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O Pró-Álcool, os carros “flex” e as trágicas consequências da intervenção estatal na nossa gasolina

Quem viveu o início da década de 1970 no estado de
São Paulo deve se lembrar: ao viajar de carro, você se deparava com imensas
faixas de terra ocupadas por culturas de feijão, café, milho, soja, frutas
cítricas etc. em fazendas a perder de vista. Eram de uma variedade e pujança
incríveis.

E aí, em 1975, surgiu um maciço programa estatal
rotulado “Programa Nacional do Álcool”
ou simplesmente Pró-Álcool.
E tudo mudou.

O programa foi uma iniciativa do governo brasileiro
de intensificar a produção de álcool combustível para substituir a gasolina. A
crise mundial do petróleo, iniciada em 1973, fez com que o preço
do produto ficasse extremamente elevado
e passasse a ter grande peso nas
importações do país. Consequentemente, o governo decidiu “impulsionar” a
produção de álcool com o intuito de substituir o uso da gasolina.

Começando em novembro de 1975, o governo passou a oferecer
vários incentivos fiscais e, principalmente, empréstimos bancários — por meio
de seus bancos estatais — a juros abaixo das taxas praticadas pelo mercado
para os produtores de cana de açúcar e para as indústrias automobilísticas que
desenvolvessem carros movidos a álcool.

Na primeira década, o objetivo parecia estar sendo
alcançado: os consumidores passaram a priorizar os automóveis a álcool,
especialmente por poderem abastecer nos fins de semana, o que era vedado para a
gasolina (sim, era
proibido por lei postos abrirem aos fins de semana para vender gasolina
).

Adicionalmente, a diferença de preço do litro era
fixa em todo o país, com o álcool
custando 65% da gasolina
, o que fazia com que o carro a álcool fosse
artificialmente vantajoso em termos de custo por quilômetro (o álcool rende, em
média, 70% da gasolina; logo, qualquer relação de preço abaixo de 70% é
vantajosa ao uso do álcool).

Como consequência desse incentivo artificial, a
produção de álcool no Brasil disparou:
no período de 1975-76 foi de 600 milhões de litros; no período de 1979-80 foi
de 3,4 bilhões, e chegou ao auge em 1986-87, com 12,3 bilhões de litros.

Quem é do ramo pode confirmar: na década de 1980, as
vendas de carros a álcool dominavam o mercado automobilístico brasileiro. Dos 6.524.014 veículos de
passeio produzidos entre 1980 e 1990, nada menos de 4.614.402 (equivalentes a
70,7%
) eram a álcool.

Por causa destes incentivos artificiais concedidos
pelo governo, aconteceu o óbvio: todas aquelas plantações de feijão, café,
milho, soja, frutas cítricas etc. desapareceram e se transformaram em uma
monocultura de cana de açúcar, da qual se extrai o álcool etílico.

Ou seja, houve uma profunda alteração não só na
engenharia dos motores dos carros, como também na paisagem agrícola do país.

Pior: este programa governamental promoveu aquela
inevitável série de problemas: elevação da dívida pública em consequência dos
benefícios concedidos (além das isenções, o governo tinha de pegar emprestado
para poder emprestar, em uma política idêntica à
utilizada pelo BNDES nos governos Lula e Dilma
), o aumento dos latifúndios
monocultores, e a consequente elevação
dos preços de alguns gêneros alimentícios, cuja oferta agora era menor, pois
privilegiou-se o plantio da cana de açúcar.

O
fim do Pró-Álcool

Como todo programa dependente de incentivos e
financiamentos estatais, o Pró-Álcool não conseguiu se manter.

Tudo começou a ruir quando o preço internacional do
petróleo começou a cair forte a partir de meados da década de 1980, desabando
nada menos que 66%
. Este barateamento do petróleo tornou o álcool combustível
pouco ou nada vantajoso — até pior em alguns casos — tanto para o consumidor
quanto para o produtor.

Para agravar o problema, o preço do açúcar começou a
subir forte no mercado internacional, quadruplicando
de preço entre 1985 e 1990
, o que tornou muito mais vantajoso para os
usineiros produzir açúcar em vez do álcool.

