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Trabalhadores e capitalistas não são inimigos, mas aliados – como dolorosamente comprova a Venezuela

Mão-de-obra e capital são dois fatores de produção.
Nossa prosperidade depende de quão eficientemente eles são alocados.

A mão-de-obra, como todos sabem, diz respeito aos
trabalhadores humanos. Quanto mais capacitados e preparados são os trabalhadores,
maior tende a ser a qualidade do bem ou serviço produzido.

Mas apenas uma mão-de-obra bem preparada e
capacitada não basta. Ela precisa ter à sua disposição um capital de qualidade.
E o que seria este capital?

Grosso modo, capital é tudo aquilo que aumenta a
produtividade da mão-de-obra. Capital são todos os ativos físicos das empresas
e indústrias que tornam o trabalho humano mais eficiente e produtivo. São as
instalações, os maquinários, as ferramentas, os estoques, as edificações, os meios de transporte, os equipamentos de escritório de uma
fábrica ou de uma empresa qualquer.

Assim como um trator multiplica enormemente a
produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos
modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e,
consequentemente, seus salários e, em última instância, o padrão de vida de uma
sociedade.  

Se você quiser que uma economia produza mais, suas únicas
opções são alcançar uma ou mais das seguintes alternativas:

* Mais capital.

* Mais mão-de-obra.

* Um uso mais eficiente do capital disponível.

* Um uso mais produtivo da mão-de-obra disponível.

Ou seja, trabalho e capital são dois
ingredientes que determinam o desempenho de uma economia. Mais do que isso,
eles são complementares: trabalhadores
se tornam mais produtivos e ganham maiores salários quando investidores e
capitalistas compram
máquinas e aprimoram a tecnologia
.

Em outras palavras, os marxistas e os socialistas estão
completamente equivocados ao afirmarem que trabalhadores e capitalistas são inimigos
mútuos. A realidade é oposta: quanto mais capitalistas, maior o padrão de vida dos
trabalhadores
. E nem é preciso uma profunda teoria para refutar essa ideia
marxista: apenas olhe ao redor do mundo e compare a prosperidade dos
trabalhadores em economias mais voltadas ao mercado com as privações dos
trabalhadores em economias estatizadas.

capital.jpg

No
eixo Y, a quantidade de capital investida por trabalhador; no eixo X, a renda por
trabalhador.
Fonte: Economic Growth

Entra a Venezuela

Toda essa teoria se torna
dolorosamente clara ao lermos essa reportagem do Wall
Street Journal
sobre o atual inferno socialista da Venezuela:

A multinacional irlandesa Smurfit Kappa, líder em embalagens de
papelão ondulado da Europa e uma das principais empresas de embalagens de papel
do mundo, anunciou recentemente sua saída da Venezuela, alegando
impossibilidade de manter sua produção perante as destrutivas políticas implantadas
pelo governo socialista de Nicolás Maduro. Foi mais uma multinacional a sair do
país.

Mas este caso trouxe uma reviravolta. Centenas
de empregados venezuelanos da empresa, que dependem da multinacional irlandesa
para transporte, educação, moradia e alimentos, continuam aparecendo diariamente
na empresa querendo trabalhar. Eles se revezam em turnos para proteger todo o
pesado maquinário ocioso contra roubos e saques, algo que se tornou uma
desenfreada rotina à medida que a Venezuela se afunda na hiperinflação e no
caos econômico. […]

“Socorro, precisamos de um patrão aqui!
Estamos desesperados!”, disse Ramón Mendoza, funcionário há 17 anos da divisão florestal
da Smurfit. “Estamos apavorados porque só agora estamos vendo que a única coisa
que o governo sabe fazer é destruir absolutamente tudo, todas as empresas.”

O sofrimento destes trabalhadores
ressalta a devastação que as comunidades rurais venezuelanas estão vivenciando
à medida que as empresas privadas vão se retirando daquele país que já foi não apenas o mais
rico da América Latina, como também o quarto mais rico do mundo
.

A economia já encolheu 50% nos últimos
quatro anos.

A única exclamação que me
vêm à cabeça após ler a declaração do senhor Mendoza é: uau! Ele de fato
entendeu exatamente o que se passa: “a única coisa que o governo sabe fazer é
destruir absolutamente tudo”.

Eis outro trecho do
artigo:

Os trabalhadores que vivem perto da
empresa haviam recebido empréstimos a juros zero da Smurfit para suas casas. Os
residentes afirmaram que, com a saída da empresa, eles não mais podem contar
com as quatro ambulâncias que a empresa bancava para servir às comunidades ao
redor.

