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Como o estado pune exatamente aqueles que querem ajudar

Nota do editor: o artigo a seguir foi
adaptado para a realidade brasileira

 

Ao sair do supermercado, vi uma mãe e suas duas
crianças pequenas acampadas no estacionamento. Ela segurava um cartaz
pedindo ajuda para alimentar as crianças. Decidi, então, comprar algumas
laranjas e bananas para eles.

Agora, apenas imagine se algum burocrata do governo
surgisse ali e explicasse que minha sacola de frutas não era o bastante para
alimentar aquela família em dificuldades. 

Ou imagine que o governo aprovasse uma lei dizendo
que, se alguém decidir doar alimentos (ou dinheiro) para pessoas mendigando nas
ruas ou em estacionamentos de supermercados, a contribuição teria de ter um
valor mínimo estipulado. Se alguém fosse flagrado doando, digamos, apenas
$5 ou uma pequena sacola de frutas, ele seria impiedosamente multado. 

Tal legislação, por acaso, parece ser
caridosa? Poderia ela ser considerada “pró-mendigo”?

A
lista cresce

Tentemos um exemplo diferente: existem grupos civis
e religiosos que, voluntariamente, escolhem um fim de semana para ir às
residências de pessoas pobres para ajudá-las a arrumar a casa, a reabastecer a
despensa, a reparar objetos estragados etc. Estes atos caritativos e
isolados obviamente não podem preencher o vazio e suprir todas as contínuas
necessidades de pessoas em situação de penúria. 

Não deveria então o governo aprovar uma legislação
impondo que, se você for doar seu tempo e seus bens materiais para pessoas
pobres, você tem de fazê-lo de uma maneira que as permita viver
confortavelmente? Não seria este um grande método “pró-pobre” de
elevar o padrão de vida desse grupo demográfico?

Ou então considere aquelas famílias mais abastadas
que adotam crianças órfãs que vivem em regiões devastadas por guerras ou por
catástrofes climáticas. Tais ações, embora muito nobres, são claramente
uma gota d’água no oceano, uma vez que centenas de milhares de órfãos continuam
deixados para trás. E se o governo aprovasse uma lei estipulando que tais
famílias só poderão adotar órfãos pobres se adotarem pelo menos 15 crianças de
uma só vez? 

Os ativistas discordariam que tal medida
“pró-adoção” elevaria o número de adoções e representaria uma
completa benção para esses órfãos?

Atualmente, há centenas de pessoas que se voluntariam para
ensinar adultos a ler. Mas o analfabetismo entre adultos ainda é um
problema premente em certas localidades, de modo que esses esforços voluntários
claramente têm sido inadequados para superar os desafios. A maneira óbvia
de corrigir essa situação é criar uma lei estipulando que os voluntários têm de
dedicar ao menos 15 horas de ensino por semana. Se eles forem flagrados
lecionando adultos analfabetos por apenas 14 horas, então esses voluntários
devem ser pesadamente multados.

Um último exemplo. Existem milhões de
indivíduos que não possuem habilidades físicas ou mentais de grande valia para
o mercado de trabalho. No entanto, há milhares de pessoas dispostas a
oferecer empregos para esses indivíduos sem grandes habilidades. Não seria
um grande benefício para esses indivíduos inábeis se o governo aprovasse uma
lei estipulando que, se você quiser contratar um deles, você não apenas terá de
pagar a eles $ 1.000 por mês, como também terá de pagar todos os encargos
sociais e trabalhistas estipulados pelo governo? 

(E se você for flagrado pagando, digamos, $ 800 por
mês, será pesadamente multado, podendo até ser preso). 

É difícil imaginar que possa haver um lado negativo
nessa legislação pró-trabalhador, certo?

É
chiste, mas também não é

Sim, o leitor certamente já percebeu que estou sendo
chistoso. Estou enfatizando o absurdo que é rotular a atual legislação
trabalhista como sendo “a favor do trabalhador”. 

No Brasil, há os encargos sociais e trabalhistas,
como INSS, FGTS, PIS/PASEP, salário-educação, Sistema S, 13º salário, adicional
de remuneração, adicional de férias, ausência remunerada, férias, licenças,
repouso remunerado, rescisão contratual, vale-transporte, indenização por tempo
de serviço e outros benefícios. Tais encargos fazem com que, além do salário, o
empregador tenha de pagar o equivalente
a outro salário
só com estes custos. 

