Não existem muitas pessoas para as quais eu alegremente tiraria meu chapéu
nesse mundo. O povo suíço, porém, está
nesse seleto grupo. Em um oceano de
despotismo, essas pessoas conseguiram manter uma ilha de liberdade – mesmo no
auge da moderna era do estado maximamente intrusivo.
Fazer um tour pela Suíça é uma experiência reveladora para um cidadão comum
– especialmente para um britânico como eu.
Repetidas vezes em minhas conversas por lá – ou mesmo quando lido com
pessoas que utilizam o sistema bancário de lá, que já moraram lá, ou que apenas
vão pra lá de férias -, as conclusões que tiro são as mesmas: tudo na Suíça é como
nos melhores países, só que melhor. É
praticamente o único país da Europa onde as coisas realmente funcionam e são
feitas como deveriam, com o mínimo de alvoroço e precisamente no tempo
estimado.
Os trens de segunda classe, por exemplo, são melhores na Suíça do que muitos
trens de primeira classe no Reino Unido.
Em geral, não sou fã de transportes de massa, mas na Suíça a maioria
desses serviços é feito por empresas privadas – algo que faz perfeito sentido,
quando se considera o terreno e o clima.
E é um enorme prazer utilizá-los, não apenas por causa da alta qualidade
dos trens e do cenário, mas por causa da quase completa ausência de pessoas
rudes – não se vê absolutamente nenhum elemento “maltrapilho”.
Os britânicos, por exemplo, estão cercados por maltrapilhos – algo que
francamente faz com que qualquer uso do transporte público seja indesejável não
apenas ideologicamente, mas também socialmente. Esse assunto surgiu enquanto eu estava num
barco no meio do Lago de Genebra, em uma conversa com um sueco que estava de
férias com sua família. Ele alegou – já
tendo vivido tanto no Reino Unido quanto na Suécia – que as coisas eram ainda
piores em seu país. Eu ainda acho
difícil de acreditar, mas após numerosos exemplos de ambos os lados, nós meio
que declaramos um empate.
Uma história de liberdade
Os burocratas da União Européia os odeiam.
Os suíços não só estão fora da União Européia, como também representam o
oposto daquela agenda centralizadora que combina, de cima a baixo, elementos
comunistas e nazistas. A Suíça só aderiu
a ONU há sete anos, e mesmo assim pela margem mínima de votos. Escolha qualquer área da sociedade e você verá
que os suíços fazem tudo à sua distinta maneira – sempre com a liberdade como
pré-requisito.
Os corpos de bombeiros são um exemplo – geridos por
voluntários locais na maioria dos lugares fora das grandes cidades. Os únicos outros lugares que eu sei ter esse
tipo de serviço público voluntário são algumas pequenas cidades dos EUA.

As armas estão por todos os lados – e o crime não está em lugar
algum. Com efeito, eles têm ao menos
duas das mais pacíficas cidades do mundo – de acordo com várias autoridades
online. Zurique inclusive tem um feriado
de meio dia em outubro, para celebrar o torneio do “garoto atirador”, no qual
há uma feira em estilo americano em que jovens garotos – e
garotas também – competem em uma disputa de tiro ao alvo com fuzis de assalto.
A milícia defensiva dos suíços foi temida
até mesmo por Hitler, e até hoje tem se mantido onde tem de ficar – em casa
-, sem sair patrulhando estrepitosamente o mundo, assassinando pessoas
inocentes que porventura se pusessem em seu caminho. Curiosamente os suíços conseguiram se manter
protegidos sem ter de recorrer a guerras preventivas e sem ter de dizimar famílias ao redor do mundo.
E há os bancos suíços, aquele bastião que guarda algo como um terço da
riqueza privada transnacional. A posição
suíça quanto ao sigilo bancário é melhor descrita como sendo de neutralidade,
nessa constante guerra dos estados contra seus cidadãos – com inclinações em
favor dos cidadãos oprimidos.
Se há alguém no mundo a quem eu confiaria meu dinheiro, esse alguém seria um
dos bancos privados suíços, que não são incorporados e são de responsabilidade
ilimitada. Se eu tivesse de escolher
qualquer outro tipo de banco, a Suíça ainda estaria no topo da lista, mesmo
considerando alguns países da América do Sul e Central que possuem, ao menos no
papel, sigilos mais robustos.
