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O investimento estrangeiro só virá quando a moeda for estável – historicamente, não é o nosso caso

Nota do editor 

Infelizmente, o artigo abaixo, originalmente publicado no dia 22 de agosto de 2019 e republicado em novembro daquele ano, está tendo de ser atualizado. Dado que os chicaguistas que estão na equipe econômica nada entendem sobre moeda (aliás, à medida que o tempo passa, eles entendem cada vez menos, em um curioso processo regressão intelectual), torna-se necessário voltar a repetir o básico.

__________________________

O dinheiro representa a metade de toda e
qualquer transação econômica
. Além de ser o meio de troca, a moeda é também
a unidade de conta que permite o cálculo de custos de todos os empreendimentos,
investimentos e despesas.

Consequentemente, a estabilidade deste dinheiro
(meio de troca e unidade de conta) irá determinar a estabilidade de toda a
economia. 

A lógica é direta: se você não tem um meio de troca estável,
você não tem como efetuar transações com este meio de troca. Se você não tem
uma unidade de conta estável, toda e qualquer transação se torna incerta, pois
você não como calcular custos (logo, nem lucros e prejuízos).

Por outro lado, se você tem uma moeda estável, a unidade de conta também se
torna estável. Consequentemente, você se torna perfeitamente capaz de calcular
e de fazer previsões. E aí suas transações se tornam muito menos incertas. Seus
cálculos de custos (formação de preços, lucros e prejuízos) se tornam muito
mais efetivos. Suas estimativas quanto aos valores futuros se tornam bem mais
previsíveis. 

Por isso, se a moeda é instável, a economia também
se torna instável e fraca. Já se ela é estável, a economia se fortalece e
prospera

E qual é a definição de estabilidade de uma moeda? Certamente,
não é apenas a mensuração da inflação
de preços. Não é só a inflação de preços dentro de um país o que define a
estabilidade de uma moeda. A inflação de preços pode estar baixa por uma miríade
de fatores, o que inclui uma simples redução na demanda, causada por uma estagnação
na renda da população — que, por sua vez, decorre de uma atividade econômica
fraca
.

A melhor definição para a estabilidade de uma moeda
está no comportamento do seu preço em relação às outras moedas estrangeiras. Afinal,
se os outros meios de troca e unidades de conta estão encarecendo em relação à
moeda nacional, isto significa que a própria moeda nacional está deixando de
ser demandada como meio de troca e unidade de conta. Há outras melhores. O exemplo
mais extremo disso é o do bolívar venezuelano. E
também o peso argentino.

Em termos mais diretos, se a taxa de câmbio está continuamente
encarecendo em termos da moeda nacional, então ela está se tornando instável. E
está se enfraquecendo.

Consequências

Como já dito, a moeda é o meio de troca e a unidade
de conta que permite o cálculo de custos de todos os empreendimentos,
investimentos e despesas. 

Consequentemente, se essa unidade de conta é
instável — isto é, se seu poder de compra cai contínua e rapidamente,
principalmente em termos das outras moedas estrangeiras –, não haverá incentivos
para se fazer investimentos, principalmente
de estrangeiros no país
.

Quando investidores investem, eles estão, na prática,
abrindo mão do consumo presente para obter um fluxo de renda futura. Para
que investidores (nacionais ou estrangeiros) invistam capital em atividades
produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um
retorno que lhes traga mais poder de compra no futuro do que possuem hoje.

Entretanto, se a unidade de conta é continuamente
distorcida e desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e
incerteza. Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição
da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra
certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em
um curto espaço de tempo. Ou
então não investirá.

Sendo mais direto, por que investir se qualquer
eventual retorno futuro virá em um meio de troca que lhe permitirá comprar menos bens
e serviços?

Vejamos um exemplo prático do Brasil.

Em fevereiro de 2017, um dólar custava aproximadamente
R$ 3,10
. Naquela época, um investidor estrangeiro que houvesse trazido US$
100 para cá converteria para R$ 310.

Hoje, após uma série de bagunças — grampo dos irmãos
Batista, greve dos caminhoneiros, incertezas eleitorais, incertezas quanto à
economia mundial, guerra comercial, eleição argentina, badernas no Chile, desinteresse estrangeiro no leilão do pré-sal (algo que havia sido previsto por este Instituto), coronavírus e, é claro, várias declarações infelizes de membros da equipe econômica –, o dólar custa aproximadamente R$ 4,30.

Consequentemente, se aqueles R$ 310 do investidor
estrangeiro fossem reconvertidos em dólares, ele teria apenas US$ 72.

Isso significa que, para que ele obtivesse algum ganho real com seu investimento
— por exemplo, para que ele pudesse voltar pra casa com pelo menos US$ 101 –,
sua taxa de retorno líquido teria de ser de 41% (os R$ 310
teriam que se transformar em R$ 435) em três anos.

Isso equivale a um retorno líquido de 12,15% ao ano. E apenas
para o investidor estrangeiro ficar no zero
a zero
.

Há algum investimento na economia produtiva —
desconsidere títulos públicos ou mesmo especulação com ações, que não geram
empregos — que gere um retorno líquido
de 12,15% ao ano? 

Sim, certamente há. Mas não muitos. Pergunte a
qualquer operador de bolsa de valores e ele vai lhe confirmar que um retorno de
12,15% ao ano sobre o patrimônio investido é algo que apenas bancos e poucas
grandes empresas conseguem.

Ou seja, resumindo tudo: um investidor estrangeiro
teria de ter um retorno líquido de 12,15% ao ano apenas para ficar no zero a zero. Para começar a ter algum lucro
minimamente relevante, ele teria de ter um retorno de, no mínimo, uns 15%
líquido ao ano — algo que, hoje, você só consegue especulando com ações.

Agora, peguemos um cenário inverso.

Suponha que, neste mesmo período de tempo, o dólar tivesse
caído de R$ 3,10 para R$ 3. (Uma queda modesta, o que configura uma moeda
estável).

Um investidor estrangeiro que houvesse trazido US$
100 para cá e convertido para R$ 310 teria agora US$ 103 sem precisar de ter
investido em nada.

Isso significa que, se ele tivesse feito qualquer investimento produtivo
investimento em infra-estrutura ou em fábricas ou em tecnologia da informação,
por exemplo –, ele teria um lucro ainda maior.

Se ele investisse em aeroportos e rodovias, e
tirasse 5% ao ano líquidos, aqueles R$ 310 iniciais valeriam hoje (3 anos depois) R$ 359. Lucro líquido de 15,76%.

Se esses R$ 359 fossem reconvertidos em dólares, ao câmbio
de agora 3 reais por dólar, ele teria US$ 120. Ganho de 20%.

Perceba a diferença absurda: no primeiro cenário, seria
necessário um retorno líquido 12,15% ao ano apenas
para o investidor estrangeiro ficar no zero a zero
. Já no segundo cenário,
um retorno líquido de meros 5% ao ano
já lhe garantiria um lucro líquido total de 20%.

E tudo por causa do câmbio.

(Detalhe técnico: para ambos os casos, é comum o investidor fazer o um hedge cambial para se proteger dessas flutuações. No entanto, se, por um lado, o hedge ajuda a suavizar as perdas em caso de desvalorização, ele também anula todos os ganhos em caso de valorização. Adicionalmente, investimentos produtivos são de longo prazo, e hedges cambiais de longo prazo são extremamente raros. Veja uma ótima reportagem sobre isso. Apenas agora que estão começando a dar alguma atenção a este problema. Hedge cambial é hoje feito apenas por importadores e exportadores, e para períodos de tempo de menos de um ano).

A importância da estabilidade

Para países em desenvolvimento, que precisam de
investimentos estrangeiros, essa questão da estabilidade da moeda é crucial
também por outro motivo: uma moeda estável cria as condições necessárias para
transferência de conhecimento

O conhecimento acompanha o investimento e o capital
estrangeiro vem acompanhado de conhecimento estrangeiro
.

