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Não, o “trabalho duro” (sozinho) não garante a prosperidade e não retira ninguém da pobreza

O trabalho é inegavelmente um fator determinante
para o sucesso pessoal e para o desenvolvimento social. Entretanto, há um
mantra socialmente aceito em relação ao trabalho que o trata com uma aura de
misticismo.

É dito que o “trabalho duro” é o que conduz uma
pessoa, bem como todo um país, ao sucesso e ao enriquecimento. A ideia é que
você (bem como todo o país) só irá enriquecer e prosperar se “trabalhar duro”,
se “acordar cedo e trabalhar pesado o dia inteiro, sem preguiça” — ou qualquer
coisa neste sentido.

Mas isso é conceitualmente incorreto. A ideia de
trabalho duro como o único determinante para o desenvolvimento é incompleta.
Trabalhar intensamente, por si só, não leva ao desenvolvimento econômico
desejado por todos.

A
relação é inversa

Para começar, quando se fala sobre “trabalho duro”,
é difícil encontrar a melhor maneira de explicá-lo: você toma por base a força
ou a inteligência? Uma maneira fácil de tentar mensurar o trabalho é
baseando-se nas horas de trabalho de cada trabalhador individual. O gráfico 1
abaixo mostra a média das horas trabalhadas por ano.

1.png

Gráfico
1: média das horas anuais de trabalho por trabalhador – Fonte: OCDE. Dados de2017

Já o gráfico 2 mostra a
média das horas de trabalho por semana em diferentes países da OCDE

2.png

Gráfico
2: média das horas de trabalho semanais,
por trabalhador, em diferentes países da OCDE

Já de imediato é possível constatar um padrão
simples: países mais ricos trabalham menos
horas. Trabalha-se muito menos na Alemanha, na Dinamarca do que na Costa Rica e
no México.

Ou, para ser ainda mais direto, veja esta tabela (fonte)
que mostra a quantidade anual de horas trabalhadas por país (com dados agora de 2014):

3.jpg

Faria sentido, portanto, ainda acreditar que pessoas
que trabalham mais horas são aquelas que vivem melhor? Os dados primários
parecem indicar o contrário.

Ainda assim, essa ideia vai contra o senso comum. Em
praticamente todas as sociedades e religiões, trabalho duro e esforço exaustivo
são bem vistos. Mas se eles não determinam o desenvolvimento de um país, então
o que determina? Por que os países mais ricos trabalham “menos duro” do que os
mais pobres? Por que o esforço daqueles que trabalham mais não são
recompensados com maior qualidade de vida?

Para começar a entender essas questões, é necessário
adicionar variáveis à análise. E uma variável importante a ser analisada é como
o número de horas trabalhadas mudou ao longo dos anos. O gráfico 3, abaixo,
mostra o valor anual da média de horas trabalhadas para três diferentes
gerações, com um espaço de aproximadamente 20 anos por observação.

4.png

Gráfico
3: horas trabalhadas em diferentes períodos de tempo – Fonte: OCDE

Observe que, após a década de 1970, houve um
pronunciado declínio no número de horas dedicadas ao trabalho nos países da
OCDE. No caso do Japão, a redução foi de quase 30% em 40 anos.

Mas o passar do tempo, por si só, não explica tudo,
obviamente. Portanto, é importante lembrar que todos os países da OCDE
cresceram economicamente ao longo destes 40 anos. Logo, a relação resultante é
entre desenvolvimento econômico ao longo do tempo e redução nas horas anuais de
trabalho. Os países mais pobres continuam trabalhando mais horas.

Isso pode ser visto mais claramente no gráfico 4, o
qual mostra a evolução das horas anuais de trabalho ao longo de 40 anos para
três potências econômicas (EUA, Reino Unido e Japão). A tendência é claramente
declinante ao longo dos anos.

5.png

Gráfico
4: evolução das horas anuais de trabalho entre 1970 e 2017 para Japão (linha
azul), Reino Unido (linha laranja) e Estados Unidos (linha cinza) – Fonte: OCDE

Analisando os dados para as horas anuais de
trabalho, e comparando-os em relação ao PIB per capita, vemos que a relação
anteriormente pressuposta é verdadeira: quanto maior o PIB per capita, menores
as horas trabalhadas por ano.

