A eleição presidencial deste ano promete ser, de
longe, a pior e mais estupidificante já vivenciada pelo povo brasileiro.
Não que as eleições anteriores tenham sido grandes coisas, muito pelo
contrário. Porém, em todas elas, havia ao menos algum discurso ou
comportamento um pouco mais interessante, algo que destoava um pouco do
inconsciente estatizante que sem dúvida irá dominar a eleição atual.
As eleições de 1989 até hoje foram as
melhores. Com um governo que usufruía módicos 7% de aprovação, todos os
22 candidatos eram obrigatoriamente do contra. É claro que era possível
ser contra Sarney à direita e à esquerda. E havia uma ampla leva daqueles
infatigáveis seres ansiosos para trazer o Muro de Berlim para cá. Porém,
também havia aqueles que falavam coisa com coisa — e em uma quantidade que
jamais se repetiu.
Afif, cujo plano econômico havia sido elaborado
pelo economista Paulo Guedes, era de longe o melhor. Era o único, aliás,
que demonstrava entender genuinamente as causas das mazelas econômicas que
afligiam o país à época. Fernando Collor, por sua vez, apresentava um
discurso que falava abertamente em privatizações, redução do estado e cassação
de marajás, algo proibitivo hoje em dia. Liberal demais. Pena que
após sua posse, o carioca-alagoano — que subiu a rampa do Palácio do Planalto
bufando modernidade — resolveu entregar o comando da economia a uma
ex-integrante do PCB. O resultado não poderia ter sido outro. Por
fim, até mesmo Ronaldo Caiado tinha algumas ideias modernas.
Em 1994, FHC teve de adotar um discurso mais
liberal para se contrapor ao seu rival petista, que ainda sonhava com
Cuba. O mesmo ocorreu em 1998. Em 2002, foi a vez do PT mostrar que
estava ficando racional, o que trouxe um certo frescor. Mesmo em 2006
houve alguns (poucos) bons momentos no primeiro turno, nem que fosse a
participação de Luciano Bivar, do PSL. No segundo turno, é verdade, a
coisa degringolou geral.
E é nesse espírito que começará a campanha
presidencial deste ano. Dos quatro principais candidatos, todos têm DNA
100% de esquerda. José Serra foi trotskista na juventude e é de formação
econômica cepalina. Atualmente é pós-keynesiano.
Dilma Rousseff é de formação stalinista e, em sua juventude, participava de
assaltos a bancos e praticava invasão de domicílios. Ainda não se sabe o
que ela defende atualmente, pois não tem vida própria. Lula manda, ela
obedece. Marina Silva, como toda ambientalista, apenas limita-se a
repetir chavões sobre ‘sustentabilidade’, ‘desenvolvimento responsável’ e
xaropadas afins. Finalmente, há a imperecível figura de Plínio de Arruda
Sampaio, cujas ideias, que exalam naftalina, fazem com que Robert Mugabe pareça
moderado. E, como bom comunista, obviamente não dispensa o luxo: mora no
bairro Alto de Pinheiros, São Paulo, ao mesmo tempo em que defende o confisco
da propriedade dos “ricos”.
Com a iminência do horário político, que será um
verdadeiro tormento para os seres inteligentes pelos próximos dois meses, o IMB
vem a público com a missão de poupar o leitor da aflição de ter de se informar
sobre o programa econômico dos nobres candidatos. Aqui vai um breve
compêndio de como pensam as esclarecidas mentes destes quatro adoráveis seres
que estão ávidos para comandar a sua vida e a economia pelos próximos quatro
anos.
José Serra
Comecemos por José Serra. Este talvez seja o
portador do enigma mais transcendental da política brasileira. Como pode
um indivíduo de passado trotskista e presente keynesiano ser considerado o
candidato liberal? Mais ainda: por que um homem claramente de esquerda é
odiado mortalmente pela ala esquerdista da sociedade brasileira?
A resposta à primeira pergunta é fácil. Na
falta de um discurso genuinamente liberal, pega-se para ocupar esta vaga o
representante do partido cujos membros são vistos pela mídia como sendo os
menos esquerdistas. Desculpem a simplicidade da explicação, mas a
resposta à primeira pergunta de fato é esta.
Quanto à segunda pergunta, sua resposta exige um
pouco mais de aprofundamento histórico.
A explicação simples, porém direta, é uma
só. Não é novidade alguma que o cenário político brasileiro está dividido
entre duas e apenas duas forças: comunistas e social-democratas. Esquerda
e esquerda. Qualquer coisa à direita disso está veladamente
proibida. A disputa entre uma direita e uma esquerda, ambas moderadas, é
a essência de qualquer democracia europeia, americana ou mesmo colombiana e
chilena. Mas, no Brasil, a coisa é mais progressista. A disputa se
dá apenas entre os espectros à esquerda do centro.
E é aí que vem a resposta: enquanto que nas
democracias consolidadas esquerda e direita brigam dentro das regras,
historicamente a briga entre social-democratas e comunistas sempre foi coisa
feia. Onde quer que essa briga tenha dominado o palco, houve carnificina.
Na Rússia, os comunistas trucidaram os social-democratas, impondo o
regime leninista. Já na Alemanha ocorreu o contrário, e, após a chacina,
o vácuo deixado pelos comunistas foi ocupado pelo populismo nazista.
Como no Brasil não há direita, nem conservadorismo
e muito menos liberalismo, qualquer social democrata de maior expressão
imediatamente ganha essa pecha. E, ato contínuo, recebe toda a fúria das
esquerdas originadas de movimentos comunistas, como é o caso do PT. E não
adianta: quanto mais o sujeito tenta aquiescer, quanto mais ele tenta
conciliar, mais fúria ele atrai.
Por mais que o sujeito defenda programas sociais
politicamente corretos, por mais que ele defenda banco central imprimindo
dinheiro para baixar os juros na marra (medida essa que, na verdade, acaba
tendo o efeito oposto, algo que keynesiano nenhum entende), por mais que ele
defenda crédito fácil e subsídios, por mais que ele defenda o aumento de gastos
e investimentos estatais, por mais que ele faça tudo isso, não tem jeito: ainda
assim o coitado não consegue o amor das esquerdas.