Toda essa riqueza confiada aos bancos suíços certamente não se deve ao
governo, e mesmo os banqueiros são meramente beneficiários de um ambiente
inteiramente resultante de um distinto traço de liberdade que viceja dentro do
povo suíço. Isso vem desde muito antes
da lendária rebelião
promovida por Guilherme Tell no século XIV.
Se os detalhes dessa lenda são mitos ou não, sua popularidade reflete o
tradicional espírito de luta do povo suíço quando se trata das imposições
feitas pelo estado.
Política e impostos
A política suíça é interessante por ser bastante descentralizada. Já ouvi dizer inclusive que a confederação
suíça serviu de modelo para a criação dos Estados Unidos. Nas eleições locais – que podem ser
realizadas tanto dentro das dependências da prefeitura do vilarejo como ao ar
livre – a votação é feita simplesmente pelo método de se levantar as mãos. Em 1978, o Cantão de Jura chegou
de fato a se separar da jurisdição de Berna e, tecnicamente, de toda a
Suíça. Mais tarde, a região sul do cantão
optou por continuar fazendo parte de Berna, o que significa que há duas regiões
políticas distintas dentro de um mesmo cantão.
Isso só pôde acontecer porque a Suíça não é de fato um só país, mas uma
confederação de “cantões”
amplamente autônomos – 26 ao todo -, sendo que esses cantões competem entre si
para ver qual fornece o ambiente tributário mais propício aos negócios. Uma visita ao site comparis.ch
mostra que uma das opções que o povo suíço tem é a de escolher a quantidade de
impostos que vão pagar.
Como um exemplo, o cantão de Obwalden tinha uma das mais altas alíquotas de
impostos da Suíça, mas a concorrência forçou sua redução para uma alíquota
única de 10% – embora os cantões Zug e Schwyz sejam os mais conhecidos por seus
baixos impostos. No sul, os cantões
Vaud, Genebra e Ticino são os que atualmente possuem as menores alíquotas. Ademais, é perfeitamente possível para
qualquer pessoa razoavelmente rica fazer um acordo especial com um cantão e
conseguir uma alíquota bem mais baixa.
Com efeito, quanto mais rico, melhor – a ausência de inveja social, e
toda a politicagem por ela gerada, é algo atípico e notável.
Há também anistias ocasionais para impostos que não foram pagos. As quantias evadidas são na realidade menores
em termos percentuais do que aquelas sonegadas nos muito mais opressivos países
vizinhos. Isso só pode ser por causa das
alíquotas mais baixas, de uma prestação de contas em nível mais local, e de métodos
de coleta menos violentos, o que gera menos ressentimento e menos motivação
para resistência. Sonegações, se
descobertas, podem gerar uma ação civil um tanto desconfortável, mas não é um
crime.
O inimigo interior
É fato que em anos recentes o estado federal tem feito transgressões sem
precedentes. Isso também significa que
agora existe uma classe significativa de funcionários públicos federais – e aí
jaz a real ameaça às liberdades dos suíços.
Além das costumeiras motivações bisbilhoteiras, há uma infiltração de
ambiciosos elementos pró-União Européia dentro do sistema.
Por exemplo, como os suíços não estão dispostos a abrir mão de suas armas,
já há alguns políticos que agora estão atrás de suas munições. Se eles lograrem êxito, haverá uma mudança no
equilíbrio do poder: este deixará o povo suíço e irá para o estado, como ocorreu
já há muito em outros países europeus.
Ademais, com o completo abandono legal do ouro como lastro ao franco suíço
há uma década – embora a implementação tenha começado de fato há apenas 5 anos,
com o apoio da direita -, os tentáculos do banco central e sua elite estão se difundindo
amplamente. Também se espalhando para
todos os cantos está a sua estupidez (ou conspiração, como queira) – como pode
ser visto nos maciços empréstimos de risco feitos ao Leste Europeu com esse
“dinheiro” recém-criado.
Mas o establishment tem ao menos sido restringido pelo descentralizado
sistema suíço, e os políticos não têm a mesma liberdade irrestrita que seus
colegas desfrutam em outros países. Além
do mais, eles sempre podem ser contidos pelo poderoso mecanismo do referendo.