Ou seja, a riqueza gera menos necessidade de trabalho.

6.png

Gráfico
5: PIB per capita na eixo horizontal; horas anuais de trabalho no eixo
vertical. Quanto maior o PIB per capita, menor as horas de trabalho por ano –
Fonte: OCDE

Portanto, temos uma observação empírica: países mais
ricos trabalham menos que países mais pobres. Quanto mais rico é um país,
menores as suas horas de trabalho.

Isso leva à inevitável pergunta: por quê?

Trabalhar
duro é diferente de trabalhar produtivamente

Em certo sentido, trabalhar mais horas pode produzir
mais riqueza. Teoricamente, se tudo o que você tem é um machado e troncos
de árvore, então trabalhar oito horas cortando madeira irá lhe render mais
madeira do que em apenas quatro horas. Assim, neste caso hipotético,
trabalhar mais significa mais produção.

O problema é que dificilmente você conseguirá manter
essa rotina exaustiva por muito tempo e durante vários meses. Com efeito,
tentar manter essa rotina não será muito inteligente. Haverá um momento em
que suas condições físicas estarão debilitadas e sua produtividade
inevitavelmente cairá.

Sendo assim, se você conseguir obter uma máquina que
lhe permita cortar madeira de uma maneira mais rápida, você terá a mesma
quantidade de madeira em apenas uma fração do tempo original.

Uma serra elétrica, por exemplo, tornará o seu
trabalho muito mais produtivo do que um machado. Uma serra elétrica
permite que, com menos horas de trabalho, você consiga a mesma quantidade de
madeira que conseguiria com um machado e várias horas a mais de trabalho.

A serra elétrica é um bem de capital que aumenta sua
produtividade, permitindo que você trabalhe menos e produza mais. Ao
aumentar a quantidade de energia disponível, a serra elétrica permite que você,
simultaneamente, reduza sua carga de trabalho muscular e obtenha mais cortes de
madeira. A introdução da serra elétrica aumentou seu padrão de vida e
ainda reduziu o seu “trabalho pesado”.

E aí você começa a entender a diferença entre os
trabalhadores em países ricos e os trabalhadores em países pobres.

A resposta rápida para a pergunta de por que
trabalhadores em economias desenvolvidos trabalham menos que trabalhadores de
economias ainda em desenvolvimento é porque a produtividade média dos
trabalhadores das economias ricas é maior.

Ter mais acesso à tecnologia e a técnicas que tornam
o trabalho mais eficiente gera menos horas de trabalho necessárias para
alcançar o mesmo resultado — ou, talvez, um resultado até melhor.

O gráfico 6, abaixo, mostra a relação entre
produtividade e média anual de horas de trabalho. A produtividade é mensurada
dividindo-se o PIB por horas de trabalho.

7.png

Gráfico
6: no eixo horizontal, a produtividade (PIB por hora de trabalho); no eixo
vertical, horas de trabalho por trabalhadores – Fonte: University of Groningen,
Our World in Data, Banco Mundial

Como se observa, há uma relação inversa entre
produtividade e horas anuais de trabalho por trabalhador. Não é necessário
trabalhar mais para produzir mais. Tudo o que é necessário para se produzir
mais é, como explicado acima, capital.
A produtividade do trabalhador é aumentada quando se utiliza mais tecnologia e
melhores técnicas de produção.

Como
se faz?

Os países desenvolvidos passaram séculos trabalhando
e poupando com o objetivo de acumular o capital que eles atualmente possuem. O
trabalho, por si só, não traz automaticamente o desenvolvimento econômico;
entretanto, o trabalho torna possível a formação de capital por meio da poupança.

O capital advém da poupança, e poupar significa se
abster do consumo. Uma sociedade que trabalha, produz e se abstém do
consumo permite que os recursos criados e não consumidos sejam utilizados na
construção de bens de capital que irão tornar o trabalho humano mais produtivo.
Os recursos não-consumidos se tornam insumos para a construção de moradias,
fábricas, infraestruturas, meios de transporte, maquinários, escritórios e
imóveis comerciais, laboratórios, cientistas, arquitetos, universidades etc.

