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O que explica a metanfetamina cristal?

N.
do T.: Notícias
recentes
indicam que a versão cristal da metanfetamina já chegou ao
Brasil.  Dentre os efeitos causados por
essa droga estão arritmias cardíacas, insônia, irritabilidade e agitação
nervosa.  Pode-se também observar dor
abdominal, náuseas, vômito, diarréia, anorexia, perda de peso, constipação,
diminuição da função sexual, alterações na libido, disfunção erétil, fraqueza,
cefaléia, hiperidrose, taquicardia, visão turva, tonturas, infecção urinária e
secura na boca.  Em casos mais raros,
também se observa um estado mental alterado, enfarte do miocárdio, dermatite
alérgica, exantema, ansiedade, cardiomiopatia, acidente vascular encefálico
(AVE), dor no peito, depressão, febre, hipertensão, alterações de humor e
psicose.

Como
uma droga tão destruidora consegue encontrar adeptos?  A economia explica.

________________________________________________________

A
maioria das pessoas jamais viu a metanfetamina vendida
como droga, conhecida como cristal; fala-se muito no noticiário, mas quantas
pessoas de fato conhecem alguém que é usuário de metanfetamina? 

A
droga atende por vários nomes: metil anfetamina, N-metil-anfetamina, desoxiefedrina,
metodona de cristal ou simplesmente ‘met’. 
Independentemente de como seja chamada, a metanfetamina é simplesmente
uma das mais perigosas e viciosas drogas existentes no mercado negro atual.

A
metanfetamina existe desde 1893 e, atualmente, é permitida por várias agências
governamentais para o tratamento da obesidade e do Transtorno do Déficit de
Atenção com Hiperatividade (TDAH).  Como se pode explicar seu recente surto de
popularidade como droga recreativa?  Por
que um indivíduo escolheria utilizar uma droga que é amplamente conhecida —
até mesmo por seus usuários — por ser uma das drogas mais perigosas e difíceis
de ser abandonadas dentre todas as drogas ilegais?  Pode ser algo surpreendente para alguns
leitores, mas a ciência econômica pode fornecer a melhor resposta para essas
perguntas desnorteantes.  Porém, antes de
entendermos a economia por trás das decisões individuais de se utilizar o
cristal, precisamos antes nos certificar de que já fomos apropriadamente
apresentados a essa droga e aos seus usuários.

Pode
parecer estranho o fato de a mesma substância química utilizada na forma de
tabletes por milhões de soldados nazistas (por falar em Blitzkrieg…) possa
ser também uma droga de rua tão popular.  
O motivo de ela ser utilizada “recreativamente” é que, altas doses, ela
produz uma reação de euforia que inclui um aumento da vivacidade e da sensação
de alerta, um aumento da energia, da autoestima e até mesmo do apetite sexual
— sendo que tudo isso pode durar até 12 horas. 
Dentre os inevitáveis efeitos colaterais do pós-efeito estão a fadiga e
a depressão.  Não surpreendentemente, a
droga também é considerada altamente viciante.

Para
evitar esses sintomas da abstinência, alguns usuários se entregam a farras em
que consomem a droga por dias ou até semanas seguidos.  Isso, entretanto, apenas faz com que o
período de abstinência que virá depois seja ainda maior e mais doloroso.  Usuários antigos podem sofrer danos
fisiológicos, psicológicos e neurológicos que perduram até muito tempo após o
fim do período de abstinência.  Os
efeitos de longo prazo também incluem depressão, suicídio e ataques
cardíacos.  Uma descrição completa da
droga e de seus efeitos pode ser encontrada aqui.

Um
efeito particularmente doloroso e debilitante do uso de longo prazo do cristal
é conhecido como “boca de metanfetamina” (meth
mouth
).  Essa condição envolve a
degradação dos dentes e gengivas do usuário. 
O uso prolongado pode resultar na descoloração e perda prematura dos
dentes.  Eles se tornam desfigurados e
desgastados, assumindo um aspecto mórbido de “dentes moídos”.  Os nervos ficam expostos.  As gengivas do usuário também assumem um
aspecto mórbido, apresentando frequente sangramento, o que acelera a perda dos
dentes.  Especula-se que esse aspecto
bucal seja resultado de uma higiene ruim e de uma dieta pobre combinadas com os
efeitos da droga (o fenômeno da boca seca gerado pela droga) e com o desgaste
dental autoinfligido pelo usuário.  Em
casos severos, o estrago é irreversível. 
O resultado não é nada bonito. (Clique aqui
se tiver estômago).

