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Como o capitalismo salvou os mineiros chilenos

É
algo que precisa ser dito: o resgate dos mineiros chilenos representa uma
vitória maravilhosa do capitalismo e do livre mercado.

Em
meio ao ilimitado regozijo humano que se seguiu ao resgate dos mineiros, pode
parecer um tanto grosseiro fazer tal afirmação. 
E é grosseiro.  Mas estamos
vivendo em tempos grosseiros, e os riscos têm de ser altos.

Aqueles
que condenam o capitalismo e o livre mercado gostam de fazer ironias, dizendo
frases como esta, proclamada pelo presidente Barack Obama:

A ideia básica é que, se nós
tivermos uma fé cega no mercado e deixarmos que as empresas façam o que
quiserem e que todas as pessoas se virem por conta própria, então o país de
alguma forma irá automaticamente crescer e prosperar.

É
isso aí.  Essa é uma caricatura da ideia
básica, mas basicamente ela está certa. 
É só perguntar aos mineiros.

Se, 25 anos
atrás, aqueles mineiros tivessem sido soterrados a 700 metros
de profundidade
em uma mina qualquer de
qualquer lugar do planeta, eles estariam mortos agora.  O que ocorreu nesses últimos 25 anos que
transformou a morte certa em um resgate exitoso?  O que foi inventado que significou a diferença
entre a vida e a morte para aqueles 33 homens?

Resposta
rápida: a perfuradora Center Rock.

 

Essa foi a
broca milagrosa que perfurou o solo até chegar aos mineiros soterrados.  A Center Rock Inc. é uma
empresa privada sediada na cidade de Berlin, no estado da Pensilvânia.  Ela tem 74 empregados.  O equipamento e a estrutura completa para
perfuração vieram de outra empresa, a Schramm Inc., sediada
em West Chester, Pensilvânia. 

Ao ficar
sabendo do desastre, o presidente da Center Rock, Brandon Fisher, entrou em
contato com os chilenos e ofereceu sua perfuradora.  O Chile aceitou.  Os mineiros estão vivos.

Agora a
resposta mais longa: a perfuradora Center Rock é uma peça de tecnologia robusta
desenvolvida por uma pequena empresa que estava no ramo com um único objetivo:
ganhar dinheiro.  Foi em busca do lucro
que ela inovou e desenvolveu suas técnicas de perfuração de solo.  Se ela ganhar dinheiro, poderá fazer ainda mais
inovações.

Essa
dinâmica do lucro = inovação estava por todos os lados daquela mina
chilena.  O cabo de alta resistência
utilizado para puxar os mineiros foi feito na Alemanha.  O cabo superflexível de fibra ótica que os
mineiros utilizavam para se comunicar com o mundo acima deles foi feito no
Japão.

Outros
equipamentos extraordinários vindos de vários cantos do capitalismo apareceram
no deserto do Atacama para salvar as 33 vidas. 
A Samsung da Coréia do Sul forneceu um telefone celular que possui seu próprio
projetor.  Um empreendedor da Virgínia,
fundador da empresa Cupron Inc., forneceu
meias feitas com fibra de cobre.  Essas
meias consumiam as bactérias que se formavam nos pés, minimizando assim os
odores e as infecções.

O ministro
da saúde do Chile, Jaime Mañalich, disse “Eu nem tinha ideia de que tal tipo de
coisa de fato existia!”

É isso
mesmo.  Em uma economia aberta, você
nunca saberá o que existe lá fora sendo produzido pelo setor de ponta desta ou
daquela indústria.  Porém, a realidade
por trás dos milagres é a mesma: alguém inventa algo útil, ganha dinheiro com
essa invenção e então aprofunda suas inovações. 
Ou então alguém entra em cena e sobrepuja sua inovação, criando outra
ainda melhor.  Na maioria das vezes,
ninguém fica sabendo.  Tudo o que esse
mecanismo faz é criar empregos, riqueza e bem-estar.  Sem esse sistema operando em segundo plano,
sem o progresso anual incorporado nessas inovações capitalistas, aqueles
mineiros soterrados estariam mortos.

O resgate
dos mineiros foi um emocionante momento para o Chile, uma demonstração do
crescente prestígio e importância desse país. 
Mas é inevitável não pensar naquela empresa de 74 pessoas em Berlin,
Pensilvânia, cuja perfuratriz de alta tecnologia abriu a terra, desceu 700
metros e libertou 33 homens até então condenados à morte.  Existem centenas de milhares de histórias de
sucesso como essa, de empresas que mudam para melhor a vida das pessoas, desde
empresas gigantes como o Google até pequenas empresas como a própria Center
Rock.

E é motivo
de enorme felicidade para nós que esse fenômeno tenha ajudado a salvar a vida
de 33 seres humanos. 