Por exemplo, se você contratar um trabalhador por R$ 1.100 (valor marginalmente acima do atual salário mínimo), e não pagar nada de vale-transporte, vale-refeição, plano de saúde, e outros benefícios, você gastará ao todo praticamente R$ 1.700 por mês (INSS, FGTS, provisão do 13º, férias etc.) — ou seja, seu gasto será mais de 50% maior que o salário. 

Em algumas ocasiões, um empregado pode custar muito mais do que o dobro do salário. O corriqueiro é que ele custe, no mínimo, o dobro do salário.

Eis a primeira consequência óbvia: ao elevar as
dificuldades para se fornecer um emprego para trabalhadores pouco qualificados,
a legislação trabalhista tende a perversamente reduzir o emprego exatamente para aquele grupo de pessoas que o governo supostamente quer ajudar.

Será que os defensores dos mendigos, dos pobres, dos
adultos analfabetos e de outros grupos em situação de penúria seriam tão
afoitos em defender as legislações hipotéticas descritas acima?

Os exemplos hipotéticos no início deste texto foram
criados para enfatizar outra perversidade da legislação trabalhista — e, de
maneira mais geral, a perversidade de todos os decretos que
incidem sobre os empregadores: eles atacam exatamente os benfeitores dos poucos
qualificados.

Considere isso: há milhões de pessoas que têm
dificuldades em ganhar seu próprio sustento. Não seria algo perverso
querer onerar exatamente aquelas que pessoas que estão fazendo o
possível para aliviar esse problema

Isso é o equivalente a escolher precisamente aqueles
voluntários que estão fazendo algo para reduzir o analfabetismo entre os
adultos e impor a eles uma tarifa punitiva pelos seus esforços nessa área, ao
mesmo tempo em que o resto da sociedade continua não fazendo nada para
mitigar esse problema.

Se o governo quer “fazer algo” para ajudar
os pobres de maneira definitiva, então ele realmente deveria desonerar aquelas pessoas que estão
dando algum dinheiro para os pobres. 

É particularmente perverso que o governo queira
jogar o fardo exatamente sobre aquelas pessoas que estão fornecendo
oportunidades (e dinheiro) para os trabalhadores pouco capacitados. 

A qualidade disponível

Mas tudo piora. A situação não é ruim apenas para os mais necessitados. Mesmo aqueles que tiveram oportunidade de estudar sofrem com os obstáculos artificiais.

Dados do Ministério da Educação demonstram que 7 de cada 10 alunos do ensino médio têm nível insuficiente em português e matemática

Ou seja, estão chegando ao mercado de trabalho milhões de jovens com sérias dificuldades de interpretar e escrever textos, bem como de fazer uma simples regra de três. 

E aí tem-se uma combinação explosiva: jovens chegam mal preparados ao mercado de trabalho (ou seja, com baixa produtividade), e ainda têm de superar o obstáculo criado pelas regras engessadas e burocráticas para que possam ofertar sua mão-de-obra. Quem irá contratar legalmente — isto é, a um alto custo — jovens inexperientes e com baixa produtividade? 

Isso é teoria econômica básica. Só é possível pagar altos salários a quem produz muito com pouco, isto é, quem gera muita receita (e lucros) para seu empregador. Voltando ao exemplo numérico da seção anterior, se um jovem sem instrução e sem habilidades possui uma produtividade capaz de gerar apenas R$ 1.100 por mês a um eventual empregador, não tem como esse empregador lhe contratar formalmente a um custo total de R$ 1.700 (contando os encargos).

Nada é mais responsável pela “degradação do mercado de trabalho” do que um ordenamento jurídico que condiciona o status de “formal” ao cumprimento de regras onerosas tanto ao trabalhador quanto ao empregador. 

Indefensável

A legislação trabalhista é uma ferramenta perversa
que foi criada para (supostamente) ajudar os trabalhadores menos capacitados
(que são exatamente aqueles que recebem os menores salários). 

Na melhor das hipóteses, ela ajuda alguns
trabalhadores pouco qualificados ao mesmo tempo em que penaliza drasticamente
todos os outros — ao tornar impossível que eles encontrem um emprego
legal. 

No mais, a legislação trabalhista perversamente joga
todo o fardo exatamente sobre aquele grupo de pessoas que optou por ajudar
esses trabalhadores, que são os empregadores — o único (e pequeno) grupo de
pessoas que realmente está se esforçando para resolver o problema.