O
número total de usuários de cristal é relativamente pequeno; entretanto, nos
EUA, pessoas que trabalham em centros de reabilitação, prontos-socorros e
necrotérios são obrigadas a lidar com essa droga incrivelmente devastadora —
ou com suas vítimas — diariamente. 

Essa
breve introdução à metanfetamina em sua versão cristal, e de como ela funciona,
foi necessária para garantir que todos nós estejamos integrados no assunto em
questão e entendamos perfeitamente com que tipo de droga estamos lidando.  Estou certo de que o leitor pode agora
concordar com legisladores, policiais, especialistas em saúde pública,
defensores da legalização das drogas e antigos usuários quando eles dizem que,
em termos de potencial destrutivo, nem todas as drogas são criadas iguais, e a
metanfetamina pertence a uma classe única.

A
pergunta é: sabendo-se que ela é tão perigosa e destrutiva, por que a
metanfetamina cristal é tão popular?

Figure1.jpg

A
deterioração de uma usuária de metanfetamina ao longo de um período de 10 anos

As
respostas mais comumente dadas estão relacionadas a tecnologia, fisiologia e
psicologia.  Tecnologicamente, o cristal
é fácil de ser fabricado: pode-se utilizar equipamentos de produção simples,
uma receita acessível gratuitamente na internet, e ingredientes disponíveis na
farmácia da esquina.  A baixa exigência
tecnológica para a produção de cristal resultou na criação de vários
laboratórios amadores e profissionais ao redor do mundo.  Um estudo publicado em 2007 descobriu que “A
síndrome de abstinência de metanfetamina gera depressões mais prolongadas e
severas que a abstinência de cocaína, de modo que os pacientes com abstinência
devem ser monitorados de perto, pois apresentam propensão ao suicídio”.  Psicologicamente, a metanfetamina fornece a
euforia que tantas pessoas almejam.

Isso
tudo é verdade, mas não explica a popularidade de um produto tão pernicioso e
perigoso.  Vendedores de drogas,
consumidores de drogas e até mesmo viciados em drogas sempre foram conhecidos
por ser um grupo “racional” — sim, racional, mas continue me
acompanhando.  Eles reagem a mudanças de
preços; eles reagem a diferenciais de qualidade e a mudanças na qualidade.  Eles também reagem — racionalmente — a
mudanças no risco.  Logo, se os usuários
de drogas selecionam sua droga favorita por meio de um processo racional de
tomada de decisão, o que explica essa “marcha ao fundo do poço” e a ascensão da
metanfetamina no mercado de drogas ilegais?

A
resposta está no preço.  O cristal é
conhecido como a cocaína do pobre.  Tanto
a cocaína quanto a metanfetamina são estimulantes, portanto é razoável supor
que ambas atraem o mesmo subconjunto de usuários de drogas.  Nos EUA, durante o apogeu da cocaína, a metanfetamina
estava praticamente extinta no mercado ilegal. 

Porém,
tudo isso mudou com a “Guerra às Drogas” intensificada por Ronald Reagan, a
qual foi bastante eficaz em elevar os preços das drogas ilegais ao impor
maiores riscos — logo, maiores custos — à produção, à distribuição e ao
consumo.  O choque inicial dessa guerra
às drogas fez com que os agentes do mercado negro refizessem suas planilhas de
cálculo: eles agora tinham de reduzir seus riscos e seus custos.  Dentre os novos produtos que eles criaram em
reação a essa nova realidade do mercado, podemos citar, além da metanfetamina cristal, o crack e um tipo de
maconha altamente potente.

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Como
havia prometido, a ciência econômica fornece a melhor explicação para o surto
de popularidade da metanfetamina, não obstante o desproporcional perigo do seu
uso.  A intensificação das leis de
combate às drogas, o maior rigor na sua aplicação e um aumento nas punições
levaram a um aumento nos preços e a uma redução da oferta das drogas
recreativas favoritas, como a maconha e a cocaína.  Preços altos e escassezes periódicas fizeram
com que traficantes e consumidores tivessem de encontrar substitutos — bens
sucedâneos que poderiam produzir resultados similares, porém a custos menores.