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17 comentários em “Como o capitalismo salvou os mineiros chilenos”

  1. E em retribuição o que recebe?\r
    \r
    noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2010/10/14/pinera-anuncia-reforma-trabalhista-radical-e-jogo-entre-mineiros-e-funcionarios-do-governo.jhtm\r
    \r
    “Piñera anuncia REFORMA TRABALHISTA “RADICAL” [só o tempo dirá se as aspas são merecidas ou não] e jogo entre mineiros e funcionários do governo”\r
    \r
    “O presidente do Chile, Sebastian Piñera, anunciou na manhã desta quinta-feira (14) que o país deve passar por uma reforma trabalhista. Ontem, quando Luis Urzúa, o último dos 33 mineiros e líder do grupo, foi resgatado, ele disse ao presidente que um acidente como o que os deixou presos por 69 dias à 700 metros de profundidade “nunca mais pode acontecer”.”\r
    \r
    “O presidente ressaltou que haverá uma mudança “muito radical” nas leis trabalhistas para equiparar o Chile aos padrões dos países desenvolvidos. Segundo ele, esse será seu compromisso de governo.”\r
    \r
    \r

  2. Miguel A.E. Corgosinho

    Para que haja um “livre-mercado” é necessário uma governança mundial do capital, liberando assim o Estado de ser refém ente a produção, que se expande internamente, e o mercado financeiro, situado no plano exterior.

    A unidade monetária do livre-mercado deve se constituir, portanto, pelo valor que concebe o engendramento da propriedade privada, enquanto manifestação afirmativo do seu valor emitido; observando como uma forma neutra de moeda (simetrica) a determinação do crescimento economico.

    Afinal de contas, para que endividar o Estado (pela própria riqueza), com a negação da propriedade privada, sendo que ele mesmo nada produz?

  3. “Muitos dos 33 mineiros já tinham comentado com seus familiares sobre o mau estado da mina onde aconteceu o desmoronamento. Mais de 80 acidentes já aconteceram na San José. Em 2007, a mina chegou a ser fechada após a morte de um trabalhador. Ela foi reaberta no ano seguinte, mas sem os itens de segurança exigidos pelo Serviço Nacional de Geologia e Mineração, o organismo estatal que controla segurança nas minas no Chile.

    – Foi uma grande lição para todos os chilenos e para o nosso governo.

    O presidente formou, no dia 23 de agosto, uma comissão de especialistas, liderada pelo ministro do Trabalho, Camila Merino, para ampliar os poderes das agências reguladoras e impor penalidades às empresas que violam as normas de segurança. Hoje, muitas empresas descobrem que é mais barato pagar uma multa a investir para melhorar as condições dos trabalhadores.

  4. LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA

    Acima de tudo, o êxito desse resgate representa uma faceta sublime da capacidade de superação, da perseverança, da cooperação, da fé do ser humano. Aqueles homens passaram cerca de 17 dias absolutamente incomunicáveis com o mundo exterior. Poderiam ter se desesperado e se recusado a continuar sobrevivendo naquelas condições absolutamente inóspitas. Havia alguns que eram portadores de diabetes. Pessoas assim correm muitos riscos se não se medicarem regularmente. Aqueles homens poderiam ter se entregado. Mas algo muito forte os manteve unidos no propósito de sobreviverem: a fé em Deus e a vontade de se reencontrar com seus familiares, amigos e conhecidos. Isto foi resultado da ação humana. Foi uma questão de escolha. Esses homens escolheram continuar vivos, a despeito das perspectivas nada otimistas que se lhes apresentaram nestes 17 dias em que estavam sem comunicação alguma com o mundo externo. Escolheram dividir o pouco alimento que dispunham, nesse período, de modo a que todos tivessem o mínimo para sobreviver.

    Não desconheço o papel fundamental do mercado no êxito de resgate dessas vidas preciosas, mas da forma como a questão foi colocada, fria, asséptica, parece que tudo se resumiu a uma questão monetária. Como quem diz: tinha gente querendo ganhar dinheiro lá nos EUA e por isso os mineiros foram salvos. Isso teve seu papel, claro. Mas a questão é bem mais transcendente. A dimensão é muito mais ampla. A questão é de cunho praxeológico. Envolve ação humana. Envolve escolhas. Envolve a liberdade de escolher continuar lutando, vivendo, mesmo quando tudo parece perdido. De nada adiantaria a existência de equipamentos ultrasofisticados se aqueles homens tivessem escolhido se entregar.

    Esse resgate é uma lição preciosa sobre a liberdade de escolha do ser humano em superar seus próprios limites.

  5. Ulisses Alfredo Santos Lima

    Alguns anos passados na Russia um submarino afundou e a política russa não deixou que outros países tentar ajudar o resgate no final todos estavam mortos…

  6. Olá, Gostaria de saber como é a visão de vocês sobre a regulamentação da segurança do trabalho. Se tiverem alguns artigos ou livros sobre isso é só indicar, Obrigado!

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