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Desestatize o Lixo! (Concurso IMB)

Nota do IMB: o artigo a seguir faz parte do concurso de artigos promovidos pelo Instituto Mises Brasil (leia mais aqui).  As opiniões contidas nele não necessariamente representam as visões do Instituto e são de inteira responsabilidade de seu autor.

Walter Block, em seu clássico “Defendendo o Indefensável”,  faz uma distinção necessária entre lixo público e lixo privado. Para ele (e espero que para qualquer pessoa sensata), o problema do lixo só existe em ambientes controlados pelo Estado. O lixo que alguém deixa em cima da mesa de um restaurante, por exemplo, não é considerado um problema; a mesma coisa vale para o lixo deixado em um estádio de futebol; e até mesmo para o lixo de um hospital. Apesar de cada ambiente ter um “nível de lixo” tolerável pelos consumidores de seus produtos, eles não têm o problema do lixo que as vias públicas, parques e praias enfrentam devido à impossibilidade de entender o quanto de lixo as pessoas demandam. E isso acontece porque não existe um sistema de transmissão de informações via o mercado, ou seja, um sistema de preços.

Quando há um sistema de preços para informar as preferências das pessoas, esse problema não acontece. Atualmente, é uma tarefa árdua encontrar algum grande evento que não tem entre seus organizadores uma empresa de gestão , para garantir que os melhores processos para reduzir o impacto ambiental estejam sendo aplicados.

Pouco importa se o resultado final é um maior impacto ambiental (isso pode acontecer devido ao custo da fabricação e utilização de tecnologias mais “limpas”); o que importa é que os consumidores dessas festas demandam esse comportamento dos organizadores – como é revelado por pesquisas de mercado – e como empresários bem sucedidos são os que atendem os consumidores em seus menores caprichos, esse comportamento é recorrente nesse meio.

Interessante ainda é ver na prática as empresas contratando certificadores privadas (com fins lucrativos) para atestar que os eventos são “sustentáveis”; e não é porque estão contratando este serviço que eles vão decidir o laudo que a empresa vai emitir. Isso acontece porque se a certificadora emite um laudo incorreto, a falência é certa. O “produto” dessas empresas certificadoras é a sua reputação, por isso,  o valor do suborno será sempre menor que o custo do dano à marca.

Um problema mais grave em relação ao lixo é a coleta realizada pelas prefeituras em todo o Brasil. Um problema que não é técnico e sim estrutural, ligado ao modelo socialista adotado.

Essa socialização do lixo existente origina diversos problemas, como o incentivo à produção de lixo, desincentivo à separação e reciclagem, mal cheiro nas vias públicas devido à acomodação do lixo até o horário da coleta e alto custo do serviço.

O incentivo à produção de lixo tem relação com o alto custo do serviço. Como independente da quantidade de lixo jogado o valor pago é o mesmo, por que então evitar produzir lixo? O alto custo já é decorrente da gestão dessa coleta, porque o Estado não tem nenhuma capacidade de administrar algo; além disso, por ser um monopólio, por que melhorar a qualidade do serviço e utilizar novas técnicas se isso não faz diferença para nenhum dos administradores?

Então, como podemos mudar isso? A solução é simples. Primeiramente todo o sistema de coleta de lixo coletivo estatal deve ser abolido. Isso quer dizer então que as pessoas não terão onde jogar o seu lixo e teremos mais doenças? Claro que não. Em pouquíssimo tempo, diversas empresas vão começar a oferecer o serviço de coleta de lixo em casa, o que vai reduzir os preços. Provavelmente as empresas, pensando em maximizar seus lucros, vão incentivar com campanhas – ou até mesmo financeiramente – a separação do lixo para o maior reaproveitamento possível.

Mesmo não tendo muito conhecimento dos fins que podem ser dados a todos os materiais, é de conhecimento geral a possibilidade de total reaproveitamento de plásticos, alumínio, cobre, vidros e até mesmo lixo orgânico, que pode ser usado para gerar energia; além de emitir uma quantidade muito menor de gases do que se o lixo simplesmente ficasse em decomposição em aterros sanitários. Outro ponto positivo é que, nesse cenário, os aterros sanitários receberão uma pequena quantidade de resíduos e serão tratados de maneira mais adequada, pois a imprensa ou até mesmo uma empresa certificadora ficarão atentos e avisarão aos consumidores quando não for dado tratamento adequado, o que resultará na quebra da credibilidade e queda na demanda pelos serviços das empresas que não cumprirem com aquilo que firmarem em contrato com seus clientes.

A solução restante é flexibilizar as regulamentações e, finalmente, removê-las completamente. Pois enquanto elas existirem, menos empresas de certificação privada serão criadas e mais danos o meio ambiente sofrerá.

Você quer um mundo ambientalmente sustentável? Desestatize o lixo!

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17 comentários em “Desestatize o Lixo! (Concurso IMB)”

  1. Em Nova Jersey quem coleta o lixo são companhias particulares e geralmente nas mãos da máfia que muitas vezes levam entre dois ou três dias para retirar o lixo.

  2. Manuel, aposto uma quantia obscena que essas empresas estão em conluio com o estado e operam em regime de concessão, numa parecerira público-privada. Acertei?

    Ora, sob tal arranjo, é impossível que isso não aconteça. É algo para o qual esse instituto sempre alertou e sempre se posicionou contra.