Essa combinação de fatores gerou uma consequência
inevitável: houve uma enorme escassez do
produto no segundo semestre de 1989
. Simplesmente começou a faltar álcool
nos postos, deixando os donos dos carros literalmente na mão e sem opções.

Essa crise de desabastecimento, em conjunto com o
maior consumo do carro a álcool (que, como dito, rende apenas, em média, 70% da
gasolina) e a menor diferença de preço para a gasolina, gerou uma enorme
descrença generalizada entre os consumidores e as fábricas de automóveis. A
produção de carros a álcool entrou em forte declínio já no início da década de
1990, quando as fabricantes passaram a não mais oferecer modelos novos movidos
a álcool.

No final da década de 1990, o álcool combustível —
também conhecido como álcool hidratado — estava praticamente morto no Brasil.
Havia apenas o álcool anidro, que é o álcool misturado à gasolina, por força de
lei, com o intuito de aumentar sua octanagem, coisa tipicamente
brasileira, tão ruim sempre foi a qualidade da gasolina comum da Petrobras.

Surgem
os “flex”

No entanto, um fenômeno tornou possível a
ressurreição do álcool combustível: o surgimento dos automóveis “flexíveis em
combustíveis”, uma criação americana.

A tecnologia foi criada em decorrência tanto da
crescente pressão do estado americano da Califórnia por carros “mais verdes”, que
passou a oferecer
vantajosos descontos tributários
para os carros que poluíssem menos o
ambiente, quanto por uma questão de segurança nacional, dado que os EUA àquela
altura dependiam em mais de 50% do petróleo do Oriente Médio. As fabricantes de
automóveis nos EUA pensaram primeiro no álcool metílico (metanol), mas os
produtores de milho do Meio-Oeste americano, sob a égide da Coalition For Ethanol (Coalizão pelo
Etanol),  fizeram um poderoso lobby e convenceram
governo e indústria a adotarem o etanol em vez do metanol.

Porém, naquele vasto mercado de veículos, as fabricantes
não poderiam simplesmente passar a vender modelos a álcool, pois os
consumidores não teriam como abastecê-los com a mesma facilidade dos carros a
gasolina, cuja oferta era ubíqua no país. Foi então que, em 1993, surgiram os
primeiros carros “flex” por lá, aptos para rodar tanto com álcool quanto com
gasolina ou com sua mistura em qualquer proporção.

A tecnologia chegou ao Brasil apenas em 2003.
E, desde então, os carros flex só fizeram aumentar sua participação no mercado,
chegando
hoje a 80% da frota nacional
.

Mas há problemas.

Além
do mercado cativo, há um desperdício inacreditável

Como já dito, no Brasil, um decreto do governo impõe
a mistura de álcool anidro na gasolina. Até antes de 2015, cada litro de
gasolina continha 25% de álcool. Mas a partir de 2015, por determinação do
governo, esse percentual foi elevado
para 27%

Ou seja, hoje, em um litro, 730 ml são de fato
gasolina e 270 ml são álcool anidro. O Brasil é
o único país do mundo que faz uma mistura nesta proporção de 27%
. Nos EUA,
o máximo permitido é de 15%. Na vizinha Argentina, 12%. México, 5,8%. Chile e Canadá, 5%.

Como explicado neste artigo, “no
Brasil, todo proprietário de veículo de passeio, de um simples Corsa até o
Fusion, é obrigado a colocar álcool no seu carro. Trata-se de um dos maiores mercados cativos para um produto do mundo“.

Porém, muito além de ser uma reserva de mercado que
garante a farra dos usineiros, as consequências sobre nosso bolso e sobre toda
a economia são ainda piores.

Para isso, façamos um pequeno exercício
demonstrativo. Aqui, irei me basear neste
exemplo
fornecido por um dos maiores especialistas brasileiros em
automóveis, Arnaldo Keller, do site Autoentusiastas.

Imagine que há três carros à disposição. Os três são
exatamente iguais e com motores de mesma cilindrada e arquitetura. A única
diferença é o combustível: em um, o motor foi projetado para usar só gasolina;
em outro, só álcool; e no terceiro há o nosso convencional motor “flex”, que,
como dito, já representa 80% da nossa frota.