O resto da sociedade — que não fez nada para ajudar
os trabalhadores pouco capacitados a alcançar um padrão de vida mais alto —
pode assim se autocongratular por ter votado em políticos que defendem essa
legislação ao mesmo tempo em que continua a não fazer nada para ajudar aqueles
que querem trabalhar.

____________________________________________________

Leia
também:

Quer reduzir a pobreza de
maneira definitiva? De início, eis as 12 políticas que têm de ser abolidas

No Brasil, empreender e
gerar empregos legalmente é tarefa para heróis. Ou para masoquistas

Uma impagável lição de
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102 comentários em “Como o estado pune exatamente aqueles que querem ajudar”

  1. Pensando em mudar de país

    Amigos, vocês que acompanham a situação do governo e as reformas pretendidas, acreditam que o Brasil pode se livrar de uma crise pelo excesso de endividamento do governo? Como está a situação do Brasil na realidade?

  2. A sociedade brasileira vive em um tipo de sistema de castas, os ricos em sua maioria são insensíveis e arrogantes e quase todos os bons produtos e serviços de consumo produzidos pela tosca economia brasileira são para a estes, a classe média se endivida para consumir alguns destes produtos e serviços, idolatra os ricos e enoja os pobres e os pobres ganham tão pouco que em pouco tempo se tornam improdutivos e preguiçosos em seus trabalhos, os únicos conhecimentos plenamente disseminados na sociedade brasileira para subir na vida são concursos públicos ou estudar em faculdade de cara e de prestígio.

    O ponto alto do artigo é este trecho

    “O resto da sociedade — que não fez nada para ajudar os trabalhadores pouco capacitados a alcançar um padrão de vida mais alto — pode assim se autocongratular por ter votado em políticos que defendem essa legislação ao mesmo tempo em que continua a não fazer nada para ajudar aqueles que querem trabalhar.”

    Parabéns pelo artigo.

  3. O estado, além de não ajudar, taxa pesadamente quem ameaça fazer algo de útil. Conclusão? Cada vez menos produtividade.

    Sabe qual o maior crime tributário na minha opinião contra o trabalhador? IR na fonte. É como adivinhar que o sujeito já tem lucro só por ter um emprego. Merece uma ação civil pública para mudar essa lei e derrubar essa falácia que consome bilhões do bolso da maioria dos brasileiros.

  4. Esse é o tipo de artigo que eu considero eficiente para atingir a população (principalmente brasileiros!), é de fácil entendimento e brinca com um pouquinho de lógica (faz com que o indivíduo ajuste o parafusinho, junte as peças).

    Ótimo artigo.

  5. Na verdade, a depender do setor, os encargos ultrapassam e muito os 100%, estando muito mais próximos dos 200%.

    Na construção civil, por exemplo, os encargos ultrapassam os 191%.

    A fonte é o próprio Sinduscon/SP:

    sindusconpr.com.br/tabela-de-encargos-sociais-folha-de-salarios-400-p

    Traduzindo: cada salário mínimo pago ao funcionário custa 2.910 reais ao empresário que o contratou.

    E ainda tem gente que estranha que a construção civil esteja em forte retração.

  6. Isso é mais ou menos igual a quando você dá moradia gratuita a um empregado, a justiça automaticamente a considera como parte de salário e tributa em cima! (Isso quando não prende você dizendo que é “trabalho escravo”).

    E como isso, em qualquer outra ajuda espontânea.

    Em tudo o estado quer ganhar em cima e acaba por espantar o que de real se poderia proporcionar a muita gente.

  7. Os encargos sociais achatam os salários mesmo,porém, expliquem-me o que acontecia antes do surgimento das leis trabalhistas,agora suponhamos que o governo acabe com essas obrigações dos empregadores,eles simplesmente embolsariam esse dinheiro e reduziriam o salário pela metade e dobrariam a carga horária.

  8. Ótimo texto novamente! Tenho apenas uma sugestão de correção, eu não usaria a palavra “benfeitores” para designar os empregadores, já que não se trata de fazer algo sem esperar nada em troca. O empregador apesar de fazer o bem para a sociedade em geral, não o faz com esse propósito e sim para prosperar em seus negócios. Ele fornece o emprego para o trabalhador porque precisa de alguém pra função e então gerar lucro em cima disso. Se for possível trocar o empregado por uma máquina sem prejuízo algum da função e custando mais barato, claro que o empregador vai trocar (se não fosse assim, voltaríamos para idade das pedras). Ou seja, é uma relação meio que “simbiótica”, na grande maioria das vezes.

