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Um conto de duas farmácias

Motivos médicos têm me mantido um tempo nos EUA.
 Nessa temporada, tive a oportunidade dúbia
de frequentar muitas farmácias, e posso dizer que a experiência americana nesse
quesito é muito diferente da brasileira.  Querem saber em qual dos dois países as
farmácias são melhores?  Aposto que não,
né?  Mas mesmo assim acompanhem comigo
esta disputa que, embora menos emocionante que a Copa, guarda uma lição.

Comecei a pensar no assunto farmácia ainda em
São Paulo, quando tive que comprar lentes de contato e não as encontrei.  Na segunda tentativa frustrada, perguntei à
atendente da farmácia se alguma outra próxima teria (tenho memória recente de
comprá-las).  A resposta?  Farmácias estão proibidas de vender lente e
óculos.  Interessante.  Lá fui eu para uma ótica.  Imagino que ter uma visão boa seja algo
perigosíssimo ao indivíduo e à sociedade, e por isso as autoridades tenham
decidido dificultar nosso acesso a ela.  Agora,
cada idoso pobre com vista cansada tem que marcar consulta com oftalmologista e
apresentar receita médica para comprar óculos.  Os consumidores já podiam, antes, consultar um
médico e pegar a receita.  Quem achava
que isso tomava muito tempo e dinheiro e que o benefício dos óculos um pouco
mais precisos não valia à pena podia comprá-los direto.  Não mais.

A lente de contato é um pequeno passo na crescente
restrição ao que as farmácias podem vender.  Lembro de uma matéria do Jornal Nacional uns
anos atrás sobre outros produtos cuja venda seria proibida (já não lembro quais)
em que perguntavam a um comprador numa farmácia se ele aprovava a nova lei.  Sim, claro, aprovava.  Ironicamente, na cesta desse consumidor
consciente estavam vários produtos que a lei proibiria.  Para vocês verem como pesquisas de opinião e voto
nas urnas refletem fielmente as preferências reais da população… O resultado
é que hoje em dia nossas farmácias só vendem remédios, cosméticos e algumas
coisas de banheiro.  Em breve alguém vai
perceber que shampoo é bem diferente de remédio, vai achar “irracional” juntar os
dois produtos numa mesma loja e vai querer que a lei separe o que o bem-estar
dos consumidores uniu.

Devem existir motivos muito bons para proibir
as farmácias de vender produtos em geral, fazendo com que os cidadãos percam
tempo à toa indo a várias lojas diferentes.  Será? Vejam a
justificativa dada pelo presidente da ANVISA, Dirceu Raposo de Mello

(ADVERTÊNCIA: o pensamento de quem trabalha com o Ministério da Saúde pode ser
prejudicial à sua saúde mental): “A farmácia é um estabelecimento diferenciado,
não se pode banalizar esse ambiente com produtos que não têm relação com seu
objetivo”. Precisa criticar?

Pensemos em algo mais agradável do que a ANVISA,
o que não é difícil.  Vamos aos EUA!  Lá, as farmácias vendem de tudo: remédios,
eletrônicos, utensílios domésticos, brinquedos, livros, comida e mais, muito
mais.  Procuro um pouco e ali estão:
óculos de até 3,5 graus por 15 dólares livremente expostos (é, a saúde
americana ainda não chegou ao nível invejável da brasileira, embora avanços
importantes estejam sendo feitos nesse campo).  Enquanto espero meu remédio ficar pronto (mais
sobre isso abaixo), compro guloseimas.  Não
tenho a menor dúvida: farmácia banalizada é muito melhor.

O outro
lado da pílula

Talvez você esteja pensando algo nessas linhas:
“canalha liberal vendido ao capitalismo ianque!”  Se for o caso, acalme-se.  Na competição pela melhor farmácia ainda sobra
um quesito no qual poderemos resgatar a honra brasileira.  Notem que até agora eu falei de tudo, menos de
remédio.

A farmácia americana goza de muita liberdade exceto quando o assunto é remédio; aí
ela é o sonho de qualquer burocrata.  Registrem
bem: para comprar qualquer remédio de receita, é preciso dar a receita (que é
nominal, numerada e tem um papel especial com várias marcas para não ser
falsificada) ao farmacêutico, apresentar documento de identidade e dar endereço
e telefone; daí o farmacêutico registra tudo no computador, faz algumas
ligações e depois coloca a quantidade exata de remédio que a receita prescreve
num potinho.  