O
flagelo trazido pelo cristal é mais um exemplo do “efeito autoridade” — ou
daquilo que tem sido chamado de “lei de ferro da proibição”.  Sempre que o governo decreta uma proibição,
aumenta a coerção ou aumenta as punições sobre o comércio de um bem como álcool
ou drogas, tal medida inevitavelmente resulta na substituição destes bens por
drogas mais adulteradas, mais potentes, mais perigosas e mais perniciosas.

No
caso da metanfetamina cristal, as autoridades americanas já tentaram restringir
a oferta dos ingredientes básicos, os quais são ingredientes comuns de remédios
para gripes.  Elas determinaram que tais
remédios fossem vendidos em farmácias apenas pelo farmacêutico, atrás do
balcão, e com estoque limitado para apenas um mês.  Mais recentemente, alguns estados americanos
determinaram que esses compradores de remédios para gripes fossem rastreados
eletronicamente.  A intenção era impedir
que comprassem em várias farmácias ao mesmo tempo.

Como
resposta, os produtores de cristal recrutaram um número ainda maior de
intermediários, dentre os quais amigos, parentes, alunos de faculdades, e até
mesmo crianças e mendigos.  Esses
recrutas compram remédios para gripe e os revendem para os laboratórios
clandestinos com uma margem de lucro que chega a 500%.  Uma reportagem da Associated
Press
mostra que milhares de pessoas estão sendo atraídas para esse
comércio.  “As autoridades foram
surpreendidas”, disse o sargento Tom Murley, de St. Louis.  “Pessoas que normalmente não iriam contra a
lei agora estão dispostas a fazê-lo porque acham que é um bom negócio, e também
por causa do estado ruim da economia”.

Felizmente,
além de respostas e explicações, a ciência econômica também pode nos mostrar a
porta de saída dessa antiga tendência já velha de décadas — a tendência de se
criar drogas cada vez mais potentes e perigosas.  Afinal, uma determinada fatia da sociedade
sempre irá, independentemente de restrições e imposições de leis, optar por
usar drogas.  Menos coerção e punições
menores iriam reduzir o preço da maconha e reduzir a demanda por cristal,
direcionando essa demanda novamente para a maconha, uma droga que tem poucos dos problemas
associados ao cristal.

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136 comentários em “O que explica a metanfetamina cristal?”

  1. Esse artigo ERRA no basico, a FISIOLOGIA do abuso de drogas. Metamfetamina e cocaina sao duas drogas diferentes que produzem euforia atuando nos mecanismos cerebrais de recompenca, atraves de receptores DIFERENTES. Todos os receptores biologico, inclusive de drogas, mostram cinetica de SATURACAO, por essa mesma razao, viciados sempre procurarao novas drogas que sejam capazes de produzir os efeitos que procuram por outros caminhos. Sem duvida o preco tem a ver com a acessibilidade, mas a necessidade de se procurar outras dorgas, quando a rotina do uso, ja nao traz os efeitos procurados e determinada fisiologicamente. Uma analise economica das drogas, sem levar em consideracao a fisiologia do abuso, e’ incompleta e parcial.

  2. ” Afinal, uma determinada fatia da sociedade sempre irá, independentemente de restrições e imposições de leis, optar por usar drogas.”\r
    \r
    Concordo com a análise de forma geral, mas discordo dessa colocação em particular, pois faz parecer que o uso de drogas é um imperativo da natureza quando na verdade é uma escolha individual.\r
    \r

  3. Dois fatores que também não foram levados em conta: a praticidade do uso de metanfetamina e seu efeito prolongado! É muito mais prático usar do que cocaína porque se ingere via oral, não precisa ficar cheirando necessariamente como a coca. Outro fator: viciados em cocaína muitas vezes precisam a cada meia hora ficar cheirando para sentir o efeito, enquanto com a metanfetamina o efeito pode durar 7 horas mesmo em viciados, ou seja, essas praticidades não podem ser descartadas, assim como o preço e os aspectos fisiológicos.

  4. Bom artigo!

    É só pensar na época da lei seca americana, na qual o consumo de álcool aumentou, e era em grande parte álcool da pior qualidade, coisa que hoje em dia ninguém botaria na boca!