Um país de moeda estável envia um sinal claro ao
mundo: “tragam seu dinheiro; mandem para cá seus especialistas; construam
suas fábricas aqui; ensinem a nós tudo o que vocês sabem; e a riqueza que vocês
criarem aqui voltará para vocês multiplicada e em uma moeda que mantém seu
valor”.

Quando a moeda é estável, investidores têm mais
incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais
disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não
existe. O investimento em tecnologia é maior. O investimento em
soluções ousadas para a saúde é maior. O investimento em infraestrutura é
maior. O investimento em ideias para o bem-estar de todos é maior. 

Já um país de moeda instável está mandando um
sinal claro aos investidores estrangeiros: “mantenham sua riqueza financeira e
intelectual longe daqui; caso contrário, você irá perdê-la sempre que for remeter
seus lucros”.

O máximo a que um país de moeda instável pode
aspirar é utilizar para fins de curto prazo o capital puramente especulativo (o
chamado “hot money”) que entra no país à procura de ganhos rápidos
com arbitragem. Consequentemente, os melhores cérebros do país abandonarão
as profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado
financeiro. 

Os investidores preferirão se refugiar em
investimentos tradicionais e mais seguros, como imóveis e títulos do governo. Não
há segurança para investimentos de longo prazo, que são os que mais criam
riqueza.

Conclusão

Não há crescimento econômico sem investimentos. E o
investimento estrangeiro, pelo simples fato de ser mais vultoso (há muito mais
capital fora do Brasil do que dentro do Brasil), é o mais capacitado a gerar
crescimento econômico.

Igualmente, não há empregos sem investimentos
produtivos. E não há empregos que paguem bem sem investimentos vultosos.

Mas não há investimentos produtivos sem moeda
estável.

É por isso que os economistas clássicos, à sua
época, já defendiam a idéia de que a moeda, para ser eficaz, deveria ser a mais
estável possível. Eles já sabiam que ter uma moeda cujo valor flutuasse
constantemente seria o equivalente a utilizar unidades de medida que flutuassem
diariamente. 

Imagine o que ocorreria se a definição de metro,
grama e minuto fosse alterada diariamente? Em um dia, o metro tem 100
centímetros; no dia seguinte, o metro se desvaloriza e passa a valer 95
centímetros. Depois, se valoriza e passa a ter 107 centímetros. Como
seria possível fazer qualquer obra dessa maneira?

Assim como um metro flutuante e um minuto flutuante
gerariam vários erros de construção, de cálculo e de planejamento, um dinheiro
(meio de troca e unidade de conta) flutuante não tem como permitir
investimentos sensatos. Ele gera apenas uma grande desarmonia nas transações e
um profundo caos no cálculo econômico.

Uma moeda instável desestimula investimentos
produtivos. E, consequentemente, age contra o crescimento
econômico

Por isso, uma moeda estável é indispensável para
atrair o capital estrangeiro e, com isso, gerar crescimento econômico.

Se a moeda brasileira mantiver sua atual trajetória de
enfraquecimento e instabilidade iniciada em maio de 2017, pode esquecer
qualquer chance crescimento. Não haverá investimentos estrangeiros produtivos.

___________________________________________

Leia também:

Os três tipos de regimes
cambiais existentes – e qual seria o mais adequado para o Brasil

Para impedir a destruição do real, o Banco Central tem de ter concorrência

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391 comentários em “O investimento estrangeiro só virá quando a moeda for estável – historicamente, não é o nosso caso”

  1. Perfeito o artigo. Aliás, aproveitando o assunto, o que vocês estão achando do Roberto Campos Neto? Particularmente, acho que ele é a maior decepção deste governo. É um mosca-morta. Tá parecendo o Tombini.

    A função auto-atribuída do Banco Central é proteger a moeda, ser seu guardião, manter seu poder de compra. E o cara tá simplesmente deixando o real derreter. Ou seja, ele próprio está renegando sua auto-atribuição.

    Se continuar neste ritmo, Bolso roda rapidinho.

  2. Como diria o Leandro, câmbio flutuante em país como o Brasil não flutua, afunda. Já pode-se chamar de “câmbio afundante”. Político flatula, real afunda.

  3. Com o dólar neste patamar temos que “torcer” para a economia não voltar a aquecer. Com a economia em crescimento, motivada pela expansão da oferta monetária, a carestia vai ser forte. Ou seja, com dólar nesse patamar, a retomada econômica vai ser abortada precocemente já que será necessária a elevação dos juros para conter a carestia. E lá vamos nós de novo para um micro voo de galinha.

  4. Gostei muito do artigo, mas, tenho uma dúvida que se faz presente sempre que se defende o investimento estrangeiro. É que os keynesianos alegam que investimento bom é o investimento do capital do nacional, porque o investimento estrangeiro faz a economia perder força, já que há remessa de lucros, descapitalizando o país.

    Outra alegação é que se o investimento estrangeiro direto superar o investimento nacional a remessa de lucros, em determinado momento, junto com a Balança Comercial deficitária destruirá o colchão de reservas estrangeiras do país.

    Alguém poderia me ajudar na desestruturação dessas ideias?

    Obrigado.

  5. Acabei de olhar a cotação do Nuevo Sol peruano, a moeda daquele povo se valorizou essa semana inteira enquanto o real brasileiro apanhou feio.

    Mas os juros peruanos também foram reduzidos recentemente igual ao Brasil.

  6. Sobre o BC ser o guardião da moeda…

    O artigo deixa claro que uma moeda estável cria as condições necessárias para os investimentos, frisando que: "Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe".

    O verdadeiro guardião da moeda não é o BC, mesmo este sendo totalmente independente. A estabilidade da moeda de um país vem de sua baixa tributação, desregulamentação, desburocratização, facilidade/segurança em se fazer negócios, isso terá como consequências confiança para investimento e o resultado será a valorização da moeda nacional.

    Uma atitude ousada do BC para conter a moeda, sem o respectivo respaldo de toda uma política fiscal responsável, de um ambiente rodeado de incertezas, burocracia, insegurança jurídica(um exemplo foi a contabilidade criativa em cima da LRF e consequentemente aumento dos limites de gasto com a folha), irá como o próprio artigo citou, atrair capital de curto prazo puramente especulativo.

    Vocês concordam?

    Grande abraço.

    Luiz Novi

  7. E tende a piorar. Tá rolando na internet um abaixo assinado para que a União Europeia e o Reino Unido apliquem sanções econômicas ao Brasil por causa das queimadas na Amazônia. Fizeram algo semelhante com a Rússia no final de 2014 (por causa da Criméia) é o rublo se esfacelou.

    Não creio que será feito contra o Brasil mas o simples ruído já basta pra desvalorizar a moeda no mercado internacional. Até creio que foi isso que aconteceu hoje.

  8. Acho que pouquíssimos economistas dão importância para a questão da moeda forte. O próprio Paulo Guedes disse numa entrevista que não vê problema no dólar acima de 4,20. Ele ainda disse que isso iria reindustrializar certos setores da economia. E os economistas de mídia só falam de inflação e SELIC. Se a inflação e SELIC estiverem baixas, então o dólar pode estar 5 reais que não tem problema. Só os economistas da EA que dão importância a moeda forte.

  9. Tenho uma dúvida. Depois que apareceram notícias sobre o governo permitir um pouco mais a circulação de dólares no Brasil, muitos disseram que se o dólar pudesse circular livremente no Brasil como o Real, ia ocorrer uma forte desvalorização da moeda brasileira, similar ao que ocorre na Argentina. Porque lá as pessoas correm para o dólar em momento de incerteza e o peso desaba. Se os brasileiros tivessem o privilégio de negociar e receber seu salário em dólar, o que aconteceria com o Real? As pessoas o abandonariam nos momentos de desvalorização, como agora?

