A
recente notícia sobre a fusão das empresas aéreas TAM e LAN Chile — ambas até
então concorrentes em algumas rotas — excitou vários “especialistas”, que
desandaram a deblaterar contra o capitalismo e sua “inerente tendência à
concentração do mercado”. Entrevistas a
rodo vêm sendo concedidas por professores de microeconomia — adeptos da
doutrina da “concorrência perfeita”, quase todos da FGV –, que se esmeram na
humanista arte de dizer como o governo deve regular as empresas mais
severamente.
Todas
as esperanças foram depositadas no CADE, que pelo bem da humanidade e da “livre
concorrência” deve impedir essa fusão.
São
duas as argumentações tipicamente apresentadas pelos contrários a esse
processo: 1) uma fusão poderá fazer com que os passageiros usuais tenham menos
opções de destino — pois há a tendência de que as rotas redundantes, aquelas
feitas por ambas as companhias, sejam reduzidas, e 2) não há tendência de queda
de preços, pois há um aumento da concentração do mercado.
Para
validar seus argumentos, esses especialistas citam as várias fusões que
ocorreram no setor aéreo internacional ao longo da última década, sendo as mais
famosas as fusões da KLM com a Air France, da British Airways com a Ibéria, e a
da United com a Continental.
As
fusões e aquisições também se intensificaram, no Brasil, em outros setores,
como frigoríficos e cervejarias. Houve
também uma joint venture entre a
Shell e a Cosan. E, nos próximos meses,
as fusões e aquisições do ramo de telecomunicações devem predominar, com o
destaque sendo a compra de participação da Oi pela Portugal Telecom.
A
pergunta é: fusões representam um processo inerente ao capitalismo? Se sim, elas devem ser impedidas pelo bem da
livre concorrência e do consumidor?
Monopólio e livre concorrência
O
capitalismo sempre foi vigorosamente acusado de fomentar a competição entre as
pessoas — o que geraria uma lei da selva — e, ao mesmo tempo, de ser um
sistema que inevitavelmente gera uma falta
de competição, criando uma tendência à monopolização total de toda a economia
por uma única empresa.
Um
cérebro um pouco mais treinado pode facilmente perceber que ambas as acusações
são mutuamente contraditórias. (Com
efeito, em termos mais amplos, os detratores do capitalismo chegaram a um ponto
em que nenhuma acusação podem fazer sem que esta já não tenha sido contraditada por alguma
acusação anterior.)
Em
particular, as acusações em questão advêm em grande parte de uma incapacidade
de as pessoas entenderem corretamente o significado de livre concorrência e
monopólio.
Por
exemplo, é um disparate dizer que o capitalismo inevitavelmente leva à
concentração de mercado — e, finalmente, a uma monopolização da economia —
quando se sabe que é o governo a entidade que, por excelência, impede a
concorrência econômica.
No
caso específico do setor aéreo, é o governo — por meio da ANAC (Agência
Nacional de Aviação Civil) — quem impede a livre concorrência ao dificultar o
surgimento de novas empresas (por meio de burocracias escabrosas e de uma carga
tributária ultrajante) e ao proibir que empresas aéreas estrangeiras façam voos
domésticos — a fusão da TAM com a LAN pode ser vista como uma maneira de a LAN
poder ter acesso legal ao mercado nacional brasileiro.
Essas
restrições, entretanto, quase nunca são comentadas. O governo impede a concorrência por meio de
suas regulamentações e depois é chamado para, por meio de mais regulamentações,
impedir que as consequências inesperadas de suas regulamentações anteriores
criem mais restrições no mercado. Uma
bola de neve.
Livre
concorrência significa apenas que qualquer setor econômico deve estar
legalmente aberto para que qualquer indivíduo ou empresa possam se aventurar
nele com o intuito de ofertar bens e serviços aos seus potenciais consumidores,
os quais devem também ser livres para optar pelo consumo destes bens e
serviços.
Violações
dessa liberdade de entrada ocorrem quando o governo exclui forçosamente do
mercado exatamente aqueles indivíduos e empresas que estariam nesse mercado
caso não houvesse tal regulamentação.
Qualquer decisão governamental que visa a impedir uma fusão é uma
decisão para excluir forçosamente do mercado — ou de parte dele — uma empresa
que de outra forma estaria nele. É uma
decisão que viola a liberdade de concorrência daquela empresa, monopolizando o
mercado contra ela.
Não
existe monopólio quando há apenas uma empresa no mercado. O que define um monopólio são as restrições à
entrada de outras.
Concorrência perfeita e soberania do
consumidor
Entretanto,
essa genuína livre concorrência, que só ocorre em um livre mercado, não é o que
realmente defendem esses especialistas que se manifestam contra todas as fusões
e aquisições. O problema é que eles são
seguidores de uma teoria econômica que felizmente (ainda) não existe na
prática: a teoria da concorrência perfeita.
Trata-se
de uma das poucas áreas que Mises não tratou com profundidade adequada. Sendo assim, vale a pena comentarmos seus
problemas.
Em
termos resumidos, a teoria da concorrência perfeita diz que, em um ambiente
puramente concorrencial, todas as empresas diminuirão seus preços até o ponto
em que eles igualem o “custo marginal” da empresa — ou, na melhor das
hipóteses, até o ponto em que eles excedam infimamente o “custo marginal”, de
modo a garantir o lucro minimamente necessário apenas para poder manter suas
instalações operando a plena capacidade.