O referendo suíço não é uma ferramenta de ditadores como ocorre em outros
países, nos quais o estado escolhe e formula a pergunta da maneira mais
vantajosa possível, e, após uma derrota, convoca novamente o mesmo referendo,
não sossegando enquanto não o obtiver o resultado que quer. É verdade que o referendo tem o potencial de
ser uma ferramenta “majoritária”, mas um referendo suíço pode ser iniciado por
qualquer cidadão que consiga levantar as 50.000 assinaturas necessárias.
Exceto a possibilidade de os cantões incorrerem em secessão, é nesse
mecanismo de referendo – bem como a intimidação gerada por sua simples ameaça –
que está a real esperança para a Suíça; pois mesmo sendo menos extremados que
em outros países, os partidos suíços acabaram caindo na armadilha do falso paradigma
de esquerda-direita.
Esquerda, direita, centro
A centro-esquerda manteve as limitadas rédeas do poder na Suíça desde os
anos 1950, contando com uma simbólica representação da direita. A esquerda pode até ter algumas virtudes, mas
possui muitos defeitos. Um deles é a
expansão e a intrusão do estado em assuntos financeiros – especificamente,
tributação.
Foi a esquerda, portanto, que recentemente provocou ampla indignação entre o
povo suíço ao dar a impressão de que iria enfraquecer ou mesmo revogar o sigilo
bancário suíço. Raramente uma linguagem
tão forte foi utilizada pelos membros do Parlamento, e raramente, se alguma vez,
palavras como “traição” foram dirigidas aos políticos em um jornal de grande
circulação – como o La Liberté, do Cantão Friburgo.
O povo suíço se manteve firmemente a favor do sigilo bancário – talvez 75%
dele – e, dentro da Suíça, mesmo o coletor de impostos não pode violar essa
regra. Entretanto, de alguma forma, para
a total perplexidade dos estatistas de todo o mundo, a Suíça ainda sobrevive e
o faz sendo um dos mais ricos, mais abençoados e mais pacíficos países do
mundo.
A direita de fato possui em seus quadros alguns intolerantes mais fanáticos
(ao passo que a esquerda possui uma melhor camuflagem), mas ela também possui
alguns membros que se mantêm resolutos em questões críticas. E a direita está em ascensão – algo que é bem
vindo nem que seja como contrapeso, apesar das inevitáveis tendências de
nacionalismo, arregimentação e autoritarismo que a acompanham.
Felizmente o povo suíço tem frequentemente rejeitado os excessos tanto da
esquerda quanto da direita, embora eles ainda não tenham conseguido desfrutar a
completa liberdade que almejam. De modo
geral, por exemplo, eles querem ser gentis com seus vizinhos europeus e geralmente
não molestam os estrangeiros que vivem no país – mas também não querem que
outros países ou culturas venham lhes ditar ordens.
Começa a reação adversa
Tal foi o caso em dias recentes, após a França ter tentado utilizar detalhes
roubados de contas bancárias do HSBC de Genebra para colocar pressão sobre a
Suíça. Por causa disso, um acordo de
compartilhamento de informações tributárias, que já estava programado, foi
adiado indefinidamente. Que assim fique
permanentemente. Hans Rudolph Merz, o
encolhido Primeiro Ministro/Ministro das Finanças que estava promovendo essa
traição, foi forçado a mudar radicalmente de postura – caso contrário seu
partido teria de enfrentar a ira dos eleitores nas eleições vindouras.
Mas eis o ponto principal: nenhum dos recentes acordos de compartilhamento
de informações foi aprovado pelo Parlamento suíço e tampouco foram testados nas
cortes suíças. Muitos elementos
envolvidos na derrocada
do UBS (cujo gerente descobriu-se ser um informante do governo americano)
eram certamente ilegais, e na sexta-feira passada, dia 8 de janeiro, um tribunal
suíço assim sentenciou,
punindo os infratores pelo crime de passar informações sigilosos de clientes
para os governos dos EUA e da França.
Não bastasse tudo isso, a ala jovem do Partido do Povo Suíço (SVP), em
conjunto com um pequeno partido do Cantão de Ticino (onde se fala italiano),
está ativamente coletando assinaturas para fazer um referendo sobre essa
questão do sigilo bancário quebrado.
Melhor de tudo: uma
recente pesquisa mostrou que, quanto mais a Suíça é assediada e intimidada
a acabar com seu sigilo bancário, mais fervorosamente o povo suíço passa a
defendê-lo.