Da primeira vez, o atendente me disse que
estaria pronto em vinte minutos. Fiquei pasmo; vinte minutos?  No Brasil a venda é instantânea (fora para
remédios tarja preta — nos EUA é assim para quase todos): o atendente olha o
seu papel e te dá a caixa.  Uma lei nova
que proíbe que o próprio consumidor pegue o remédio atrapalha um pouco as
coisas, mas o serviço ainda é rápido.  Bom,
como dito, usei o tempo de espera para comprar sorvete, Coca-Cola e outros
remédios da alma.  O que eu nem
suspeitava era que aquele fosse um dia de sorte; o normal é que o remédio
demore uma hora para “ficar pronto”.  Perguntei
a um farmacêutico que conheci por aqui e ele me contou que a demora deve-se à
checagem da receita e à negociação com as seguradoras.  Falha de mercado?  Mais para falha de governo: o mercado de
seguros americano é dos mais regulamentados do mundo, e as seguradoras são
obrigadas a dar muito remédio de graça sem aumentar o preço da mensalidade;
naturalmente, lutam com unhas e dentes para não dar um centavo além do exigido
por lei.  O resultado é que os pedidos
vão se acumulando e forma-se uma fila imensa.  Esse farmacêutico lamenta que ele não tenha
mais tempo de ajudar nenhum cliente, conversando e tirando dúvidas sobre
sintomas.  Todo ele é consumido por
tarefas burocráticas.

Se o sistema brasileiro já é desnecessariamente
complicado, o americano é uma piada de mau gosto.  Contei a um atendente aqui nos EUA como funciona
a venda de remédios no Brasil. “É, aqui era assim também. Mas tinha muita
receita falsa.” Não tive a presença de espírito de retrucar um “E daí?”.  No Brasil também tem muita receita falsa.  E daí?  Se
receita não fosse obrigatória, o número de receitas falsas cairia muito, pode
apostar.  E elas cumpririam sua função
legítima: informar ao paciente e ao atendente da farmácia qual o remédio e a
dosagem prescritas pelo médico; não servir de controle legal de quem pode ou
não ingerir uma substância.

Mas, você me dirá, e os perigos de se tomar um
remédio errado e morrer?  Será que vale a
pena encarecer (em tempo e dinheiro) toda a nossa relação com a saúde porque
algumas pessoas são temerárias o bastante para tomar remédios perigosos sem ter
a menor idéia se ele é ou não indicado a seu caso?  Ironicamente, muita gente que defende a saúde
regulamentada admite que descumpre a lei corriqueiramente, por exemplo pedindo
indicação de remédio ao farmacêutico (ou mesmo à mãe), o que é ilegal (talvez
isso mude parcialmente
; notem o medo dos médicos de perderem sua reserva de
mercado).

Perto do FDA, órgão do governo americano que
decide que substâncias podem ser vendidas e quais devem ser controladas, a
ANVISA é benigna e liberal.  O FDA já
quer, por exemplo, limitar legalmente a
quantidade de sal
em todos os alimentos.  Muitas grandes empresas já se adequaram
voluntariamente.  Para elas é uma boa: via
de regra, qualquer nova regulamentação será mais facilmente colocada em prática
por uma grande empresa (para a qual o gasto extra é relativamente pequeno) do
que por uma pequena, para quem o novo gasto pode comprometer a existência do
negócio.  Depois não venham reclamar de
monopólios e cartéis…

Estou me estendendo; hora de anunciar o
vencedor.  Quem ganha na comparação de
farmácias; Brasil ou Estados Unidos?  And the winner is… o mercado.  EUA e Brasil têm prós e contras diferentes; mas
nas farmácias de ambos os prós devem-se à liberdade das pessoas de transacionar
voluntariamente para melhorar suas vidas, e os contras às ações dos governos
que decidem melhorar a situação.

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Leia também:

O mercado e o sistema de
saúde de El Salvador

Quatro medidas para melhorar
o sistema de saúde


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40 comentários em “Um conto de duas farmácias”

  1. Alguns anos atrás viajei aos EUA e esqueci minhas lentes de contato. Fui em um ótica comprar e pedi o mesmo modelo Acuvue que comprava no Brasil. Eles se recusaram a me vender, dizendo que eu precisava de uma receita para comprar lentes. No Brasil eu sempre comprei sem apresentar nada. Pedi para meu oftalmologista enviar por fax para os EUA. Ele enviou, mas eles não aceitaram. Disseram que faltava dados. Perguntei o que era e eles disseram que era a curvatura. Sai de lá, escrevi a caneta qq curvatura e voltei para a ótica. Só ai consegui comprar as lentes.
    Nesse quesito o Brasil ganhou dos EUA, mas de fato, os dois são horríveis.