O motor flex aceita qualquer combustível em qualquer
proporção. Porém, não há mágica: o preço desta versatilidade está no desempenho
e na eficiência. Como disse
o engenheiro Sérgio Habib, maior revendedor do país e sócio na implantação da
chinesa JAC, “Motor Flex é igual ao pato: anda, voa e nada — mal”.

Voltemos ao exemplo. Suponha que estejamos em um
país livre, de modo que você e eu possamos ir a um posto de combustíveis em que
há total liberdade para comprar gasolina pura (atualmente, isso é proibido pelo
governo, e o dono do posto que o fizer será preso), álcool e “gasolina
brasileira”, que é a nossa tupiniquim mistura de 73% de gasolina e 27% de
álcool.

O carro a gasolina pura faz, digamos, 10 quilômetros
por litro. Ato contínuo, você coloca 7,3 litros de gasolina pura no tanque do
seu carro e consegue rodar 73 quilômetros.

Já eu, que sou mais ignorante, opto por abastecer meu
carro de motor flex com 10 litros da
nossa “gasolina brasileira”. E saio para rodar. Após trafegar exatos 80
quilômetros, meu carro pára, pois o tanque secou.

Um carro flex com a “gasolina brasileira” — com 27%
de álcool — roda
20% menos
 (ver também aqui) que outro carro exatamente igual equipado com um motor calibrado
para usar apenas gasolina pura.

Então, recapitulando: você colocou em seu carro de
motor a gasolina 7,3 litros de gasolina pura e rodou 73 quilômetros. Eu
coloquei em meu carro flex 10 litros de “gasolina brasileira” e rodei 80
quilômetros.

Coloquei 2,7 litros a mais que você e rodei apenas 7
quilômetros a mais que você.

Assim, você tem de rodar apenas mais 7 quilômetros
para me alcançar. Ato contínuo, para que você percorra mais 7 quilômetros e me
alcance, você decide usar um carro a álcool que você encontrou ali parado (sim,
me ajude nessa).

Para isso, basta você colocar um litro de álcool,
pois o álcool, tendo um poder calorífico que é 70% do poder da gasolina,
produzirá energia suficiente para rodar 70% do que um a gasolina pura roda.
Portanto, se o carro a gasolina pura faz 10 km/l, o a álcool faz 7 km/l.

E aí você me alcançou.

Resultado final: você gastou ao todo 7,3 litros de
gasolina pura e mais 1 litro de álcool para rodar 80 quilômetros. Já eu gastei
10 litros de “gasolina brasileira” para rodar estes mesmos 80 quilômetros.

Só que, considerando que em 10 litros de “gasolina
brasileira” há 7,3 litros de gasolina pura e mais 2,7 litros de álcool, isso
significa que eu gastei tanta gasolina pura quanto você (7,3 litros). Porém,
você gastou apenas 1 litro de álcool. Já eu gastei 2,7 litros de álcool, o que
significa que eu gastei 1,7 litro de
álcool a mais que você
.

Ou seja: nós dois rodamos a mesma distância, mas eu,
com meu carro flex e minha “gasolina brasileira”, gastei 1,7 litro de álcool a
mais que você.

Apenas para rodar este módico percurso de 80
quilômetros, 1,7 litro de álcool foi
literalmente jogado fora
. E isso não é pouco.

Se, de cada 2,7 litros, 1,7 litro é desperdiçado,
temos que 63% do álcool contido em nossa “gasolina brasileira” usada em um
carro flex é jogado fora. O volume desperdiçado
simplesmente supera o volume aproveitado
.

E daí? E daí que, como bem observou o articulista, desperdiçar
63% de álcool é desperdiçar 63% das terras em que a cana foi plantada para produzir álcool; é jogar
fora 63% de todo o trabalho envolvido na produção do álcool (de 1 tonelada da
cana só saem 100 litros de álcool); é jogar fora investimentos e mão-de-obra.

Acima de tudo: há um enorme custo de oportunidade. Em vez de terras plantando café, feijão,
milho, soja e frutas cítricas, há o plantio de um produto (cana de açúcar) cuja
produção será desperdiçada em 63%. Pense nos alimentos que deixaram de ser
produzidos. Pense em quão mais baratos seriam os alimentos caso houvesse essa
maior oferta.

Por causa de um intervencionismo estatal, há um
excesso de produção de um produto que será ineficientemente usado, e uma
subprodução de vários outros produtos cruciais.

