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Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde

É verdade que o sistema de saúde (europeu, americano ou brasileiro) está uma bagunça e é insustentável. Entretanto, isso demonstra não uma falha de mercado, mas, sim, uma falha de governo. A cura do problema não requer uma diferenciada regulamentação governamental, tampouco mais regulamentações ou burocracias, ou mesmo invenções mirabolantes, como políticos interesseiros querem fazer-nos crer. A cura do problema requer simplesmente a eliminação de todos os atuais controles governamentais.

É urgente levarmos a sério uma reforma do sistema de saúde. Créditos tributários, vouchers e privatização já ajudariam muito na meta de descentralizar o sistema e remover encargos desnecessários sobre as empresas. Porém, quatro medidas adicionais devem ser tomadas:

1. Eliminar todas as exigências de licenciamento para as faculdades de medicina, hospitais, farmácias, médicos e outros profissionais da área de saúde. A oferta destes itens iria aumentar de imediato, os preços iriam cair, e uma maior variedade de serviços de saúde iria aparecer no mercado.

Agências de credenciamento, competindo voluntariamente no mercado, iriam substituir o licenciamento compulsório do governo — levando-se em conta que os fornecedores de serviços de saúde (afinal, serviços de saúde são serviços como quaisquer outros) acreditem que tal reconhecimento iria melhorar sua reputação, e que seus consumidores, por se importarem com a reputação dos fornecedores, estarão dispostos a pagar por isso.

Como os consumidores não mais seriam ludibriados a acreditar que existe tal coisa como “padrão nacional” de saúde, eles aumentariam sua procura por bons serviços de saúde a custos baixos, e fariam escolhas mais perspicazes.

2. Eliminar todas as restrições governamentais sobre a produção e a venda de produtos farmacêuticos e equipamentos médicos. Isso significa a extinção de agências reguladoras encarregadas de controlar remédios, vacinas, drogas e produtos biológicos (como a Anvisa, no Brasil).  Atualmente, essas agências servem apenas para obstruir inovações e aumentar os custos de produção.

Custos e preços cairiam, e uma maior variedade de melhores produtos chegaria ao mercado mais rapidamente. O mercado também forçaria os consumidores a agir de acordo com suas próprias avaliações de risco — em vez de confiar essa tarefa ao governo.  E os fabricantes e vendedores de remédios e aparelhos, devido à concorrência, teriam de fornecer cada vez mais garantias e melhores descrições de seus produtos, tanto para evitar processos por produtos defeituosos como para atrair mais consumidores.

3. Desregulamentar a indústria de seguros de saúde. A iniciativa privada pode oferecer seguros contra eventos cuja ocorrência está fora do controle do segurado. Por outro lado, uma pessoa não pode se segurar, por exemplo, contra o suicídio ou a falência, pois depende apenas dessa pessoa fazer tais eventos ocorrerem.

Como a saúde de uma pessoa, ou a falta dela, depende quase que exclusivamente desta pessoa, muitos, se não a maioria, dos riscos de saúde não são efetivamente seguráveis. “Seguro” contra riscos cuja probabilidade de ocorrerem pode ser sistematicamente influenciada por um indivíduo depende fortemente da responsabilidade própria desta pessoa.

Além do mais, qualquer tipo de seguro envolve um compartilhamento de riscos individuais. Isso implica que as seguradoras paguem mais a alguns e menos para outros. Mas ninguém sabe com antecedência, e com convicção, quem serão os “ganhadores” e quem serão os “perdedores”. “Ganhadores” e “perdedores” são distribuídos aleatoriamente, e a resultante redistribuição de renda não é nada metódica. Se “ganhadores” e “perdedores” pudessem ser determinados sistematicamente, os “perdedores” não iriam querer compartilhar seus riscos com os “ganhadores”, mas sim com outros “perdedores”, porque isso faria diminuir seus custos de seguridade. Por exemplo, eu não iria querer compartilhar meu risco de sofrer acidentes pessoais com os riscos incorridos por jogadores profissionais de futebol; eu iria querer compartilhar meus riscos exclusivamente com os riscos de pessoas em circunstâncias similares às minhas, a custos mais baixos.

Devido às restrições legais impostas às seguradores de saúde, que não têm o direito de recusar certos serviços — excluir algum risco individual por este não ser segurável –, o atual sistema de saúde está apenas parcialmente preocupado em assegurar. A indústria dos seguros não pode discriminar livremente entre diferentes riscos incorridos por diferentes grupos.