Repetindo:
tal teoria afirma que a produção das empresas deve ser levada até o ponto em
que os preços dos produtos são iguais ao seu custo marginal. (Em termos gerais,
custo marginal é o custo da mão-de-obra, dos materiais e da energia utilizados
para produzir uma unidade adicional de um produto).
Somente
nesse ponto — preço = custo marginal — a produção estará em seu “ótimo
social”. Se os preços estiverem acima do
custo marginal, as empresas estarão maldosamente “privando” a sociedade de
usufruir esses bens escassos.
O
exemplo a seguir vai ajudar a ilustrar melhor esse raciocínio e mostrar toda a
absurdidade contida nele.
Imagine
uma vila de pescadores formada por vários grupos que concorrem entre si. Todos, obviamente, sobrevivem da pesca e da consequente
venda de peixes para a indústria local.
Um belo dia, os pescadores saem para a labuta e, ao fim da jornada,
retornam com uma quantidade absurdamente exagerada de peixes. A pesca foi tão grande, que as indústrias
locais, tanto a de armazenamento quanto a de enlatamento, simplesmente não têm
instalações para processar esse volume de peixes. Ou seja: houve um excedente que não foi
consumido. Nesse cenário, a teoria vai
dizer que os peixes são bens gratuitos — isto é, eles não são bens
escassos. Sua “utilidade social
marginal” é zero. O custo marginal da
“produção” desses peixes excedentes é zero.
Portanto, não há motivos econômicos para cobrar preço algum pelos
peixes. Eles simplesmente devem ser
distribuídos de graça.
Os
pescadores, obviamente, não vão querer isso.
Se os preços dos peixes estiverem muito abaixo dos custos de produção
(equipamentos de pesca, manutenção das embarcações etc.), eles irão à falência. E, se isso acontecer, as consequências de
longo prazo serão desastrosas para todos.
Haverá menos equipamentos de pesca, o volume de pesca será bem menor e,
consequentemente, os preços serão maiores.
Porém,
se os pescadores puderem fazer um acordo entre eles, eles certamente irão
devolver ao mar boa parte da coleta, de modo a fazer com que a oferta
remanescente possa ser vendida a um preço que esteja minimamente acima de seus
custos operacionais. Ao fazerem isso —
ou seja, ao se recusarem a sofrer prejuízos voluntariamente –, os defensores
da teoria da concorrência perfeita dirão que eles estão praticando uma
“restrição monopolística da oferta”.
O
mesmo raciocínio acima é empregado para absolutamente qualquer empresa que
esteja operando no mercado, seja ela uma companhia aérea (restringindo a oferta
de voos), uma produtora de alimentos, de equipamentos médicos, de automóveis,
de computadores etc. Se elas se
recusarem a vender a preços iguais aos seus custos marginais, elas estarão
privando a sociedade de usufruir bens escassos. Se uma indústria tem capacidade instalada
suficiente para produzir um milhão de unidades por mês, mas a quantidade
demandada pelos consumidores — a um determinado preço acima do custo marginal
— foi de apenas 700.000, então essa indústria está privando seus consumidores
de desfrutar 300.000 unidades a mais desses produtos. O “correto” seria ela reduzir seu preço até
que todas as suas unidades produzidas — um milhão — fossem vendidas. Apenas nesse caso o consumidor seria
soberano.
Sempre
que uma empresa pratica um preço que lhe permite recuperar parte do
investimento — ou seja, um preço acima de seus custos operacionais –, ela é
acusada de estar monopolisticamente segurando parte de sua oferta; oferta essa
que “pertence” à sociedade.
Não
é difícil ver as raízes coletivistas dessa teoria. Não é desarrazoado dizer que a teoria da
concorrência perfeita está à esquerda do marxismo. Marx criticava o capitalismo apenas por causa
da existência dos lucros. Já a teoria da concorrência perfeita o faz
porque os empreendedores se recusam a sofrer prejuízos. Os seguidores
dessa teoria — normalmente, professores de microeconomia — não centram suas
reclamações no fato de que os empreendedores estão auferindo lucros excessivos
por meio de algum tipo de monopólio; sua reclamação está no fato de que eles
“monopolisticamente” se recusam a vender a preços que lhe tragam prejuízos.
Consequentemente,
levando tal teoria ao extremo, nenhuma propriedade é realmente privada. As empresas na verdade pertenceriam à
“sociedade”, que, no máximo, estaria concedendo a gerência a um empreendedor
privado. A “sociedade” tem o direito à
propriedade do empreendedor e ao produto de seu trabalho, mas permite que ele
continue na gerência desde que a “sociedade” receba aquilo que os professores
de microeconomia consideram ser o máximo benefício possível.
Em
termos práticos, se uma empresa aérea se recusa a aumentar a oferta de voos de
modo a suprir toda a demanda existente para todos os tipos de voos — pois ao
fazer isso ela estaria incorrendo em prejuízos –, ela estará retirando a
soberania do consumidor e monopolisticamente retendo parte da oferta. Se um avião decola com algumas cadeiras
vazias, a empresa aérea está se recusando a compartilhar sua propriedade com a “sociedade”,
pois obviamente alguém poderia estar sentado ali, caso o preço da passagem
fosse zero (o custo marginal de se admitir um passageiro a mais em um avião que
não está cheio é praticamente nulo.
