Um conceito marxista
Neoliberalismo sempre foi um
conceito confuso. Em quase todas as situações é citado de forma negativa:
trata-se de um mau sistema. Isso ocorre porque o neoliberalismo é visto como
representação ideológica máxima do capitalismo. E o sistema capitalista é dividido
em duas classes: capitalistas e explorados. Os primeiros exploram os segundos
através da mais-valia. Essa linha de pensamento é tipicamente marxista. O
neoliberalismo, então, seria sinônimo de livre mercado: desmantelamento do
Estado de Bem-Estar Social, desregulamentação de mercados, proteção da
propriedade capitalista, entre outras ações. E o governo cuidando das pessoas é
uma forma de amenizar o mal que o sistema capitalista causa nas pessoas.
Se aceitarmos tais termos,
estamos caindo num debate claramente marxista. E aceitar o marxismo é cair numa
discussão apenas ideológica. Apesar de já estar provado por vários autores que
existe uma ciência positiva e outra normativa, os marxistas insistem em
atribuir conteúdo ideológico a tudo. É fácil entender isso, porque o próprio
marxismo nasceu assim. Caso os marxistas rejeitassem a ideologia em outras
escolas econômicas, estariam negando sua própria base. Então esse caminho é
impossível.
Ludwig von Mises e Friedrich
von Hayek provaram que a economia planificada, ou marxismo, é impossível. Mises
vai além e diz que Karl Marx confundiu classe com casta. Para Marx, a sociedade
é composta por classes separadas, e as que estão no poder não permitem
mobilidade. Mises demonstrou que no capitalismo não existem castas econômicas:
os que conseguirem atingir a demanda das massas ganharão dinheiro, não
importando sua origem ou escolhas pessoais.
Na prática, nenhuma das
profecias de Marx se cumpriu: a revolução nos países capitalistas, quedas na
taxa de lucro, aumento da classe operária etc. Mesmo assim, os marxistas
criaram desculpas para tais falhas, como, por exemplo, uma teoria do
imperialismo. O filósofo Imre Lakatos chamou o marxismo de ‘programa
degenerativo’ justamente porque, no lugar de abandonar as bases erradas da
teoria, tentou proteger as ideias originais de Marx. Todavia, não é intenção
deste artigo se estender sobre esse debate. Apenas gostaria de deixar claro que
o neoliberalismo é um conceito tipicamente marxista. Quaisquer autores que se
pegue para ler sobre esse conceito, seja Perry Anderson, Atílio Bóron etc, no
final se chega à mesma conclusão: o neoliberalismo é o representante ideológico
máximo da economia de mercado e dos capitalistas e seu programa político é a
desregulamentação dos mercados.
O programa político: Consenso
de Washington
Em 1990, John Williamson
publica What
Washington Means by Policy Reform, artigo que daria origem ao Consenso
de Washington. O artigo contém dez propostas para a América Latina que tinham
dado certo em outros países. As propostas consistiam numa tentativa de
modernização do estado visando substituir o de Bem-Estar. Defendia-se o
equilíbrio fiscal e a prioridade na eficiência nos gastos públicos. Ou seja,
seria saudável se os países não mais incorressem em altos déficits. Também era
preciso visar à eficiência dos gastos públicos, não necessariamente
diminuindo-os, mas criando uma máquina burocrática mais limpa e que atendesse
aos anseios dos cidadãos. Uma reforma tributária também seria necessária, pois
altos impostos indiretos acabam pesando mais no bolso do pobre, e a base do
imposto de renda deveria ser ampla com alíquotas marginais reduzidas.
As taxas de juros e de câmbio
deveriam, segundo o CW, ser estabelecidas pelo mercado, e não controlada pelo
governo. Os direitos de propriedade também deveriam ser amplamente defendidos
pelos governos, pois sua fraqueza jurídica afasta investimentos. Na América
Latina da década de 1980, os setores da economia eram amplamente cartelizados e
existiam diversas estatais. Assim, o CW propôs que se privatizassem estatais
ineficientes (não necessariamente todas) e que se desregulamentassem os setores
privilegiados, pois tal estado inibia a concorrência. Para finalizar, o país
deveria abrir seu mercado para o Investimento Estrangeiro Direto.
