Há aquela famosa estória apócrifa de um engenheiro que, em visita à China, deparou-se com uma enorme equipe de operários construindo uma barragem com pás e enxadas.
Quando o engenheiro disse ao supervisor da obra que todo o trabalho poderia ser completado em poucos dias — em vez de em vários meses — caso os trabalhadores utilizassem escavadeiras motorizadas, o supervisor disse que não podia fazer isso, pois tal equipamento iria destruir vários empregos.
“Ah”, respondeu o engenheiro, “pensei que você estava interessado em construir uma barragem. Se o seu objetivo é apenas criar empregos, então por que você não coloca seus homens para trabalhar com colheres em vez de enxadas?”.
A falsa ilusão do emprego
Em épocas de recessão econômica e desemprego alto, sempre ressurge a ideia de que a solução mágica e extremamente benéfica é colocar o estado para fazer um amplo programa de obras públicas. Tal ato cumpriria a proverbial (e politicamente incorreta) promessa de matar três coelhos com uma só cajadada: geraria empregos, reativaria a economia e ainda melhoraria a infraestrutura do país.
Em primeiro lugar, é factualmente errada a percepção de que investimentos em infraestrutura geram mais empregos e, consequentemente, devem ser priorizados. A realidade é que todo investimento gera emprego. Ademais, as micro e pequenas empresas são responsáveis respondem por 80% dos postos de trabalho.
Em segundo lugar, ainda em termos de emprego, mais do que os postos de trabalho temporários durante uma obra, o que importa é a continuidade de geração de vagas ao longo do tempo. E isso não é resolvido por um programa estatal de obras públicas.
Mas isso ainda é o de menos. As consequências econômicas de um programa estatal de obras públicas é que são o real problema.
Investimentos em obras públicas são uma categoria — mas não deveriam ser
Na economia real, empreendedores incorrem em projetos que irão propiciar o melhor retorno. Essa busca por projetos que trazem maior retorno é balizada pelo sistema de preços livres. Os preços indicam as necessidades mais urgentes do consumidor.
Por meio dos sinais de preços, o consumidor instrui os empreendedores a fabricar o que mais precisa e deseja. E o sistema de lucros e prejuízos irá informar se a decisão do empreendedor foi acertada ou não, e se ele soube atender bem às demandas dos consumidores.
Os sinais de preços emitidos pelo mercado, portanto, comandam as decisões dos empreendedores. E o sistema de lucros e prejuízos mostra como os recursos escassos estão sendo empregados. Se corretamente, os consumidores recompensam os empreendedores propiciando-lhes grandes lucros; se erroneamente, os consumidores punem impondo-lhes prejuízos.
Este raciocínio vale para todas as áreas da economia, inclusive infraestrutura. Sempre há demandas por obras que irão reduzir custos de logística e de energia, e tornar as empresas brasileiras mais competitivas no mundo. Tais investimentos tenderão a gerar riqueza e empregos continuamente. E sempre há sinais de preço demandando tais investimentos.
O problema, no entanto, é que a infraestrutura é um monopólio estatal. E aí tudo fica desvirtuado. O elo entre demanda e oferta fica quebrado. Não há liberdade de entrada neste setor. Empreendedores não podem livremente construir estradas, pontes, portos, aeroportos, hidrelétricas, redes de saneamento etc. sem antes conseguirem a autorização do estado — sendo que tal autorização, como sabemos, está repleta de favores políticos, conchavos e propinas.
Ainda assim, quando o estado segue as demandas dos consumidores e permite que empresas façam obras, há uma redução desta disfunção, e a genuína demanda passa a ser atendida, ainda que insatisfatoriamente e com menos eficiência do que haveria em um mercado livre.
Porém, a partir do momento em que uma decisão de investimento ocorre exclusivamente em decorrência do dirigismo estatal, com políticos e burocratas em busca de uma métrica de empregos ou de um impulso artificial ao PIB, a chance é que tudo se afunde em um buraco keynesiano.
A ponte para o passado
Se um programa estatal de obras públicas sempre conta com entusiastas em épocas de normalidade econômica, em épocas de recessão os apoiadores tornam-se quase unânimes (as várias correntes ideológicas parecem se abraçar).
Mesmo alguns economistas ortodoxos que tendem a levar mais a sério a questão do equilíbrio orçamentário e da necessidade de se conter os gastos do governo mudam de roupagem e, do nada, passam a afirmar que gastos em obras públicas representam um tipo de gasto do governo que traz retornos positivos e aumenta o bem-estar de todos na sociedade — além de gerar empregos.