Inversamente, uma sociedade que consome 100% do que
produz não possui um único bem de capital. Nesta sociedade não haveria
moradias, fábricas, infraestruturas, meios de transporte, maquinários,
escritórios e imóveis comerciais, laboratórios, cientistas, arquitetos,
universidades etc. Todos os indivíduos estariam permanentemente ocupados
(trabalhando duro) produzindo bens de consumo básicos — comidas e vestes — e
não dedicariam nem um segundo para a produção de bens de capital, que são
investimentos de longo prazo que geram bens futuros.

É a poupança, é o não desejo de consumir tudo o que
se pode, o que permite direcionar esforços para satisfazer não os desejos mais
imediatos, mas sim as necessidades futuras. Com a poupança, são produzidos bens
de capital que irão, por sua vez, fabricar os bens de consumo que serão
demandados no futuro.

Logo, ao fim e ao cabo, os componentes-chave para se
ter trabalhadores mais produtivos é poupar e, consequentemente, utilizar essa
poupança na construção de máquinas, ferramentas, instalações industriais e bens
de capital em geral que poupem o trabalho físico. 

Os países ricos de hoje são aqueles que passaram as
últimas décadas (e séculos) trabalhando, produzindo e poupando. Isso significa
que várias gerações decidiram não consumir toda a sua produção presente,
optando por poupar com o intuito de ter um futuro mais próspero. Essa poupança
foi então investida por empreendedores e inovadores que souberam como criar valor.
Finalmente, esse capital aumentou a produtividade das gerações seguintes,
levando à qualidade de vida que hoje vemos nos países de primeiro mundo.

É por isso que os salários nestes países são maiores
do que os países mais pobres, e é por isso que menos trabalho é exigido nestes
países. Dado que o capital aprimorou a produtividade marginal da mão-de-obra —
isto é, a contribuição adicional de cada trabalhador ao longo da cadeia
produtiva –, seu salário aumenta porque seu desempenho é melhor.

Ludwig von Mises sintetizou perfeitamente
o arranjo:

Com o auxílio de melhores ferramentas e
máquinas, a quantidade dos produtos aumenta e sua qualidade melhora. Assim,
o produtor consequentemente estará em posição de obter dos consumidores um
valor maior do que aquele que seu empregado consumiu em uma hora de
trabalho. Somente assim o produtor poderá — e, devido à concorrência com
outros empregadores, será forçado a — pagar maiores salários pelo trabalho do
seu empregado.

Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto
dessa acumulação de capital. Assim como a serra elétrica aumenta a produção em
relação a um serrote ou a um machado, e um trator multiplica enormemente a
produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos
modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e,
consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.

Um operário norte-americano ganha quatro vezes mais
que o espanhol ou cem vezes mais que o indiano não por “trabalhar mais duro” ou
por ser mais inteligente, mas sim por utilizar quatro ou cem vezes mais capital
(máquinas, ferramentas, instalações industriais, meios de transporte etc.) que
seu colega espanhol ou indiano, respectivamente.

Em um país rico, a quantidade e a qualidade das máquinas
e das ferramentas disponíveis são muito maiores do que nos países pobres. A
acumulação de capital, o empreendedorismo e a inventividade tecnológica são os
pilares da economia. Como consequência, a produtividade, a riqueza e o
padrão de vida nestes países são muito mais altos. 

O objetivo é trabalhar menos e produzir
mais

A ideia de que é necessário trabalhar duro para
enriquecer seria verdadeira apenas se vivêssemos em um mundo completamente
destituído de melhorias na produtividade. Neste caso, realmente, não
haveria alternativa senão trabalhar mais.

Felizmente, não vivemos nesse mundo. E, no mundo em
que de fato vivemos, o objetivo de alcançar um contínuo aumento no padrão de
vida ao mesmo tempo em que se diminui as horas de trabalho é perfeitamente factível.

Afinal, foi exatamente a Revolução Industrial que
permitiu que grande parte da humanidade se livrasse, pela primeira vez na
história do mundo, do fardo diário de ter de trabalhar longas horas sem nenhuma
perspectiva de alívio, tendo pouquíssimo tempo livre para a educação, o lazer e
atividades caritativas.

