A Estação de Tratamento de Água do Guandu, que atende a região metropolitana do Rio de Janeiro, está distribuindo água com gosto e cheiros de terra desde o início de 2020.
A responsabilidade é da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), mas o problema não é de hoje: a questão da poluição na água da região se arrasta por décadas e passou por quatro governos diferentes do Rio de Janeiro e seis presidentes da Cedae.
A avaliação é que a falta de investimentos na estação resultou na indisponibilidade de equipamentos cruciais para a realização do serviço.
Em um momento em o país sancionou o Novo Marco do Saneamento Básico, a Cedae é exemplo de como saneamento básico e abastecimento de água são importantes demais para serem deixados nas mãos do estado.
Aqui estão 7 motivos para se privatizar a estatal.
1. Serviço precário
A Cedae atende a 65 municípios do Rio de Janeiro, um estado em que 50% dos domicílios não têm coleta de esgoto e dois terços disso não é tratado. Há ainda um desperdício de água próximo a 50% por causa de vazamentos em encanamentos sem manutenção adequada e fraudes, prejudicando o meio ambiente.
2. Os contratos da Cedae não têm metas
Estudo da FGV Ceri (Centro de Estudos de Regulação e Infraestrutura) apontou que a maioria das companhias estaduais de saneamento do sudeste presta serviços para os municípios sem licitação e sem metas definidas para o atendimento à população em termos de abastecimento de água e esgoto.
Apenas 1,67% dos contratos firmados entre os municípios atendidos pela Cedae conta com metas bem definidas. Para efeito de comparação, a Sabesp tem metas bem definidas em 83,4% dos contratos com os municípios atendidos, a Cesan (ES) conta com 80% e a Copasa (MG) em 77,6% — Sabesp e Copasa têm mais de 49% de seu capital com investidores privados, ao passo que a Cedae é 99,9996% estatal.
3. Sem dinheiro para investimentos
A universalização do saneamento básico no Rio de Janeiro é estimada em cerca de R$ 30 bilhões. Porém, nos últimos cinco anos, a Cedae investiu por ano em média apenas R$ 230 milhões. Além disso, os valores caíram: entre 2014 e 2017, a companhia reduziu em 62% os investimentos.
Além disso, com as contas públicas fluminenses em colapso, não há a possibilidade de haver repasses para aumentar o ritmo de investimentos.
4. Uma das tarifas mais altas do país
Segundo levantamento de pesquisadores do IPEA de 2018, a Cedae é a empresa de saneamento que cobra os maiores valores em taxas e tarifas por seus serviços do país.
Ela cobra mais que o triplo da tarifa para residências determinada pela Sabesp, companhia que atende São Paulo. A estatal fluminense também cobra de estabelecimentos comerciais e industriais muito mais do que Copasa, Sabesp e Sanepar (outra empresa de capital aberto).
Os valores aumentaram nos últimos anos: entre 2014 e 2017, as tarifas da Cedae foram reajustadas em 22,3%.
5. Tarifas são destinadas a engordar a folha de pagamento
Porém, esse dinheiro não vai para aumento de investimentos, como já afirmado. Segundo estudo da Inter.B, as despesas com empregados cresceram 55% no período equivalente — o que significa que o grosso das receitas vai para bancar os gordos salários do burocratas e apadrinhados políticos empoleirados na estatal.
Não é à toa que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano (PT), já está se movimentando para impedir a privatização da empresa.
6. Falta de transparência
Segundo o deputado estadual Chicão Bulhões (NOVO), os parlamentares não conseguiram acesso ao contrato de prestação de serviço entre a Cedae e o município do Rio de Janeiro. O fato demonstra a falta de transparência da estatal em sua prestação de contas e serviços.
7. Melhoria das contas do Rio de Janeiro
Em 2016, a Secretaria de Parcerias e Investimentos da Presidência da República estimou que a concessão do sistema de saneamento do estado do Rio à iniciativa privada poderia gerar R$ 1,5 bilhão no ato da assinatura dos contratos. O dinheiro iria para o governo do estado do Rio de Janeiro, melhorando a dívida líquida do estado.
Nada de novo
Todos os fatos acima apenas relatam a mesma e velha história de sempre: o real problema não é que a CEDAE esteja com escassez de financiamento; o problema é que ela é gerenciada por políticos e burocratas.
Quando uma empresas monopolista e estatal passa a ser dominada por conchavos e loteamentos políticos, o resultado inevitável é que ela irá se tornar pavorosamente ineficiente.