Na Escola Técnica de Agricultura, que fica
na cidade de Acarigua e que foi inteiramente financiada pela Smurfit,
aproximadamente 200 crianças que viviam na extrema pobreza passaram a receber educação,
moradia e também refeições quentes, as quais se tornaram um luxo após o colapso
das escolas públicas do país.

Ao longo de duas décadas, muitos dos
formandos desta escola técnica foram trabalhar na Smurfit. O ano acadêmico deveria
começar em 1º de outubro, mas, sem dinheiro para alimentar e transportar os
estudantes, há apenas silêncio nos corredores e nas salas de aula. “É como se
todo o nosso futuro tivesse sido repentinamente abolido”, disse a senhora
Sequera.

Agora, atenção para o
trecho a seguir. O governo venezuelano não apenas não faz a mais mínima ideia
de como consertar a baderna que ele próprio provocou, como os próprios trabalhadores
estão rejeitando o ideal socialista de assumir o controle dos meios de produção.

Nos últimos dias, a administração Maduro
afirmou que havia encontrado uma solução para as instalações da Smurfit: os
trabalhadores iriam eles próprios administrá-la. O governo não irá
estatizá-la, mas nomeou um comitê temporário para ajudar a reiniciar as operações.

O Ministério do Trabalho não ofereceu
detalhes de como iria substituir toda a rede de distribuição da Smurfit, por
meio da qual a empresa abastecia suas subsidiárias em outros países. No entanto,
os próprios trabalhadores vieram a público dizer que eles não querem e não são capazes
de gerenciar as instalações, e insistem que querem ter patrões — mas desde que
não sejam funcionários do governo.

“Sabemos como transportar a madeira
daqui para a fábrica. Mas não sabemos nada sobre finanças e marketing”, disse o
senhor Mendoza.

Novidade nenhuma, é claro. Isso é divisão do trabalho pura e simples. Se operários fossem igualmente capacitados para também
efetuar tarefas administrativas, eles formariam cooperativas e seriam eles seus
próprios patrões. Só que, ao contrário do mundo cor-de-rosa imaginado por
socialistas, nem todo o operário é qualificado para efetuar também questões financeiras
e gerenciais. Nem todo operário pode assumir o controle dos meios de produção com
a mesma competência de empreendedores e capitalistas. Com efeito, nem todo operário
quer se tornar um empreendedor.

É interessante constatar
como um simples e rotineiro exemplo venezuelano jogou por terra todo um enorme arcabouço
marxista.

De resto, é impossível não
se solidarizar com os trabalhadores (agora sem patrões) da Smurfit. Eles simplesmente
querem trabalhar honestamente em troca de um salário honesto. Eles não querem
brincar de revolução, não querem ficar sem patrões e nem muito menos assumir o
controle dos meios de produção. Querem apenas continuar trabalhando, algo tornado
impossível pelas políticas
socialistas adotadas pelo governo da Venezuela
.

Conclusão

Não, não estou insinuando
que patrões são motivados por um profundo amor a seus empregados. Tampouco estou
dizendo que empregados são motivados a criar lucros para as empresas para as
quais trabalham. Ambos os lados estão em um constante cabo de guerra para definir
como cortar o bolo. Isso vale para todas as áreas.

Mas há dois pontos a
serem constatados.

1) O bolo só cresce
quando os mercados têm liberdade para funcionar, e esse crescimento do bolo
beneficia tanto patrões quanto empregados.

2) A ideia de que
empregados assalariados estarão em melhor situação caso fiquem sem patrões e assumam
o controle dos meios de produção não passa de um mero devaneio adolescente,
algo que faz sentido apenas na mente de intelectuais socialistas.

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59 comentários em “Trabalhadores e capitalistas não são inimigos, mas aliados – como dolorosamente comprova a Venezuela”

  1. Outro dia meu primo, que é de esquerda, disse que a explosão do número de pessoas vendendo marmitas, quentinhas e comidas mais baratas (como pizzas a preços populares) era uma "consequência nefasta" da reforma trabalhista de Temer. Segundo ele, "gente que poderia estar em melhor situação trabalhando com carteira assinada e repleta de direitos está agora tendo de se virar empreendendo, e sem direito nenhum".

    Aí eu perguntei: "Ué, mas não é exatamente esse o sonho da esquerda, abolir os patrões e transformar trabalhadores em donos dos meios de produção?"

    Ele se surpreendeu com a incoerência, gaguejou e até hoje não me respondeu.