Foram políticos e funcionários públicos, e não o povo suíço, que traíram
os correntistas que confiaram na Suíça. A menos que o Parlamento, os juízes e os
tribunais façam o mesmo – e que o povo apóie tudo em um referendo -, não creio
que o sigilo bancário suíço esteja morto.
Mesmo no atual estado das coisas – com novos acordos de compartilhamento de
informações -, se um correntista conseguir manter sua conta secreta, os suíços
também o farão. Esses acordos, embora
deploráveis, não compartilham informações automaticamente – um governo
estrangeiro teria primeiro que obter os detalhes da conta bancária, e então
apresentar um pedido específico de informação acrescido de evidências
suficientes. O titular da conta também
pode recorrer junto às autoridades suíças.
Mas assim como seus queijos, o sigilo bancário da Suíça possui alguns furos,
o que significa que medidas de privacidade são absolutamente necessárias para
contê-los. Uma concessão do governo
suíço às chantagens estrangeiras ocorreu ainda na década de 1990: o fim das contas anônimas. Se estas ainda estivessem em vigência,
ninguém se preocuparia com roubo de dados.
Porém, como os eventos confirmaram, o registro levou ao confisco – nesse
caso, de riqueza. Outras questões de
privacidade incluem as transferências bancárias estrangeiras e as transações
com cartões internacionais, as quais, sem as devidas precauções, podem revelar
detalhes bancários para que todo o mundo possa ver.
Para tudo tem-se um jeito
Mas contas numeradas ou sob pseudônimos ainda são possíveis, bem como arranjos
corporativos, de truste ou nominais – com segundos passaportes também sendo
muito úteis. Com tais medidas ainda
operantes, o principal risco à privacidade está no registro do histórico do
cliente. Caso não sejam adotadas medidas
que assegurem a privacidade total no uso da internet, o usuário pode deixar um
rastro que não apenas contém o nome do banco, mas que também pode levar à porta
do titular da conta. Companhias
telefônicas (exceto talvez celulares descartáveis) e mesmo os correios (é
melhor pedir para as cartas serem entregues e guardadas no banco) agora são
delatores em potencial.
Além dessas medidas de privacidade a serem adotadas pelo cliente, todo o
resto agora depende daquelas 7,7 milhões de pessoas nos Alpes, cujos ancestrais
afugentaram até mesmo os nazistas. Só o
tempo irá dizer se a atual geração sofreu uma lavagem cerebral suficiente para
se render. Não creio.
Torçamos para que eles possam resistir – muita riqueza privada depende da
Suíça como um lugar seguro para onde se pode fugir. E o povo suíço será testado novamente – as
concessões anteriores tornaram isso uma certeza. É como se curvar ao valentão da escola.
Mas é de se esperar que haja uma oposição em 2010. Políticos e burocratas submissos ao estado, à
União Européia e aos globalistas membros dos bancos centrais mundiais irão
tentar arrefecer os suíços por meio de alguma retórica cosmética e
manipuladora. Mas tenhamos a esperança
de que haja uma grande reação contrária.
A última vez em que o sistema bancário suíço foi atacado com tamanha
intensidade foi na década de 1930, quando a França tentou praticamente arrombar
as contas bancárias, no que foi seguida pelos nazistas. Foi nessa época que o atual sigilo bancário
foi erigido em lei sob pena de prisão caso infringido. Foi nos anos posteriores que a Suíça se
tornou um dos países mais ricos em termos per capita do mundo – tendo como
sustentáculo econômico o sólido sistema bancário e a respeitada qualidade de
seus produtos, desejados por uma rica clientela mundial.
É uma geração diferente a que existe hoje, e eu jamais ponho toda a minha fé
nas pessoas – principalmente porque elas são humanas. Mas se eu tivesse de confiar em um grupo de
pessoas, todas no mesmo lugar ao mesmo tempo – com um gordo rolo de dinheiro,
barras de ouro ou certificados de ouro -, esse grupo ainda teria de ser os
suíços.
Uma resolução e uma conclusão
Espero que muitos leitores resolvam em 2010 abrir algum tipo de conta
bancária na Suíça – nem que seja para irritar seus respectivos governos ou para
criar uma cortina de fumaça sobre os outros correntistas. Comece de preferência com uma conta pequena,
preferivelmente uma local e não num banco multinacional – talvez em um banco
cantonal. Mantenha-a grande o suficiente
para ser respeitável e pequena o suficiente para não ser legalmente delatável
(10.000 dólares nos EUA), ou apenas um pouquinho acima disso, só para trazer um
pouco de emoção.
