“O
modelo cubano não funciona mais nem para nós”, respondeu Fidel Castro ao
ser perguntado pelo jornalista Jeffrey Goldberg, da revista The
Atlantic Monthly, se achava que o modelo cubano ainda poderia ser exportado
para algum lugar.
Dado
que a queda do regime é inevitável, a questão mais importante para Cuba é o
futuro da economia, a qual foi completamente devastada por 50 anos de
socialismo, controle de preços, sanções comerciais e, principalmente, pelo fim
dos fartos subsídios dados pelos russos.
A população cubana é um terço maior do que era na época da revolução,
mas a economia encolheu para menos da metade.
Quando
os irmãos Castro saírem de cena, o principal objetivo de Cuba deve ser o de
evitar as trapalhadas que foram cometidas por vários países do Leste Europeu e
pela antiga União Soviética após a queda do Muro de Berlim. Com a exceção da República Tcheca,
Eslováquia, Polônia e Estônia, aqueles países desperdiçaram uma oportunidade
histórica de resgatar sua população de pobreza e da degradação, e de mostrar ao
mundo o que o capitalismo pode fazer. Ao
invés de adotarem o livre mercado que todos desejavam, o que se viu ali foi a
criação de sociais-democracias controladas pelo estado, um arranjo que mantém
as massas sob estrito domínio e influência dos administradores centrais.
A
criação de um livre mercado em Cuba seria um duro golpe para os burocratas
internacionais e americanos que pretendem controlar o destino da Cuba
pós-Fidel. Poderia servir também de
modelo principalmente para os EUA, cuja economia está cada vez mais perto do
modelo que até Fidel passou a rejeitar.
A
contribuição essencial do livre mercado é o fato de ele permitir que a economia
caminhe harmoniosamente por conta própria, desde que a estrutura legal proteja
a propriedade e a liberdade de contrato.
De alguma forma, esse princípio básico foi esquecido após os eventos de
1989. No Leste Europeu, por exemplo, os
governos adotaram planos expressivamente intervencionistas sugeridos pelo FMI,
e a Rússia simplesmente trocou o nome do Gosplan — a antiga burocracia
responsável pelo planejamento central da economia — para Ministério da
Privatização. Algo que ele nunca foi,
obviamente.
Todos
esses governos cometeram o pavoroso erro de instituir, logo de cara, um imposto
de renda progressivo e impostos sobre ganhos de capital, tudo para imitar o
Ocidente. Esses impostos, que
penalizavam a riqueza e a acumulação de capital, serviram apenas para retardar
o crescimento econômico. Se, ao mudar de
regime, Cuba eliminar todos os impostos sobre a renda e sobre os ganhos de
capital, o país imediatamente se tornaria um poderoso chamariz para
investimentos advindos de todas as partes do mundo. Os próprios cubanos passariam a ter
incentivos para trabalhar, poupar, investir e produzir, pois agora poderiam
manter para si próprios os frutos de seu trabalho. O padrão de vida cubano voltaria rapidamente
aos níveis pré-Fidel, e, com o tempo, poderia até ultrapassar o da Flórida.
Após
a queda do muro, os governos do Leste Europeu quiseram extorquir a população
para aumentar suas receitas e pagar as dívidas contraídas pelos governos comunistas,
o que ajudou enormemente a impedir a recuperação e o crescimento da
economia. Além de ser uma questão fiscal,
tal medida também levanta uma questão moral: por que as vítimas do comunismo
deveriam ser tributadas para pagar aqueles investidores que foram estúpidos ou
maldosos o bastante para emprestar dinheiro para os comunistas? O novo regime cubano deveria imediatamente
cortar os laços com seu passado comunista, repudiando todas as dívidas
contraídas pelos irmãos Castro. Se isso
ferir a credibilidade do novo governo, ótimo: além de agora estar obrigado a
operar sem se endividar, isso vai deixar o governo incapacitado para atrair
recursos externos, possibilitando que tudo vá para o novo setor privado. Governos com capacidade creditícia
frequentemente se tornam insolventes, pois se endividam em excesso.