Desde então, graças à expansão do
capitalismo
, a produtividade do trabalhador só fez aumentar nos séculos
seguintes. Hoje, não é necessário trabalhar mais do que dois dias por
semana para alcançar um padrão de vida maior do que aquele usufruído por nossos
ancestrais que viveram no século XVIII. Não temos de trabalhar mais do que
nossos tataravôs. Certamente trabalhamos menos horas do que eles — e por
livre e espontânea vontade.

Os
obstáculos

Entretanto, de nada adianta falar de tudo isso se
ignorarmos o papel deletério das políticas governamentais, que afetam
enormemente todo o processo de acumulação de capital.

O aparato regulatório
que impede o surgimento de novas empresas e novas criações. A burocracia, a carga
tributária e o complexo código tributário
, que penalizam a inovação e a
poupança. Tarifas de
importação
e uma moeda em contínua desvalorização,
que impedem que empresas adquiram do exterior bens de capital bons e baratos
que aumentariam sua produtividade.

As políticas fiscais e monetárias do governo,
as quais, ao incentivarem o consumismo, o imediatismo e o endividamento da
população para fins consumistas, fazem de tudo para desestimular a
poupança. 

O problema da contínua inflação e da consequente destruição do poder de
compra da moeda
. Uma moeda que continuamente perde poder de compra
afeta os investimentos de longo prazo (é impossível fazer investimentos produtivos
se você não tem a mínima ideia do poder de compra futuro da moeda) e reduz os
salários reais. Ao reduzir os salários reais, desestimula a poupança (com
a renda disponível cada vez mais afetada, não há como poupar).
Consequentemente, a pouca poupança disponível não é direcionada para
investimentos produtivos, mas sim para o consumo imediato.

O resultado é uma economia voltada para o consumo e
para o prazer imediato, e não para a poupança e para o investimento de longo
prazo. E isso, por sua vez, afeta toda a estrutura produtiva da economia:
em vez de se ter uma economia voltada para a produção de longo prazo, há uma
economia voltada para o consumismo de curto prazo.

Em todos esses casos, avanços na produtividade são
perdidos.

Por isso, para o desenvolvimento, é crucial haver um
governo que ao menos não atrapalhe.

Conclusão

Se o objetivo é o crescimento econômico e o
enriquecimento, então apenas “trabalhar duro” não terá efeito nenhum. O
trabalho duro é importante, mas de nada adianta sem capital acumulado, que é o
que irá realmente aumentar a produtividade do trabalho e gerar mais retornos
com menos esforço. O capital, tanto físico quanto intelectual, é o que permite
aos trabalhadores terem um maior padrão de vida, seja por meio de maiores
salários, seja ao permitir menos horas para se completar um trabalho.

É por isso que a poupança e o investimento são os
mais importantes fatores nas economias desenvolvidas. Acreditar que o trabalho
duro, por si só, fará com que um país prospere é ignorar as premissas básicas
da economia. O verdadeiro crescimento econômico advém da poupança e do
investimento (em conjunto com uma moeda forte e uma economia genuinamente
empreendedorial).

Por fim, eis a grande tragédia: a ideia de que a
prosperidade está no trabalho duro — quando desacoplada do conhecimento
econômico — pode condenar milhões a viverem eternamente na pobreza. Um bom
exemplo é o Haiti:
um país de pessoas laboriosas, mas que não consegue prosperar.

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Leia também:

Sociedades pobres e sociedades ricas – o que faz a diferença

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69 comentários em “Não, o “trabalho duro” (sozinho) não garante a prosperidade e não retira ninguém da pobreza”

  1. Nos EUA eles dizem "Work smarter, not harder" (algo como "trabalhe mais espertamente, e não mais pesadamente").

    Um cara com uma restroescavedeira (com cabine fechada e ar condicionado) faz mais em quatro horas do que 20 pessoas com pás em uma semana. E estas últimas obviamente trabalharam muito mais pesado.

    No final, esse conceito de trabalho duro ou trabalhar mais horas nada mais é do que uma herança da teoria do valor-trabalho, que é aquela imbecilidade que diz que o valor das coisas é proporcional ao volume de horas trabalhadas para fabricá-la. Não interessa qual foi o seu esforço ou quantas horas você gastou na labuta. A única coisa que interessa é o resultado final.