Será?
Vejamos.
Suponha que o governo decide construir uma ponte faraônica (tipo a Rio-Niterói) orçada em $ 10 bilhões.
A afirmação de que toda a sociedade ganhará com isso é verdadeira ou falsa?
É indiscutível que a ponte será ótima para aquela pequena fatia da população que irá utilizá-la diariamente. A questão é: e quanto ao restante da população? Quais serão as consequências da construção desta ponte para quem não a utiliza?
Em primeiro lugar, a construção da ponte será paga ou com impostos ou com endividamento.
Se com impostos, as pessoas e empresas que pagaram esses impostos ficarão sem esse dinheiro e, logo, não poderão despendê-lo em coisas que voluntariamente considerem mais necessárias. Consequentemente, os empreendimentos que receberiam esse dinheiro ficam agora sem receita.
Se com endividamento do governo, as pessoas e empresas que poderiam ter pegado esse dinheiro emprestado para fazer investimentos produtivos ficarão agora sem acesso a ele.
Em ambos os casos, os empreendimentos que agora não mais receberão este dinheiro — que foi desviado para a construção da ponte — começarão a demitir. Ou então não mais se expandirão.
Portanto, para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, foi destruído, em algum lugar, um emprego no setor privado.
Podemos ver os operários empregados na construção da ponte. Podemos vê-los trabalhando. Esta imagem real faz com que o argumento do governo — seu investimento gerou empregos — se torne vívido, tangível e convincente para a maioria das pessoas. Há, no entanto, outras coisas que não vemos porque, infelizmente, não se permitiu que surgissem. São os empregos destruídos pelos $ 10 bilhões tirados dos contribuintes ou do mercado de crédito.
Mas tudo piora.
Vivemos em um mundo de recursos escassos. Aquilo que é utilizado em um setor foi necessariamente retirado de outro setor. Se os gastos do governo concentraram recursos em um setor, então outros setores ficaram sem estes mesmos recursos.
Se o governo está construindo uma ponte, ele irá consumir grandes quantidades de aço, cimento, vergalhões e argamassa. Isso significa que todo o resto do setor da construção civil e todas as demais indústrias do país terão agora de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de minério, aço, cimento, vergalhões, argamassa, retroescavadeiras, tratores, cobre, níquel, alumínio etc. Os preços desses itens irão subir e, como consequência, todos os bens que utilizam esses itens em sua construção — como imóveis e carros — ficarão mais caros.
Quando o governo gasta, ele está consumindo bens que, de outra forma, seriam utilizados pela população ou mesmo por empreendedores para fins mais úteis e mais produtivos. Por isso, todo o gasto do governo gera um exaurimento de recursos. Bens que foram poupados para serem consumidos no futuro acabam sendo apropriados pelo governo, que os utilizará sempre de forma mais irracional que o mercado, que sempre se preocupa com o sistema de lucros e prejuízos.
Portanto, os gastos do governo exaurem a poupança (por ”poupança”, entenda-se ”bens que não foram consumidos no presente para serem utilizados em atividades futuras”).
Os gastos do governo não possuem o poder milagroso de criar riqueza para todos. Sempre há os que ganham e sempre há os que perdem. Impossível todos ganharem.
Na melhor das hipóteses, tudo o que aconteceu foi uma transferência de empregos por causa de um projeto. Mais operários para a construção da ponte; menos operários para a indústria automobilística, menos empregados para fábricas de artigos de vestuário e para a agropecuária.
Os cariocas e niteroienses usuários da ponte se deram bem e foram os reais ganhadores. O resto do país perdeu.
Por fim, caso a obra tenha sido financiada via empréstimos contraídos pelo governo, tais empréstimos terão de ser quitados. E quem fará isso serão os pagadores de impostos de todo o país. Dado que o governo não gera riqueza, ele só poderá quitar seus empréstimos por meio de impostos confiscados da sociedade.
Como então é possível dizer que houve um enriquecimento de toda a sociedade?
Possíveis objeções
Frente ao exposto acima, é inevitável que alguém retruque dizendo algo nestas linhas:
“Mas se o setor privado fizer esta ponte, ele também irá inevitavelmente consumir grandes quantidades desses materiais. Assim, o preço também irá subir! Logo, dá tudo no mesmo.”