Logo, o preço da passagem deve ser zero).
Assim,
quando se reclama que a fusão de companhias aéreas pode fazer com que o
passageiro tenha menores opções de destino, a ideia subjacente é a de que a
propriedade das empresas sobre seus aviões e suas rotas na verdade não lhes
pertence. É um “direito da sociedade”
que as empresas ofereçam exatamente as rotas que ela quer, independente dos
custos incorridos para tal.
Portanto,
para tentar resumir essa seção: de acordo com a teoria da concorrência
perfeita, sempre que uma empresa opera abaixo de sua capacidade máxima e, com
isso, consegue recuperar seus custos fixos e obter um lucro necessário para a
expansão do seu investimento, ela estará monopolisticamente restringindo a
oferta. Se ela não reduzir seus preços
de modo a atender toda a demanda potencial — mesmo que tenha de praticar
preços abaixo dos seus custos operacionais para tal, o que a levaria à falência
–, ela será uma monopolista e o consumidor (e a “sociedade”) não será
soberano.
A genuína concorrência sob o capitalismo
No
mundo capitalista real, é óbvio que tais devaneios sequer são imaginados por
genuínos empresários. Ao contrário de
professores universitários, que em sua maioria jamais sequer brincaram de
lojinha, empreendedores e capitalistas estão muito ocupados tentando imaginar
como ganhar fatias de mercado e satisfazer consumidores — pois só assim obtêm
lucros.
Por
isso, no mundo real, concorrência entre as empresas faz com que os preços de
venda de seus produtos sejam determinados de acordo com os custos totais de
produção mais uma taxa de lucro necessária pra reinvestimentos. Não existe e nem nunca existiu balelas como
“a concorrência faz com que os preços se igualem aos custos marginais.”
Exatamente
pelo fato de esse tipo de redução de preços não ocorrer no mundo real — algo
que só ocorre na cabeça de microeconomistas –, o capitalismo passou então a
ser acusado por seus detratores como sendo inerentemente monopolista e por não
permitir uma genuína concorrência de preços.
Afinal, se a teoria microeconômica prediz uma coisa, mas ela não ocorre,
então é porque o sistema tem de ser imperfeito.
Na
visão de mundo dessas pessoas, não há concorrência de preços pelo seguinte
motivo: se há poucos vendedores no mercado, qualquer um deles que esteja
querendo reduzir seus preços irá antes levar em consideração a possibilidade de
que seus concorrentes também irão reduzir seus preços, para não perder
mercado. Sendo assim, acaba que no final
todos irão desistir da ideia de reduzir preços, e estes jamais serão reduzidos
— muito menos igualados aos custos marginais.
Entretanto,
qualquer observação séria dos fenômenos ao nosso redor comprovará a inverdade
do raciocínio acima. Apenas pense no que
houve ao longo dos últimos anos com os produtos que você consome. Mesmo aqueles que não tiveram seu preço
nominal reduzido — o que seria um verdadeiro feito nessa nossa era de
constante inflação do papel-moeda sem lastro –, apresentaram uma melhora de
qualidade. Mais ainda: hoje você gasta
menos tempo de trabalho para obtê-los.
Como
isso foi possível? Trata-se de um claro exemplo de concorrência de preços.
Mesmo
no atual mundo inflacionário em que vivemos, há concorrência de preços. Cada empresa está interessada em melhorar a
qualidade da mão-de-obra que ela emprega, aumentando a produtividade. Ao fazer isso, ela é capaz de segurar um
aumento nos preços, ou, no máximo, aumentá-los menos que a concorrência (em um mercado competitivo e em expansão,
os preços só aumentam em decorrência da inflação monetária praticada pelo banco
central). Já aquelas empresas
concorrentes que não conseguirem aumentar sua produtividade, ainda assim serão
obrigadas a reprimir um aumento de seus preços, pois se o fizessem perderiam
mercado.
Consequentemente,
se essas empresas menos eficientes quiserem se manter lucrativas e permanecer no
mercado, elas terão de encontrar uma forma de aumentar a produtividade de sua
mão-de-obra. Elas simplesmente não podem
se dar ao luxo de ficar para trás. E
isso é um claro exemplo de concorrência de preços. Qualquer empreendedor de verdade sabe que é
assim que funciona. Aliás, qualquer
pessoa com alguma vivência empreendedorial sabe que é assim que a concorrência
funciona. Aparentemente, é preciso ter
algum doutorado em economia para crer que concorrência de preços significa você
igualar o preço do seu produto ao custo marginal dele, fazendo com que os
preços despenquem a cada minuto.
A
genuína concorrência de preços que ocorre no mercado real não é aquela em que
empreendedores saem reduzindo seus preços tacitamente, na esperança de que tal
ato não será notado por seus concorrentes — de modo que, com isso, ele consiga
ganhar seus clientes. Não. O empreendedor que porventura reduz o seu
preço está perfeitamente cônscio do impacto que isso terá sobre a sua
concorrência. Ele sabe que ela tentará
acompanhá-lo. Ele, porém, sabe que
alguns concorrentes não conseguirão fazê-lo, e é desses que ele quer ganhar
clientes. Mas esse empreendedor só
poderá reduzir seus preços caso sua produtividade seja maior que as dos
concorrentes, pois só assim seus custos de produção serão reduzidos a um nível
que a concorrência não poderá igualar.