Como resultado, as seguradoras de saúde têm de cobrir uma multidão de riscos não seguráveis em conjunto com riscos genuinamente seguráveis. Elas não podem discriminar os vários grupos de pessoas que apresentam riscos de seguridade significativamente diferentes. Assim, a indústria dos seguros acaba gerenciando um sistema de redistribuição de renda — beneficiando agentes irresponsáveis e grupos de alto risco às custas de indivíduos responsáveis e de grupos de baixo risco. Como esperado, os preços desta indústria estão altos e em constante crescimento.

Desregulamentar esta indústria significa devolver a ela a irrestrita liberdade de contrato: permitir que uma seguradora de saúde seja livre para oferecer qualquer tipo de contrato, para incluir ou excluir qualquer tipo de risco, e para discriminar quaisquer tipos de grupos ou de indivíduos. Riscos não seguráveis perderiam cobertura, a variedade de políticas de seguridade para as coberturas remanescentes aumentaria, e os diferencias de preços refletiriam os riscos reais de cada seguridade. No geral, os preços iriam cair drasticamente. E a reforma restauraria a responsabilidade individual na questão da saúde.

4. Eliminar todos os subsídios para os doentes ou adoentados. Os subsídios sempre criam mais daquilo que está sendo subsidiado. Subsídios para os doentes e enfermos alimentam a doença e a enfermidade, e promovem o descuido, a indigência e a dependência. Se estes subsídios forem eliminados, seria fortalecida a intenção de se levar uma vida saudável e de se trabalhar para o sustento próprio. De início, isso significa abolir todos os tipos de tratamento e assistência  médica “gratuitos” — isto é, financiado compulsoriamente pelo contribuinte saudável e zeloso de sua saúde.

Apenas essas quatro medidas, conquanto drásticas, irão restaurar um completo livre mercado no fornecimento de serviços médicos. Enquanto estas medidas não forem adotadas, a indústria continuará tendo sérios problemas — afetando de maneira extremamente negativa a vida de seus consumidores.

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Leia também: Como Mises explicaria a realidade do SUS?

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110 comentários em “Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde”

  1. Confesso ter achado interessante. Economicamente até poderia funcionar, o problema seria convencer a opinião pública da viabilidade da aplicação.

  2. Prezados,
    essa e’ uma boa doscussao porque bate logo em certos limitacoes a aventura ideologica libertaria.
    Nao vou nem discutir a necessidade de se reformar o sistema de saude. Nisso concordamos. Se bem que a comparacao de voces entre Brasil, USA e Europa e’ completamente fora de proposito.

    Mas vamos ao que interessa, a proposta de HH Hope e’ sem esperanca, totalmente no-hope.
    1. ELIMINAR toda forma de credenciamento, e’ absurdo e quem pagaria, ja paga no Brasil, e’ o publico. Que o credenciamento possa ser feito por intituicoes privadas, trabalhando com as Associacoes Medicas, isso poderia ser feito. Agencias Reguladoras tem o problema do APARELHAMENTO, da perda de IMPARCIALIDADE e concomitante qualidade. Mas e’ absurdo eliminar o Credenciamento. Na verdade temos que AUMENTAR o controle sobre o exercicio desta profissao.
    2. E’ de uma imbecilidade militante. Basta lembrar Contergan para os medicamentos e Goianobyl para os Equipamentos (Disposal). Basta lembrar o Escandalo da AIDS nos Hemofilos que essa sugestao fica abjeta. Nos USUARIOS queremos MAIOR controle da seguranca de medicamentos e de equipamentos e insumos como Sangue.
    3. A industria dos Seguros pode ser bastante desregulada, mas teriamos que discutir um Codigo minimo de Conduta, ou Seguro Basico, para evitar que infancia, Gestantes e Velhice, por exemplo, venham ser discriminados. Uma pessoa pode ser dada a opcao de NAO ter seguro algum. Ela pode se assegurar atravez da poupanca, p.ex. Mas os que optarem por Seguro, devem ter certas garantias de cobertura e qualidade.
    4. Eu sou muito a favor da reducao do subsidio, especialmente para as doeancas de comportamento, como vicios e comportamento de alto risco. Mas, ha casos, onde a Solidariedade fala mais alto. NINGUEM deve ser impedido tratamento de emergencia em NENHUM hospital porque nao pode pagar, ou nao tem cartao de credito com ele. E’ uma questao de ETICA, se voces sabem o que isso significa?

