Artigo originalmente publicado em novembro de 2018.
Dois anos e cinco meses atrás, no dia 23 de junho de
2016, o Reino Unido votou para sair da União Europeia. A data de saída está atualmente
marcada para 29 de março de 2019, quase três anos após a votação. Mas pode ser
postergada ainda mais, pois há um arranjo de transição que pode durar até pelo
menos o fim de 2020.
Pior: ainda há uma chance de que a coisa seja
postergada até além das eleições gerais de 2022.
Isso seria uma
enormidade: seis anos após a votação histórica.
Tanto a alta hierarquia da União Europeia quanto os
medalhões do governo britânico irão dizer que tem de ser assim mesmo, pois a relação
entre o Reino Unido e a União Européia é excessivamente complexa e não pode ser
desfeita muito rapidamente.
Entretanto, a história nos oferece uma perspectiva diferente.
A Primeira Guerra Mundial demorou quatro anos. A Segunda Guerra, seis. Será que
é mais fácil conquistar e em seguida perder todo um continente do que separar
duas jurisdições pacificamente?
Em vez disso, analisemos o que houve com a Tchecoslováquia.
Nasci naquele país, mas nunca penso nele como minha terra natal. E é assim
porque antes mesmo de eu ir para a escola, o país já havia se transformado
completamente: não só ele havia deixado de ser uma república socialista e um satélite
soviético e se transformado em uma democracia liberal, como também havia se
separado em duas nações.
Sendo assim, quando me tornei criança, o país em que
nasci já não existia mais. Tudo o que sempre conheci, desde então, é a
República Tcheca. Toda a história turbulenta — Václav Havel eleito
presidente, a Revolução de
Veludo, a primeira
eleição livre, o início da transformação
econômica, Václav
Klaus eleito primeiro-ministro, o Divórcio
de Veludo — aconteceu nos primeiros seis anos de minha vida.
O realmente interessante em toda essa sequência foi
o Divórcio
de Veludo. A seguir, um breve resumo da cronologia.
As decisivas eleições ocorridas nos dias
5 e 6 de junho de 1992 viram o partido de Václav Klaus na República Tcheca
e o de Vladimír Meciar na Eslováquia obterem a maioria dos votos em seus
respectivos parlamentos estaduais, bem como no parlamento federal (a Tchecoslováquia
já era uma federação há 20 anos àquela data).
Como consequência, as tensões rapidamente escalaram.
Os eslovacos queriam uma federação mais solta — no caso, uma confederação entre
as duas repúblicas. Já os checos eram inflexíveis: ou uma federação mais
centralizada ou dois países completamente independentes. Como eram medidas
irreconciliáveis, o primeiro-ministro checo Václav Klaus se encontrou com o
primeiro-ministro eslovaco Vladimír Meciar em Brno no dia 8 de julho e ambos concordaram
em separar a federação, dissolvendo a Tchecoslováquia e criando duas nações
independentes.
O acordo foi assinado no dia 26 de agosto e Václav
Havel renunciou ao cargo neste ínterim (20 de julho). No dia 13 de novembro,
foi promulgada uma lei estipulando como
os ativos federais seriam repartidos. Doze dias depois, aprovou-se um ato
anunciando a dissolução da Tchecoslováquia para o dia 31 de dezembro de 1992.
Questões complexas como a continuidade do parlamento
checo, a continuidade das leis, o arranjo dos tribunais e das supremas cortes e
coisas afins foram todas rapidamente decididas até dezembro. Uma nova
Constituição checa foi aprovada no dia 16 de dezembro.
A Tchecoslováquia foi dissolvida à meia-noite do ano
novo. Quando as pessoas acordaram na manhã seguinte, elas já tinham novas
nacionalidades, e o parlamento tcheco reelegeu Václav Havel presidente no dia
26 de janeiro de 1993.
Em um período de tempo de meros seis meses, uma
abrangente solução foi acordada e colocada em prática. Ativos imobilizados foram
distribuídos de acordo com a proporção populacional de aproximadamente 2
tchecos para 1 eslovaco. Emendas aos tratados internacionais assinadas pela
Tchecoslováquia foram negociadas e assinadas muito rapidamente pelas duas novas
repúblicas, confirmando a continuação destes tratados. Em 1996, os dois países assinaram
um protocolo especificando a distribuição das responsabilidades especificadas
nos tratados assinados pela Tchecoslováquia.
E tudo isso aconteceu ao mesmo tempo em que a Tchecoslováquia
(no caso, seus dois países componentes) estava vivenciando uma maciça transformação
econômica.
A Tchecoslováquia estava privatizando estatais e
terras públicas em uma escala sem precedentes e a um ritmo nunca antes visto na
história do mundo. De certa forma, foi como uma combinação de Brexit com as privatizações
da década de 1980 no Reino Unido, só que muito mais complicado. Ao passo que o
Reino Unido da década de 1980 privatizava duas empresas por ano, a Tchecoslováquia
do início da década de 1990 estava privatizando duas empresas por hora. Somadas,
o valor contábil dessas empresas representava uma enorme fatia do PIB. A privatização por
meio de vouchers (houve outros métodos de privatização), sozinha, englobou
empresas que valiam um terço do PIB da Tchecoslováquia. Tudo isso ocorreu
exatamente ao mesmo tempo em que as repúblicas estavam se separando.