É
essa capacidade de reduzir custos de produção que é a essência da concorrência
de preços que há no mundo real.
Uma
cadeia de supermercados, por exemplo, só conseguirá superar seus concorrentes
caso consiga fazer com que seus fornecedores lhe vendam a preços menores. Para tal, esses fornecedores terão de
aumentar sua produtividade, aprimorando a eficiência de sua cadeia de produção. É isso que permite que uma cadeia de
supermercados venda constantemente mais barato que outras e, ainda assim,
apresente um maior lucro.
Mesmo
com o risco de soar repetitivo, vale a pena enfatizar toda a ideia até aqui
apresentada: no capitalismo, a busca por lucros maiores gera contínuas
inovações, as quais aparecem na forma de produtos de melhor qualidade e métodos
de produção mais eficientes (menos custosos).
Um empreendedor só consegue reduzir seus preços — algo que ele vai
fazer talvez apenas uma vez por ano — caso consiga reduzir seus custos de
produção. Ao fazer isso, ele torna-se
capaz de auferir lucros adicionais, os quais ele pode reinvestir para expandir
sua capacidade produtiva. E é essa sua
capacidade de manter baixos custos de produção que o permite se manter um passo
à frente da concorrência — a atual e a potencial –, que fica atraída por
esses lucros mais altos, mas que não consegue igualar a eficiência de custos —
e, consequentemente, os preços baixos — obtidas por esse empreendedor.
A
eficiência na contenção de custos é a essência de qualquer conquista de uma
fatia de mercado. O segredo é saber como
fazer para que sua redução de custos e seu aprimoramento da qualidade dos
produtos vendidos sejam maiores que os de seus concorrentes. Isso é resultado de eficiência, competência e
habilidade. É assim que funciona no capitalismo.
Por que só um livre mercado “otimiza” os
benefícios da sociedade
Apenas
para dar um exemplo prático de como apenas a livre concorrência pode fazer com
que as empresas produzam o máximo possível e de modo a cobrar o menor preço
realisticamente possível por seus produtos, tentemos o raciocínio a seguir.
Imagine
uma indústria qualquer que esteja produzindo 100 unidades de um dado produto. Pode ser uma processadora de alimentos, uma
produtora de equipamentos cirúrgicos, uma montadora de automóveis, ou mesmo uma
companhia aérea ofertando voos. Imagine
que essa indústria não tenha concorrentes.
Se
essa indústria estiver vendendo essas 100 unidades a um preço de $10 cada uma,
sua receita total será de $1.000. Se
essa indústria aumentar sua produção para 105 unidades, e o resultado dessa
maior oferta for uma queda no preço da unidade para $9 (a queda de preço é
necessária para achar consumidores adicionais), a receita total da indústria
será de apenas $945 — uma redução de $55.
Portanto, teoricamente, essa indústria não terá incentivos para aumentar
sua produção.
Porém,
se a entrada no mercado for livre, qualquer empresa concorrente que tenha a
capacidade de produzir apenas essas 5 unidades adicionais (observe que pode ser
uma empresa menor que a nossa indústria em questão), irá obviamente
produzi-las. Se essa empresa concorrente
conseguir produzir 5 unidades a um custo total menor do que $45 — o que lhe
permitiria uma taxa de lucro, caso vendesse cada uma por $9 –, então ela
entrará no mercado. (Pense, por exemplo,
numa Azul concorrendo com a TAM e com a Gol).
Sendo
assim, a indústria, que até então não tinha concorrentes, terá de fazer
alterações em seus planos. Se ela continuar produzindo 100 unidades, cujo preço
unitário agora é de $9, isso vai lhe trazer vultosos prejuízos. Assim, sua única saída é aprimorar seu processo
de produção, reduzindo seus custos e aumentar suas vendas, de modo que as
unidades adicionais que ela venha a produzir (sua capacidade instalada já é de
100 unidades) sejam menos custosas que a da empresa concorrente. Só assim ela
conseguirá reduzir seus preços e, ainda assim, competir com essa outra empresa.
Nesse
caso, a oferta de bens no mercado vai aumentar e os preços inevitavelmente vão
cair. A indústria não tem mais a opção
de produzir 100 unidades a um preço de $10 cada unidade. Sua única opção é entre produzir 100 unidades
a $9 (o que lhe traria prejuízos) ou produzir, digamos, 105 unidades a $9. Ela obviamente terá de optar pela segunda.
Essa
indústria terá de adotar métodos mais eficientes de produção (reduzir custos)
para reconquistar essa fatia de mercado que ela perdeu para a empresa menor.
A
livre concorrência, nunca é demais enfatizar, faz com que novas empresas sejam
atraídas para aqueles mercados que apresentam altas taxas de lucro. Esse processo provoca uma redução de preços,
que reduz essas altas taxas de lucros.