Não importa em quanto seja aumentada a quantidade de dinheiro jogada no sistema; no final, a administração burocratizada, sem concorrência e aparelhada por políticos irá simplesmente desperdiçar (para não dizer desviar) este dinheiro — afinal, esta é a regra em empresas estatais que operam em uma reserva de mercado, sem concorrência, e com um quadro repleto de apadrinhados políticos.
E este é o grande problema dos sistemas estatizados e monopolistas: é impossível fazer uma administração racional dos recursos: dado que a receita independe da qualidade dos serviços ofertados, e dado que as despesas seguem orientações políticas, e não a qualidade dos serviços, não há um real sistema de lucros e prejuízos a ser seguido. Logo, não há racionalidade na administração. Com efeito, nem sequer é possível saber o que deve ser melhorado, o que está escasso e o que está em excesso. Não há como inovar ou se tornar mais eficiente.
Em um sistema de saneamento controlado integralmente pelo governo, são os políticos e burocratas que determinam quem irá receber o serviço, e como serão repartidas as receitas entre seus apadrinhados.
Políticos e burocratas que gerenciam empresas não se guiam pelas demandas dos consumidores, mas sim pelas conveniências financeiras do arranjo.
A solução ideal seria abrir o mercado para a concorrência, permitindo a entrada de novas empresas concorrentes (todos os detalhes estão explicitados neste artigo). Entretanto, como isso dificilmente irá ocorrer (pois há um limite à liberdade tolerável no Brasil), a única solução imediata e definitiva é retirar os políticos e burocratas da jogada, abrindo o capital da empresa — como já ocorreu com Copasa, Sabesp e Sanepar.
Isso, por si só, já garantiria um salto qualitativo nos serviços, pois agora a empresa estaria sob o escrutínio de investidores privados, que não tolerariam lambanças como água com gosto e cheiro fétidos —pois isso faria desabar o valor das ações.
Já passou da hora de tentarmos um pouco de capitalismo no Brasil.
Eis o Freixo no Twitter:
“Vitória! Barramos na Alerj a privatização da Cedae. Trata-se de uma empresa lucrativa e seria um absurdo vendê-la. Água não é mercadoria, é direito.”
twitter.com/MarceloFreixo/status/1070388180610936832
Tradução: receber água com bosta, mesmo pagando uma das tarifas mais altas do país, é um direito inalienável da orgulhosa população fluminense. Eles que se virem, portanto.
Imagine que você vende um produto, mas a cada 10 unidades, joga 3 fora.
É o que a CEDAE faz com a água no Rio de Janeiro. 29% de toda água distribuída é desperdiçada pelo meio do caminho e não chega até a casa das pessoas.
Por que a esquerda fluminense é contra a CPI da Cedae?
Saneamento de Niterói:
Até 1999, com a estatal CEDAE:
Abastecimento de água – 72%
Coleta de esgoto – 35%
Tratamento esgoto – 35%
A partir de 1999, operado por concessão privada:
Abastecimento de água – 100%
Coleta de esgoto – 93,1%
Tratamento esgoto – 100%
Já encontraram geosmina na água da Cedae, um produto químico não recomendado nem para animais. Agora moradores encontraram detergente também. Tá tudo dominado.
37 bairros do Rio e mais três cidades da Baixada após a Cedae ter cortado o fornecimento.
oglobo.globo.com/rio/falta-dagua-ja-atinge-37-bairros-no-rio-tres-cidades-da-baixada-24228138
Em um mês, Cedae distribuiu 120 bilhões de litros de água contaminada
Quantidade equivale a 48 mil piscinas olímpicas em 31 dias
oglobo.globo.com/rio/em-um-mes-cedae-distribuiu-120-bilhoes-de-litros-de-agua-contaminada-1-24225323
Interessante é que a comparação deste artigo se deu entre a CEDAE (99,9% do capital votante em poder do Estado do Rio ) e sociedades de economia mista de outros Estados da Federação (empresas com mais de 50,01% do capital votante em poder de algum outro ente público).
Foi um comparativo setor público x setor público e não setor público x setor privado.
Sabesp, Copasa e demais estatais estão muito longe de ser um exemplo de eficiência e transparência na gestão.
Isso mostra que o descalabro da CEDAE se deve não apenas ao fato de ser uma empresa pública, mas, também, por ser uma empresa pública do Estado do Rio de Janeiro.
Pessoal, qual a chance do TRUMP NÃO SER re-eleito? Já viram as pesquisas?
Da uma olhada nisso gente, 90% das pesquisas indicam que sanders vence!