  3. Roberto Chiocca

    é flavio, entao ninguem deve ser impedido de comer ,se não puder pagar,em nenhum restaurante se estiver passando fome?
    e outra, ninguem está dizendo que nao deve haver um controle de qualidade, mas este deve ser privado e opcional, quer comer churrasquinho de gato na esquina, é sua opção, sua vida, vc pode escolher tbm comer naquele restaurante credenciado por um veiculo CONFIAVEL de credenciamento, que vive de credibilidade e que ao menor sinal de corrupção ou após erros grotescos e evidencias de ineficiencia seriam condenados pelo mercado perdendo clientes.

  4. No mundo do Ortegão, é ético obrigar uns a trabalharem para os outros, desde que seja para os fins mais benéficos para todos, sob a observância rígida de garantidores da qualidade e do bem estar geral. Eu já vi esse filme, que começa bonitinho, como nos filmes de Walt Disney, mas descamba no desenrolar. E o final é lamentável.

  5. esse ortigão é uma afronta contra a liberdade. Ele agora quer controlar o que eu posso ou não ingerir. Agora o estado sabe o que é melhor para mim do que eu mesmo então?

  6. Somente não concordo com a frase no final que diz: Serviços Médicos? Acho que serviços médicos são somente os executados por médicos. Os equipamentos, medicamentos e insumos fazem o conjunto com os serviços médicos na prestação do SERVIÇO DE SAÚDE.
    Outra coisa, os preço dos serviços médicos, exemplo: custo a hora dos médicos plantonistas em emergências está caindo. Não pela demanda e procura e sim por uma politica opressora governamental e privada arroxando o salário destes profissionais. O resultado é a queda vertiginosa da qualidade e quantidade do serviço médico prestado a população em geral.
    O bom não é o capitalismo ou socialismo puros e sim um meio termo e mistura dos dois sistemas políticos? É uma opinião!

  7. Colocar uma auditoria nas contas públicas do INSS, prender exemplarmente diretores de hospitais que fraudam cobranças ao INSS.

    Conciliar o gasto de despesas hospitalares com pacientes e o que realmente é cobrado pelo Hospital ao INSS.

  8. Se uma pessoa tem histórico de, sei lá, diabetes ou até câncer (que pode aparecer e entrar em metástase) de novo, qual seria a probabilidade de ser aceita em um desses seguros? Ou ela seria, porém por um valor mais elevado? (Por exemplo, a mesma pergunta vale para os idosos… a minha avó tem 80 anos e uma saúde excepcional, a outra tem uns 10 a menos e está muito pior – elas seriam ambas vistas com desconfiança pelo fator idade, teriam seus casos considerados para aceitação/rejeição ou ainda para questões de valor?)

    Obrigado e desculpe pelas perguntas bobas nos dois artigos sobre saúde, mas realmente queria entender melhor o funcionamento dessa lógica.

  9. Não sou grande conhecedor do libertarianismo, mas percebo uma grande falha dessa corrente: não somos todos super-humanos capazes de julgar a qualidade de todos os serviços que precisamos. Na medicina, temos bons médicos (os competentes, talvez não simpáticos) e temos médicos bons (simpáticos, talvez não competentes). Ao meu ver, o livre mercado selecionaria os últimos em detrimento dos primeiros.

  10. O artigo é interessanta, mas acho que não é serviços médicos e sim serviços de saúde. A minha grande pergunta é como fica os trabalhadores prestadores desses serviços de saúde. Como fica o trabalho dos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros nesse mercado de trabalho livre? Como ficam os direitos trabalhistas dos médicos já desrespeitados neste país? Lembro que as especialidades médicas e patologias são as mais diversas, variáveis e difíceis de se tabular e regular.\r
    SUGIRO UM ARTIGO SOBRE MERCADO DE TRABALHO, LEIS TRABALHISTAS E CONDIÇÕES DE TRABALHO PARA O MÉDICO NO BRASIL.

  11. André Luiz S. C. Ramos

    Eu já li a monografia da Mariana e a citei em artigos meus sobre antitruste.
    É um trabalho muito bom e merece ser lido.
    Muito boa a entrevista.
    Parabéns!