  2. O bom do Brasil é o ‘jeitinho’. Não tem lei idiota ou regulamentação chata que o ‘jeitinho brasileiro’ não dê um jeito. Eu nunca tive grandes problemas em comprar medicamentos sem receita, inclusive tarja preta, ou até mesmo ilegais (como anabolizantes, por exemplo). O segredo é ir no lugar certo, onde tem menos fiscalização da ANVISA.

    Joel, você deveria ter tido a ‘presença de espirito’ e dito ao farmacêutico americano “E daí? É só dá um jeitinho!”.

  3. Também tive a oportunidade de entrar numa farmácia nos EUA. Comprei um desodorante e outras bobagens. Percebi que haviam vários stands de… cigarros! Sensacional.

  4. Bom vamos aos fatos, sou oftalmologista e leio sempre o blog pois amo economia e mercado financeiro. Meu ponto de vista não reflete algum interesse financeiro até por quê faço mais cirurgias do quê lentes de contato ou óculos.
    A consulta para um óculos ou uma lente é necessária com o oftalmologista não por quê um óculos ou uma lente de contato sejam difíceis de serem feitas (qualquer médico residente aprende a fazer um exame de refração em poucas semanas), mas por quê é na consulta que se descobrem uma boa quantidade de doêncas sérias que sem tratamento levam a perda irreversível da visão. Não atendo o SUS, pos isso minha clientela é “um pouco” mais diferenciada, mesmo assim é comum o paciente chegar com uma perda severa de visão achando que é um “problema dë óculos”.
    Lentes de contato a primeira vista parecem inofensivas, mas o uso errado pode gerar sérias complicações, outro dia fiz um tranplante de emergência em um paciente com úlceca de córnea, a infecção perfurou a córnea do paciente em 30h do inicio dos sintomas. Pos isso é importante analisar o outro lado da moeda, creio em simplificação do sistema, mas isso é muito dificil, se as pessoas não tem idéia das consequências de seus atos não fazendo exames preventivos ou se automedicando. Por exemplo passe alguns anos sem se consultar tendo glaucoma sem tratamento, essa doença destroi lentamente o nervo ótico da periferia para o centro, sabe qual é o sintoma? nenhum !!!, quando vc comecar a perder a visao, seu nervo já sofreu uma destruição (irreversível) de uns 70 %, aí é sentar e chorar.

  5. Muitas pessoas morrem por causa da automedicação. Mas fazer o que, proibir as pessoas de se automedicar?

    Quem quiser correr o risco que corra.

  6. Marcus,

    obrigado pelo comentário.

    Não tenho a menor dúvida de que o que você fala é verdade, e também sei que não é levado por nenhum interesse financeiro. A auto-medicação, ou seu equivalente na compra de óculos e lentes sem ter feito consulta antes, traz consigo muitos riscos. Isso é ponto pacífico.

    Mesmo assim, discordo da sua conclusão de que, portanto, é necessário haver uma obrigação legal de se ter a consulta e conseguir a receita.

    Tudo se resume a uma escolha de risco e retorno; custos versus benefícios. Eu sempre fui ao oftalmo antes de mudar o grau do meu óculos. Não chego a seguir o seu grau de cuidado (na minha opinião bastante alto): ou seja, não vou ao oftalmo a cada seis meses e nem todo ano. A última vez foi em 2007. Vou quando sinto que estou precisando de um novo óculos, ou quando acho que posso estar tendo algum outro problema (hoje em dia, por exemplo. Assim que voltar dos EUA vou passar na minha oftalmo).

    Essa minha decisão me deixa numa posição mais vulnerável aos problemas oculares do que a outras pessoas, que seguem a sua recomendação e vão regularmente ao oftalmo? Sem dúvida. Estou aceitando um risco maior porque, dada minha experiência e observações, não creio ter nada muito grave acontecendo nos meus olhos. Numa dessas eu posso me dar muito mal, mas é um risco que estou disposto a correr para não ter que ir tantas vezes ao médico.

    Ninguém nunca estará 100% seguro. Mesmo quem vai a cada 6 meses pode ter um problema grave e perder grande parte da visão. Cada pessoa trabalha com níveis de risco diferentes.