Esse é um resumo das propostas
do CW. Para mais detalhes, ver o artigo do Paulo Roberto de Almeida, O Mito do
Consenso de Washington, e o próprio artigo do Williamson.
O que é livre mercado?
Notamos acima que o Consenso de
Washington com certeza defendia um programa com mais liberdade econômica que o
velho Estado de Bem-Estar. Contudo, concluir que por isso o CW é pró-mercado é
um equívoco. Na verdade, o CW propõe melhorar o arranjo institucional do estado. Ou seja, é um modelo que defende
uma melhor eficiência do governo nos assuntos econômicos. Mesmo o Estado de
Bem-Estar considerava a economia de mercado importante, mas bem menos do que o
modelo do CW.
Para clarificar o assunto para
o leitor, vamos utilizar a distinção defendida pelo economista Fábio Barbieri.
Para o autor brasileiro, as economias são mistas, possuindo características de
economia de mercado e de planificação. Hong Kong é considerada a economia mais
livre do mundo, mas não se pode dizer que lá exista uma economia de mercado plena. Há um grau de planificação
econômica por parte do governo, mesmo que mínimo. Um leitor sagaz já pode
imaginar então que algumas linhas de pensamento econômico acham que certo grau
de planificação é necessário para alcançar a eficiência econômica. É o que
acontece, por exemplo, com a Escola de Chicago, que defende a existência de uma
entidade monopolista da moeda, apesar de defender também várias
desregulamentações. Na Escola Austríaca se encontra economistas que defendem a
economia de mercado plena, como Murray Rothbard, e outros que defendem uma
pequena intervenção governamental, como Ludwig von Mises. Para Rothbard, o
estado é desnecessário e sempre causa distorções nas ações dos indivíduos;
então a máxima eficiência econômica só é alcançada com um arranjo institucional
apenas com agentes privados.
Outros economistas defendem a
total planificação da economia, que é o caso dos socialistas. Sendo que
qualquer arranjo de mercado é ruim, o governo deve controlar toda a economia.
Tal política é típica de regimes socialistas, como a Alemanha Nazista e a União
Soviética. Mas, no geral, os economistas atuais defendem a economia mista. E o
Consenso de Washington é apenas uma reforma das intervenções do governo,
buscando mais eficiência, e abertura controlada para o comércio internacional.
Se for perguntado a um socialista o que ele acha das propostas do CW,
provavelmente ouviremos que tem “mercado demais”. Se for perguntado a um
rothbardiano, provavelmente ouviremos que há intervenção demais. Ou seja, o CW
não defende planificação econômica e tampouco economia de mercado, é apenas
reforma do velho intervencionismo estatal. É o que chamamos de Novo
Intervencionismo (ou neo-intervencionismo).
Se defendesse o livre mercado ou a economia de mercado, o chamado
“neoliberalismo” defenderia apenas soluções
de mercado (ou seja, com instituições e agentes privados), sem nenhum tipo de arranjo governamental.
Debate teórico: uma refutação
A sessão anterior serviu para
mostrar que as propostas ditas neoliberais do CW são na verdade
neo-intervencionistas. Nesta, mostraremos como as propostas deveriam ser caso
quisessem defender a economia de mercado. A primeira parte das propostas trata
da busca de eficiência do estado através do equilíbrio fiscal, melhor gasto
público e reforma tributária. Essa também é a parte mais fácil de esclarecer:
são todas medidas de arranjo governamental, ou seja, de controle de mercado.
Então, essas propostas vão contra a economia de mercado, não a favor. O CW
também defende reformas tímidas sobre a privatização e desregulamentação, pois
uma visão de mercado defenderia simplesmente a extinção das estatais e todo
tipo de regulamentação governamental.