Justamente por não ser um genuíno conservador ou
mesmo um liberal light, mas apenas um social democrata, ele é capaz de
materializar toda a fúria esquerdista contra si próprio.
E quando olhamos seu plano de governo, vemos que
ele de fato vem se esforçando ao máximo para agradar essa esquerda que tanto o
odeia. Já disse que vai criar mais dois ministérios, sendo um deles
voltado para os deficientes físicos (como se um bando de burocratas
encastelados em Brasília e comendo dinheiro público ajudasse em alguma coisa um
sujeito numa cadeira de rodas vagando pelas ruas de Pirassununga). O
outro ministério seria voltado para a segurança pública. Esse, sim,
promete ser um monumental ralo de dinheiro público, pois os recursos certamente
nunca serão o suficiente para dar sequência à imbecil guerra às drogas, por
exemplo.
Aprofundando-se ainda mais em seu esforço, o
cepalino prometeu duplicar o Bolsa-Família. Atualmente, o
programa atende 12,6 milhões de famílias. A meta serrista é elevar esse
número para parcas 27,6 milhões de famílias. Ora, se imaginarmos que cada
família pobre é formada por pelo menos 4 pessoas, teremos então que num
eventual governo Serra nada menos que 110 milhões de pessoas estarão recebendo
dinheiro diretamente do governo. Se a esses números acrescentarmos o
número total de funcionários públicos, tanto na ativa quanto aposentados, que
até lá já estarão beirando os 11 milhões, temos que nada menos que 121 milhões
de pessoas serão “empregadas” do governo. Algo, no mínimo,
soviético. Sem dúvida, é assim que um país enriquece.
Mas, calma!, ainda tem mais. O social
democrata também prometeu criar um tal Bolsa-Adolescente,
que, segundo ele, seria uma ajuda para que jovens concluam o ensino
profissionalizante e entrem no mercado de trabalho. Mais um pouquinho e
ainda vão criar uma lei declarando a obrigatoriedade de se fornecer um emprego.
Ah, sim: segundo o próprio, tal programa está na
origem dos programas sociais do governo Lula. Ambos duelam pra ver quem
fez mais “pelo social”, para ver quem é o mais progressista.
Em termos puramente econômicos, no que tange ao
papel do estado na economia, Serra já deixou claro em várias entrevistas que
acredita no “ativismo estatal”, com um governo regulando rigidamente
a atividade econômica e investindo em infraestrutura. Meio que para
contrabalançar essas posições explicitamente interventoras, e também para não
assustar tanto a sua base eleitoral, formada predominantemente por
antipetistas, o tucano sempre recorre ao inefável “tucanês”, e diz
que a estrutura do estado deve ser “eficiente” — o que significa que
dá para “fazer mais com menos recursos.” (Normalmente tal frase é
pronunciada com o punho fechado, demonstrando o vigor da ideia).
Isso significa que Serra irá cortar gastos?
De modo algum. Corte de gastos é palavra proibida no vernáculo
social-democrata, “pois causa muito sofrimento”. Ademais, temos
de admitir, seria muita maldade parar de financiar amostras culturais,
festivais de curta-metragem e algum grupo de teatro avant-garde (social democrata que se preze é fluente
em francês). No máximo, com muito esforço, Serra concede que é preciso diminuir o ritmo do aumento dos gastos. E estamos
conversados.
Por fim, há aquele área que faz todo
pós-keynesiano salivar: crédito, juros e bancos públicos. Nesse quesito,
Serra garante que não haverá parcimônia. Juros baixos, concessão de
crédito subsidiado via BNDES e bancos estatais estão na pauta do programa
keynesiano tucano.
Privatizações? Nada. O debate atual
passa longe da necessidade de novas privatizações. A única discussão
permitida é perguntar por que o PT não desfez as privatizações que foram feitas
pelo governo FHC…
E esse é o candidato liberal. Analisemos
agora sua rival.
Dilma Rousseff
Dilma Rousseff defende as mesmas políticas
econômicas de Serra, porém é mais explícita em seu programa. Sabemos que
ambos vão aumentar os gastos, porém a petista não esconde que fará um
“reaparelhamento da máquina estatal”, com a “valorização do
funcionalismo público”, sendo que essa sempre foi historicamente a base
eleitoral do PT. Para ela, aqueles que falam que existe inchaço na
máquina estatal são necessariamente defensores de um estado mínimo utópico.
Para Lula, um bando de criminosos sem alma e sem piedade.
Caso Dilma seja eleita, prepare-se para sustentar
um exército de marajás que desfrutarão aposentadorias de R$ 18 mil e que
ganharão R$ 13 mil para serviços básicos. E contenha-se, leitor: se você
ficar irritado por ter de pagar salários magnânimos para parasitas, trata-se de
uma postura criminosa. Essa política, vale ressaltar, será uma mera
continuação da política iniciada por Lula ainda em seu primeiro mandato.
Em um possível governo Dilma, ela própria já garantiu
que não apenas não venderá nenhum bem governamental, como também fortalecerá
estatais como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES.
Para contrabalançar, Dilma costuma dizer que irá
diminuir a carga tributária sobre a folha de salário e sobre os setores
energético e de remédios. Por que isso sequer foi discutido nos oito anos
do governo do qual ela participou integralmente é algo que não deve ser
perquirido, pois há o sério risco da candidata se embananar nas respostas.
E quando isso acontece — isto é, quando a petista
tenta formular alguma frase — é um Deus nos acuda. As sentenças não
fecham, o raciocínio é torto e confuso, e o discurso não flui, perdendo-se em
intermináveis anacolutos.
Como seus marqueteiros já lhe disseram que ela não
pode atacar e nem defender nenhum programa em específico (por exemplo, ela não
pode desagradar aos ambientalistas e nem ao MST, mas também não pode hostilizar
os ruralistas e os pequenos proprietários de terra), a coitada fica perdida e
acaba dando respostas impossíveis, na vã esperança de que a embromação irá
fazer o espectador crer que ela tem um pensamento percuciente, opalescente,
refletido, pautado pelo rigor e pela temperança.