    O sujeito que nem vai ao oculista e resolve comprar direto o óculos de farmácia está num ponto mais aberto ao risco do que o meu. Acho que ele está escolhendo mal? Dependendo do caso, sim. Se for alguém que tem dinheiro para marcar uma consulta, eu o recomendaria a fazê-lo. Por outro lado, pode ser alguém pobre para quem o dinheiro faria falta; e já que o problema na visão é pequeno, provavelmente (ele pensa) um óculos de farmácia já dará conta do recado.

    As pessoas podem estar subestimando os riscos desse tipo de comportamento? Talvez. Então mostrem a elas, convençam-nas de que vale a pena abrir mão de algum tempo e dinjeiro para ir mais vezes ao médico (na verdade, aos médicos: oftalmo, dentista, otorrino, cardio, etc). É assim que as pessoas mudam seus comportamentos: sendo convencidas de que é o melhor para elas. Obrigar-lhes a passar no médico para pegar a receita, pelo contrário, só as torna mais irresponsáveis, pois tira das mãos delas a decisão e coloca no governo.

    Aumentam os custos (seja para o paciente, seja para o resto da população que tem que pagar mais médicos do SUS), e diminui a autonomia do indivíduo, cuja vida consiste cada vez mais em obedecer protocolos exteriores do que a decidir sobre o que é melhor para sua existência e agir de acordo.

    Se liberássemos a saúde, é possível que todo mundo “aloprasse” e se auto-medicasse? Muita gente possivelmente faria isso. Há uma curva de aprendizado da responsabilidade. Os indivíduos não estão mais acostumados a decidir por si mesmos na área de saúde. Mas conforme eles se acostumem, a saúde estará muito melhor: menos gastos, maior eficiência e adequada às demandas de cada um.

  7. Caro Joel,

    Me identifiquei muito com o seu artigo, pois também notei estas coisas uns anos atrás ao ver como alguns oftalmologistas naturalmente tratavam este comércio de lentes de contato como uma renda extra para eles, trabalhando com apenas alguns fabricantes e adicionando uma gorda margem, é claro.

    Caro Marcus, é claro que o trabalho do oftalmo é valioso, e isto não estamos discutindo. Mas obrigar as pessoas a irem no oftalmo para repor lentes? Faça o favor… Que tal obrigar quem vai parar pra calibrar o pneu do carro a passar por uma revisão completa? Não pode salvar vidas? E se o cabo de freio está gasto? Para mim é a mesma situação.

    Mas não são só oftalmos que fazem isso não. Pacientes com uso frequente de medicamentos cuja doença não apresenta risco de piora súbita precisam dar um check-in quase mensal no médico para praticamente conseguir as receitas. E o médico recebe o dele, é claro.

    Parece também evidente que o que está por trás das decisões da Anvisa contra as farmácias são interesses comerciais dos supermercados e mini-mercados. Compro o leite do meu filho e vários outros produtos de higiene em farmácias porque aqui na minha cidade é muito mais barato. Os supermercados aparentemente usam estes produtos de bebê para aumentar a margem de lucro. É um direito deles. Mas é essencial que o estado zele pela competição de mercado, e não ajude a destruí-la.

    Assim como você também vi coisas positivas no sistema brasileiro. Quando morei na Irlanda por exemplo notei que as farmácias por lá eram como os cartórios do Brasil: herdadas de família.

  8. Edson de Carvalho

    Aqui no Japao, nao tem essa festa absurda de farmacias que vendem remedios em toda esquina que se passa. ( A variação de precos e impressionante, fora que certos remedios que sao baratissimos, variacoes de Garamicina tipo Amicacin, as farmacias nao trabalham porque nao dao lucro, e falam isso na tua cara. Custa 3,5 reais ) Depois de 20 anos no Japao, precisei comprar esse antibiotico que e o unico que combate uma infeccao urinaria na minha idosa Mae, atestado por um antibiograma, e tive que recorrer a um amigo de um Hospital para conseguir. No Japao quando voce sai do medico ou Hospital ja sai de la com os remedios corretos em quantidades suficientes. Nas farmacias aqui nao vendem remedios, sulfas penicilinas etc…
    Esse paraiso de farmacias e so aqui no Brasil.