E antes de qualquer coisa, em 2016 erraram muito eu sei, as pesquisas não iam usar o mesmo modus operandi novamente e esperar resultado diferente, eles não são burros, tentar a mesma coisa levaria TRUMP a se eleger com o pé nas costas
http://www.realclearpolitics.com/epolls/2020/president/us/general_election_trump_vs_sanders-6250.html
Eu até concordo que a água no Hell de Janeiro deveria ser privatizada, mas como apoiar isto se até mesmo a Light (compania energética) e a SuperVia (transporte) sempre tem notícias negativas sobre essas empresas.
Meu palpite que essas empresas sofrem de um mal comum aqui na banânia: Falta de respeito com a propriedade privada.
Moro no Rio de Janeiro e sinceramente, acho que privatizar não vai mudar muita coisa. Vai passar de um monopólio estatal para um monopólio privado, até porque político nenhum cogita sequer estudar a possibilidade de implantar um sistema de disputa por concessões, essa e outras possibilidades parecem nem existir porque ninguém fala delas.
Aqui onde eu moro pagamos caro pela água em comparação até com os vizinhos, avacalhando muito nosso custo de vida. Tenho até medo que uma privatização porca faça o monopólio simplesmente reajustar os preços sem se preocupar com a redução de custos de produção e uma reestruturação de fato da empresa.
Teve babaca de esquerda falando que tudo isso foi planejado para a CEDAE ser privatizada. Moradores da área fizeram questão de deixar claro que o serviço sempre foi péssimo.
Seria surpresa se funcionasse e a gastança não fosse majoritariamente para salários dos funcionários. É assim também com universidades como a Unicamp e USP.
É como se os Correios cuidassem da água. E a Sabesp não está muito melhor. Basta ver o racionamento de água que houve anos atrás na Grande São Paulo, como se os moradores agora estivessem morando numa roça, e não em um país infestado de bacias hidrográficas e águas subterrâneas.
Não há nada melhor para a CEDAE do que desestatizar totalmente o setor de saneamento. Se não der para vender ou mesmo doar essa porcaria, que então pelo menos deixe os moradores escolherem as empresas no setor.
Aproveitando sobre a questão do saneamento, me chama a atenção a porca qualidade da infraestrutura brasileira (fiquei mal-acostumado com a Flórida). Só ver o que acontece depois das chuvas. A região de MG atingida parece que sofreu terremoto com furacão (último furacão registrado no Brasil foi o Catarina, em 2004, e algo bem mais fraco do que o Furacão Dorian que passou perto de onde morava). Tem avenida que até cai, isso em Belo Horizonte, imaginem então em cidades interioranas. Estrada que cede, e fica tudo por isso mesmo. As ruas de farelo começam a abrir buracos (o que é motivo de comemoração, quando não acontece coisa pior como parte da rua ceder). Será que nenhum vereador ou prefeito poderia fazer algo para mudar isso? Será que um dia o Brasil terá isso?
Me lembrou agora dos romanos. Esses caras trouxeram água encanada há milênios, e hoje esse problema crônico de saneamento continua no Brasil. Algum historiador poderia dizer se esse sistema de saneamento era todo privado?
Estão sabotando a operação de tratamento pra depois dizer que a privatizacao é ruim. Greve não é a unica coisa que os corporativistas fazem.
É a opção de espalhar medo, terror na população. E tem gente que acredita que eles estao certos. É aquela falácia de que vao perder os empregos, entao ta liberado negligenciar as operações, mesmo que isso cause envenenamento, ja que como a culpa é coletiva, é dificil achar o reaponsavel pela policia civil no inquerito.
É no RJ, relaxem, eles merecem!
Pessoal eu tenho duas dúvidas:
1 – Como se daria a concorrência no setor de água e saneamento, visto que tem toda a questão de instalar tubulações? Se a tubulação de onde moro pertence à empresa A, e eu decida cancelar seus serviços e contratar a empresa B, como isso poderia ser feito?
2 – Vamos fingir que por exemplo todo o setor aéreo brasileiro é desregulamentado e um genuíno livre mercado é instalado, após isso empresas estrangeiras entram rasgando no Brasil e levam todas as nacionais à falência. Nesse cenário alguém diria “Isso é péssimo, pois agora todo o lucro da operação aérea no Brasil vai pro exterior enriquecer os gringos”, a mim isso não faz sentido pois os Reais gerados não saem do Brasil, eles só são cambiados por dólares ou Euros e então remetidos para as matrizes das empresas. A minha visão faz sentido?
(O exemplo do setor aéreo é aleatório mesmo)
Obrigado!