  12. Impressionante a facilidade com que ela expõe os argumentos e algumas falacias dos neoclássicos, excelente. Como uma crítica construtiva, ela deveria ter falado sobre outras correntes de pensamento também, como o pós keynesianismo que é o que está em alta no Brasil e as recentes teorias de informação imperfeita (que para a EA já é conhecida faz muito tempo).

  13. Aos 8° min do podcast, começa a falar sobre os dados utilizados para avaliar o monopólio de uma empresa e faz críticas sobre os dados não considerarem as mudancas de mercado durante o período de 1 ano, porém nada faz crer também o inverso de que essas mudancas realmente aconteceram durante este período.
    Outra curiosidade qual seria a fonte de dados mais indicada para fazer a avaliação do monopolio de uma empresa contextualizada no podcast sob a ótica neoclassica?
    Estou avaliando as idéias liberais, ainda não compreendo completamente por isso a pergunta.

  14. só uma dúvida em relação e esta parte > Como a saúde de uma pessoa, ou a falta dela, depende quase que exclusivamente desta pessoa. então um câncer ou uma doença de peyronie depende quase que exclusivamente desta pessoa?.

  15. Tenho certeza de que, caso todo o sistema de saúde fosse privado, A VIDA SERIA MUITO MAIS DURA, obviamente. Mas, também tenho outra certeza: a de que AS PESSOAS CUIDARIAM MUITO MAIS DA PRÓPRIA VIDA, e com MUITO MAIS ZELO. Isso porque, quando se fala em mexer no próprio bolso, A COISA MUDA DE FIGURA. Ninguém quer perder dinheiro, isso é fato. Alcoolismo, acidentes de trânsito, violência por arma de fogo, muita coisa iria diminuir. Principalmente o preço dos serviços médicos (supostamente agora todos privados). Só em pensar em PERDER A VIDA POR QUALQUER MOTIVO SERIA DEVERAS ARRISCADO. Sobrariam para os hospitais, em sua maioria, as doenças que fossem inevitáveis. Mas aí também sobraria a poupança pessoal para essa emergência, porque agora que supostamente todos os serviços médicos fossem privados (e também totalmente descartelizados), não haveria mais nenhum USURPADOR DOS BENS ALHEIOS para sugar nossas economias (sabem de quem eu estou falando, concordam?). É o meu ponto de vista.

  16. (…)não haveria mais nenhum USURPADOR DOS BENS ALHEIOS para sugar nossas economias(…)

    Sobraria mais dinheiro para as pessoas, permitindo que elas gastassem mais com saúde, indo de encontro com sua afirmação (…)caso todo o sistema de saúde fosse privado, A VIDA SERIA MUITO MAIS DURA(…), pois o mercado para a saúde seria muito mais exuberante com esta injeção adicional de recursos.

  17. thiago santos carvalho

    A sociabilização da saúde não precisa ser diretamente de um governo, mas sim quem sabe de união de todas as empresas privadas, com parte do lucro construírem um beneficio para área da saúde, como disse, sem cunho lucrativo, e sim uma despesa para as empresas, quem sabe assim, em vez de um Buniss, se a saúde se transforme em um sistema, de agregação de valores. Como alguns dizem aqui, dá dinheiro é ruim, mas isso não é dá, é criar um senso de igualdade de direitos, pois todos usaram a saúde e bem está de forma igualitária, do baixo ao alto da pirâmide, evitaria até a exploração abusiva do trabalho, melhor salubridade e etc, pois isso se transformou em custo para o empresário, e quanto mais barato esse custo, melhor para os empresários e trabalhadores e para seus tratamentos (imaginem o quanto seria o crescimento tecnológico na área apena para diminuir custos)…, pode soar anarquista ou até socialista( sem a balela comunista claro), mas saúde, é saúde, não concordo em um direito de vida se transformar em negócio.

  18. Emerson Luis, um Psicologo

    Medidas simples que poderiam ser implementadas pelo menos em parte. Mas há sempre jogos de poder interessados na continuidade de situações problemáticas.

    * * *

  19. Excelente post sobre a reforma do sistema de saúde. Acabar com o “assitencialismo” do governo é o único modo de cada cidadão responder por si. Creio que medidas como essa não poderia ser isolada, afinal estamos no Brasil e se fosse imediata a parcela mais pobre do país sofreria, no entanto se implantada a médio prazo é uma possível solução para a saúde e uma nova doutrina para os brasileiros.