Ganham os usineiros beneficiados por essa lei; perde
toda a população.

Conclusão

Frédéric Bastiat já alertava: em economia,
mais importante do que aquilo que se vê é aquilo que não se vê. Você vê toda a
cadeia da produção de álcool sendo estimulada. Mas você não vê o desperdício. Você
não vê a ineficiência. E muito menos vê os alimentos que deixaram de ser
produzidos para dar lugar à plantação da cana de açúcar, plantio este que só ocorre
em seu atual volume por causa de um intervencionismo estatal, que torna a
atividade mais lucrativa do que seria normalmente.

Como concluiu Arnaldo Keller: se o Brasil fosse um
país livre, se o governo e a Petrobrás nos respeitassem, eles teriam muitas explicações
a nos dar. A pergunta que fica é: quem é que vai tirar o dedo desses caras da
descarga para onde mandam o nosso combustível e o nosso dinheiro?

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106 comentários em “O Pró-Álcool, os carros “flex” e as trágicas consequências da intervenção estatal na nossa gasolina”

  1. Quem tem carro importado ta ferrado, essa quantidade de etanol no Flex não faz tanto mau quanto faria em um não flex, mas nos importados não flex, o motor não foi projetado pra receber essa quantidade de etanol, fora a octanagem baixa(87) e todo o enxofre e química tóxica na gasolina. Isso faz criar borras nos cilindros, entope bicos, motor grila, fuma e da diversos problemas em altas quilometragens.

    A Podium hoje custa absurdo, ela tem 25% de etanol e 95 octanas, o que ja é uma qualidade bem maior do que a gasolina comum, só que pra encher um tanque de 50 litros de podium, você vai gastar em média 50 reais a mais do que com a gasolina comum. É aquela história, o barato sai caro, depois o problema que pode dar por usar essa gasolina horrorosa sai mais caro do que ostentar com a Podium.

    Meu carro pede pra por ”Premium Unleashed fuel”, fiz isso a vida toda, só que nos últimos aumentos de 2017 esse costume passou a ser inviável.

    A diferença da podium pra comum é tão grande, que se pode sentir em desempenho e consumo.

    Outro fato curioso é que os carros aqui no Brasil as vezes tem mais potência do que os de fora(no caso de mesmo motor e modelo), justamente por causa dos 27% de etanol, como todos sabem o etanol da mais potência do que a gasolina.

    Nos EUA, nego paga mais barato na gasolina com 10% de etanol enquanto a gente paga mais caro com 27%, é um vergonha!

    Aqui nós temos que comprar essas carroças a preços altíssimos e arcar com uma gasolina horrorosa, o carro não presta e a gasolina também não, por isso os carros la de fora tem uma vida útil muito maior do que aqui, lá nego não troca amortecedor com 100 mil km, isso é coisa pra 300 mil e olhe lá, aqui com 150 mil o carro ta mole parecendo um impala, o carro fica até mais inseguro pela falta de grip.

    O cuidado com a manutenção aqui tem que ser redobrado, gasolinas como GRID, V-power e afins são gasolinas comuns com aditivos, são mais caras e no fim a mesma porcaria.

    Nos EUA tem postos com gasolina de 98-105 octanas para carros de corrida, enquanto aqui se tiver Podium de 95 octanas já é muito…

    Abraços

  2. Bom dia a todos.

    Vi um projeto de uma mina usina a um custo de R$250 mil para produzir mil litros de álcool por dia. Não é pouca produção pelo investimento? Que tipo de rentabilidade dá para esperar? Aqui na minha região têm muitos produtores de cana…

  3. De década perdida em década perdida,

    o Brasil chegará ao século perdido.

    Ou já chegou e já está indo

    para o segundo século perdido…

    * * *

  4. Bom Dia , prezado Thiago Fonseca .

    Muito oportuno seu texto em uma época de petróleo abundante e consequentemente “barato”. A questão dos alimentos , se vc consultar um produtor de milho , feijão e frutas, como citado no texto, quanto a preços desses produtos a resposta dele não será muito animadora , imagina toda a área coberta por cana hj , plantada com esses alimentos a oferta que teríamos , como estariam os Preços ? Acredito que o erro não esteja no projeto álcool em si , mas sim na gestão de tudo que envolve o setor público.Obrigado .