Não, não dá tudo no mesmo.
1) Se a obra é estatal — isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos –, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Vide os estádios da Copa na região Norte do país).
O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.
2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país do que subiriam caso o investimento fosse totalmente privado e voltado para atender a uma demanda dos consumidores.
3) Por outro lado, se é o setor privado — e não o estado — quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário — ou seja, caso houvesse superfaturamento —, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.
Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há a famosa accountability, ou seja, a responsabilização e a prestação de contas (mais especificamente, o respeito a balancete).
Os retornos são garantidos pelos impostos da população.
4) Em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeiro pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.
Dentre esses dois arranjos, é o estatal que pressiona para cima os preços dos insumos, prejudicando todos os demais empreendedores do país.
Para concluir
E é por tudo isso que obras estatais, que já são ruins em épocas de prosperidade, devem ser evitadas ainda mais em épocas de recessão econômica.
Prejudicar os demais empreendedores em épocas pujantes já é anti-ético e imoral; prejudicá-los em época de profunda recessão econômica é completamente criminoso.
Leia também:
“O Brasil tem de voltar a investir para crescer!”. Mas e se os investimentos forem ruins?
O multiplicador keynesiano: mágica ou estelionato?
Ciclo nefasto: a economia cresce, o governo gasta, e os gastos do governo depredam a economia
Muito bem explicado. Praticamente desenhado. Obrigado a todos pelo trabalho prestado.
Interessante o artigo, mas gostaria de pontuar algumas percepções minhas:
1 – O Brasil tem uma das maiores proporções do mundo de estradas concedidas. Temos tambem um amplo programa de concessão aeroportuária que ja concedeu os principais aeroportos e deve seguir até o fim do mandato Bolsonaro concedendo toda a malha
2 – Mesmo assim a nossa infra segue deficiente e o que acabou acontecendo com esse modelo foi que os administradores das rodovias e aeroportos privados passaram a cobrar mais dos usuários, com pedágios, aluguel de hangares e cobrança de tarifas de fornecimento de combustivel para aeronaves muito mais caras que anteriormente, diminuindo o uso da infraestrutura pelos usuários
3 – A adminsitradora do aeroporto do RJ é a Changi uma estatal asiática. Isso tem impacto no arranjo apresentado pelo autor do artigo?
4 – Sim. Esses serviços foram passados à iniciativa mas ainda conta com regulação estatal. Mas creio que no mundo inteiro há essa regulação. Assim qual seria a diferença.
5 – No mundo inteiro há obras públicas, Trump mesmo queria fazer o muro na fronteira com o Mexico, nem por isso eles são um país pobre.
Esse Humberto tem uma capacidade ímpar em se contradizer. Me divirto lendo seus comentários! Venham comigo:
Você vê os empregos criados e as pessoas beneficiadas. Mas você não vê os empregos destruídos, os empregos que deixaram de ser criados, os empreendimento que não saíram da gaveta, os empreendedores que não conseguiram ir adiante por causa do aumento dos custos.
Bem, aqui ele diz que quando temos um gasto público, em que é financiado previamente ou por impostos ou por endividamento junto aos poupadores da economia, vc está criando uma situação em que o benefícios dos empregos criados é superado pelo dano dos empregos destruídos e que não é visto por ninguém.
Pois bem, a tragicomédia segue:
Todas essas obras garantiram um turbinada no PIB
Uai! Ele acabou de dizer que os danos são maiores que os benefícios de uma obra pública, como agora ele pode dizer que deu uma “turbinada”?
Segundo a lógica Humbertiana era pro PIB ter crescido mais sem as obras do que com as obras públicas!
A não ser que ele tenha a pachorra de vir aqui agora e dizer que sim, o PIB na época pré Copa ia crescer dois dígitos e nao cresceu por causa do governo, ele é um sujeito bem contraditório
Pensa que acabou? o sitdown comedy fica ainda melhor:
Mas quais foram as consequências no longo prazo? O que houve com a construção civil depois disso?
As construtoras quebraram depois disso, pois um tal de Dr. Sérgio Moro resolveu dilapidar o caixa das empresas (mas os donos continuam vivendo em mansões, pouco lhes foi tirado, não é curioso isso?).
A cereja no bolo:
Empresa concessionária, que atua protegida pelo estado, só presta bons serviços por caridade.