A taxa de juros e de câmbio, a
princípio, parece ser dois pontos de paz entre a economia de mercado e o CW.
Entretanto, um olhar mais cuidadoso nos trabalhos de Mises e Hayek revela o que
seria um sistema financeiro de mercado: bancos privados emitindo moeda própria.
Ou seja, num sistema financeiro de mercado não existiria banco central. Mais
uma vez, o CW não defende a economia de mercado. A defesa dos direitos de
propriedade e a abertura aos investimentos estrangeiros parecem ser o único
ponto de comum acordo entre o CW e uma economia de mercado.
O debate aqui não é tentar
descobrir se um arranjo só com instituições de mercado é bom ou possível, e sim
mostrar que o CW não defende tal
idéia. O correto significado dos conceitos é um pressuposto importante para
qualquer debate e, infelizmente, na atualidade se tem usado o termo
“neoliberalismo” associado ao livre mercado com intensa irresponsabilidade.
Evidência empírica: uma
refutação
Devo confessar para os leitores
que tenho pena de Fernando Henrique Cardoso. Apesar de ele ter se esforçado ao
máximo para interferir no mercado, não foi o bastante: acabou sendo conhecido
como pró-mercado (e como se sabe, isso necessariamente quer dizer uma coisa
ruim no Brasil). E o que fez FHC para merecer tais títulos?
Como se sabe, até a década de
1980, era lugar-comum que o Estado de Bem-Estar Social era superior. Nessa
década, essa idéia (na política prática, na teórica já era questionada) começou
a perder força e líderes como Reagan e Thatcher desregulamentaram alguns mercados em seus países. Na
década de 1990, no Brasil, Collor iniciou o programa de desestatização, onde,
entre outras coisas, algumas empresas estatais seriam passadas para a
iniciativa privada. Inclusive, Collor também é acusado de neoliberal, apesar de
ter confiscado a poupança de toda a nação. Algumas outras inovações também
foram trazidas: como a tentativa de se alcançar um equilíbrio fiscal, o
estabelecimento de metas inflacionárias, independência do banco central,
abertura do mercado financeiro etc. Com certeza foi uma mudança forte na
política econômica. E quem mais a aprofundou foi FHC. E por isso ele é acusado
de neoliberal.
Aqui entra a parte mais
interessante: o presidente-sociológo aumentou impostos, gastos públicos, criou
10 agências reguladoras, privatizou 8 empresas em um processo que contou com a participação
do estado (!) e de grupos com influência política (fundos de pensão), e no
começo do governo, fixou o câmbio. Mesmo assim, é tachado de pró-mercado. Tem
mais: segundo o índice de liberdade do Fraser Institute, as leis de propriedade
privada pioraram no Brasil na época
de FHC. A área que mais teve melhora em relação à desregulamentação foi o
mercado financeiro. Durante a década de 90 o Brasil se tornou mais livre em
relação à década de 80. Contudo, os índices de liberdade (tanto o do Fraser
Institute como o da Heritage Foundation) mostram que o país passou longe de
alguma reforma pelo livre mercado, se mantendo numa das economias mais
intervencionistas do mundo. Não é preciso estudar o índice de todos os anos do
Brasil (como o autor do presente artigo fez), basta apenas ler os feitos de FHC
no parágrafo anterior e raciocinar se isso tem alguma relação com o livre
mercado.
Então, dizer que FHC foi
pró-mercado por privatizar algumas estatais é puro desconhecimento dos dados. É
falta de estudo e necessidade de repetir jargões da esquerda. O que houve na
verdade foi uma mudança no modelo de intervenção — adotando-se um mais leve,
na verdade. E isso irritou os pensadores radicais pró-estado. E, para eles, a
saída foi acusar os neo-intervencionistas (como Collor e FHC) de serem
entreguistas. É isso o que acontece quando se mistura o debate acadêmico com o
debate político: falácias, mentiras, manipulações e jogos sujos. Essa é a
essência da política, e ela contaminou o debate nas academias.