No pior de todos os cenários, no caso extremamente improvável de uma
investigação, você pode se divertir travando uma batalha aguerrida contra os
coletores de impostos – e jocosamente decidir se ou quando entregar os pontos,
após os burocratas terem gasto muito tempo e energia em troca de pouco ou
nada. Então faça mais um favor aos
outros membros da raça humana e abra outra conta.
Porém, seguindo precauções básicas, não há motivos para que isso
aconteça. E se, como eu espero, os
suíços fizeram algumas correções na situação atual, você terá um bastião da
propriedade privada, uma fortaleza muito segura e útil para ser usada no
futuro.
Enche os olhos ver e saber que AINDA existe um País assim.
ÓTIMO ARTIGO! Comentem mais sobre a Suiça!
A liberdade suíça deve causar urticárias em todos os estatólatras do mundo
Gostei muito de ler tal escrito, porém fiquei um pouco receoso quando li o artigo da Wikipédia. Os governos dos cantões intervêm maciçamente na vida das pessoas, principalmente na educação e na saúde. E o serviço militar é obrigatório (como em todos os países – conscrição é escravidão, como diria o saudoso Rothbard). Acho que a Suíça, apesar da maior liberdade que lá existe, está muito longe do verdadeiro ambiente livre. Talvez a Wikipédia esteja errada. Não sei. Mas o clima de lá deve ser MUITO rigoroso. Será que valeria mesmo a pena trocar o Brasil pela Suíça?
clap clap clap
Marcelo, mesmo acreditando na veracidade destas informações, por favor, esqueça wikipedia, a probabilidade de haver informações incorretas é enorme.
Abraço
HJ, tu tens razão. Na Wikipédia é muito fácil achar informações incorretas. Levo fé no que Paul Green escreveu.
Abraço!!!!!
Sobre o sistema de saúde da Suíça:
As redes hospitalares são privadas, mas o governo obriga os cidadãos a comprarem um plano de saúde. Existe uma variedade de seguradoras, a concorrência entre elas é boa e você pode escolher coberturas mínimas. Mas ainda assim você é obrigado a comprar um plano.
Por mais ultrajante que isso pareça, a situação ainda é melhor que no Brasil: aqui, além do plano de saúde que você paga para si próprio, você ainda é obrigado a pagar toda a superestrutura da saúde pública, que é aquela maravilha. Lá na Suíça, pelo menos você recebe aquilo que você paga.
Porém, esse sistema está obviamente longe da perfeição. Como mostra o link a seguir, os custos da saúde estão crescendo constantemente desde a década de 1990, que é a consequência inevitável sempre que o governo se intromete em alguma área. Resta saber quanto tempo o atual arranjo ainda dura.
http://www.oecd.org/document/47/0,2340,en_2649_201185_37562223_1_1_1_1,00.html
Claro que a Suiça não é perfeita. Digamos que não seja o melhor país do mundo, mas é o menos pior.
Maravilhoso esse texto. É bom conhecer mais sobre a realidade de outros país e comparar com o Brasil.
Outro ponto esquisito é sobre os trens serem operados por empresas privadas. Consta no site das ferrovias suiças: In a memorable referendum on 20 February 1898, voters approved the «Federal Act on the Acquisition and Operation of Railways on Behalf of the Confederation and on the Administrative Structure of Swiss Federal Railways» by 386,634 votes in favour to 182,718 votes against.
Ulisses, o artigo se refere aos trens de segunda classe, aqueles que ligam as cidades aos subúrbios.
Já as operações de maiores distâncias, embora todas tivessem sido construídas por empresas privadas no século XIX, foram nacionalizadas no início do século XX.
A página a seguir fornece o website de todas as empresas privadas que operam linhas de trem na Suíça.
http://europeforvisitors.com/switzaustria/articles/swiss_railroads.htm
Abraços!
