Permita-me começar com uma proposição controversa: o Twitter possui o direito de suspender permanentemente a conta de Donald Trump.
Quem mantém uma conta nesta rede social não emite opiniões no vazio, mas sim dentro de uma plataforma que é propriedade privada. Tal propriedade é fornecida ao público, mas é gerenciada internamente pelo Twitter. Na sua casa, suas regras.
Ninguém tem o “direito” de ter uma conta no Twitter à margem das condições e dos critérios fixados pela empresa que é proprietária, fornecedora e gestora da rede social.
A propriedade privada e a livre iniciativa, em suma, amparam a auto-regulação que visa a bloquear aqueles perfis que, por diversas razões subjetivas, são considerados incompatíveis com a missão da plataforma.
Tendo tudo isso em mente, afirmo: foi uma péssima notícia — para o mundo e principalmente para a própria esquerda — que o Twitter tenha optado por suspender a conta de Trump.
E foi uma péssima notícia não porque Trump seja o presidente dos Estados Unidos (algo que é absolutamente irrelevante para se julgar a decisão do Twitter). E não porque creio que as ideias políticas, sociais ou econômicas de Trump merecem ser ouvidas por todos os confins do mundo. E não porque creio que a atitude do Twitter nos aproxime de uma espécie de comunismo censor chinês administrado por uma Big Tech privada.
Foi uma péssima notícia porque a medida inaugura uma tendência muito perigosa nas redes sociais: a compartimentalização ideológica.
Câmara de ressonância
Uma das maiores críticas feitas até o momento contra as redes sociais é que elas criam um efeito do tipo “câmara de eco“: as pessoas somente seguem, leem e escutam aquelas outras pessoas que seguem sua mesma linha ideológica, e, consequentemente, não se expõem a ideias distintas que contrariem seus conceitos.
Ou seja, as pessoas apenas buscam reforçar aquilo que já pensam, mesmo que seja por meio de “fake news”, as quais raramente são desmentidas dentro dessa câmara de ressonância de pensamentos homogêneos e acríticos.
Este sectarismo explicaria, segundo a própria esquerda, a ascensão da chamada “extrema-direita”, ao permitir que os cidadãos predispostos à sua mensagem somente recebam informações de seus congêneres ideológicos e midiáticos.
No entanto, embora esta seja uma crítica corriqueira às redes sociais, isso não significa que seja uma crítica correta. As evidências mostram que o efeito “câmara de ressonância” é sensivelmente menor nas redes sociais do que em outros formatos de trocas de informações políticas, como a mídia tradicional ou mesmo as meras conversas entre amigos ideologicamente próximos. Nestas, o efeito ressonância é muito maior, pois as dissidências permitidas são muito menores.
Com efeito, as redes sociais podem acabar por expor os usuários a opiniões contrárias às suas, e de maneira involuntária: os retuítes, as publicações sugeridas, os compartilhamentos ou os debates abertos constituem uma janela que conecta pessoas de ideologias muito diversas.
No entanto, para que isso ocorra, todos os usuários têm de integrar uma mesma rede social.
Quanto mais isolamento, menor a difusão
A expulsão de Trump pelo Twitter ameaça fragmentar as redes sociais de acordo com as ideologias.
Muitos seguidores de Trump anunciaram que deixarão de utilizar o Twitter e passarão a usar o Parler ou o Gab — uma reação perfeitamente lícita perante a decisão igualmente lícita do Twitter de fechar a conta de Trump.
(Parêntese: Amazon, Apple e Google suspenderam o acesso ao Parler, o que mostra que realmente estão desesperados. Mas isso é reversível judicialmente, pois houve uma explícita quebra de contrato. Na “pior” das hipóteses, novas plataformas podem ser criadas por empreendedores. Se uma pessoa como Elon Musk anunciar uma nova plataforma, certamente metade do mundo migraria para ela).
O fato é que o efeito desta possível migração em massa será o de que, no Twitter, haverá cada vez menos pessoas “de direita”, ao passo que Parler, Gab e futuras outras redes estarão repletas de direitistas. Ou seja, o Twitter irá se tornar cada vez menos interessante para pessoas de direita, e Parler, Gab e outras plataformas não serão nada atrativos para pessoas de esquerda.