E não nos esqueçamos do fato de que a Tchecoslováquia
também era uma união monetária. A ideia original era que a moeda, a coroa tchecoslovaca,
seria mantida pelos dois países, mas, após a separação, ela não durou nem
dois meses, sendo então substituída pela Coroa checa e pela Coroa eslovaca.
Onde há vontade, há um jeito. Duas coisas tornaram possível
a separação pacífica do país: a insistência de Vaclav Klaus de que tudo tinha
de acontecer rapidamente, antes que os grupos de interesse e os poderosos
lobbies tanto empresariais quanto de funcionários públicos pudessem se organizar
e criar uma bem-sucedida defesa do status quo; e o fato de que os dois recém-criados
governos, apesar de toda a tensão entre eles, trabalharam conjuntamente para
impingir, de boa fé, todos os acordos atuais e antigos. Sempre que surgiam diferenças
ou questionamentos, eles procuravam soluções amigáveis nas quais nenhum dos
lados poderia se gabar de ter saído vencedor. O objetivo sempre era manter possível a cooperação
futura.
Ninguém estava propondo divórcios litigiosos ou moções
ridículas, como proibir aviões de sobrevoar o espaço aéreo, reter caminhões nas
fronteiras, não reconhecer licenças, ou um país continuar tendo jurisdição sobre
o outro pelos próximos 100 anos. Tempo e boa fé eram a essência de tudo.
Se os checos e os eslovacos foram capazes de separar
todo um país em seis meses, então certamente Londres e Bruxelas podem encontrar
uma maneira de extrair uma nação-membro muito mais rapidamente do que em seis
anos.
Acho que poderíamos fortalecer os movimentos separatistas Brasil afora. São Paulo, Nordeste, Sul… só assim chegaremos à mais liberdade.
Poderia acontecer no brasil o exemplo do leste europeu: 27 nações independentes, ou no minimo, 27 membros independentes de uma federação, com Brasília ocupando o mero posto de mediador entre as partes.
Sem nenhuma criação de leis federais e normas valendo no país todo.
cada estado por si e todos enriquecendo com o comércio entre si e com o mundo.
Separatismo é visto com maus olhos por boa parte da população brasileira (assim como qualquer outra medida em pró da liberadade).
Qual o caminho mais efetivo, além de disseminação das ideias, para se atingir a secessão?
O racismo tecnológico no Brasil
O Dia da Consciência Negra é lembrado principalmente por um líder guerreiro conhecido como Zumbi dos Palmares. Zumbi liderou o maior quilombo em defesa dos negros em uma época que negros estavam impedidos de viver como os brancos. A sociedade escravocrata fazia de tudo para boicotar qualquer tentativa de independência negra, tanto em âmbito social como econômico. Mas o que tudo isso tem haver com o nosso presente? O tempo passou, mas os mesmos impedimentos ainda existem. No artigo de hoje vamos aprender sobre um novo tipo de racismo: o racismo tecnológico.
Para explicar devidamente o fenômeno racista de nosso tempo é preciso ter em mente que o pensamento liberal e conservador ocupou novamente uma posição de prestígio em nossa sociedade. É importante ter Isso em mente porque o que está ocorrendo é um breve apagão social em nossa história, é como se o negro perdesse, novamente, o poder institucional e social. Lembre-se, por exemplo, que o governo do PT foi marcado por uma assistência maior a grupos étnicos e minorias, que foram vitimadas por Deus, ao serem colocados em um mundo infestado por brancos.
O maior problema do pensamento liberal está na indiferença para com a luta negra. É uma ideologia que não nasceu nas senzalas, mas nas mansões; uma ideologia criada por brancos, para brancos, com chantilly branco. Se houvesse uma cor que para definir o liberalismo, essa cor seria o branco. É uma cor seca de ódio envolto de uma falsa pureza de homens burgueses. São porcos que utilizam essa cor como representação de limpeza e moral social. O branco carrega consigo um naturalismo que mata negros, neoliberal. Sabe Por quê? Porque negam à dívida histórica e colocam todos reféns de uma suposta paz do capital. Paz essa semelhante a Pax Romana onde todos os negros e minorias são explorados pelo capitalismo. Eu não quero esse tipo de paz! Eu quero os meus direitos! Eu quero que todos os negros fiquem em seus apartamentos de luxo usando Macbook, Iphone, Bicicleta Cool, e que ninguém tenha que trabalhar. O objetivo da humanidade deveria ser criar um ambiente social em que todos fossem cult, bonitos, vegetarianos, igual o Pinterest.