  2. Isso é vem visível na roça dos sertões brasileiros. Lá as pessoas trabalham até 15 horas por dia. Acordam as 4 da manhã, saem pro trabalho externo, terminam quando o sol se põe, e aí dentro de casa tem mais trabalho. É a perfeita definição de trabalho duro.

    E estão na mesma há décadas. Melhoraram um pouco o padrão de vida (hoje têm mais bens do que tinham, sei lá, na década de 80), mas para os padrões urbanos ficaram na mesma.

    A tragédia é que elas não têm maquinários e bens de capital avançados, que são as únicas ferramentas que geram um aumento da produtividade. Sem produtividade, impossível trabalhar pouco e produzir muito. Impossível enriquecer.

  3. Alguém já deve ter ouvido a expressão: “quem trabalha, não tem tempo para ganhar dinheiro”.

    Eu ouvia isso de gente preguiçosa (e alguns realmente eram). Mas aí está a outra explicação.

  4. O que sustenta a teoria de valor trabalho na cabeça de muitos sejam comunistas declarados ou não é basicamente o ego do sujeito. A teoria de valor trabalho é uma teoria que amacia o ego de indivíduos fracassados em termos de perspectiva e auto comparação com o resto do mundo, basicamente “se eu empenho muito esforço meu orgulho sobre o que fiz vai crescendo e por isso acredito que devo ter o melhor valor possível como recompensa.” Toda a teoria Marxista inclusive é uma teoria que joga com os conflitos do ego e a revolta da queles que não podem ter o que são obcecados por ter. A inveja natural do ser humano e o desejo irracional de destruir aquilo e aqueles cujo sucesso evidenciam que o indivíduo invejoso não é capaz ou não é tão bom para ter o que quer e o que ver de valor sendo reconhecido nos outros. Destruir o que é incômodo é o impulso mais primitivo e básico de todo ser humano. É difícil para essas pessoas aceitarem que o valor de qualquer coisa que elas façam depende da perspectiva de terceiros e não do que elas acham. O mundo não é e nunca será espelho do que o indivíduo acha de si enquanto mérito.

  5. Parabéns pelo artigo, é uma lógica pouco óbvia do ponto de vista de quem vive hoje mas que faz muito sentido.

    Mas tenho receio pela ideologia da busca pelo maior lucro possível. Claro que o empresário quer lucro, ele investiu seu tempo e capital numa empresa para isso. Mas ele entende que quanto melhor a vida dos seus funcionários melhor será sua produtividade? Entende que com salários maiores, todos poderão comprar mais e mover mais a economia?

    Pode falar o que for, mas minha prática tanto na vida profissional quanto acadêmica me mostra o contrário. Se quiser dados é só comparar o nosso coeficiente Gini com o de qualquer país liberal, na verdade nem precisa ser um país liberal, para notar que somos um dos piores no mundo em distribuição de renda.

  6. Felipe dos Santos

    Desculpem-me a ignorância, mas tenho algumas dúvidas:

    Tem aquela frase (que para mim, é uma máxima da economia) que é:”A economia não é conta de soma zero”. Ou seja, para uma lado ganhar não necessariamente o outro precisa perder.

    O PIB mundial, sempre é passível de se expandir? Admitindo que a riqueza de um não causa a pobreza de outro, é possível todos serem ricos?

    Muito obrigado.

  7. Estou surpreso com o fato de que, de acordo com os gráficos anteriores, os trabalhadores japoneses fazem menos horas de expediente do que os italianos, já que no Japão o excesso de trabalho chega a ser considerado um problema de saúde pública. Existe até uma palavra em japonês “karoshi” que significa literalmente “morrer de trabalhar”, por exaustão. Sempre achei que era exatamente por causa desse trabalho duro e da deflação que os japoneses conseguiam manter o padrão de vida, apesar da “economia zumbi” deles.