Consequentemente, se cada tribo ideológica se isolar em sua própria rede social, a comunicação (e o debate) entre tribos irá se extinguir. O debate estará terminado.
Neste arranjo, aí sim todos de fato estariam em câmaras de eco perfeitas, as quais apenas reforçariam a ideologia própria sem contestação por parte de outros ideologias (uma espécie de “espaço seguro” virtual).
Logo, se a intenção da esquerda era evitar que as pessoas se convertessem a ideologias que ela considera “radicais”, o banimento de perfis do Twitter irá gerar o efeito exatamente oposto: ao irem para outras plataformas, e ao não mais estarem expostas a ideias contraditórias, as pessoas poderão ainda mais facilmente ser “doutrinadas” por essas ideologias “radicais”.
Se o Twitter estivesse realmente preocupado com as “implicações violentas” que os tuítes de Trump supostamente estavam estimulando, bastava apenas submetê-los a um sistema de supervisão e aprovação prévia em vez de abolir uma conta com mais de 80 milhões de seguidores. Havendo outras opções, a suspensão deveria ser algo totalmente de última instância.
No final, a atitude do Twitter — cujo CEO declarou abertamente se tratar de uma plataforma de esquerda — foi simplesmente uma admissão de derrota no debate ideológico. “Se não podemos vencer com argumentos, venceremos pela remoção física.”
Ainda que a suspensão de Trump acabe não gerando uma migração maciça de usuários de direita para outras plataformas, o fato é que o Twitter se institucionaliza como uma “plataforma esquerdista” (o que, vale repetir, vai ao encontro das ideias de seus proprietários e funcionários) e censuradora, que suspende cada vez mais contas direitistas por temer o debate aberto.
Consequentemente, e por necessidade, acabaremos por presenciar o divórcio, e cada vez mais pessoas migrarão para redes alternativas. E então o debate franco e aberto, tão defendido pela esquerda em nome da “liberdade de expressão”, terá sido exterminado exatamente por ela.
É o debate que faz a civilização
Para que uma sociedade progrida intelectualmente, o choque de ideias é fundamental em todos os níveis, principalmente entre as massas. Expressar-se livremente é o mecanismo por meio do qual o ser humano mantém a sociedade funcionando.
É em decorrência da liberdade de expressão e da capacidade de articular idéias que as pessoas conseguem apontar problemas, explicá-los, solucioná-los e tentar chegar a um consenso.
O debate aberto e sem censura é exatamente o que evita a predominância do “pensamento de manada”, garantindo uma voz para os grupos mais marginalizados e excluídos — os quais, em tese, são o alvo da preocupação da esquerda.
Assim, a batalha e a competição intelectual nos proporcionam ao menos a opção de que as boas ideias derrotem as más. A esquerda, no entanto, parece ter admitido derrota neste aspecto.
Já a compartimentalização ideológica serve apenas para consolidar as ideias ruins em amplos setores da população (ainda que certamente também possa proteger terceiros de serem intoxicados por más ideias).
E para que essa batalha de ideias e essa competição intelectual possam ocorrer, é necessário diminuir (e não aumentar) os custos de comunicação entre ideias heterogêneas. Expulsar Trump — e outros possíveis “direitistas” do Twitter não só não facilita, como, na realidade, dificulta o diálogo entre ideologias.
Isso é uma péssima notícia para a civilização.
E o fato de a esquerda ter em peso comemorado essa decisão significa apenas uma admissão explícita de derrota na seara do debate público.
[OFF-TOPIC]
Alguém já conheceu algum desses caras que vendem curso fazendo propaganda no youtube? Tá cheio, por que?