Entretanto,
há um elo com o passado que Cuba não deve cortar: saber quem era proprietário
de que antes da revolução. O novo regime
terá de transferir títulos de propriedade para demonstrar comprometimento com a
justiça. Terras, prédios e instalações
confiscadas durante a revolução deverão ser devolvidos aos proprietários
originais ou aos seus herdeiros. Capital
industrial criado sob o comunismo deverá ser dado aos trabalhadores na forma de
ações.
Propriedade
não documentada deve ir para aqueles que se apropriaram originalmente dela, e
que nela misturam seu suor e trabalho.
Assim, apartamentos devem se tornar propriedade irrestrita de seus
moradores, ônibus devem passar a ser de seus motoristas, ruas devem se tornar
propriedade privada das empresas e residências nelas localizadas etc.
Detalhes
da técnica de privatização à parte, o que realmente importa é sair rapidamente
da propriedade coletiva e adotar a propriedade privada irrestrita, sem tentar
criar meio-termos entre ambas. Os
reformadores do Leste Europeu e da Rússia descobriram que uma reforma gradual é
como tentar mudar a direção do tráfego aos poucos, quadra por quadra. O resultado é um óbvio engavetamento. Uma completa e imediata privatização é a
única solução.
Cuba
deveria também tentar estabelecer o mercado de trabalho mais livre do
hemisfério, a única verdadeira política de pleno emprego (isso ajudaria a criar
ocupação para a massa de burocratas que agora estaria sem emprego). Os cubanos devem ser livres para trabalhar
sem empecilhos e restrições impostos por sindicatos, salários mínimos ou
políticas raciais. Em um país tão
diverso como Cuba, empregadores devem ser livres para contratar e demitir segundo
seus próprios critérios. Da mesma forma,
não deve haver nenhum tipo de seguro-desemprego, apenas caridade privada.
Cuba
deveria também abrir suas fronteiras para importações advindas de todas as
partes do mundo, e sem colocar absolutamente nenhuma restrição no fluxo de
dinheiro e bens para fora do país. Deixe
que outros países se preocupem com “protecionismo” econômico. Por outro lado, Cuba não deve dar subsídios a
nenhuma empresa estrangeira, principalmente empresas americanas, como ocorria
no regime de Fulgêncio Batista. Isso não
apenas causa desequilíbrios econômicos, como também estimula ressentimento
contra estrangeiros com privilégios especiais.
Políticas
assistencialistas e de bem-estar social se tornaram uma tentação para todos os
países que abandonaram o comunismo, com resultados estagnantes para a economia
(o caso mais atual é o da Romênia). Isso, da mesma forma, seria o beijo da morte
para o povo cubano. Como na antiga União
Soviética, muitos cubanos se acostumaram a viver sem trabalhar. Isso é compreensível em um sistema em que
salário e produção não possuem qualquer relação entre si. A única maneira de resolver tal dilema é
dando às pessoas a liberdade de iniciativa. A Igreja e outras instituições de caridade
irão atender as necessidades daqueles que sofrerem nesse processo. Assistencialismo serve apenas para causar
sofrimento nos indivíduos produtivos.
Não
há dúvidas que Cuba terá de lidar com uma enorme economia informal. Em todos os países, tipos sombrios e de
caráter dúbio — além daqueles que estão no governo –, dominam os mercados
informais. Há uma solução simples para
esse problema: legalizar. Deixe que
qualquer indivíduo disposto a criar um produto ou fornecer um serviço, o faça
sem interferências, e deixe-o vendê-lo para quem quer que esteja disposto a
pagar por ele, por qualquer preço, desde que não haja fraude envolvida. Aquilo que Marx zombava como sendo a
“anarquia da produção” é exatamente o que deve reinar supremo.
Se
Cuba adotar essas medidas — privatização completa, impostos zero sobre a renda
e sobre ganhos de capital, mercado de trabalho livre, livre comércio, economia
informal legalizada, e ausência de estado regulatório e assistencialista –, a
economia iria avançar vigorosamente. Com
efeito, Cuba iria até enfrentar problemas de imigração, uma vez que outros
latino-americanos, flagelados pelo socialismo adotado por seus governos, iriam
correr para um paraíso de livre mercado localizado logo abaixo da costa
americana.