  5. Nossa, os artigos geralmente bons escritos/traduzidos aqui nao merecem conviver com esse ai. Crack e um tipo de maconha? Que credibilidade alguem que escreve isso tem?

  6. Se tem uma coisa que me deixa transtornado, com vontade de jogar meu computador no chão, de revolta mesmo é ler um artigo desse.
    Como que pode um sujeito dizer que o problema é que o mercado é regulado e que se fosse tudo liberado as drogas se tornariam mais baratas e….. CHEGA! Será que não é suficiente ver os efeitos colaterais que as drogas causam nas pessoas? Até onde que o liberalismo chega? O mercado de DROGA NENHUMA pode ser liberado, e se existe alguma sinceridade em suas palavras não há nada que possa negar isso. Ideologias podem negar, mas sua sinceridade não!
    Se o Governo do jeito que é, utiliza da proibição para aumentar seus negócios com o tráfico então que derrubemos o governo e não a proibição!

    Por favor né!

  7. Reduzir a termos econômicos deixa o texto bem pobre, sem profundidade. Falta conexão a outros fatores. Ação humana é tudo, desde que se esteja lúcido, ou não? Depois do vício uma pessoa pode ser considerada responsável por suas ações humanas, mesmo que somente contra si? Será que é tão sozinha assim no mundo ao ponto de não afetar mais ninguém com seu vício? Também não resolvi o problema, mas ainda me faço estas perguntas. Estou me intrometendo na vida alheia?

  8. O pior erro do artigo é afirmar que o “mercado da droga” é racional. Consumir algo que vai te destruir rapidamente só porque a droga convencional é mais cara é tão racional quanto pular de um avião com um guarda-chuva aberto só porque está proibido de praticar paraquedismo. Não tem nada de racional nisso, é uma estupidez. A atitude racional na situação é não consumir drogas, tendo em vista a desproporção abissal entre os danos causados e qualquer prazer que a metanfetamina possa proporcionar.

    Pra não dizer que é implicância minha mesmo em comparação com outros textos favoráveis a liberação achei fraco. Apesar de não concordar com eles, existem argumentos mais bem construídos que já foram utilizados para defender essa posição.

  9. Saudações meus caros,

    Procurei em todo o site e não achei um artigo que fale sobre GREVE.
    Segundo meu conhecimento “amador” do liberalismo uma greve feri a liberdade, a liberdade do patrão de não poder demitir o funcionário.

    Se pudesem escrever um artigo sobre esse tema, tendo como plano de fundo o que aconteceu em São Paulo recentemente, ficaria muiiiiiiiiitto grato.

    E desculpas por colocar isso aqui, sei que não tem nada haver com o tema discutido, é que eu não sabia onde mais colocar, decidi colocar no primeiro texto.

    Abraços a toda equipe IMB.

  10. Muito Obrigado Fernando, apesar do texto falar do fura-greve, dar pra ter uma noção do quanto é criminoso uma empresa ser punida ao demitir funcionários em greve.

    Grato.

  11. Cel. Fernando Paes

    As famílias não querem seus filhos expostos aos tóxicos, e são as famílias que em preservação da dignidade, formam mais intranponível barreira entre a contenção e o livre comércio das drogas.

    O texto pouco consegue identificar o Estado, o Governo, como mero veículo do controle que no fundo é exercido pelas famílias e pessoas de bem na sociedade

    Na proibição ao comércio de entorpecentes o governo é apenas o agente do controle, o lado vísivel da repressão, mas está repressão está fundada nos valores das pessoas criadas em boas famílias

    As pessoas de bem, que frequentam a igreja e matriculam seus filhos na escola do bairro, não permitiremos jamais a loucura das drogas entre nossos filhos. O nosso NÃO é contundente!

  12. Certa vez, o filósofo conservador Olavo de Carvalho fez uma observação certeira. Disse ele:

    “Está cada vez mais difícil e dolorosa a tarefa de escrever para brasileiros. A cada frase que você escreve, você tem de se certificar de que está utilizando as palavras mais fáceis e as construções mais simples possíveis. Caso contrário, os coitadinhos não entendem nada do que você fala. É uma coisa pavorosa.”~

    Lendo os comentários de alguns aqui nesse espaço, é impossível não dar razão ao filósofo. Como pode alguém que realmente leu esse texto dizer que ele faz apologia das drogas?!