Ok “minha casa, minhas regras”. Só 2 perguntas. Quais são as regras ? E porque elas só se aplicam a quem não é de esquerda ? E não foi “só” suspensão do acesso ao Parler, baniram o app das lojas e pressionaram que a empresa que abriga os servidores(computadores) do programa descontinuassem o serviço ou seja mesmo quem já tinha o app teve o funcionamento bloqueado. Sério ? “bastava apenas submetê-los a um sistema de supervisão e aprovação prévia” quem será o “SUPERVISOR” que concederá essa aprovação e quais critérios ?
Eu me considero um social democrata moderado (aqui eu serei visto como extrema-esquerda radical rsrsrs) e achei péssima essa expulsão do Trump. Serve apenas para sustentar a narrativa de que a esquerda censura, não aguenta debate, quer calar divergências e quer consenso total.
Glen Greenwald, um esquerdista que eu admiro, foi um dos poucos que se posicionou radicalmente contra a medida. Ele entende o que se passa.
E o PCO? Partido extreminsta comunista que acabou defendendo o Trump?
http://www.causaoperaria.org.br/bloqueio-das-contas-de-trump-uma-acao-ditatorial-dos-monopolios/
Sério gente, são os únicos esquerdistas que merecem respeito.
Não é bem assim, a plataforma pertence às big techs, mas os dados produzidos: fotos, contatos etc, pertencem ao indivíduo. Isso é o mesmo que dizer que dentro de um shopping você pode ter subtraída sua carteira, se o proprietário do empreendimento assim o decidir. Este é um precedente perigoso sim para a liberdade, uma coisa que me afastou dos escritos desse site é justamente essa visão purista de empresas, como se essas não pudessem estar alinhadas a objetivos antagônicos às liberdades individuais pelo único fato de serem privadas. Essa linha simplista de argumentação legitima do banimento e censura de Trump pelo Twitter, Facebook e Youtube, à colaboração mais estreita da Huawei com o governo chinês. No ritmo em que estamos, tal miopia levará a todos, inclusive “austríacos”, a uma distópica tecnocrática muito em breve.
Esse artigo vai dar bastante polêmica. Certamente vai ter neoconservador que não irá gostar.
Agora uma pergunta: a exclusão da conta do Trump teria sido uma quebra de contrato?
De qualquer forma, é óbvio que isso que estão fazendo é por pressão política. São dezenas e dezenas de milhões de usuários que não compactuam com ideias progressistas. O progressismo é uma ideologia extremamente elitizada.
Penso que a “compartimentalização” é um fenômeno perfeitamente normal entre os seres humanos. Eu particularmente gosto do nível dos debates nos comentários do Mises Brasil. Está aberto até para esquerdistas e estatistas debaterem sobre.
Excelente artigo! Os escritos ponderados e sucintos, sábias palavras!
Isso me lembra sempre a referencia, das consequências que as pessoas não veem no longo prazo.
Essa medida do Twitter foi uma presente dos céus para a direita (assim como o Corona foi um presente para a esquerda, segundo Jane Fonda).
Deixou claro que a esquerda é censora e se borra de medo do debate aberto, pois sabe que, quando todos têm voz, a esquerda apanha, pois seus argumentos não têm lógica.
Perante os mais leigos isentos, ficou claro que a esquerda é totalitária. E ninguém quer viver ao lado de totalitários. Se a direita souber capitalizar em cima disso, repetindo o tempo todo o mantra de que a esquerda é totalitária e não permite dissidências, várias vitórias eleitorais virão.
“O Twitter é uma empresa privada, faz o que quer”
Diz o esquerdista que pediu e apoiou o Estado fechar diretamente milhões de comércios em 2020.
Quando eu tiver um avião, irei começar a jogar as pessoas do meu avião. Afinal, “é minha propriedade”.
Sem querer fazer o papel de advogado do diabo, mas é fato que há tempos o Congresso americano, principalmente democratas como Bernie Sanders, Elizabeth Warren e outros, vêm ameaçando as big tech com mudanças radicais da legislação, que podem incluir a proibição de aquisições e obrigação de fatiar a empresa em unidades menores, uma destruição trilionária.
Como agora, em 2021, os democratas passaram a controlar o Poder Executivo e as duas Casas do Congresso, as big tech parecem estar agindo para minimizar prejuízos ao acatar os anseios dos novos donos no poder.