Porém,
para fazer tudo isso, Cuba necessita de independência política. É certo que burocratas americanos irão fazer
de tudo para tentar impedir que um livre mercado seja estabelecido em Cuba,
assim como fizeram no Leste Europeu e na Rússia, enviando equipes missionárias
de agências regulatórias americanas, e recusando auxílio a qualquer coisa que
não seja uma economia mista que privilegie interesses especiais dos EUA.
A
nova Cuba não deve aceitar um centavo de ajuda externa do governo americano, e
nem do FMI ou do Banco Mundial. Na
Rússia, por exemplo, o FMI recomendou — e o governo prontamente adotou —
políticas ignaras, como trocas de moeda estabanadas, desvalorizações forçadas e
aumento de impostos.
Aceitar
ajuda externa também subjugaria Cuba a tratados ambientais e trabalhistas que
são incompatíveis com um alto crescimento econômico, algo de que Cuba
desesperadoramente precisa. Por exemplo,
o país deve se manter de fora de “acordos comerciais” como
o NAFTA e a ALCA, ambos uma resposta americana àquela monstruosidade
burocrática chamada Comunidade Europeia.
O
NAFTA imporia a Cuba
os piores tipos de políticas estatistas, desde leis de salário mínimo e
“trabalho infantil” até restrições ambientais contra o uso da terra e a favor
do “ar limpo”. Como disse o burocrata
Mickey Kantor, uma das mentes por trás do NAFTA, o tratado garante por lei “que
nenhum país irá reduzir seus padrões ambientais ou trabalhistas, apenas
elevá-los. Se um país não for atrás de
seus poluidores, nós iremos.”
Qualquer
país que ficar de fora de tratados de “livre comércio” e “acordos bilaterais”
— ambos um eufemismo para ‘acordos gerenciados pelo governo’ — terá muito
mais chance de vivenciar um crescimento econômico genuíno do que aqueles países
que embarcaram nessa fraude. Ao
cartelizar os governos de modo que eles possam atacar em bando os pequenos
empreendedores e os pagadores de impostos, esses tratados e acordos impedem a
existência do livre mercado, de desregulamentações e de um mercado de trabalho
não sindicalizado.
O
Ocidente tem bons motivos para torcer por um livre mercado em Cuba. Seria um exemplo para todos, principalmente
para os EUA, que já foram um bom exemplo para o mundo no período
1776-1933. Se algum dia a riqueza per
capita da Cuba livre ultrapassar a dos EUA — graças ao seu abandono
progressivo dos princípios de livre mercado –, os cidadãos americanos poderão
exigir o tipo de mudanças radicais que os cubanos hoje querem. Ademais, se o socialismo obâmico continuar
nesse galope irrefreável, a classe média americana precisará de um lugar para o
qual se mudar.
Essa Cuba socialista vai acabar, claro. O problema é como isso vai acontecer.\r
Embora se as coisas acontecessem como Lew indicou seria ótimo, dificilmente isso acontecerá. Muito mais plausivel que o governo americano tome frente no processo, infelizmente.\r
O futuro não é assim tão promissor.
“Se Cuba adotar essas medidas – privatização completa, impostos zero sobre a renda e sobre ganhos de capital, mercado de trabalho livre, livre comércio, economia informal legalizada, e ausência de estado regulatório e assistencialista”. Gostaria que isso acontecesse. Mas os abutres da burocracia globalista estão esperando surgir o cadáver de Fidel para se precipitar sobre Cuba. E fazer da ilha uma espécie de Rússia em miniatura. Rockwell deveria mandar esse seu artigo para os irmãos Castro. Quem sabe eles não seguissem algumas lições.
Hoover era um intervencionista de carteirinha, sempre “denunciando” o laissez-faire. Não sei o porquê dele colocar 1933. A economia americana deixou de ser livre quando criaram o branco central americano em 1913 (apesar da crise de 1920-21 ter sido enfrentada sem intervencionismos).
Isaías, é porque foi em 1933 que o governo confiscou o ouro dos americanos, proibindo por completo sua posse, fato esse que descambou nos horrores do período Roosevelt. Até então, apesar de todas os intervencionismos néscios feitos por Hoover, ainda havia uma solução fácil. Depois, foi só ladeira abaixo.