    O texto não apenas faz uma condenação total das drogas, como mostra explicitamente os efeitos delas! E daí que o texto faz uma abordagem econômica do mercado das drogas? Isso é proibido? Isso ofende? O texto está errado? Onde?

    E o curioso é que meus colegas conservadores, que deveriam ser versados em textos mais herméticos, como os do próprio professor Olavo, mal conseguem entender textos básicos como esse, conseguindo até mesmo a façanha de inverter completamente o sentido das palavras.

    Nossa cultura está no brejo.

    P.S.: quem opta por usar drogas é um derrotado e covarde. Tem mais é que se f… mesmo. Já que ele quer morrer, então que o faça depressa. Deem a ele acesso facilitado àquilo de que ele gosta, e com abundância. Assim tal infeliz não fica entupindo o sistema de saúde, e estará liberando recursos para quem realmente precisa. Livre arbítrio.

  13. Só não entendo qual a lógica em dizer que a liberação vai reduzir o consumo. Ora, se a droga ficar mais livre vai ficar mais barata, não? Hoje em dia viciados em crack tem de fazer um sexo oral no traficante para conseguir uma pedra, com a liberação vão levar 3 pedras ao invés de uma.

    Sou a favor da liberação de todas as drogas, mas garanto: Vai morrer gente, capitão!

  14. Se as drogas fossem tão ruins, não seriam usadas. É um prazer relativamente barato e seguro, que pode ser aproveitado durante anos a fio. O tipo de pessoa que abusa de drogas (legais e ilegais) irá pagar o preço desse abuso, em dinheiro ou sofrimento físico. Vitimizar os usuários de drogas ou considerá-los suicidas, irracionais ou pecadores não muda o fato de que há pessoas dispostas a usá-las mesmo a preços muito altos. A maioria deles não se destroem, não assaltam e não são presos. \r
    \r
    A arrecadação em impostos com cigarro e álcool, acredito, supera os custos com tratamentos médicos para as vítimas diretas e indiretas destas drogas. Embora a maioria das pessoas não aceite colocar vidas humanas em cálculos de custo-benefício, ao menos a comparação entre números maiores ou menores de mortes deve ser considerada. Não se ouve falar o tempo dodo em donos de bares assassinando clientes devedores. \r
    \r
    Acredito na total liberação e comercialização de drogas, dando aos indivíduos a liberdade de fazer com seus corpos o que bem entenderem. O excedente de policiais liberados do combate ao tráfico poderiam se dedicar a vigiar os doidões motoristas.

  15. O problema é o impacto das drogas em uma pessoa . Um mercado onde existe a proibição das drogas teremos uma indústria clandestina e com uma tecnologia rudimentar, ou seja, as drogas serão cada vez mais fortes para satisfazer os seus consumidores . Esse tipo de coisa aconteceu na URSS onde houve uma proibição de bebida alcoolica e tal atitude resultou na fabricação de vodka caseira que culminou em uma onda gigantesca de alcoolismo . Essa produção de vodka caseira o teor alcoolico era muito maior que antes da proibição de bebidas com teor de álcool .\r
    Se o mercado das drogas for totalmente liberado muitas empresas vão realizar pesquisas para que seus consumidores se satisfaçam com mais segurança e com menos impacto na saúde dos mesmos .

  16. Então vamos por esse raciocínio.\r
    \r
    O consumo exagerado de drogas leva à morte, ao definhamento.\r
    \r
    Com a facilidade no acesso, o retardado, o idiota, o imbecil que não consegue se policiar vai morrer antes.\r
    \r
    Em pouco tempo, portanto, a demanda de drogas diminuirá.\r
    \r
    Com isso, diminuindo a demanda, quem é o babaca que vai vender?\r
    \r
    Portanto, liberando as drogas, vamos atingir duas coisas boas: acabamos com os drogados idiotas e com os retardados vendedores.\r
    \r
    “Oh, mas droga é ruim”, dirão os pseudo-entendidos.\r
    \r
    Se é ruim, como eu disse asim, é só liberar que acaba!!!