  9. “As pessoas podem estar subestimando os riscos desse tipo de comportamento? Talvez. Então mostrem a elas, convençam-nas de que vale a pena abrir mão de algum tempo e dinjeiro para ir mais vezes ao médico (na verdade, aos médicos: oftalmo, dentista, otorrino, cardio, etc). É assim que as pessoas mudam seus comportamentos: sendo convencidas de que é o melhor para elas. Obrigar-lhes a passar no médico para pegar a receita, pelo contrário, só as torna mais irresponsáveis, pois tira das mãos delas a decisão e coloca no governo.”\r
    \r
    e a questão da legalização de propaganda de médicos/consultórios ?\r
    seria bom, não ? acho mais dificil que a Dilma aparecer perdendo nas pesquisas de opinião de voto hehehe…\r
    nos EUA ainda deve ser permitido, não ?

  10. Para Joel:

    Não tenho a menor dúvida de que o que você fala é verdade, e também sei que não é levado por nenhum interesse financeiro. A auto-medicação, ou seu equivalente na compra de óculos e lentes sem ter feito consulta antes, traz consigo muitos riscos. Isso é ponto pacífico.

    R: concordo

    Mesmo assim, discordo da sua conclusão de que, portanto, é necessário haver uma obrigação legal de se ter a consulta e conseguir a receita.

    R: na pratica hoje vc pode pegar a receita de um ano atrás e ir em uma ótica, mas muitas não iram aceitar pois se o óculos não ficar bom a culpa e o ônus da troca cairá sobre a ótica e nenhuma quer ter essa responsabilidade cívil. Para lentes de contato, é possível conseguir até pela internet, o paciente pode fazer isso e como a maior parte dos graus são ametropias simples uma grande parte ficará satisfeita, porém caso a lente dê algums problema, a quem é possível reclamar ? a ótica, ao site ?

    Tudo se resume a uma escolha de risco e retorno; custos versus benefícios. Eu sempre fui ao oftalmo antes de mudar o grau do meu óculos. Não chego a seguir o seu grau de cuidado (na minha opinião bastante alto): ou seja, não vou ao oftalmo a cada seis meses e nem todo ano. A última vez foi em 2007. Vou quando sinto que estou precisando de um novo óculos, ou quando acho que posso estar tendo algum outro problema (hoje em dia, por exemplo. Assim que voltar dos EUA vou passar na minha oftalmo).

    R: vc pode escolher o risco e o retorno se vc tiver uma boa informação sobre os risco, custos, beneficios etc… e se vc não souber, como fazer a escolha certa? . também não é necessário uma consulta de 6 em 6 meses de rotina, basta uma anual oua cada 1,5 anos, mas 2007… já faz um bom tempo. Com relação a sintomas, o problema é que muitas patologias já sao de dificeis tratamento quando a pessoa passa a ter sintomas, por isso é que em medicina a prevenção é o mais importante (inclusive em custos para o paciente)

    Essa minha decisão me deixa numa posição mais vulnerável aos problemas oculares do que a outras pessoas, que seguem a sua recomendação e vão regularmente ao oftalmo? Sem dúvida. Estou aceitando um risco maior porque, dada minha experiência e observações, não creio ter nada muito grave acontecendo nos meus olhos. Numa dessas eu posso me dar muito mal, mas é um risco que estou disposto a correr para não ter que ir tantas vezes ao médico.

    R: concordo, o problema é que a maioria das pessoas não sabe dos riscos ( sem ofender, vc tambem não sabe apesar da sua experiencia e observaçoes)

    Ninguém nunca estará 100% seguro. Mesmo quem vai a cada 6 meses pode ter um problema grave e perder grande parte da visão. Cada pessoa trabalha com níveis de risco diferentes

    R: concordo, mas morrer (ou ficar cego) por uma doença de fácil tratamento é triste,

    O sujeito que nem vai ao oculista e resolve comprar direto o óculos de farmácia está num ponto mais aberto ao risco do que o meu. Acho que ele está escolhendo mal? Dependendo do caso, sim. Se for alguém que tem dinheiro para marcar uma consulta, eu o recomendaria a fazê-lo. Por outro lado, pode ser alguém pobre para quem o dinheiro faria falta; e já que o problema na visão é pequeno, provavelmente (ele pensa) um óculos de farmácia já dará conta do recado.

    R: óculos de farmácia nao faz mal nenhum, mas por outro lado resolve somente os problemas bem simples, por outro lado folks o problema é vc ter uma informação sobre riscos e beneficios deficiente, como fazer uma escolha com pouca ou nenhuma informação ??

