Em termos simples, o dinheiro pode ser definido como um “meio de troca aceito por todos”.
O dinheiro é o bem que todas as pessoas de uma sociedade estão dispostas a aceitar — com efeito, estão ávidas para aceitar — em troca de produtos e serviços que elas oferecem.
Tão logo as pessoas recebem dinheiro em troca dos bens e serviços que ofertam, elas subsequentemente o utilizam com o objetivo de fazer novas trocas comerciais, para então obter os produtos e serviços de outras pessoas, as quais estão igualmente ávidas para aceitar esse dinheiro delas.
Sendo assim, o dinheiro é a mercadoria de mais fácil comercialização em uma economia. Um indivíduo está disposto a aceitar dinheiro porque tem a convicção de que todas as outras pessoas estarão dispostas a aceitar este dinheiro dele em troca de bens e serviços.
Sem o dinheiro, não há divisão do trabalho
Independentemente da maneira como o dinheiro surge na economia, o fato de que ele existe é algo extremamente benéfico. Sem o dinheiro, uma sociedade baseada na divisão do trabalho — da qual toda a moderna civilização depende para ter bem-estar — não poderia existir.
Uma sociedade baseada na divisão do trabalho é caracterizada pelo fato de que cada indivíduo se dedica a produzir apenas um bem ou serviço — ou, no máximo, uma pequena quantidade de bens e serviços. E cada um destes bens e serviços é consumido pelas outras pessoas.
Ao mesmo tempo, praticamente tudo o que qualquer indivíduo consome nesta sociedade é produzido pelo trabalho de outros.
Apenas pense em qualquer emprego que você já teve, em quão específica era a natureza daquele trabalho, e quem, em última instância, foi beneficiado pelo fato de que aquele serviço foi fornecido. Se, por exemplo, você trabalhou em uma fábrica de botões de camisa, os beneficiários físicos do seu trabalho foram as pessoas cujas camisas tinham os botões que você ajudou a fabricar.
Igualmente, pense em todos os tipos de trabalho feitos por todas as pessoas que fabricam bens e serviços que você consome: de ar-condicionado e automóveis a produtos contendo zinco e zircônio.
Entre os benefícios de uma sociedade baseada na divisão do trabalho está o fato de que o volume de conhecimento empregado nos processos de produção cresce contínua e exponencialmente. Em vez de todas as pessoas viverem como agricultores que visam apenas à subsistência, e que aplicam seus escassos conhecimentos produtivos apenas para si próprias, sob um arranjo de divisão do trabalho o volume de conhecimento aplicado na produção passa a refletir todo o conjunto combinado de conhecimentos de todas as diferentes especializações.
E cada indivíduo, na condição de comprador dos bens e serviços de outras pessoas, se beneficia deste radicalmente ampliado conjunto de conhecimentos.
Uma sociedade baseada na divisão do trabalho, e todos os seus benefícios, não seria possível caso não houvesse dinheiro. Na ausência do dinheiro, bens e serviços só poderiam ser trocados por outros bens e serviços por meio da prática direta do escambo.
O produtor de cada bem ou serviço teria de encontrar alguma maneira de trocar o bem ou serviço específico que ele produziu por todos os bens e serviços que ele deseja adquirir de todas as outras pessoas.
Por exemplo, os produtores de ácido sulfúrico, de vigas de aço, de rolamentos, de chips de computadores, de cortes de cabelo etc. teriam de encontrar alguma maneira de oferecer seus bens e serviços em troca de comida, roupa e alojamento.
Porém, quantos agricultores ou donos de mercearia, quantos comerciantes ou fabricantes de roupas, quantos proprietários de imóveis, incorporadoras ou financiadores hipotecários teriam necessidade de tais produtos — principalmente com uma frequência cotidiana?
Mais: como poderiam os produtores de bens tão valiosos e indivisíveis, como carros ou imóveis, oferecer estes seus produtos em troca de coisas de pequeno valor, como um pedaço de pão? Eles não têm como fragmentar carros ou imóveis em pedaços menores e usar esses pedaços como moeda de troca para conseguir pão.
Nestas e em praticamente todas as outras situações, um tremendamente complicado e oneroso processo de trocas indiretas teria de ser feito, tais como, por exemplo, trocar chips de computadores por computadores, trocar computadores por farinha de trigo (supondo que alguém conseguiria encontrar um dono de moinho de trigo que necessitasse de um computador naquele exato momento), e trocar farinha de trigo por pães (supondo que alguém teria uso para caminhões e armazéns lotados de pães).
No fim, cada indivíduo teria de criar uma enorme e variada coleção de bens que pudesse satisfazer terceiros para, com isso, convencê-los a participar de qualquer transação comercial. Cada indivíduo teria de ter uma variedade de bens que teriam de ser utilizados para pagar empregados, consumidores e fornecedores. E todos estes, por sua vez, também teriam de incorrer em uma série de transações complicadas para também conseguirem os bens e serviços que querem, e para acumular os bens que necessitariam apenas para transacionar com terceiros.
Simplesmente seria impossível para cada individuo obter os bens e serviços que desejam ou necessitam.