  10. Pessoal, a França tem um histórico intervencionista de décadas. Assim sendo, o que sobrou de riqueza do país dos dias atuais teria vindo de qual período? No século XIX o país tinha relativa liberdade econômica?

  11. Com relacao ao hedge cambial ser “extremamente raro”, eu entrei no link, mas nao vi isso. So diziam que estavam tentando facilitar. Voces teriam mais fontes para demonstrar que eh raro por favor?

  12. Interessante esse texto… o IMB dizendo que moeda instável ( Bitcoin) é ruim e que o desenvolvimento só vem com moeda estável(moeda estatal) .

    Destaque para a notícia do dia: França agora se opõe ao acordo UE-Mercosul. Parabéns aos envolvidos.

  13. Negada, depois dessa aqui, acabou. O cara simplesmente virou desenvolvimentista:

    Brasil está preparado para dólar a R$4,10 ou R$4,20, diz Guedes

    O governo não teme um dólar acima de 4 reais porque o Brasil tem bons fundamentos, afirmou nesta quinta-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes, ressaltando que a desvalorização do real pode contribuir para a reindustrialização de alguns setores, como têxtil, calçados e autopeças.

    “Se o dólar for para 4,10 reais ou 4,20 reias estamos preparados”, afirmou Guedes em discurso durante evento do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), no Rio de Janeiro.

    Ele frisou que não acredita na possibilidade de um “ataque especulativo” contra a real.

    Não temos nenhuma preocupação com a questão cambial e nossa dinâmica de crescimento é própria“, afirmou, acrescentando que “nem mesmo uma eventual recessão nos Estados Unidos preocupa”.

    “Se o mundo desacelera, caem preços das commodities, o dólar pode subir um pouco mesmo, de repente você vai reindustrializar nos setores de autopeças, carros, têxtil, sapatos, móveis, não devemos temer o efeito contágio.”

    Isso, sinceramente, é papo de keynesiano desenvolvimentista. Um sósia de Ciro Gomes assumiu o controle da economia. Estamos lascados.

  14. Agora, para justiçar um pouco o ministro, o dolar esta mundialmente forte. Hoje, o amor dos nossos conservadores, adicionou mais tarifas de importação a China, levando a panico global, e o derretimento da nossa moeda.

    Com esse cenário externo, somente sendo os EUA para ter sua moeda fortalecida.

    E eu devo discordar que se ocorrer uma crise financeira ela vai ser pouco grave.

    A china é uma bolha, a europa é uma bolha, o japão é uma bolha, os eua talvez.

    O cenário externo me tira o sono muito mais que a nossa moeda, alias, nossa moeda ta reagindo a essa incerteza global. Todo mundo vai correr para os titulos americanos em busca de proteção e isso gera fuga de capital especulativo daqui.

    Os juros dos títulos invertendo indicam isso

  15. TIAGO DONISETE MARIANO

    Eu entro aqui todo dia para saber sobre as novidades e me deparo com esse texto esclarecedor, infelizmente no Brasil parece que fazem tudo ao contrário do que da certo, não é possível que em mais de 30 economistas trabalhando para o governo ninguém possa resolver,enfim,tenho uma pergunta ,como o real poderia se valorizar e tornar-se estável?, agradeço desde já.

  16. O que vocês acham da Europa usando a Amazônia para ferrar a economia brasileira? Teria como contornar, tipo negociar com outros países(fora da Europa) não daria certo?

  17. Pessoal, uma dúvida.

    Comparar países pela Paridade do Poder de Compra (PIB PPC) é adequado?

    Por exemplo, por esse método o PIB da China seria maior que o dos EUA e o da Rússia seria maior do que nosso.

  18. Se me permitam, colocarei um link sobre a importância do investimento estrangeiro para o desenvolvimento de um país.

    Fonte:medium.com/@franciscoprimeiro/as-falácias-de-ciro-gomes-7c305641865e

    Trechos:

    “Basicamente, em um crescimento a longo prazo, nós podemos ter duas fontes de crescimento: um crescimento nos fatores de produção, nos recursos (capital ou força laboral, também inclui capital humano), ou um crescimento na produtividade, na eficiência (usando como exemplo aqui, a produtividade total dos fatores (PTF)). Quando socialistas citam por exemplo o crescimento soviético como modelo de sucesso econômico, eles não afirmam qual das duas fontes estavam em jogo, no caso soviético houve sem dúvidas um absurdo crescimento de 1928 até na década de 1970, porém, esse crescimento, diferente de muitos países industrializados, — incluindo o EUA (é estimado que 70% do crescimento real do EUA venha do progresso tecnológico, ou seja, um aumento da produtividade) — onde o crescimento vem do aumento da eficiência econômica, veio do abrupto deslocamento dos fatores de produção, ou melhor: veio de um aumento dos fatores de produção, não da eficiência em si, só temos um problema: esse crescimento é limitado. Quando deslocaram-se milhões de russos e todo o capital para a indústria soviética, houve sem dúvidas um crescimento industrial, crescimento esse sustentado com taxas de poupança cada vez maiores, que sufocam o bem-estar da sociedade, virtualmente falando, o progresso tecnológico não contribuiu em nada para o crescimento soviético. O mesmo se aplica aos tigres asiáticos.

    No caso coreano, houve uma maior participação da população na força laboral — o caso de Singapura chega a ser mais absurdo, a taxa da população empregada em razão da população total, saltou de 27% para 51% — , houve também um grandioso acúmulo de capital, os investimentos no começo dos anos 50 na Coreia do Sul correspondiam a 5% do PIB, explodiu para 20% no meio dos anos 60, alcançou 30% no início dos anos 1980, e chegou a aproximadamente 40% em 1991. Houve também um grande acúmulo de capital humano na Coreia, a taxa dos trabalhadores com ensino secundário saltou de 26.5% em 1966, para 75% em 1990. Como já disse Krugman (1994) "somente aumentos nos fatores de produção, sem um aumento na eficiência com que esses fatores são usados, levará a retornos decrescentes. Um crescimento decorrente de um aumento nos fatores é inevitavelmente limitado […] a resposta é que um aumento do progresso tecnológico tem levado a um contínuo aumento na produtividade total dos fatores — um contínuo aumento na renda nacional por cada unidade de fatores".

    Jong-Il e Lau (1993) nos dão uma bela estimativa das fontes do crescimento dos tigres asiáticos, mas iremos nos concentrar na Coreia. Em tais estimativas nós temos que para todos os tigres asiáticos, houve um crescimento positivo anual do progresso tecnológico (medido aqui como PTF), para poupar leitura, irei me concentrar apenas na Coreia, no caso dela tivemos um aumento anual médio de 1.2% na PTF, isso é maior do que as estimativas convencionais, que estimavam um crescimento anual médio de -0.5%. Nesses estimativas, temos o seguinte resultado: nada menos que 80% do crescimento sul-coreano é oriundo de um crescimento no capital, e 20% oriundo de um crescimento da força laboral (incluindo, propriamente dito, o capital humano)…pera, e cadê o progresso tecnológico? Isso é o interessante, pelas suas estimativas, o progresso tecnológico simplesmente não contribuiu para o crescimento sul-coreano, ou seja, o crescimento sul-coreano é oriundo de um aumento nos fatores, em nada a eficiência dos fatores contribuiu para o crescimento sul-coreano. Se mantivermos como padrão os fatores do EUA na comparação (ou seja, nós comparamos a eficiência dos fatores, aqui sendo constantes e sendo como base o EUA) o resultado é esse:

    miro.medium.com/max/661/1*72UNuFokwZd4FLFBLRwBNw.png

    Isso significa que mantendo constante os fatores, o produto real americano mais que triplica no período, os outros países industrializados também tem notáveis crescimentos, porém os tigres asiáticos teriam um crescimento total de 66% no produto real, ou seja, um crescimento médio de 1% ao ano, ao invés de espetaculares 9%.