A conferir.
E os “liberéis” seguem defendendo o sagrado direito do oligopólio da Big Tech fazer o que quiser. Se a opressão é privada, pode !11!11!
Os republicanos, especialmente Trump e seu círculo mais próximo, vão sendo humilhados pela Big Tech, e bem feito, não fizeram NADA contra elas. Muito gogó e nenhuma ação, terminaram sendo montados por elas.
De certo também acreditam nessa idiotice de que são empresas privadas e podem fazer o que quiser, pra satisfazer liberal de almanaque.
Por mim a partir de certo número de usuários, redes sociais e outros serviços de internet devem ser tratados como espaços públicos, onde regulamentações do poder público passam por cima dos termos de serviço da empresa. Simples assim, sem nenhum grande malabares pra justificar alguma intervenção com medo de não ser liberal ou justo o bastante. Esse poder que essas empresas tem nenhuma empresa deveria ter, e essas empresas sequer deveriam existir desse tamanho. Essa situação é inadmissível.
Quer controlar o que é dito, transmitido ou vendido? Fica com uma rede pequena, um fórum fechado, um serviço de streaming/marketplace de nicho. Agora, quer ser algo gigante, genérico, que se vende pra todo mundo e tem alcance nacional/global? Regrinhas e mais regrinhas garantindo certos direitos e liberdades aos usuários.
No fim das contas, quem diria, a China faz o certo, melhor para o chinês ser censurado pelo próprio governo chinês do que por um monte de retardado da costa oeste americana.
Aqui no Brasil o Bolsonaro é outro que vai acabar deletado das redes sociais em 2022 e não vai fazer nada até lá. Ele ainda tem a desculpa que não tem 5% do amparo político e institucional que o Trump tinha quando assumiu, mas ainda assim pelo menos deveria agir de alguma forma, pelo menos pra falar que agiu. Acredito que o Marco Civil dê a brecha pra um decreto bem razoável nesse sentido.
Vou passar a usar o termo que o Rodrigo Constantino usou, “liberotários”, pra me referir à turma defensora da censura de mercado.
Eis que você descobre que o dono da rede que você usa é um financiador de ideias esquerdistas, e não apenas isso, vc se tornou financiador de ideias com as quais você não concorda junto com ele.
Uma coisa a esquerda pode ter certeza: um assunto que ninguém imaginou que ia voltar a população vai voltar e já está voltando com força total: o nazismo, graças a toda essa censura, pois ações extremistas geram ações extremistas.
Nos Estados Unidos há pesquisas que mostram que o antissemitismo tem crescido de forma até alarmante e aqui no Brasil já vi esquerdistas atônitos com a simples existência de sites que pregam isso de maneira aberta como “O Sentinela” e o “Inacreditável”, que estão ficando famosos e meio mainstream, fora alguns outros blogs que cada vez mais vêm surgindo.
Tem muita gente de direita que fica pensando: por que será que eles podem continuar desejando morte aos brancos, aos republicanos, aos conservadores e podem pregar o comunismo abertamente, sem que nada aconteça? Será que tem alguma coisa nisso? Além de moverem para outras redes como o Gab e o Parler onde eles se expressam sem problema algum e até se aproveitam toda essa onda migratória para se auto-divulgar.
Vi um artigo em um desses sites nacionalistas branco em que eles disseram que mesmo com toda essa censura, o tráfico só tem aumentado e aqui no Brasil esse assunto está chegando com força e já até tentaram emplacar um candidato deles já, e vai continuar chegando!
Duvida?
Então que a esquerda continue censurando o que eles chamam de "extrema-direita", isto é, os libertários, o MBL, o Olavo de Carvalho, pessoas contra o aborto, a favor da redução da maioridade penal, etc., que aí eles vão ver o que é extrema-direita!
Acho compreensível a debandada de usuários do Twitter para outras plataformas, mas não sei se é a melhor solução.
O objetivo de um debate é, em última instância, convencer os indecisos (ou neutros, isentos, como queiram). Aqueles que já têm opiniões formadas dificilmente mudarão de ideia.