Outro problema que existiria na ausência do dinheiro seria a total incapacidade de se calcular custos, de modo que ninguém conseguiria saber se suas operações foram bem-sucedidas. O fabricante de chips de computador, por exemplo, começou com uma determinada quantidade de silício e com uma determinada quantidade de maquinário de fabricação de chip. Após utilizar todo o silício e exaurir uma parte da vida útil de seu maquinário, ele fará trocas comerciais e terminará em posse de uma determinada quantidade de pães ou de um punhado de bens pelos quais pães podem ser trocados.
Como poderá esse produtor saber se teve lucro ou prejuízo em sua operação? (Vale ressaltar que este é exatamente o tipo de problema que ocorre em uma economia socialista, a qual, como Mises demonstrou, é incapaz de calcular custos).
Na ausência do dinheiro, a única maneira confiável de adquirir itens básicos e de primeira necessidade seria ou tentando produzir cada um deles por conta própria, como um agricultor de subsistência, ou tentando produzir bens e serviços que agricultores estão sempre demandando — por exemplo, você teria de se tornar um ferreiro ou um médico rural.
Mas isso, obviamente, significaria a completa destruição da extremamente produtiva especialização gerada pela economia baseada na divisão do trabalho, e a abolição da oferta da enorme variedade de bens e serviços vitais para um moderno padrão de vida.
O resultado seria um apavorante empobrecimento e uma explosão na mortalidade, levando a uma acentuada despopulação. Um precedente histórico deste exemplo ocorreu no século III d.C.: uma das principais razões para o colapso do Império Romano foi a destruição do dinheiro.
Com o dinheiro, todo o progresso é possível
A existência do dinheiro impede esses problemas.
Por causa do dinheiro, um produtor não tem de produzir apenas aquilo que seus ofertantes de bens e serviços essenciais querem. Tudo o que ele tem de fazer é produzir algo que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, queira e esteja disposta a dar seu dinheiro em troca.
Pois, uma vez em posse deste dinheiro, tal produtor poderá agora comprar o que desejar de quem ele quiser — afinal, o dinheiro é algo que todos querem, é a mercadoria de mais fácil comercialização em uma economia.
Desta maneira, a existência do dinheiro radicalmente aumenta o grau em que a divisão do trabalho pode ser ampliada e aprofundada.
Ao mesmo tempo, o dinheiro fornece a base intelectual para a conduta da sociedade baseada na divisão do trabalho.
Por causa do dinheiro e da existência de preços monetários para todos os bens e serviços, os produtores se tornam capazes de comparar suas receitas monetárias com seus custos monetários e, com isso, saber se estão sendo eficientes em sua produção.
Em uma economia monetária, aquele fabricante de chips de computado sabe o custo monetário do silício e do maquinário utilizado para fabricar os chips, bem como o valor monetário dos chips que ele produz e vende.
Supondo que o poder de compra do dinheiro não tenha caído significativamente entre o momento em que o produtor comprou seus meios de produção (bens de capital e mão-de-obra) e o momento em que ele vende seus produtos, um lucro monetário significa um aumento em sua capacidade de adquirir bens e serviços de terceiros. Consequentemente, isso comprova que sua operação foi bem-sucedida.
Intimamente relacionado a isso está o fato de que a existência dos preços torna possível comparar os custos de se utilizar diferentes métodos de produção e, consequentemente, escolher o mais econômico. O sistema de preços — possibilitado pelo dinheiro — torna possível comparar a lucratividade de se produzir diferentes produtos, a lucratividade de se investir em áreas diferentes e, acima de tudo, comparar em termos remuneratórios as vantagens de se trabalhar em uma determinada ocupação em vez de em outra.
Os preços estabelecidos pelo mercado permitem que os empreendedores descubram novas informações sobre o atual estado do mercado e utilizem esse conhecimento para aproveitar novas oportunidades de lucro. É essa busca pelo lucro que os leva a atuar de forma empreendedora, comprando fatores de produção a preços baixos, utilizando-os para transformar matéria-prima em bens de consumo, e vendendo o produto final a preços mais altos.
Como o explicou Mises:
O que possibilita o surgimento do lucro é a ação empreendedorial em um ambiente de incerteza. Um empreendedor, por natureza, tem de estar sempre estimando quais serão os preços futuros dos bens e serviços por ele produzidos. Ao estimar os preços futuros, ele irá analisar os preços atuais dos fatores de produção necessários para produzir estes bens e serviços futuros.
Caso ele avalie que os preços dos fatores de produção estão baixos em relação aos possíveis preços futuros de seus bens e serviços produzidos, ele irá adquirir estes fatores de produção. Caso sua estimação se revele correta, ele auferirá lucros.
Ou seja, é a existência de preços monetários surgidos livremente no mercado o que permite a apreensão de informações e todo o subsequente processo racional de produção. Sem preços monetários de mercado não há cálculo econômico porque a criação e a transmissão de conhecimento empreendedorial necessário para coordenar a sociedade ficam bloqueadas.
Igualmente, o dinheiro permite a divisão intelectual do trabalho e a especialização da mão-de-obra.
A divisão do trabalho é um arranjo em que cada indivíduo se especializa naquilo em que é bom e, desta maneira, ganha seu sustento produzindo — ou ajudando a produzir — um bem ou um serviço.
