O
Cine Belas-Artes, um velho cinema de São Paulo, está para fechar. É sempre
uma tristeza quando algo com o qual estamos habituados e temos laços
sentimentais vai embora. Por isso um grupo de amigos do velho cinema já clama
pelo seu tombamento, o que eternizaria o estabelecimento falido. Uma passeata
foi organizada; cem pessoas compareceram. Adesão menor que muita gincana de
colégio. Mas essas cem (mais milhares cujo amor pela causa só não é menor do
que o esforço de assinar petições online) fazem tanto barulho que se cogita
seriamente ceder à pressão dos manifestantes.
O caso todo é involuntariamente humorístico.
Até o diretor do Departamento do Patrimônio Histórico reconhece: “O caso não é
nada simples porque envolve um patrimônio cultural, mas também um prédio que,
em termos arquitetônicos, não tem especial valor”. Em outras palavras, o caso é simples: um cinema velho e que dá
prejuízo vai fechar, mas alguns gatos pingados querem proibir o inevitável por
decreto.
No fundo o que está em jogo no “debate” sobre o
tombamento do Cine Belas-Artes é isso: tem gente (pouca gente) que quer
mantê-lo funcionando sem querer arcar com os custos. Então fazem barulho até convencer
os políticos a meter o dedo, isto é, forçar os outros a pagar. O sociólogo Carlos
Alberto Dória é explícito: “Por que os governos não se propuseram a ajudar no
pagamento de um aluguel mais alto?”. Pedir que o governo pague um aluguel mais
alto significa pedir que toda a população pague para manter um cinema ao qual
poucos querem ir.
É sintomático da nossa forma de governo: não
ganha quem tem razão, e nem necessariamente a opinião da maioria; ganha quem
faz mais barulho. Então pode bem acontecer que um punhado de indignados de
internet consigam perpetuar um cinema falido sem tirar um Real do bolso. Digo,
um Real do bolso deles, pois pode ter certeza que alguém pagará o pato desse
inestimável patrimônio cultural. Ou o proprietário do terreno vai ter que se
conformar com um aluguel baixo por toda a eternidade ou o dinheiro (seja para
desapropriar o prédio ou para pagar um aluguel mais alto) virá dos impostos.
Alguém como o sociólogo supra-citado acredita
que o Belas-Artes seja um valor absoluto, uma entidade cuja própria existência
é necessária para a humanidade e sem a qual a vida não faria sentido, e que
portanto justifica enormes sacrifícios (dos outros). “Será que só agora
perceberam a importância do Belas Artes?” O que ele deveria ter dito é “Será
que só agora perceberam a importância do Belas Artes para mim?” Não é preciso ser um relativista pós-pós-pós-moderno
para ver que certas coisas importam para uns e não para outros. Toda a cultura
do tombamento ergue-se sobre uma impossível comparação de valorações subjetivas.
Como resolver esse impasse?
O mercado (ou seja, as transações voluntárias
entre pessoas livres) oferece a maneira mais eficiente e mais justa. O dono
decide acerca do que é seu. A solução óbvia dentro dessa perspectiva seria que
os próprios descontentes, reconhecendo que o cinema não se paga, se oferecessem
a pagar uma quantia maior pelo privilégio de frequentá-lo; talvez fizessem uma
vaquinha. Conversando com o dono do estabelecimento poderiam chegar a um valor
pelo qual ele topasse renovar o contrato. Caso o valor fosse muito alto,
perceberiam que, embora valorizem o cinema, não o valorizam a ponto de
sacrificar os recursos que ele necessita para se manter rentável; e nesse caso
é bom que ele feche as portas, para que os recursos nele utilizados possam ir a
destinações nas quais os desejos da população sejam mais bem atendidos.