Se os que congregam o mesmo pensamento conservador migrarem para outras plataformas, deixarão no Twitter espaços vazios, que serão ocupados por partidários do pensamento de esquerda.
Se considerarmos grande massa de indecisos vai permanecer, por inércia, no Twitter, ficarão totalmente à mercê de opiniões com viés da esquerda, sem o necessário contraponto.
Artigo ingênuo. É óbvio que esse papinho de “propriedade privada” não vale se for contra a esquerda.
Enquanto os capitalistas só se importavam com dinheiro e com ganhos fáceis, os esquerdopatas se preocupavam com poder. Foram conquistando as instituições moldadoras (educação, igreja, mídia etc) do senso comum e, agora, estão colhendo os frutos…inclusive, com grandes capitalistas apoiando ela. Agora, que aguentem as consequências e aprendam a lição de que estão numa guerra assimétrica.
A direita tá perdendo uma excelente oportunidade de usar uma arma da esquerda contra ela própria. Se Apple, Amazon, Facebook, Google e Twitter se uniram para expulsar outra empresa (Parler) do mercado, então estamos claramente diante de uma "conspiracy in restraint of trade", que é exatamente o que fundamentou o Sherman Act (a lei anti-truste).
Ou seja, de acordo com o próprio Sherman Act, tal medida é ilegal.
Logo, basta invocar o Sherman Act e tudo volta a ser como antes. Seria no mínimo engraçado.
Acredito que submeter as postagens do Trump – ou de qualquer outro usuário do Twiter – a “um sistema de supervisão e aprovação prévia” não seja a solução para o problema, pois permitir apenas o compartilhamento de ideias com as quais a empresa concorda, além de desconfigurar o posicionamento político-ideológico do usuário, não permitiria que ideias contrárias fossem expostas(pois seriam desaprovadas) e, por conseguinte, o debate seria prejudicado já que só haveria pensamento único.
Parabéns pela matéria. Sensacional
Li vários comentários do tipo: Sua casa, suas regras. E para ser muito sincero ainda prefiro a legislação brasileira para regular isso. Penso que é muito injusto dar o poder de banimento eterno (o que é vedado pela legislação brasileira) em qualquer plataforma. Imagine um comerciante em que o WhatsApp é a ferramenta central de venda, daí por um motivo de ‘politicamente correto’ é banido sua loja desse app. Seria justo? Claro que não! Assim como não é nada justo que a Visa, Mastercard, Bancos e fintechs façam juízo de valor sobre algo ou alguém para impedir o recebimento de valores, isso cabe a Justiça. É uma grande palhaçada o que a Visa e Mastacard fizeram o RedTube, não deram margem para a defesa.
Assim como é uma grande palhaçada que uma loja venha impedir a entrada de determinado seguimento da sociedade, porque o dono é contra tais ideologias. Nesse sentido, prefiro muito mais o direito público para regular tais relações, do que um monte de ‘justiça privada’ esparsas e supercontraditórias.
Apenas não acho justo, cadastros de pessoas de esquerda, que mentem e denigre a imagem dos de direita, permaneçam intactos. Isto mostra que não são as regras mas, o verdadeiro cunho comunista de ser.
Eu ainda não me decidir se essa questão se trata realmente de Censura (poder público tomando o direito de expressão por controlar o meio) ou apenas pirraça da Direita.
Se partirmos da premissa do texto (resumindo, vc assinou um contrato e descumpriu as regras) ainda assim não consigo esquecer o fato de que a existência dessas corporações só é possível por diversas distorções promovidas pelo Estado. Não é possível ignorar coisas como QE, juros artificialmente baixos, efeito Cantillon…
Não deixo de pensar nessas redes sociais como braços do Estado, como um tipo de concessionária … ao mesmo tempo não há uma relação clara entre o Estado e esses prestadores de serviço, mas sim indireta.