    Ademais, não somos como os progressistas que se assumem detentores das virtudes.

    Grato e sucesso!

  9. Fiquei pensando agora vindo do trabalho, quando li esse artigo junto com os comentários.

    É um fardo grande pro empregador em pagar de 100% a 200% pra manter um funcionário, mas e se o dinheiro pago fosse direto para o empregado, isso não causaria um aumento dos preços espontaneamente? Se existisse um acordo em reverter todos os impostos trabalhistas citados no artigo e fosse transferido para o empregado, isso não viraria um efeito cascata?

    Eu acho viável o ponto do artigo mas fico a pensar nas consequências posteriores, pois o mesmo apenas descreve o fardo do empregador.

  10. Milton Friedman Cover's

    Perfeito, este texto adaptado. A interferência do Estado em tudo, não produz pessoas assistidas, bem ao contrário! Economicamente falando ( escrevendo…), menos impostos, mais possibilidades de quem quer ajudar os mais fracos, ajudá-los, por fim. Mas o Estado, capitaneados pelos políticos e empresários aliados que os mantém ( oportunistas, estatistas e consequentemente, socialistas…), atrasa tudo que pode e que não pode. Soluções possíveis no momento, embora difíceis de por em prática: reduzir ao máximo o número de vereadores, deputados, senadores, fim da república presidencialista e a criação do parlamentarismo ( já foi tentado uma vez, não deu certo, mas não custa seguir tentando…), com isto, governos ruins cairiam rápido. Seria o fim dos colapsos que tivemos sucessivamente com os governos esquerdistas. Mais autonomia para os estados, a criação de uma verdadeira república federativa que só existe no nome. A princípio, são as primeiras e principais mudanças. Só assim poderão surgir outras mais eficazes no futuro., principalmente na economia, tornando-a liberal. Do contrário, seguirá como está; cada vez que se quer liberalizar a economia, como vem tentando Paulo Guedes, o Congresso não permite, mudando totalmente o programa inicial do ministro da economia. Enquanto isso, seguem multidões de pobres esperando oportunidades para entrar no mercado de trabalho e produzir mais riquezas. Abraços.

  11. Milton Friedman Cover's

    PS: esqueci de escrever no texto feito agora que a reforma tributária é mais um item urgente como os que escrevi. Menos impostos, mais investimentos, mais empresas, mais lucros, mais empregos, menos gente precisando de caridade. Falta combinar com este Congresso esquerdista e acostumado com o poder. Sigo na torcida por mudanças implementadas pelo excelente Paulo Guedes. Abraços.

  12. João Alves Nunes

    Os ancaps, por sua ingenuidade, não percebem que o imposto, é uma das coisas mais fundamentais para a Sociedade viver em igualdade.

    Quando você impõe uma quantia de dinheiro ao rico para ele pagar, você retira um dinheiro alto dele, fazendo com que ele perca uma quantia, e faz com que as diferenças entre as classes sociais se diminua; o cara da classe D vai ser igual ao C, e o B igual ao A.

    Então sim, o imposto não é roubo, é fundamental se quisermos viver em uma Sociedade igualitária.

    Isto é, portanto, irrefutável.

  13. Fico maravilhado com o nível dos comentários desta página,além de engrandecer o artigo deixa o ar do debate amigável e acrescenta mais conhecimento para quem anda por estas bandas.

  14. Perdão pelo desvio completo do assunto, gostaria de saber o que acham deste artigo: novaresistencia.org/2017/09/05/anarcocapitalismo-e-sociopatia/. Ignorem o caráter do site e seus chavões. AVISO; Não sou seguidor do site, apenas achei o artigo pertinente de análise de indivíduos mais avançados no pensamento libertário do que este que vos escreve

  15. Só uma nova constituição poderá retirar as amarras que impedem o país de caminhar para a prosperidade. Enquanto esta constituição perversa estiver em vigor, seremos impedidos de progredir pelo ativismo judiciário. Um país que ministro juiz legisla, não caminha para a segurança jurídica. Caminha para o atropelo de competências. Caminha para a insegurança institucional. O Poder Judiciário quer legislar. O Poder legislativo quer governar. Poder executivo quer ser o maior empregador do país. Aos empreendedores da iniciativa privada, resta o papel de pagadores de impostos. Enquanto tudo estiver dentro da constituição, estaremos amarrados a âncora do Titanic. Tudo será judicializado . O país será juridicamente inviável. O maior problema é não haver como fazer uma nova constituição devido a corrupção endêmica e a corrupção sistêmica que assolam o país.