O problema é que não sabemos essas destinações de
antemão; muitas delas nem existem ainda, então fica difícil angariar
manifestantes para a oposição. O tombamento é popular porque se apresenta como
uma medida sem custos. “Você gosta do Belas-Artes? Então eternize-o.” O que se
preserva é bem conhecido, e o que nunca surgirá por causa do tombamento ninguém
ficará sabendo. Quem disse que o valor sentimental do Belas-Artes supera aquilo
do qual abriremos mão? Dado o baixo sucesso do cinema (e é por isso que ele
está fechando), não será muito difícil que os recursos (inclusive o espaço
físico) encontrem finalidades mais de acordo com os valores da população.
Por que os frequentadores assíduos não
aproveitam seus últimos dias para dar-lhe um terno adeus? O mundo muda. Ele
teve uma bela carreira de quase 70 anos, mais do que muitos outros. Tudo nasce,
cresce e morre. Algumas coisas duram mais do que outras; as pirâmides de Gizé
ainda estão aí (ao contrário das demais maravilhas clássicas); a Hobby Video na
qual passei felizes momentos da minha infância já se foi; é a vida. Há muitas
coisas novas que surgiram desde então e que só puderam surgir porque recursos
foram tirados de empreitadas velhas e deficitárias.
Por trás do tombamento há o desejo de tornar
eterno uma idiossincrasia histórica que é, por natureza, temporária. É arbitrário
cristalizar um estabelecimento querido num anseio vão de preservá-lo para todo
o sempre, mesmo contra os desejos expressos (por meio de ações) da população
que ele deveria servir. Se nossos antepassados pensassem assim, ainda
moraríamos sob a taipa. O velho vai embora, surge o novo; às vezes o novo é
pior – outras vezes, apesar da nostalgia que insiste em sobrevalorizar passado,
é melhor. A ânsia nostálgica de se transformar tudo em peça de museu impede que
novas soluções substituam as antigas.
Não exijam dos outros aquilo que vocês mesmos não
estão dispostos a pagar. Se houver demanda, novos cinemas cult surgirão e serão
palco de novas e ricas experiências humanas, que gerarão memórias tão valiosas
quanto as que hoje em dia temos do Cine Belas-Artes. Se não houver demanda
suficiente, então talvez manter cinemas cult funcionando não seja uma boa idéia,
e sessões de DVD em casa sejam a melhor pedida. Em ambos os casos, o mundo
seguirá seu curso e em poucos anos aquela perda incalculável mal será lembrada.
Quem frequentava o cinema um dia morrerá, e suas memórias e gostos irão junto. Seria
injusto impô-los por coerção às gerações futuras. Por valiosíssimo que seja, o
Cine Belas-Artes é um legado cujo peso elas não merecem carregar.
Leia também O fechamento do Cine Belas Artes
Excelente texto!
Zero para sua interpretação de texto hein colega.
se você acha que a cultura do Belas-Artes e importante, porque não paga por ela?
Zero não.. 1.000 negativo!
Jurandir, o que se conclui é que nós não devemos fechar nada, e que nós não devemos manter nada aberto. Que essa decisão cabe a cada proprietário individual.
Seu autoritarismo é evidente quando acha que a decisão sobre a propriedade dos outros cabe a você ou a esse “nós”.
Sem dúvida de que uma pessoa que resolveu investir seu prórpio dinheiro na abertura de um museu, se ele resolver fechar, você e nem “nós”, temos nada a ver com isso. E não é aepnas apontando uma arma para a cabeça das pessoas e obrigando-as a manter museus que elas não querem que teremos museus. A demanada por museus existe. As pessoas CONSOMEM museus. Consomem porque querem, e não porque são obrigadas.
Deixe a violência de lado. Não queira impor na base da porrada sua vontade e gostos a outros. A liberdade funciona. Fique tranquilo que, num livre mercado, suas demandas, que são as mesmas de muitas outras pessoas, serão atendidas. E se não forem, isto é uma oportunidade para você mesmo, voluntariamente, atender esta demanda que tanto lhe dá prazer e ainda por cima ficar rico!
Coisa feia hein Jurandir! Tome vergonha nessa cara e pare de defender a agressão de inocentes!
Ãhn? Viva o consumismo antigo? Não entendi.