Consequentemente, todos aqueles envolvidos na produção de bens e
serviços tentam a todo o momento encontrar métodos de produção que sejam menos
custosos, na tentativa de voltar a aumentar seus lucros. Com o tempo, esses lucros acabam atraindo
novos concorrentes. E essa concorrência
elimina os altos lucros e faz com que os baixos custos de produção tenham de
ser repassados ao consumidor na forma de preços mais baixos. A contínua busca por lucros leva à descoberta
e à implementação de novos métodos de produção ainda menos custosos, com o
mesmo resultado acima. A consequência é
uma queda progressiva nos preços reais
de todos os produtos. (A queda nominal
nos preços não ocorre simplesmente por causa da inflação monetária praticada
pelo banco central).
Conclusão
Teorias
microeconômicas que acreditam em concorrência perfeita, na qual as empresas
equiparam seus preços aos seus custos marginais, existem apenas nas salas de
aula de universidades e nos manuais de microeconomia.
Entretanto,
infelizmente, essa noção errônea de economia abriu espaço a uma série de
ataques infundados ao sistema capitalista.
Caso
houvesse um genuíno conhecimento de como funciona um livre mercado, clamores
contra fusões e aquisições perderiam todo o sentido. Defesas de medidas antitruste baseiam-se em
um conceito de concorrência tão confuso e irreal, que ele abandona toda e
qualquer referência ao verdadeiro fenômeno da concorrência. Com efeito, o conceito de concorrência dessas
pessoas é na realidade o exato oposto da real concorrência que há em um sistema
capitalista.
Apenas
uma livre concorrência, com um mercado sem barreiras à entrada impostas pelo
governo, pode de fato trazer uma maior oferta de bens e serviços à “sociedade”.
Bom dia Lenadro!\r
Acabo de ler o seu artigo, antes dele li o seguinte artigo: Obom momento da economia brasileira despertou de vez o apetite de grupos estrangeiros por empresas nacionais. Pesquisa da KPMG do Brasil mostra que o número de aquisições de empresas brasileiras por estrangeiros mais do que dobrou no segundo trimestre, passando de 21 transações entre janeiro e março para 56 operações entre abril e junho – o maior número já registrado num segundo trimestre desde 1994, quando o levantamento começou a ser feito. Em todo o primeiro semestre, foram 77 negócios ao todo, um incremento de 64% em relação à 47 aquisições dos primeiros seis meses de 2009. \r
\r
Transações como a entrada da Portugal Telecom na Oi, com a benção do BNDES e dos fundos de pensão, no final de julho, e a fusão da TAM com a LAN, anunciada semana passada e que resultará numa companhia de controle majoritário chileno, comprovam o ostensivo interesse pelo país. \r
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– Fusões e aquisições são operações que precisam de cenários de certa estabilidade, pois exigem investimentos de longo prazo. Com a crise, a partir de 2008, houve um represamento de projeto. Agora, com a perspectiva muito boa para o Brasil, isso muda – diz Luís Motta, sócio da KPMG especialista em fusões e aquisições. \r
\r
Americanos e chineses lideram \r
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Em 2008, quando a crise se fazia sentir mais forte no hemisfério Norte, o executivo lembra que das 663 operações de fusão e aquisição registradas pela KPMG no país, 72% tinham compradores brasileiros. Depois os negócios encolheram. O segundo trimestre, segundo Motta, marca a volta dos estrangeiros ao país, com predomínio de americanos(27) e chineses (10) nas aquisições no primeiro semestre. \r
\r
– Não existe uma desnacionalização e, relativamente, as coisas estão equilibradas, porque as empresas brasileiras estão também num ritmo forte de internacionalização – observa Motta, referindo-se às 38 aquisições feitas por brasileiros no exterior no período. \r
\r
Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), concorda e diz que o que há é um processo de internacionalização da economia brasileira. A maior concentração de estrangeiros, observa, se dá em setores em que a competição cada vez mais se dá em nível global: \r
\r
– A competição internacional, em setores como o das telecomunicações, por exemplo, contempla e demanda por consolidação de empresas devido aos altos investimentos em tecnologia exigidos e à necessidade de escala. \r
\r
Ex-presidente da Sobeet e professor da PUC de São Paulo, o economista Antônio Corrêa de Lacerda ressalta justamente a importância de o país definir estratégias para que a internacionalização de sua economia se dê de forma saudável. Corrêa cita o fato de que ter sócio estrangeiro implica na remessa de dólares para fora, que afeta as contas do país. Mas o principal desafio consiste em garantir que a operação brasileira participe dos projetos de desenvolvimento e inovação definidos pelas matrizes que aqui se instalam com as aquisições de empresas locais. \r
\r
– A internacionalização traz desafios e o risco que corremos é ficar à margem das inovações, como meros fabricantes de produtos – diz Lacerda, que também rechaça a visão de um processo de desnacionalização no país. \r
\r
– As empresas brasileiras estão se internacionalizando também. É a mesma face do mesmo processo. É um jogo de mão dupla. \r
\r
\r
Voltei:\r
Algumas duvidas me ocorrem:\r
Houve um aumento no consumo, devido principalmente a alavancagem, certo?\r
Há um grande aumento do individamento da população.\r
Há um endividamento publico crescente.\r
Existe uma candidata a presidente que promete a seus militantes atitudes contrarias ao livre comercio.\r
Porque estão vindo comprar empresas nacionais?\r
Grato\r
Amauri
Mises tratou sim desta questão. Por exemplo, em seu livro “Liberalismo”, ele admite que no livre mercado, com o desenvolvimento do capitalismo, a tendência é a concentração poucas firmas num ramo de produção ou uma única firma.