A divisão do trabalho é algo cuja plenitude só pode ocorrer sob o sistema capitalista com preços monetários.
Havendo preços monetários e havendo a possibilidade de se calcular custos (ambas as coisas só são permitidas pelo dinheiro), cada indivíduo pode escolher se especializar naquela ocupação em que ele terá o maior ganho possível de acordo com suas habilidades; o indivíduo irá se especializar na produção daqueles bens e serviços que ele é capaz de produzir com mais eficiência para, em seguida utilizar sua renda monetária (alta, por causa da sua especialização), para comprar aqueles bens e serviços que são produzidos de maneira mais eficiente por outros indivíduos em outras localidades.
Um indivíduo maximiza seu bem-estar quando pode se especializar naquilo que faz melhor e, em decorrência disso, utiliza sua receita monetária para comprar, ao menor preço possível, os bens e serviços de que necessita.
Em uma economia monetária, as pessoas — exatamente por poderem adquirir bens e serviços fornecidos por terceiros que são melhores no suprimento destes — podem se concentrar naquilo em que realmente são boas.
Consequentemente, todo o progresso permitido pela divisão do trabalho ocorre. Tal arranjo é o que permite o surgimento de especialistas como neurocirurgiões, cardiologistas, oftalmologistas, gastroenterologistas, agricultores, carpinteiros, alfaiates, pilotos de avião, professores, financistas, instrutores de ioga, artistas, cineastas, chefs, contadores e empreendedores do ramo de tecnologia.
A especialização em cada uma destas profissões só ocorre porque cada indivíduo calculou os custos e os benefícios de se especializarem nelas e de venderem o resultado de sua especializações para consumidores voluntários. Tudo isso só é possível porque há preços livremente formados pelo uso do dinheiro.
O efeito de tais indivíduos se especializarem em cada uma destas áreas é o surgimento de um corpo de conhecimento tão extenso e disperso que gera a existência de uma infinidade de produtos.
Essa multiplicação da quantidade de conhecimento voltada ao processo produtivo gera um aumento contínuo e progressivo da própria quantidade de conhecimento, criando um ciclo de progresso que se retroalimenta.
A importância da moeda sólida: a destruição de um ciclo econômico
Tendo entendido tudo isso, torna-se evidente a importância de se ter uma moeda sólida.
Uma moeda sólida é simplesmente aquela que não gera uma falsificação de todo o processo de cálculo econômico. Segundo o próprio Ludwig von Mises, para que o cálculo econômico ocorra de maneira acurada, tudo o que é necessário é evitar grandes e abruptas flutuações na oferta monetária.
Se a oferta monetária — a quantidade de dinheiro na economia — é profunda e abruptamente alterada, todo o processo de cálculo econômico é falsificado.
Atividades e ocupações que até então não eram atraentes (por não serem lucrativas) repentinamente se tornam rentáveis. Mas a consequência é nefasta.
Excetuando-se a hiperinflação — em que o próprio cálculo de preços, custos e lucros se torna impossível para prazos maiores do que 30 dias —, o caso mais clássico de falsificação do cálculo econômico decorrente de manipulações na oferta monetária são os ciclos econômicos.
Quando o Banco Central atua para reduzir artificialmente os juros, ele provoca uma expansão da oferta monetária. Estes dois fatores (juros menores e expansão monetária) faz com que aqueles investimentos que antes não eram atraentes repentinamente se tornem promissores.
Quando os juros dos empréstimos bancários são reduzidos (em decorrência do maior volume de dinheiro que agora pode ser emprestado), aqueles projetos de longo prazo que antes eram inviáveis tornam-se agora — exatamente por causa dos juros mais baixos e do maior volume de dinheiro — aparentemente viáveis.
Esses projetos de longo prazo — como, por exemplo, empreendimentos imobiliários, construção de shoppings, fabricação de máquinas, e ampliação da capacidade produtiva das indústrias — são aqueles que demandam mais capital e mais investimentos vultosos. O que antes parecia caro, agora, repentinamente — por causa dos juros menores e do maior volume de dinheiro disponível — parece bem mais acessível.
Consequentemente, vários projetos e empreendimentos de longo prazo que antes se mostravam desvantajosos tornam-se agora aparentemente (muito) lucrativos.
Esse novo dinheiro criado pelo Banco Central e injetado na economia por meio do sistema bancário (via concessão de empréstimos) faz empreendedores pensarem que outras pessoas pouparam dinheiro — reduziram seu consumo —, desta forma liberando capital para a economia.
No entanto, a realidade é que não houve nenhum aumento na poupança, e nenhum aumento em bens de capital. Houve apenas criação de moeda e manipulação de juros.
Só que, em algum momento, inevitavelmente, preços e custos começarão a subir, e consequentemente os juros bancários também subirão (se os bancos não subirem os juros, receberão de volta uma moeda valendo muito menos do que quando emprestaram).
Neste ponto, com a subida dos juros, a expansão do crédito é interrompida (ou fortemente reduzida), os juros de longo prazo sobem, a expansão monetária é desacelerada, a renda e a demanda param de crescer, e os investimentos se comprovam sem sustentação, pois não havia poupança real os lastreando.
O mercado inevitavelmente irá impor o desejo dos consumidores e todos estes empreendimentos que até então pareciam lucrativos revelar-se-ão um grande desperdício.