    Young (1994) também nos dá um resultado semelhante, na fase em que o produto real coreano cresce de maneira espetacular, entre 1966 e 1970, a taxas de 14% por ano, o crescimento da produtividade foi de apenas 1%, a maioria do crescimento coreano nesse período vem do crescimento do capital, que cresceu a espetaculares 19%, a força laboral cresceu a 10% no período. No todo, entre 1966 e 1990, tivemos um crescimento médio de 10% no produto real coreano, um crescimento de 13% no capital, um crescimento de 6% da força laboral, e um crescimento de 1.6% na produtividade dos fatores, ou seja, o crescimento da eficiência dos fatores na Coreia foi menor que o venezuelano (2.6%), o mexicano (1.7%) e o brasileiro no mesmo período (2%). Isso nos esclarece que o crescimento coreano é oriundo de um grande deslocamento dos fatores, e não no crescimento da produtividade.”

  19. Leandro,

    A situação da moeda no Brasil está uma zona. No entanto, tivemos algumas medidas bem pró-mercado nesse governo. Vou ser direto, eu não imagino que essas medidas tenham sido ideia desse povo na política.

    Pode parecer exagero, mas eu só acredito que essas medidas (as boas) tenham saído deste sítio aqui. Imagino que o IMB tenha entrado em contato com o povo lá, direta ou indiretamente.

    Se for o caso, tentem pelo amor de Deus tentar mudar o robertinho e o paulinho de ideia sobre a moeda kkk

    Não existe um perído que eu desejei mais o padrão-ouro quanto agora.

    Mas não serei ignorante, sei que todos aqui (inclusive o pessoal do IMB) querem isso tanto quanto eu.

    Independente de tudo isso ser ou não verdade, tô ansioso por um próximo artigo seu kk

    Valeu!

  20. Leandro, você disse que o real valorizou (ou o contrário?) no primeiro governo Lula por causa da Guerra ao Terror iniciada pelo Bush. Se essa guerra não tivesse sido iniciada, essa boa trajetória de valorização do real (ou desvalorização do dólar americano) continuaria? Acho que essa equipe do BC agora estaria bem nesse momento…

  21. O que nós, pobres brasileños podemos fazer para nos defender da desvalorização constante do real, ou o que vcs recomendam de investimento em uma situação como essa? Compramos dólar? Compramos ouro? Dá pra lucrar com isso ou só chorar?

  22. Vou repetir aqui um comentário que fiz em outro artigo, e agora com ainda mais convicção.

    Deve ser gostoso ser americano. Lá, o presidente vai pro Twitter, defende medidas anti-mercado, o resto do mundo entra em pânico, se desespera, sai comprando dólares a rodo "para se proteger", e aí a moeda americana se fortalece!

    Aqui no Brasil, se um vereadorzinho do Rio vai pro Twitter e xinga um deputado, ou se o presidente faz piadinha com a mulher de outro presidente, ou se um país vizinho faz merda nas urnas, a bolsa desaba, o dólar dispara, os juros de longo prazo sobem e o país entra em recessão!

    Povo privilegiado esse americano!

  23. Victor Psicólogo

    Olá, pessoal e principalmente Leandro!

    Gostaria de tirar uma dúvida. Sendo leigo no assunto, essa atual alta do dólar não estaria sendo causada muito mais pelas incertezas do mercado externo do que por erros do governo brasileiro? Quais os erros que Roberto Campos Neto fez e o que ele deveria ter feito para segurar a moeda? Estou considerando que não haverá currency board, padrão ouro etc. Me refiro a medidas palatáveis politicamente. Com a reforma da previdência aprovada, reforma tributária, administrativa, privatizações, mp da liberdade econômica etc, o dólar não tende a cair pelo menos a partir do fim do ano?

  24. Pessoas da Internet, seria o Brasil o único país do mundo onde o funcionário estatal entra por concurso e fica com “estabilidade”?

  25. Então, de nada adiantará MP 881, Reforma da Previdência, Reforma Tributária, Reforma Administrativa?

    Continuaremos no máximo estagnados no lamaçal maldito que nos encontramos agora?

    Existe alguma possibilidade dessa falta de investimento estrangeiro ser compensado com investimento interno? O Brasil tem capital interno (não sei se o termo é esse) suficiente pra isso?

  26. Pessoal, sei que é pedir muito, mas pfv, ensinem a comprar ouro!! Eu n faço idéia de como! O pouco que tenho é em reais. Tenho medo de pesquisar isso na Internet e entrar em furada.

  27. Poder de compra brasileiro

    Eu ganho 6 mil líquidos. Sabe o que me deixa mais puto da vida? É que na região que moro é considerada uma renda invejável para a maioria. Só que um mexicano que acabou de atravessar o deserto e n foi pegue pela polícia vai estar com um poder de compra maior e usufruindo de bens e serviços melhores que os meus dentro de seis meses. Em menos de um ano ele tá com um carro melhor que o meu, com um celular melhor que o meu, com um vídeo game melhor, com um notebook melhor, com acesso a supermercado com muito mais opções, com muito mais opções de lazer e ainda vai estar juntando dinheiro em moeda forte. Brasília é foda!.

  28. Perturbado ou nem tanto

    O segredo da vida então seria ser pago em dólar e fazer uma previdência em ouro (em vez de contribuir mês a mês em moeda fiat, fazer compras de ouro mensais)? Lembrei agora do Silvio Santos: em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro. Pior que o desgraçado tava passando o bizu o tempo todo…

  29. Como todo azar para a América Latina é pouco(Oh terrinha tensa). A curva de Juros de 3 meses e 30 anos se inverteram.

    Se o Brasil for um pouquinho esperto, ele vai usar isso para capitalizar politicamente no congresso e acelerar as reformas

  30. Com o dólar chegando a 4,20 reais e prevendo uma retomada da economia brasileira, podendo gerar uma valorização do real perante a moeda americana, não seria um bom momento para o americano investir no Brasil?

    Entendo que haja risco neste movimento e que um possível cenário de recessão nos EUA gere procura por proteção nos títulos americanos, contudo, talvez o retorno compense o risco.

  31. Pensando em continuar no País

    Pessoal, é o caso de jogar a toalha em relação à economia no Brasil?

    Me sinto mal lendo isso. Se essa equipe econômica não conseguir fazer o Brasil prosperar, os liberais só vão ter influência em seus clubinhos. E o desenvolvimento do Brasil? Que pena…

  32. e para que ficar nesse jogo, a cada 3 anos nas vésperas das eleições para presidente começa a moeda a cambalear e tudo mais, e porque não adotar logo o Dolar como o Equador e acabar com esse problema de vez? não seria melhor?

  33. Interessante a abordagem, mas o assunto é mais complexo.

    A questão da moeda remonta ao padrão ouro e padrão dólar. Ate a II Guerra grande parte das transações era feita em metal, ouro. Hoje, o dólar é a referência internacional para as transações, conforme acordado em BrettonWoods.

    Assim, os demais países viraram reféns da liquidez do dólar e o que dita a força de uma moeda é sua demanda em relação ao dólar. Além disso, grande parte dos países mantêm suas Reservas em grande parte nessa moeda.

    Tentando ser simples, creio que a única forma de ter uma moeda estável é gerando lastro a essa moeda, rompendo com o padrão-dolar. Para tanto, o país deveria construir suas Reservas em ouro (metal).

    Não obstante, façam uma pesquisa sobre as moedas mais fortes e a quantidade de metal ouro que esse país detém em Reservas.