Em termos monetários, não há por que imaginar que
ela pense diferente de Serra, embora seja bem possível que ela venha a manter
Henrique Meirelles no Banco Central, apenas para manter a confiança dos tais
“mercados”.
Por fim, vale lembrar que Dilma sempre gostou de
enfatizar que o estado deve defender o “interesse nacional” e “a
emancipação do povo brasileiro”. Tradução: o governo vai encher o
BNDES de dinheiro para que este dê empréstimos subsidiados às grandes empresas,
cujos donos possuem ligações estreitas com o governo (o dono de uma famosa
cadeia de supermercados não virou um entusiasta petista à toa). A ideia é
criar um conglomerado de empresas nacionais que serão verdadeiras potências
mundiais, com o objetivo de dominar o mundo. É o velho conluio entre
estado e grandes corporações, política essa inventada por um cavalheiro chamado
Benito Mussolini.
O problema é que, como o BNDES vem sendo
financiado diretamente pelo Tesouro — que está vendendo títulos da dívida e
dando o dinheiro arrecadado para o BNDES –, isso significa que, para manter
esse socialismo para os ricos, a carga tributária e os fardos regulatórios
sobre as pequenas empresas terão de seguir aumentando (afinal, alguém precisa
pagar pela farra).
Curiosamente, eis aí um arranjo que não só nenhum
partido político condena, como na verdade todos aprovam. Afinal, são
esses barões que, em troca do financiamento camarada do BNDES, irão encher de
dinheiro os cofres desses partidos.
O imenso espaço que isso abre no cenário nacional
para que algum partido faça um discurso genuinamente libertário em defesa das
pequenas empresas e contra subsídios e regulamentações não tem quem o
preencha. E é assim que chegamos ao inevitável arranjo que hoje domina a
economia brasileira: subsídios e regulamentações sempre prejudicando a vida das
pequenas empresas, e dando vantagens injustas para as grandes empresas. E
depois ainda acham estranho que as pequenas empresas paguem salários baixos…
Marina Silva
O que nos leva à senadora Marina Silva, que tinha
potencial para adotar, nem que fosse de forma fingida, esse discurso.
O problema é que a senadora parece um semáforo: às
vezes está verde, às vezes está vermelha. (Se bem que há pouca diferença
entre ambas as cores. Os vermelhos querem abolir a busca individual do
lucro e da felicidade pois acham que tal comportamento gera exploração,
monopólios e pobreza contínua. Já os verdes querem aboli-lo pois acham
que ele gera chuva ácida, destruição da camada de ozônio e aquecimento global).
Quando está verde, a senadora é inócua. Tudo
o que ela consegue com seus intermináveis discursos sobre a necessidade de
termos mais moinhos de vento e menos hidrelétricas é atingir aquela inocente
dignidade do ridículo.
Após 3 minutos de falatório — no qual o
espectador é seriamente desafiado a mostrar que não sofre de Distúrbio de
Déficit de Atenção –, a senadora já descarregou uma pletora de substantivos
abstratos, recheados com vários termos técnicos modernosos sobre meio ambiente
e perfeitamente adornados por aquele linguajar poético que mistura o jacaré-do-peito-amarelo,
as populações indígenas, os sedimentos e as licenças ambientais. Tudo
isso, é claro, cuidadosamente expressado naquele idioma diretamente saído do
manual da agenda politicamente correta do novo milênio.
Aquela figura de aparência frágil e beata, com voz
um tanto sumida, ajuda uma enormidade a aumentar toda a mística em seu entorno,
blindando-a da necessidade de quaisquer explicações mais aprofundadas. Em
uma entrevista dada ao programa Roda Viva, a senadora foi perguntada sobre política
econômica. Qual seria a dela? Iria manter Henrique Meirelles no
Banco Central? A resposta foi um sorriso cândido e vitorioso, típico
daqueles que enxergam a política em outro patamar. O que Marina deu a
entender é que essas preocupações são mundanas demais, e já estão devidamente
superadas. O que importa é a nova agenda do milênio, isto é, a
sustentabilidade. Todo o resto é conversa fiada. Parodiando
Fernando Pessoa, em um hipotético governo Marina, mordomos invisíveis seriam
encarregados da administração da casa enquanto ela se dedicaria inteiramente
aos “temas do futuro”, que é o que importa.
Ou seja, quando está verde, a senadora é
inócua. Porém, quando muda pro vermelho, a coisa fica mais séria. E
de modo contraditoriamente engraçado. Perguntada sobre redução de
impostos, ela manda ver: “Eu disse que aumentar, não. E, se
possível, reduzir. Temos que criar os meios para a redução”.
Porém, logo após prometer que não irá aumentar impostos, a digníssima arremata
dizendo que irá elevar impostos sobre “indústrias poluidoras” e que
irá também promover a unificação do ICMS, numa clara intervenção federal na
soberania dos estados — se é que existe alguma.
Tudo o que a economia mais precisa é que o governo
imponha custos extras sobre as indústrias e que os estados mais pobres tenham
seus ICMSs equiparados aos dos estados mais ricos. Aparentemente a
senadora ignora o fato óbvio de que esses custos extras repercutirão nos
investimentos e, consequentemente, nos bens produzidos e nos salários pagos por
essas empresas. Mais ainda: a unificação do ICMS seria péssima justamente
para os estados mais pobres. Afinal, sendo o custo tributário estadual o
mesmo, por que abrir fábricas em locais mais atrasados se é possível desfrutar
da mão-de-obra e das comodidades dos locais mais ricos?
Sim, de vez em quando ela fala que está preocupada
com o aumento da dívida. A solução? A mesma de Serra: reduzir o ritmo de aumento dos gastos. Ambos creem que,
dessa forma, o PIB irá crescer proporcionalmente mais que os gastos, reduzindo
a dívida. É tudo na base do achismo, sem qualquer sustentação
teórica. Afinal, por que achar que o PIB vai crescer mais que o ritmo de
aumento dos gastos? “Tudo dando certo, o endividamento tenderá a
ficar menor em relação ao tamanho da economia, com o passar do tempo”,
disse um assessor.