Vários investimentos de longo prazo feitos durante o período da expansão monetária se tornam ociosos, revelando que sua produção foi um erro e um esbanjamento desnecessário (o que os fez ser distribuídos incorretamente no tempo e no espaço) porque os empreendedores se deixaram enganar pela abundância do crédito, pela facilidade de seus termos e pelos juros baixos estipulados pelas autoridades monetárias.
Vale ressaltar que a expansão monetária não aumenta a produção. A expansão monetária altera a produção. Ela desvirtua a produção. Ela retira recursos de determinados setores e os redireciona para outros setores. Por isso, a teoria dos ciclos econômicos é uma teoria sobre investimentos errôneos e insustentáveis (os malinvestments). Estes investimentos, uma vez descobertos, têm de ser liquidados. Este processo de liquidação é a recessão.
Por isso, criar moeda não tem como criar riqueza nem aumentar produção. Criar moeda apenas desvirtua a produção e mal direciona recursos. Há menos produção em determinados setores e mais produção em outros setores. A produção total não aumenta.
No final, os investimentos acima imobilizaram capital e recursos escassos para seus projetos, recursos estes que agora não mais estão disponíveis para serem utilizados em outros setores da economia.
No geral, a economia está agora com menos capital e menos recursos escassos disponíveis, pois boa parte foi imobilizada em empreendimentos insustentáveis no longo prazo.
Ciclos econômicos, portanto, são um fenômeno tipicamente causado pela manipulação dos juros e pela expansão monetária. É um fenômeno inerente a qualquer arranjo que não tenha uma moeda sólida.
Para concluir
Ao radicalmente aumentar a amplitude e a profundidade da divisão do trabalho, e ao fornecer o arcabouço intelectual essencial para orientar a condução dessa divisão do trabalho, o dinheiro é o que torna possível a moderna civilização material, com seu crescente conforto e bem-estar.
O dinheiro é o pilar essencial de tudo o que existe de bom no mundo material.
Manipulações artificiais em sua quantidade não apenas não têm como gerar riqueza, como, ao contrário, tendem a destruí-la em decorrência de toda a falsificação do cálculo econômico que tal medida gera.
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Leia também:
O que é o dinheiro, como ele surge e como deve ser gerenciado
A origem do dinheiro e de seu valor
Espetacular. Verdadeira aula do Reisman. Agora, vejam este gráfico e digam: quão sólida é a nossa moeda?
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Eu conversando com um amigo semana passada quando surgiu uma questão sobre estado espoliador. Ele disse que quem fala que o estado é espoliador não entende nada de estado…
A maioria das pessoas nem sequer entende direito o que exatamente é o dinheiro.
Poucos se dão conta, por exemplo, de que se alguém possui uma nota de $10 (ou qualquer outro valor), ele não é proprietário da nota em si mas sim do valor que ela representa.
Ou que o papel-moeda era originalmente um tipo de nota promissória de uma quantidade de ouro no banco – daí tantas moedas no mundo terem nomes de medidas de peso.
O problema não é o dinheiro em si, mas as atitudes em relação a ele (incluindo tanto a obsessão quanto a aversão e outras). O dinheiro é apenas mais um dos instrumentos inventados pelo ser humano para facilitar sua própria vida. Usá-lo com equilíbrio e bom senso é responsabilidade individual de cada um.
Na verdade esse assunto é mais importante do que parece. Há várias pessoas, inclusive gente séria e instruída, que defendem a abolição do dinheiro, dizendo que isso seria benéfico para a sociedade.
Com os infindáveis escândalos de corrupção que assolam o Brasil, o que surge de gente dizendo que a causa de tudo é o “vil metal” não tá no gibi. Elas dão a entender que se não houvesse dinheiro não haveria corrupção, não haveria pobreza e todos estaríamos no paraíso e na abundância.
Especulação em bolsa e ações em valores irreais são também consequência direta de uma moeda insólita. A consequência é fazer inocente embarcar em canoa furada (ilusão de ganhos fáceis e rápidos) e perder tudo.
Sem dinheiro, a coisa começaria dar errado já cedo no dia, na padaria.
– Não tenho dinheiro, mas tenho este tubo de pasta dental para pagar o pão.
– Senhor, eu já tenho pasta dental, não preciso dela.
– E o que você precisa?
– Bom, eu preciso de algumas canetas.
Fazer o que? Sair na rua com o tubo de pasta dental na mão, até encontrar alguém que esteja disposto a dar umas canetas em troca dele, e depois voltar à padaria pra comprar o pão? O mundo voltaria à idade da pedra em questão de semanas.
Em um blog que eu frequentava apareceu um sujeito que garantia que o fim da propriedade privada seria a solução para todos os problemas. Segundo ele, a “solidariedade” seria suficiente para garantir abundância para todos.
Depois de um tempo, ele contou que era funcionário público aposentado e morava em uma cobertura de frente para a praia em Fortaleza.
Eu perguntei se no modelo sem propriedade privada dele haveria coberturas de frente para a praia para os sete bilhões de habitantes da terra, ou só para alguns.
Estou esperando a resposta até hoje.