    As pessoas podem estar subestimando os riscos desse tipo de comportamento? Talvez. Então mostrem a elas, convençam-nas de que vale a pena abrir mão de algum tempo e dinjeiro para ir mais vezes ao médico (na verdade, aos médicos: oftalmo, dentista, otorrino, cardio, etc). É assim que as pessoas mudam seus comportamentos: sendo convencidas de que é o melhor para elas. Obrigar-lhes a passar no médico para pegar a receita, pelo contrário, só as torna mais irresponsáveis, pois tira das mãos delas a decisão e coloca no governo.

    R: campanhas são muito importantes mas custam caro e são difíceis de serem bancadas pelas sociedades de especialidades. Campanha do nosso governo ? saúde públida no BRasil é piada triste

    Aumentam os custos (seja para o paciente, seja para o resto da população que tem que pagar mais médicos do SUS), e diminui a autonomia do indivíduo, cuja vida consiste cada vez mais em obedecer protocolos exteriores do que a decidir sobre o que é melhor para sua existência e agir de acordo.

    R: aumenta o custo se a pessoa perder a visão e tiver que se aposentar precocemente em idade produtiva ou se inves de faler um controle glicemico do seu diabetes associado a um laser de retina o paciente tiver que fazer uma cirurgia devido a hemorraiga intra ocular por diabetes por exemplo. com relação a obedecer protocolos, até nós obedecemos, protocolos em saúde não foram criados por acaso, eu não posso tratar um paciente com a medicação que eu quiser, eu até posso mas existe a medicina baseada em evidências que é um conjunto de normas para melhorar e padronizar o tratamento dos pacientes

    Se liberássemos a saúde, é possível que todo mundo “aloprasse” e se auto-medicasse? Muita gente possivelmente faria isso. Há uma curva de aprendizado da responsabilidade. Os indivíduos não estão mais acostumados a decidir por si mesmos na área de saúde. Mas conforme eles se acostumem, a saúde estará muito melhor: menos gastos, maior eficiência e adequada às demandas de cada um.

    r: as pessoas já fazem o que quewrem rs rs rs, mas liberdade vem junto com responsabilidade e a maioria na hora do problema não quer saber da responsabilidade e das consequencias do seus atos

    ufa depois eu continuo folks

  11. Para Juliano

    Me identifiquei muito com o seu artigo, pois também notei estas coisas uns anos atrás ao ver como alguns oftalmologistas naturalmente tratavam este comércio de lentes de contato como uma renda extra para eles, trabalhando com apenas alguns fabricantes e adicionando uma gorda margem, é claro.

    R:foi o tempo em que LC dava dinheiro, só da se vc fizer comprar bem alta (mil lentes)

    para negociar um preço menor, afinal não dá para cobrar por exemplo R$100 se na internet ou na ótica está R$80,00

    o custo pago por uma lente deveria ser mais explicado = preço da lente + despesa operacional (afinal a auxilliar nao trbalha de graça + supervisao do médico que é o teste de adaptaçao de lente de contato que deveria ser pago pelos planos de saúde (não pagam nem a fórceps) 🙂

    Caro Marcus, é claro que o trabalho do oftalmo é valioso, e isto não estamos discutindo. Mas obrigar as pessoas a irem no oftalmo para repor lentes? Faça o favor… Que tal obrigar quem vai parar pra calibrar o pneu do carro a passar por uma revisão completa? Não pode salvar vidas? E se o cabo de freio está gasto? Para mim é a mesma situação.

    R: juliano, a pessoa ir repor a lente na clínica sem passar pelo médico está errado
    e a sociedade brasileira de lentes de contato recrimina tal atitude, isso está errado, nós temos a obrigação de zelar pela saúde ocular dos nossos paciente e conversar com o paciente mesmo que ele tenha uma longa experiencia com lentes sempre é bom, até por quê percebo que é o pessoal que usa a mais tempo muitas vezes que tem mais vicios.

    Mas não são só oftalmos que fazem isso não. Pacientes com uso frequente de medicamentos cuja doença não apresenta risco de piora súbita precisam dar um check-in quase mensal no médico para praticamente conseguir as receitas. E o médico recebe o dele, é claro.

    R: concordo contigo, esta errado !!!, dar receita sem examinar o paciente é no mínimo negligencia e imprudência

    abraços a todos

  12. Marcus, seus planos para a saúde nacional apenas a encarecem e dificultam o acesso aos serviços de saúde. Na ânsia de prevenir os casos de exceção, você pune a maioria que não é exceção.