  8. Ao que me parece, dos artigos que já li no site, um dos que mais aproximam o leitor da realidade, pois traz conceitos simples e de fácil compreensão para desmistificar o velho ditado popular “trabalhe duro, acorde cedo, etc…”

    Na verdade, o grande problema dos teóricos econômicos, independentemente da vertente seguida, é que eles trazem conceitos por vezes utópicos para corroborar seus posicionamentos.

  9. O capital advém da poupança, e poupar significa se abster do consumo

    O capital advém da poupança ? Será ?

    Na vida real, o capital de muitos vieram da expropriação mesmo. Ou por ser amigo do Rei(o Estado, sim amiguinho libertário, o Estado malvadão sempre foi íntimo do capitalismo e da burguesia).

    O por quê de existirem pequenas diferenças de capital pode ter muitas razões, os defensores aqui do Mises preferem falar unicamente das diferenças que são produto do mérito das pessoas, no caso de que tenham sido mais trabalhadoras ou mais engenhosas(a tal produtividade), porém não podemos nos esquecer do fato de que muitas vezes, e me atrevo a dizer que a maioria das vezes, essas diferenças são produto do azar, da especulação, do açambarcamento, do roubo, das guerras, de heranças…

    Mas suponhamos que essa questão da poupança tratada no artigo fosse verdade… É por isso que existe a macroeconomia.

    Se todas as famílias tomam a mesma decisão(poupar), cai a demanda agregada e a própria renda nacional, fazendo com que a poupança total não aumente. E isso é ruim para a economia de forma geral, pois o meu consumo é a renda de outra família e assim por diante.

    Um operário norte-americano ganha quatro vezes mais que o espanhol ou cem vezes mais que o indiano não por “trabalhar mais duro” ou por ser mais inteligente, mas sim por utilizar quatro ou cem vezes mais capital (máquinas, ferramentas, instalações industriais, meios de transporte etc.) que seu colega espanhol ou indiano, respectivamente.

    Um jogador de futebol ganha cem vezes mais jogando no Qatar do que no Brasil.

    Existe mais máquina no Qatar do que no Brasil ? Não…

    Existe mais ferramentas ? Não…

    O futebol no Qatar é mais popular do que no Brasil ? Também não…

    O futebol no Qatar é mais competitivo do que no Brasil ? Não…

    O futebol no Qatar é melhor do que o futebol praticado no Brasil ? Não…

    Enfim…

    É engraçado que de repente de forma mágica o jogador brasileiro foi para o Qatar e a sua “produtividade” aumentou absurdamente rsrsr… É a mesma coisa dos trabalhadores brasileiros que vão para os EUA. O cara vai limpar privada nos restaurantes de MIAMI e sua “produtividade” aumentou absurdamente rsrs. E ele USA AS MESMAS FERRAMENTAS rsrs

    Em um país rico, a quantidade e a qualidade das máquinas e das ferramentas disponíveis são muito maiores do que nos países pobres. A acumulação de capital, o empreendedorismo e a inventividade tecnológica são os pilares da economia. Como consequência, a produtividade, a riqueza e o padrão de vida nestes países são muito mais altos.

    A nível de máquina, ferramenta disponível e conhecimento eu vos pergunto : “o que tem em Portugal que não tem aqui no Brasil ?”

    Ah lá eles tem o Euro… aqui a gente infelizmente não tem essa moeda. Fora que nós temos uma população bem maior…

    Observação: Foi uma pena esse artigo não mencionar a CHINA.

  10. Pelo que acompanho, até os eleitores do Partido Republicano não votam mais no partido por causa da defesa do livre mercado. É muto difícil fazer essa ideologia decolar. No máximo vão conseguir emplacar um governo ou outro. O próximo governo que entrar vai ser socialista de novo

  11. Há algum tempo, quando eu ainda estava na faculdade, minha professora disse que o capitalismo obriga as pessoas a trabalhar 8h/dia, mesmo que não queiram.

    Perguntei a ela se, caso um empregado quisesse trabalhar 4h/dia com o correspondente ajuste salarial e seu empregador aceitasse, as leis trabalhistas permitiram.

    A resposta dela foi “NÃO”, sem aparentemente perceber sua enorme contradição. E essas pessoas estão educando seus filhos.

  12. Uma dica: para que esses textos tenham um alcance maior, é bom enxugar um pouco texto a fim de remover redundâncias. Também, utilizem os dados de modo a ajudar na argumentação.