A teoria econômica dominante — inclusive a seguida pelo nosso Banco Central — ainda segue a doutrina de que é necessário manipular a oferta monetária para gerar crescimento.
Mas é uma questão de lógica que a riqueza real não pode ser aumentada por meio da simples criação de dinheiro e de crédito. Aumentar a quantidade de pedaços de papel na economia (ou de dígitos eletrônicos) não torna uma sociedade mais rica; não aumenta a quantidade de recursos escassos disponíveis, não aumenta a quantidade de materiais para a construção de bens de capital e bens de serviços.
A riqueza genuína só pode ser criada pela divisão do trabalho, pela poupança, pela acumulação de capital, pela capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), pelo respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), pela segurança institucional, pela desregulamentação econômica, pela moeda forte, pela ausência de inflação, pelo empreendedorismo da população, por leis confiáveis e estáveis, por um arcabouço jurídico sensato e independente etc.
Se criar dinheiro e sair concedendo crédito gerasse enriquecimento e prosperidade, então a diferença entre a Suíça e o Haiti seria apenas de ativismo do Banco Central de cada um.
Aumentos na quantidade de dinheiro apenas alteram a estrutura da economia; variações na oferta monetária não produzem impacto no crescimento agregado da economia, mas afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Variações na oferta monetária sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas — como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei —, que são os primeiros a receber o novo dinheiro criado.
[Irony mode on]
Companheiros,
Nunca antes na História desse Planeta houve um desenvolvimento tão vigoroso quanto o dos últimos anos.
Isso é fato incontestável, companheiro Ludovico!
E foi justamente nesse período que surgiu Banco Central pra tudo que é lado, imprimindo moeda até não poder mais.
E trago um plus a mais aqui pra vocês, meus camaradas: A China antiga tão era pujante e também tinha papel moeda do governo.
Logo, ter uma moeda fiduciária é bom!
[Irony mode off]
Falando em dinheiro, por que o ouro esta caindo tanto esses dias? $1814/oz
Nao esperava isso mesmo
Alguém me responda por favor a seguinte questão-O Senado(Falta a Câmara aprovar) aprovou a criação do depósito voluntário por parte do Banco Central,dizem que o depósito voluntário no Banco Central vai enxugar a liquidez de forma mais eficiente do que as operações compromissadas e até onde isto é bom ou ruim e até onde o depósito voluntário e as operações compromissadas são onerosas para o Tesouro e para o Banco Central e ao que parece tal política monetária(A criação e execução dos depósitos voluntários)foi um sucesso nos Estados Unidos onde as hipotecas compradas pelo FED depois de uma década deram lucro ao mesmo e devido aos depósitos voluntários a inflação foi domada e o balanço do FED está se recuperando com este lucro das hipotecas adquiridas quando da aplicação desta política inovadora,enfim quais os prós e os contras dos depósitos voluntários x operações compromissadas x mercado interbancário inflacionista?
Pessoal,
Antes de ser apedrejado digo que sou um fervoroso defensor do Mises e Hayek. Agora a pergunta que, para alguns, pode parecer provocação mas é uma dúvida sincera.
A China com seus mega projetos governamentais (antecipando uma demanda real) pode ser considerada uma “gigantesca bolha”?
Se sim, o “estouro” é para quando?
Recordo que na década de 1930 falavam do sucesso econômico soviético e da depressão americana, antecipando um novo mundo totalmente comunista…
Hoje existe (uma parcela) a mesma previsão em relação a China.
Gostaria da opinião do pessoal daqui!
Abraços!
Por que a Venezuela não adota depósitos voluntários,assim a hiperinflação será contida e Maduro(Obs:Sou anticomunista)poderá recuperar sua credibilidade com a população e com os investidores internacionais e a pergunta que fica é por que Maduro não adota tal politíca,pois mal-informado ele não é.
“Brasileiros vão poder ter conta em dólar com nova lei do câmbio”
Claro que vai melhorar bastante a situação no Brasil. Em 2019, quando a lei foi mencionada, o real até deu uma valorizada.
Entretanto, o ideal seria liberarem a circulação da moeda aqui, como ocorre no Peru.
“O plano de Nicolás Maduro para usar os dólares contra hiperinflação”
A coisa está tão feia que eles deram uma leve dolarizada na economia. No final das contas, o país não colapsou por completo por causa das criptomoedas e do mercado paralelo.
“FALSA RIQUEZA PODE GERAR RIQUEZA VERDADEIRA E PROSPERIDADE”
Vi e ouvi Delfin neto responder quando perguntado se emitir moeda para produção agricola como ele fazia na ocasião, teoricamente geraria inflação, e daí?
Delfin ajeitou os óculos,sorriu e professoralmente falou:
-Neste caso não gera inflação, porque nossa inflação tem um DELAY,(ná época 120/180dias) emite-se, e apos ter injetado na economia há um certo tempo para que ocorra a inflação, o efeito de emissão falsa, e no caso da agricutura em 90 dias a riqueza estara criada mutiplicada em muitas vezes!
Sou leigo em economia
Aquela explicação mudou minha vida,meu modo de pensar e como ele mesmo dizia despertou em mim o “ANiMAl EMPREENDEDOR” que existe em cada um de nós!
Citei porque muitas e muitas vezes copiei com sucesso a lição de Delfin.