  2. Sim, trabalho e capital são aliados naturais. Ambos têm um interesse em comum. Somente a intervenção do governo (o que inclui sindicatos protegidos pelo governo), seja fornecendo tratamentos especiais para um dos lados, ou mesmo incitado um lado contra o outro, pode fazer com que se tornem adversários.

    Estamos avançados no século XXI e “intelequituais” ainda não entenderam isso.

  3. Quando se entende que a mão-de-obra combinada com o capital permite que o trabalho produza bens e serviços que indivíduos consumidores apreciam, o que por sua vez eleva a remuneração da mão-de-obra, toda a visão de mundo de Marx é imediatamente virada de ponta-cabeça.

    O capital não explora o trabalhador. Ao contrário, ele aumenta o valor da mão-de-obra ao fornecer ao trabalhador as máquinas e ferramentas de que ele necessita para produzir bens e serviços que os indivíduos valorizam.

    Não fosse o capital disponibilizado pelos capitalistas (maquinário, ferramentas, matéria prima, insumos, instalações etc.), a mão-de-obra não teria como produzir estes bens de qualidade altamente demandados pelos consumidores. Consequentemente, os trabalhadores nem sequer teriam renda.

    O capitalismo é fundamentalmente um processo de comunicação por meio do qual os seres humanos tentam decidir qual a melhor maneira de utilizar recursos escassos de modo a satisfazer os mais urgentes desejos e necessidades.

    Transações comerciais e preços de mercado são a maneira como nós consumidores explicitamos para os capitalistas, empreendedores e trabalhadores as nossas percepções subjetivas de valor, de modo que eles então possam encontrar a melhor maneira de nos fornecer as coisas que mais valorizamos.

  4. Filho do Capital Imoral

    Vocês não conseguem enxergar a culpa do imperialismo Americano nisso tudo? Vocês realmente puxam o saco de Norte Americano sem o menor pudor… Viva a resistência de Maduro!! Vai praticamente sozinho derrubar o câncer do mundo, o País mais nojento, O United States of Swines Capitalists

  5. Nada a ver. A Venezuela sofre da doença holandesa – e não venham com perguntas infantis como: a Holanda está doente? Já esteve à época do termo, mas corrigiu o rumo. Ou seja, a economia venezuelana era dependente de um único produto, o petróleo, não diversificou sua matriz produtiva e, por isso, dirimiu-se diante da queda do preço do barril no mercado internacional.

  6. Me desculpe professor, o UBER não fornece ferramentas de trabalho. È o carro novo do motorista que vai se desvalorizando e vira lixo.O capital inserido na compra do veículo é transferido para ao Uber, que usa a base da pirâmide como mão de obra giratória. É por isso que ele renumera quem chama mais ubers. Pirâmide financeira é crime no Brasil.

  7. Pessoal, preciso de algumas indicações, se possível. Já acompanho as postagens do site há algum tempo e queria iniciar leituras sobre a Escola Austríaca, entretanto não sei qual livro é o mais indicado para começar. Se puderem me indicar algum eu agradeço !

  8. Socialismo é tirar de quem produz para repassar a quem não produz. O regime vive de criar trabalhos sem importância só pra distribuir o que tirou de quem produz.

    Fazendo uma conta, todo mundo gostaria de ter sem produzir. Sem ter que trabalhar realmente. Daí apóia o roubo alheio. Só que ano apos ano sob o comunismo, o número dos que trabalham diminui e o dos que recebem sem trabalhar aumenta.

    Fala se muito em greve nas esquerdas, mas quando quem produz faz greve, a escassez impera. Não há o que roubar e redistribuir porque nada foi produzido. O que os socialistas querem é escravizar quem trabalha. Quando este não aceita, cruza os braços, e aí a maioria não come.

    Produtores rurais espoliados passam a produzir só o que comem. Para que produzir a mais pra matar a fome de uma população que apóia sua escravidão sem receber nada em troca? Os outros tem que trabalhar pra eu não fazer nada? Isso é um imenso mau caratismo.

    Nesse ponto o estado toma os meios de produção. Mas como fazer os trabalhadores renderem, se o bom é receber sem trabalhar? Quanto mais trabalhar pra sustentar a si e aos outros?

    A sociedade que aceita o socialismo já começa errada desde o começo. E só dura enquanto houver coisa pra roubar.

    Tem uma hora que a produção é destruída. Daí os regimes comunistas quererem espalhar a revolução: roubaram do próprio povo, agora tem que roubar dos outros.