O discurso anti-consumista é só uma máscara do movimento pelo tombamento do cinema. Afinal, o que você quer fazer naquele cinema? Consumir. Ver filmes, encontrar a galera, discutir, passar a noite; tudo isso é consumir.
O quanto a sociedade deve pagar para que você possa consumir no Cine Bela-Artes?
Veja que o próprio dono do cinema já propunha abri-lo em outro lugar, provavelmente de aluguel mais baixo, no qual o investimento seria lucrativo. Por que tem que ser necessariamente ali na Av. da Consolação? E se você quer tanto que seja ali, porque não está disposto a pagar por esse consumo?
É, Jurandir… vc não entendeu nada.\r
\r
Sinta-se livre para proteger o pátio do colégio, a pinacoteca ou o que quer que seja.\r
\r
Só me deixe fora dessa, pode ser?
A forma que trataram o Jurandir é lamentável.
Eu sempre admirei todos os textos publicado no Mises.
Admito que estarei seriamente repensando sobre quais são os propósitos liberais do leitores dos artigos Mises.
Capitalismo e liberdade sempre. Abaixo aos opressores e gangs que se juntam para desfazer de quem não gostam.
No fim Belas Artes perde ate o sentido em meio a tanta animalidade.
Hoje é um dia muito triste!
Nossa, patético esse Jurandir. Fala besteira e, depois da inevitável humilhação, solta uma ironia barata pra tentar desqualificar os outros argumentos. Tô quase enfiando um saco de pão na cabeça, e olha que tô sozinho no escritório, e com as janelas fechadas…\r
\r
E não dá pra entender esses saudosistas mesmo. O que eu passei no Belas Artes vai continuar comigo, estando o cinema lá ou não.
O que certos visitantes marxistas e intervencionistas estão tentando fazer neste site é exatamente o que eles aplicam com grande sucesso no mundo real, ou seja, com suas idéias confusas e nocivas se infiltram, tirando proveito da liberdade que o ambiente liberal lhes faculta, para então destruir o sistema desde o seu interior – vide a metodologia de Gramsci, que teve suceso total no Brasil, sequestrando a mídia, o sistema educacional, todos os escalões burocráticos e até as conversas de botequim.
Quando eles assumem o poder, então fica fácil cassar a palavra, a liberdade e a vida dos dissidentes (é apenas uma questão de tempo).
Verdadeiros “Aliens” de filme de terror !! (me lembro daquela cena horrível do astronauta comendo macarrão, e a barriga dele explodindo e saindo aquele monstrinho nojento das suas entranhas ensanguentadas…)
Por isso, sugiro desmascará-los com o vasto arsenal lógico da visão austro-libertária e neutralizá-los vigorosamente no nosso site, de modo que saiam de fininho, envergonhados de si mesmos, de volta para o esgoto intelectual de onde vieram.
Este é o procedimento – entre outros – do colunista Reinaldo Azevedo, que apesar de não abraçar totalmente as causas libertárias “radicais”, é um grande defensor das liberdades individuais e ferrenho opositor da ideologia corrosiva dos estatólatras.
Parabéns ao IMB, mais uma vez, pela incessante campanha de iluminação das mentes brasileiras (que buscam a verdade, naturalmente).
Parabéns ao IMB!
Fiquei surpresa e admirada ao ler tais comentários sobre a opinião de um leitor. Onde está a liberdade de opinião e o direito de expressão? Que liberdade é essa tão enfatizada pelo Mises? \r
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Respeito os comentários de todos, mas quem estão sendo autoritários e opressores? Quem falou em baderna e violência?\r
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Estava passando pela Av. Paulista no dia da passeata e não ví nenhuma baderna ou violência física, pelo contrário, ví uma passeata pacifista, com diversidade de pessoas, predominantemente mulheres, com crianças inclusive.\r
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Mas resumindo tudo, o problema não é o fechamento de um cinema velho e que dá prejuízo. É o fato de se apagar uma referência Cultural e artística de São Paulo, que devemos manter e repassar sim, para futuras gerações, deixando um pouco de lado diversões comerciais e confinadas em shoppings, incentivando apenas o consumismo desenfreado dos dias atuais.
