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O encarecimento dos alimentos

Qualquer que seja o ponto de vista adotado, parece que o mundo está nos
estágios iniciais de um grande ajuste ascendente nos preços dos alimentos.  Essa importante tendência macroeconômica
provavelmente irá nortear as políticas econômicas e as perspectivas de
investimento para os anos vindouros.  Embora os especialistas convencionais gostem
de dar ênfase a fenômenos cíclicos, como a meteorologia, a verdadeira força por
trás desse encarecimento dos alimentos é secular.  Os EUA estão liderando o mundo em uma
pandemia de inflação monetária que está ajudando a fazer com que os preços das
commodities, em particular dos alimentos, disparem vertiginosamente por todo o
mundo.

A excessiva criação de dinheiro engendrada pelo Banco Central americano está
atualmente sendo intensificada pela equivocada política chinesa de atrelar sua
moeda ao dólar.  À medida que os EUA vão
desvalorizando sua moeda por meio da criação excessiva de dólares, a China é
obrigada a fazer o mesmo com sua moeda. 
Para manter a taxa de câmbio constante, a China tem de adotar a mesma
política monetária dos Estados Unidos.

Apenas no quarto trimestre de 2010, as reservas internacionais da China
cresceram espantosos US$199 bilhões, indo para um total de US$ 2,85
trilhões.  O aumento foi muito maior do
que aquele esperado pelos economistas, e sugere que a China está imprimindo uma
quantia aproximada de 2 bilhões de renminbis [moeda oficial da China; o yuan é a unidade básica] por dia para poder
comprar essa enxurrada de dólares e, com isso, conseguir manter a âncora
cambial.  O grande problema é que a
China, com sua economia em expansão, está adotando a política monetária de uma
economia em
recessão.  Trata-se
de
uma receita perfeita para a inflação de preços.

E não é apenas a China que está mantendo uma âncora cambial.  Vários outros países também intervêm no
mercado de câmbio quando sentem que sua moeda apreciou-se muito em relação ao
dólar.

Por exemplo, a moeda chilena apreçou-se 17% em relação ao dólar em apenas 7
meses durante 2010.  A valorização da
moeda chilena ressaltou a condição do país como uma história de sucesso entre
os mercados emergentes.  Porém, essa
condição acabou abruptamente há duas semanas, quando o Banco Central do Chile
prometeu intervir no mercado de câmbio com o intuito de aumentar suas reservas
internacionais em US$12 bilhões ao longo de 2011.  Após o anúncio, o peso chileno
previsivelmente desvalorizou-se em relação ao dólar e provocou uma venda maciça
de ações chilenas.

A enganosa ideia por trás desta medida é a de que os governos, ao manterem
suas moedas depreciadas em relação ao dólar, podem estimular as exportações e,
com isso, manterem suas economias robustas e competitivas.  Porém, uma moeda que está se apreciando não
necessariamente restringe as exportações. 
Se aqueles países que atualmente estão mantendo âncoras cambiais resolvessem
abandonar essa política, seus problemas com a inflação de preços locais
poderiam diminuir.  Consequentemente,
essa redução nos preços internos poderia contrabalançar até certo ponto o
declinante poder de compra vivenciado pelos países importadores dos bens produzidos
por esses países em questão.

Entretanto, muitos governos são incapazes de entender esse conceito
econômico básico.  É como se as árvores
não deixassem que toda a floresta fosse vista. 
Ao apegarem-se teimosamente à crença de que uma moeda em processo de
valorização é ruim para a economia, os líderes econômicos mundiais estão
ajudando a desencadear uma onda inflacionária.

Caracteristicamente, os preços dos alimentos são mais voláteis do que os
preços de bens finalizados.  Logo, é ali
que essa nova onda inflacionária manifesta-se antecipadamente.  Infelizmente, isso significa que as pessoas
mais pobres de todo o mundo, que gastam uma maior porcentagem de sua renda com alimentação,
são justamente aquelas que sofrerão o maior impacto dessa política.  Uma rápida olhada em alguns movimentos
alarmantes nos preços dos alimentos poderá dar uma noção do quão ruim as coisas
estão ficando:

  • O açúcar encareceu 25% em 2010.
  • Milho e trigo encareceram respectivamente 53% e 49% em 2010.
  • A soja encareceu 28% em 2010.
  • Em dezembro, o Índice de Preços dos Alimentos, divulgado pela ONU, o qual
    engloba laticínios, carne, açúcar, cereais e oleaginosos, subiu alarmantes 4,2%
    apenas em relação ao mês anterior.  Com
    isso, o Índice superou o pico anterior, ocorrido em junho de 2008.
  • A inflação de preços dos alimentos na Índia subiu mais de 18%, o maior
    valor dos últimos doze meses, de acordo com dados divulgados em janeiro.  Essa ascensão nos preços
    dos alimentos e da energia convenceu muitos analistas de que o Banco Central da
    Índia irá elevar a taxa de juros ainda no final deste mês.
  • Na China, os preços dos alimentos subiram 11,7% de janeiro a novembro de
    2010.  Como resposta, várias cidades
    implementaram controles de preços explícitos com o intuito de impedir que
    houvesse ainda mais aumentos nos preços dos alimentos.  Ademais, o governo central prometeu acabar
    com a especulação nos mercados de commodities do país.

É claro que essa depreciação global das moedas também faz com que os preços
de outras commodities subam.  A
produção de alimentos é um processo extremamente intenso no uso de energia, e o
barril de petróleo a US$90 ajudou a pressionar os preços dos alimentos para
novos níveis recordes.