Tudo muito bonito na Suiça,mas ha um senão;o pais é uma das maiores lavanderias mundiais de dinheiro.Do dnheiro que seus bancos guardam,boa parte é da corrupção,trafico de drogas e armas e outras atividades criminosas.Sera que sem esse dinheiro,o pais seria tão rico?O sigilo bancario suiço é adorado pelos criminosos de todo o mundo
Prezado André, você está partindo do pressuposto de que o que enriquece um país é a quantidade de dinheiro em sua economia — quando na verdade o que importa é a poupança e a acumulação de capital (capital, aqui, no sentido físico – maquinários, ferramentas e tecnologia).
A quantidade de dinheiro em uma economia não tem nada a ver com a riqueza daquela economia — fosse assim, o Brasil da década de 1980 e início da década de 1990, bem como o Zimbábue, seriam países riquíssimos.
Dinheiro não produz riqueza; ele é simplesmente um meio para se medir valores nominais. A riqueza genuína está relacionada à quantidade de bens físicos que uma economia possui.
Por gentileza, tenha a bondade de ler esse artigo, que explica detalhadamente toda essa diferença:
mises.org.br/Article.aspx?id=487
Concordo com sua opinião,mas o pais não deixa de ser uma lavanderia e que parte de sua riquesa vem dessa atividade pouco nobre
Amigos Liberais, isso só é possível pelo fantástico e verdadeiro FEDERALISMO,Os cantões tem uma verdadeira autonomia.
O resto é automático…
Eu queria fazer um desafio aos Amantes da Escola Austríaca.
Em que parte do livro do Mises “Ação Humana” ele prega o fim do Estado?
Ulisses Alfredo MINARQUISTA e FEDERALISTA
41 8876-5018
André Luís
A Suíça não é rica pelos adjetivos que você escreveu.
ela é rica por ter empresas que geram valor agragado em produtos que desenvolvem.
Como as listadas:
Adecco
BKW
Birkhäuser Verlag
Bolliger & Mabillard
Burrda
Cartier SA
Chopard
Clariant
Danzas
Deloitte
EF Education First
Girard-Perregaux
Hoffmann-La Roche
ISL
Jaeger-LeCoultre
Jota AG
KWO
Leica Geosystems AG
Lindt & Sprüngli
Logitech
Mavala
Migros
Novartis
Omega
Pilatus Aircraft
Richemont
Rinspeed
Rivella
Rolex
SBB-CFF-FFS
Spirt Avert AG
Swarovski
Swiss Quality Hotels International
Swissport
Toradex
Ulysse Nardin
Van Cleef & Arpels
Victorinox
Sobre o dinheiro lavado na Suíça…
O problema de dinheiro sujo não é tanto por vir de políticos corruptos, ditadores, contrabandistas, mafiosos, etc. (essa proporção sobre o total de fortunas no país, acreditem, não é alta). O grande “problema” é que boa parte do dinheiro de estrangeiros na Suíça não é declarada no IR. Ou seja, o crime é muito mais o de não declarar ao fisco (vejo isso como um ato nobre) e muito menos o de dinheiro de corrupção.
Vejo como maior ameaça a Suíça a situação financeira deplorável dos seus vizinhos que vão buscar recursos onde encontrarem e aí a Suíça (que não é membro da UE, OTAN, etc.) é um alvo isolado e fácil de estorquir dado seu modelo único. Começam aqueles discursos baratos de impostos excessivamente baixos (um verdadeiro crime!), abrigo de corruptos, etc.
Existe um partido suíço constantemente engajado em acabar com as principais características do país (liberdade, autonomia e respeito à privacidade) com discursos populistas, colocando a parte mais rica da população como adversária, vontade de aumentar gastos sociais, entrar na UE, renunciar à moeda local. Um verdadeiro pavor. Felizmente esse discurso surge mais forte no momento em que essas teorias se mostram fracassadas. A Grécia nesse sentido foi uma ajuda para mostrar que não é o gasto em programas sociais que vai fazer um país ir adiante, mas sim a liberdade e o governo limitado.
“O preço da liberdade é a eterna vigilância”
“A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar.”
Sun tzu
“si vis pacem para bellum”
Cicero ou Claudio
Alguém poderia me explicar exatamente o que o autor quis dizer nesse trecho:
“Uma visita ao site comparis.ch mostra que uma das opções que o povo suíço tem é a de escolher a quantidade de impostos que vão pagar.”
Não entendi se ele está se referindo a possibilidade de locomoção das pessoas para um cantão em que se paga menos impostos ou se a pessoa pode realmente dizer quanto pretende pagar em impostos no seu atual cantão.