Entendeu? “Tudo dando certo…”.
Tudo dando certo, eu posso pular da janela, voar
até a lua e ainda voltar a tempo do almoço. E é isso que hoje em dia se
passa por plataforma econômica…
Os nanicos
Mas não se desespere! Caso ainda esteja
insatisfeito com essas três distintas opções, nossa democracia pluralista
permite que você possa escolher entre uma gama de partidos nanicos, cujas
plataformas são extremamente diversificadas, indo desde a implementação da
política econômica da Albânia da década de 1980 (aquela maravilha em que as
pessoas, de tão desesperadas, se jogavam ao mar utilizando toras de árvore como
bóias) até a restauração do regime maoísta.
Por exemplo, Plínio de Arruda Sampaio e seu P-SOL.
Eis aí um partido fundado inteiramente pela ala xiita do PT, com quadros
majoritariamente vindos do PT gaúcho e paulista, os mais radicais. Seus
membros defendem desavergonhadamente a tomada da propriedade dos meios de
produção.
Muitos dizem que Plínio é um sujeito caricato
demais e, logo, inofensivo. Ledo engano. Embora suas chances sejam
nulas, o fato é que sua simples presença na campanha serve a um propósito muito
mais avançado, a uma estratégia muito bem bolada: seu discurso de extrema-esquerda
serve para deslocar o fiel da balança para essa direção, fazendo com que
qualquer discurso mais à direita do PSDB seja visto como radical. Com o
fiel da balança violentamente girado para a esquerda, o lugar nominal do que
seria a “direita” foi ocupado pelos tucanos, os quais na Europa
seriam vistos como um partido social democrata qualquer — e, naturalmente, de
esquerda.
Com esse o quadro de opções políticas
completamente falseado, a hipótese de um discurso genuinamente liberal se
tornou inviável e inconcebível no Brasil.
Conclusão
Pronto. Eis aí a nossa democracia em
ação. Eis aí a plataforma política de nossos potenciais chefes de
governo.
Estranhamente, ninguém vê esse processo como uma
anormalidade. Ao contrário: as pessoas, inclusive os bem pensantes, veem
aí uma saudável demonstração de pluralidade democrática. Para a mídia e,
principalmente, para o establishment universitário, o Brasil está perfeitamente
dentro do espectro político aceitável, com partidos que vão desde a
extrema-esquerda, de um lado, até a democracia socialista, do lado
oposto. E só. Acabam por aí as opções. Mesmo a
social-democracia escandinava, com sua economia privada altamente
desregulamentada, pouca burocracia, inexistência de salário mínimo e de bancos
estatais, e com ampla liberdade comercial, não possui representantes por aqui.
Mises sempre dizia que, para poder sobreviver, o
ser humano precisa ser capaz de pensar, precisa saber usar corretamente suas
faculdades mentais. Pelo visto, os brasileiros há muito já terceirizaram
essa função. Hoje, quem pensa pela população são a mídia e os
intelectuais universitários. E isso ajuda a explicar por que o país é uma
fonte tão escassa de pensamento original e significativo.
Isso é realmente assustador. E o que é ainda
mais apavorante é ver que mesmo o universo intelectualmente independente —
incluindo-se aí blogueiros famosos e muito lidos, professores de economia com
grande reputação, historiadores e filósofos, e todos os outros campos direta ou
indiretamente ligados à política — está predominantemente contaminado pelo
mesmo nível de ignorância, o que o impede de identificar esse mesmo problema
nos candidatos. Aparentemente estamos vivendo em uma sociedade cuja
cultura econômica é comparável a uma mesa de sinuca, na qual bolas de bilhar
inconscientes se colidem ao acaso, sem que qualquer conhecimento ou compreensão
da situação estejam presentes.
Ótimo texto.
Didático, bem humorado e corretíssimo.
Parabéns.
O que eu acho curioso eh que todas as “promessas” dos candidatos a Presidencia na verdade sao atribuicoes do Congresso. Eu continuo esperando o candidato que diga: sou candidato ao executivo – meu trabalho sera apenas executar o que o congresso me mandar fazer. (obviamente, sera uma catastrofe, mas… com a Constituicao que temos, o que podemos esperar?)
Leandro,\r
\r
Parabéns.\r
\r
Confesso que ontem enquanto assistia o debate pensei exatamente o que você escreveu acima.\r
Obrigado por transmitir tão eloquentemente “a minha opinião” :)\r
\r
Sem nenhum exagero, senti uma imensa tristeza ao ver estes candidatos debatendo. Fora a total ausência de conteúdo e originalidade, a falta de articulação de Dilma e até mesmo de Serra é estarrecedor.\r
\r
Além de disseminar conhecimento, como tentamos fazer por aqui, como indivíduo, o que fazer diante desta situação desesperadora? E a pergunta não é retórica.\r
\r
Nota: não fosse um assunto tão sério eu estaria rolando de rir. O Leandro está ficando mestre em sarcasmo.\r
\r
querem ter uma opção “austriaca”? apoiem a formação do libertários, esperar que candidatos dos partidos que aí estão falem em liberdade e propriedade privada é ilusão.
Américo de Souza e Mario Oliveira têm, ambos, grande quantidade de pensamento liberal em suas propostas de governo.
São dois nanicos, mas já é o suficiente pra fazer estas eleições de 2010 melhores que as de 2006, quando Luciano Bivar era só um.
Prezado Giovanni, Américo e Mário não vão mais se candidatar. Américo – o melhorzinho de todos – foi boicotado pelo seu próprio partido, que aliás está apoiando Paulo Skaf e o PSB em São Paulo. Tá tudo dominado.
Mais uma ótima análise! Parabéns Leandro!
Ela já está circulando na minha lista de contatos.
Excelente texto. Parabéns!