Novo Intervencionismo
O leitor pode indagar que no
artigo apenas tentou-se demonstrar que o termo neo-intervencionismo é mais
correto que neoliberalismo. Todavia, a questão vai além. Quando se associa o
liberalismo de alguma forma às propostas do CW ou do livre mercado, está se
cometendo uma falácia, pois de nenhuma forma as ditas propostas (no conjunto,
como vimos) neoliberais representam propostas de uma economia de mercado.
Então, a questão é mais profunda do que a pura linguística. É questão de não
cometer erros conceituais na investigação sobre o grau de intervenção e
liberdade na economia. Neoliberalismo não existe. O Consenso de Washington
possui propostas neo-intervencionistas. Os países que reformaram sua política
econômica nos anos 1990 buscaram o neo-intervencionismo. O período pelo qual
passamos na década passada e continuamos até hoje pode se chamar a Era do Novo
Intervencionismo.
O neoliberalismo começou nos anos 1930 (o Colóquio do Walter Lippman foi um dos importantes momentos da criação do conceito) como uma tentativa de síntese entre o laissez faire do século XIX (segundo o qual o estado seria em grande medida um observador na economia, e teria ênfase como protetor dos direitos à vida e propriedade) e a social-democracia.
Muito antes do Consenso de Washington, se formou o consenso neoliberal na Mont Pelerin Society, sob a liderança de Hayek, no fim dos anos 1940. Tal consenso sugeria que o laissez faire deveria ser predominante, mas que se deveria acomodar políticas típicas dos social-democratas, tais como o conceito de renda mínima (salário-mínimo e distribuições de dinheiro do governo), medidas a “favor” da competição, como as das legislação anti-trust e acessórias, monopólio da moeda pelo governo e flexibilização do padrão-ouro, bem como regulamentações para cuidar de “ineficiências” ou “falhas” de mercado, etc. Claro que a missão de Hayek e seus colegas neoliberais (das quais Mises, obviamente, e outros, não faziam parte) foi fruto de um enorme temor do crescimento das filosofias estatizantes tanto no nível político, como no econômico (via Keynes, que foi instrumento para justificar a filosofia política estatizante já em prática).
No entanto, em boa medida o neoliberalismo nasceu sob a ótica do “medo”, e seus propenentes fizeram o que nunca se deve fazer na batalha de ideias (e na vida tampouco!): é o que eu chamo de “negociar contra si mesmo”. Isto significa que o medo fez com que Hayek, Friedman e outros propusessem algo mais “palatável” para conseguir via “pragmatismo” um melhor resultado. Não se pode dizer que não tenham tido êxito, visto que nos anos 1980 a filosofia liberal veio a predominar nos US e Inglaterra, países muito importantes. Mas agora ficam claras suas contradições, e a crise do crédito de 2007/08 ilustra o grande fracasso da estratégia. A despeito dos honestos e heróicos esforços de Hayek e companhia, o neoliberalismo está definhando pateticamente, e está condenado ao desaparecimento, vítima de suas contradições internas.
Finalmente, não acredito que o laissez faire do século XIX deva ser defendido sem correções, claro. O MisesBrasil defende uma visão muito mais progressista, e que inclui temas normalmente atribuídos à esquerda, como descriminalização das drogas, dos homosexuais, igualdade entre indivíduos (sem senhores e servos), fim dos monopólios estatais da moeda e de certas políticas bancárias em parceria com o governo (reservas fracionárias, ajuda em caso de crise com dinheiro do povo, etc), fim de monopólios do governo que servem para favorecer grupos de interesse, etc. Mas a discussão da estratégia é uma outra (longa) discussão.
O artigo coloca uma questão muito importante em discussão: a espiral do silêncio. A partir das pesquisas da alemã Elisabeth Noelle-Neumann, ficou definido o fenômeno da espiral do silêncio, isto é, a partir do momento que um dos lados do debate se cala e permite que o lado oposto o nomeia, defina e o acuse sem direito à resposta, tem-se a total desequilíbrio entre as partes, promovendo a alienação e a distorção que circunscreverão os futuros embates.