É inegavel que algumas concessionárias prestam bom serviço mesmo que sob um arranjo que o querido Humberto critica ferozmente. Como ele consegue explicar isso? Dizendo que o fazem por caridade.
Podia elaborar melhor, dizer que era pra pagar propina, pra dar voto pro político etc. Afinal, corrupção é sempre a muleta dos libertários incautos.
Dia difícil para ser Humberto hoje!
Esses caras não aprendem. Os militares fizeram isso na década de 70 e acabaram com o país. Aliás, Brasil republicano foi assim por quase todo o período. A economia quase que funcionando como um marido broxa, que quando você acha que vai melhorar as coisas, quando ver o negócio não funciona e entra em recessão. Getúlio e JK foi isso puro, assim como muitos anos do regime militar (os primeiros anos, no Humberto Castello Branco, foram de ajuste).
Se essa porcaria do programa passar de vez, real brasileiro vai para o caminho fácil do peso argentino. Só o fato de isso ter sido pensado, além da demissão do Moro, já afundou a moeda em dezenas de centavos em poucos dias.
Sobre a ponte Rio-Niterói, difícil haver um exemplo mais nefasto de destruição de muito para o privilégio de poucos. O INSS dos desdentados de todo o Brasil foi usado para bancá-la.
Veja isso:
“O sistema de repartição só funcionava bem antigamente, quando muitos trabalhavam para alimentar um fundo que sustentava poucos aposentados. Até a década de 60, para cada brasileiro aposentado havia outros seis trabalhando. Hoje, essa relação é inferior a dois para um. Isto acontece porque a população está envelhecendo e há cada vez mais aposentados para receber e menos trabalhadores para contribuir.
Com a promulgação da Constituição de 1988, o INSS levou o último grande baque. Sob a justificativa de que estavam fazendo justiça social, os constituintes aprovaram uma lei concedendo o benefício da aposentadoria a todos os brasileiros com mais de 60 anos, no caso das mulheres, e de 65 anos, para os homens, mesmo aos que nunca contribuíram. Mais de 5 milhões de ex-agricultores passaram a receber aposentadoria, e o aumento de despesas foi na ordem de 15 bilhões de reais por ano.
O sistema oficial de previdência foi inventado em 1923 e desde então vem sendo dilapidado. Juscelino Kubitschek tomou 6 bilhões da Previdência para construir Brasília. Os militares usaram dinheiro da Previdência para fazer a ponte Rio-Niterói e a Transamazônica. O dinheiro jamais foi devolvido.”
Revista Veja, edição 1786, de 22 de janeiro de 2003
Qual país se desenvolveu sem grandes obras públicas?
Estou estudando a compra de um carro usado até uns 30 mil. É uma boa hora ou vale esperar mais um pouco? Com a crise que virá, penso q nem os apps de transporte irão conseguir fazer com que os usados segurem seus preços, como estava acontecendo nos ultimos dois anos. Até os chineses, campeões de desvalorização, estavam sendo vendidos pela FIPE. Ademais, o número de leilões de recuperados tende a aumentar…
Pensando um pouco mais fundo, ninguém acha estranho que o setor público aprove orçamentos anuais baseados em previsão de receita?
Não só o governo federal faz isso, como também os governos estaduais. E agora estão aí passando aperto por causa da Covid-19. Prometeram gastos que não mais terão como honrar (pois não há arrecadação de impostos), e estão correndo para pedir ajuda ao governo federal.
Qualquer empresa que eu conheço faz planos baseados em seu caixa (dinheiro já existente) e com investimentos planejados e condicionados, isto é, sujeitos à ajustes no decorrer do tempo.
Já nossos estados, municípios, etc., se reunem no começo do ano e dizem “Achamos que nossa receita vai crescer 3% este ano, então vamos aumentar nossa despesa em 3% já.”
É só mais uma das maluquices que, de tão comuns, já são consideradas normais.
Caramba pessoal, o dólar caiu bastante em pouquíssimo tempo, para R$ 5,33 (no momento). 27 de abril estava em R$ 5,65.
Otimismo ainda não. Se for pegar aquele tal de valor correto do câmbio, pelo IPCA, o câmbio está subvalorizado (pelo IGP-M provavelmente seria o contrário).