Então acho que os conceitos de Mises não são bem entendidos,pois não fala ou contempla o tempo até que uma “falsa riqueza”, emissão sem fundos,se torne verdadeira e lucrativa, ou estou enganado?
Muitos dão um cheque sem fundos ,falsa riqueza,garantindo mercadorias e depois elas são vendidas, cobrem o cheque sem fundo e todos são felizes “ao fim e ao cabo”.
Se alguem puder indicar onde encontro em especial este assunto?
Em que medida a atual situação do Brasil representa uma economia artificialmente estimulada? E qual será o tamanho do tombo devido às políticas de expansão monetária e redução de juros do Bacen? Tenho a impressão de que vocês estão dando menos atenção a isso do que deveriam.
“‘A queda do dólar está só começando’: o impacto da pandemia sobre a moeda americana”
Queda do dólar de mais de 35 % nesse ano acho um delírio. Isso é pior do que foi o real brasileiro no ano passado (que se desvalorizou aproximadamente 22,98 % em relação ao dólar americano). Ainda mais que a Janet Yellen deu um discreto sinal de que não procura por um dólar fraco. Sem contar que mandaria o mandato do Biden para o buraco, como já ocorreu com Bush. Jimmy Carter também se deu mal e herdou a bomba dos antecessores (ou seja, a culpa não era dele), já que seria no mandato dele que entraria o Paul Volcker, em 6 de agosto de 1979.
Uma queda de 35 % no Índice DXY daria algo em pelo menos 59,08, aproximadamente. Isso nunca ocorreu, nem nos piores momentos do governo Bush (cuja mínima atingiu 71,8 em 2 de março de 2008), nem na década de 70, quando atingiu aproximadamente 80,34 em 1º de outubro de 1978.
Para ir para o buraco desse jeito, o Brasil já deveria estar vivenciando uma inflação de preços de níveis argentinos (30 % anuais para mais).
De qualquer forma, certamente um dólar mundialmente fraco beneficiaria as exportações de commodities e daria sustentação a regimes populistas da América Latina, como ocorreu com Rafael Correa no Equador.
O que pensam sobre?
Em outro post eu me referi ao episodio citado, e não ao Professor Delfin , a quem eu admiro pela competencia demonstrada de ter feito do Brasil que na época era nada pior que todos na America Latina a OiTAVA ECONOMiA DO MUNDO!
SOU TESTEMUNHA OCULAR DA HSTÓRiA,vi, não me contaram! Nos deu e encheu de orgulho.
Relatei uma lição que ouvi dele, em uma entrevista, e que para mim funcionou e poderia servir a outra pessoa. As vezes não gostamos de alguem, mas se esta dizendo algo que é verdadeiro e pode nos ajudar,porque não escutar e aplicar?
Explico melhor: na entrevista o referido professor era questionado porque endividou o Brasil, porque tomou cem milhoes de dólares emprestado(na época era uma Babilônia)?
-Ora, peguei só cem milhões porque não consegui mais, se destinaram a uma “DíViDA PRODUTVA”!
-Como assim , DíViDA PRODUTiVA?perguntou a reporter.
-DíViDA PRDUTiVA é fazer uma dívida e aplicar o valor em algo que valerá muito mais, quando for pagar .(e viraram itaipu,estradas asfaltadas de norte a sul, telecomunicações, industrias de base,industrias de industrias, industria de aviões, estratégia das telecomunicações via sateite que chamavam de loucura, os esquerdas é claro,culminando o Brasil 8a economia do mundo, Por pior que tenha dado ,outros comunas vieram e saquearam o pais…mesmo assim esta melhor do que o lixo de Cuba, que era o que queriam nos transformar)
– E a emissão para plantio agricola não vai inflacionar? continuava a reporter
– Não porque o DELAY para dar inflação é maior do que o tempo de retorno de uma riqueza muito maior.Um grao de milho dá um pé de milho com tres espigas que dão mais de mil graos.
Apreendi a sabedoria, aprendi, apliquei, me dei bem percebi que nem sempre dívida é coisa ruim, pode ser uma “dívida produtiva” e o retorno é maior do que o valor inicial.
Nós somos o resultado dos nossos pensamentos,se pensamos certo recompensas,se pensamos errados o resultado nos recomende repensar.
Sempre que detecto boas idéias e ensinamentos , aplico, e felizmente minha geladeira esta sempre bem abastecida.
As pedras que eventualmente me atiram eu as junto para construir o meu castelo.
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Alguém sabe do que se trata a tal da nova lei do Banxico (Banco Central do México)? Até o atual presidente do banco central criticou o projeto que foi aprovado no Senado. Pelo que me parece, ela envolve o banco central local ajudar em remessas de dólares para o México envolvendo dinheiro vivo. Cheguei a ler algumas fontes, mas não entendi ao certo qual seria o problema. Li esse material e parece algo para tornar as remessas internacionais menos custosas. Se é isso, por que as críticas? Talvez eu tenha entendido tudo errado.
De curiosidade, essa é a cotação do dólar americano para peso mexicano. Após a disparada no ano passado com o pânico do coronavírus, a moeda se valorizou quase que sem parar. Os juros reais do país caíram, mas o país ainda não chegou a juros reais negativos.