É o caso: o termo “neoliberalismo” foi criado pelos socialistas franceses, ávidos em nomear e definir todos os entreguistas – poucos, infelizmente – da França. Como bem sabemos, o liberalismo nunca teve sua bases alteradas para ser chamado de “novo (ou neo)” liberalismo. Desde Smith e Ricardo, passando por Bohm-Bawerk e Mises, chegando em Hayek e Rothbard que os valores da liberdade de mercado permanecem os mesmos: defesa da propriedade privada, não-interferência estatal e livre-iniciativa. Nada mudou, mas para os socialistas franceses, a queda do Welfare State propiciou a refundação o liberalismo, agora privatizante de tudo que é do “povo”. Mas isso só aconteceu porque as forças liberais-conservadores consentiram, caladas, com a escalada da difamação reformista contra o arquivamento da espada estatal em voga nos anos 80.
O erro não pode ser cometido novamente. É notável que os socialistas (tanto so vegetarianos quanto os carnívoros) sabem muito bem distorcer os fatos e aplicar alcunhas ao inimigo. Eles são competentes em confundir, dissimular e minimizar a imagem do inimigo, partindo de romantismos juvenis e terminando na mais pura violência política contra as instituições livres. Eles só não são eficazes em explicar como a benevolência da gratuidade estatal pode ser mais competente que a aplicabilidade do lucro nos serviços essenciais à população. Mas com a espiral do silêncio eles sequer precisam responder a esse tipo de dúvida.
Helio, A Mont Peleryn Society defende liberalismo clássico.
E mais absurdo é vc citar a crise do crédito, que foi gerada por políticas keynesianas, não liberais.
Não Daniel, a Mont Pelerin não defende o liberalismo clássico.
Veja por exemplo a opinião do Professor Guido Hulsmann:
As classical liberal economists were usually not employed in institutions of higher learning (the teaching of economic science was not primarily organized within the universities), they built other institutions, from loose networks to political parties. By 1860 governments realized the danger to themselves that the classical economists posed. Their answer was to create their own economists and thus control the market of ideas. This strategy was first applied in Germany with the German Historical School or “Schmollerism” and soon spread to other countries, each with its own specific national feature. John Stuart Mill in Britain for example changed the meaning of liberalism into interventionism, while the Russian government thought that Schmoller was too tame and hired Marxist economists instead.
This trend continued into the 20th century, with Ludwig von Mises being one of the very few setting himself against it. After demolishing the case for socialism and putting the case for radical liberalism, he insisted that no “third way” was possible, as this would invariably lead to a loss of prosperity and in the end, socialism.
In the first half of the 20th century, a number of societies were founded by liberals to counter the trend towards socialism. By 1938, four schools of thought were represented:
1) Neoliberalism, i.e., practical and theoretical compromise with socialism; 2) F.A. v. Hayek, for whom a small amount of intervention was permissible; 3) Alexander Rüstow, who considered natural hierarchies as necessary for society; and 4) Ludwig v. Mises, who stood for complete laissez faire.
Nine years and one World War later, these groups convened to form the Mont Pèlerin Society (MPS). At the same time, Leonard Read’s FEE in America was publishing leaflets explaining the ideas of Mises and organizing seminars and speeches for Mises and others. These activities were extremely important for spreading Mises’ thoughts, especially to young people. Ralph Raico, George Reisman and Murray N. Rothbard were among those influenced by the FEE papers. Without the FEE, the Chicago School would have totally dominated the field of free market ideology.
Mises was skeptical about the MPS right from the start; he was particularly concerned because of the participation of certain people. In 1947, he stormed out of a meeting, saying: “You’re all a bunch of socialists.”
Today, the MPS, a society of eminent scholars, mainly represents Neoliberalism.
Finalmente, a crise do crédito foi criada pelo Fed e pelo sistema de reserva fracionária dos bancos, ambos entusiasticamente defendidos pela Escola de Chicago.
