mises no começo do artigo? não consegui encontrá-la.
Valeu!