“Dependência comercial do Brasil em relação à China é recorde e deve aumentar”
Vou desenhar: a moeda desvalorizada no Brasil ajudou a melhorar o padrão de vida dos chineses, já que as commodities brasileiras aumentaram em exportação. O Rodrigo da Silva fez uma thread interessante sobre isso.
Afinal, cadê a livre importação de carnes argentinas, uruguaias e americanas, além de cafés colombiano e vietnamita, soja paraguaia, entre tantas outras commodities?
Para melhorar, a moeda chinesa está se fortalecendo continuamente desde 30 de maio de 2020. Agora a cotação do dólar em renminbi chegou aos mesmos valores do que de, aproximadamente, 30 de junho de 2011.
Não conheço uma política mais anti-pobre do que isso: desvalorizar a moeda e impor tarifas de importação norte-coreanas.
“México ofrece rendimiento positivo aún con recorte de tasas de interés: expertos”
Vejam a tabela dos juros reais mostrada na notícia: o Brasil está com juros reais menores do que Noruega, Peru, Dinamarca, Estados Unidos, Alemanha, Zona do Euro, Suécia, Reino Unido, Canadá, Suíça, Colômbia, México, Japão, China e Qatar. Todos estes países que mencionei possuem grau de investimento e uma situação fiscal melhor.
Pelo menos no governo Dilma tivemos juros reais positivos, mesmo nos piores momentos…
Banco Central do Brasil deveria imitar o de Cingapura: parar de controlar os juros e atrelar o real à uma cesta de moedas estrangeiras. O Banco Central de Bolivia atrela o boliviano ao dólar americano, mas o Brasil tem uma vantagem sobre a Bolívia: temos um número bem maior de reservas internacionais.
Reservas internacionais no Brasil (janeiro de 2021): US$ 355.416.000.000
M1 no Brasil (janeiro de 2021): R$ 580.072.220.000
Se converter as reservas internacionais em BRL, dá algo em torno de R$ 1.913.168.786.400,00 na taxa de câmbio de agora.
"O conceito de preço "justo" é desprovido de qualquer significado científico; é um disfarce para desejos, uma luta por um estado de coisas diferente da realidade."
Mises
* * *
Dinheiro só existe como valor de troca de mercadorias. A economia existia antes do dinheiro , só que mediante escambo. Você trocava um boi que você matou por terreno ou outra coisa que as pessoas em questão entendiam terem o mesmo valor.
Isso se deve a uma razão: a um pensamento egoísta/ individualista.
O que determina como se comporta a economia ou a sociedade é a o psiquismo das pessoas que estão inseridas nela. Se eu ofereço um bem ou serviço a outrem, eu não estou interessado ( ou posso estar, mas esse é um interesse secundário) no que eu posso beneficiar tais pessoas com isso. Eu estou interessado no que eu posso obter em troca disso.
É assim que funcionam a extrema maioria das pessoas no mundo em que vivemos hoje. A mentalidade é voltado para seu auto-interesse.
Estou apenas falando o óbvio. Smith já disse isso há seculos. Que o jantar está na nossa mesa pelo auto-interesse de quem o fornece, não por benevolencia.
O que você está dizendo – de achar que a economia seria exatamente a mesma se não houvesse dinheiro- você ignora um único fator- A ECONOMIA NÃO SERIA A MESMA PELAS PESSOAS SEREM AS MESMAS.
Se a mentalidade for essa mesma, o do “auto-interesse”, de fato, você estaria certo.
Porém, essa mentalidade de auto-interesse é livre , voluntária, espontânea ou é condicionada?
O biólogo Richard Dawkins, no livro O Gene Egoísta, escreveu a teoria dos memes, nada mais que padroes cognitivos transmitidos de geração para geração que filtram nossa percepção da realidade. Sua religiao ou seu time de futebol muitas vezes foi herdado dos seus ancestrais. O mesmo ocorre com o idioma que você fala. É comportamento herdade. Nada disso é espontâneo ou natural. Nós não nascemos livres, mas sim condicionados a ter determinados padroes de crenças e comportamentais que são conduzidos de geração por geração.
A mesma maneira ocorre nas relações comerciais. Existe O Money Free Society no Youtube que entrevistou pessoas e perguntou: se você tivesse tudo o que você queria de graça, você não trabalharia de graça? E todas responderam que sim.
Quando oferecemos um bem ou serviço e colocamos a disposição de nossos semelhantes, agimos para nosso nosso auto -interesse. O pensamento é: de qual forma isso me ajudará a obter o recurso que desejo, através das pessoas que vão se propor a pagar a por ele?
E se o pensamento fosse outro: imagina que eu, você e tomo mundo ofereceremos um bem/serviço com o seguinte pensamento: “de qual maneira eu posso beneficiar as pessoas que me cercam, tornando sua vida mais confortável e realizada, sem oferecer nada em troca por isso”?
Você pode dizer que isso é impossível. Pois bem. Não há nada que obrigue a agir de uma maneira como agimos hoje- egoísitca e individualista, agindo dentro do nosso proprio interesse. Isso ocorre por duas razões. Uma genética, por razões evolutivas, herdadas de uma época em que sobrevivia o mais forte, aquele que tem os melhores genes- e como agimos com esse impulso genético de transmitir nossos genes, vamos agir de maneira individualista, pensando na nossa própria preservação -e não as do demais, que são vistos como concorrentes por recursos limitados e escassos.