  34. www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/09/bancos-resistem-em-baixar-juros-ao-consumidor-apos-queda-da-selic.shtml

    Fora que a suposta queda dos juros ainda não chegou ao bolso do Brasileiro (então, a tia do zap vai ficar pagando juros e com o dolar alto) talvez alguns poucos bem posicionados sejam beneficiados com a queda da selic em 1,5%(pq era o que faltava pro país decolar depois de sair de 14%)

  35. Liberal Inteligente e Educado.

    Esquecem da próxima crise mundial que fará o dólar virá pó a qualquer momento. Nenhum país respeitável pode manter o déficit fiscal que os EUA tem hoje e ao mesmo tempo ser o emissor da moeda que supostamente é o padrão mundial. Rússia, Alemanha e China estocam ouro como nunca. Quem apostar no dólar vai perder. Mantenham a posição em ouro e títulos atrelados ao IPCA.

  36. Mesmo com a alta do dolar, é estranho ver o ministro Paulo Guedes e o Roberto Campos Neto fazerem declarações descuidadas que favorecem ainda mais a alta da moeda frente ao real. Parece até que essa é a intenção do governo, para vender reservas em dolar, aproveitando a valorização e abater a dívida publica. Que esta apostando no dolar pode acabar ajudando o governo a reduzir sua divida.

  37. Vi economista citando o DXY para não criticarem o governo com essa alta recente do dólar pra R$4,20. Agora eu fiquei confuso, é pra culpa RC Neto/Paulo Guedes ou mais ou menos?

  38. Galera, já era. Podem ficar sem esperanças. O que você pode fazer quando o próprio czar “liberal” da economia diz para nos acostumarmos com câmbio mais alto por um bom tempo?

    A impressão que eu tenho é que já já a inflação vai começar a subir e aí já era. Todo o resto vai desmoronar. A esquerda ainda está fraca pq as notícias da economia ainda estão boas e isso está mantendo o gado quieto.

  39. A nota do Leandro é ótima “Dado que os chicaguistas que estão na equipe econômica nada entendem sobre moeda, torna-se necessário voltar a repetir o básico.”

    Eu nem separo mais chicaguistas, novos clássicos, pós-keynesiano, sei que tem suas diferenças tive professores de vários espectros, mas moeda moeda forte só os austríacos mesmo.

  40. O exterminador do futuro

    Eu vim do futuro pra dizer que Guedes esperou o dólar bater R$10,00 para usar uma parcela das reservas de dólar para quitar toda a dívida pública e utilizar o restante para instaurar um Currency Board nesta mesma cotação.

  41. Guedes deu uma rasteira agora, mas sei que grande parte da equipe não aceita teoria de desvalorização.

    Fernando Urich esta como conselheiro no Banco Central

    Adolfo Saschida como secretário de politica economica

    Enfim…. Acho que tem chance de convence-lo

  42. Dado que refazer o Brasil do zero, que é o que proporcionaria um Real de pôr medo em governos de países desenvolvidos, o que implicaria em trazer segurança jurídica (não é o que esse caso do MPT com a Honda mostra) e estabilidade política (que não existe desde pelo menos 1889), o melhor a fazer ou seria abolir o BC e adotar um Currency Board, ou simplesmente copiar o Peru e liberar o uso do Dólar Americano.

    Roberto Campos Neto faz eu sentir saudades do Henrique Meirelles no BC.

  43. Em busca da verdade

    Cambio valorizado num país como Brasil é puro populismo e altamente perverso. É suicidio economico. A desvalorizaçao da moeda é necessária para proteger e impulsionar nossa industria, sem a qual não há possibilidade alguma do Brasil se desenvolver. Aprendam com a China. Temos que buscar um cambio desvalorizado, com juro baixo e inflaçao controlada. Mas para a coisa funcionar precisa de equilíbrio fiscal rígido. A meu ver o gov deveria colocar 6 reais como piso do cambio e desestimular exportação de commoditie, taxando as. Ou é isso ou o Brasil vai continuar perdendo industria e seguindo o caminho de virar um fazendão uberizado, ou seja, um buraco onde se planta soja, milho e cria-se gado, com um setor de serviços mega inchado, altamente informal, tendo o bico nos uber, ifood da vida como regra. Temos que usar a inteligencia para trilhar o caminho da reindustrialização, formalização e geração de empregos bons.

  44. Leandro,

    Meses atrás você comentou: “o melhor que pode ser feito agora, realmente, são os leilões-surpresa. Não precisa de mais do que dois ou três. Veja que bastou um – só um! – para estancar a sangria e acabar com a sequência diária de desvalorização. Mais uns dois ou três, e o real volta sozinho para seu “valor correto”.

    Não há, ao menos por ora, nenhum problema com a moeda em si. A oferta monetária não explodiu e o IPCA está baixo. Há apenas ruídos e incertezas gerados pelo próprio Banco Central, que, em um momento de turbulência, não se interessou em defender a moeda (sua autodeclarada função). Ainda é perfeitamente possível reverter o estrago”

    No cenário atual, você ainda pensa que os leilões surpresas conseguiriam resolver essa alta dólar? ainda daria tempo de reverter o estrago?

  45. Nego acha que sabe mais de economia que o Guedes… rs…

    É evidente que o governo está aproveitando a oportunidade para trocar reservas por redução da dívida bruta.

    Lembrando que a dívida tem diversos preços, provavelmente vão se livrar da mais cara.

    Isso vai reduzir o crescimento da relação dívida/pib, um indicador sempre importante no cenário dos emergentes e de economia relativamente pequena.

    Como já foi falado, o responsável pela subida do dólar é queda no diferencial de juros. Isso é um convite ao investidor estrangeiro que quer produzir aqui. Vai ficar barato investir para produzir no Brasil.

    Esse é o momento de fazer isso. Trégua na inflação. A passthru do dólar pros preços não será suficiente para reverter a trajetória da inflação no curto prazo. E lá na frente quando o investimento produtivo der resultado, haverá menos gargalos na economia.

    Ou seja, a ideia é reduzir a dívida e, ao mesmo tempo, atrair investimento produtivo.

    O negativo é perder poder de compra e subir um pouco a inflação. Mas como ela está muito baixa, não é um problema agora. Não creio que seja um problema para a credibilidade do país, 20 bi de dólares é pouco mais de 5% das reservas no auge.

    Não fazia muito sentido manter essas reservas imensas com remuneração negativa enquanto pagava juros mais altos no endividamento interno.

    Dólar alto favorece isso, porque as reservas valem mais reais.

    Se der tudo certo, movimento excelente.

  46. Depois de um artigo cheio de obviedades pensei que o autor fosse indicar um caminho ou um projeto para resolver o problema, porém nada foi falado. Apontar o óbvio e não dar soluções qualquer um faz.

  47. Boa tarde pessoal,

    Esse mês pretendo comprar dois ou talvez três livros e tenho alguns títulos em que estou de olho:

    – A riqueza das nações, de Adam Smith;

    – O livro negro do comunismo, de Stéphane Courtois;

    – Pai rico, pai pobre, de Robert Kiyosaki;

    – Desestatização do dinheiro, de Hayek;

    – O Livre Mercado e Seus Inimigos, do Mises;

    – O manifesto libertário, de Rothbard;

    Qual desses (ou de outros nessa linha) vocês me recomendariam comprar primeiro?

    Obrigado!

  48. Seria muita tolice pensar que os grandes bancos nacionais, viciados em juros altos, poderiam estar participando da alta do dólar operando no mercado futuro para pressionar o BC a não reduzir novamente a SELIC?

  49. Observador imparcial

    A causa do derretimento do real não pode ser pelo risco de protestos como está ocorrendo no resto da América do Sul? Não estariam os investidores estrangeiros se mandando da região?

  50. Leandro,

    tempos atrás eu sugeri que você falasse de moeda e, em especial, de “currency board” com o Presidente e com o Ministro da economia, aproveitando o ensejo de uma foto tirada pelo primeiro com um livro da Escola Austríaca.