A pergunta que me faço agora é: o que fazer?
FANTASTICO!! SEM PALAVRAS
Perdão, caro Leandro…mas é que lendo seu comentário a respeito do Plínio, me deu vontade de lhe fazer um questionamento…
Você não percebeu uma contradição nos argumentos???Eu explico: há pouco tempo, eu conclui a leitura de “A Mentalidade Anticapitalista” de Von Mises (eu realmente tenho muita paciência para ler os autores liberais) no qual, ele sustenta a teoria de que todo o anticapitalista não pássa de um fracassado invejoso que busca um bode expiatório para as suas ambições frustradas, e escolheu o capitalismo e o sistema baseado na propriedade privada. Não pude me conter. Morri de rir. Esta teoria não resiste à mínima observação. Só para citar alguns exemplos famosos:
Engels: Era industrial, e não era pequeno, pois possuía fábricas em Londres. Portanto, tinha uma posição social superior ao próprio Mises.
Lênin: era advogado, só por aí dá para tirar uma base. Estudava em um escola de freiras e não lhe faltava elogios. Portanto, não era um fracassado e nenhum pobre invejoso.
Che Guevara: este é famoso. De boa família e abandonou a boa vida para lutar.
E agora você cita o Plínio.
Leandro, agora você vai ter que se decidir: comunista é um boa vida, e portanto, um incoerente que critica o capitalismo, mas vive muito “feliz” no mesmo; ou fracassado invejoso que busca encontrar no capitalismo, um bode expiatório para explicar seus fracassos???
Aguardo a resposta.
Prezados, muito obrigado pelos elogios calorosos.
Querido anônimo, obrigado por dar plantão diário em nosso site, à procura de erros. Ainda não foi dessa vez, entretanto.
Seu questionamento, ao contrário de entrar em contradição com o que eu disse, apenas serve para confirmá-lo. A frustração a que você se refere não ocorre necessariamente apenas no campo financeiro. É bem possível uma pessoa ser financeiramente exitosa e, ainda assim, estar atrás de outros desejos. Em minha opinião, o (rico ou pobre) é, acima de tudo, uma pessoa sedenta por poder, alguém que quer a todo custo controlar a vida alheia e reorganizar o mundo de acordo com a sua visão. É, acima de tudo, um sociopata truculento e perigoso.
Engels e Lênin, por exemplo, estavam explicitamente atrás de mais poder. Vide o Manifesto que o primeiro patrocinou e a Revolução que o segundo comandou. Ademais, ambos recorreram (Engels apenas no plano) ao meio mais direto de obter esse poder: utilizando o estado para massacrar seus rivais. Não há contradição alguma em se fazer isso e em ser anticapitalista Muito pelo contrário: é a consequência direta.
Che foi um sujeito que nunca fez nada da vida. Apenas um revoltado psicótico (e de família rica) à procura de algo diferente para preencher sua existência vazia. Por não querer ser médico, algo que seu pai lhe impôs, saiu rodando a América Latina de moto. Assim que ganhou poder (o objetivo de todo anticapitalista) com a Revolução Cubana, pôs-se a trucidar seus desafetos. Mais um perturbado. Mais um exemplo.
Plínio foi político a vida toda. Quando não foi político, foi promotor público. Ou seja, fez toda a sua carreira no estado. No Brasil, um sujeito assim está destinado a ser rico. Aliás, mais uma vez, não há contradição alguma em ser comunista e enriquecer fazendo sua carreira no estado, muito pelo contrário. No Brasil, a grande maioria dos comunistas é rica e trabalha no estado. O sujeito enriquece sem precisar recorrer à competição do mercado. De novo, isso não é contradição, é confirmação da teoria.
E Plínio é apenas mais um desse exemplo. Pelo seu discurso, nota-se sua ânsia em remodelar a sociedade de acordo com sua visão de mundo. Se ganhasse poder, não seria desarrazoado imaginar que o exerceria com bastante ímpeto, se é que você me entende.
Abraços.
PARABÉNS Leandro!!\r
Fico feliz em poder ler textos, artigos e frases de uma pessoa com capacidade de transmitir com facilidade e clareza a situação lamentável que o país se encontra, com a atual e possivel futura “administração”.\r
Gostaria de ouvir alguma proposta decente para educação para o Brasil, capaz de me convencer que as gerações futuras teriam capacidade de raciocinar, lutar por suas conquistas e não ganhassem tudo de mão beijada. Principalmente que pudessem parar de achar coisas, e sim pudessem pensar nas coisas, partindo de idéias fundamentadas em fatos.\r
Recentemente recebi um email, que foi feliz em expressar a regressão da educação no nosso país, citando como exemplo a “evolução da matemática” onde atualmanete não precisa nem saber fazer cálculos, somente marcar a resposta correta que está colocada na própria pergunta e, ainda mais, se for afrodescendente, indígena, especial, ou qualquer outra minoria social não precisaria nem responder,\r
Gosto muito da frase deixada neste mesmo email: “Todo mundo “pensando” em deixar um planeta melhor para nossos filhos.. Quando é que “pensarão” em deixar filhos melhores para nosso planeta?”.\r
Abraço, e mais uma vez, parabéns.\r
Meus cumprimentos, Leandro, por esse teu artigo! Tu realmente estás te aprimorando na refinada arte do sarcasmo… =D
Sobre os anti-capitalistas: na verdade, são pessoas que apenas desejam mandar nos outros, que querem transformar os seus semelhantes em meros peões. Tudo quanto buscam é o poder, mesmo que o mundo à sua volta se torne um tremendo lixo. A sua intenção é tão-somente abolir a liberdade dos demais, detendo por fim o total controle sobre as suas vidas. Isso o livro “1984”, de George Orwell, através do personagem O’Brien, demonstra claramente.
Au revoir!
Importantissimo ressaltar o papel que cabe aos pequenos PSOL, PCO, PSTU, etc.. é muita ingenuidade aqueles que os descartam como sendo “caricatos” , “inofensivos” , etc…
Eles ditam os rumos que os grandes partidos devem seguir.
boa análise… Marina como um semáforo foi ótima…
mas tenho que discordar de seu uso de termos como “esquerda”… dá a entender que o IMB é da “direita” por oposição… mas sabemos que não foi de má fé…
Como dizem os americanos: a ignorância é uma benção.