Prezado Amauri,
Tudo o que você disse está correto. Porém, a percepção dos investidores lá fora – e nisso eles estão corretos – é a de que haverá um aumento da demanda interna aqui dentro, com aumento da renda e, consequentemente, do consumo.
Se tal aumento será sustentável ou não, é algo que não lhes interessa agora. O que lhes interessa é que, no momento, há uma ótima oportunidade para se ganhar dinheiro aqui dentro a curto prazo. E como o resto do mundo está em recessão, com demanda reprimida e endividamento alto, então o capital flui para os países em desenvolvimento, onde a expectativa de aumento do consumo é maior do que lá fora. O Brasil é um destes países.
Eles estão vindo pra cá mais é por falta de oportunidade mesmo.
Porém, é curioso notar como esse pessoal daqui fica entusiasmado com tão pouca coisa. Faça uma viagem aos tigres asiáticos, ou até mesmo à China, e você verá o tanto que somos provincianos. Apenas uma olhada na infraestrutura de lá já lhe permite concluir para onde está indo o real investimento em capital bruto. Os aeroportos de Hong Kong, Cingapura e Xangai deixam qualquer aeroporto americano com um aspecto de favela. A coisa é magnânima mesmo. Da mesma forma, qualquer aeroporto do Leste Europeu é superior ao aeroporto de Guarulhos em todos os aspectos. O aeroporto de Praga, por exemplo, é excelente. A infraestrutura urbana dos asiáticos, então, parece coisa de outro planeta.
Ou seja, é nesses países que está o capital genuíno, o capital fixo. É ali que está a infraestrutura. Aqui, por enquanto, está havendo só especulação mesmo. Não há investimento real. Há só o PAC, que vem conseguindo a façanha de piorar tudo.
Abraços!
Prezado Anônimo, sugiro uma releitura mais atenta do referido livro. Aqui vai, capítulo 2 seção 7. A explicação de Mises é exatamente contrária ao que você disse.
mises.org/books/liberalism.pdf
Prezado Leandro
Eu comprei este livro traduzido pelo Haydin Coutinho Pimenta, do Instituto Liberal, e editado pela José Olympio Editora, e já lí 102 páginas dele, já estou lendo a pare em que ele fála sore a burocratização, tenho de continuar lendo o restante do livro para concluir a leitura, mas já passei pela parte citada por você e é exatamente neste parte que ele diz isso. Se insistir eu lhe envio.
A concorrência só é perfeita, se todos os competidores utilizarem suas forças ecnômicas livremente. É inutil falar em concorrência, se o governo está ajudando os mais fracos. A concorrência perfeita é concorrência total, valendo tudo: “ao vencedor as batatas!”
Boa tarde Leandro\r
Grato pelo rapido retorno.\r
Dois pontos que gostaria de sua opinião:\r
1) Nos países citados por voce sobre infraestrutura, por lá este item é realizado pelo setor privado?\r
2) Saindo do assunto: os jornais estão divulgando que o valor de mercado da Vale ultrapassou o da Petrobras. Pergunta: O valor de mercado é o valor que se um empresario comprar vai pagar ou, este valor é o valor na bolsa?\r
Grato mais uma vez.\r
Amauri
Prezado Amauri,
1) Não acredito que toda a infraestrutura seja 100% privada no Leste Europeu. Na China certamente não é. Já nos Tigres Asiáticos eu não tenho a menor ideia. O mais provável é que tenha havido alguma Parceria Público Privada.
Mas a questão é que o fato de a infraestrutura desses lugares ser boa já um indicativo inequívoco de que é para lá que está indo o capital. Afinal, governo não tem capital. Ele, no máximo, promete um ambiente de retorno àqueles que investirem ali seu capital, seja num empreendimento 100% privado ou seja numa parceria público-privada.
Mesmo uma obra que fosse 100% feita pelo governo (o que não é o caso em questão, mesmo na China), ainda assim o governo teria de estar utilizando bens de capital de alguma indústria privada, seja ela nacional ou estrangeira. Quanto maior a qualidade da obra, maior o indicativo da qualidade dos bens de capital utilizados. E isso, por sua vez, é um indicativo do nível de investimento da economia local.
Aqui no Brasil o pessoal fica mesmerizado com qualquer obra tapa-buraco, ou com uma ponte estaiada qualquer, ou mesmo com um rodoanel.
2) Valor de mercado é apenas o valor da ação daquela empresa na bolsa multiplicado pelo número de ações existentes. Ou seja, em termos populares, é o valor na bolsa.
Abraços!
Anônimo, não precisa me enviar o livro. Estou com o original aqui na minha frente, que aliás é o mesmo do link que lhe passei acima. A menos que meu inglês esteja escabroso, o que estou lendo ali é o oposto do que você afirma que Mises disse.
Leandro
Tive uma aula hoje de microeconomia e passamos exatamente por esse ponto que você comentou. P*=Custo Marginal.