    Você não levou a sério achando que, por ser Chicaguista, Paulo Guedes não iria ter interesse na proposta. O problema é que você nem tentou. E está aí o resultado. Se você tivesse falado com um deles ou os dois, talvez a boa idéia tivesse fermentado na mente de algum deles e maior clareza surgisse quanto à questão monetária. Mas se os “austríacos” do Brasil permanecerem “guetificados” em um site que, conquanto excelente, quase que somente prega para convertidos, e mais um ou outro sortudo que cai por aqui de pára-quedas, a difusão dos conceitos da Escola Austríaca, tão intelectualmente consistentes como são e tão testados pela história como o foram, não chegaram senão aos ouvidos e mentes daqueles que já os conhecem e compreendem.

    E assim pouco se terá de benefício para o país, pois de nada adianta o conhecimento se não estiver difundido e posto em prática. O que, aliás, é especialmente válido para um ciência que lida com a sociedade, como é o caso da economia.

    Não nos esqueçamos o quanto foi benéfica para a Áustria a proatividade de Mises, cujas idéias efetivamente influenciaram as políticas econômicas daquele país.

  51. Ok. Mas qual é a solução? Adotar moeda estrangeira forte? Voltar ao padrão Bretton Woods? Abolir o BC? Usar cryptocurrencies? Tudo junto e misturado?

  52. Artista Estatizado

    Boa tarde. Gostaria de saber quais seriam as vantagens/desvantagens de um Currency Board ancorado em dólar em relação à simples dolarização.

  53. Leandro, você disse em um outro artigo, faz tempo já, de que um dos fatores que fez com que o Dólar se valorizasse no segundo governo Obama foi que um dos integrantes da equipe econômica defendia uma moeda forte, além da recuperação econômica do país. Falhei em alguma coisa na memória? Quem era esse cara? Bom, de qualquer forma vou ver se acho esse seu comentário.

  54. economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/11/27/ministro-diz-que-mp-do-turismo-busca-baratear-as-viagens-no-pais.htm

    Ta ai… Aparentemente os ministérios, conjuntamente, estão com planos de usar a desvalorização do Real para aumentar o turismo interno e fazer com que as pessoas parem de fazer turismo internacional. Alem, como alguém ja disse mais acima, parece ser também uma forma de ganhar em cima da especulação e diminuir a divida.

    De onde o Guedes ta tirando que vai conseguir crescimento econômico solido com essas medidas?

  55. Pessoal tenho umas dúvidas aqui sobre o padrão ouro e reservas fracionárias.

    Digamos que hoje algum tipo de poder divino do além age sobre o Brasil, criminalizamos o sistema de reservas fracionárias e instituímos um padrão ouro.

    1 – Uma vez que a disponibilidade de crédito agora é ditada pela quantidade de ouro poupada e que os bancos possuem muito pouca margem para expandir artificialmente o crédito, isso não faria as taxas de juros subirem à níveis exorbitantes?

    2 – Se um grupo de pessoas deposita ouro em um banco e o mesmo empresta esse ouro, e antes de os empréstimos serem pagos uma boa parte dos clientes do banco resolver sacar o ouro, o banco não iria dar calote e/ou falir? Como funcionaria isso no cenário que descrevi?

    Obrigado!!

  56. Leandro, uma pergunta, fiz uma compra de importação pela Aliexpress. 42 reais. Esse real foi pra fora, ou foi convertido em dólar e esse dólar saiu do país?

  57. Em busca da verdade

    Agora que até a equipe economica anarcocapitalista já admitiu que o mercado falha, tabelando o juro do cheque especial, medida socialista, quando vcs vão admitir tbm?

  58. g1.globo.com/economia/noticia/2019/11/27/bc-muda-estrategia-e-anuncia-com-antecedencia-oferta-liquida-de-ate-us-1-bilhao-em-dolar-a-vista-para-quinta.ghtml

    Isso tem potencial de reduzir a cotação, certo? Aparentemente o RCN acordou e abandonou a ideia ”flutuante limpo” – que não funciona em países terceiro mundistas

  59. Moeda desvalorizando, preço da carne subindo. Nada mais empirico que esse site cansou de tentar mostrar. É incrível, vc ouve o PG falar, se percebe que o cara tem uma inteligência diferenciada. Como não consegue perceber algo tão corriqueira na economia?

    Ou se percebe… como não consegue entender que isso não traz benefício nenhum pra ninguém (a não ser pra meia duzia de fazendeiros), muito menos pra ele próprio ou pra popularidade do governo atual?

    economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/11/29/preco-da-carne-nao-vai-baixar-diz-ministra.htm

    O pior, nem o diagnóstico correto são capazes de prescrever. Meu deus, é desanimador!

  60. Se os mecanismos de hedge cambial forem bons também, eles virão. E o governo está trabalhando para isso (sim, eu vi que teve uma nota de rodapé a respeito)

  61. Leandro,

    O economista Alexandre Schartsmam escreveu que a alta do dólar não é tão preocupante:

    “A única preocupação potencial cabível seria o possível impacto negativo do dólar mais caro sobre a inflação, conhecido na literatura como repasse cambial, pois poderia limitar a redução da taxa de juros. Não é o caso, pelo menos não até agora.

    Em que pese alguma aceleração dos preços de bens mais sensíveis à taxa de câmbio, não há sinais de contaminação dos demais preços.

    Tanto a inflação "cheia" quanto as medidas menos sujeitas a influências pontuais (os chamados "núcleos" de inflação) permanecem bem-comportadas.

    Neste sentido, Paulo Guedes tem razão: a depreciação do real é um fenômeno de mercado que não deve ensejar em si maiores preocupações.”

    Como você enxerga esse tipo de fala? Ele é um chigaguista que também não só olha para o IPCA e não tem uma visão mais ampla/profunda sobre a importância moeda forte (como os austríacos)?

  62. Leandro, nesse cenário seria vantajoso fazer empréstimos de curto prazo – aproveitando os juros baixos – e comprar dólar para que quando subir ainda mais se obtenha lucro? Há alguma estratégia melhor que essa para o momento? Comprar ouro e bitcoin também?

  63. Leandro,

    Mas o que o BC deveria fazer para estabilizar e até mesmo valorizar o real perante o dolar?

    o BC ja teu amostras que mantera a SElic baixa, inibindo os “especuladores”.

    e sabemos que o real alto inibe também quem vem investir, ja há maior demora na recuperação do capital investido.

    há soluçoes a curto prazo ou somente medio/longo?

  64. Olha isso!

    O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na manhã desta segunda-feira (2) que o país irá aumentar as tarifas para importação de aço e alumínio vindos do Brasil e da Argentina. Trump anunciou a medida em um post no Twitter.

    A justificativa do presidente norte-americano é de que a valorização do dólar em relação às moedas brasileira e argentina prejudica os produtores dos EUA. “O Federal Reserve irá atuar para que países como esses não tirem vantagem do dólar forte, por meio da desvalorização de suas próprias moedas”, disse o presidente em um dos posts, insinuando que o aumento no câmbio estaria sendo promovido de forma deliberada pelos dois países.

    http://www.gazetadopovo.com.br/republica/trump-aumento-tarifas-importacao-aco-aluminio-brasil/

  65. Essa situação do câmbio já está virando novela kkkkkkkk

    Hoje o Trump já mostrou suas garrinhas e sua sanha protecionista contra a desvalorização do Real.

    Isso poderia pressionar a política monetária do governo e do BC em uma preocupação maior com a moeda? Trump irá nos salvar involuntariamente?

  66. Olá! Eu lembro de ter visto nos comentários de algum post falando sobre o valor nominal das moedas, do porquê certas moedas com alto valor nominal ter um valor real pequeno. Por exemplo, uma coisa que custa 10 reais no Brasil custar 10.000 em moedas estrangeiras (peso, guarani, etc). Aliás, é uma confusão enorme quando viajamos para países onde o valor é totalmente diferente do que estamos acostumados. Se alguém achar o comentário ou puder explicar isso de novo, ficarei agradecido!