Leandro, eu ñ sei se dou os parabéns ou peço para vc nunca mais escrever. Fico deprimido de ler essas coisas. Nessa eleição estaremos entre a cruz e a espada, digo… entre a foice e o martelo.
Esse escandaloso culto ao estado que estamos vendo nessa eleição me faz lembrar de uma frase, cujo autor desconheço:
“Democracia” é o sistema em que dois lobos e uma ovelha votam para escolher o que querem para o jantar.
abç
Caro Leandro,
Para um expatriado como eu seu artigo foi muito informativo, já que figuras como as candidatas acima vieram à ribalta após minha emigração.
No entanto, lhe pergunto se realmente acredita que outras democracias ditas avançadas são de fato diferentes da brasileira. Por exemplo, quando diz que naquelas as disputas eleitorais são entre a direita e esquerda moderadas enquanto no Brasil elas são entre a esquerda e a esquerda, realmente acredita que McCain, Cameron, Berlusconi ou Markel sejam diferentes em gênero ou em grau do Serra? Por exemplo, é impossível distinguir a política econômica de um da de outro. E quanto à agenda de engenharia social, como aborto e “casamento” gay, há alguma diferença real entre eles? Há qualquer diferença substantiva entre eles e Obama, Brown e Dilma? Creio que não.
Assim como no Brasil, também no resto do mundo pensar se tornou atividade rara, tendo sua caricatura sido terceirizada à mídia e à academia, tanto cá como lá e aí.
Prezado Evandro, concordo em linhas gerais com seu pensamento, mas realmente acho que há diferença entre Serra e David Cameron ou Angela Merkel. Pelo menos no discurso. Até mesmo McCain, embora ignorante em quase tudo, é bem superior a Serra. Já Berlusconi é o melhor de todos, pois está preocupado apenas com seus bacanais e com a nova tintura do seu cabelo (criar aquela cor que desafia o espectro óptico é realmente um desafio), o que não lhe deixa muito tempo para pensar em novas formas de regular ainda mais a economia.
Serra está muito mais para Obama, Brown e Dilma do que para os quatro supracitados.
Casamento gay e aborto são assuntos proibidos nas eleições daqui, ao passo que são temas onipresentes nas eleições estrangeiras.
Fora esses detalhes, é verdade que pensar tornou-se uma atividade bastante rara. Porém, lá fora, em especial nos EUA, ainda é possível observar bastante atividade nesse campo. Só abaixo do equador é que a coisa ficou mais preguiçosa.
Abraços e volte sempre!
Imaginava eu que o único político que poderia, pelo seu currículum, se candidatar a presidencia oferecendo uma agenda de direita, seria o Senador carioca Francisco Dornelles. Mas… voces sabem agora quem ele está apoiando, não é?\r
Brilhante. Coloquei no meu blog, que é direita pura. Chama-se Reflexões Radicais. Se puder passe por lá escolha alguma matéria tipo Coréia do Norte,Tortura, Hiroshima, e me diga alguma coisa. abraço
Olá, gostaria de saber se alguém aqui compartilha da idéia que as Urnas Eletrônicas no Brasil foram feitas e implantadas justamente para se fabricar o resultado do pleito em favor dos candidatos pertencentes ao “esquemão” PT-PSDB. Notem que foi na era de FHC com empenho total do então Ministro Nelson Jobim (hoje Defesa) que esse ABSURDO foi implantado no país. Para mim está mais do que confirmada esta fraude, gostaria de saber dos demais usuários.
Vida, Liberdade e Respeito para todos.
João, vou mais além. Estou convicto que “eles” sabem em quem votamos.
“Quem decide as eleições não é quem vota, mas, quem conta os votos.”
(Joseph Stalin)
Se o país mais rico e mais influente do mundo (EUA) tem votação com papelzinho, porque aqui no sul da américa a votação é eletrônica.
Fala Leandro, gostei do seu texto, principalmente da primeira parte onde você faz um panorama geral. Não sei se você faz parte dos Libertários, nem manjo a relação exata entre as pessoas que mantém esse site e as que estão tentando fundar o partido, mas de qualquer forma eu gostaria de registrar uma opinião aqui que pode ser válida para você e para todos que defendem a liberdade. Minha opinião é que na maioria dos textos escritos por pessoas como você, rola uma abordagem um pouco limitadora no que diz respeito a quantidade de pessoas que você vai conseguir dialogar. Digo isso porque são idéias bem radicais, que não tem uma aceitação fácil, e por isso mesmo devem ser passadas de forma clara e inspiradora, para que as pessoas que não as conhecem tenham vontade de ir atrás e conhecer mais. Evidente que nesse site você está falando com um público muito mais familiarizado com esses conceitos, por isso mesmo não falo desse texto especificamente, e sim estendo minha crítica a grande parte dos materiais dessa corrente ideológica que encontro por aí, que abusam da ironia, sarcasmo e outras formas de humor que até podem (e devem) ser usadas, mas com muito mais cuidado. É muito fácil soar arrogante e esse ar de superioridade afasta muitas das pessoas que são fundamentais para aumentar essa corrente dos que não acreditam e querem combater esse velho esquema estatal em que vivemos. Me preocupo com o abismo que vocês terão que superar para levar essas idéias até o povo. São idéias que merecem ser escutadas e precisam sair rápido desses círculos pequenos de discussão antes que ganhem esse caráter caricátuo de grupo pequeno, radical e fechado, que tem sua própria linguagem, suas próprias piadas e que na real ninguém nem está parando para ouví-los. Seria péssimo perceber que algumas pessoas vêem vocês da mesma forma como eram (e por vezes ainda são) vistos os comunistas que vocês tanto criticam, não é mesmo? Enfim, sei que vocês são pessoas inteligentes e admiro muito o empenho e dedicação. Por isso mesmo torço pra que aos poucos vocês afinem esse discurso e quando isso acontecer acho que vocês podem se surpreender com a adesão das pessoas. Essa idéias tem que ir pra frente. Boa sorte e abraço!