O fechamento desse cineminha trouxe uma manada de iphanóides ao site.\r
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Qual é o problema de sermos saudosistas?\r
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O problema, na verdade, é a coação.\r
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esta forma, esta maneira de dialogar é FASCISTA, tipo: \r
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estamos certos e vocês estão errados.\r
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1 – Fascismo é uma “combinação” da coação de diferentes maneiras, não contra-argumentação;\r
2 – você mesmo dialogou dessa maneira, quando usou aspas pra designar a racionalidade da argumentação do Joel.\r
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Que liberdade é essa tão enfatizada pelo Mises?\r
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Este site é uma propriedade privada, logo é perfeitamente justo que os responsáveis pelo mesmo escolham os comentários a serem publicados – o que ainda é respeitado pelo Estado, graças a Deus, e o que Mises defendia. Ainda assim, pelo que parece (não faço parte do Instituto), há pouquíssima restrição aos comentários.\r
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Respeito os comentários de todos, mas quem estão sendo autoritários e opressores?\r
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Você, que \r
1 – não respeita a contra-argumentação dos libertários\r
2 – defende a restrição ao direito de propriedade\r
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É o fato de se apagar uma referência Cultural e artística de São Paulo, que devemos manter e repassar sim, para futuras gerações\r
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“Devemos” quem…?
RMY,
Existem várias formas de repassar referências Culturais e Artisticas. Fotos, Depoimentos, Réplicas… ou o Original. Na hora de oferecer para tombar o do outro é muito fácil. Quero saber se você ia oferecer o seu pra ser tombado. E precisar dar satisfação a um Orgão do Governo (DPH) sobre o que você faz ou deixa de fazer com uma propriedade sua. Uma coisa que VOCÊ comprou com o suor do seu trabalho. E teve o “AZAR” de fazer história e sucesso por 70 anos. Se todo mundo que participou desses 70 anos de história se mobilizassem e oferecessem um valor maior do que o Dono iria conseguir alugando ele para o que quer q seja, provavelmente ele toparia.
Agora o que não pode é ganhar o argumento na coerção.
Ah, vamos mandar o nosso governo dar um jeito nisso e “sequestrar” a propriedade dele. Tá bom, não precisa nem sequestrar. Mas a gente vai dizer o que ele pode fazer com a propriedade dele.
Se coloque no lugar. Com qualquer propriedade sua. Você ia gostar?
Ah, o mercado! Salvador dos mundos e organizador das sociedades! Tanto contribui para o nosso desenvolvimento enquanto espécie. O que seríamos de nós não fosse esse ente ao qual podemos deixar nossas mãos atadas? O mercado é a pura expressão da liberdade. E por aí vai. (fim do trecho irônico)
Tenho grandes problemas com essa relação com o mercado. Mais problemas ainda quando se trata da relação de mercado e arte. Eu gostei do texto e concordo em grande parte com suas ideias. No entanto, este “deixa o mercado me levar” me incomoda. Muitas vezes pensamos em São Paulo e no que poderia ser (ou ter sido) desta cidade se houvesse um planejamento. Se o centro tivesse sido preservado, se a selva de pedras não tivesse sido levantada tão desordenadamente, se os limites para o crescimente tivessem sido estabelecidos. E o que é o planejamento que não uma forma de controle não levada pelo mercado. Não tivemos, deixamos o mercado nos levar e aqui estamos, com a especulação imobiliária a guiar os rumos da cidade.
Quanto ao Belas Artes, não sei. O prédio realmente não é nada de mais, mas a esquina da paulista com a consolação pode valer um investimento da sociedade. A se pensar com calma.