  5. Brasil é tão capitalista que facilita os pobres adquirirem seus carros elétricos fechando o mercado e proibindo de carregá-los por conta própria.

    tecmundo.com.br/amp/mobilidade-urbana-smart-cities/131465-brasil-regulamenta-recarga-veiculos-eletricos.htm

  6. “Um carro flex com a “gasolina brasileira” — com 27% de álcool — roda 20% menos que outro carro exatamente igual equipado com um motor calibrado para usar apenas gasolina pura.”

    Não existe este dado no link informado.

  7. Aqui no Brasil a gente:

    – Usa gasolina batizada, chamada no artigo de gasolina brasileira, única no mundo;

    – Não pode usar carro de passeio a Diesel;

    – Temos a Petrobrás mas pagamos mais caro pelo combustível do que países que não produzem.

    É um festival de erros.

  8. Excelente artigo. Coloca as coisas sob uma perspectiva que a maioria de nós não enxerga, tornando claro o tamanho do desperdício.

    No entanto, senti falta de um esclarecimento. O artigo menciona que a frota de flex é hoje 80% da frota nacional. Mas porque esse percentual é tão alto? Existem incentivos e subsídios atualmente em vigor para carros flex? Ou o consumidor tem preferido a menor eficiência energética em favor da flexibilidade voluntariamente?

    Parabéns pelo artigo.

  9. Richard Gladstone de Jouvenel

    E quanto à questão agrícola, ainda tem um inconveniente a mais.

    A cultura de cana é uma das que mais exigem do solo, e existem plantadores que tiram três colheitas antes de fazer a rotação, que em geral é feita com crotolaria juncea, soja ou amendoim.

    Se, num exemplo extremo, um fazendeiro queira reverter o uso do solo para uma cultura fora dessas, vai ter um trabalho danado pra recuperar a terra.

  10. “Por causa de um intervencionismo estatal, há um excesso de produção de um produto que será ineficientemente usado, e uma subprodução de vários outros produtos cruciais.

    Ganham os usineiros beneficiados por essa lei; perde toda a população.”

    Agora faz esse povo entender…. vai uns 200 anos nisso .

  11. Motor flex é o maior LIXO já criado pela engenharia e faria Nikolaus Otto morrer de desgosto.

    Nem precisa usar a “gasolina brasileira” para ilustrar isso. O problema central da mistura de combustível é que existe um único ponto ótimo de taxa de compressão para um dado poder calorífico, e este é dado pelas características do combustível. Já a taxa de compressão é definida por características mecânicas (depende do curso do pistão e do diâmetro da câmara) e portanto não pode se “adaptar” ao poder calorífico “novo” da mistura.

    Isso significa que qualquer mistura de combustível fora daquela projetada irá fazer com que a taxa de compressão dada esteja fora do ponto ótimo, e portanto haverá, deterministicamente, ineficiência e desperdício.

    O motor flex apenas tenta minimizar esse efeito atrasando ou adiantando o momento da faísca através da injeção eletrônica – e o máximo que se pode fazer é achar o ponto de explosão “menos pior” para aquela mistura específica de combustível (além do mais, a mistura é determinada a posteriori, pelo coletor de escape, e a injeção está ainda por cima sempre atrasada).

    Então não tem mágica. Num motor flex, qualquer mistura de combustível ainda será menos eficiente que um motor projetado para um combustível “puro”, seja a álcool ou a gasolina.

    Num livre mercado genuíno, uma porcaria dessas jamais teria existido.

  12. Everaldo - Rondônia

    A tecnologia FLEX só foi boa para uma classe específica, A CLASSE DOS USINEIROS. Na verdade, o brasileiro teve que engolir essa artimanha disfarçada de tecnologia, que não é viável utilizar o álcool e aumentou o consumo ao se utilizar a gasolina. E assim, a nação “celebra” a tecnologia flex, que enfia a mão no bolso do brasileiro sutilmente, e em nada lhe traz retorno.

  13. Ainda complemento dizendo que no caso da “gasolina brasileira” o autor comprou quase 3 litros de alcool pagando o preço da gasolina.