Sempre considerei um dos poderes malígnos da democracia o fato de não haver um culpado claro, mas sim uma nuvem de culpados (o que enfraquece a busca por Justiça). Explico, por exemplo, de quem seria a culpa de haver aquele buraco na rua? Do prefeito atual? da empresa contratada que fez um péssimo serviço? Do prefeito anterior? Desculpem-me a preguiça, mais a culpa é de todos os envolvidos. Sendo assim, nenhum deles é culpado na prática.
Nessa questão das redes sociais vejo o mesmo.
Acho que enquanto houver a possibilidade de uma empresa competir com esses monstros, tendo a concordar com o artigo. Mas se houver esse tipo de regulação velada (acesso a crédito facilitado para essas empresas, QEs e consequente efeito Cantillon), tendo a discordar.
O que vcs acham?
Não sei não! Creio ser difícil surgir uma “Big Tech” de direita, competindo com as atuais! Toda mega empresa sempre será parceira da esquerda. Afinal, políticos esquerdistas e bilionários se adoram. Os primeiros usando o poder político a favor dos bilionários. Estes, retribuindo os favores com “generosidades”. Casamento perfeito. Ficam de fora, claro, os pequenos e médios empresários que realmente competem num mercado livre.
Abraços
O debate deve ser monopólios e oligopólios da informação o que inclui as redes de TV e jornais. Interessante que alguém que puxava 80 milhões de seguidores e que gerava propaganda em cima disso foi suspenso. O motivo? Dizer o que pensa. Quem lacra não lucra?
Por mim está ótimo ver aprofundar as divisões entre esquerda e direita, a esquerda afunda sozinha por serem incapazes de construírem algo de valor, tou só vendo aqui de camarote o feministo do Nego do Borel se ferrando em várias falsas acusações de sua própria esposa feminista.
Um choque de realidade também para os liberaloides Nutella que acham que as empresas privadas, só por serem privadas, automaticamente estarão sujeitas a critérios meramente econômicos em suas decisões. Uma mentira evidente.
Os bilionários do mundo adoram brincar de ditadores à sua maneira. Defender o indivíduo sim. Abolir o Estado? Sim, porque não. Agora imaginar que essas mega-empresas não tentarão angariar algum poder político além do mero poder econômico, é de uma inocência ímpar.
Vai lá liberal, vá ser livre na internet sem servidor, sem provedor… boa sorte.
Pessoa gritar “FOGO!” num ambiente cheio de pessoas de forma a causar um rebuliço é agressão? Por que sim ou por que não?
Acordem.
Essas Big Tech não tem nada de “livre-mercado”. São corporações que se beneficiam de leis monopolistas de patentes, subsídios e regulações como a seção 230, que lhes dá isenção em serem processadas pelo conteúdo.
Estão injetando bilhões de dólares no partido Democrata e alguém acredita que o fazem por caridade ou idealismo?
Essas empresas viraram braços dos Democratas. Não me espantará se Biden passar alguma lei contra o “terrorismo interno” que persiga e criminalize plataformas que permitam conservadores e libertários (como Parler e Gab).
O que elas querem é manter a sua posição de mercado. E estão recorrendo a simbiose com o governo.
Talvez a única coisa de fato que possa ser questionado é se houve alguma quebra de contrato por parte do Twitter, mas como é muito subjetivo, eles afirmarão que o Trump violou sim seus termos e por isso o banimento foi juto.
Outro ponto importante é que o autor está descartando um elemento importante: não é todo mundo que quer debate(de ideologias diferentes) e arrisco a dizer que a maioria prefere exatamente isso, monopolizar um espaço para discutir entre suas próprias tribos(como o autor se refere) .
A esquerda já demonstrou que não quer debate e excluir quem pensa diferente é o melhor caminho para se perpetuarem no poder (utopia, quem tem poder enfrentará sempre oposição).
O boicote é sempre a melhor opção, não está satisfeito com algo, muda.
Lendo vários dos comentários aqui da pra perceber que a maioria das pessoas ainda não entende a diferença entre ética e moral…
O 4chan é o último bastião da liberdade de expressão na internet. Comprem Bitcoin e Monero!
Questão de sobrevivência política, social, econômica e, num futuro, física. Os nazistas primeiro excluíram os judeus politicamente, depois socialmente e, por último, fisicamente.