E Mises declarou à época:
Mises identified in 1946 the association with the policies and proponents of interventionism
as the fatal flaw in the plan of the many earlier and contemporary attempts by intellectuals alarmed by the rising tide of socialism and totalitarianism to found an anti-socialist ideological movement. Mises wrote: “What these frightened intellectuals did not comprehend was that all those measures of government interference with business which they advocated are abortive. . There is no middle way. Either the consumers are supreme or the government.”
The Mises quote is from “Observations on Professor Hayek’s Plan,” typewritten memorandum dated 31 December 1946; Grove City Archive: MPS files (unfortunately unpublished).
In this memoradum, Mises stated that many similar plans to stem the tide of totalitarianism had been pursued in the past several decades-he himself had been involved in some of these projects-and each time the plan failed because these friends of liberty had themselves already been infected by the statist virus: “They did not realize that freedom is inextricably linked with the market economy. They endorsed by and large the critical part of the socialist programs. They were committed to a middle-of-the-road solution, to interventionism.” At the end of the memorandum, he stated his main objection:
The weak point in Professor Hayek’s plan is that it relies upon the cooperation of many men who are known for their endorsement of interventionism. It is necessary to clarify this point before the meeting starts. As I understand the plan, it is not the task of this meeting to discuss anew whether or not a government decree or a union dictate has the power to raise the standard of living of the masses. If somebody wants to discuss these problems, there is no need for him to make a pilgrimage to the Mount Pèlerin. He can find in his neighborhood ample opportunity to do so.
Hülsmann, Last Knight, pp. 865-66.
[1]Hayek of course did not heed his own advice and provide us with a consistent and inspiring theory. His Utopia, as developed in his Constitution of Liberty, is the rather uninspiring vision of the Swedish welfare state. [/i]
Rothbardian Ethics
cara, a Mont Pelerin tem site: https://www.montpelerin.org com onde explica o que eles defendem, te dou um bolo de chocolate se vc achar eles definindo a política deles como neoliberal.
O que o autor do texto disse é isso, neoliberalimos é um termo vago, sem base, não existe uma definição real… é apenas usado como discurso pela esquerda, e sempre de forma pejorativa.
Alguns acham que é o que o consenso de Washington, e muitos se vc perguntar, acham que a supremacia total do mercado.
No final não existe economista que se considere “neoliberal”, quem detem o monopolio de usar o termo são marxistas no palanque.
E daonde que o liberalismo defende reserva fracionária de bancos? Forte intervenção de bancos centrais? Intervenção do Estado para concessão de créditos irreais, como a CRA dos EUA?
E vc está confundindo conservadorismo com liberalismo e misturando questões de costume com economia.
Eu ficaria muito surpreso se eles (ou economistas) se auto-denominassem por uma corrente fracassada, definhante.g
O termo neoliberalismo não é vago – há inúmeros livros que discorrem sobre o neoliberalismo, que começou nos anos 1930. Você está correto que essa corrente foi tratada de forma pejorativa pela esquerda. Mas agora também pelos liberais em geral, e por muitos keynesianos. Não há nada de vago – a esquerda em geral soube identificar os neoliberais, com ou sem descrição no site. Talvez alguns tenham chamado Mises de neoliberal, mas neste caso erraram feio.
O neoliberalismo defende o banco central e as reservas fracionárias, e se objeta à atividade bancária livre. E também defende a forte regulação dos bancos pelos bancos centrais.
O termo neoliberalismo é bastante vago.
O problema está em classificá-lo como parte de uma política pró-mercado e pró-liberdade individual. Como falei no texto, o “neoliberalismo” é sim menos estatista do que a social-democracia, mas não deixa de ser pró-estado, é só questão de grau. O erro está em associar filosofia liberal com o que é conhecido como “neoliberalismo”. O que há na verdade é só um intervencionismo diferente do antigo sistema intervencionista social-democrata. O “neoliberalismo” cai exatamente no que Mises chamava de intervencionismo, então é por isso que associá-lo a filosofia liberal é errado.