Mas eu concordo que 1913 seria uma data mais precisa.
Leandro,
Estou de acordo com o que o Luiz Oliveira disse. O Lew tem que enviar esse artigo para os irmãos Castro!
As idéias liberais no Brasil estão confinadas a um gueto,mas tb creio que a maioria da população e de “direita”somente não tem acesso as ideias liberais.
A dica do Lew é quente, mas enviá-la á um golpista assassino sugerindo que faça exatamente o oposto do que ele passou meio século praticando, acho um pouquinho difícil de se materializar.
Vejo, muito provavelmente, o triunfo da política social-democrata/keynesiana na vida do cidadão cubano após a queda do regime.
Concordo plenamente com o Angelo. Aristóteles afirmou que, “embora possamos imaginar muitas coisas, não podemos imaginar o impossível”. Creio que Lew acaba de refutá-lo. Não me ficou claro se Lew pensa em um colapso simultâneo do regime político e da “economia” cubana. Seja esse o caso, é provável que a ditadura comunista seja substituída pelo que se convencionou chamar “democracia”, da qual, como todos nós sabemos, pouco se pode esperar no sentido de promover o livre mercado. Se, por outro lado, o colapso econômico ocorre sem modificação substância na estrutura de poder (manutenção do poder do partido comunista), creio que temos menos razões ainda para pensar que esse partido estaria disposto ou mesmo seria capaz, diante das implicações a curto prazo das medidas necessárias, de sustentar a construção de um livre mercado. Acredito muito mais que o colapso do regime socialista signifique somente um passo atrás no socialismo em direção a um regime similar ao da Rússia ou da China. Enfim, ficaria muito surpreso se alguma coisa similar ao que Lew imaginou ocorresse em Cuba.
“Vejo, muito provavelmente, o triunfo da política social-democrata/keynesiana na vida do cidadão cubano após a queda do regime”
Aí, quando tudo der errado(como se já não estivesse), dirão: é tudo culpa do liberalismo.
Apaga tudo! Ontem, sexta-feira mesmo, Fidel já disse que não era bem aquilo que ele queria dizer. Na verdade, nas palavras del comandante, estava referindo-se ao capitalismo; não foi bom para Cuba o capitalismo nos últimos anos. Fala sério, Fidel. Após a morte dos Castro, Cuba marchará para o mesmo caminho da Rússia: os grandes chefes militares, do serviço secreto e funcionários públicos de alto escalão, que detiveram dinheiro vendendo facilidades no mercado negro criado pelo próprio regime, tornar-se-ão os grandes empreendedores da perestróica cubana; defendidos por uma máfia terrível e protecionista. E todos da mídia amada da esquerda darão vivas ao capitalismo habanero. Êta mundo dominado esse nosso, hein?
Com o grupinho do mal, Foro de SP, onde o Fidel é um dos criadores acho dificil que alguém deseje/consiga acabar com o Sistema Comunista de Cuba.
Uma das dificuldades encontradas pelos países do leste europeu, foi o mau costume adquirido em depender do estado para o provimento dos sustentos pessoais, talvez com a exceção da Alemanha. Décadas de proibições contra todo tipo de iniciativas particulares, fez com que as pessoas esquecessem de como fazer para proverem os próprios sustentos. Na verdade, as duas gerações que nasceram e se criaram dependentes do estado, nem sabiam que isto é uma coisa possível e altamente compensadora. Além disso, tem medo de se dedicar a negócios particulares, optando muitas vezes por continuarem na dependência.\r
Supondo que, por algum descuido do destino, a população cubana readquira a independência, certamente precisará de um longo tempo para aprenderem a cuidar de si mesmas.
A prioridade para Cuba não é uma economia de mercado livre. É ridículo esse tipo de devaneio liberalóide.
Seria seguir o mesmo caminho que a URSS e a China, onde a nomenklatura comunista se tornou a grande casta capitalista, mantendo o controle político absoluto de antigamente.