  14. Apenas constando que 63% de desperdício de alcool no carro flex nao significa 63% de desperdício nas terras plantadas com cana de açúcar. Isto por que a maior parte da produção de cana será destinada a fabricação de açúcar. Portanto o desperdício em terras seria bem menor que 63%.

  15. Dalton Catunda Rocha

    Nunca haveria Proálcool, sem que antes disto, o ex-ditador Getúlio Vargas tivesse criado a Petrobrás e o monopólio estatal do petróleo.

    O petróleo é dos árabes. E a Petrobrás é da CUT. Dei-me um país, que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre e uma cleptocracia. Tudo o que a Petrobrás deu ao povo brasileiro, desde que foi criada em 1953, é uma sentença de viver num país pobre.

    Qual deveria ser o hino do PT? Aquela música que diz: "Onde está o dinheiro? O gato comeu, o gato comeu. E ninguém viu. O gato fugiu, o gato fugiu. O seu paradeiro está no estrangeiro."

    Quem quiser, que veja a música completa neste site: http://www.youtube.com/watch?v=92rr8EcDc90

  16. Antônio L Camargo

    O Brasil precisa de uma mudança de ruptura radical, semelhante ao que aconteceu na década de 90.

    Quem será o corajoso que irá ser pintado como o “diabo” tupiniquim?

  17. Enquanto isso o carro a diesel continua sonho distante.

    Essa mijolina detona com os motores a gasolina. Governo como de praxe beneficiando os seus companheiros às nossas custas.

    Muito legal terem integrado o artigo com o Arnaldo Keller do AE. Inclusive publiquei duas colunas lá.

  18. Mais uma herança maldita da ditadura – sim, foi para você intervencionista iludido. Ironicamente (ou não?), a proibição de carro de passeio à diesel prejudica sempre os mais pobres, pois o rico pode comprar uma camionete à diesel de boas.

    O Brasil é um erro. Secessão já!

  19. Espere aí, até onde sei não existe gasolina pura em postos de lugar nenhum do mundo.

    A gasolina pura sofre pré detonação mesmo em compressões muito baixas, não sendo possível assim, o seu uso puro.

    Por isso gasolina precisa de anti-detonante, antigamente usava-se o chumbo tetraetila como anti-detonante, hoje se usa álcool. Logo até mesmo a melhor gasolina do mundo tem anti-detonante misturado.

  20. E alem do desperdicio, o alcool estraga o motor e o sistema de injecao eletronica. Eu nunca vi um carro a alcool que funciona 100%, sem falhas, principalmente no frio. Nos EUA tem um monte de carro antigo que vc coloca a gasolina e anda, sem falha nenhuma e sem precisar de muita manutencao.

  21. Bruno, os amortecedores não duram porque nossas ruas e estradas são inspiradas nos queijos da suíça e não no asfalto de lá. Quanto a gasolina, não são as aditivadas tudo a mesma porcaria, existe a V-Power e existe as outras, uma tem aditivo que funciona as outras nem tanto. Nota: não trabalho e nem ganho nada da Shell, sou apenas um usuário dessa gasolina.

  22. Como a gasolina brasileira tem 27% de álcool misturado, o álcool puro tem que valer até 76% do valor dessa nossa gasolina e não 70% para valer a pena encher só com álcool, certo?

  23. Os meus sólidos estudos ajudaram a humanidade a se safar de problemas que foram criados pelo liberalismo, isto é um fato inegável.

    O programa Pró-Álcool no Brasil foi todo baseado nos meus ensinamentos, e salvaram o Brasil da arbitrariedade da OPEP e de um colapso inflacionário.

    Sem deixar de considerar que eu sou o maior economista o qual o mundo já viu, vou listar alguns pontos positivos do Pró-Alcool:

    1. criou um novo combustível, que a livre iniciativa jamais teria conseguido

    2. ampliou a atividade canavial nos campos

    3. nova tecnologia gerando novos empregos (usinas)

    4. mais investimentos no setor, inclusive externo

    5. reduziu-se os preços dos combustíveis para o consumidor

    Caso o governo tivesse ficado de braços cruzados “esperando a mãozinha invisível por ordem na bagunça” em vez de intervir positivamente na economia, é óbvio que a situação teria se agravado irremediavelmente: a inflação teria disparado, muitos empregos teriam sido destruídos e os caminhoneiros teriam feito greves.