Spartacus é o novo Zumbi dos Palmares
A tecnologia apenas representa como o preconceito ainda é forte no Mundo. Você sabia, por exemplo, que ainda existe escravidão de negros no Youtube? Que brancos nascem com toda estrutura econômica e social para ter um canal famoso enquanto negros têm que trabalhar nas lavouras para pagar por um Macbook de 20 mil? É evidente que existe uma exploração da mais-valia redirecionada a negros e minorias. É evidente que negros estão sendo boicotados nas plataformas digitais pelo público branco. Essa é a natureza do racismo tecnológico. Existe uma barreira tecnológica e social controlada pela nova ordem mundial branca, cristã e conservadora.
Um jovem negro revelou toda a hipocrisia que há por trás desse "livre mercado de ideias". As denúncias no vídeo acima são muito graves e revelam como o capitalismo está impedindo o sucesso dos negros no ambiente digital. Spartacus é um herói, que usa sua forma de trabalho como arma contra o racismo tecnológico. Foi assim que nasceu, em pleno século 21, os quilombos virtuais. São pequenos canais, contas e espaços virtuais onde a cultura negra sobrevive. Foi ele quem colocou as cartas na mesa. Nós, minorias, não podemos nos rebaixar tecnologicamente a branquitude. A cultura negra deve viver com independência tecnológica, e isso me leva a um ponto importante: Precisamos pensar em cotas para negros em compras de produtos Apple. Por que não podemos ser limpinhos igual às pessoas do comercial da Apple? Por que não podemos usar roupa cool e escrever artigos no Médium em um Macbook? Por que temos que ter um computador lixo, de pobre, fedorento, para fazer edições de vídeo? Chega! Eu estou cansado de ser boicotado por barreiras tecnológicas assim como Zumbi dos Palmares foi boicotado socialmente. A cultura negra deve viver com o que há de melhor tecnologicamente, e nós, como sociedade que tem uma dívida histórica para com os negros, temos a obrigação de financiar isso.
Ninguém solta a mão de ninguém.
Notas
{1} Cara, eu fiquei tão na bad com a eleição de Bolsonaro, que não tive forças para escrever. Apenas fiquei no meu apartamento comendo chocolate, salgadinho, e assistindo Netflix.
P.S – Eu tenho certificado da Adobe para falar em nome dos negros.
Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
Pessoal, desculpem minha falta de conhecimento profundo sobre o Brexit, mas gostaria que vocês me respondessem precisamente oqual o medo que o Reino Unido está tendo em relação a separação com a União Européia que está fazendo com que haja toda essa burocracia?
Acho que foi tocado um ponto primordial: “Onde há vontade, há um jeito”.
Creio que se pudessem, o brexit seria revogado.
Mudando de pato para ganso: alguém acha que a construção de Brasília foi benéfica?
Boa tarde!
Um texto excelente mas que eu acho que no Brasil vai ser muito difícil acontecer.
Porque o Brasil não passar a ter logo 5.570 municípios-nações aí pode ter governos liberais, “anarquistas”, monarquistas, comunistas, progressistas, conservadores, religiosos…
Vai ter todos os tipos e para todos os gostos e se eu não gostar pego um ônibus e vou para a cidade-nação mais próxima ou de minha preferência(isso se os comunistas deixarem é claro).
Um dos problemas é que pode ter um forte movimento migratório onde as pessoas que elegeram comunistas (progressistas e revolucionários) vão tentar eleger ou passaram a eleger outros comunistas(levar a falsa mensagem do paraíso terrestre para outros). O outro problema seria as pessoas que tem maior capacidade de criar valor valor vai junto com as que tem pouco capacidade de criar valor só ver o ranking que o Brasil ocupa na educação.
1- desacredita o comunismo e depois secessão
2-secessão primeiro e não desacredita o comunismo voltando com força( o ciclo se reinicia).
No leste europeu o comunismo (nazismo, socialismo) foi desacreditado primeiro(sempre) e só depois caiu de podre.
Eu concordo com a separação mas primeiro tem que desacreditar o comunismo o máximo que puder (nas eleições Darth Maldadd ficou acima de 40% onde este a meu ver não deveria ter nem 1%).
Então o processo no Brasil é mais complexo de fato.
Por que as pessoas, geralmente sem nenhuma informação sobre o assunto, automaticamente acham que o Brexit é ruim ou foi um erro?
Não bastasse as Olavetes, agora a TFP quer dar pitacos por aqui hahahahhahaha
Acho ótimo, continuem
Participando de um grupo de discussão sobre carreira diplomática, observo a cada dia o quão impregnado de esquerdismo é o pensamento de política externa. Recentemente ao se discutir um possível acordo comercial entre Brasil e Chile, os membros desse grupo que participo não se cansavam de enfatizar: mercosul, mercosul, mercosul, mercosuuuuuuuul!
Isso por quê são pessoas com impressionante nível de leitura (a bibliografia para ingresso na carreira diplomática é extenuante), fora todos os estudos em idiomas que são cobrados na prova de ingresso.
Capital Imoral é muito hilário! Quanta criatividade!
Comportamento passivo-agressivo: a pessoa sente o impulso de agredir, mas não consegue ou não quer fazê-lo diretamente, então finge aceitar passivamente a situação, mas ataca indiretamente com atrasos, erros básicos perfeitamente evitáveis, etc.
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