Só que o professor não se referiu a nada de ótimo social. Ele só demonstrou que no longo prazo as empresas não conseguem manter esse preço acima do seu custo marginal porque como o mercado é altamente competitivo, outras empresas irão perceber e entrar nesse mercado, trazendo o seu preço para baixo, até que atinja o mesmo valor do custo marginal. E não que eles baixaram seus preços para atingir o ótimo social porque são benevolentes.
Acho que você se colocou de maneira meio errada nessa questão.
Outra coisa que não concordei foi quando você diz que:
“Por isso, no mundo real, concorrência entre as empresas faz com que os preços de venda de seus produtos sejam determinados de acordo com os custos totais de produção mais uma taxa de lucro necessária pra reinvestimentos. Não existe e nem nunca existiu balelas como “a concorrência faz com que os preços se igualem aos custos marginais.”
Foi exatamente isso que ele falou, que os preços são determinados pelos custos de produção mais uma taxa de remuneração para ter lucro econômico. Repito, lucro econômico, e não lucro contábil, portanto tem que ser descontado o custo de oportunidade. Só que dentro dos pressupostos da teoria da competição perfeita, esse lucro econômico por definição não é sustentável no longo prazo (outros entrarão no mercado, trazendo este lucro econômico para zero, onde P=CM, até porque eles são aquele mercado), a não ser que a firma inove mais do que as outras e consiga atingir custos marginais menores do que o restante.
Prezado Bruno, você fez uma ligeira confusão.
A questão do “ótimo social” está implícita na teoria que condena uma concentração de mercado que gere preços fora dessa igualdade (preço = custo marginal). Segundo a teoria, qualquer arranjo de mercado que gere preços fora dessa igualdade (preço = custo marginal) é um arranjo operando fora de seu ótimo social. Não é invenção minha, isso está nos livros de micro.
Ademais, em momento algum eu disse que as empresas baixam seus preços porque são benevolentes! Não entendi de onde você tirou isso.
Outra coisa: dizer “outras empresas irão perceber e entrar nesse mercado, trazendo o seu preço para baixo, até que atinja o mesmo valor do custo marginal” é simplesmente lunático. Absolutamente nenhuma empresa faz isso. Nenhuma empresa precifica de acordo com o custo marginal. É justamente essa a crítica da teoria.
E isso vale também para a última parte da sua postagem.
Grande abraço!
Então, qual é a importtância do Marketing para a EA?
Leandro, eu estou tendo uma dúvida sobre esse tema da concorrência perfeita. Pelo seu conceito e o da Wikipedia, a ideia de concorrência perfeita gira em torno do fato dos custos marginais se igualarem aos preços. Mas pesquisando por ai, eu vi definições bem diferentes, como:
“As a positive model, the core of perfect competition is a market in which
the goods and services are homogeneous8; each firm is so tiny that it produces
so insignificantly small a proportion of the total output that any
increases in its offerings cannot effect price even by a minuscule iota9; and
full information is available to all market participants about all goods and
services.10″
Essa definição parece bem diferente da que você trabalhou (embora seja igualmente irreal). Pergunto, tanto a sua como essa definição são equivalentes? Se sim, como?
Muitos falam que no liberalismo favorece o surgimento de carteis e trustes. A estratégia mais mencionada por eles é esta:
– A grande empresa Blim (ou o conglomerado, como queiram) quer derrubar a empresa Plum. Para isso, a Blim se utiliza de recursos excedentes para derruba o preço dos seus produtos para valores que não cobrem o custo de produção.
– Durante alguns meses, a Blim tem prejuízos enormes, mas mesmo assim consegue tirar a empresa Plum do mercado, pois todos compraram os produtos da Blim.
– Com a Plum fora do mercado, a Blim pode aumentar os preços como bem entender.
O que eu faria se fosse um empresário? Ora, uma estratégia simples:
– Eu sou dono da Trunt, que não concorre diretamente com a Blim. Por isso, durante um pouco de tempo, junto recursos e vou investindo secretamente para concorrer com a Blim, mas não o faço diretamente e abertamente.
– Eu abro uma empresa subsidiária, a Crickt, relativamente pequena, só para concorrer com a Blim, como uma marca menor. Eu começo a vender produtos mais baratos e melhores que os da Blim.
– A Blim passa a adotar sua estratégia de me tirar do mercado baixando demais seus preços e tendo prejuízos seguidos.
– A Crickt vai segurando as pontas até eu perceber que a Blim está começando a sofrer com falta de recursos e não pode manter essa estratégia por mais tempo.
– Eu espalho que vou sair do mercado da Blim, tirando a Crickt do mercado.
– O dono da Blim fica muito feliz porque acha que agora tem novamente o monopólio.
– Aqui que vem o golpe fatal: eu, na verdade, nesse meio-tempo estava desenvolvendo produtos muito melhores e pesquisando formas de baratear muito o meu custo de produção. Dessa vez, eu lanço a nova linha de produtos e entro de sola no mercado.
– A Blim pode até tentar me derrubar com a mesma estratégia de vender com prejuízos, mas ela está descapitalizada e gastou seu tempo e dinheiro para me derrubar ao invés de tornar seus produtos melhores e mais baratos. Resumindo: ela ficou para trás e não está mais na dianteira.