Prezado Leandro e equipe do IMB\r
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Meus parabéns pela manutenção do site e pelos textos (conjunto da obra).\r
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Quem consegue irritar e aborrecer os marxistas, de forma clara e elegante, merece meu respeito e completa admiração.\r
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Abraços\r
RMY,\r
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Voce diz:\r
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“Estava passando pela Av. Paulista no dia da passeata e não ví nenhuma baderna ou violência física, pelo contrário, ví uma passeata pacifista, com diversidade de pessoas, predominantemente mulheres, com crianças inclusive.”\r
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Ora, porque voce nao sugeriu que os participantes da passeata – supostamente interessados em manter o cinema – se comprometessem em comprar ingressos e assistir filmes la, digamos 2 vezes por semana. Eh possivel que isso mantivesse o cinema lucrativo.\r
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Mas eh claro, os manifestantes ficariam chocados e provavelmente diriam, “Nao eh nossa obrigacao financiar este cinema, que eh privado e mostra filmes americanos ruins que nos nao queremos ver.”\r
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Conclusao obvia: todos os paulistas devem pagar para manter o cinema aberto.
estão defendendo demail a propriedade de outrem [Camila]
suposta verdade, já que acho não existir verdades absolutas, apenas teorias mais ou menos confiáveis (sic) [Rafael]
É desse relativismo total, incluindo quanto ao Direito Natural, que surge a pretensão de inventar leis para controlar a propriedade de outros – isto sim, autoritarismo.
Existem, sim, valores absolutos. A liberdade é um valor absoluto. O direito sobre si mesmo é inalienável por natureza, cada um faz o que quer a si próprio e ponto. E a propriedade privada também, ora bolas. Se me pertence a posse, tudo eu posso. Ou não? Se não, então já não estamos numa sociedade livre. “Os outros” deveria ser o lema de nossa constituição federal. As leis e estatutos brasileiros são baseados na inveja ao desempenho individual e à posse da propriedade privada. Qualquer um se arvora ao direito de intrometer-se na vida do outro, intentando promover a “justiça social” com o trabalho e a riqueza alheios. Progresso pessoal, no Brasil, é ofensa. Cresça e terás inimigos poderosos, ocultos por trás de uma burocracia devastadora, sugadora da tua boa vontade e esforço individual. Em cada esquina há um burocrata à espreita, determinando tua vida até o último fio de cabelo. O Brasil é assim há décadas; esperamos tudo do governo, jamis recebemos, mas continuamos insistindo em passar a procuração de nossas vidas privadas a políticos e aspones de plantão. Ainda bem que surgem, de tempos em tempos, lugares como este site, e outros, onde podemos manifestar nossas opiniões contrárias a tanto desmando estatal sobre nossas vidas. Existe, obviamente, quem goste de intervenção, fazer o quê. Rezo para que o esclarecimento de estudos venha a clarear-lhe a mente sobre valores mais nobres do que a simples intromissão na vida alheia como fonte de satisfação pessoal. Trabalhem por si mesmos, não esperem nada de ninguém e não permitam a intervenção estatal em suas vidas.
E oq são valores absolutos? Vc esta dizendo q cada um tem direito sobre seu proprio corpo? Mas qm deu este direito? Observe a natureza e veja se existe essa de direito ao seu próprio corpo. No fim, acredito q só exista a lei do mais forte. Direito ao seu próprio corpo é um “direito” criado por nós homens, não estou dizendo que é ruim, apenas q é artificial.
Relativismo…
No próximo criança esperança, economiza os 10 reais e doa pro Belas-Artes.
No domingo, desliga o Faustão e vai assistir a um filme por lá, e não pague só a “meia”, ok?
Cria uma campanha em que cada defensor seja sócio, contribuindo mensalmente para a manutenção do cine.
Exige que seu vereador institua uma TMBA (taxa de manutenção do Belas-Artes) com alíquotas gordas, a ser cobrada dos sócios.
Francamente…
Depois de ler tudo o que o Rafael disse aqui, me veio a mente a mensagem de Bilú, o et brasileiro: “Busquem conhecimento”.
Vá em frente, rafael. Conhecimento não é só o que individualmente sabemos, mas o que a humanidade, em toda sua história, escreveu e registrou em sua caminhada sobre este planeta. Conhecemos o bem e o mal, sabemos prfeitamente a diferença entre os dois. Podemos escolher a cada momento o caminho a seguir. Ninguém é obrigado a nada sobre si mesmo, nem sobre os outros. Mas sobre os outros fica muito mais fácil. Vais morrer ignorante sobre vários assuntos, o que todos nós faremos por pura impossibilidade física de adquirir todo o conhecimento acumulado durante milênios, é um fato.