O que Cuba precisa é de uma revolução que derrube a nomenklatura governante e ponha os atuais dirigentes na cadeia, para que eles paguem pelos crimes que cometeram, crimes que não se resumem apenas a tirar confiscar a propriedade dos outros, mas à prática de assassinatos, torturas, sequestros, terrorismo, narcotráfico, etc e etc.
Falou bastante sobre como reerguer a vitimada classe média cubana mas quando chegou no ponto dos marginalizados (a grande maioria) o autor do texto se resume a dizer “A Igreja e outras instituições de caridade irão atender as necessidades daqueles que sofrerem nesse processo. Assistencialismo serve apenas para causar sofrimento nos indivíduos produtivos”?
Quer dizer que desenvolvimento econômico significa somente, e tão-somente atender aos “indivíduos produtivos”? Aos detentores do capital? E as classes oprimidas por esse sistema?
Me parece que se o “desenvolvimento” significa isso mesmo, Cuba (nem ninguém) precisa dele.
E para fechar, reduzir a degradação ambiental que não é senão o resultado de um “crescimento” econômico exarcebado – por empresários, detentores do Capital – é visto, pelo autor, como um impeditivo para o crescimento, claro que é. E ele, de uma forma quase que imoral, argumenta que Cuba não deveria fechar acordos com ALCA e NAFTA por conta de exigências no controle ambiental que as mesmas fazem?
Resumindo: o Meio Ambiente e as classes oprimidas não devem ser levadas em consideração num futuro governo cubano? Quem paga a conta ambiental? E como quer quer se sintam esses pobres oprimidos?
Acho que só faltou pedir que algum seguidor de Fulgência Batista retorne ao poder…
E como seria feita a transição das escolas públicas para privadas?
Iriam simplesmente fechar as pertencentes ao estado e deixar que as pessoas se virem para poder estudar?
Eu não acho que seria possível todas as crianças que antes estudavam em escolas públicas irem para as recém-abertas privadas, não haveria capacidade para todos.
Obs: não estou criticando o artigo, é só uma dúvida que eu tenho.
O IMB, toda hora, fala em regulamentações que impedem o mercado de maximizar a utilidade das pessoas. Leis impostas que impedem que entrem concorrentes no mercado de rodovias, eletricidade, telefonia e outros setores que os mainstream chamam de monopólio natural. Também se fala nas regras que Roosevelt criou, e que Obama também vem fazendo, e que impede a economia de se reerguer. Ok, eu acredito. Mas vocês poderiam fazer um artigo só sobre exemplos práticos de como a regulamentação emperra os negócios?
Essa turnê da Yoani pode muito bem ser o começo do fim. Quem tiver a chance, assista a entrevista dela no “canal livre” da band. O comuna do Gabeira ( um dos entrevistadores ) não parava quieto na cadeira.
A Yoani é um caso no mínimo curioso, só cito algumas contradiçoes que qualquer um pode ver:
1) Existem hoje em cuba uns cento e poucos presos políticos encarcerados nos porões da ditadura castrista, a própria Yoani falou: “O Fidel utilizava a repressão (aos seus opositores) como um show, já o sr. Rául é mais discreto.” Claramente uma referencia a de que o regime totalitário ainda se encontra em todo o vigor apesar da idade dos irmãos castro. O próprio caso do homem que fez greve de fome, pois era um capitalista perigoso (na verdade um bombeiro hidráulico que vendia seus serviços sem registrar ao sistema falido cubano). O qual o lula solenemente ignorou quando o caso veio a tona. Comparem as imagens do real ativista que foi preso por ser um porco capitalista e a sra. Yoani.
2) Como a Yoani conseguiu acesso a internet? Como ela, logo uma simples pessoa como a Yoani conseguiu atingir toda essa notoriedade apenas mostrando alguns fatos menos obscuros da vida cotidiana cubana? Mostrou algum hospital da morte? Mostrou os presos politicos? Mostrou os 25 mortos de frio que o morreram em um hospital psiquiátrico? Mostrou a verdadeira face negra que um regime comunista?
3)Em uma declaração dada a um reporter quando ela estava em São Paulo se eu não me engano ela disse: “‘Em Cuba não há comunismo nem socialismo, há um capitalismo militar” (procurem no G1)
Ora!