  17. “A resposta está no preço. O cristal é conhecido como a cocaína do pobre. Tanto a cocaína quanto a metanfetamina são estimulantes, portanto é razoável supor que ambas atraem o mesmo subconjunto de usuários de drogas. Nos EUA, durante o apogeu da cocaína, a metanfetamina estava praticamente extinta no mercado ilegal. “

    “Menos coerção e punições menores iriam reduzir o preço da maconha e reduzir a demanda por cristal, direcionando essa demanda novamente para a maconha, uma droga que tem poucos dos problemas associados ao cristal.”

    Não entendi a conclusão dele, ficou bem contraditório com o parágrafo que coloquei acima.

    Sim, o consumo de maconha aumentaria pela redução do preço, mas o cristal é estimulante, substituto de cocaína e ecstasy. Porque alguém iria parar de usar cristal e passar a usar maconha?

    O perfil do usuário é diferente, e quem usa cristal e cocaína em geral tem pouco interesse na maconha.

    Se substituísse a palavra maconha por cocaína faria sentido, mas do jeito que está me parece estranho.

  18. 1º Drogas como anfetaminas, crack e heroína levam à dependência psicoquímica irreversível e à delibitação grave e efetiva do livre arbítrio do usuário, isto é, minam a liberdade de escolha do indivíduo. Um viciado não é livre para escolher usar a substância ou não, para escolher ficar com a família ou ir pra rua se drogas, entre outras coisas correlatas. \r
    Produtores e vendedores sustentam seus negócios à custa do livre arbítrio de indivíduos, e tolher a liberdade de alguém para angariar vantagens econômicas é a definição de escravizar.\r
    Por isso, penso que atacá-las é dever de todo liberal.

  19. Na boa, a maioria de vocês pode até entender, e muito, de economia. Mas quanto a drogas – estando eu longe de ser um especialista -, vocês pensam como a “Liga das Senhoras Defensoras da Moral e dos Bons Costumes”. Muitos demostraram não saber diferenciar o efeito do lança-perfume em relação ao álcool ou ao crack, por exemplo.

  20. Leninmarquisson Stalinácio da Silva

    Só relembrando:

    Como o Olavo pensa, e eu concordo plenamente com ele, a liberação das drogas aqui no Brasil resultaria somente em mais uma “concessão” (monopolística) do Estado (provavelmente para as FARC e seu braço tupiniquim, o PCC), e continuaríamos tendo produtos péssimos, caros, só que com propagandas na TV.

    Claro que os autores sabem disso. Mas alguns leitores, por mais claro que o artigo seja, não conseguem enxergar que NINGUÉM aqui defende a liberação das drogas na base da “concessão estatal”.

  21. Por Leandro, ali em cima:

    “Já no caso do cristal, o sujeito sabe exatamente o que está comprando, pois é exatamente aquela substância que ele quer — ao contrário do consumidor de bebidas falsificadas, que acha que está comprando uma coisa, mas na verdade está levando outra.”

    Deixa eu contar uma história, existe uma substancia chamada MDMA que foi desenvolvida lá pelos idos de 1912, era um remédio para hemorragias. Descobriram promissores efeitos neurologicos que podiam ajudar pessoas com depressão, gagueira e inclusive mal de Parkinson.

    Mas então o Titio Leviathan resolveu se meter e “cientistas renomados” contratados pelo Tio Levi publicaram estudos, com sérias falhas metodologicas em seus experimentos, e “concluiram” que o MDMA era altamente prejudicial, que fazia buracos no cérebro, que fazia vazar bile pelos globos oculares e coisas do tipo.

    Resultado? MDMA proibido, sinonimo de morte! E o que isso tudo tem a ver com o que o Leandro escreveu?

    Vamos lá: O MDMA na forma PURA tem efeitos colaterais fracos quando tomado e o potencial de vicio é baixissimo, muito menor do que tabaco e alcool sem falar nos promissores efeitos medicinais.

    UÉ MAS COMO ASSIM????TODO DIA A GENTE VE NA TV QUE JOVENS MORREM EM RAVES E BLÁ, BLÁ, BLÁ POR CAUSA DO ECSTASY??

    Paraí…”ecstasy”?? O que o ecstasy tem a ver com isso tudo? Ahhh meus caros, o mercado ilegal…

    Depois que o MDMA foi proibido passou a ser usado ilegalmente pelo nome de ecstasy, que em teoria é MDMA, só que na prática leva uns 10% de MDMA e o resto de um caminhão de porcarias misturadas. Imaginem o que colocam na cocaina e na metamphetamina então.