Uai?! E o que nós podemos fazer se nos boicotam? Senão reagir e criarmos o nosso próprio banco, nossa própria rede social, nossas próprias empresas com as quais POSSAMOS negociar. Não é mais nem uma questão ideológica, mas de sobrevivência. Há notícias até de seguradoras suspendendo apólices porque o indivíduo emite opiniões de Direita!
Acho que é por aí mesmo. Os conservadores endinheirados deveriam entrar ideologicamente no mercado, tal quais, sempre fizeram os “progressistas”.
Artigo muito bonito, mas na prática não existe debate, simplesmente um quer “ganhar” do outro, ninguém se importa com a lógica da argumentação, tirando uns poucos interessados no assunto.
Muito interessante a abordagem da matéria. A sobrevivência da democracia está exatamente na dialética. A democracia é briguenta e isso é sinal de viço e não de doença.
Meu contraponto vai no sentido de haver limites, sob pena de reproduzirmos o paradoxo da tolerância (Popper) e desaparecerem os pilares do Estado de Direito.
O maior problema foi o capitalismo, via globalização, ter transferido poder demais às grandes corporações privadas. Em busca da mineração dos dados, novo petróleo, o Estado, especialmente nas democracias ocidentais perdeu o controle sobre o exercício da liberdade de expressão dos cidadãos. Todos viraram cifras e presas preferenciais dos algoritmos que escaneiam preferências e oferecem produtos sob medida.
O second life ganhou força e se tornou o espaço preferencial de todos, a “first or only possible life”. Quem está fora das redes está fora do mundo. A substituição das verdades científicas por narrativas turbinaram a pós-verdade, no enredo das redes. Com essa força plataformas comerciais tornaram-se um terreno fértil para o aprofundamento da manipulação e polarização.
A Primavera Árabe foi um excelente teste sobre esse potencial. As liberdades individuais sempre motivaram o crescimento das “big techs” no melhor estilo norteamericano, aquele bem descrito por Fukuyama. Por razões distintas, lideranças republicanas e democratas querem reduzir o poderio dessas grandes corporações.
Se a ausência de concorrência fragiliza o mercado, a ausência de Estado fragiliza a democracia. Seja a diversidade do mercado, que impacta preços e qualidade, seja a vigilância do Leviatã, será inexorável o confronto com a regulação, nesse caso um verdadeiro duelo de titãs.
A artista Jane Fonda, disse na rede que ” foi Deus quem enviou esse vírus chinês, para que a esquerda consiga voltar ao poder e derrubar o Trump”,
Acredito que alguns aqui já perceberam que irá muito em breve haver um expurgo de conservadores, liberais, anarcocapitalistas, etc. Basicamente, qualquer um que questione o status quo.
A culpa é nossa que utiliza 100% o google para pesquisa, ignorando outros buscadores ou que gasta horas do dia em redes sociais. Literalmente, criamos um monstro.
O google pode fazer vc desaparecer do dia para noite.
Agora com os democratas sendo uma ditadura nos EUA, eles podem passar o que quiserem. Até mesmo uma nova constituição, e não vai haver modo de reagir pois as redes sociais estão bloqueadas.
Resta uma solução: Deep Web. TOR, forúns lá nos porões da internet. Esse vai ser o modo da gente se comunicar.
No final, é impossível nos calar.
Recebi uma informação que Joe Biden vai permitir que bancos americanos proíbam a abertura ou a manutenção de correntistas que são conservadores. Se isso for verdade, é uma loucura! Isso vai totalmente contra as leis do mercado.
Já prevejo que nas fichas cadastrais, as empresas irão perguntar a orientação política-partidária do usuário antes de abrir a conta bancária. Se for conservador, rejeitam o cadastro (ou descobrem vasculhando as redes sociais). Sinceramente, eu não sei onde este mundo vai parar.
O problema dessa questão levantada pelo texto é que estamos lidando com duas questões de igual importância. Liberdade de expressão e liberdade econômica. Qual tem maior importância?