A segunda é um condicionamento social e psicológico que heremos dos ancestrais, porque o mundo sempre foi assim.
Porém, somos todos seres humanaos -e como tais, temos necessidadades básicas ( teto, alimentação, roupa) até mais eleboradas, como boa literatura, música, espiritualidade, artes marciais, viagens, que vão além do básico.
A extrema maioria das pessoas vive com o básico.
Frequentemente vejo mendigos tentando achar comida no lixo, crianças pedindo dinheiro na rua ou outros coitados fazendo malabarismo no sinal. Achamos normal um ser humano tão humano quanto nós ter uma necessidade básica negada por não poder por elas. Eu não acho isso normal. E se isso existe, há algo muito errado com nossa propria noção de humanidade.
Errado, talvez, também porque esperamos que o Estado resolva os problemas. “Eu não precisa fazer nada, já pago imposto”.
O sistema socioeconomico, sem a oposição de uma autoridade externa coercitiva, sempre será um reflexo das estruturas psíquicas do indivíduo. O mundo é capitalista porque as pessoas são egoístas. O socialismo não funciona porque tenta impor uma igualdade coercitivamente. É impossível uma força externa mudar a realidade social através da coerção.
Agora, como seres humanos, nós não somos isolados dos demais. Nós estamos interligados. Se você pratica meditação e tem uma experiência que os budistas chamam de Nirvikalpa samadhi, vai compreender isso. Até a mecânica quantica, com a teoria do entrelaçamento (que foi resultado do famoso debate Bohr x Einstein em meados da década de 1920) chegou à mesma conclusão.
Cada pessoa é a humanidade, nós estamos interligados e o que afeta um, afeta aos demais.
A necessidade de uso de dinheiro só existe porque o pensamento humano ainda vive dessa maneira descrita por Smith- em busca de seu auto-interesse.
Se o pensamento mudar, havendo uma transformação psicólógica dentro de cada indivíduo e que todos nós- voluntariamente, devido justamente a essa mudança de compreensão no psiquismo em enxergar que fazemos parte do mesmo todo e não somos entidades separadas- passarmos a oferecer nossos serviços , bens e trabalho à comunidade na qual estamos inseridos sem qualquer intenção de nos beneficiarmos por isso, mas sim, de oferecermos algo aos demais, tendo como ética fundamental a busca do bem comum, não há qualquer necessidade de existir dinheiro.
Você vai trabalhar de graça, mas você também vai ter de graça tudo o que você quer, porque vai viver em um meio em que fazer isso é apenas o óbvio e o normal.
Não vai mais acontecer de um ser humano lhe ter negado uma necessidade básica sua, pre-requisito para sua própria existencia, por outro ser humano por ele não poder negar por isso. Hoje, se você nao tem dinheiro, você é um fantasma, um morto-vivo.
É claro que dali viria outra pergunta: e quem faria serviços como desagradáveis como limpador de banheiro de motel de centro de capital, e tantos outros empregos desagradáveis?
Isso reforça meu argumento. Se alguém se submete a empregos horríveis porque “é o que deu pra arranjar” é mais um indício da imoralidade do sistema em que vivemos, que obriga pessoas – sim, obriga, porque pesquisas recentes apontam que 85% dos brasileiros odeiam o seu proprio trabalho, eles têm o que conseguiram arranjar pra poder sobreviver e não porque gostam. Sabe qual é o nome disso? Escravidão- e mais um motivo para muda-lo.
Quanto à lei da escassez, bastaria que pessoas se organizassem de maneira racional para utilizar os recursos em uma economia amonetária, sem a necessidade de elevar um preço quando um bem se torna escasso para impedir que ele falte, como ocorre hoje.
O que proponho é uma mudança no psiquismo, portanto. Você está imaginando que eu estou propondo acabar com o dinheiro com as pessoas sendo como são hoje. E claro que isso não funcionaria.
Dinheiro é uma invenção tecnológica e que evoluiu(Em qualidade e quantidade de itens trocáveis e precificáveis)ao longo do tempo até chegarmos nas criptomoedas…mas o metal precioso aurífero(Ouro por excelência e a prata como coadjuvante) continua imbatível nesta função, seja como meio de troca(Facilita as negociações), denominador comum das trocas(Precificação) e reserva de valor(Poupança, investimento e especulação) e pena que até nisto o estado conseguiu corromper esta função no mercado.
Excelente artigo. Destruição do dolar de dentro pra fora.
https://rothbardbrasil.com/o-status-de-moeda-de-reserva-do-dolar-nao-durara-para-sempre/?fbclid=IwAR0XNe9qBimGhu4LgL7v3eha_rxrPObM1X6tLzR7g7cg94PtUbYTdbeSv4U
Pessoal, uma dúvida: quais seriam as consequências de taxar as exportações de petróleo?
Bastante didático, taí um texto que poderia ser lido por crianças no segundo ciclo do ensino fundamental, pelo menos, em diante, coisa que ajudaria muito na divulgação do liberalismo, libertarianismo e anarcocapitalismo.