  20. Realmente interessante. Ja li muito e entendo perfeitamente que um sistema publico de saude cedo ou tarde entraria em colapso, por isso sou contra. Mas, ao mesmo tempo, tenho um certo pé atras com o sistema privado. E um dos motivos é: “o segurado deve ser responsavel e cuidar de sua saude”, “se quiser ir comer um espetinho é problema dele”, como li por aqui. Ou seja, se ele tiver uma hipertensão por so comer espetinho, é porque não se cuidou, mas e se ele tiver hipertensão e, consequentemente, uma cardiopatia desde uma idade jovem por causas puramente genéticas? Existem pessoas que têm hipertensão desde os 20 anos. Existem pessoas que desenvolvem diabetes mesmo tendo uma vida regrada desde sempre, promovida até mesmo por causas auto-imunes. Como o sistema de seguro privado trataria essas pessoas?

    Valeu!

  21. Amarilio Adolfo da Silva de Souza

    O autor foi muito inocente nesse texto. Com o setor público, não pode haver acordo ou concessão. Ele deve ser extinto, para o bem de todos. O dinheiro dos impostos que foram roubados do povo devem ser devolvidos imediatamente.

  22. Vinícius Possebon

    Concordo em grande parte com os quatro pontos expostos, mas acho que ao serem implantados aqui no Brasil no contexto atual (principalmente os dois primeiros) seria um pouco drástico.

    Por exemplo, anular os órgãos de regulação não abriria espaço para para fraudes contra aqueles que não dispõem de conhecimento sobretudo em medicina?

    Acredito que a longo prazo os cidadãos aprenderiam a se defender judicialmente (isso quando o prejuízo não for a própria vida), mas a curto prazo traria vários prejuízos aos consumidores, a meu ver.

    Haveriam de ser muito bem estudadas, caso algum governo mais liberal adotasse tais medidas.

  23. Vinicius Possebon

    Caro Luciano,

    seja no capitalismo ou no socialismo, até as tais empresas concorrentes conseguirem aniquilar a empresa que lançou o produto nocivo (que nem sempre o faz por vontade, mas acidentalmente), muita gente pode já ter sofrido danos.

    E isso é um dano claro ao consumidor que não pode ser reparado, em alguns casos (mortes e mutilações, por exemplo). Um órgão fiscalizador, ao menos nesse caso, ajudaria a pelo menos diminuir as chances dessas empresas lançar o produto.

    Tem coisas na vida que sistema econômico algum pode proporcionar. Gosto do capitalismo, mas não podemos deixar questões econômicas cercear os direitos básicos das pessoas.

  24. Vinícius Possebon

    Eu também sou a favor de se desestatizar a saúde e tudo mais que possa servir de aparelho para governos populistas.

    Porém, considere o exemplo:

    Você consome durante anos um produto prejudicial à saúde, onde várias empresas cultivam lindas propagandas na mídia e todas lucram com o grande consumo do produto. Podemos considerar a indústria do tabaco como um exemplo.

    Nos últimos anos milhões de pessoas deixaram o tabagismo principalmente porque o ministério da saúde “adverte que fumar pode causar câncer no pulmão”. Ora, se não tivéssemos um órgão regulador, provavelmente seríamos em maioria fumantes, pois nem todos saberiam dos males do tabagismo.

    E as empresas do tabaco jamais denuciariam umas às outras contra os males do tabagismo, pois isso seria suicídio para todas.

    Nesse contexto eu acho importante se ter agências reguladoras sim!

  25. Valderi Felizado da Silva

    É difícil. Ninguém fica doente porque quer. Eu por exemplo tenho uma doença autoimune que surgiu do nada, só que ela não mata. E para aquelas que a doença nasce da noite para o dia, literalmente, o que fazer? Não oferecer um tratamento custeado pelo governo porque é pago pelos meus impostos ou passar por cima disso tudo e oferecer alguma coisa? Como cristão vejo que o socialismo-democrático praticado nos países europeus é a razão do crescimento do ateísmo, pois substituiu o Deus Cristão pelo deus-estado, contudo, ao mesmo tempo, defendo a vida, seja como for, algo que é mais encaixável nesse sistema de universalização da saúde. Onde irei?