Guedes ainda insiste em cambio desvalorizado, apenas veja nesse RECENTE vídeo:
Muito triste eu não consigo crer que ele realmente pensa nisso, não pode ser meu deus
Precisamente entre 5 minutos e 30 segundos para cima.
http://www.youtube.com/watch?v=z1J9Harpw3Q
Até o Delfim Netto acha o programa Pró-Brasil uma porcaria. Ele até que não é tão desenvolvimentista assim. Qual é a vertente de escola de pensamento dele? Pós-keynesiana, igual ao José Serra?
Esse trecho da entrevista me chamou a atenção:
“E quanto ao futuro do capitalismo? Acabou a era do domínio do sistema financeiro?
Como o governo tem déficit de permanência, o sistema financeiro recorre à nossa poupança e compra papéis do próprio governo. Normalmente, esse é um dos grandes problemas. O sistema financeiro deveria estar trazendo recursos. Porque o governo é muito maior do que dizia ser, não cria recurso nenhum, é um mero transferidor de recursos e, para transferi-los, cobra um preço enorme. O fato é que toda essa casta que se apropriou do poder continua com seus salários intocados. Acho que uma redução dos salários traria dois efeitos positivos: melhoraria as finanças e, como eles passariam a trabalhar menos, o Brasil cresceria mais.”
Tudo se resume em investimento produtivo e sem corrupção. Desta forma qualquer investimento, seja ele estatal ou privado, deve ter como prioridade o retorno de seu custo e ser, no mínimo, auto sustentável, mesmo que tenha apenas retono social.
Delfin Neto e José Serra, são exemplos de péssima conduta.
Não culpem os servidores públicos, culpem o voto de vocês.
E a China faz tudo o que o articulista condena e se torna a segunda economia do mundo.
Para quem entende dessa área de indústria farmacêutica, a Lei 9.787, de 10 de fevereiro de 1999, que efetivamente introduziu os medicamentos genéricos, poderia ser entendida como um exemplo de desregulação no setor, mesmo que mínima? Aqui no Brasil eu já conheço alguns medicamentos genéricos que simplesmente não prestam, assim como certos remédios manipulados, algo que eu ainda não havia visto quando morava nos Estados Unidos (lá existe também, mas acho que ainda não “experimentei”).
Senhores… acabo de ler no R7 que Guedes “estuda” a possibilidade de “imprimir dinheiro” para sengundo ele, evitar demissão em massa!!! Como se já não bastasse o plano de fazer obras estruturais agora teremos o pior cenário possível, impressão de moeda! Que Deus Pai nos ajude, pois o Mesias que temos parece morto frente a tudo isso!
Para quem não entendeu vou passar um programa da década de 90 feito para crianças porém com temas adultos:
http://www.youtube.com/watch?v=GWQYsFNjSw4
http://www.youtube.com/watch?v=TWAQT2gQCqM
http://www.youtube.com/watch?v=m03kc07VU3U
Olhem que interessante o caso do México em questão fiscal. Os déficits do país quase sempre se mantiveram baixíssimos, aumentando só depois da crise de 2008, e voltando a cair. Em questão de endividamento, embora tenha sido bem menor, ainda é muito mais civilizado do que o Brasil.
Estou fazendo um texto sobre o México, devo deduzir de que os governos desde a reforma fiscal e monetária de 1988 se mantiveram no compromisso de não destruírem a parte fiscal e monetária do país, correto? Em PIB per capita eles já passaram o Brasil.
É, pessoal, com ou sem obras públicas tudo indica que vamos nos estrepar.
O covidão já está a pleno vapor…..
http://www.google.com/amp/s/gazetabrasil.com.br/politica/covidao-sem-licitacao-doria-gasta-r-14-mi-por-aventais-e-deputados-pedem-apuracao-do-tce/amp/
http://www.google.com/amp/s/gazetabrasil.com.br/especiais/coronavirus/covidao-sc-comprou-200-respiradores-por-33-mi-de-puteiro-no-rio-de-janeiro/amp/
rondoniaovivo.com/noticia/brasilemundo/2020/04/28/jovem-de-19-anos-ganha-contrato-milionario-de-respiradores-para-o-rio.html
E assim vai…… Como eles dizem, “fiquem em casa”.
“O Brasil não se desenvolveu e não tornou-se um país mais rico ao longo das ultimas décadas pois a estrutura produtiva é menos tecnológica, sofisticada e complexa (comparando com Alemanha, Suíça, Japão, Coreia do Sul, etc… países que dominam tecnologia (industria química, automobilista, robótica, etc)?