    O Pró-Álcool é apenas mais um exemplo, dentre milhares de outros, de que os meus ensinamentos são e sempre serão a salvação das nações, das pessoas, dos governos e do mundo capitalista.

    Sds!

    King Keynes

  24. Tem muito exercício de chutologia no artigo. Falta ciência. Gostaria que o autor citasse um estudo sério que confirme que o motor flex consome 20% a mais de combustível.

  25. Tem como dar certo um país onde, além das leis econômicas, as leis da física são também ignoradas?

    Estou estranhando não ter visto um comentário pejorativo em relação ao caráter do brasileiro. Quando o povo insiste em seguir à risca as leis econômicas, é tachado de ganancioso, aproveitador, safado, preguiçoso, etc. etc. Cadê as críticas para quem insiste em ficar dentro das leis da física? Que falta de criatividade…

    Só espero que um dia não legislem que jatos devem voar com álcool, ou ainda mais, que turbinas são proibidas, pelo barulho ou qualquer outra coisa… pensando bem, melhor parar por aqui. Perigoso dar ideia…

  26. Acho que o mais provável seria essas terras serem usadas, se não fosse para canavial, para cultivo de alguma commoditie como soja ou milho e não para gêneros alimentícios mais consumidos pela população como tomate e feijão. Outra possibilidade era continuar do mesmo jeito e aumentar a produção de açúcar.

  27. O artigo é interessante, mas inverte o ônus do carro flex. O carro flex foi um sucesso DE MERCADO. O brasileiro, desinformado ADORA o carro flex. O sucesso do carro flex nao foi uma imposicao do governo, mas sim um erro do consumidor.

  28. Descobriram a América!!! Motor Flex foi uma das maiores atrocidades já cometidas na nossa já zoada indústria automotiva. O motor Flex nada mais é que um motor comum, ajustado num meio termo para suportar gasolina ou álcool, como um pato que nada e voa, mas não faz nada direito. Por isso temos Hondas e Toyotas, conhecidos mundialmente por sua economia, fazendo insanos 8km/L (menos que um Escort velho). Sem falar que ficamos congelados nos anos 90 e nunca mais recebemos motores realmente inovadores, afinal de contas, que empresa maluca iria gastar tempo e dinheiro adaptando motores modernos já prontos e afinados com gasolina, só pra atender aos macaquitos que queriam um motor FRÉXIS? O mais bizarro é que mesmo no inicio de tudo, lá em 2003, tudo era óbvio e não víamos NENHUMA revista dita especializada falando sobre isso. Ao contrário, tínhamos comparativos da Revista 4 Patas, onde os gênios TIRAVAM PONTOS dos modelos só a gasolina pois “não dá ao consumidor a chance de escolha” e vomitavam o mantra de que carro TINHA QUE SER FLEX ou era um lixo. Bom o resultado está aí, abriram as portas pra toda forma de gasolina batizada, enquanto o mundo já foi da gasolina pro híbrido e já estão dirigindo os elétricos, muito bem obrigado.

  29. Uma solução seria os motores com ”Variable compression Ratio” ou ”Taxa de compressão variavel”

    Logo menos deve ser realidade nos motores a combustão que atingirão o AUGE de eficiência em 2050.

    jalopnik.com/worlds-first-variable-compression-ratio-engine-could-ki-1785295848

  30. Jose Cristiano Castro de Souza

    Além de termos um Estado intervencionista e com consequências ineficientes e alto custo. Veja o contra senso , temos a Lei de Defesa do Consumidor, que proíbe a adulteração dos produtos ou os oferecerem com qualidade ineficiente. Me revolta ter que pagar o preço do litro de gasolina (meu veículo é a gasolina) “pura” e na verdade só recebo 73% de gasolina.

  31. Será que algum dia o Brasil irá descobrir finalmente o capitalismo de mercado?

    Porque pela tendenciosidade dos jornalistas sempre ficaremos na mesma latrina.

    Olhem o sacrifício pra fazer um leilão de um simples empecilho.

    www1.folha.uol.com.br/amp/mercado/2018/07/governo-avalia-leilao-de-termica-que-eleva-conta-de-luz-em-r-1-bilhao.shtml

    Brasil é o 4° país com maior potencial energético do planeta, mas graças diretamente ao Estado, temos a 7° energia mais cara do mundo.