    Os usuários, Leandro, NÃO SABEM o que estão comprando. De resto concordo contigo.

    No caso dessa substancia o governo acabou com as pesquisas de um promissor tratamento de doenças graves e debilitantes, que tirariam um pesado fardo do sistema de saúde se fossem tratadas com mais eficiencia.

  22. Ok Leandro, a intenção não era -distorcer-. Da forma que voce colocou agora ficou mais claro que voce queria se referir a sensação propriamente dita.

  23. Não entendo o que há de imoral em usar drogas. Sério.

    Claro que há drogas perigosíssimas, mas e dai? Uma pessoa que quer usá-la tem esse direito, mesmo que vá morrer usando ou que o vício seja impossível de ser revertido.

    Todos os argumentos conservadores já foram refutados: que é imoral, que causa mal a saúde, que vicia e outros. Nenhum deles justifica a proibição.

    Liberdade individual é isso.

  24. Pessoal, tem um detalhe importante nesta história. O consumidor de drogas não pode ser comparado com um consumidor normal. Vamos imaginar a hipótese de que de repente o uso de todas as drogas fosse liberado. O que aconteceria? Legiões de drogados em todas as cidades de todos os países do mundo iriam surtar. Os assassinatos, roubos, estupros iriam multiplicar-se por milhares… O aumento desenfreado da demanda iria elevar o preço as alturas em vez de baixar. Seria o caos.

    O período da lei seca não serve de parâmetro. Quem tem um pouco mais de idade talvez se lembre de um experimento de liberar as drogas num parque se não me engano foi na Suiça, na década de 80 (ou 90, é pena não recordar os detalhes). O resultado foi catastrófico. Agora imaginem uma cracolândia em cada cidade, em cada bairro ou praça de cidade grande, e viciados como zumbis roubando, matando, estuprando, dirigindo loucamente. Nem o pior cenário da pior guerra seria modelo para o que aconteceria se liberassem o consumo e a distribuição das drogas.

    Respeito quem pensa diferente, mas cuidado… irão dizer: éramos felizes e não sabíamos !

  25. Devo confessar que quando li este artigo pela 1° vez, no mesmo dia em que foi publicado, não “acreditava” muito nos argumentos usados pelo autor… Porém essa semana tive uma experiência pessoal que comprovou que isto é fato: quando se proíbe ou se faz um cerco muito grande em certas drogas, os usuários migram para outras drogas de acesso mais fácil, geralmente piores e com o preço relativamente mais baixos. Não adianta o povo não vai parar de usar porque simplesmente o papai estado proíbe! Tenho problemas de Déficit de Atenção e uso o famoso medicamento Ritalina (Metilfenidato)! Essa semana o Médico (Neurologista) fez uma receita para eu comprar 3 caixas, que dariam para mais ou menos 2 meses de uso. Pois bem, as farmácias não queriam vender simplesmente porque não bastava ter em mãos a dificílima receita amarela, tinha que ter, além disso, uma autorização do médico justificando o fato de prescrever uma receita para um tratamento superior a 1 mês! Acredita nisso? Além da burocracia de uma receita que vai o nome do paciente, endereço, dados como RG, para que esses dados fiquem arquivados no Banco de Dados da Polícia Federal para a segurança da nação, afinal o estado tem que garantir que estou comprando para uso próprio e não para revender! No final das contas quem realmente precisa do tratamento acaba se passando como mais um sem vergonha que quer comprar o remédio só pra ficar “chapado”.

    Agora vamos supor que os usuários recreativos de Ritalina, que usam para estudar, para ficar acordado ou para enfrentar longas festas… Vocês acham realmente que eles irão parar de usar drogas porque por um acaso poderão vir a ter dificuldades de encontrar o bendito Metilfenidato? Claro que não, o fornecedor desses caras vai dar um jeito de encontrar algum substituto de fácil acesso, que cumpra os requisitos exigidos pelos clientes (ficar ligado, etc…) e que tenha um preço acessível… Daí vai surgir o que? Drogas infinitamente mais devastadoras como a Metanfetamina… Até porque é óbvio que a Ritalina tem colaterais conhecidos e alguns que ainda poderemos vir a descobrir… Mas uma coisa é fato: Ritalina faz muito menos mal do que a Metanfetamina, por isso seu uso é liberado na maioria dos países (senão todos)!
    Depois desse comentário enorme, creio que não preciso dizer mais nada…

  26. Em 2002 estive em Amsterdã, nunca me ofereceram tanta droga ilegal na vida. A cada esquina tinha um traficante oferecendo drogas pesadas, mas como aquele comércio era tão vigoroso se a maconha era liberada?