  9. As Seis Lições (Ludwig von Mises)

    Economia Numa Única Lição (Henry Hazlitt)

    O que o governo fez com o nosso dinheiro (Murray Rothbard)

    Liberalismo (Ludwig von Mises)

    A mentalidade anti-capitalista (Ludwig von Mises)

  10. Se o governo venezuelano não tivesse perseguido tanto o mercado negro, hoje teríamos mais uma máfia superpoderosa no continente.

    Se fosse traçar um paralelo com o passado, a Venezuela seria a China de Mao-Tse Tung que perseguiu e massacrou os traficantes e contrabandistas da região, ao invés da URSS que permitia a máfia russa existir.

  11. Li recentemente sobre trabalhadores americanos que se aposentaram há uns 20 anos com folga pois recebiam mais ações da empresa como bonificação, e hoje quase não recebem, ficando a maior parte nas mãos de executivos e investidores. Por isso eles não esperam se aposentar cedo ou talvez nunca. Se houve mais acúmulo de capital e maior especialização da mão-de-obra nesses anos, por que eles recebem menos? Não me refiro à maior desigualdade mas sim ao fato de eles estarem recebendo menos mesmo

  12. Os médicos cubanos ficam com R$ 3.500,00 e com esta soma gastam digamos R$ 1.800,00 com despesas pessoais e mandam para suas famílias R$ 1.700,00 o que dá mais ou menos US$452,00 e isto em Cuba é uma fortuna,ou seja a Ditadura cubana fica feliz ,o médico cubano fica feliz e a família dele fica feliz…assim pensam os esquerdistas,mas estes médicos livres eles doariam para a ditadura cubana todo este dinheiro e sem falar que tanto a transferência para o governo cubano e para a família do médico é convertida em dólar,ou seja o governo cubano só perde a parte que ele gasta com suas despesas pessoais se é que ele gasta mesmo R$ 1.800,00,enfim este programa é uma indecência,dizem que é para pagar os custos com a formação do mesmo,mas hora bolas ele paga imposto para ter educação e o governo com este programa está cobrando dobrado dele,meu Deus com o governo é opressor e a ditadura cubana passa dos limites neste quesito,graças a Deus estou livre deste lixo tóxico que é o estatismo estatólatra,onde analisar as coisa com bom senso só aqui em Mises.

  13. Caro Felipe,

    Provavelmente, Mussolini queria agradar tanto a gregos quanto a troianos. Ou seja, a legislação “trabalhista” da Itália fascista deveria, ao mesmo tempo, acalmar os empresários e os sindicatos (em sua maioria, ligados ao Partido Comunista). Se o resultado final foi bom ou não, a questão está aberta. Mas o fato é que o Getúlio Vargas também se baseou na Carta del Lavoro para elaborar a famigerada CLT.

  14. http://www.bbc.com/portuguese/internacional-46483717

    É por reportagens como essa que nunca “a massa” vai entender porque políticas socialistas não funcionam. Se vir um novo governo defendendo as mesmas coisas (como tabelamento de preços, nacionalizações e impressão de dinheiro) e não chamar de socialismo, vão acreditar, apoiar com fanatismo e terá os mesmos resultados do passado.

    Segundo os brilhantes formadores de opinião, a culpa da crise é por causa da queda do preço do petróleo (vale lembrar que o preço não está baixo, está no mesmo preço que estava em 2000). Mas então eles precisam explicar para o público porque Emirados Árabes Unidos, Arabia Saudita, Rússia e Noruega (só pra citar alguns) não estão na mesma situação que a Venezuela.

    Jornais que deveriam vir a público e explicar de uma vez por todas porque a Venezuela morreu é a Folha e o Estadão, mas parece que os jornalistas brasileiros possuem rabo preso com a “intelligentsia”. Eu já lavei as minhas mãos.

  15. Administrar, gerenciar, empreender, liderar são atividades como quaisquer outras: envolvem aprendizado, mas também requerem certo talento/pendor.

    Não é só questão de “chance”, nem todo mundo possui talento e disposição para determinadas atividades, por mais treinamento e oportunidades que receba.

    Mas para entender isso é necessário aceitar que cada pessoa tem sua individualidade.

    * * *

  16. E tomara que nunca o Partido Socialista saia do poder por lá. Quem sabe assim, os outros países próximos percebam que esse é o futuro de um país que toma seguidas políticas socialistas sem nenhuma interrupção.

    Não bastasse os exemplos da URSS e de Cuba, parece que ainda não aprenderam o que o socialismo é capaz de fazer num país.

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