  26. Se não houver uma agência para regulamentar medicamentos, por exemplo, como nos livraríamos de falsos remédios e medicamentos prejudiciais, feitos apenas para vender, nos iludindo através de propagandas mentirosas (como já vemos constantemente, a exemplo de remédio que prometem emagrecimento em tempo record, etc). O caso da pílula do câncer é outro exemplo… Eu sou a favor da liberação, até pq no leito de morte acho que ninguém está nem aí mais para as consequências, quer apenas uma última esperança e tal. Por outro lado, visto que muitos defendem que não há nenhum estudo realmente sério ainda que comprove sua eficácia e que elucide suas efeitos colaterais, não acham que essa super liberdade na saúde como uma prestação de serviço qualquer pode ser bem perigosa na medida em que falamos de gente interessada primeiramente em lucros? Ok, talvez uns aleguem que a pessoa tem que priorizar pela qualidade do serviço ou será desacreditada e falirá diante da concorrência, mas isso não garante ou impede que casos como esses surjam com frequência, em busca de lucros imediatos até que o medicamento se torne obsoleto. Que punição uma pessoa responsável por tais danos teria diante dessa falta de controle?

  27. Relato:

    “No ano passado iniciei um projeto de estudos para Medicina e quase fui aprovado. Nesse mesmo ano eu convivi diariamente com uma doença e conciliei um ritmo muito forte com o tratamento na minha cidade, o qual foi ineficaz. Fiz uma cirurgia que o médico indicou, dizendo ser a solução para o caso. Pois bem, fiz o pós-operatório e segui os estudos.

    No início deste ano, engatei um ritmo mais forte ainda, porém ainda com a doença. Consultei com inúmeros médicos e nenhum conseguia uma solução, e aliado a minha falta de tempo eu fui ”empurrando o problema com a barriga”. Tudo indicava que eu alcançaria meu objetivo no final do ano, julgando pelos resultados, porém antes do meio do ano eu tive que parar TUDO, tive infecções pesadas (mais fortes que antes) , fiquei internado bastante tempo, parei cursinho, tudo em busca de uma solução, a qual ninguém conseguia. Até que como último recurso minha família, que graças a Deus tem boas condições financeiras, resolveu me levar a um hospital particular em uma grande cidade, próxima à minha. A situação já estava tão grave que eu não saía mais da cama, um desespero total.

    Até que lá recebi a notícia de que houve erro médico na cirurgia anterior, o que me prejudicou totalmente, e a solução para o caso aparentemente foi apresentada.

    Agora vem a parte que me chocou: a soma do valor da nova operação com o valor do tratamento equivale a um CARRO ZERO. Resumo da história: estamos com isso para pagar e eu tenho que recomeçar tudo novamente, mas são coisas contornáveis, sou relativamente novo e temos recursos.”

    Ou seja felizmente o autor do relato tem grana para pagar. E se algo assim acontecesse com uma pessoa de família pobre, sem condições de pagar?

  28. Sinceramente, venho tentando aceitar o libertarianismo, mas empaco na questão da saúde, uma vez que é um serviço diferente de qualquer outro. Se corto meu cabelo em um determinado salão e não gosto, simplesmente não volto mais lá e contraindico aos conhecidos. Mas, se por um caso, fico gravemente enfermo e o médico deixa de proceder a terapêutica adequada ou sequer chega ao diagnóstico não por ser difícil (o que pode acontecer, já que a morte é algo completamente natural), mas por ser incompetente, o resultado seria minha morte. Não consigo ver como algo moral uma total desregulação da área considerando esse ponto. Estaríamos brincando com nossas vidas, nosso bem mais precioso. Seria o meu grande problema esse? Considerar a vida mais preciosa que a liberdade? Se sim, acho complicado eu virar adepto libertarianismo. Mas, se tiver algum outro aspecto não considerado por mim gostaria de pedir, por favor, que alguém apontasse.

  29. Basta ELIMINAR TODOS os tributos e/ou impostos (IR, PIS, COFINS, ISS, ICMS, etc.) que recaiam sobre:

    1) Todo e qualquer profissional de saúde (médicos, enfermeiros, terapeutas, técnicos, farmacêuticos, atendentes, etc.);

    2) Todo e qualquer estabelecimento de saúde, consultórios, indústrias farmacêuticas e farmácias;

    3) Todo e qualquer medicamento, equipamento médico e correlatos;

    4) Toda e qualquer importação do segmento médico/farmacêutico/hospitalar;

    5) Toda e qualquer empresa de seguro/plano de saúde.