  67. Leandro,

    O suposto teto de R$4,20 do real já foi quebrado e nada de ação do BC pra parar essa loucura.

    Já estamos caminhando pra R$4,30 (e no DXY de hoje o dólar está caindo, ou seja, o Real está despencando do precipício) e não vejo pq não chegar a 4,50 no médio prazo (sendo que o BC é inerte).

    Minha duvida: Continuando assim, não seria loucura dizer que o PIB pode despencar de novo? Muitas instituições (claro, nenhuma delas adepta da EA) estão prevendo crescimento acima de 2%, coisa que ao meu ver está pra lá de otimista nesse cenário.

  68. http://www.istoedinheiro.com.br/ipea-registra-recuo-de-2-nos-investimentos-em-dezembro/

    Resumindo: Queda em 2019 (moeda instável a maior parte do ano) em relação a 2018 (metade do ano com certa estabilidade).

    Ultimo trimestre de 2019 (o pior momento do ano em termos de moeda) : O mesmo comportamento foi observado no acumulado do quarto trimestre de 2019, que fechou com retração de 2,7%. Em dezembro, os investimentos de máquinas e equipamentos tiveram retração de 6,8%. A construção civil teve variação negativa de 1,6% e os outros ativos fixos, queda de 1,2%.

    A empiria esta por todos os cantos, só não vê quem não quer.

  69. Tudo muito bem explicado, com a queda da Selic o dólar especulativo foi embora, por isso essa desvalorização do real, lembrando que esse dólar especulativo nada produzia, era apenas rentista, o ponto positivo era o dólar mais baixo. Em relação a Campos Netto, perfeito também, ele parece completamente perdido, não sabe o que o fala, não se comunica bem com o mercado (investidores que negociam dólar na BMF), logo antes do leilão do pré-sal o dólar estava sendo negociado na BMF a 4,20, aí Campos Netto dizia para o mercado que quem ficasse comprado em dólar estaria correndo grande risco devido a valorização do real. Simplesmente sem avisar o mercado ele ia lá e fazia leilão surpresa de dólar derrubando a cotação pra 4,15, e continuava com o discurso meio que ameaçando o mercado pra pararem de comprar dólar por que a qualquer momento ele ia fazer um leilão surpresa, obviamente que esse tipo de comunicação foi um tiro no pé, já que é desse tipo de desconforto que a alta do dólar se faz, a cotação voltou a subir para 4,20. Ele pensava que os operadores de câmbio ficariam com receio de ficar comprados no dólar e passariam a ficar vendidos (que faz a cotação cair). Vendo que essa estratégia não estava funcionando, finalmente Campos Netto montou uma agenda de oferta de contratos de swap e divulgou ao mercado, assim como sempre fizeram os demais presidentes do BC e aí sim os operadores entenderam que o BC tinha um compromisso com o real e passaram a se posicionar na venda aproveitando as ofertas de swap do BC fazendo a cotação chegar a 3,92. Depois disso veio o leilão do pré sal que foi abaixo do esperado e pra ajudar Paulo Guedes fez um discurso dizendo que o dólar era pra cima de 4,20, imaginem a reação dos operadores de câmbio na BMF quando viram esse discurso, eles estavam montando posições vendidas no dólar, já estava em 3,92, aí vai o ministro e fala que o dólar era acima de 4,20. Imediatamente os operadores reverteram a posição vendedora para compradora, afinal o prejuízo seria imenso e o próprio governo mostrou pra esses investidores que não era negócio investir no real nesse patamar. Pra ajudar, Campos Netto que dizia pro mercado que era arriscado ficar comprado a 4,20 passou a chancelar a alta do dólar e dizer que é um movimento natural e que está tudo bem assim. Você sendo operador de câmbio visando lucro em sua operações se colocaria vendido no dólar? JAMAIS. Agora o que os operadores estão esperando é o movimento de alta se exaurir, esperando se estabilizar em um patamar mais alto para poder montar posição vendida. Minha opinião é que Campos Netto cometeu vários erros, mostrou não saber o que está fazendo e essa confusão toda só ajudou o dólar a subir, ele espera que o dólar produtivo, aquele que vem para construir e não ficar parado gerando renda venha para o país, e o estrangeiro já afirmou que não virá enquanto não for resolvido o problema da corrupção (caso que se agravou com decisão do STF em cancelar prisão após segunda instância, movimento que preocupou os investidores e também contribuiu para alta do dólar) e enquanto as reformas não avançarem.

  70. Este cara aqui fez um cálculo semelhante para a entrada do gringo na bolsa de valores do Brasil. E o que ele descobriu foi espantoso.

    twitter.com/abcmachado/status/1225556271333609474

    De 02/01/2019 até 06/02/2020, o Ibov subiu 14%.

    No entanto, o gringo que entrou em 02/01/2019 e saiu em 06/02/2020 ganhou míseros 2,15%. Tudo por causa da desvalorização cambial.

    Neste mesmo período, o S&P 500 subiu 13%, e sem nenhum risco de desvalorização cambial para o gringo (óbvio).

    Conclusão: é realmente de se espantar que todo mês a imprensa noticie saída recorde de estrangeiros da bolsa? Gringo não é otário. Ele já percebeu que se ficar aqui vai ter todo seu rendimento na bolsa comido pela desvalorização cambial.

  71. Com o dólar alto e com a despreocupação da equipe econômica com o cambio, não seria uma jogada do Guedes e demais burocratas, pra pegar a grana das Reservas Internacionais (que estão em Dólar), e pagar ou diminuir a dívida interna (Que estão em Reais)?

    Se sim, o que isto seria prejudicial?

  72. Concordo.

    O investidor tanto doméstico quanto estrangeiro preferem um país estável,

    incluindo aí uma moeda estável, forte.

    Oscilações tendem a afastar os investidores.

    Recomendo a leitura do meu blog velhaeconomia.blogspot.com

  73. Li em um artigo aqui o que significava o valor do dólar em relação ao Real.

    Diferenças de inflação desde sua criação e que o valor real dele deveria estar na casa de 4,30.

    Então , porque o dólar deveria cair?

  74. É incrível como após tantas vezes ser falado de todos os malefícios da desvalorização cambial, o BC ainda resolve baixar ainda mais a Taxa Selic.

    Em uma época de forte instabilidade, época em que o dólar está em forte desvalorização e o BC vai e abaixa a taxa de Juros. Foi um sinal claro ao mercado: “Não nos importamos nem um pouco com o poder de compra do brasileiro e queremos afastar totalmente o investidor extrangeiro do país”. Não imaginava uma demonstração tão grande de irresponsabilidade com a moeda.

    Depois disso o dólar derreteu e atingiu a máxima histórica e vai continuar desvalorizando.

    Quero só ver o que vai acontecer quando as commodities começarem a encarecer, quando os preços cotados em dólar subirem ou quando uma forte instabilidade no cenário mundial fizer com que todo mundo fuja para o dólar. A recaída estatista ainda vai ocorrer e o governo vai entrar impondo controle de capitais.

    Se eles realmente são chicaguistas (rejeitam totalmente o padrão-ouro e o câmbio fixo), que sigam a regra friedmaniana então, que parem de manipular a taxa de juros e se preocupem em somente imprimir dinheiro a uma taxa fixa de 3% ao ano, ou então que busquem a meta do IPCA em 0% (Outra política que o Friedman elogiava). Já seria um grande adianto pro Brasil.

    Mas nem isso eles farão, são neokeynesianos difarçados. Estão nada mais nada menos que seguindo a regra dilmística de destruição da moeda. Tudo indica que o corolário da economia é seguir Kalecki e não Friedman.

    O jeito é começar a desfazer as posições em real. Paciência!

  75. Mais uma pergunta: e a equipe econômica dos Estados Unidos (de Trump) se encaixa em qual escola econômica? Eles também são chicaguistas ou seguem outra escola econômica? Eu também quero me situar na economia americana.