Hayek e cia estavam propondo um intervencionismo mais leve que o social-democrata, e não uma nova filosofia liberal (mesmo que eles achassem que o estavam fazendo). O termo “neoliberalismo” engana pois se pensa que está se partindo de bases pró-mercado. Mas se está supondo que o estado deve planificar a sociedade e permitir que o mercado funcione em alguns momentos.
E, apesar desse movimento ter começado antes, o que ficou mais conhecido como seu principal programa política foi o CW. E é por isso que o foco da crítica foi direcionado a esse encontro.
Não importa o termo, se é “neo-intervencionismo” ou outro qualquer. Mas, definitivamente, “neoliberalismo” é extremamente equivocado. Agora, caso não tenha ficado claro: o termo é vago, mas existiu sim um programa político com as características que a esquerda critica, a única falácia relacionada a essas críticas é que foi um programa a favor da economia de mercado. Não foi. Foi um programa intervencionista (o CW é intervencionista).
O triunfo dos economistas neoliberais (reservas morais da economia) registra uma grande herança para economistas de mercado: mais de U$ 1 trilhão de dívida pública, sem contar a lesão ativa que terão direito nas zonas virgens da estrutura social brasileira.
Desculpem se for uma pergunta ignorante, mas a doutrina de Keynes não é a que pode ser chamada de neoliberal?
Róbson, o período depois das guerras e antes das reformas econômicas de 1980-90 é que se encaixam na doutrina keynesiana.
Desculpem, eu li o artigo e os comentários, e não fiquei a saber o que realmente os neoliberais defendem. Compreendi que o termo é vago, mas também li que é mais pró-mercado do que a social-democracia (não percebi esta afirmação). O que realmente defendiam os neoliberais (e defendem)?
Agradecia se alguém me pudesse responder.
Obrigado
Quer dizer então que a Alemanha Nazista era um regime socialista? kkkk
Só a quantidade de vezes do uso da palavra “neoliberalismo” mostra o nível que chegou a intoxicação ideológica nas universidades e nas escolas. TODO livro de história ou sociologia que vocês lerem, seja nas universidades ou em escolas mostram o “neoliberalismo” como o oposto do estatismo, marxismo ou socialismo. Para vocês terem ideia, o próprio Hayek é citado como “neoliberal”. Os livros que os marxistas dogmáticos gostam de citar é “O caminho da servidão”, sendo que a palavra “neoliberalismo” sequer é citada no livro.
Isso não consiste em charlatanismo intelectual? Você afirmar que a pessoa é algo ou defende algo que ela nunca defendeu, não consiste em falsificação intelectual? Por que nenhum marxista dogmático ainda não foi processado por falsificação?
É um termo criado por marxistas para fazer com que os esquerdistas mais moderados parecessem reacionários e elitistas “de direita” e para confundir as pessoas sobre o que realmente é o verdadeiro liberalismo (além do verdadeiro conservadorismo). O resultado é que hoje a maioria só enxerga versões de esquerdismo.
* * *
“criou 10 agências reguladoras”
Quais foram?
Afinal, existe ou não o “neoliberalismo”?
Qual é a posição oficial do liberais?
Rustow já havia usado ester termo antes de Mont Pelerin ou foi um momento inspirador e o inventou na hora?
Alguns artigos do MISES afirmam que não existe, outros afirmam que existe e dão os nomes dos “neoliberais”. E lendo-os, cheguei a conclusão que os “neoliberais” são liberais que passaram a aceitar a intervenção do Estado e socialistas que passaram a aceitar o capital com uma certa regulação. Pelo jeito são “social-democratas light” ou “neosocialistas”.
Muito bom o texto. Mas a discussão a respeito da palavra neoliberalismo é válida na mesma intensidade em que é mencionado o nazismo como sendo uma política socialista. Creio que nessa última também há um erro, sendo que para criticar o socialismo não é necessário atribuí-lo ao fascismo alemão.