Fazer um aborto não é igual a fazer cocô ou uma lipoaspiração. A criança não é um orgão nem um simples pedaço da mãe, como querem fazer crer os defensores do aborto. Pra mim é um crime, ainda mais pelas desculpas que se ouvem na defesa de tal ato. Que uma mulher, numa situação única e individual, cometa um aborto, posso até compreender e perdoar-lhe. Porém quando transforma-se em uma política de governo, baseada em desculpas esfarrapadas, toma forma de um monstro estatal. Acreditas que uma mulher que já tenha cinco filhos e viva na miséria absoluta possa ser ainda mais miserável se não abortar a sexta gestação? Não foram os filhos que geraram sua miséria. Se matarmos os outros cinco ela também continuará na miséria. Ou não? Mágica não existe, só ilusão. Pobres viverão e morrerão pobres, por mais que governos digam beneficiar-lhes com falsas promessas, mas será pior para eles se acreditarem que, em algum dia, um governo sugador das riquezas de uma sociedade ajudou-lhes de forma altruista a melhorarem de vida. É tudo mentira, muito bem maquiada por propaganda de terceira categoria. Converse com um aluno saído do ensino público. Verás que já não sabem hoje, depois do ensino médio completo, coisas que, há vinte anos, aprendíamos na quinta série do primeiro grau – desculpa, não sei tua idade. As estradas estatais são vergonha nacional, com raríssimas excessões. Tudo o quanto o governo se arvora o cuidado se esboroa. Quarenta ministérios e nada.
Alguém pode tirar a vida de outrem a qualquer momento, bastam somente as próprias mãos e força suficiente. E a isto cabe punição equivalente, muito mais que no Brasil de hoje em dia. Menos imposto em nossas vidas privadas não significa menos punição para nossos crimes. O Direito Natural é muito mais antigo do que a instituição de governos; é da natureza humana preservar-se a si mesmo e punir os inimigos da liberdade, e isto nunca foi relativo. Só é relativo algo quando beneficia a quem o diga relativo. Por trás dos mais belos discursos por vezes há trevas ocultas. Mas vá em frente, rafael. Que a inquietude de teu espírito sedento por conhecimento possa levar-te a caminhos mais elevados. Cumprimentos.
FERNANDO CHIOCCA (9) vs. (0) INTERVENCIONISTAS
Essa discussão tornou-se prolixa e enfadonha e apenas dificulta a boa troca de conhecimentos, aumentando os CT’s (72 comentarios até ahora).
Pois é Daniel….
Se esse pessoal fosse pro Belas Artes ao invés de ficar discutindo aqui… Salvavam o cinema !
Será que ninguém até agora percebeu que isso é culpa do governo brasileiro impedindo o mercado de funcionar própriamente e portanto impossibilitando pequenas empresas com um nicho consumidor específico, como o belas artes, de existir em competição com as corporações gigantescas que são as únicas com dinheiro o suficiente pra pagar o custo ridículo de manter um negócio???
Na verdade, discutir o capitalismo brasileiro é a mesma coisa que discutir o judaísmo nazista. Sem resolver o profundo problema estrutural que já existe, tentar resolver o problema do Cine Belas-Artes é como tentar limpar um aterro sanitário com uma vassoura.
apesar de concordar com o encaminhamento dado pelo joel no texto, assim como o outro texto do filipe, e achar que seus argumentos sejam bastante válidos, há algo que me incomodou muito. o fato dos autores não terem se informado corretamente sobre o assunto (ou pelo menos aparentam isso).
o que me refiro é sobre o fato de que o belas artes não fechará porque dá prejuízo e não é rentável. ele vai fechar porque o dono do imóvel (que não é o dono do negócio, o cinema) quer reajustar o aluguel para um valor que inviabiliza seu uso como cinema. ou seja, o cinema (aí sim) deixaria de ser rentável.