  30. Trabalho na saúde pública e posso dizer sem medo de estar mentindo: Pessoas que cuidam de sua saúde e são prevenidas pagam os custos hospitalares dos desregrados e desleixados.

    Digo mais: Os que trabalham pagam pela saúde dos que NÃO QUEREM trabalhar.

    Digo mais: O governo gasta muito dinheiro tentando enfiar na cabeça das pessoas que elas têm que se cuidar mas, ao “dar” o tratamento “gratuitamente”, acaba por incentivar uma vida de vícios e exageros. Se simplesmente deixasse as pessoas sofrerem as consequências, economizaria com os tratamentos E com as campanhas de conscientização, porque as pessoas sentiriam a real necessidade de se cuidarem e, se mesmo assim continuarem se machucando por ai, pelo menos o cuidadoso não pagaria a conta. Os números ficariam feios, mas em breve melhorariam.

    Tenho minha ressalva na questão de doenças de desenvolvimento, genéticas, acidentes ou qualquer ocorrência com variáveis incontroláveis. Acredito que deveria haver um meio de possibilitar a uma pessoa pobre seu tratamento e, se possibilita ao pobre, deve-se possibilitar a todos.

    Não duvido, porém, que a iniciativa privada possa estabelecer soluções melhores que o governo.

  31. Vamos extinguir os Conselhos Federal e Regionais de medicina. Vamos abolir a exigência de diplomas. O que impede que aumente o número de vigaristas como o Dr. Bumbum e outros?

  32. Oras, podemos ser atendidos por médicos competentes da mesma forma que os usuários do uber são carregados por carros bons e motoristas capacitados.

    E para isto é só criar uma plataforma que tenha as informações do medico baseado no que os pacientes acharam após serem atendidos por este. Pensem, ao invés de se preocupar em ver se o diploma dele está na parede, veremos de antemão qual a classificação que ele obteve nos seus atendimentos e procedimentos anteriores.

    Só dizendo que soluções pragmáticas existem. Mas aparentemente não para o estado.

  33. São mudanças radicais e que, a meu ver, não dariam certo. Baseio meu argumento nas experiências que vivencio.

    Em grandes centros, onde esses órgãos regulamentações funcionam, a saúde é infinitamente melhor, profissionais bem qualificados, órgãos regulamentadores exigindo padrões de qualidade mínimos e a concorrência exigindo padrões de qualidade superiores. Nas localidades menores e mais afastadas, onde a regulamentação faz visitas esporádicas, o que se vê é descaso; empresas de saúde irregulares e sem estrutura adequada, que não fazem a limpeza correta de equipamentos médicos, expondo a população a epidemias, criando-se o caos na saúde pública.

    A extinção de órgãos regulamentadores da saúde (ANVISA)seria como tirar a única delegacia de uma cidade, acreditando na honestidade da população, e sabemos que honestidade não é a regra nos solos tupiniquins!

    Outro ponto que não é viável é a abertura de mais escolas médicas para baratear a mão de obra. O serviço de um médico é artesanal, não industrial! Um erro custa uma vida! Cada ser humano tem suas peculiaridades e devem ser analisados individualmente. O Brasil já tem mais escolas médicas que a Índia e forma mais médicos também, porém a qualidade dos recém formados tem caído a cada ano, pois não há um controle de qualidade… um teste de proficiência como nos EUA, Inglaterra e outros. A saúde é um setor diferenciado, não pode e não deve ser tratado como outros setores da economia. Deve haver sim, regulamentação na saúde e nas escolas médicas, e deve ser uma regulamentação severa.

    Se observarmos bem, a regulamentação da saúde é uma questão de segurança nacional. Basta lembrar do episódio do acidente com resíduo radioativo nível 5, acontecido em 13 de setembro de 1987 em Goiânia.

    Por fim, enfatizo que a regulamentação das escolas médicas e farmacêuticas, farmácias , hospitais, a manutenção de órgãos fiscalizadores e as outras mudanças propostas, não devem acontecer dessa maneira. Isso sim seria catastrofico para o Brasil.

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