O crescente custo dos fertilizantes, causados em grande parte pela política
americana de subsídios ao etanol, também está acrescentando mais empuxo à
subida dos preços dos alimentos.  De
acordo com a EPA (agência de proteção ambiental dos EUA), estima-se que as
vendas de etanol nos EUA irão aumentar para 13,9 bilhões de galões em 2011,
sendo que em 2010 as vendas foram 12,95 bilhões.  A agência está exigindo que pelo menos 8% dos
combustíveis vendidos em 2011 sejam advindos de fontes de energia
renováveis.  Já o Congresso americano quer que a produção anual de etanol dos EUA aumente para 36 bilhões de
galões até 2022.  Com aproximadamente 40%
das safras de milho americanas sendo atualmente desviadas para a produção de
etanol, a demanda por fertilizantes tende a aumentar substancialmente.

E os preços já estão em
disparada.  A
Mosaic
,
uma das maiores empresas produtoras de fertilizante dos EUA, vendeu fosfato de
diamônio por US$461 a tonelada no quarto trimestre de 2010, um aumento de 61%
em relação ao ano anterior.

É preciso reconhecer também que há outros fatores não inflacionários empurrando para o alto os preços dos alimentos em todo o mundo.  Por exemplo, condições climáticas ruins em
grandes países exportadores em todo o mundo reduziram significativamente as
colheitas, bem como as expectativas de colheitas futuas.  Além do tempo ruim na Austrália, na Europa,
na América do Norte e na Argentina, a crescente demanda asiática está no núcleo
desta disparada nos preços.  Espera-se
que a China, por exemplo, compre 60% da soja comercializada globalmente em
2011/12, uma porcentagem que é o dobro daquela de quatro anos atrás.

Porém, a gênese da disparada nos custos dos alimentos jaz no Banco Central
americano e em seu desejo de estimular a inflação nos EUA, na esperança de que
isso irá reavivar sua economia.  Por
outro lado, países como Índia e China já começaram a reverter o efeito
inflacionário oriundo de sua âncora cambial ao dólar americano, e já estão
elevando seus compulsórios e suas taxas básicas de juros.  Enquanto isso, nos EUA, Ben Bernanke segue
dizendo que a inflação no país está baixa demais.  Caso essa paixão obsessiva por mais inflação
não saia da cabeça do presidente do Fed, tumultos e badernas motivados pela
carestia no preço dos alimentos podem gerar inquietação social nos EUA.

Enquanto isso não ocorre, investidores podem aliviar sua exposição ao
recente aumento no custo dos alimentos investindo naquelas empresas cujo bom
desempenho financeiro esteja ligado a um aumento nos preços dos alimentos.

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12 comentários em “O encarecimento dos alimentos”

  1. Há outro fator que empurra o preço dos alimentos para cima: o próprio crescimento do mercado chinês. Populações antes miseráveis têm vivenciado um considerável aumento de renda nos últimos anos, o que sem dúvida aumenta a demanda por produtos alimentícios.

  2. Miguel A. E. Corgosinho

    O problema se resume numa palavra: o “modelo” do composto (MOEDA) que justifica as mudanças do processo interno. Ou seja: o veículo de devir correspondente ao contrário exterior (investimento a custo zero), que se torna necessário entre a natureza e a sociedade; e por onde, de um saber, de fato, se escreve a produção; e relações se explicam em unidade de valor a reprodução científica do real.

    Esses contrários (natureza e sociedade) ao invés de se renderem à forma especulativa do desenvolvimento (cambio futuro dos EUA), são escolhidos como referência do sistema monetário sobre a reconciliação final com o mundo real – o qual se opõe e se divide em classes simultâneas das causas da diferença e sua atividade própria – tomando a realização finita da economia à conversibilidade do sistema planetário infinito – e o infinito limita o finito fora dele, no eixo absoluto da história

    A história da propriedade de igualação dos contrários tem o ponto de partida (um dia numa consciência externa) para o lugar (ponto fixo) que os países giram o mundo exterior em software; e este reconhece o valor estrutural da história cíclica ao nível da nova rede mundial.

  3. Miguel A. E. Corgosinho

    Comentário anterior feito em resposta a essa frase do post; “A excessiva criação de dinheiro engendrada pelo Banco Central americano está atualmente sendo intensificada pela equivocada política chinesa de atrelar sua moeda ao dólar.”

  4. Pelo amor de Deus, eu acho que nem o próprio Miguel Corgosinho sabe o que está dizendo!
    Não há duas palavras que façam sentido em relação uma com a outra!!!

  5. Repito o que já disse em meu “post” anterior: não sei qual é a do Miguel Corgosinho;
    ninguém entende absolutamente nada do que ele escreve, e esse “ninguém” engloba o próprio Miguel! Ele simplesmente deve formar as frases abrindo um dicionário aleatóriamente e sorteando as palavras ao puro acaso. Apenas uma editoria democrática ao extremo paroxístico pode constituir a justificativa para se permitir comentários tão tresloucados como esses…Sem dúvida, Miguel Corgosinho padece de uma extrema e mórbida confusão mental!

  6. Emerson Luis, um Psicologo

    Cada vez mais pessoas gastam uma parcela cada vez maior de sua renda com alimentos, apesar dos itens comprados serem os mesmos ou até reduzidos.

    * * *

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