Após ler esse texto, a Suíça virou o país dos meus sonhos…
Realmente a Suíça se mostra um dos “menos piores” países para se viver. Entretanto, as liberdades individuais ainda estão muito longe da perfeição. Para construir uma casa em Genebra é preciso obedecer até o tamanho das janelas imposto pelo governo. Imigrar para Suíça também é muito difícil. Nem mesmo nascidos no país são considerados suíços se o pai e a mãe forem estrangeiros.
Meu Deus!
Cadê o link para envio por email?
Primeira necessidade.
Artigo de.
Att
Será que o autor vai bater palmas para essa nova lei suíça, que mereceu o elogio de Vladimir Safatle em sua coluna de hoje na Folha?
www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/96923-ganhar-menos.shtml
“No momento em que o Brasil acorda fazendo parte de um mundo de baixo crescimento, vale a pena lembrar como a luta contra a desigualdade econômica saiu, há muito, do horizonte das políticas de governo. Algo em torno de 94% dos empregos formais, criados nos últimos dez anos, têm remuneração de, no máximo, um salário mínimo e meio.”
É por isso que professores da USP, como o sr. Safatle, deveriam ganhar NO MÁXIMO um salário mínimo e meio. Isso contribuiria para a promoção da igualdade no país.
Ouvi dizer que estrangeiros recebem sim tratamento inferior pelas autoridades do país, até crianças estrangeiras são mais vigiadas enquanto as locais possuem mais liberdade pra sair do “tudo certinho”. Ainda assim são democráticos: até os alemães se sentem inferiores por lá. Me consta também que o povo suíço é um dos mais burocráticos do mundo no trabalho. Não sabem inovar, não têm criatividade e tudo precisa ser feito como sempre é feito – mesmo que seja burocrático. Eles vão elogiar todas as suas ideias e dizer que são boas, mas não vão mudar a rotina pra não sair da zona de conforto. Agora, se for um trabalho repetitivo como na manufatura ninguém segura eles: a precisão é assombrosa.
Matheus esse papo de ouvi dizer não cola,nossos serviços públicos por acaso são maravilhosos e tal,que eu saiba não é e nossos políticos são homens honrados e honestos que eu saiba não são pois já perderam a vergonha faz tempo.Portanto quando ouço alguém falar dos defeitos de outros países chego a conclusão que prefiro os defeitos do suíços aos invés dos(Brasil)nossos e prefiro os defeitos do Brasil do que os defeitos de uma Zimbabwe da vida,enfim gostaria de poder optar por nenhum destes defeitos por acreditar que um mundo livre e um livre-mercado seja a melhor opção do que as citadas opções atuais (Suíça,Brasil e Zimbabwe).
Me lembraram o Condado, de Tolkien.
Caro Ulisses Alfredo Santos Lima.
“Em que parte do livro do Mises “Ação Humana” ele prega o fim do Estado?”
Eu ainda vou estudar essa obra do Mises. Se até o fim desse estudo, e havendo oportunidade para tal, espero responder a essa questão, pois considero-a muito bem formulada.
Por outro lado retirei de seu site a frase abaixo:
"Supor que qualquer forma de governo pode assegurar a liberdade ou a felicidade sem virtude no povo é uma idéia quimérica"
(James Madison – Pai da Constituição americana e 4º Presidente dos EUA ).
http://www.federalista.org.br/view.php?cod=29
Resta saber se o que Madison entendia por virtude é o mesmo que Mises entendia.
A liberdade suíça está em perigo. Os homens estão sendo cada vez mais neutralizados pelo feminismo institucionalizado e o país está cheio de imigrantes muçulmanos que não se adaptam aos valores europeus e se reproduzem mais do que a população nativa.
* * *
É pareceque o que ocorreu foi o contrário, o povo Suíça baixou a cabeça em favor da quebra de sigilo.
g1.globo.com/economia/noticia/2020/10/02/salario-minimo-mais-alto-do-mundo-cidade-na-suica-aprova-piso-de-r-25-mil.ghtml
Ventos canhotos
Não consegui entender muito bem, o sistema de tributação Brasileiro parece ser bem difícil para leigos.
Bom dia,
e sobre a desoneração da folha de pagamentos das empresas, isso está sendo proposto?