    Por exemplo, embora o 2o gráfico mostre exatamente os mesmos dados apresentados no 1o gráfico (após uma divisão por 52), o texto os apresenta como sendo complementares e, em seguida, repete novamente ao colocar a tabela com os mesmos dados.

    Não suficiente, coloca um terceiro gráfico pra falar a mesma coisa, só que dessa vez com dados mais antigos ainda, sem relevância nenhuma para o desenvolvimento do texto.

    Gosto do trabalho do Mises.org.br mas acho que fica feio postar artigos que parecem relatório de faculdade.

  13. É lamentável que não exista uma tradução em português dos livros de Bawerk. Apenas a teoria da exploração, que é um pedaço de um livro.

  14. Excelente texto (e olha que sou um crítico frequente). Infelizmente, quando vemos reportagens que dizem que o trabalhador americano ou alemão é muito mais produtivo que o brasileiro, vemos muitos (jornalistas e empresários, inclusive) interpretando desse jeito: brasileiro é preguiçoso, pouco inteligente, etc. Quando, na verdade, o que acontece é que faltam recursos, tecnologia, investimento…

  15. “O resultado é uma economia voltada para o consumo e para o prazer imediato, e não para a poupança e para o investimento de longo prazo. E isso, por sua vez, afeta toda a estrutura produtiva da economia: em vez de se ter uma economia voltada para a produção de longo prazo, há uma economia voltada para o consumismo de curto prazo”

    Estava indo bem até aí. Ora, a única finalidade do aumento de produtividade é conseguir mais capital para consumir mais. A produtividade pela produtividade não possui nenhuma finalidade em si mesma. Se eu junto meu dinheiro, é no intuito de investir em algo que me traga mais dinheiro e aumentar meu poder de consumo.

  16. É o capetalismo.

    Se a mão de obra é mais cara que comprar máquinas = ok vamos comprar, melhorar a produção e usar o menos possível de mão de obra.

    Mão de obra barata = contrata mais gente a máquina está muito cara.

  17. Sou considerado um preguiçoso por toda minha família. Minha finada avó me chamava carinhosamente de “aleijado d’um quarto”, ou seja aleijado do quadril. Meu quadril não tem defeitos, por óbvio. Após 10 anos trabalhando tenho patrimônio maior que todos meus familiares. Pensava que era sorte. O artigo me esclareceu o motivo do meu sucesso.

  18. Pessoal, dado de que um câmbio desvalorizado não estimula exportações e quando a moeda é um lixo, muitos exportadores mesmo assim preferem exportar e adquirir o dólar americano. O fato de haver essa maior procura pelo dólar não é em si um estímulo às exportações? Ou um câmbio afundando propicia exportações apenas em certos setores na economia?

  19. O que tira qualquer pessoa da pobreza são 3 pequenos habitos.

    Ter planejamento familiar: não sair de casa cedo e cagando filho antes de solidificar uma profissão e criar um patrimônio.

    Poupar: É importante que o item anterior tenha sido respeitado, ter o habito de poupar garantira um crescimento patrimonial, uma vida de poucas dívidas e uma aposentadoria tranquila

    Buscar melhorar: Não se acomodar nunca com um emprego e sempre ir buscando atingir patamares profissionais mais alto.

    Esses 3 hábitos não vão ter garantir uma vida de rico, porém uma vida estável e de classe média.

  20. Prezados senhores

    Parabéns pelas explicações bem objetivas e diretas sobre os temas em questão. Realmente o entendimento liberal explica de uma maneira bem técnica e realista. Mesmo eu não sendo um expert em Economia eu estou feliz em ver um entendimento que eu nem sabia que existia confesso que nunca tinha ouvido falar do senhor Mises e olha que eu nunca fui de esquerda. O que eu sabia sobre Marx? Que ele tinha criado o Marxismo ( sem eu entender o que era realmente) e que era barbudo e olhe lá.

    Permitam-me escrever a famosa frase e como eu entendo, ela fica assim:

    Brasil acima de tudo, economia liberal acima de todos. eu penso assim.

    Um grande abraço a todos e muito sucesso e felicidades

    Luiz

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