    O erro fundamental, como já disseram, é adotar o mercado de drogas como racional. É colocar este mercado como se conceitos de economia se aplicassem é um absurdo, pois não existe “ação humana”, a ação do viciado passa a ser desumana, não há escolha ou preferências, só disposição de dar tudo pela droga e quando a demanda está baseada no tudo, não há teoria econômica que se sustente.

  27. O que tem de imoral nos vícios é que eles degradam a pessoa. O indivíduo virtuoso respeita a própria dignidade, assim como a dos outros. Mas esse autorrespeito deve vir de dentro para fora, cada pessoa deve ser persuadida e não coagida. O virtuosismo não pode ser imposto por decreto e as tentativas de fazê-lo só pioram a situação.

    * * *

  28. Uma discussão aí no meio me fez ter uma dúvida. Essa não é a questão do texto, mas foi muito defendida e atacada aqui.

    Partamos do pressuposto: Há proibição, logo há tráfico (até porque esse rótulo define uma atividade ilegal. Se não é ilegal, não é tráfico: é comércio). Se o Estado intervém reprimindo, o tráfico aumenta. Muitos citaram o caso americano por mim acatado, mas não vou comentar a estupidez de quem acha que no séc. IXX a sociedade era idêntica a atual permitindo assim a comparação dos índices de violência por exemplo.

    Certo. Mas suponhamos que no maior espírito liberal determinado país tenha proibido o comércio de uma mercadoria considerada mundialmente ilegal exercendo seu poder de polícia sobre outros países inclusive. Suponhamos que um Estado declare crime portar esta mercadoria e por último, suponhamos que tenha dado certo, o que explica?

    Digo isso pois a suposição acima na verdade foi uma imposição feita ao Brasil pela Inglaterra sobre o tráfico de escravos. Alias eles impuseram a ilegalidade da posse e da venda ao mundo inteiro. Segundo se explica a Inglaterra tinha interesses comerciais, e portanto, capitalistas que estavam sendo limitados pela escravidão.

    Depois de muito tempo, conseguiram colocar na cabeça de alguns imbecis (em não foram todos) que a mão de obra escrava era mais cara que a assalariada. Nunca fiz as contas, mas é o que dizem.

    Ainda assim, a escassez de escravos não aumentou a oferta de escravos não-africanos (para evitar a rota vigiada). Na verdade aumentou a demanda por estrangeiros (mal) assalariados e aí começou a história da imigração no Brasil. Podem dizer que aumentou o tráfico, mas apenas momentaneamente. O tráfico internacional foi quase extinto pela usurpação estatal britânica do navios brasileiros. O tráfico nacional foi extinto uns 30 anos depois com o aumento do fiscalização por parte do governo brasileiro. E a escravidão uns 40 anos depois com a criminalização da posse.

    Escravos não são tão fáceis de esconder como um cristal de meth. Mas é tráfico do mesmo jeito e só o que impediu que continuasse foi a ameaça de confisco de bens e direitos por parte do governo.

  29. Por isso que minha opinião é: se do dia pra noite banissem todas as drogas (tanto legais quanto ilegais) seria o fim do mundo… o ser humano precisa de algo para esquecer a realidade, mesmo que somente por algumas horas.
    O segredo está em dosar a restrição as drogas, ou seja, nem tão ao ceu (pouca oferta) nem tão ao inferno (tudo liberado).

  30. A maior parte da violência é provocada pelo consumidor pobre que rouba e pratica latrocínio para obter recurso para financiar o vício. A simples liberação de cultivo caseiro de maconha para consumo próprio já reduziria drasticamente a violencia nas ruas. Mas os defensores da descriminalização das drogas estão mais interessados em discutir a COMERCIALIZAÇÃO e nos lucros dos futuros negócios de drogas.

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