Desculpem o off, mas alguém sabe porque os postos não baixaram o preço da gasolina mesmo com a petrobrás reduzindo?
Álcool? Imposto?
Virou debate hoje e eu não sei apontar bem a causa;
Alguém me explica porque alguns países estão re-estatizando empresas de saneamento, por exempo a Alemanha?
Conforme o texto afirma: “Nada de novo”.
Estado com pouco dinheiro e baixa capacidade de gerenciamento produtivo.
Discuto esse tipo de assunto no meu blog:
velhaeconomia.blogspot.com
Até concordo com a questão da ingerência politiqueira na gestão da empresa, mas mesmo privatizada continuaria monopólio, só que privado. Aqui em Goiás tiraram uma estatal (CELG) da transmissão de energia, entrou a ENEL (estatal Italiana), pergunta se melhorou alguma coisa? Tá sofrendo intervenção por descumprimento de metas e por constantes quedas de energia. Monopólio seja público ou privado é um terror para quem consome e paga pelos produtos / serviços. Só privatizar não garante melhoria.
Gosto de teoria econômica, mas, com relação as empresas de água, não compreendo a teoria. Tentem acompanhar:
1- uma situação é o livre mercado, apoio totalmente, várias empresas concorrendo pelo melhor serviço e melhor preço. Questão: Como aplica-se livre mercado em um monopólio perfeito como a água? Como ficaria um monopólio estatal para um monopólio privado?
2- o nível de investimento é muito diferente da luz, é bem maior, mais contínuo e operação mais complexa na rede, além do que é questão de saúde, já que ninguém bebe luz… Como não concorre quem fiscaliza? Fica como a energia elétrica? Cria-se uma agência governamental cheia de pupilos para fiscalizar? (nem citei que o problema vem em par, água e esgotamento)
gostaria de comentários… contrapontos…
Grato!
Rafael
Aqui na Paraíba, comparando-se o transparente SIMULADOR DE TARIFAS da SANEPAR, em confronto com a metodologia de faturamento e resultados apurados pela CAGEPA, ninguém sabe explicar o porquê da cobrança de de água e esgotos resultar – em janeiro/2020 – num custo final maior em 167 % para o mesmo volume de 36 m3 de água e coleta de esgoto COMERCIAL, medidos e consumidos na conta 01/2020 em cada região.
E, mesmo ressalvadas a peculiaridades locais do Paraná e da Paraíba – bem como o universo atendido por cada uma dessas empresas – ninguém sabe dizer no que diferem os serviços prestados pela SANEPAR, com relação àqueles prestados pela CAGEPA, para que nesta se justifique a cobrança exorbitante.
Atualmente houve problema na energia elétrica no estado do Amapá, em que a população de todo o estado está sem energia elétrica há vários dias por conta de uma explosão de um gerador. Fui ver se a companhia é pública ou privada e adivinhem: É PÚBLICA! Isso já e auto-explicativo.
cea.portal.ap.gov.br/
Que bom… privatizaram quase todos os blocos (só falta o Bloco 3). O governo estadual do Rio de Janeiro teve que fazer isso por pura contabilidade. Pena que não é o ideal (já que é uma concessão), mas já é melhor do que a CEDAE estatal.
Não tem como não se lembrar do sacrifício que foi para se privatizar o Banespa.
Para mim, a privatização mais importante de todas é a da Petrobras. Se vai acontecer, tenho minhas dúvidas.
Finalmente a CEDAE foi concedida a iniciativa privada (não é o ideal, mas é melhor do que ser gerida pelo Estado), talvez essa seja a razão do artigo voltar a página principal do IMB:
g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/04/30/primeiro-lote-do-leilao-da-cedae-e-vendido-com-mais-de-100percent-de-agio-sobre-o-lance-inicial.ghtml
Se preparem para o chororô dos esquerdistas do PIÇOL, PETÊ e cia.
Seria muito bom se o governo federal simplesmente extinguisse a Agência Nacional de Águas (a ANA), revogando as leis nº 9.984/2000 e nº 9.433/97, assim como abolir o decreto nº 3.692/2000.
O Bloco 3 áreas de milicianos e sem infraestrutura vai acontecer nada ? Vão vender o serviço a preço de banana pra uma empresa péssima e aposto que em menos de 10 anos o serviço vai continuar ainda porco.. Melhor deixar o Bloco 3 mesmo com os milicianos
CEDAE Rio de Janeiro é monopólio. Monopólio nas mãos do estado é péssimo, se terceirizado, pior ainda.