Prezado Digo, muito obrigado pela sua opinião.
Veja como é difícil agradar a todos. Já recebemos alguns e-mails de leitores pedindo exatamente mais desse tipo de abordagem que você está criticando. Segundo essas pessoas, tal abordagem, por ser mais populista e de mais fácil assimilação e apelo, teria muito mais ressonância entre os mais leigos, em contraste com aqueles textos “sóbrios” e repletos de jargões academicistas, os quais possuem apelo zero entre os não acadêmicos.
Exatamente por isso, para atender a todos os pedidos, decidimos utilizar todo o espectro de abordagem possível, e aqui nesse site você vai encontrar artigos de todos os tipos: desde os mais acadêmicos até os mais populares, sendo que estes últimos quase sempre ficam relegados à seção do blog.
Espero que nos compreenda.
Grande abraço.
Sem dúvida você nunca vai (e nem deve) agradar a todos, mas uma vez que essas são idéias políticas que tem a pretensão de serem aplicadas também concordo com você que textos acadêmicos não são um bom caminho pra atrair mais gente. Quando digo que os textos devem ser mais claros e inspiradores não acho que devem ser acadêmicos, muito pelo contrário, acho a abordagem populista que você falou uma estratégia muito mais interessante, mas na minha humilde opinião textos como esse acima não tem nada de populista. Um texto populista fala o que as pessoas querem ouvir e de forma simples. Este texto, por sua vez, é uma análise super interessante pra quem já lê esse site e/ou tem um conhecimento razoável de política e economia, mas num lugar de público mais eclético já causaria polêmicas (no mal sentido). Lembro de um texto de um libertário que vi num blog uma vez, o assunto era incrível, mas em dado momento, ao abusar dos recursos que eu aqui critico, ele citava o Esperanto. Cara, só por causa duma rápida citação que nem era o foco do texto, o blog (não lembro qual era) foi invadido por centenas de esperantistas que criaram uma discussão exaustiva e desfocada. Tão exaustiva e desfocada que nem lembro o assunto original do texto!
Mas voltando, um texto populista fala o que as pessoas querem ouvir e de forma simples. Não é o que costumo ver nesses materiais. Como vocês bem sabem, a maioria das pessoas se quer sabe que existe a possibilidade de reduzir o estado ao ponto que vocês propõe, muito menos imaginam que isso será bom pra elas. Construir um raciocínio que chegue até aí é tarefa árdua, que não se faz com um só texto ou peça publicitária, mas podem ter mais eficácia se vocês planejarem as diferentes abordagens para os diferentes públicos.
Vi uma palestra com alguns marketeiros políticos com curriculuns gigantescos e vitoriosos, e achei interessante que eles disseram (e deram exemplo) de como suas campanhas são sempre racionais e verdadeiras pois é isso que convence as pessoas (como mostram as pesquisas, que inclusive apontam sim diversas evoluções do eleitorado brasileiro, ao contrário do que pensam as pessoas que dizem que o eleitor é burro). Exemplo, o candidato X nunca teve um cargo público, mas já teve uma porrada de cargos privados relevantes. Eles não tem como dizer que ele tem experiência na área, é claro, mas pode dizer que ele tem grande experiência como gestor. Se ele não tivesse essa experiência, mas tivesse larga vida acadêmica, eles exaltariam que é um estudioso, que entende sobre os problemas do país, enfim, acho que vocês poderiam pensar em coisas assim. Vi um panfleto dos Libertários, por exemplo, que dizia algo mais ou menos como “a direita quer ser sua mãe, a esquerda quer ser seu pai, nós queremos que você cresça”. Legal até. Mas isso não convence as pessoas. O que convence é o que tange a realidade delas, exemplo óbvio e provavelmente o mais eficaz, falem de impostos. Falem exaustivamente de impostos e de como é possível diminuir MUITO eles. Expliquem coisas simples sobre isso, que as pessoas possam visualizar. Isso é uma escolha racional. Quando o cara vota na Dilma porque tem medo de parar de receber o bolsa sei-lá-o-quê, ele não está votando com o emocional, ele está é sendo muito racional, preciso desse dinheiro, logo voto nela. Se o Serra vai manter a mesma política e esse eleitor está mal informado e não sabe disso, isso é outra história. O fato é que ele vota na Dilma devido a um fator muito palpável de sua vida.
Conclusão, se você conseguir explicar racionalmente pra esse mesmo cara que ele é roubado descaradamente pelo governo e que não há bolsa família que justifique tantos impostos e que é sim possível não ter todos esses impostos e que a vida dele vai sim melhorar por tais e tais motivos, a chance de ele entender o que você quer dizer é muito maior do que se usando de analogias, falando em liberdade e outros conceitos que são totalmente desconhecidos e/ou relativos pra esse cara.
Eu apenas gostaria de saber…se nenhum dos candidatos que estão aí servem,porque vcs não criam um partido \r
e ao invés de apenas criticarem, coloquem em prática essas idéias magnificas de vcs?\r
Sim, porque vcs estão parecendo esses políticos q falam sem parar e que nada acrescentam na vida real do povo!Deixar dúvidas, desesperança, sarcasmo até eu sei fazer…mas de que me serviria se não tenho a solução de “carne e de osso” como representante?!O que dá pra entender é que você não acha que nenhum candidato está certo…então o povo teria anular o voto…e vc poderia me dizer se as consequências desse ato seriam a solução para todos os problemas?\r
Sem sarcasmo, enquanto vc critica a banda passa…faz algo de mais concreto!\r
Ser inteligente não significa ser apto para a crítica escrita…ser inteligente é ser capaz de dar soluções concretas, palpáveis para a família brasileira…seus artigos com todo respeito não ajudam em nada…confundem, \r
desestimulam,…e não é isso q o trabalhador brasileiro precisa!\r
Falar dos defeitos de outros, apontar erros, gafes, etc é muito fácil…todos temos…quero ver vc fazer melhor….\r
esse é o desafio. \r
Caro Assumara,
A “família brasileira” e os “trabalhadores brasileiros” não precisam ser dominados e subjugados por uma burocracia encastelada em Brasília, ditando-lhe ordens e dizendo como eles devem viver suas vidas. É isso — ou melhor, a ausência disso — que defendemos.