O problema então não é o comunismo nem o socialismo é o CAPITALISMO minha gente!
Vcs vem como esse discurso é um discurso de qualquer militante politico socialista. Sempre põe a culpa no regime capitalista como culpado antes e depois do regime.
Primeiro precisamos acabar com o regime capitalista.
Depois o comunismo não dá certo.
Mas agora então nos temos que acabar com o regime capitalista.
Não é uma piada?
4) Quem são os papagaios de pirata que estão pra cima e pra baixo com a Yoani?
Politicos do PSDB, partido Social sei lá o que… que nem de oposição serve mais ao PT. Não existe nenhum politico conservador ou liberal que está lá ao lado dela. E se tiver será no mínimo um demagogo.
Pra mim essa mulher é um cartão de visita do regime, como aconteceu na URSS quando caiu, caiu o regime mas os comunistas continuaram os mesmos. Não é uma oposicionista séria, no mínimo esta comprometida com a elite que se formou ao longo do tempo durante o regime comunista e já esta formando uma classe politica para poder se manter no poder e manter seus privilégios.
Essa mulher é uma balela.
Quanto ao acesso à internet, utilizando-se de ferramentas de criptografia consegue-se esconder de qualquer bisbilhoteiro. Ela falou na entrevista, ela preparava os textos em casa, e uma vez por semana, ia num cybercafé e fazia o upload de seus textos, deixando programado que fossem publicados num dia estipulado. Isto não deve levar mais de 5 minutos para ser feito.
Quanto ao “capitalismo militar” na verdade ela falou capitalismo de estado. Ela citou que os Castro estão “privatizando” algumas companhias, só que estão dando para seus colegas próximos.
E atenha-se ao contexto. Ela vive num regime completamente fechado. Como você espera que ela saiba dos detalhes dos outros ativistas presos da maneira que nós sabemos aqui no Brasil, se lá a informação é suprimida? Você acha que ela lê Mídia Sem Máscara? Se tivesse tempo e a segurança de que não sofreria sanções, provavelmente leria. Mas lembre-se que para fazer oposição e nao ser pego é preciso manter um “low-profile”, ou seja, não chamar a atenção.
Assista a entrevista. Eu também pensava do jeito que você, depois de ler os textos sobre ela do MSM. Mas lembre-se do contexto, tente se colocar no lugar dela. Então pense se realmente a oposição aberta e direta era o melhor caminho. E por isso que eu disse que pode ser o começo do fim. Com alguém que conhece o regime de dentro, nao se tem mais o beneficio da duvida. Até o Gabeira, vermelho até a alma, ficou quieto frente ao que ela expôs.
Ps. Uma coletânea de livros do Mises, Rothbard, Hoppe, etc, seria um bom presente, nao é mesmo? Aposto que ela nunca teve acesso a tais livros. Pena que ela já está indo embora do país.
Acho que seria uma boa o mises escrever um pequeno artigo (pode ser no blog também) sobre em que consiste exatamente o embargo a Cuba. Sinto falta de um texto mais organizado para esfregar na cara dos comunistas modernos.
Um paralelo interessante a se fazer seria mostrar como o Brasil é um dos países mais fechados às importações, o que de fato consiste em um “autoembargo”.
Seria maravilhoso se Cuba se tornasse uma ilha de liberalismo, mas pressinto que Cuba seguirá os maus exemplos de países “ex-comunistas”.
* * *
Esta ai o exemplo!!
Um bando de jovens, cheios de idealismos, tomam um pais na mao armada, acabam com o capitalismo, e com ele, todos os geradores de empregos.
Voce nunca deve tentar acabar com a iniciativa privada. Colocar certas normas de protecao ao trabalhador, sim. Mas, nao sufocar a iniciativa privada. Apenas regula-la!!
Agora, esta la, o Sr. Fidel. com um povo pobre, e sem iniciativa.
Igual a quando voce coloca seu cachorro na coleira, e lhe da comida todos os dias.
Se voce solta-lo e nao alimenta-lo, ele morre. Porque nao sabe o que fazer para se alimentar!!