  3. Por serem compostas de níquel, cádmio, cromo, chumbo e zinco, fica fácil entender o valor econômico que possuem as baterias e pilhas elétricas usadas. Baterias e pilhas não são lixo, mas são fontes de matéria prima de elevada pureza para a indústria siderúrgica. Que o digam os fabricantes de aço inoxidável, os de baterias para veículos e outros. \r
    No entanto, alguém já viu ou escutou na mídia alguma referência sobre este valor que elas possuem? Eu não! O que fazem é demonizá-las, apresentando-as como vilãs da natureza, como se um punhado de metais de alta pureza fosse capaz de destruir o planeta. Mas o poder público, ao apresentar como vilãs as baterias e pilhas usadas, através das conhecidas campanhas que promovem, abre motivo para penalizar a população ou pessoas que não dêem a elas o destino ‘correto’. O tal destino ‘correto’ é descartar a bateria num ponto de coleta autorizado. É claro que, do ponto de coleta, elas serão levadas para uma fundição, que vai se beneficiar dos metais. Ou seja, sob ameaças de punições severas, a população é obrigada a fornecer matéria prima de elevado valor, sem nada receber em troca. Seria muito mais correto e eficiente que os próprios interessados em reutilizar estes materiais abrissem pontos de coleta, onde pagariam pelas pilhas ali descartadas pelas pessoas. Isso com cereteza criaria nas pessoas o interesse em participar desta reciclagem, onde todas as partes sairiam ganhando – até a natureza, se isso for possível.\r

  4. Duvido que num livre mercado qualquer cidadão tivesse que pagar pela coleta de seu lixo.
    Seria no máximo de graça, há muito valor agregado nos resíduos domésticos.
    O que ocorreria, em minha opinião, seriam empresas na porta da sua casa pagando a kg pelo seu lixo. A simples separação entre plásticos, metais e orgânicos que cada pessoa fizesse em sua casa economizaria um serviço monumental de triagem por parte da empresa, que poderia comprar esse material a preços baixos para reciclá-lo e revendê-lo.

  5. As empresas não são proibidas de recolherem o lixo se quiserem. Existe, inclusive, muitas empresas privadas de recolhimento de lixo especial ou coleta seletiva, associações privadas de reciclagem… e se fosse algo lucrativo e pelo qual a população estivesse disposta a pagar, não seria um problema do Estado. Sobra pra ele porque não há real interesse de empresas em ofertar serviços melhores. Não por enquanto onde o lixo, apesar de reciclável, custa caro, e matéria prima ainda é na maior parte dos casos – exceção para alumínio e vidro – muito mais barato do que reciclar, portanto é o que fazem as empresas. O problema é achar que o livre mercado se predispõe a tudo, e tudo se torna lucrativo, quando não é verdade. Além disso, no caso do Brasil, pode-se até argumentar que o serviço é mal gerido pelo Estado, e é mesmo!! Mas isso não é verdade em todos os países do mundo e nem que privatizar seja uma boa solução. Quando vocês fazem essas análises super inteligentes, eu acho que deveriam começar a dar exemplos de aplicações práticas em outros lugares do mundo aonde o livre mercado é tão eficiente e iluminado nas suas ações.

    O metrô do Rio é privatizado, assim como todo o transporte público na cidade, mas não exerce suas funções melhor do que o de São Paulo, por exemplo (apesar das recentes falhas) onde é público. E ainda por cima é mais caro e só não é mais ainda porque é subsidiado, e quando precisa de fazer investimentos, não tem dinheiro, precisa de contrapartida pública para expansão das linhas e manutenção dos serviços. Ainda assim é horrível. Agora, os ônibus também são. Nessa concorrência “acartelizada”, a população que necessita pegar transporte público é que é imensamente prejudicada, enquanto os lucros desses transportes são garantidos pelo Estado. Mesmo assim, ainda existem outros transportes, ônibus executivos, etc… que algumas pessoas se dispõem a pagar, muito mais caro, pela melhor qualidade. Obviamente, não é viável para todos e nem justo com a população. E se o Estado não subsidiasse os preços seriam impraticáveis. Isso não porque de fato sejam, mas porque os lucros das empresas que é exorbitante provoca tal situação. E isso porque ainda assim existe uma certe regulação (muito mal feita, mas existe), queria saber como seria se não houvesse.

    En gros, é assim: o transporte já é caro. Se o preço subisse muito mais – o que seria o caso se fosse totalmente livre mercado, pequenos empresários não poderiam manter seus funcionários trabalhando pelos altos custos do transporte. Daí de duas uma: ou iria causar um grande aumento do desemprego e/ou inflação em cadeia, ou um grande processo de favelização em cidades, e também aumento da economia informal, aumento do desemprego também causa aumento na criminalidade entre outros. A prova é: não existe no mundo inteiro lugares onde o transporte público não seja de alguma forma subsidiado ou estatal, nem existe no mundo inteiro um lugar onde o transporte seja 100% privado. O mesmo para o lixo. Senão, deem os exemplos!

  6. É…. parabéns pela abordagem!

    De fato, é público e notório, seja nos relatórios da CGU e nos demais elaborados por Instituições de Controle de gastos públicos, a constatação da denominada ‘máfia do lixo’ atuando em prefeituras.

    Assim como, embora exista a ‘Política Nacional de Resíduos Sólidos-2010’ dentre outras Leis alusivas à temática – ressalte-se ainda que apesar de ter ocorrido inúmeras prorrogações de prazo para extinção de lixões – inexiste na grande maioria dos municípios qualquer solução adequada e razoável acerca de extinção de lixões e a devida coleta de lixo.

    Registre-se, ainda, que há, em países desenvolvidos, inúmeras soluções de incineração de lixo doméstico – para pequenos, médios e grandes geradores, segura e rentável, com os devidos filtros, técnicas e controle de custos.

    Enfim, perpetuam-se a problemática nas mãos do Estado, mesmo ainda que há décadas demonstre-se como sendo incompetente, ineficaz…etc…, e caro, e a troco de quê ?

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