Porém, se você acha que deve ser assim, se você quer submeter sua vida aos desígnios dessa gente, se você acha que deve sempre existir uma máquina ditatorial regulando a economia e o seu modo de viver, fique à vontade. Apenas não diga que o correto é que todos tenham o mesmo desejo que o seu.
Abraços.
Resumo do debate de hoje na Bandeirantes:
Stálin: “Você é privatista. Eu sou estatista.”
Trotsky: “Não, vocês é que continuam privatizando. Eu vou reestatizar. Vou fortalecer todas as estatais!”
Stálin: “Não vai, não. Estatização é conosco! O que importa é que um mineral sem vida debaixo do subsolo será extraído monopolisticamente pelo estado e enriquecerá a todos nós!”
Trotsky: “Isso é trololó. O fato é que os aeroportos estão muito ruins.”
Stálin: “Você está tergiversando. Os aeroportos só estão ruins por causa dos pobres, que resolveram viajar.”
E por aí vai…
Mas houve uma boa notícia: ambos os candidatos estão mais politicamente incorretos. Ambos estão chamando abertamente os eleitores de mendigos. Ambos prometem dar casa, remédio, escola, leite, comida, tudo de graça. Mais um pouco e vão prometer salário de graça.
Se bem que isso já existe para vários do setor público.
Leandro, será que rola um vermelho e preto? hehehe
CARTA ABERTA DE JOSÉ SERRA AOS SERVIDORES DAS ESTATAIS
Prezados servidores e prezadas servidoras,
Preocupam-me muito as requentadas, insistentes e descabidas informações que circulam nas empresas estatais, e mesmo na sociedade, de que ao assumir a Presidência da República promoveria a privatização dessas empresas, destacando o Banco do Brasil, a Petrobrás, os Correios e a Caixa Econômica Federal.
Já afirmei e reitero que não há empresas estatais a serem privatizadas. Há sim, empresas a serem estatizadas. Empresas que precisam retornar às mãos do Estado, pois foram “privatizadas” em benefício de grupos vinculados a partido político que delas se utilizam para atendimento de seus particulares interesses.
De longa data, já registrei que não privatizarei nem o Banco do Brasil, nem a Petrobrás, nem os Correios, nem a Caixa Econômica Federal. São empresas fundamentais para a vida do País. Nenhum Governo pode abrir mão de contar com tão importantes instrumentos para a gestão do País.
O BANCO DO BRASIL, com mais de duzentos anos de existência e contribuições qualificadas, com um quadro de pessoal da mais alta qualidade, tem contribuído, e muito, para a solidificação e desenvolvimento da economia brasileira. Em todos os setores da vida brasileira tem as mãos e os olhos do Banco do Brasil. Vou, sim, em meu Governo, contar com essa força do Banco do Brasil para fazermos um Brasil mais justo, mais desenvolvido. Não o privatizarei. Pelo contrário, vou fortalecê-lo, torná-lo um grande banco internacional, para ajudar na expansão de nosso comércio internacional.
A PETROBRÁS é outra empresa que receberá minha especial atenção. Símbolo nacional e referência internacional, a Petrobrás é orgulho de todos nós brasileiros. Vou desprivatizar a Petrobrás porque hoje ela serve aos interesses de um partido político, que aparelhou as mais diferentes áreas da empresa. A Petrobrás pode fazer muito mais. Trabalharei para que ela avance ainda mais e se torne a empresa número um do mundo no setor de energias. Que ela seja um exemplo para o mundo no respeito às leis ambientais e no oferecimento de energias limpas e tenha uma gestão totalmente profissionalizada para acelerar as pesquisas e a produção e oferecer combustíveis a preços compatíveis com o nível de renda dos brasileiros.
A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL terá papel de destaque em meu governo. Contarei com a CAIXA para erradicar o déficit habitacional de nosso País e levar o saneamento básico para todos os municípios brasileiros. E a CAIXA continuará sendo a guardiã de imensa parcela da poupança dos brasileiros.
Os CORREIOS receberão uma atenção especial minha para que volte a ser a empresa orgulho de todos nós que um dia já foi. Precisa ser completamente estatizada, desaparelhada politicamente. Pois hoje está a serviço de grupos que dela se ocupam para seus interesses particulares. Os CORREIOS são fundamentais e estratégicos para o desenvolvimento de nosso País. Implantaremos uma gestão profissional que resgate a credibilidade e seriedade, pois conta com um quadro de servidores competentes e preparados para isso.
Quero disseminar a paz e a segurança a todos os servidores das estatais. Faço uma campanha de compromissos, onde sobressaem os valores da verdade, da honestidade, da transparência, da democracia, da liberdade, do mérito e da justiça. Só assim faremos um Governo de União Nacional, baseado no Estado Democrático de Direito, que possa conduzir o povo brasileiro ao mais elevado grau de respeito no concerto das Nações.
SERRA 45
PRESIDENTE
Prezado Leandro,
Suas análises são sempre excelentes e nunca esqueci deste seu texto sobre as eleições de 2010.
Me parece que agora, em 2014, temos alguns discursos um pouco diferentes. Especialmente considerando que não há um Plinio, e que agora há um Pastor Everaldo, com um discurso que certamente destoa do resto.
Você tem alguma análise sobre os candidatos neste ano? Especialmente Aecio, Marina e Everaldo?
Vê alguma chance de algum deles colaborar para não destroçar ainda mais a nossa economia?
Abraços,
Diego
Muito bom!
Leandro e equipe IMB, que tal um artigo deste nível a respeito das eleições de agora para presidente? Seria uma excelente contribuição.
Queremos um artigo atualizado para 2018!