O Brasil não produz coisas sofisticadas, só commodities (pauta de produção e exportação baseada em produtos primários). Empresas como a Embraer, por exemplo, são uma exceção, num país quase que restrito ao agronegócio, sem uma base industrial mais robusta e tecnológica.”
Considerando que existe essa correlação positiva entre complexidade da estrutura produtiva/nível de insdutrialização de um país e sua renda per capta, pode se dizer que o nível de estrutura produtiva/industrial é que determina a riqueza de uma nação?
Análises como está são corretas? Para superar o subdesenvolvimento, o caminho ideal seria uma agenda de reindustrialização para o país? Se sim, como implementar essa agenda – o estado teria algum papel nisso?
Dúvida de um ex-keynesiano de universidade pública – aprendendo EA: com relação a abertura econômica e cambio:
1) A abertura comercial implementada pelo Brasil nos anos 1990 foi expressiva?
Pode-se verificar benefícios claros dela? De fato, ela contribuiu para extinção de muitas industrias diminuindo o parque industrial do país?
Um projeito de abertura econômica deveria ser implementado mesmo que provocasse o fechamento de varias industrias nacionais, por não resistirem a competição com estrangeiros?
2) Keynesianos relatam que um câmbio apreciado daria uma sensação momentânea de prosperidade (gerando inflação baixa, acesso a produtos importados mais baratos, viagens internacionais) e algum crescimento econômico no início, mas não sustentável (voo de galinha), pois não contribuiria para um maior nível de sofisticação produtiva e complexidade do setor industrial.(A Embraer não sobreviveria com dólar a R$ 2,90, por exemplo.)
O câmbio apreciado seria ruim para a produção industrial, como relatam os keynesianos? Países que têm industrias fortes (Alemanha, Coreia do Sul, Tigres asiáticos, Japão, etc), ao longo das décadas recorreram manutenção de cambio competitivo para auxiliar suas industrias?
Excelente artigo, com o qual concordo quase que inteiramente. Senti falta de uma abordagem sobre, por exemplo, obras que fossem realmente necessárias para o país e que não despertem o interesse do capital privado, por conta do investimento muito alto e de retorno muito demorado. (CSN?) Parabéns!
Mas e em casos onde o setor privado não estiver interessado? Por exemplo, obras de saneamento ou estrada que podem trazer investimentos privados para a economia local, mas que nenhum investidor tomaria esse risco de contruir essas infraestruturas? Até porque, desde o intervencionismo excessivo no governo Dilma,muitas empresas estão quebradas e com dívidas. E com desemprego, não podemos contar com o aumento do consumo das famílias. E ainda tem juros baixos e economia global nem um pouco favoráveis ao investimento externo. Ou seja, quem poderia reverter esse quadro de recessão? Sei que o governo está com um déficit indesejável, mas ao menos é na nossa moeda e a dívida pública mundial irá crescer, o que comparativamente poderia nos manter “ao mesmo patamar atual” de % da dívida em relação ao PIB. Realmente esse fiscalismo excessivo seria o melhor caminho ?
"O que a humanidade precisa hoje é libertar-se de slogans sem sentido e retornar ao raciocínio sadio."
Mises
* * *
Provavelmente o que deve resolver os problemas são as diversas bolsas familias, auxilios brasil, auxilio escola, creche, e etc, etc, etc. Essas coisas que o governo dá para as pessoas a troco de NADA.
Não deveria nem haver muito o que pensar. Se temos uma população altamente doutrinada na cultura de receber esmolas do governo (e isso no curto e médio prazo não irá mudar), ao menos que esta renda chegue em troca da oferta de mão de obra pelo recebedor. Nem que seja varrer a calçada da propria casa. Nada será pior que dar dinheiro a um pobre ou algo que chamam de pobre em troca de ele simplesmente não fazer nada. Nem estudar, nem trabalhar, nem nada.