  76. JAMILE VIANA CLEZAR

    Na minha humilde opinião, ministros da economia não são burros, eles tem a devida formação. São escolas diferentes, que servem à objetivos diferentes, de cada governo, conforme suas políticas no geral.

    Fico me perguntando, à quem, nesse governo, ou a quais setores ( de produção/da sociedade), a condução econômica do país por PG, está servindo? Quem está se beneficiando com o dólar alto? Mercado exportador? O agronegócio?

  77. Leandro, fui hoje reler este artigo de 2010 seu (que saudades de dólar a menos de 2 reais…) e gostaria de tirar algumas dúvidas.

    “(Só um adendo: economistas liberais, principalmente aqueles associados à Escola de Chicago, dizem que câmbio flutuante é sinônimo de livre mercado. Como pode? Mesmo que não houvesse absolutamente nenhuma intervenção dos governos no mercado de câmbio, a simples existência de taxas flutuantes entre diferentes áreas geográficas já configura intervencionismo. Afinal, um genuíno sistema monetário de livre mercado — o padrão-ouro — não teria essas flutuações baseadas em fronteiras nacionais).”

    Por que flutuação baseada em fronteira nacional seria intervencionismo? Sabe-se que os países são sim fronteiras artificiais e criadas com base em violência, mas o que mais haveria para essa flutuação ser intervencionismo? Certa vez você disse que não seria bom haver, em cada federação brasileira, a sua própria moeda, pois começaria a haver guerras cambiais. Me lembrei também do estado de São Paulo, que emitia a sua própria moeda durante a revolução de 1932, através do Banespa.

    Sobre essa nova queda na taxa SELIC, pretende fazer alguma atualização sobre isso, com relação àquele comentário cronológico feito sobre a desvalorização do real?

  78. WADI ANTÔNIO VIDRIH FARATH

    Excelente artigo. Muito bem fundamentado tecnicamente. Só gostaria de fazer a seguinte questão, ou solicitação, ao autor ou qualquer outro que possa contribuir:

    -quais as causas raízes de não termos ainda uma moeda estável? Onde o governo ou seja quem lá for, erra em não construir condições para uma moeda estável?

    -onde estão as tarefas de casa e quem são os responsáveis por fazê-la?

  79. Foi o Plano Real o grande responsável pela estabilidade da moeda no século passado.

    Desde a implementação desse plano, em 1994, a inflação sempre foi reduzida.

    Para as pessoas que viveram no país nos anos de 1980 e 1990 e, portanto, viveram com a hiperinflação,

    o Plano real foi uma enorme conquista e avanço para o bem estar da população.

    Se hoje a moeda está mais estável, devemos muito a esse plano.

    Discuto isso no meu blog velhaeconomia.blogspot.com

  80. Bom, vamos lá… estou interessado e confuso sobre o assunto de moeda, apesar de já ter lido um monte de texto sobre (livro ainda não, pelo menos não especificamente sobre o tema).

    Em um comentário anterior (acho que feito pelo Leandro Roque mesmo), foi dito de que os países ricos de hoje, durante esse processo, passaram por padrão-ouro (câmbio fixo) ou câmbio atrelado, portanto é o que explica o fato de o câmbio flutuante não ser um problema nos EUA e Europa, assim como na Coreia do Sul (que acabou adotando o modelo flutuante). Assim sendo, nenhum país se desenvolveu por causa do câmbio flutuante, mas sim apesar dele. Foi falado de que no Chile foi brevemente adotado um regime de câmbio atrelado, mas que acabou colapsando. Esses regimes cambiais de câmbio atrelado adotados no México, Brasil, onde há controle de câmbio e juros (política cambial e monetária) são um lixo, então o Brasil tentar voltar a isso é algo desastroso. Embora é fato de que depois eles se desenvolveram, isso durou pouco e então é algo fora de cogitação, além de que vai ser mais uma geringonça, além do BC manipular os juros, manipular o câmbio (de maneira aberta, não enrustida como é hoje). Ok, câmbio flutuante não é livre mercado por ainda existir o BC emitindo as suas moedas em relação a outros países, mas ele é mais próximo disso em relação ao arranjo anterior brasileiro ou estou errado? Hoje, o BC basicamente manipula “somente” os juros. Nesse arranjo atual, para o Brasil ter uma moeda forte, só seria possível se estabelecessem um ambiente com segurança jurídica, estabilidade política, respeito aos contratos, infraestrutura decente e que atraísse o máximo possível de investimentos estrangeiros, acabando com regulações e afins? Único regime de câmbio atrelado que conheço e que até o momento não deu problema foi o de Cingapura, pois o BC de lá só mexe na taxa de câmbio, tomando como referência outras moedas do mundo.

    O acordo de Bretton Woods, que foi uma continuação do câmbio fixo, englobou somente a América do Norte, Europa Ocidental e Japão?

    Li parcialmente um relatório de 2018 do FMI falando sobre os regimes cambiais ao redor do mundo e quem souber inglês melhor que eu e me falar se existe alguma diferença relevante entre “conventional peg” (exemplos: Líbia, Kuwait, Iraque e Jordânia), “stabilized arrangement” (exemplos: Líbano, Ilhas Maldivas, Guiana e Croácia), “crawling peg” (exemplos: Honduras, Nicarágua e Botsuana), “crawl-like arrangement” (exemplos: Irã, China e Sérvia) e “Pegged exchange rate within horizontal bands” (exemplos: Tonga), agradecerei muito.

    Desculpem pela insistência e por algum eventual equívoco e confusão.

  81. Juros reais em menos de 1%, eu pergunto, o que o BC tá querendo fazer? Bolhas?

    A mídia segue mostrando que há um novo ânimo no setor imobiliário e de construção civil com a queda da Selic. Já vi esse filme antes.

    Uma nova fase de crédito barato, seria tudo orquestrado para dar um novo mandato ao Bolsonaro?

  82. Caros, descobri algo interessante hoje;

    O Trump quer nomear Judy Shelton para o próximo mandato do FED, ela é conhecida como defensora do retorno ao padrão ouro e critica do Fed;

    Se isso se confirmar, pode ser algo interessante; (e também, uma noticia ruim para o Real, o dolar que já estava forte vai virar um foguete só com a expectativa)

  83. Tomei um susto quando abri o TradingView e vi a cotação do dólar se aproximar de R$ 4,40. E nem um único e mísero sinal de preocupação vindo do BC. E o Guedão, a única coisa que ele sabe falar é que prefere juro baixo e dólar alto do que o inverso. Esses chicaguistas são muito abestalhados quando se trata de política monetária. Eles tem muita sorte porque a inflação está baixa devido a ociosidade da economia. Talvez daqui a alguns anos tenhamos que enfrentar novamente um aumento de preços de 10% anuais. É levar outro tombo enquanto estamos levantando do anterior. Que Deus tenha misericórdia dessa nação!

  84. Segundo Guedes o povo agora vai gastar dinheiro no Brasil e as exportações vão aumentar, Brasil vai crescer. Parece ate o Maduro falando.

    É difícil entender como o mundo hoje em dia cria essas bizarrices econômicas, com todo histórico de erros para aprender a não repetir.

  85. Duas dúvidas:

    1) Qual sentido de um um investidor (investimento produtivo) estrangeiro aportar dinheiro quando a sua moeda (dólar) compra menos capital no Brasil. Pensa assim, com um dólar alto, o gringo compra 10 plantas fabris no Brasil. Com o dólar baixo em relação ao real, ele compra 5 plantas. Portanto, a desvalorização do nosso real não possibilitaria mais poder de compra pro investidor estrangeiro.?

    2) É o crescimento econômico que aprecia o real ou o câmbio apreciado que gera crescimento? Ou o não o Precisamos de crescimento pra apreciar nossa moeda? Qual a causa e consequência?

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