  16. Leonardo Ramos Ribeiro de Sousa

    Essas leis trabalhistas que supostamente ajudam os trabalhadores não passa de uma formula única que o Estado usa, por meio desses políticos sem vergonhas, marxistas e keynesianistas vigaristas , justamente para onerar todos os trabalhadores; e ainda, quando sai uma Reforma que vai arrumar a casa, ninguém apoia.

    Somente aqueles que possuem inteligência necessária para entender que o déficit está alto, culpa da maquina de dinheiro que fabrica o dinheiro, via Casa da Moeda, que o Banco Central manda fabricar, gerado pelos subsídios que os governos pilantras praticam este ato; apoio sim as Reformas previdenciária e tributária a fim de geração de emprego e renda.

    Não apoio aquelas soluções estatistas. Apoio um País Liberal na Economia. Sem escrúpulos marxistas keynesianistas.

  17. Duas marcas do discurso esquerdista:

    (1) Debater intenções em vez de métodos e resultados;

    (2) Reivindicar o monopólio das boas intenções.

    * * *

  18. Eu fico tocado quando leio os artigos no Mises Brasil.

    É uma preocupação com os mais pobres sem fim. É muito bonito essa empatia com os mais necessitados.

    Diante disso, eu sugiro que se inspire num país que era colônia como o Brasil e hoje tem uma das maiores renda per capita do mundo.

    Lá eles tem um sistema de proteção aos trabalhadores e aos estudantes, com uma espécie de renda básica, que da, por baixo, cerca de 500 AUSD por mês (isso antes do coronavirus, após o corona foi pra 1.000 adicionais, totalizando 1.500 AUSD mensais)

    http://www.servicesaustralia.gov.au/individuals/services/centrelink/youth-allowance-students-and-australian-apprentices/how-much-you-can-get

  19. Trabalho não é algo dado a sociedade pela natureza, trabalho é uma necessidade que nasce de um empreendimento. Se um empreendedor cria uma necessidade de trabalho que até então não existia, qualquer coisa que ele ofereça é sempre um lucro para a sociedade, sendo sempre um lucro é incoerente e burro que coloquemos barreiras para isso.

  20. Pessoas, antes do advento do Estado de Bem-Estar Social, em tempos de pobreza extrema e sem poder pensar em aposentadoria, por aqui no Brasil, quem mais fazia caridade era a Igreja Católica, não? Imagino isso no Brasil Colonial principalmente, onde era um canteiro enorme de informais empreendedores e que a Coroa Portuguesa nem dava bola, a não ser para pegar a sua boquinha pela tributação. Devo supor que sim, existia essa caridade religiosa, e é um tema até legal para se falar por aqui. Não consigo imaginar como era difícil naqueles tempos em questão de padrão de vida.

    Eu sigo a página do Instagram “Razões para acreditar”. A grande maioria dos seguidores é de mulheres, mas a página tem um fundo anarcocapitalista e eles nem sabem: eles promovem voluntarismo. Já teve ajuda para gente que perdeu casa para enchente, para desempregado, para um rapaz que largou tudo para cuidar da avó… imagina só, se o Brasil fosse mais rico. Seria caridade privada aos montes, e melhor que sem a safadeza que é o assistencialismo governamental dos tempos de hoje. Vale lembrar que os americanos estão entre os povos mais caridosos do mundo (apesar do estereótipo de serem “frios e individualistas”). Parece muito interessante, por exemplo, pensar até em vaquinhas para ajudar a abrir negócios e criar empregos. Mas aí seria bem caro, coisa de mais de R$ 100 mil…

  21. Enquanto isso, as discussões do inimigo estão neste nível:

    Por que ganhar 40000 reais é melhor do que perder ou ganhar 1000 reais? Porque aprendemos que “quanto mais dinheiro, melhor”? A lei da oferta e da demanda só vigora por causa de um aprendizado que atravessou a história? E se pudermos desaprender isso? E se a ciência dizer que é possível? Será que já estão empregando o desaprendizado?