Lembro-me quando criança quando fui visitar meus avós maternos no interior do ceará. Do lado da casa deles tinha uma açude (agua represada) gigantesco. Eu perguntei a minha mae quem havia construído aquela imensa intervenção. Ela me respondeu que foram os homens do lugar, incluindo meu avô, que foram contratados pelo governo do ceará durante uma seca muito intensa da epoca, por intermédio de um programa de obras contra a seca para fazer a obra que represaria um rio sazonal. Obra feita na base da pá, da enxada e da picareta lá pelos idos de 1950. Depois das primeiras chuvas o lago foi ficando maior, maior, maior e desde então nunca mais secou. E desde então nunca mais o governo precisou gastar com assistencialismo no lugar – as pessoas tinha a agua para poderem trabalhar. Ao menos até onde a minha mãe disse – meu avó com um pequeno sitio às margens do lago nunca mais parou de produzir e nunca mais precisou de nada do governo. Criou minha mae e meus tios com dignidade no meio do sertão seco e viveu uma boa vida. O lugar virou um polo regional produtora de frutas e verduras. Este é o exemplo que eu trago para mim de que investimentos (estatais ou privados) feitos com critérios direcionados á independencia do cidadão – podem sim ser exitosos e melhorarem os indices economicos e de qualidade de vida.
Fico pensando se esta coisa fosse hoje… “trabalhar com pá, picareta e enxada” ??? “que absurdo, isso é exploração”, “fere os direitos trabalhistas”, “ferem o direitos humanos” “e sem contar que não tem concurso, nem estabilidade, nem aposenta”… Resultado: O rio nunca seria represado a não ser por uma obra publica superfaturada que embora use maquinario pesado custaria 5x mais que a obra que meu avô às mãos ajudou. Mais provavel ficarem sem o rio mesmo, ficarem sem condição de produzir e ficarem ad aethernum dependendo dos incontaveis bolsas auxilio seca…
A verdade é que os anos tem tornado as pessoas fracas. Muito fracas. E a maior comprovação disso é tolerarem e elegerem governos corruptos. A segundo é aceitarem para si esmolas governamentais sem perspectivas de mudança efetiva.
Provavelmente o que deve resolver os problemas são as diversas bolsas familias, auxilios brasil, auxilio escola, creche, e etc, etc, etc. Essas coisas que o governo dá para as pessoas a troco de NADA.
Não deveria nem haver muito o que pensar. Se temos uma população altamente doutrinada na cultura de receber esmolas do governo (e isso no curto e médio prazo não irá mudar), ao menos que esta renda chegue em troca da oferta de mão de obra pelo recebedor. Nem que seja varrer a calçada da propria casa. Nada será pior que dar dinheiro a um pobre ou algo que chamam de pobre em troca de ele simplesmente não fazer nada. Nem estudar, nem trabalhar, nem nada.
Lembro-me quando criança quando fui visitar meus avós maternos no interior do ceará. Do lado da casa deles tinha uma açude (agua represada) gigantesco. Eu perguntei a minha mae quem havia construído aquela imensa intervenção. Ela me respondeu que foram os homens do lugar, incluindo meu avô, que foram contratados pelo governo do ceará durante uma seca muito intensa da epoca, por intermédio de um programa de obras contra a seca para fazer a obra que represaria um rio sazonal. Obra feita na base da pá, da enxada e da picareta lá pelos idos de 1950. Depois das primeiras chuvas o lago foi ficando maior, maior, maior e desde então nunca mais secou. E desde então nunca mais o governo precisou gastar com assistencialismo no lugar – as pessoas tinha a agua para poderem trabalhar. Ao menos até onde a minha mãe disse – meu avó com um pequeno sitio às margens do lago nunca mais parou de produzir e nunca mais precisou de nada do governo. Criou minha mae e meus tios com dignidade no meio do sertão seco e viveu uma boa vida. O lugar virou um polo regional produtora de frutas e verduras. Este é o exemplo que eu trago para mim de que investimentos (estatais ou privados) feitos com critérios direcionados á independencia do cidadão – podem sim ser exitosos e melhorarem os indices economicos e de qualidade de vida.
Fico pensando se esta coisa fosse hoje… “trabalhar com pá, picareta e enxada” ??? “que absurdo, isso é exploração”, “fere os direitos trabalhistas”, “ferem o direitos humanos” “e sem contar que não tem concurso, nem estabilidade, nem aposenta”… Resultado: O rio nunca seria represado a não ser por uma obra publica superfaturada que embora use maquinario pesado custaria 5x mais que a obra que meu avô às mãos ajudou. Mais provavel ficarem sem o rio mesmo, ficarem sem condição de produzir e ficarem ad aethernum dependendo dos incontaveis bolsas auxilio seca…
A verdade é que os anos tem tornado as pessoas fracas. Muito fracas. E a maior comprovação disso é tolerarem e elegerem governos corruptos. A segundo é aceitarem para si esmolas governamentais sem perspectivas de mudança efetiva.