Lembrem-se, também, de que, quando uma empresa fica grande demais, ela também carrega consigo seu próprio peso, e pode tornar-se mais lenta e mais ineficiente. Se ela passar a gastar seu tempo só achando formas desleais de acabar com a concorrência, ela pode ficar obsoleta rapidamente.
O artigo parte de uma base correta ao criticar os críticos das Fusões. Mas o grande erro deles está em solicitar a intervenção do governo e não em citar a concorrência perfeita. No limite, concorrência perfeita = livre concorrência.
As críticas à teoria microeconômica foram mal feitas e o autor não sabe diferir lucro econômico, lucro contábil, custo de oportunidade e diferentes tipos de monopólios. O exemplo dos pescadores foi mal formulado, se a pesca render peixes excedentes, eles nunca serão conseguidos a preço zero, sempre há o custo fixo a ser recuperado, assim como o custo marginal não é o custo do último produto, mas o custo que a empresa incorreria para produzir mais um exemplar. Ora, no exemplo a demanda era limitada porque? O consumidor de outras áreas não estarão dispostos a pagar um pouco menos por uma unidade adicional de peixe?( e assim por diante).
Dizer que o capitalista busca vender a um preço que cubra seus custos de produção mais um lucrinho pra reinvestir e comprar casa pra família é exatamente o que diz a teoria microeconômica. Em micro, o custo de oportunidade do empresário/administrador já está incluso, o que seria seu pró labore. Dizer isso, tambem é o mesmo que negar que exista o mercado de crédito, pois se o empresário necessita desse reinvestimento, é o mesmo custo do capital, incluso na teoria micro.
O problema da Teoria Micro é que quando ela aborda monopólios, ela apenas diz que o monopólio está instalado e pronto. se considerarmos total liberdade de entrada no mercado, livre informação, mesmo custo de capital etc, a empresa monopolista terá que praticar preços muito próximos da concorrência perfeita. A bem da verdade, esse monopólo já seria concorrência perfeita com uma empresa só.
"No limite, concorrência perfeita = livre concorrência."
No conceito austríaco, sim. No microeconômico convencional, não. E isso não é opinião minha. É só ler a teoria.
"As críticas à teoria microeconômica foram mal feitas"
É mesmo? Pra começar, eu não falei de "teoria microeconômica", com essa abrangência toda. Falei apenas da teoria da concorrência perfeita. Com isso em mente, prossigamos para seus argumentos.
"o autor não sabe diferir lucro econômico, lucro contábil, custo de oportunidade e diferentes tipos de monopólios."
Só se você tiver entrado em minha mente para decifrar isso, pois em momento algum no artigo tais conceitos são colocados em cheque ou comparados. Sequer são mencionados.
"O exemplo dos pescadores foi mal formulado"
Será? Vamos ver seus argumentos.
"Se a pesca render peixes excedentes, eles nunca serão conseguidos a preço zero, sempre há o custo fixo a ser recuperado."
Correto. E? Onde o artigo nega esse fato?
Prossigamos. Até agora, o primeiro espantalho já foi contabilizado.
"assim como o custo marginal não é o custo do último produto, mas o custo que a empresa incorreria para produzir mais um exemplar."
Está escrito explicitamente no artigo: "custo marginal é o custo da mão-de-obra, dos materiais e da energia utilizados para produzir uma unidade adicional de um produto".
Ou seja, você inventou um conceito que eu não utilizei apenas para me atacar. Já são dois espantalhos.
"Ora, no exemplo a demanda era limitada porque? O consumidor de outras áreas não estarão dispostos a pagar um pouco menos por uma unidade adicional de peixe?( e assim por diante)."
Quem falou em demanda limitada?! O artigo fala claramente em oferta voluntariamente restringida pelos produtores. Gentileza clarificar suas ideias antes de fazer críticas. Três espantalhos.
"Dizer que o capitalista busca vender a um preço que cubra seus custos de produção mais um lucrinho pra reinvestir e comprar casa pra família é exatamente o que diz a teoria microeconômica."
Não a teoria da "concorrência perfeita", da qual, repito, o artigo trata com exclusividade. O artigo, e sou obrigado a repetir mais uma vez, não trata de "teoria microeconômica", conceito este totalmente abrangente. Ele trata apenas da teoria da "concorrência perfeita", a qual é explícita em afirmar que o lucro é zero.
Insisto: domine melhor uma teoria antes de querer criticar um crítico desta teoria.
Grande abraço!
A escola de chicago defende esse conceito rídiculo de “concorrência perfeita”? Que decepção…\r
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E aguardo a nova resposta do heisenberg.. hahahah
George Orwell certa vez disse que algumas ideias são tão insensatas, que somente um intelectual poderia acreditar nelas.
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Poderiam escrever um artigo resposta a este: A falsa soberania do consumidor no mercado capitalista e o fetichismo da publicidade – revistaespacoetica.com.br/2015/01/15/a-falsa-soberania-do-consumidor-no-mercado-capitalista-e-o-fetichismo-da-publicidade/
Imagino que é justamente essa ideia equivocada, refutada brilhantemente pelo texto, que paira na cabeça de gente como Ciro Gomes.
A ampla oferta de petróleo e derivados a preços baixos (abaixo da cotação internacional) é direito de qualquer cidadão brasileiro.