    E o que vocês sabem sobre as técnicas de persuasão onde são utilizados os conhecimentos da área psicólogica? Essa irracionalidade das pessoas não é obra do acaso…pelo contrário, ela é fruto de uma estratégia bem elaborada

  22. Texto bastante reflexivo, valeu a pena ler.

    No entanto, comparar trabalho com caridade foi um tanto infeliz.

    "Considere isso: há milhões de pessoas que têm dificuldades em ganhar seu próprio sustento. Não seria algo

    perverso querer onerar exatamente aquelas que pessoas que estão fazendo o possível para aliviar esse

    problema?

    Isso é o equivalente a escolher precisamente aqueles voluntários que estão fazendo algo para reduzir o

    analfabetismo entre os adultos e impor a eles uma tarifa punitiva pelos seus esforços…."

    Trabalho não é a mesma coisa que caridade. Um patrão não contrata por caridade, nem um empregado presta serviço por caridade.

    O patrão contrata por não conseguir realizar todo o trabalho sozinho (se ele conseguisse, jamais contrataria), e por sua vez, o empregado precisa trabalhar para manter suas necessidades básicas. É uma troca, não caridade.

    Se os patrões fossem seres caridosos que desejassem aliviar os problemas sociais decorrentes da dificuldade de sustento das pessoas, como no trecho acima do texto, contratariam mesmo sem precisar. Conseguem imaginar as fábricas de automóveis contratando a mesma quantidade de pessoas que contratavam antes da automação? "Oh, posso montar um carro com X pessoas, mas contrato 3X porque quero aliviar a dificuldade delas de sustento…… ”

    Essa fábula do trabalhador explorado e do empregador santo/caridoso para mim não cola. É uma relação comercial. Ponto. Nada tem a ver com caridade, ambos os lados tem que suprir seus interesses.

    Todos criticam a CLT mas esquecem dos anos em que ela não existia. Antes dela existir, as coisas também não funcionavam bem.

    Ouso dizer, com base nos artigos que já li aqui (no final do meu comentário seguem alguns), que a raiz do problema está no desrespeito a propriedade privada e aos contratos assinados. Vejo nos jornais que diversas vezes, as pessoas não leem contratos antes de assiná-los – sejam trabalhistas ou não -, pois confiam que, se houverem cláusulas consideradas "absurdas" algum burocrata irá ajudar a anular.

    Vejam também o código penal brasileiro, tão extenso e mesmo assim advogados sempre triunfam por conseguir agir pelas brechas….. Esse é o grande mal, a falta de compromisso.

    O Brasil está cheio de patrões do tipo "trabalha aí e depois a gente vê", que adorariam enganar os ditos "inábeis" pelo texto. Também está cheio de trabalhadores "posso faltar amanhã?" Patrões não são santos, trabalhadores tampouco. Os contratos deveriam funcionar, para que nenhum dos lados pudesse abusar de seus "direitos" e, se insatisfeitos, pudessem desfazê-los.

    Prefiro não comentar também que a fábula do trabalhador explorado e do empregador santo caridosos cai como uma luva para os movimentos políticos, cada um puxando a sardinha para seu lado, e todos saem perdendo.

    Num mundo ideal as pessoas se responsabilizariam pelos papéis que assinam (tanto o empregador, de pagar o prometido, quanto o trabalhador, de prestar o serviço acordado), mas no mundo real basta procurar o "mau" ou o "culpado"……

    O que não falta no Brasil é empregador que não quer assumir nenhum prejuízo e trabalhador que só quer "ausência remunerada". Triste mundo real.

    http://www.mises.org.br/article/1899/os-pobres-o-livre-mercado-e-a-moralidade-deste-arranjo

    http://www.mises.org.br/article/3158/tres-fantasticas-surpresas-das-vantagens-comparativas

    http://www.mises.org.br/article/2903/em-economias-capitalistas-assalariados-sao-disputados-e-tem-aumentos-salariais-constantes

    http://www.mises.org.br/article/3129/a-exploracao-dos-trabalhadores-e-um-mito–e-e-facil-de-entender-por-que

  23. Olhe que belo exemplo de situação libertadora

    A cidadã da matéria abaixo resolveu se ver livre das amarras impostas pelo Estado e foi trabalhar fora do âmbito da CLT.

    Veja como essa troca livre e justa a fez bem

    g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2020/06/10/empregadora-e-condenada-por-manter-domestica-em-trabalho-analogo-a-escravidao-por-35-anos-na-bahia.ghtml

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