    Eu não canso de salientar em discussões de como a esquerda brasileira é totalmente atrasada e agora depois da falência do PT está complemente perdida.

    Esquerdistas ainda não entenderam porque os países europeus que eles gostam (o que já é risível por si só), conseguem manter gastos governamentais altos e o Brasil mal consegue respirar. Além de já serem ricos faz tempo, um dos motivos é justamente ter o mercado muito mais livre do que o Brasil.

  32. Vocês acham que a liberação dos carros a Diesel poderia estragar algum lobby de transportadoras e empresas de transporte coletivo, que atualmente se beneficiam com os subsídios? Mas como que a maior procura pelo Diesel poderia interferir nos subsídios? Poderia então tornar os subsídios governamentais inviáveis e, por consequência, causar o fim dos subsídios?

    Ainda bem que na Índia, um país bem mais pobre que o Brasil e ainda dependente de fontes de energia mais poluentes, eles não proibiram os carros a Diesel.

  33. Falando em álcool combustível, os carros utilizando o etanol hidratado (que só existe aqui mesmo, com etanol e água) seriam os mais “verdes” entre os carros?

  34. Com a alta do álcool, os preços da gasolina nas bombas estão subindo, graças à essa pornográfica mistura. 15 % de álcool para americano é alto, aqui 27 % de álcool nós chamamos de gasolina (a gasolina premium acho que só tem a da Petrobras e eu não sei nem se compensa pelo preço bem maior).

    Como é sabido, o governo morre de medo de lobby de setor agropecuário, então eles não irão mexer nesse percentual.

    No Paraguai, a Petrobras vende a gasolina tanto com 25 % quanto com 10 % de álcool.

  35. “Biodiesel: interrupção na mistura obrigatória é um desastre para o setor, diz Ubrabio”

    Esse é um dos maiores exemplos de corporativismo ambientalista: em nome de poluir menos, subsidiam grandes produtores de soja para fazer uma mistura que piora a qualidade do óleo diesel.

    Começou com 2 % de mistura em 2008, agora é em altos 10 %. Maior proporção do mundo. E eles ficam mudando o tempo todo, criando mais incertezas, principalmente para caminhoneiros.

    Ao invés de usar soja para fazer mais ração para animais ou mesmo em plantar milho ou outro gênero agrícola, para atenuar a carestia alimentar mundial, sustentamos essa farra. Ou mesmo, no lugar de plantar soja, criar uma área de preservação ambiental.

    Como todo subsídio governamental, gera desperdício de terra, recursos, capital e trabalho.

  36. “Galón de gasolina de 95 cuesta más de S/ 23 en diez distritos: ¿dónde encontrar los precios más bajos?”

    Gasolina hoje no Peru está entre 4,18 e 5,75 sóis peruanos o litro (lá se vende por galão).

    Lembrando: a gasolina deles (chamada de “gasohol”) tem apenas 7,8 % de álcool na composição, diferente da gasolixo tupiniquim. O Diesel vende o comum, com 5 % de biodiesel (diferente dos 10 % misturados no Brasil), além do biodiesel em si.

    A nossa gasolina é tão ruim que ela tendo 27 % de álcool, tem 92 octanas, enquanto lá eles fazem uma gasolina com 7,8 % de álcool com 91 octanas, além das gasolinas de menor octanagem.

  37. Em 78 ano do primeiro carro a álcool o governo era militar de direita…Tudo foi mal planejado e mal executado…
    Em 2003 ano do primeiro flex era o governo Lula, hj os carros flex representam 92 % da frota…
    Chora na cama liberaleco…

  38. Ezequias Moraes da Rocha

    Pra variar, mais uma em que o governo usa de malandragem, obrigando a colocar mais álcool na gasolina. 

    Eu mesmo, sempre usei em meu carro o álcool, nunca tive problemas em relação a isso

    Tem o espertos que so usam gasolina aditivada, isso sim é  desnecessário pois a gasolina aditivada contém um tipo de detergente, e no final vc paga mais caro por algo que pouco vai fazer.

    E ainda tem os que compram carro a diesel, falando que o motor é forte e dura mais 

    Cada um na sua eu não  daria 40 mil a mais em um carro a diesel,  se posso usar etanol .

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