    Você deve achar que saúde é a única preocupação na vida das pessoas. Não é. Tem que pensar no trabalho e aperfeiçoar-se, passar tempo com a família, com os amigos, fazer reparos na casa, cuidar do carro, dedicar-se ao lazer, ir ao psicólogo, ir à igreja, comer, dormir, praticar um esporte, ir passear no parque, comprar roupas, etc.

    Se quisermos que as pessoas estejam 100% seguras em matéria de saúde, simplesmente tiraremos TODO o tempo delas.

    Cada check-up a mais, cada consulta de rotina só para pedir a mesma lente novamente, é menos tempo com a família, é uma refeição perdida, etc. Que tal deixar cada pessoa agir de acordo com suas próprias prioridades?

  13. Esse tipo de discussão, onde os profissionais que defendem sua guilda ou confraria tentam nos convencer do caráter indispensável dos serviços prestados pelos seus próprios cartórios, me leva sempre à mesma conclusão: trata-se da eterna luta dos intervencionistas que, com o apoio do Estado, tratam a todos como criancinhas ou incapazes, cheios de boas intenções e querendo nos proteger de nós mesmos (com os resultados que todos conhecemos: custos insuportáveis, perda das liberdades individuais etc.).
    Eu já pensei assim durante muitos anos, mas depois de ler “For a New Liberty” de Rothbard e alguns artigos do Mises Institute há cerca de 5 anos, tive que decidir entre rasgar a lógica pura e viver através de ideologias mortas, ou enfrentar a realidade e agir de acordo com ela.
    Respeito as opiniões dos médicos e sempre que necessário/ possível, procuro a sua assistência e sigo suas recomendações, mas os cartórios que se incrustaram nas diversas áreas da saúde são um claro exemplo das consequências nefastas do estatismo e do intervencionismo.
    Por exemplo, vejam que ridículo: se um sujeito quiser entrar na Internet e pesquisar como fabricar uma bomba (convencional ou atômica), como cometer um atentado terrorista, como fabricar drogas ilícitas em casa etc., basta um clique para ter todo o know-how à disposição – no entanto, se esse mesmo sujeito tiver uma dor na perna esquerda e quiser, listando os sintomas, pesquisar as possíveis causas do seu incômodo, não poderá acessar quaisquer bancos de dados de pesquisas médicas *oficiais* nem arquivos de universidades nem outros recursos científicos “sérios” online, *sem antes* atestar que possui formação médica, digitar seu registro num conselho de medicina (argh…) etc. e tal. Isto é uma sonegação inaceitável de informações, destinada a manter os privilégios de castas que se auto-intitularam superiores intelectualmente e moralmente em relação ao resto das pessoas.
    O cúmulo do absurdo, agora, é a tal lei (não sei se já foi oficializada) que obriga as pessoas a terem um diploma de jornalista para terem o direito de exercer as atividades de escrever jornais e outras ligadas à área de informações e mídia. Obviamente, o objetivo é exercer o total policiamento das idéias e garantir que todo aquele que escreve em jornais ou revistas, ou até mesmo mantém um site de notícias, esteja devidamente doutrinado e deformado pelos institutos de lavagem cerebral marxista que são nossas faculdades de comunicação.
    Ufffa, chega de escrever por enquanto (estou aproveitando as minhas férias).
    Obs.: vejam os intervencionistas, que interessante: mesmo sendo PJ, sem carteira assinada, consegui negociar com o meu contratante principal um acordo que inclui 1 mês de férias remuneradas por ano e gratificação anual equivalente a um décimo-terceiro salário, *voluntariamente* por acordo entre ambas as partes, simplesmente pelo fato de que o mercado valorizou o meu modesto trabalho e recebi ofertas para mudar de empresa, e no caso o meu ex-empregador (agora contratante) achou melhor me oferecer estes benefícios para não perder a minha mão de obra. Isto prova a eficiência do mercado e da desregulamentação das relações de trabalho, quando o prestador de serviços agrega valor ao resultado da empresa.

    Saudações austro-libertárias e parabéns ao IMB pelo trabalho.
    RH – Engenheiro Mecânico – Rio de Janeiro

  14. Tem que haver exigência de receita sim. Comprar medicamentos não pode ser igual a casa da mãe Joana ou um buteco onde qualquer um compra o que quiser. Do contrário, nem precisaríamos consultar médicos – bastaria ir no balcão da farmácia e pronto. Além do mais, é preciso evitar a automedicação, a intoxicação medicamentosa e principalmente, no caso de crianças, se tomar cuidado com alergias e choques anafiláticos, que é mais comum do que se pensa. Comprar remédios não é o mesmo que comprar doces. E só um médico pode prescrever isso através de receita. Em nenhum lugar do mundo se implantou o ultra-liberalismo preconizado por alguns. Porque se fosse implantando pouco tempo depois muitos iriam novamente pedir regulamentações do Estado como forma de evitar o caos.