talvez eu esteja equivocado e ambos autores sabiam desse fato, mas não foi o que me pareceu em nenhum dos textos. pelo menos da forma em que apresentaram.
para deixar claro, esse pormenor não afeta em nada o conteúdo das idéias aqui apresentadas, porque é um mero detalhe técnico cujas conseqüências são as mesmas de que se o cinema já fosse deficitário hoje.
no entanto, me deixou com um pé atrás que jamais tive lendo os textos do mises: que é possível que alguns dos fatos em que se baseiam os textos aqui escritos sejam mentiras, pois os autores não buscam exemplos sólidos daquilo que defendem, somente um pano de fundo que os permita expor suas idéias. esse tipo de comportamento, o começo do que pode ser chamado de doutrinário, é geralmente encontrado na velha esquerda marxista brasileira, e espero realmente que não seja o mesmo por aqui.
é algo que só empobrece o debate e tão diferente do que sempre imaginei que estava aqui no mises.
só esperam que vocês sejam sinceros comigo e consigo mesmos: se vocês tinham feito o dever de casa e estavam a par do assunto, muito que bem. por favor, vão dormir sem nenhum peso na consciência. e talvez tudo isso seja só um detalhe que vocês não explicitaram bem no texto ou eu li ‘mal’.
caso contrário, se vocês realmente encontraram um caso que achavam que era um bom pano de fundo para idéias liberais e começaram a escrever sem pesquisar do que se tratava, por favor repensem essa metodologia. não quero perder um dos únicos espaços verdadeiramente liberais e sérios de debate do brasil.
Esse artigo é perfeito para descrever o que está acontecendo com o cartão postal da ilha de Santa Catarina, com exceção de que a maioria defende a restauração da ponte.
A ponte Hercílio Luz acomoda apenas duas pistas e foi interditada há 30 anos. Estima-se que já foram gastos R$ 135 milhões desde o começo de sua restauração em 1960 e a recuperação completa custará mais R$ 170 milhões. Destes, a união deve arcar com R$ 133 milhões, o mais alto valor do Brasil a ser angariado pela Lei Rouanet. O máximo que foi autorizado até hoje pelo Ministério foi R$ 50 milhões para a recuperação do Theatro do Rio de Janeiro e R$ 25 milhões para a Catedral de Brasília – mais uma bizarrice para um estado “laico”.
No final, o custo será mais uma vez diluído pela sociedade Brasileira – que não tem nada a ver com Floripa -, o congestionamento da cidade continuará o mesmo, já que a escassez das ruas continuará, e o problema do custo-benefício da ponte será empurrado pela barriga até ser interditada novamente.
A nossa sorte é a incompetência dos burocratas:
diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/noticia/2011/04/ponte-hercilio-luz-corre-o-risco-de-desabar-segundo-consorcio-responsavel-por-reforma-3262828.html
O mais cômico é que não há nem transporte marítimo aqui, e os últimos candidatos a governador propuseram metrô e teleférico para solucionar o problema do trânsito na ilha – enquanto o atual governador prometeu uma quarta ponte (sic).
Enquanto isso o preço da passagem de ônibus está em R$ 2,90 e os “estudantes”, que, acreditem, reivindicam passe-livre – no mínimo devem acreditar em almoço grátis também – estão planejando ir às ruas para combater a ganância do “capitalista” que detém a concessão do monopólio.
Parece que quanto mais o estado se mostra incompetente, mais as pessoas pedem por estado…
Olhem o tipo de comportamento auto-destrutivo que o parasitismo causa: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,museu-italiano-queima-obras-de-arte-para-protestar-contra-crise,863068,0.htm
Por que essas pessoas não se uniram para comparecer mais a este cinema e incentivar outros a fazer o mesmo? Assim a situação financeira dele melhoraria sem precisar ser tombado, se esse era o problema. A coerção estatal é mais cômoda que o voluntariado. Ou elas queriam impedir o proprietário de fazer um novo uso dele?
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