  15. Artur,

    Ninguém está preconizando aqui dispensarmos os médicos e praticar livremente a auto-medicação. O que estamos querendo dizer (nós, os “ultra-liberais”, se é que isso existe…) é que consultar um médico para buscar orientação e aconselhamento não deveria ser uma imposição do Estado através da força, e com as nefastas consequências de custos e liberdade perdida.

    Se, conforme a sua visão, “muitos iriam novamente pedir regulamentações do Estado como forma de evitar o caos”, desejamos que você e aqueles que pensam desse modo façam o que bem entenderem, sem nos obrigar a pensar e agir como vocês.

    Por que será tão difícil de entender que “nós” queremos viver sem a coerção do estado, e que “nós” gostaríamos que “vocês” vivessem felizes suas vidas sem interferir nas “nossas”?

    Por isso, inclusive, “nós” preconizamos o direito de se associar e desassociar livremente conforme os interesses comuns de grupos sociais, culturais, étnicos ou qualquer outra forma de identificação mútua, inclusive o direito de secessão de países, províncias ou municípios.

    Mas entendo que este tipo de pensamento é muito complicado para alguém que a vida inteira foi doutrinado ao pensamento coletivista-marxista-distribucionista-estatista-intervencionista desde criancinha.

    Sugiro ao Artur que leia um pouco sobre as bases lógicas do pensamento austro-libertário e, após digerir os conceitos básicos, reexamine as suas crenças e opiniões à luz da nova visão. Eu pessoalmente fiz isso, e o meu castelo de cartas social-democrata se desfez imediatamente.

    Saudações austro-libertárias,
    RH – Engenheiro Mecânico – Rio de Janeiro

  16. Levando em consideração que prevenir geralmente tem um custo menor do que remediar, como fica a questão do aumento de custos com saúde para estado caso as pessoas se mostrem mais dispostas a se esporem ao risco do que a regulamentação as faz se esporem?

  17. Prezado Fernando,
    apesar de seu argumento de colocar na balança os riscos e benefícios para o indivíduo decidir aparentemente ser válido para qualquer situação inclusive as de risco, é prediso definir “quem” é que vai pesar esses fatores. Qual é a balança? E nesse momento retornamos ao ponto de partida com os interesses de quem pesa pesando na decisão do outro tornando o ato de decidir um ato plural. Por outro lado, se ao indivíduo cabe pesar por conta e risco próprios, vamos abolir, por exemplo, a necessidade de habilitação para dirigir veículos de qualquer natureza. Cada um julga/pesa se é capaz ou não.
    Os desastres resultantes dessa decisão “de liberdade” resultarão na seleção natural de excelentes motoristas, pilotos de avião, etc. E uma montanha de cadáveres.
    Grande abraço

    Antonio Carlos

  18. Estava agora planejando uma viagem para os Estados Unidos quando, pesquisando sobre a compra de lentes de contato por lá, acabei caindo aqui, neste que foi o primeiro de incontáveis artigos do Instituto Mises Brasil que eu li na vida! Que nostalgia daqueles primeiros dias de contato com a filosofia libertária… foi há poucos anos, mas parece que foi em outra vida…

    Fortíssimo abraço a todos os apoiadores da causa da liberdade.

  19. Então, estive em Nova York em 2012 e trouxe um óculos de grau de uma farmácia de lá.
    Posteriormente fiz uma consulta no Brasil, com um oftalmologista para fazer a cirurgia de laser e qual não foi minha surpresa, quando ele me pediu para olhar meu óculos.
    Dei-lhe o tal óculos que comprei na farmácia americana, sem mencionar sua origem. E ele avaliou inclusive com aquelas lentes de aumento deles e disse; hum, bom esse óculos…. Até estranhei o comentário, mas… figuei bem quietinha.
    Depois eu fiz a cirurgia com ele e não precisei mais usar óculos para longe…
    Este mês vou para NY e vou me jogar numa farmácia para comprar um óculos, só que dessa vez, para perto, pouco grau, só para ler…mas vou comprar numa farmácia de lá.. sem dúvida.

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